Mostrando postagens com marcador infantil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador infantil. Mostrar todas as postagens

27 de julho de 2026

Os Meninos da Rua Paulo - Prefácio


 

Olá, abandonado leitor! 

Comecei neste final de semana a leitura de "Os Meninos da Rua Paulo". Ainda não cheguei na página 50, a história ainda não se desenvolveu direito; porém, o que chamou minha atenção foi o prefácio e tradução de Paulo Rónai (Rónai Pal). O primeiro texto que conheci de Rónai foi na faculdade de Letras, na matéria (infelizmente curta) de Latim: Gradus Primus. Como fiquei apaixonada por esse estudo (apesar de não ser boa neste assunto), o nome de autor ficou gravado na minha memória. 

Nesta edição com a tradução e notas de Rónai, eu não pude deixar de notar o esmero que há neste trabalho. Primeiramente, o Prefácio é algo que está além de falar sobre o livro; ele apresenta a língua húngara (também sua língua nativa) e como houve uma certa barreira em levar a literatura húngara para outras partes do mundo; e  a história de um povo que mudou de região e teve que levar sua língua para outros lugares que não conheciam seu idioma. 

"Os Meninos da Rua Paulo" foi apresentado aos brasileiros em 1952 - através de Rónai pela editora Saraiva. E, uma história infantil escrita por um homem saudoso da sua terra natal, atingiu o coração dos leitores. O tradutor apresenta dois exemplos de amigos que lhes escreveram para parabenizá-lo pelo trabalho; e um deles deixou uma frase que me chamou a atenção: 

"O mundo é um só, meu caro. Pena que os donos da vida continuem a dividi-lo para proveito próprio" (p.11).

E neste ponto, chego a outra observação do tradutor que chamou minha atenção: que existem literaturas escritas para adultos que são adaptadas para o público infanto-juvenil. Porém, há literatura juvenil adotada por adultos - assim como "Os Meninos da Rua Paulo" pela sua semelhança com a vida do leitor - mesmo sendo um brasileiro lendo uma história de adolescentes de Budapeste, porque "o mundo é um só, meu caro".  Esse é o poder da literatura! 

Além do prefácio, as notas que Paulo Rónai deixa no rodapé do texto são singulares. Todas as vezes que um leitor tem contato com leitura estrangeira (fora as línguas mais conhecidas como inglês e espanhol), não vemos uma iniciativa de apresentar a fonética deste idioma para o leitor - apenas somos deixados por conta própria para decifrar a pronúncia deste nome ou aquele. Porém, Rónai teve o apuro de apresentar sua língua e fonética para os leitores: 

- Csengey - pronuncía-se Tchênguei

- Nemecsek - pronuncía-se Nêmetchek

- Krajcár - pronuncía-se cráitsar. 

Outra coisa que chamou minha atenção foi como foi mantida a tradução de Rónai ao leitor brasileiro com  um glossário de Nelson Ascher para palavras do português pouco usadas como: verberou (censurou, repreendeu), magote (bando), esfaimados (famintos). 

Essa permanência em manter a tradução original me lembrou o quanto Ernani Ssó trouxe a tradução de Dom Quixote (ed. Penguin) para uma "realidade" brasileira e, transformou o "rocim" em "pangaré"; ou, o que fez Sérgio Molina (também para Dom Quixote) transformou a raça do cachorro do protagonista (galgo) em  "bom cão". Esse tipo de ofensa ao texto original é uma forma de diminuir a obra do dito autor. Quando Ssó transforma o "rocim" em "pangaré" ele esquece que esta palavra arrancada do texto deixa de fazer sentido com o próprio nome do cavalo de Dom Quixote - Rociante (o ante-Rocim, ou seja, o primeiro rocim da história da cavalaria andante). Ou como Molina deixa algo tão característico como a magreza do dono, do cavalo e do cão como uma figura só. 

Por hoje é só, eu apenas quis deixar  registrado o apreço pelo prefácio e tradução antes mesmo de me deliciar com a história. 

Omnia Vanitas 💀

Publicado: 27/07/26. Editado: 28/07/26

Título: Os Meninos da Rua Paulo
Autor: Fenrec Molnár
Tradução, Prefácio e notas: Paulo Rónai
Revisão e Tradução: Aurélio Buarque de Holanda
Posfácio e Notas: Nelson Ascher

Ilustrações: Tibor Gregely

Editora: Cosac Naify



9 de outubro de 2025

Leitura 15


Olá, destruído leitor! 

Neste mês, eu resolvi ler somente livros juvenis ou infantis - livros que fizeram parte da minha infância e anos adiante. Alguns eu consegui achar em sebos, outros eu adquiri novos. Alguns autores foram descobertos na fase adulta e assim por diante. Eu sou apaixonada por livros infanto-juvenis pelo simples fato de muitos escritores saberem expressar bons valores e esculpir o caráter de uma criança através da leitura. Escrevo isso por experiência própria. Alguns anos atrás eu fiz uma releitura dos livros que li na fase adolescente e tive o prazer de saber que os meus gostos e escolhas na fase adulta estavam naquelas linhas que me ensinaram de forma suave um pouco sobre a vida. 

Quando eu estava no Ginásio eu lembro de começar a frequentar mais a biblioteca da escola. Lá eu conheci Johanna Spyri - que mora no meu coração desde aquela época; Maria Gripe - que me encantou com "A filha do papai Pelerine", Michel Quoist com o seu inesquecível "Diário de Ana Maria" - o que me fez amar escrever diários e escrever cartas até hoje, Urda Alice Klueger e seu "Verde Vale" - que foi o livro que fez minha mãe gostar de ler. Neste mesma época eu peguei, pela primeira vez, "Meu Pé de Laranja Lima". Estava no início do primeiro capítulo quando minha professora de Língua Portuguesa, dona Edith, me viu com o livro na mão e disse: "Que bom que você está lendo esse livro, Adelita. Em que parte você está?". Eu disse que estava no começo do livro mas que não iria ler mais porque não gostei. "Que pena" ela respondeu "agora que começaria a conversar com o pé de laranja lima". Mesmo assim, abandonei o livro.

A primeira leitura que fiz de um livro do José Mauro de Vasconcelos foi "Coração de Vidro". Isso aconteceu no início do meu casamento, o exemplar eu peguei na casa da minha mãe (como ele foi parar lá é uma história longa). Achei o livro incrível! Uma história com uma sensibilidade linda de ler. 
E neste mês, com três décadas de atraso, resolvi seguir o conselho da dona Edith e começar novamente a leitura de "O Meu Pé de Laranja Lima". 

