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14 de janeiro de 2018

Leitura dois ..


Olá, leitor anônimo!

Assim como foi ao terminar a primeira leitura desta obra de Fannie Flagg, aos prantos terminei esta segunda leitura. 
As vinte páginas finais foram difíceis de ler porque as lágrimas simplesmente não paravam de fluir! Cada frase era um incentivo ao choro desenfreado.  Aviso a você, leitor: o livro não tem a ver com o filme - em algumas partes, principalmente no final. 

Esta obra foi relançada pela Folha de São de Paulo em um projeto chamado Mulheres na Literatura. Esta coleção começou a publicação em 20 de março de 2017 e terá seu último volume publicado em quatro de março deste corrente ano; desta forma completará trinta publicações. Só tem mulher de peso: Simone de Beauvoir, Jane Austen, Isabel Allende, Charlotte Brontë, Clarice Lispector, Emily Dickson, Louisa May Alcott, Florbela Espanca, Maria Adelaide do Amaral, Lya Luft e outras (não menos relevantes na literatura). As edições estão disponíveis em bancas de revistas/jornais. 
Agradeço muito por esta republicação de Tomates Verdes Fritos pois as edições que circulam pela internet estão com preços absurdos por um exemplar. 

Sobre o livro:
A história é sobre amizade: o coração é Ruth e Idge - mas há tantas amizades envolvidas na trama que inspiram um amor pelos personagens e pela cidade que é impossível não se apaixonar e querer estar lá. Eu não vou entrar na questão do relacionamento de Ruth com Idge - sim, era uma relação homoafetiva e isso não tem segredo nenhum (supere!). 
A senhora Treadgoode - narradora de parte da história da Parada do Apito, tem uma relação de amizade com Evelyn Couch, que é casada com Ed - um marido que não nota as aflições da esposa - e Evelyn não consegue encontrar uma utilidade para si. Ouvindo as histórias do Apito, ela é encorajada a mudar de atitude e tomar as rédias da sua própria vida sem pensar no que os outros pensam sobre isso.

A história não é contada de forma linear. A narrativa de Ninny (sra. Treadgoode), as histórias do semanário e a história corrente não seguem uma sequencia reta - e isso deixou minha mãe chateada e a fez desistir do livro na página cem (uma pena!).

Além do esteriótipo homessexual, o racismo é outro ponto tratado no livro Tomates Verdes Fritos. O fato de Idge e outras pessoas desafiarem uma minúscula sociedade ao se relacionarem com os negros da região, deixava o KKK* de cabelo em pé. E, uma coisa triste é que havia o Klan em um lugarejo com 250 habitantes. Apesar de não ser uma prática incentivada, este grupo existia nesta região do Alabama - assim como em todo lugar (mas com nomes diferentes). 

Eu recomendo esta deliciosa leitura.
Sinto muito assustado meu marido ao entrar aos prantos no escritório! E o consolo que ele me deu foi: Você poderá reler depois, amor! .. E me abraçou com delicadeza tratando do meu choro com  muito carinho. 

Omnia Vanitas. 💀

P.S.: Assim que tiver tempo, experimentarei a receita de Tomates Verdes Fritos.
P.S. do P.S.: a música Sweet Home Alabama tocava na minha cabeça durante toda a leitura.

14 de junho de 2016

Nicholas Sparks..



Ontem foi dia de filme na casa dos Ferreira! Pipoca, cobertor e filminho na televisão.
Assistimos um filme que o maridão escolheu: Noites de Tormenta, baseado no livro homônimo de Nicholas Sparks. Apesar do filme não ser o que meu marido achava que seria, eu, antes do final da trama, ditei "a dança" sobre como seria o término do filme.
Portanto, se você quer assistir ao filme ou ler o livro, não leia adiante.

