Mostrando postagens com marcador maugham. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador maugham. Mostrar todas as postagens

1 de outubro de 2025

Soneto - O Véu Pintado

 


Olá, desconhecido Leitor ! Hoje, eu tive o prazer de descobrir que o título da minha leitura atual "O Véu Pintado" foi inspirado em um soneto de Mary Shelley - autora de Frankenstein ! Nunca estive empenhada em descobrir esta frase no início do livro, sempre dirigi minha atenção para a última frase de Walter "O cão foi que morreu" (clique aqui).

Deixo para você, poético leitor, este soneto que inspirou o título deste livro encantador: O Véu Pintado


Não levantes o véu pintado que aqueles que vivem
chamam de Vida: embora formas irreais sejam retratadas ali,
E ele apenas imite tudo o que acreditaríamos
Com cores espalhadas ociosamente, — atrás, espreitam Medo
e Esperança, Destinos gêmeos; que sempre tecem
Suas sombras, sobre o abismo, cego e sombrio.
Eu conheci alguém que o levantou — ele procurou,
Pois seu coração perdido era terno, coisas para amar,
Mas não as encontrou, ai! Nem havia nada Que
o mundo contenha, o que ele pudesse aprovar.
Através dos muitos desatentos ele se moveu,
Um esplendor entre sombras, uma mancha brilhante
Sobre esta cena sombria, um Espírito que se esforçou
Pela verdade, e como o Pregador não a encontrou.


Soneto encontrado aqui . Em outro momento eu pretende escrever sobre a relação desta inspiração com o romance. 

Omnia Vanitas 💀

30 de setembro de 2025

Leitura 13


Olá, esquecido leitor !

Nesta última leitura do mês, eu decidi reler um livro que tenho apreço: O Véu Pintado, de William Somerset Maugham. 

Por que eu gosto ? Porque ele é simples na narrativa e o arco de crescimento da protagonista é incrível! 

Kitty Fane casou-se com Walter pelo simples fato de não querer ver sua irmã mais nova casar-se antes dela. Porém, não soube escolher seu marido. Ele a ama, pelo menos assim ele declara. Ele cuida dela com toda afeição, envolve-se nas distrações que deixam Kitty satisfeita (mas não feliz). Durante uma saída social, Kitty encontra Charlie - um sedutor pseudo-elegante (o melhor que tem na região). Tornam-se amantes até o momento que Walter descobre o caso entre ambos. Rebaixada pelo marido e abandonada pelo amante, Kitty está sozinha em um lugar desconhecido e numa sociedade que não aceita muito bem o divórcio (anos 20). 

No lugar fictício de Mei-tan-fu (China) - envolvido em uma epidemia de cólera - Kitty vive dias insípidos e longos na companhia de Waddington - um homem que trabalha na alfândega, sem nenhum atrativo físico e um gosto excessivo pela bebida. No primeiro momento que saem da casa de Kitty e Walter, eles estão na seguinte cena que me chamou a atenção desta vez: 

"Subiram a colina ate chegarem no arco. Era mum monumento ricamente esculpido. Fantástico, irônico, erguia-se como um marco sobre a região vizinha. Sentaram-se no pedestal e ficaram a olhar a planície. A colina estava semeada dos montículos verdes dos mortos, não em linhas regulares mas desordenadamente, dando a impressão de que eles se acotovelavam embaixo da terra. A vereda estreita serpeava entre os verdes arrozais. Um menino montado no pescoço de um búfalo dirigia-o vagarosamente para casa, e três campônios de enormes chapéus de palha avançavam lerdos como o corpo vergado sob os seus fardos".

Permita-me, desocupado leitor, dividir convosco minha visão desta cena que Waddington e Kitty assistiam. 

Primeiramente, eles estavam sentados em uma visão privilegiada - o que é realmente o que vivem, pois por serem estrangeiros e brancos possuem um status social superior aos nativos. Eles estão, neste caso, acima da morte" - pois os montes (jazigos sem indicação) estão amontados como desconhecidos. Em uma parte da narrativa, eles declaram que em Mei-tan-fu as pessoas morrem como moscas. Exatamente isso, vidas que são dispensadas rapidamente de forma aleatória em um cemitério desordenado na paisagem dos arrozais - fonte de vida da região. 