Comecei a leitura em uma segunda-feira e terminei hoje, quinta-feira (da mesma semana). Logo nas primeiras páginas, esse livro me deu um nó peito - eu sabia que seriam pouquíssimos os momentos de alívio durante a leitura. 
Zezé - José Mauro de Vasconcelos - aprendeu a ler sozinho aos cinco anos. Para que ele entrasse nas escola, a família disse que ele tinha seis. Eu não tenho como descrever o quando Zezé era encantador em sua sensibilidade e na sua imaginação. 
Em uma família que dizia que ele era o diabo (pelas travessuras que eram castigas com surras severas); e na escola em que a professora o via como um anjo pela sua empatia com os menos afortunados que ele - Zezé encontrou o seu verdadeiro lar através daqueles que buscavam e viam o seu melhor - além das travessuras de uma criança esquecida por quase todos de sua prole. 
Na primeira parte do livro, o nó no meu peito estava quieto e contido, porém, na segunda parte e capítulos finais eu simplesmente lia aos prantos - e não estou exagerando. Eu não conseguia parar de chorar. José Mauro de Vasconcelos me fez entender coisas da minha infância que eu não queria entender, me fez lembrar de coisas que eu não queria lembrar e em tudo isso eu só sabia chorar. Quando meu Marido ligou para mim hoje de manhã e perguntou como foi o final do livro, meus olhos se encheram de lágrimas eu disse "Preciso me concentrar para não chorar", e pedi para desligar. Meu Marido é um homem sensacional.

Se eu recomendo a leitura de "O Meu Pé de Laranja Lima"? Sim. Ele vai acabar com você? Sim. E você vai recomendar essa leitura para outras pessoas? Sim.
Coloque na sua lista, choroso leitor, outro livro para destruir seu coração, também: "O Cristal Polonês" de Letícia Wierzchowski e bom trauma (risos).

Omnia Vanitas 💀
 

5 de abril de 2020

Fábulas e contos ...


Olá, leitor!

Eu sou apaixonada por contos e fábulas (infantis?). Então, eu decidi compartilhar algumas dessas maravilhas com vocês deste exemplar da foto!

A metologia será da seguinte forma: publicarei a história escolhida do livro e tentarei achar o conto no idioma original. Sobre as ilustrações, que neste livro são de Gustave Doré, será disposta a mesma que se encontra no livro que irei reproduzir.






O Sol e as Rãs

Celebram-se as bodas de um Tirano e o Povo, com festiva algazarra afoga suas preocupações em copos cheios. Esopo era o único que no via com bons olhos tais celebrações.
Contava ele que, em épocas passadas, o Sol pensou em se casar. Em seguida começaram as lamentações das Rãs. "Que será de nós, se ele tiver filhos?", perguntaram as Cidadãs da lagoa. "Com apenas um Sol já sofremos; quando houver meia dúzia deles, os mares e todos os seus habitantes sumirão. Adeus, pântanos e córregos! Nossa raça diminuirá e logo estará reduzida às águas do Estige". Para um pobre Animal, as Rãs, ao meu ver, racionavam muito bem".


Le Soleil et les Grenouilles

Aux noces d'un Tyran (1) tout le Peuple en liesse
Noyait son souci dans les pots (2).
Esope seul trouvait que les gens étaient sots
De témoigner tant d'allégresse.
Le Soleil, disait-il, eut dessein autrefois
De songer à l'hyménée.
Aussitôt on ouït (3) d'une commune voix
Se plaindre de leur destinée
Les Citoyennes des étangs.
Que ferons-nous, s'il lui vient des enfants ?
Dirent-elles au Sort, un seul Soleil à peine
Se peut souffrir (4). Une demi-douzaine
Mettra la mer à sec et tous ses habitants.
Adieu joncs et marais : notre race est détruite.
Bientôt on la verra réduite
A l'eau du Styx (5). Pour un pauvre Animal,
Grenouilles, à mon sens, ne raisonnaient pas mal.

(1) chez les Grecs : souverain absolu d'une cité
(2) les cruches de vin (on dit actuellement prendre un pot pour prendre un verre)
(3) on entendit (on n'emploie plus ce verbe que dans l'expression J'ai ouï dire)
(4) supporter
(5) Le Styx est le fleuve marécageux des Enfers, dans la mythologie. Les grenouilles n'auront plus qu'à s'y réfugier


fonte para texto em francês aqui.

21 de janeiro de 2020

Leitura três..


Olá, anônimo leitor!

Este é o meu segundo livro deste escrito escocês A. J. Cronin (vide primeira leitura: A Cidadela) e, assim como o primeira, eu adorei a leitura!

Cronin me lembra muito meu querido William Somerset Maugham - apesar de eu achar Maugham mais "delicado" ao expor a alma humana. 

Almas em Conflito trará um triângulo afetivo entre pai, filho e empregado. 

Harrington Brande é um cônsul americano que foi transferido para uma pequena localidade na Espanha. Sua personalidade é orgulhosa e vingativa e nisto encontra prazer. Sua relação com seu único filho, Nicholas, é possessiva - assim como foi com sua esposa. 
A criança é cercada de cuidados excessivos e desnecessários e o convívio social íntimo lhe é terminantemente proibido pelo pai. 

Ao mudar-se para a Espanha, para o casarão Breza, vê-se na necessidade de contratar um jardineiro para cuidar do amplo jardim da vivenda. No dia seguinte, um empregado chega para o serviço contratado, seu nome é José. 

Entre José e Nicholas nasce uma amizade muito próxima que irrita o cônsul - que faz de tudo para afastar o menino deste convívio, tornando ainda mais precioso o tempo que os amigos tem para desfrutar do laço de afeto que criaram. 
E, para ajudar a deixar a história, dois personagens tornam tudo mais intenso ao desenrolar da trama.

A leitura é muito simples, sem muitos detalhes e segue tranquila. 
E, a mesma sensação que tive ao ler A Cidadela e Lolita eu encontrei nesta narrativa: algo iria acontecer para mudar. Parece que a cada página essa mudança ou revelação chegará, mas não. Isso me deu mais ânsia de ler para saber quando mudaria para a conclusão. E a leitura só se tornou mais prazerosa. 

Sobre o final, eu não contarei, óbvio; mas eu achei sensacional - apesar dos pesares! 

Omnia Vanitas 💀


17 de janeiro de 2020

Leitura dois..



Segundo livro deste ano. Sensacional!

Este exemplar eu encontrei perdido na casa da minha mãe. À priori, eu o descartaria porque sua capa estava prestes a cair e percebi outras avarias. Como me dói muito descartar um livro, eu o trouxe comigo para casa e adotei-o definitivamente. É meu, mesmo que outros exemplares surjam, este livro é meu. 

Como eu já mencionei na primeira leitura, a suspeita de Carroll ser um pedófilo e, Nabokov expressara-se desta forma a respeito do autor de Alice no País das Maravilhas:

“I always call him Lewis Carroll Carroll, because he was the first Humbert Humbert.” — V.N.
E, não deixando passar ao largo, Nabokov cita de maneira velada o país das maravilhas de Carroll (Carroll).