E na despedida do casal, eu disse:

- Ele vai morrer!
- Você já assistiu?
- Não. Mas 'tá na cara que ele vai morrer.
Eu não gostei muito dos personagens pois são personalidades carimbadas de filmes românticos.
Uma das coisas que me deixou chocada foi como Adrianne abriu sua vida no primeiro dia que ela encontrou o Paul (personagem do Richard Gere). Carambola! Na primeira frase ela já declarou que era divorciada, que o pai morreu, que o ex- não ajudou em nada, que a filha é rebelde, que ela pretende voltar com o marido.. e.. DEUS! Dá um tempo! Se eu fosse um homem na situação do Paul, pegaria meu prato com comida e iria cear sozinho! Uau!!
Ah! E por falar em filha.. Gente! O que é aquela menina!? Na primeira cena, eu teria dado uns bons tapas nessa garota! Desbocada que só ela! Por vezes eu tive vontade de pegar um varinha de pêssego e fazer a obra! Filha minha abre a boca para falar comigo nesse tom e perderá dois dentes! Credo!

Bom ..no fim, os dois "se gostaram". Ele foi embora! Ela recebeu cartas dele - adorei essa parte! E, quando ela estava sentada no sofá esperando por ele, eu declarei de novo: ele morreu.
Quando a porta se abre e o filho do Paul está parado do lado de fora, eu olhei para meu marido e disse:

- Viu, ele morreu!

Para que eu não pareça chata demais para filmes deste tipo, quero deixar registrado coisas que gostei muito nesta película.

Primeiro, a casa. Nossa! Adorei a casa/hotel que eles ficaram. Tudo é lindo, desde a localização. O que eu achei fantástico é que, na primeira vista que se tem da casa/hotel, parece apenas um mausoléu perdido na costa do mar. Porém, quando a câmera contorna a casa, ... Uau! Que lindo! As varandas são lindas..tudo é lindo! As janelas azuis são maravilhosas! 

A segunda, e última coisa que gostei no filme foi a música que toca no Festival do Carangueijo. Chama-se "Before I Met You". Linda! Linda! Linda! ..Algumas coisas eu entendi "de ouvido" e traduzi para meu marido que, imediatamente, também, gostou da música!
E, confesso: quase chorei quando ela leu a última carta dele, mesmo sem saber o que estava escrito nela! Ooh! 

E é isso! Para quem gosta de filmes românticos, é um prato cheio. Eu adorei a fotografia e a música! E, por mencionar a música novamente, deixo a letra à seguir.


I Thought I Had Seen Pretty Girls In My Time
But That Was Before I Met You
I Never Saw One That I Wanted For Mine
But That Was Before I Met You

I Thought I Was Swinging The World By The Tail
I Thought I Could Never Be Blue
I Thought I'd Been Kissed And I Thought I'd Been Loved
But That Was Before I Met You
I Wanted To Ramble And Always be Free
But That Was Before I Met You
I Said That No Woman Could Ever Hold Me
But That Was Before I Met You

They Tell Me I Must Reap Just What I Have Sown
But Darling I Hope It's Not True
For Once I Made Plans About Living Alone ...But That Was Before I Met You
Before I Met You [Pride Charlie]

Omnia Vanitas.



1 de abril de 2016

Hora do Mergulho..


"Feche a porta, esqueça o barulho
Feche os olhos tome ar: é hora do mergulho
(...)
Esqueça a luz... respire o ar"

Esse é um trecho de uma letra de música de um grupo chamado "Engenheiros do Hawaii" e o título é "Hora do Mergulho".

Talvez seja apenas nostalgia das minhas aulas de natação ou o cansaço do dia; mas às vezes eu acho que esse mundo é tão corrido e doido.
Hoje, enquanto voltava para casa caminhando, olhei para o mar a minha frente e para um barco que iniciara sua navegação com dois tripulantes. Achei lindo. Achei lindo o mar e sua imensidão e suas montanhas ao redor, achei lindo o barco em seu movimento lento e leve.
E, olhando para tudo isso que minha visão limitada me mostrou e meu sentindo ínfimo de emoções me  comoveu, eu senti que a vida não pode ser vivida para sugar sua energia vital. 