Em segundo lugar (e último), um menino vem cadenciando um búfalo manso. A vida na forma de uma criança montada em um animal que a leva para casa. Criei (por não imaginar do Maugham tenha tido essa ideia) que a representação da criança é sempre a esperança, o futuro; enquanto três homens curvados pelo fardo do trabalho seguiam atrás dele. Nestes três homens eu vejo a representação das Parcas: Nona, Décima e Morta. Na mitologia grega elas são chamadas de Moiras (mas a função é mesma): dar a vida, tecer esse fio da vida, e cortar o fio (morte). É o destino do homem (menino) seguindo até em casa - se o caminho é longo ou curto, não cabe a ele saber. 

Então é isso, leitor desconhecido, que eu pensei quando li esta passagem nesta manhã, e não sosseguei até escrevê-lo aqui. 


Omnia Vanitas 💀

 

3 de abril de 2021

Leitura dois..


 

Segunda leitura de 2021 e mais uma releitura ! Até parece que minha estante não está cheia de livros que nunca tiveram a primeira leitura realizada! Um absurdo ! Mas essa sou eu ! 

Mais um Maugham! "O Fio da Navalha" conta a história em primeira pessoa Lawrence Darrel (Larry) um jovem que participa da Primeira Guerra Mundial e, ao perder seu amigo, questiona sua existência e tudo o que pode abarcar esse fim. Larry é órfão e, mesmo noivo de uma bela jovem - Isabel - decide largar a sociedade proeminente em que vive para se tornar um vagabundo. Larry deixa a próspera América do Norte para visitar o velho continente em busca de suas respostas. 

No momento que a América do Norte estava vivendo um crescimento financeiro que só não se tornaria milionário "quem não quisesse", Larry decide que isso não serve para ele pois a vida é mais do que ganhar dinheiro e prosperar materialmente. 

Viajando por vários lugares, conhecendo vários tipos de pessoas, pensamentos, modos de vida, Larry tenta encontrar um fim para suas ânsias. 

Assim como Kitty Fane, Larry expande mais suas emoções, pensamentos e viagens para buscar em todo tipo de fé aquilo que sacie sua necessidade - algo que lhe seja coerente.

Mesmo que às vezes Larry esteja ausente durante a narrativa do autor-personagem, chegará o momento que alguém citará algo sobre sua atual situação que sempre contratará com aqueles que o mencionam. 

A simplicidade de uma vida ainda é cheia de desafios para aqueles que a buscam. 


Omnia Vanitas. 💀

Leitura um..


 

Este é um livro que eu posso reler várias vezes e sempre será a primeira vez. 

"O Véu Pintado" de William Somerset Maugham conta a história de Kitty Fane, uma garota que é desejada por todos os rapazes do seu círculo social mas, sentindo-se ameaçada pelo casamento da sua irmã mais nova (e desajeita) resolve aceitar como marido - para casar antes da irmã - Walter Fane. 

O casamento não lhe agrada mas ela o vive de forma suportável; porém, um novo contato tira-a do marasmo social e arrebata sua existência de um casamento sem paixão. 

Tudo o que Kitty vive após isso é consequência deste caso extraconjugal; seja para o bem ou para o mal, ela aprende algo que não pensava existir: uma vida além da sua existência mesquinha.

Essa transformação gradual de Kitty é o que há de mais lindo na trama: suas ânsias, suas buscas por respostas que parecem estar tão acessíveis, mas, na realidade são mais profundas do que ela pode entender. Cada fonte lhe dá uma dica do que ela pode estar buscando, mas por ela mesma estar perdida, não consegue encontrar fim último. Esta é a melhor parte do romance: a transformação da protagonista para um ser completamente superior àquela do início da trama.

Leiam Maugham!


Omnia Vanitas 💀

31 de março de 2020

Leitura onze..parte final



Olá, esperançoso leitor!