Mas, além de Carroll, o autor de Lolita cita um fato que aconteceu em l948: o sequestro de Sally Horner, de apenas onze anos de idade, pelo pedófilo de cinquenta anos Frank Lasalle.

Será que eu havia feito a Lolita o mesmo que Frank Lasalle (...)?

 Lolita é um ótimo livro. Duro de ler - pelo menos para mim. 

Desde o prólogo o livro surpreende e, para os desavisados ou com compreensão equivocada sobre a obra, desde o princípio é apresentado como uma ação sexual contra uma criança. Portanto leitor, não entenda de outro modo. É isso.

A obra de Nabokov é fantástica ao tratar a pedofilia. Ela é apresentada na visão de um homem adulto que ao encontrar a filha de sua senhoria, apaixona-se imediatamente por aquela criança. Primeiramente, por esta criança lembrar seu primeiro. Em segundo lugar sua fantasia por Lolita sobrepõe a finada Annabelle e torna-se sua obsessão.

Humbert Humbert, como se denomina o escritor desta narrativa, é um homem erudito e literato e, todo a sua personalidade cátedra é vista neste seu relato sobre a sua história com Lolita. Em momento algum o leitor se deparará com palavrões, descrições grotescas de alguma situação. Humbert Humbert mostra, apesar de sua personalidade podre, um ótimo domínio sobre a escrita que não traz ao leitor nada que irá chocá-lo demasiadamente - visto que a pedofilia em si já enoja.

Dolores Haze - Lolita - é uma criança. Durante a leitura da obra, o leitor não pode esquecer disso. Quando Humbert Humbert tem relações sexuais com ela, Lolita em tem doze anos. Quando ele a acaricia, ela tem doze anos. A personagem de Nabokov não tem absolutamente nada a ver com os filmes de 1962 e 1997. Em ambos, as atrizes são mulheres acima de dezoito anos com esteriótipos sexualizados para trazer uma imagem erótica: Lolita tem doze anos, um metro e quarenta e cinco de altura. Ela é uma infante.

Por hoje é só ! Tentarei ser mais pontual com cada publicação. Ou não.

Omnia Vanitas 💀







16 de janeiro de 2020

Leitura um..



Primeiro livro lido deste novo ano!

Inicialmente, eu preciso dizer que este livro é um presente de amigo secreto da minha sobrinha-neta número três. Foi a primeira vez que uma delas me sorteou nesta brincadeira. E, o mais bacana disso foi que o sorteio precisou ser feito uma segunda vez - e, assim como na primeira - ela me sorteou, também, na segunda. Achei maravilhoso.
Dito isso, "ela" (a mãe, na verdade) me deu um vale-presente em uma livraria e uma deliciosa barra de chocolate. O chocolate não está mais entre nós; então, eu decidi que o livro escolhido deveria ser especial: tanto para mim como para minha sobrinha-neta. E não foi muito difícil escolher, visto que eu já estava com este título na minha listinha de compras. 

Então, esta é a história de como este livro chegou até mim. 

Agora, deixe-me contar sobre a leitura.

Foi minha primeira leitura de um livro do Lewis Carroll, mas eu já sabia do básico sobre ele (que existiu uma Alice) e conhecia algumas frases de efeito. É incrível como uma frase solta se torna íntima depois que a leitura completa da obra é feita. A pessoa deixa de ser uma pessoa comum e se torna um leitor-amigo-da-obra.

E eu gostei de tudo o que li. Desde o mais louco encontro, da citação mais marcante, da personagem não conhecida; tudo agradou-me. 

Eu estava dentro de um sonho muito estranho e precisa "vivê-lo" para seguir a sua ordem, ou poderia achar que tudo não passava de uma grande loucura.

Como eu disse anteriormente, este livro estava na minha lista de compras faz algum tempo, esperando pelo momento de acontecer. Eu já assisti alguns filmes e séries que mencionam estas duas obras de Carroll, mas, também, repito: nada melhor do ler para saber o que é realmente Alice. 
Assisti aos dois filmes do Tim Burton e agora eu já os detesto. 

Porém, cometi um pequeno deslise que tirou meu deleite na leitura. Em um vídeo que assisti em uma plataforma da internet, de um programa chamado Literatura Fundamental, eu descobri - ou só ativei uma informação que estava no fundo da mente - sobre o fato de Lewis Carroll ter  uma paixão de cunho duvidoso por crianças.  Eu não diminuí a obra, mas deixou meu coração triste com esta referência a uma possível pedofilia. 

Foi assim que decidi que ao terminar de ler Alice (no País das Maravilhas + Através do Espelho) eu leria Lolita do Vladimir Nabokov. Assim o fiz.


Omnia Vanitas 💀




30 de outubro de 2019

Trigésima terceira leitura..



Olá, leitor !!

Colocando minha penúltima leitura em publicação.

Esta é minha terceira leitura de A Filha do Papai Pelerine de Maria Gripe. A primeira aconteceu na época a adolescência e a segunda foi em 2017. Por pura coincidência, nesta terceira leitura eu comecei na mesma data que segunda. 

A Filha do Papai Pelerine conta a história de Luela, uma pré-adolescente que mora em uma cabana na floresta com seus irmãos gêmeos menores. Ela busca o sustento para eles e recebe ajuda de dona Aldina Petterson e Frederico Olsson. 
A mãe de Luela viaja e navio por vários países e o pai ela não conhece. Mas ela tem Papai Pelerine.

Talvez a psicologia consiga responder melhor, e também explicar, a presença do espantalho Papai Pelerine. A menina chama a si como Luela Pelerine - mesmo a mãe tendo o sobrenome Nilsson e do pai Persson.
Papai Pelerine foi confeccionado por Luela para espantar seus inimigos. Ela o veste conforme a estação e seus braços sempre estão prontos para abraçá-la.  Possivelmente, o espantalho seja o "amigo imaginário" que algumas pessoas personificam como representação de algo que lhes faltam: no caso de Luela é a figura paterna - de modo inconsciente - que ela projeta como protetor. 
E, também, é no espantalho que Luela recebe as guloseimas e comidas que Frederico Olsson deixa. Em retribuição, Luela fornece ao velho os selos das poucas cartas que recebe da mãe. 

Conforme os protagonistas de Spyri, Maria Gripe apresenta uma órfão, apesar não ser uma órfão  "funcional": seus pais existem, mas eles não estão presentes no crescimento de Luela e dos irmãos. A mãe viaja para adquirir dinheiro para sustentar a pequena família. Quanto ao pai, ele quis ficar com Luela mas a mãe o proibiu de levar a menina com ele. 
A menina nunca teve interesse de saber quem era seu pai, até ouvir, na surdina, de alguém que disse que ambos se parecem. Como Luela se acha diferente de todas as pessoas, vivia na esperança de encontrar este homem que lhe era tão semelhante. 
Luela sonha com o pai algumas vezes, sempre o salvando de situações inusitadas. Talvez, para provar seu valor, ela precisasse salvá-lo para que ele pudesse reconhece-la como filha.