Entrando na página do Facebook eu percebi quantas coisas nos distraem, quantas coisas diferentes são postadas em um mesmo momento, enquanto a vida corre sem rédeas. Porque não ficamos mais perto da vida e mais longe do fútil? O que mais é preciso perder para encontrar o essencial?
Hoje, enquanto trabalhava, lembrei de um livro do meu querido Maugham que conta a história de um homem que saiu da vida "moderna" e foi morar em uma cabana bem longe dos ditos "confortos", para lá descobrir que a vida é mais do que correria e distração. O livro tem o título de "Um Gosto e Seis Vintés".
Percebamos a vida a nossa volta e a vivamos no seu devido valor! Esqueça o resto! Mergulhe!

Omnia Vanitas.

3 de julho de 2015

Falsa Liberdade..


Perdoe-me, nobre leitor, por não estar escrevendo loucuras com a mesma frequência de antes. Final de semestre no curso de francês e eu estou perdendo a linha do tempo. Para ser sincera, eu deveria estar fazendo o meu trabalho da aula, mas preciso escrever algo sobre algo diferente de francês (mesmo amando francês).

Bom, lá vai!

Eu estou ouvindo o show acústico do grupo Engenheiros do Hawaii, e, quando ouvi a música "Terceira do Plural", a pulga da inquietação mordeu meu debilitado cérebro. Aqui estou eu escrevendo quando deveria estudar.

A música fala sobre "eles" (terceira do plural, sacou?). "Quem são eles? Quem eles pensam que são?", diz a música do gaúcho Humberto Gessinger. Quem são eles, pergunto eu, esquecido leitor. Eles são aqueles de quem nós compramos uma ideia, uma missão, uma marca... Sempre há alguém por trás de nós - não somos nós que escolhemos, mas eles que nos escolhem. Isso se chama, na minha debilitada opinião, falta de liberdade.

Não somos livres, encare esse fato, leitor! Você não escolhe ser livre, mas alguém lhe disse que você estava preso e, então, você decidiu se libertar daquilo que lhe "oprimia". É isso, leitor, a liberdade é uma falseta que inventaram para vender uma boa ideia. A igreja, o Cosmos, o Invisível, o Filósofo, o padeiro da esquina, o pedreiro, o empresário - alguém está comprando um pedaço de você.

Você acha que é livre? Porque? O que você criou para lhe fazer que é livre? Plantou uma árvore? Isso não é liberdade, é cultivo de uma natureza já formada. Você criou um ser humano? Não, você apenas reproduz uma versão sua ou adota. Você não criou nada, apenas reproduz o espelho de algo já pronto.

E depois, vão dizer que tudo o que era certo agora é errado. E, agora, o que fazer com o velho? O velho é opressivo e o novo a liberdade. Mentira. Tudo é prisão.

Omnia Vanitas

9 de abril de 2015

Porrada..


Faz tempo que eu estou ensaiando minha entrada para a prática do boxe! Fico olhando propagandas de academias e tudo mais e pensando: preciso fazer boxe! Mas, por enquanto, eu tenho minhas aulas de natação (que eu amo) e minhas aulas de francês (j'aime aussi)!

E, ontem, eu decidi: assim que terminar o contrato das aulas de natação, vou embarcar no boxe!

Eu decidi ontem porque foi um dia muito ruim. Noites mal dormidas, cansaço, prova de francês, ônibus lotado, irmã ocupada, mau humor: bata tudo no liquidificador e a receita está pronta! Deixei de lado a aula de natação e fui para casa dormir - pelo menos isso me acalmaria o ânimo.
E fui ouvindo The Offspring's "Coming for You"... muito alto para aliviar a tensão! Coloquei a dita música no "repeat" e segui meu rumo dizendo um "dana-se" para quem pensava que minha audição estaria prejudicada! Eu precisava extravasar - como não tinha como ir para um show punk de rock para liberar a emoção, fiz o que estava ao meu alcance.

Por isso decidi, então, entrar para as aulas de boxe: tem dias que é preciso dar umas "porradas" para tudo voltar ao eixo. E eu estava muito afim de uma briga: mesmo sabendo que eu poderia apanhar, eu queria bater! E bater muito! .. Então, nada de boxe para "meninas ficarem gostosas" eu quero porrada! Quero boxe estilo Rocky Balboa e Apolo! (rs).