Fim da leitura de Servidão Humana, de William Somerset Maugham. 
Este livro é uma pseudo-biografia do autor. 

Gosto muito dos livros do Maugham, e com este não foi diferente; apesar de ter perdido o foco da leitura por achar que se tratar de uma narrativa onde a relação amorosa seria o tema central. Ledo engano.  Deixe-me explicar, equivocado leitor!


A primeira parte da vida de William Carey está nesta publicação
Partindo deste ponto, ele foi para Paris para viver como pintor, pois achava que esse era seu dom. Encontrou um tipo variado de pessoas que também se julgavam pintores natos. Poucos realmente tinha aptidão para a pintura. Suas vidas eram dedicadas a esta arte, devotados por uma arte que não os reconhecia como participantes dela. E algumas vezes, tal arte exige a vida.

Novamente à Inglaterra, Philip precisa decidir em que profissão encaixará a sua vida. Escolheu a medicina e, neste processo de estudo - que não exercia por paixão mas por necessidade - conheceu Mildred. 

Servidão Humana é um livro sobre escolhas. Para onde ir, quem amar, o que fazer da sua vida.. Philip colocou-se em situações que escolheu viver, desfrutou de viagens, escolher amar quem não lhe amava, conheceu  a solidão e amigos leais. 

Este livro me lembrou muito outro livro de Maugham: O Fio da Navalha. Enquanto Larry buscava se livrar das amarras que as pessoas exigiam dele, tentava descobrir o sentido de estar vivendo; em Philip a busca era por aprovação social, familiar e amorosa. 

Os livros de Maugham são muito reflexivos, e nesta obra que representa a sua vida, não poderia ser diferente. 

Omnia Vanitas. 💀

18 de março de 2020

Conversa de bar..


Maugham é maravilhoso!
Se você nunca leu nada dele, desorientado leitor, por favor, leia! Comece com O Fio da Navalha ou O Véu Pintado. Leia! Perceba como ele escreve em entrelinhas e conversas tolas as verdades da alma humana.

Aqui estou eu, passando raiva com Philip Carey quando um conserva com dele com um amigo artista - pois em Paris todos o são - chama a minha atenção. E, como eu não estou sozinha, no momento, e precisando muito desabafar essa conversa, deixo o trecho da leitura para pedir: converse comigo leitor anônimo!