Luela é uma menina madura para sua idade. Quando ela é levado do campo para a cidade, não entende porque a pessoas sorriem demais e compram demais. Ela sempre sorri quando quer e compra somente o que é preciso para ela e os irmãos. 

Sua estadia na cidade se prova útil mas não é uma experiência que pretende repetir. 

A história se mostrou muito mais rica, para mim, nesta terceira leitura. Espero poder colher mais frutos dela em uma próxima leitura.






29 de outubro de 2019

Trigésima segunda leitura..


Olá, anônimo leitor!

Confesso, eu esperava mais desse livro. 
Adorei o título e pensei que a história seria mais envolvente. 

Comecei a ler no sábado e terminei no mesmo dia. Dediquei-me com afinco, mesmo não gostando da história, para não alongar mais a leitura. 

Bandeira apresenta um grupo de jovens reunidos em uma casa antiga e em condições precárias. Durante o tempo que estão lá, o grupo passa por situações contrárias a diversão que esperavam: a ponte de acesso a cidade quebra, ficam sem eletricidade na casa .. 
Dentro todos, o único animado é Alexandre. Mesmo não entendendo o motivo do grupo ficar tão assustado por causa de uma trovoada e a falta de luz, os amigos tentam colocar Alexandre no mesmo ânimo, contando histórias sobrenaturais que ouviram em algum momento. Nada do que contam leva o ânimo de Alexandre ao que esperam.

E as histórias que contam tem a mesma enredo que já ouvimos em nosso tempo de juventude: a brincadeira do copo com o espírito, alguém que já morreu e que vem pedir ajuda para um ente querido, os delírios que levam algumas pessoas a tomar atitudes contrárias ao bom senso etc.
Não vou julgar as histórias contadas porque em algum momento da minha vida elas já me deram medo; o que me causou um pouco de falta de ânimo foi a falta de concordância em relação ao tempo. Deixarei a seguir os dois exemplos que mais chamaram a minha atenção.

Primeiro: a turma de amigos se conheceram no primeiro ano do ensino médio. Todos estão no terceiro ano quando a história acontece. E, em algum momento da narrativa, Alexandre diz algo semelhante a "...nos conhecemos faz anos" - dando a impressão de ser um tempo muito longo de amizade.
Em outro ponto é em uma das histórias contada que o arqueólogo tinha apenas quatro horas disponíveis no local onde estava e, caso ficasse preso, teria como sobreviver durante este tempo sem luz, água ou alimento - e o ar não se esgotaria. Então, mais para frente a narrativa disse que ele ficou horas no local antes de conseguir abrir o sarcófago. Horas? O tempo dele era bem limitado para o tanto de tempo que deu a impressão e passar.

Entenda, leitor, eu não estou tirando o mérito da trama, apenas apontando pontos que o deixaram negativo para mim. 

Sendo assim,

Omnia Vanitas 💀

26 de outubro de 2019

Trigésima primeira leitura ..

Olá, anônimo leitor ! 

Fim de mais uma leitura! Adorei ler "Verônica" de Johanna Spyri.


Verônica, assim como Heidi, Francisca e Jorli, é órfã. Ela é criada por Gertrudes e tem uma amizade sincera com o filho desta mulher, Teodorico.

O livro contém três linhas de tempo: a infância de Verônica é tratada de modo breve na trama, assim como sua vida adulta. O principal a trama está na juventude destes personagens. 

Spyri mais uma vez apresenta a temática da fé como parte da trama mas, neste livro, o foco principal é a dedicação ao trabalho honesto para viver de modo tranquilo e feliz. 

Verônica busca com afinco trabalhar para poder alcançar a sabedoria apresentada em uma rosa que sua mãe deixara para ela: 
A fortuna está pronta, e bem a vista;
E quem sabe apanhá-la é  que a conquista
Em busca desta fortuna (que é a felicidade) Verônica dedica-se a todo tipo de trabalho que encontra. E, ainda não encontrando a felicidade nesta tarefa, segue outros conselhos que podem levar a ele. Tudo em vão. Verônica não compreende como é possível ser feliz.

Enquanto Verônica é exímia em tudo o que faz e uma moça centrada e correta, Teodorico - mesmo desempenhando bem a sua tarefa, tem como calcanhar de aquilos dois amigos que lhe são boas influências: Blasi e Jost. 

A trama é muito bem desenvolvida entre estes quatro personagens que se descobrem lutando cada um por si. 

Uma parte me chamou muito a atenção na história: quando Teodorico sofre uma injúria, Verônica culpa os amigos e o próprio Teodorico pela sua má sorte. Então, Gertrudes apresenta o seguinte quadro para a moça:
"Quando o meu Teodorico era pequeno, e dependia de mim para tudo, no tempo em que não tinha idade para se ocupar de si, eu me vi muitas vezes aflita e inquieta, diante do seu caráter e procedimento. Ele queria ser sempre o primeiro em tudo, e fosse o que fosse que desejasse, havia de tê-lo, sem demora e sem esforço algum. E, ao passo que foi crescendo, e essas qualidades iam-se fortalecendo, pareceu-me muitas vezes que com aquela obstinação, nunca poderia vir a ser grande nem bom, se não tivesse a disciplina. (...) Se começaram para Teodorico as duras lições da vida, é que ele deve aprendê-las até o fim; e se seus pecados têm de ser expiados, não poderá deixar de sofrer". 

Isso me lembra uma frase de Pablo Neruda que diz:
Você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências. 
Teodorico escolheu suas amizades e, mesmo sabendo que a mãe e a amiga eram contra aquele envolvimento, manteve estes dois maus conselheiros sob seu travesseiro. 

Se somos livres para escolher, que saibamos ouvir àqueles que nos querem bem - mesmo que não haja concordância em determinados pensamentos e ações. 

Omnia Vanitas. 💀



25 de outubro de 2019

Trigésima leitura..



Olá, leitor! 

Esta semana eu terminei uma leitura da meta de Outubro: Francisca de Johanna Spyri.

Francisca é uma professora de vinte e oito anos e órfã e sem lugar para morar - a morte de seu pai (pastor) e do primo (futuro pastor) não lhe permitiram continuar morando na casa onde cresceu. 
Buscou por um trabalho de professora - profissão pela qual buscou formação - e o encontrou em uma vila inóspita. 
Os habitantes viviam em pobreza tão acentuada que a higiene pessoal não tinha importância: tomar banho, escovar os cabelos ou costurar as roupas não era a rotina desta pobre gente. A violência era comum até mesmo entre as crianças. 
O desafio de Francisca era trazer a civilidade para o coração da comunidade de Hinterwald e tornar-se útil para eles. Ela conseguiu mais do isso, tornou-se indispensável para a comuna. 