Decidido: vou me inscrever - logo que possível - em aulas de boxe. Não cruze meu caminho, baby! (ou venha com chocolate) ;)

Música do The Offspring's >> Coming For You

Omnia Vanitas.

17 de março de 2015

Presque Rien ..

:: Francis Cabrel ::

Conheci esse cantor francês há pouco mais de dez anos. Foi um presente que ganhei - músicas diversas em um cd que veio com o seguinte dizer: "Petit Cadeau de Belgique". Desta forma Francis Cabrel me foi apresentado.

Agora, com as aulas de francês que curso desde o ano passado, o meu presente foi resgatado e ouvido com mais sentido. E, além das músicas que ganhei tenho outras que compõem meu playlist!

Então, eu deixo meu querido francês para terminar este post.

Et voilà tout ce que je sais faire
Du vent dans des coffres en bambou
Des pans de ciel pour mettre à tes paupières
Et d'autres pour pendre à ton cou
C'est rien que du ciel ordinaire
Du bleu comme on en voit partout
Mais j'y ai mis tout mon savoir-faire
Et toute notre histoire en-dessous
Tu vois, c'est presque rien
C'est tellement peu
C'est comme du verre, c'est à peine mieux
Tu vois c'est presque rien...
C'est comme un rêve, comme un jeu
Des pensées prises dans des perles d'eau claire

Je t'envoie des journées entières
Des chats posés sur les genoux
Des murs couverts de fleurs que tu préfères
Et de la lumière surtout
Rien que des musiques légères
Une source entre deux cailloux
Du linge blanc sur tes années de guerre
C'est tout ce que je sais faire c'est tout...
Tu vois, c'est presque rien
C'est tellement peu
C'est comme du verre, c'est à peine mieux
Tu vois c'est presque rien...
C'est comme un rêve, comme un jeu
Des pensées prises dans des perles d'eau claire
Doo doo doo doo doo...
(Presque Rien - Francis Cabrel)

9 de fevereiro de 2015

Sobrenatural..Primeira Temporada



Sábado, eu comecei a re-assistir, pela terceira vez, a série Sobrenatural
Sexta-feira eu terminei de assistir Arquivo X - finalmente, Fox Mulder saiu da esfera "somos amigos e colegas de trabalho" e deu um beijo de verdade na Scully ..eu até voltei para ver de novo! Boa, Mulder! Foram NOVE, eu disse NOVE temporadas para esse beijo acontecer! E, depois, dizem que minha vida amorosa é complicada! Por Deus, Dana Scully teve um filho do Mulder por inseminação (????). Cadê o bom e velho método tradicional! Esperava mais de você, Fox Mulder!

Existe uma grande diferença entre assistir Arquivo X e Sobrenatural. Primeiro, Fox Mulder, claro! Segundo, enquanto Sobrenatural é muito manhoso - no sentido sentimental da coisa, Arquivo X é mais coisa de gente grande. Sei lá se consegui explicar, mas é isso! Sobrenatural tem muito de Arquivo X (fato notável), mas existe um drama (talvez essa seja a palavra certa) que é perceptível nos irmãos Winchester, enquanto em Arquivo X o sentimental está em segundo plano.

Porém, fazendo jus aos irmãos Winchester, eu tenho que dizer: Papai Winchester é (pelo poderes de Greiscow/Grayskull - os nerds nunca decidem como se escreve) uma coisa de louco. Essa é a parte boa da primeira temporada, ou melhor, uma delas. A segunda coisa boa é a trilha sonora. De cara, no episódio "Piloto", AC/DC mostra o bom e velho rock and roll com "Back in Black" e "Highway to Hell". E, cara, o carro! Aquele carro é muito bom!

Então, desde sábado, minhas caminhadas em casa serão embaladas pelos irmãos Winchester e seu querido papai (u-lá-lá).

Omnia Vanitas.

15 de janeiro de 2015

A Morte..


O Cavaleiro da Morte chega, na série Sobrenatural, em um Cadillac branco 1959. E eu adorei sua chegada. A música "Oh Death" é de Jen Titus, exclusiva para a série.

Desde que fiz meu trabalho de conclusão de curso em Teologia sobre a morte, eu sou apaixonada pelo assunto.

Na minha tese, eu trabalhei a hipótese de a morte ser algo natural desde a passagem do homem pelo Éden. Porém, logo após a Queda, ela passou a ser algo obrigatório ao ser humano, trazendo o pânico, o medo e a aversão por algo não compreendido e fora do poder humano. Durante sua morada no Jardim das Delícias, o homem tinha a opção de morrer e ele só optaria por ela quando chegasse a um grau de sabedoria que pudesse entregar-se à ela sem aflição ou medo.

Na série Sobrenatural, eu adorei a chegada deste Cavaleiro. Foi o último dos quatro a entrar em cena. Primeiro a Guerra, depois a Peste e a Fome e, por último ela, a Morte.

Ela chega calmamente em seu "cavalo" branco, caminha entre nós sem que a percebamos. Mas você pode esbarrar na Morte a qualquer instante, e, mesmo que você queira desafiá-la, ela não dá a mínima, a última palavra é dela: fim.

Ela sempre está com fome. Durante toda a série, quando a Morte aparecer, ela estará comendo. E como tudo o que faz mal (e mata): batata-frita, pizza, hambúrguer e, para acompanhar tudo, muito refrigerante.

De todos os personagens da série, ela é a minha favorita.

Só isso.

Hodie mihi, cras tibi.

7 de maio de 2013

Dom Quixote ..






Minha parte preferida em O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de La Mancha de Miguel de Cervantes Saavedra.


"Este, cheio de espanto e confusão, depois de passado um bom espaço de tempo, no qual esteve olhando para Dorotéia, alargou os braços, e, deixando-a livre, disse:
— Venceste, formosa Dorotéia, venceste, porque não é possível haver ânimo para negar tantas verdades juntas.
Lucinda, por causa do desmaio que havia sofrido, assim que D. Fernando deixou de sustê-la, ia a cair no chão, porém Cardênio, que ao pé dela estava, colocado atrás de D. Fernando para que este o não conhecesse, perdido todo o receio, e aventurando-se a correr todo o risco e perigo, a sustentou em seus braços e ao mesmo tempo lhe disse:
— Se aos céus piedosos apraz que chegues a gozar algum descanso, em nenhum lugar, leal, firme e formosa senhora minha, o encontrarás ao meu parecer mais seguro que nestes braços que te agora recebem, e que já em outro tempo te receberam quando a fortuna permitiu que eu pudesse chamar-te minha.
A estas palavras Lucinda, firmando a vista em Cardênio, a quem começara a conhecer primeiro pela voz, agora se certificou de que era ele próprio, e sem atender a algum honesto respeito, quase como fora de si, lhe lançou os braços ao pescoço, e, juntando o seu rosto com o dele, lhe disse:
— Vós sim, senhor meu, vós é quem sois o verdadeiro dono desta vossa cativa, por mais que a isso se oponha o poder de uma inimiga sorte, e por maiores ameaças que feitas sejam à minha vida, que só na vossa se sustenta.
(............................)
A este tempo Dorotéia, que estava olhando para D. Fernando, como que entreviu mudar ele de cor, e que dava ares de querer vingar-se de Cardênio, porque lhe viu levar a mão ao punho da espada; e, havendo observado isto, com infinita presteza se lhe abraçou aos joelhos beijando-lhos, e tão fortemente que não o deixava movê-los, e com muitas lágrimas lhe dizia:
— Que pensas tu fazer, tu, que és o meu único refúgio, neste tão inesperado transe? Tens a teus pés a tua esposa, e aquela que querias que o fosse está nos braços de seu marido: medita se porventura te ficará bem quereres desfazer, ou se isso te será possível, aquilo que o próprio céu tem feito, ou se te será conveniente o igualares a ti mesmo aquela que, saltando por cima de todas as dificuldades, confirmada na sua própria firmeza e lealdade, apresenta diante dos teus olhos os seus banhados em amorosas lágrimas, capazes de inundar o rosto e o peito do seu verdadeiro esposo. Por Deus, senhor meu, te rogo e mesmo até por quem tu és te suplico, que este tão notório desengano não só não acrescente a tua ira, mas antes de tal maneira a diminua e adoce, que permitas a estes dois amantes poderem, durante todo o tempo que o céu para isso lhes conceder, gozar descanso e tranqüilidade, mostrando assim a generosidade do teu nobre e ilustre peito, e então verá o mundo que a razão tem contigo um poder muito superior ao do apetite.
(....................................)
A estas razões ajuntaram os demais várias outras, tais e tantas, que o valoroso peito de D. Fernando, como quem era alimentado por sangue tão ilustre, se abrandou e se deixou vencer pela verdade, a qual lhe era impossível negar, ainda que o quisesse fazer; e o sinal que deu de haver-se rendido e sujeitado ao bom parecer, que lhe fora proposto, descobriu-o ele, abaixando-se e abraçando Dorotéia, dizendo ao mesmo tempo estas palavras:
— Levantai-vos, senhora minha, pois não é justo estar a meus pés ajoelhada aquela que eu tenho posta dentro da minha alma; se até aqui não tenho dado indícios de ser verdade o que digo agora, talvez assim o céu o dispusesse para que, havendo eu visto a fé constante com que sou por vós amado, soubesse melhor e mais completamente apreciar-vos e estimar-vos no alto valor que mereceis: suplico-vos que me não repreendais pelo mal que tenho procedido para convosco, pois a mesma força de paixão que me moveu para querer-vos por minha, foi essa a própria que me impelia a procurar o não ser vosso: e porventura para prova desta verdade, e para desculpa dos meus desvarios, atentai nos olhos encantadores da ao presente tão alegre Lucinda, e neles encontrareis a única explicação possível de meus erros; e pois que ela achou e alcançou o que desejava, e eu achei em vós aquilo que me convém, viva Lucinda segura e satisfeita por anos dilatados e venturosos com o seu Cardênio, e eu ajoelhando perante o céu lhe rogarei que me conceda viveis com a minha Dorotéia.
E havendo acabado de dizer isto, tornou de novo a abraçá-la, ajuntado seu rosto com o dela, com um sentimento de tão viva ternura, que necessário lhe foi ter grande cuidado em que as lágrimas não viessem dar provas indubitáveis do seu amor e do seu arrependimento".