Como é comum nos livros de Spyri - pelo menos foi o que observei nas leituras que fiz até agora - é que a temática de educação para a fé cristã é presente em toda a narrativa. 
Quando Francisca encontra o órfão Chel (sim, suas histórias tem como personagens centrais os órfãos), a professora busca no menino a fé que a mãe dele vivia. E todos os seus atos são guiados pelo amor que a fé em Deus lhe ensinou. 

Para minha surpresa, a história de Francisca termina antes do fim do livro. A segunda história é O Moinho Stauffer.

O adolescente Jorli sai em busca de emprego para sustentar o homem que conheceu como seu avô. Não preciso comentar que ele é órfão. 
Na sua busca por emprego, Jorli é julgado pelo fato de carregar um bandolim - instrumento que herdou do pai - e visto como um vagabundo que poderá causar encrenca onde ficar. 
Somente ao chegar no moinho Stauffer, Jorli conseguirá a simpatia que lhe foi negada ao longo do caminho. O casal que lá reside espera pela volta do filho que saiu de casa para conhecer o mundo e não voltou - já passados catorze anos de ausência.
Jorli torna-se um refresco para aquelas duas almas cansadas. 
A trama também mostra que a fé em Deus deve sustentar a vida de uma pessoa mesmo em meio as tribulações e que o louvor a Ele não deve ser esquecido nestes tempos.

Ambas são lindas histórias de fé e compaixão.

Por hoje é só pessoal! 





24 de outubro de 2019

Vigésima nona leitura


Olá, leitor anônimo!!

Domingo passado eu terminei a leitura de mais um livro da meta de Outubro: Diário de um Adolescente Hipocondríaco, de Aidan MacFarlane e Ann McPherson.

Eu amo ler diários. Desde a minha adolescência, eu tenho o hábito de manter um diário perto de mim. Infelizmente, muitos se perderam. Mas, neste ano, minha mãe fez uma limpeza na casa dela e lá estavam alguns diários meus entre os anos de 1995 até 1999. Eu reuni esses diários e sentei ao lado do meu marido (que me conheceu quando eu tinha 36) e disse: venha me conhecer nos meus dezessete anos).  Foi uma experiência muito deliciosa para nós dois. Demos muitas risadas juntos, e eu prometi fazer um diário para nosso casamento. Quem sabe eu não comece um no dia que comemoraremos nosso quarto ano de casados!?

Como eu tenho essa paixão por diários, não foi difícil me interessar por esse livro.

A primeira leitura deste livro foi depois dos meus dezoito anos. E ele foi um empréstimo que nunca foi devolvido - e não faço ideia de quem me emprestou.

Peter H. Payne é o filho do meio entre três: duas meninas. Como o próprio título anuncia, ele é hipocondríaco. Porém, esta condição não se aplica ao fato de ele adorar tomar remédios, visto que em Londres as farmácias não distribuem remédios sem receita médica. Logo, a neura de Peter está ligada ao fato de ele achar que tudo o que ele lê sobre doença torna-o, automaticamente, encubador de tal vírus ou o que for.
Seus batimentos cardíacos são vigiados para que seu coração não se esforce além do necessário. Os pelos do seu corpo, as espinhas do seu rosto...tudo tem a atenção máxima de Peter - que ele só divide em precisa perturbar sua irmã mais nova, Sussie.

Este livro não é um diário "corrido". Ele não especifica o dia-a-dia de Peter, apenas dias alternados sem uma frequência de personagens. Exemplo: Sam é o melhor amigo e Peter, mas não ele aparece no dia a dia do rapaz. Nem mesmo a irmã mais velha, Sandy - que mora com a família Payne - tem uma menção contínua na vida do adolescente.

Um ponto fraco que eu encontrei no livro foi as respostas de uma coluna de revistas que a irmã caçula de Peter recebeu para perguntas sobre peso e regime.

No mais, o livro é divertido e orientador para (pré e) adolescentes e para pais que esqueceram de todas as dificuldades de como é viver nessa idade.




18 de outubro de 2019

Vigésima oitava leitura..



Fim de mais uma leitura !

Esta não é a edição que li na minha adolescência, mas não pude deixar de comprá-la quando estava em uma sessão de compra (inocente) em um sebo em Joinville.

Este Dom Quixote de Monteiro Lobato foi o meu primeiro contato (indireto) com a opera magna de Miguel de Cervane Saavedra.

Desta leitura, o que mais marcou, além da clássica cena dos moinhos de vento, foi a indignação e não aceitação de Emília para o fim do livro do espanhol. 

A história é recontada por dona Benta durante alguns dias (antes das crianças irem dormir) e acompanhada pelos deliciosos quitutes de tia Nastácia. 
Em toda a contação da obra, dona Benta ressalta que quando as crianças forem maiores e tiverem o domínio linguístico para ler uma obra como Dom Quixote, verão o quão ela é rica em detalhes e significado. As partes que foram contadas para as crianças (Pedrinho, Narizinho e a boneca Emília) foram somente as principais aventuras do Cavaleiro da Triste Figura. E, para minha alegria, a  briga na taverna e a manteada sofrida por Sancho (sinto muito, fiel escudeiro) estava na narrativa de dona Benta. 

Minha lembrança, além do que escrevi acima, eu me vejo sentada com o livro em mãos na cancha de bocha do meu pai. Não como ela está agora, mas a antiga, que tinha o chão de saibro batido com duas pistas para o jogo.  E, também, lembro de alguém passar por mim e ler o título do livro em voz alta. 

Esta leitura me fez sentir saudade da outra leitura que fiz de Dom Quixote de La Mancha. 
E, para finalizar, deixo o meu agradecimento à Monteiro Lobato  por não ter se alongado muito para escrever sobre o segundo livro da história de Dom Quixote - eu detesto aquele duque e sua esposa.

Omnia Vanitas. 💀


P.S.: A boneca Emília - tal como foi concebida - não poderia ser aceita nos dias atuais.  Tivemos sorte! 

16 de outubro de 2019

Vigésima sétima leitura ..



Olá, leitor !!

Outro livro do projeto "Outubro" finalizado.
Este livro - na verdade, foi outro exemplar - eu comprei em uma feira que acontece na escola que eu estudava. Eu não lembro de ter terminado a leitura época, mas uma frase eu nunca esqueci:
Miguel cerrou os dentes...

O motivo de ela se manter na minha cabeça foi porque eu troquei os verbos cerrar e serrar.  Tolo, não é?

Pântano de Sangue (1987) é a segunda aventura (e não a última) de Os Karas: Miguel, Crânio, Chumbinho, Magri e Calu. 

Os Karas! O avesso dos coroas, o contrário dos caretas! Aquele grupo secreto de alunos do Colégio Elite reunido por Miguel só pela farra, pela aventura, mas que logo acabou se envolvendo em perigos reais. 

A primeira aventura real foi em A Droga da Obediência (1984), que é algumas vezes mencionada na trama de Pântano de Sangue.  Infelizmente, para mim, eu não li a primeira aventura da turma, logo, não foi possível compreender algumas situações.