28 de fevereiro de 2013

Chiquinha Gonzaga..



Reportagem: Terra.

Há 88 anos, o Brasil perdia uma das maiores contribuidoras musicais e figura marcante no cenário dos direitos humanos: Chiquinha Gonzaga. Francisca Edwiges Neves Gonzaga foi a primeira compositora da música popular brasileira, autora de duas mil composições e abolicionista. Nasceu no dia 17 de outubro de 1847, na cidade do Rio de Janeiro.

Aos 16 anos, ela foi forçada pelos pais a se casar com um oficial da Marinha Mercante, Jacinto Ribeiro do Amaral, com quem teve três filhos: João Gualberto, Maria do Patrocínio e Hilário. Abandonou-o por um engenheiro de estradas de ferro, de quem logo se separou, e sobrevivia como professora de Piano.

Com o fim do casamento, Chiquinha entrou em contato com o meio boêmio carioca. Mas uma mulher separada no século XIX era uma aberração na sociedade, e Chiquinha pagou um preço alto. Foi expulsa de casa por seu pai que, a partir daquele momento, renegou sua paternidade. Levou consigo apenas o filho mais velho, João. Maria foi criada pela avó materna e Hilário, por uma tia.

Em 1877, estreou como compositora com a polca Atraente, que foi publicada pela editora de Joaquim Antonio Calado, amigo que a ajudou a ingressar no universo musical. Com ele formou uma dupla que foi precursora do choro ou chorinho. Como maestrina, a estréia aconteceu com a opereta A Corte na Roça, em 1885.

Ao lado da carreira de maestrina, compositora e pianeira, dedicou-se também às campanhas abolicionista e republicana. Chiquinha vendia suas músicas de porta em porta e, com o dinheiro obtido, libertou o escravo Zé da Flauta. Após a abolição da escravatura, compôs um hino em homenagem à princesa Isabel. Na campanha republicana, protestava contra a monarquia em locais públicos, utilizando-se do seu prestígio para propagar a idéia.

Chiquinha é a autora da primeira marcha carnavalesca do País, Ô Abre-Alas, composta em 1899. Faleceu em seu apartamento no Rio de Janeiro aos 87 anos de idade, no dia 28 de fevereiro de 1935, antevéspera de Carnaval.

Medalha
A Medalha Chiquinha Gonzaga, da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, é concedida todo ano às personalidades do sexo feminino que tiveram destaque, seja em áreas artísticas, culturais ou humanitárias.

Homenagens, séries e filmes
Em 1999, a Rede Globo exibiu a minissérie Chiquinha Gonzaga. Regina Duarte interpretou a compositora e a elogiou, dizendo ser uma mulher "extraordinária e de pulso firme". No filme Brasília 18%, quem deu vida à Chiquinha foi Bete Mendes. Malu Galli a interpretou no filme O Xangô de Baker Street, baseado no livro de Jô Soares.

Chiquinha Gonzaga também recebeu homenagens de escolas de samba. No ano de 1985, quem fez um tributo foi a Mangueira, com o enredo Abram Alas Que Eu Quero Passar. Em 1997, foi a vez da Imperatriz Leopoldinense, com o samba Eu Sou Da Lira, Não Posso Negar.

Casarão
Em 2010, um fogo destruiu o casarão em que viveu Chiquinha Gonzaga. O imóvel estava abandonado, e já havia sido usado como sede do Arquivo Nacional de Teatro. O imóvel de dois pavimentos servia de abrigo a invadores.

19 de setembro de 2012

Cantava na ignorância



Enquanto esperava a água do chá esquentar, li os ingredientes listados, no fundo da caixa, para entreter. E, lá, está escrito: folhas e talos de erva-mate tostados (ILEX PARAGUARIENSIS).

Cara, eu, simplesmente, tenho paixão por Engenheiros do Hawaii e NUNCA tive a noção que essas duas palavrinhas ILEX PARAGUIENSIS é o nome científico para "erva-mate".

Eu sei, muitas vidas serão transformadas com essa descoberta!

Já que isso aconteceu, deixo a letra da música aqui também.

Omina Vanitas :)

ILEX PARAGUARIENSIS (Humberto Gessinger)


Hoje eu acordei mais cedo
Tomei sozinho o chimarrão
Procurei a noite na memória... procurei em vão
Hoje eu acordei mais leve (nem li o jornal)
Tudo deve estar suspenso... nada deve pesar
Já vivi tanta coisa, tenho tantas a viver
Tô no meio da estrada e nenhuma derrota vai me vencer
Hoje eu acordei livre: não devo nada a ninguém
Não há nada que me prenda

Ainda era noite, esperei o dia amanhecer
Como quem aquece a água sem deixar ferver
Hoje eu acordei, agora eu sei viver no escuro
Até que a chama se acenda
Verde... quente... erva... ventre... dentro... entranhas
Mate amargo noite adentro estrada estranha

Nunca me deram mole, não (melhor assim)
Não sou a fim de pactuar (sai pra lá)
Se pensam que tenho as mãos vazias e frias (melhor assim)
Se pensam que as minhas mãos estão presas (surpresa)

Mãos e coração, livres e quentes: chimarrão e leveza
Mãos e coração, livres e quentes: chimarrão e leveza

... ilex paraguariensis...
... ilex paraguariensis...


17 de março de 2012

Um pouco de Boa Música!



Eclipse - Pink Floyd

All that you touch All that you see
All that you taste All you feel
All that you love All that you hate
All you distrust All you save.
All that you give All that you deal
All that you buy,Beg, borrow or steal.
All you create All you destroy
All that you do All that you say.
All that you eat everyone you meet
All that you slight Everyone you fight.
All that is now All that is gone
All that's to come And everything under the sun is in tune
But the sun is eclipsed by the moon.

"There is no dark side of the moon really.
Matter of fact it's all dark."

Os Meninos da Rua Paulo - Prefácio

  Olá, abandonado leitor!  Comecei neste final de semana a leitura de "Os Meninos da Rua Paulo". Ainda não cheguei na página 50, a...