Mas esta não foi a última aventura de Os Karas:

- Anjo da Morte (1988)
- A Droga do Amor (1994)
- Droga de Americana! (1999)
- A droga da amizade (2014)

Na trama de Pântano de Sangue, a turma começa um dia comum de aula com a brutal morte do professor de Matemática. Crânio, o aluno mais próximo do professor, não se conforma com a morte e parte em busca de resposta..no pantanal mato-grossense. 
Nesta demanda, os amigos encontram muitas coisas erradas acontecendo no coração do Pantanal: tráfico de drogas, de animais, mortes (de pessoas e animais) e  a contínua extinção dos índios.
Uma história muito inteligente que todo adolescente (e adultos) deveriam ter na estante.

Uma das coisas me chamou à reflexão foi a questão dos índios; e quero ir um pouco além do livro para expor meu ponto de vista sobre o assunto.

Certa vez, lendo um livro de Rachel de Queiroz "As Terras Ásperas" (1993), vários temas são abordados em forma de crônicas: política, mulher, nordeste, seca, escravidão ... E um dos textos mencionava a condição do índio no Brasil. 
Depois de ler essa crônica, eu pensei: Por que o índio tem que viver no mato? Não tem sentido. Promove-se ao homem branco todo o conforto de uma civilização urbana (e rural) mas ao índio damos o mato. Será uma tentativa de tentar deixar a consciência limpa por todo o mal causado na colonização deste triste país?  E se o índio não quiser mais viver no mato? E que lhe seja imputado o direito de usufruir da terra que habita. 
Uma cultura sofre transformações ao longo de sua história, isso é muito natural acontecer. Que os índios e seus descendentes, se assim quiserem, vivam onde quiserem: seja no mato ou na cidade. A cultura indígena precisa ser preservada, isso é fato - mas não pode ser enclausura em uma floresta. 
Índio é índio dentro ou fora da tribo. 




11 de outubro de 2019

Vigésima sexta leitura ..


Olá, leitor anônimo!!

Mais um livro da Urda na minha leitura de Outubro. 
Adendo: no final desta publicação, eu vou deixar um link para as outras leituras que fiz em Outubro.

Este é o segundo livro escrito pela catarinense Urda Alice Klueger, As Brumas Dançam sobre o Espelho do Rio. Trata-se, também, de um romance-histórico.

Elisa mora na pacata Porto Belo e está destinada a casar com João Jesus, seu amigo desde a infância. Nada parece atrapalhar o projeto de ambos os pais; o enxoval é digno de uma princesa - Abel da Costa, pai da moça, não poupou esforços ou dinheiro para dar a sua filha caçula um casamento que deixará toda a vila com inveja. 

Mas a vida tem suas próprias tramas e delas ninguém escapa.

Desembarca em Porto Belo um certo Severo trazido pelo vento sul, e, desde esse momento, tudo o que Elisa achava ter certeza troca de lugar.  E, entremeios, acontece a Guerra do Paraguai.

Apesar desta guerra não ser o foco em Verde Vale, a função dela no enredo muda a vida dos personagens de ambas as narrativas.

Rio Morto é uma vila que surgiu com pessoas que fugiram do alistamento militar. Segundo a narrativa, não eram pessoas covardes, apenas não queriam se envolver em algo que não lhes representava um motivo para lutar - o que os deixava um pouco diminuídos foi saberem que os alemães participavam desta guerra mesmo este não sendo o seu país de origem. Mas a vila de Rio Morto começou por causa dessa deserção e teve sua importância na história de Santa Catarina. 

O casal protagonista tem como personagens Severo e Elisa que fogem desta guerra e também dos pais da moça para viverem seu amor.

Este livro me dividiu. Metade de mim estava adorando ler sobre a vida que estas duas personagens estavam começando longe de Porto Belo. Metade de mil achava aquele "amor" muito melado e forçado e, até mesmo, infantil. Mas mesmo assim, eu li em  24 horas as breves 142 páginas.

Muito diferente do que foi a narrativa de Verde Vale, Urda apresenta uma história mais completa e tecida com mais cuidado.

Eu deixei de fora da publicação da leitura de Verde Vale, mas a narrativa deste é mais ...como posso escrever, mais aberta - talvez não seja essa a palavra certa. Tentarei explicar. 
Apesar de ser uma história ótima, Verde Vale tem um enredo onde falta uma "cola" para a continuação da próxima ideia.  Faltam alguns detalhes que deixam a leitura com uma vontade de saber mais sobre o que realmente pensa e vive determinada personagem. Dois exemplos breves: 

- minha personagem preferida é Astrid Sonne. Como filha, ela não tem muito destaque a trama, exceto quando Helmuth se alista e parte para a Guerra do Paraguai. Nesta altura da trama, Klueger apresenta os sentimentos de Astrid, suas angústias, esperanças, a rotina da moça e tudo mais. Porém, abruptamente, não se sabe muito mais sobre ela depois que fica noiva de Helmuth. O casamento é mencionado, o trabalho do marido para conseguir dinheiro para a família; porém, quando os filhos do casal nascem, nem mesmo um nome nos é dado a conhecer, exceto que são felizes e reproduzem como coelhos.
- outro exemplo é o caráter de Lisa: a menina sempre pareceu meiga e prestativa. Depois do casamento ela se mostrou avarenta, assim como seu marido. A filha do casal era mais próxima da avó materna do que dos próprios pais que só pensavam em trabalhar para adquirir mais dinheiro. Como aconteceu a mudança deste caráter é que uma incógnita.

Neste segundo romance, é bem melhor desenvolvido as personagens e a narrativa é melhor enlaçada. Pode-se conhecer os personagens sem ter surpresas em suas atitudes - e isso não torna a narrativa monótona. 

E estas foram as minhas impressões sobre mais esta leitura de Outubro, e mais uma estória que terei prazer de reler em outro momento. 




Verde Vale {Urda Alice Klueger}
Heidi, a menina dos Alpes (1 e 2) {Johanna Spyri}

Vigésima quarta e quinta leituras..

 Olá, anônimo leitor!

Fim de mais duas leituras de Outubro.
Caso, leitor, você tenha esquecido, neste mês de Outubro eu estou relendo livros que li na minha adolescência. Claro, é impossível eu lembrar de toda a literatura que li naquela época, mas aquelas que tenho em casa eu me comprometi a ler. E, caso sobre algum tempinho, eu estarei adicionando outras leitura do gênero (que eu amo ler) nesta lista - Pollyana está no topo dela.

A vigésima quarta leitura foi o livro de Johanna Spyri, Heidi, a menina dos Alpes, da editora Autêntica. Este exemplar é uma republicação da edição antiga que li. Eu poderia ter comprado uma edição usada: sim; porém, eu sou saudosista e queria A Edição que li na tenra idade, como não a encontrei, preferi comprar uma nova edição - bem bonitona - da estória da Heidi.

E, começando pelo livro 1 "Tempo de Viajar e Aprender", eu tive uma surpresa: eu não me lembrava nada da história. Juro! Uma das intensões destas releituras é reviver alguns sentimentos que tais leituras me trouxerem. Eu não lembro de nada deste livro, exceto a nostalgia dos lugares, da paixão por dormir em sótão; lembro que esta narrativa me lembrava a casa dos meus tios na área rural de Joinville... mas eu fiquei pasma por não me lembrar do enredo.

Vamos ao livro: Johanna Spyri escreveu uma Heidi que é um exemplo de pessoa (mesma idade pueril que ela possuía). Todas as virtudes que uma pessoa deve possuir estão em Heidi. Esta protagonista respeita os mais velhos, ajuda os necessitados, não tem atitudes egoístas, sua fala é moderada, questiona com amor... Heidi, como livro, é uma narrativa para educar crianças a serem virtuosas. Na narrativa, também, é ensinado a fé em Deus como pilar para uma vida feliz. 

Um breve resumo deste primeiro livro: Heidi tem cinco anos de idade, é órfã e vive com sua tia (irmã da sua falecida mãe). Depois da morte da avó materna, a menina é encaminhada ao avô paterno que mora nos Alpes suíços. Tal avô atende pela alcunha de Tio dos Alpes e mora de forma isolada do restante do vilarejo. Sua reputação não é das melhores: sempre de mau humor e sem nenhum amigo próximo, o Tio dos Alpes tem apenas um contato próximo com Pedro, o menino-pastor que cuida das cabras do tio e de outras pessoas do lugar. 
A chegada de Heidi muda a rotina deste senhor, mas o seu caráter não corresponde ao que os populares julgam ele ser. 
A neta apaixona-se por tudo o encontra no lugar: a casa, as refeições, os animais e principalmente a natureza que tudo cerca. 
Mesmo vivendo bem, a menina é arrancada desta rotina e transportada para a cidade de Frankfurt e lá conhece outras pessoas e outro modo de viver.


O livro dois {Tempo de usar o que aprendeu} continua a narrativa final do primeiro livro sem interrupção na linha do tempo. Depois de aprender a ler, ter conhecimento da fé cristã e nela viver, Heidi surpreende a todos com seu altruísmo e contagia corações oprimidos.

Enquanto Heidi é um exemplo a ser seguido, Pedro, o menino-pastor, mostra-se completamente diferente: ele sempre quer mais do que os outros, responde à comandos somente sob ameças, é egoísta - seja com a comida, pertences em geral ou pessoas e, também, tem atitudes perversas. 
Apesar de reconhecer alguns erros e buscar por remissão, o caráter de Pedro não muda muito mesmo depois de sua confissão de culpa: ao ser questionado o que gostaria de receber como prêmio pela sua boa atitude, ele quer dinheiro para si. Quando a pergunta é feita para Heidi, a resposta dela é que quer beneficiar outra pessoa que precisa mais, pois, ela, Heidi, tem tudo o que precisa para ser feliz. 

Eu fiquei apaixonada por essas duas leituras - visto que não lembrei de nada que li na primeira vez - e terei prazer em rele-las em outro momento.







1 de julho de 2019

Novos livros..


Olá, nostálgico leitor !!


Chegou, para minha alegria, mais dois livros para a leitura de Outubro. Trata-se de Verônica e Francisca da autora Johanna Spyri.

Sobre estes livros, apenas Verônica tem algumas sinopses que auxiliam na compreensão da trama:

Publicado em 1886, este romance acontece uma pequena comunidade em que Verônica, tendo ficado órfã, encontra na sua vizinha vizinha, Gertrudes, uma figura materna. Gertrudes tem um filho, Dietrich, que está aprendendo a profissão do pai, e junto com Verônica, eles agora compartilham as lições passadas pela mãe. Com o passar dos anos, Dietrich e Verônica encontram problemas devido ao mal-estar de dois colegas, e Dietrich ainda mais, pois ele é frequentemente tentado a frequentar lugares que não conduzirão ao bom futuro.

Infelizmente, nada encontrei sobre Francisca. Terei que esperar até Outubro para conhecer essa história.

Mas como cheguei nesses dois livros da autora de Heidi?
Eu estava procurando por Heidi e encontrei esses dois livros. Agora, a luta é achar outros livros desta autora que estão  faltando:

- A Fada de Intra
- Eveli e
- Dora.

Adoro literatura infanto-juvenil. Chega Outubro!!!!

Omnia Vanitas. 💀






Links para algumas leitura de Outubro:

- Programação de Outubro
- O Diário de Ana Maria
- A Filha do Papai Pelerine
- Heidi
- O Único Amor de Ana Maria

28 de junho de 2019

Velha Infância..



Olá, leitor anônimo!

Esta semana eu fiz uma operação bancária no meu porquinho e comprei alguns livros para ler em Outubro. A primeira a chegar foi a encomenda dos livros da Heidi, de Johanna Spyri.

Talvez muitas meninas da minha idade (rs) não conheçam Heidi mas conheçam Pollyana da Eleanor H. Poter. Eu nunca li Pollyana - isso mudará em Outubro; mas fui apaixonada pelas histórias de Heidi. Assim como Pollyana, Heidi tem a sua versão "moça". Deixei para Outubro demais explicações sobre a obra e sua autora.

Conheci os livros de Heidi durante a sexta série (do segundo grau, sou da velha-escola). Como reprovei no sexto ano, não sei se foi na minha primeira temporada ou na segunda desta classe que comecei a ler a história desta famosa personagem de Johanna Spyri. Mas eu lembro que foi uma época boa para minha leitura: a professora Sussana (de Língua Portuguesa) nos deixava uma aula livre (45 minutos) para leitura. 

Heidi foi uma das leituras que me prenderam. Uma menina que foi morar no campo, dormia em um sótão ...tudo para mim foi apaixonante (vide A Filha do Papai Pelerine) Eu lembro que foi com Heidi que criei a imagem que a casa dos meus tios (onde não havia eletricidade) era um lugar lindo para viver. Criei mil fantasias de como seria eu estar morando lá - e elas me embalaram até aos dezoito anos de idade. 

Certa vez, no ano passado, meu marido precisou viajar e eu fiquei alguns dias sozinha. E, nesta solitude, eu escolhi alguns filmes (que ele jamais assistiria comigo) para assistir. Entre eles, escolhi Heidi. 
Desde lá eu estava procurando a edição que li na adolescência. Infelizmente, não tenho (ainda) uma boa lembrança da capa, então, com uma promoção de cinquenta por cento do valor, eu comprei estas duas edições lindas! 

Contando os dias para chegar Outubro! 

Veja a lista de outros livros que estão na lista de leitura para o mês das crianças.

Ainda faltam duas encomendas para chegar. Conforme serão entregues, eu estarei postando sobre eles.

21 de junho de 2019

Programação para Outubro..



Olá, adiantado leitor !! 

Acho que não resta dúvidas quanto a minha paixão por literatura infanto-juvenil. Esta é a categoria que eu adoro cadastrar aqui no Sebo do Portuga. E, na última quarta-feira (19/06), eu estava deitada na praia, lendo, e tive uma ideia: dedicar o mês de Outubro para as leituras da minha adolescência! E, acredite, já tenho uma lista de livros que não podem faltar:

- Verde Vale (Urda Alice Klueger)
- As Brumas Dançam sob o Espelho das Águas (Urda Alice Klueger)
- Dom Quixote para as Criança (Monteiro Lobato)
- Diário de um Adolescente Hipocondríaco (Aidan Macfalane; Ann Mcpherson)
- A Filha do Papai Pelerine (Maria Gripe)
- Pântano de Sangue (Pedro Bandeira) - preciso encontrar uma edição.

entre outros.

Pretendo incluir alguns clássicos infantis que ainda não li:

- Pollyana (Eleanor H. Porter)
- Descanse em paz, meu amor (Pedro Bandeira)
- O Único Amor de Ana Maria (Isa Silveira Leal)

Outros em Francês

- a continuação das aventuras du Petit Nicolas (Sempé/Goscinny)
- Le Journal d'Anne-Marie (Michel Quois) - li durante meus treze anos a edição em português "O Diário de Ana Maria"
- um livro da série francesa "Fantômette" (Georges Chaulet) ..

Eu sei que até Outubro muitas mudanças podem ser feitas nesta lista (provavelmente para aumentá-la)!
Conto os dias para mês Dez chegar logo! 😍

27 de janeiro de 2018

Leitura quatro..


Olá, nobre leitor!

Hoje, mais uma leitura foi concluída: Mulherzinhas, de Louisa May Alcott. Esta edição é portuguesa, ô pá! (nada de gerúndios). E, uma das formas de escrita que eu adoro ler foi usada: mesóclise! Sou apaixonada por este pronome oblíquo átono. Simplesmente apaixonante ler um "esta noite dar-lhe-ei algo para lhe aquecer o coração" e "ter-lhe-ia fechado a porta na cara..". E outra aplicação escrita que adoro: quando o pronome oblíquo não inicia frase: "Acabaram-se as reprimendas" e "Divirtam-se, queridas". Ah.. a etiqueta escrita é linda! Sem contar que as conversas são usadas na segunda pessoa do singular (e plural). Lindo! 

Esta leitura apresentou um pouco de dificuldade para eu começar a ler: ao terminar de ler A Cor Púrpura - que é um livro muito comovente em sua narrativa, iniciada com uma descrição triste e tudo mais.. Mulherzinhas pareceu "fútil": quatro meninas sentadas perto de uma lareira a lamentar por não ganharem presentes de Natal. Tão adverso da leitura anterior.
Porém, depois da discussão de Jo e Amy, eu comecei a me interessar pela história de Alcott.

Louisa May Alcott foi uma escritora de literatura infanto-juvenil e este clássico é uma representação da sua vivência em família - as irmãs March são a representação de si e suas irmãs.

Trata-se uma novela juvenil: seis mulheres vivem um ano sozinhas - enquanto o marido está servindo na guerra americana como sacerdote. A mãe (senhora March), a empregada Hannah e as filhas do casal March: Meg, Jo, Beth e Amy estão sozinhas em casa, vivendo as dificuldades de uma sociedade em guerra.
As quatro meninas são o foco principal da narrativa; cada personalidade é um ensino a ser aprendido pois trata-se de um livro de virtudes juvenis - e as dificuldades (ou fardos) de cada menina as levam a ser uma pessoa melhor.
O livro de cabeceira desta família é O Peregrino de John Bunyan - clássico da literatura cristã. Os ensinamentos do livro e a fé do casal March em Deus fazem parte do ensinamento virtuoso das filhas.

O título, na tradução, parece um pouco tolo, visto que mulherzinha é um sinônimo de fraqueza neste mundo machista; porém, na história, as jovens March precisam se portarem como pequenas mulheres, ou seja, devem pegar para si os deveres da uma vida adulta em um momento cívico crítico e com uma situação financeira precária que ajudará a moldar o caráter das meninas.

E, ao terminar a leitura, percebe-se que há um "Q" de continuação. E, realmente há; estes são o livros (que vou procurar para compor meu acervo):

1) Mulherzinhas
2) Boas Esposas
3) Um colégio diferente
4) A Rapaziada de Jô

Despeço-me aqui! Até a próxima leitoras, raparigas e rapazes!



25 de novembro de 2017

Vigésima oitava leitura..


Olá, leitor anônimo!

Ontem, eu terminei mais uma leitura.  Já fazia algum tempo que eu precisava colocar meu francês em andamento. E, por pura negligência, fiquei dois meses sem uma leitura substancial da língua - o que atrasa todo meu processo de aprendizagem do idioma. Mais..voilà! Comecei a leitura do livro de Sempé e Goscinny Joachim a des ennuis: une aventure du petit Nicolas ! Foi a primeira leitura deste volume. E, ao procurar algo sobre o livro na internet, descobri que este não é mais o título original; ao encontrar um coffret com sete livros contendo catorze aventuras do pequeno Nicolau { C'est chouette!! ... malheureusement, le coffret n'est pas publié là!  😭 } neste coffret o livro "Joachim a .." foi substituído por "Le Petit Nicolas a des ennuis" - e o primeiro capítulo continua sendo o primeiro título do livro. 
Realmente, quando eu comprei esse livro, imaginei que seriam histórias sobre o Joachim - com algumas participações do Nicolas. Porém, o contrário é o correto. Joachim aparece tanto quanto os outros amigos de Nicolas. 

Neste enredo o problema começa com Joachim ganhando um irmão. Todos se assustam com a vinda de um novo membro na família do amigo, e entendem quais serão os sacrifícios que o pobre Joachim deverá fazer por causa do irmãozinho. 
Depois deste primeiro susto, as aventuras são fora deste foco - e tão divertidas quanto a primeira! 

Quando aluguei o primeiro livro sobre este personagem (La Rentrée du Petit Nicolas), a bibliotecária me avisou que os outros livros não eram tão engraçados quanto este. Anônimo leitor, ela esta enganada. Li apenas dois livros depois do primeiro, e ambos me deixaram tão satisfeita quanto a primeira leitura! Nicolas e seus amigos são muito divertidos e cheios de manha. Impossível não se divertir com essa turma. 
Há edições traduzidas para o português, e eu recomendo à você, leitor. É uma leitura bem descontraída que leve quem o lê às lembranças das brincadeiras da infância e as traquinagens. Dê-se o prazer de conhecer le petit Nicolas..







Os Meninos da Rua Paulo - Prefácio

  Olá, abandonado leitor!  Comecei neste final de semana a leitura de "Os Meninos da Rua Paulo". Ainda não cheguei na página 50, a...