— Soube que não faz grande opinião dos meus versos.
Philip sentiu-se embaraçado.
— Não é bem isso — respondeu. — Gostei muito deles.
— Não procure poupar a minha suscetibilidade — retorquiu Cronshaw, com um gesto da mão gorda. — Não empresto nenhuma importância exagerada aos meus trabalhos poéticos. A vida aí está para ser vivida e não para que escrevamos a seu respeito. Meu objetivo é procurar as múltiplas experiências que ela oferece, arrancando a cada momento toda a emoção que ele apresenta. Considero meus escritos como uma graciosa habilidade que, em vez de absorver a existência, acrescenta-lhe prazer. E quanto à posteridade — que o diabo a carregue!
Philip sorriu, pois dava na vista que esse artista da vida não produzira mais do que um mísero borrão. Cronshaw fitou-o meditativamente e encheu o copo. Pediu, depois, ao garçom que lhe trouxesse uma carteira de cigarros.
— Você acha graça por me ouvir falar assim quando sabe que eu sou pobre e vivo numa água furtada em companhia de uma fêmea vulgar que me engana com cabeleireiros e garçons de café. Traduzo livros miseráveis para o público inglês e escrevo artigos a respeito de quadros desprezíveis que nem ao menos condenados merecem ser. Mas faça o favor de me dizer: qual é o sentido da vida?
— Ora, a pergunta é bastante difícil. Por que não a responde você mesmo?
— Não, porque isso é inútil a menos que a gente o descubra por si próprio. Para que supõe que está no mundo?
Philip nunca havia pensado nisso. Após meditar um momento, respondeu:
— Oh, não sei! Acho que estamos aqui para cumprir o nosso dever, fazer o melhor uso possível de nossas faculdades e evitar magoar os outros.
— Em resumo: não faças a outrem o que não queres que te façam, não é assim?
— Creio que sim.
— Cristianismo.
— Não, não é — protestou Philip, indignado. — Isso nada tem a ver com o cristianismo. É apenas moral abstrata.
— Moral abstrata é coisa que não existe!
— Nesse caso, suponha que, ao sair daqui, sob a influência da bebida, esquecesse a sua bolsa sobre a mesa. Por que razão acha que eu a restituiria? Não havia de ser por medo da polícia.
— Seria o temor ao inferno, se você pecasse, e a esperança no céu, se fosse justo.
— Mas se eu não acredito no céu nem no inferno!
— Pode ser. Kant também não acreditava ao conceber o imperativo categórico. Você renegou um credo, mas conservou a ética desse credo. É ainda um cristão, para todos os efeitos, e se existir um Deus no céu você receberá sem dúvida a sua recompensa. O Todo-Poderoso não pode ser tão tolo como as igrejas o representam. Desde que obedeçamos às Suas leis, não me parece que Ele dê importância ao fato de acreditarmos ou não na Sua existência.
— Mas se eu esquecesse aqui a minha carteira, tenho certeza de que você me restituiria — disse Philip.
— Não por motivos de moral abstrata, mas somente por medo da polícia.
— As probabilidades de a polícia descobrir o furto seriam de um para mil.
— Meus antepassados viveram tanto tempo uma existência civilizada que o medo da polícia me impregnou os próprios ossos. A filha de minha concierge não vacilaria um só momento. Responderá,naturalmente, que ela pertence às classes criminosas. Nada disso. Ela está, apenas, isenta dos preconceitos vulgares.
— Nesse caso vai por água abaixo a honra, a virtude, a bondade, a decência, tudo enfim — observou Philip.
— Alguma vez já cometeu um pecado?
— Não sei, mas suponho que sim.
— Fala como um ministro dissidente. Pois eu nunca cometi pecado algum.
Metido no seu sovado casacão, a gola voltada para cima, o chapéu enterrado na cabeça, com seu rosto rechonchudo e vermelho e seus pequeninos olhos cintilantes, Cronshaw parecia extraordinariamente cômico, mas Philip estava levando a coisa muito a sério para rir.
— Nunca praticou algo de que se arrependesse mais tarde?
— Como poderia arrepender-me de haver praticado um ato inevitável? — perguntou Cronshaw, em troco.
— Mas isso é fatalismo.
— A ilusão nutrida pelo homem de que sua vontade é livre tem raízes tão profundas que estou pronto a aceitá-la. Procedo como se fosse um agente livre. Mas quando um ato se realiza, está claro que todas as forças do Universo, desde toda a eternidade, conspiraram para motivá-lo e nada que eu pudesse fazer o teria impedido. Era um ato inevitável. Se foi bom, não me posso arrogar mérito algum; se foi mau, não posso aceitar censura alguma.
— Minha cabeça está dando voltas — disse Philip.
— Beba um gole de uísque — redargüiu Cronshaw, passando-lhe a garrafa. — Não existe nada melhor que uísque para clarear as idéias. É natural que você tenha o espírito lerdo, uma vez que insiste em beber cerveja.
Philip balançou a cabeça e Cronshaw continuou:
— Você não é um mau rapaz, mas acontece que não bebe. A sobriedade perturba a conversação. Quando falo a respeito do bem e do mal... — Philip notou que ele retomava o fio do discurso — ... falo convencionalmente. Não atribuo significação alguma a essas palavras. Ninguém me induzirá a instituir uma hierarquia de ações humanas, emprestando dignidade a umas e vituperando outras. Os termos vício e virtude não possuem sentido algum para mim. Não louvo nem censuro. Apenas aceito. Sou a medida de todas as coisas. Sou o centro do Universo.
— Mas existem outras pessoas no mundo — objetou Philip.
— Eu falo apenas por mim. Só noto as outras pessoas na medida em que elas limitam as minhas atividades. O mundo também gira em torno delas, e cada uma julga ser o centro do Universo. Meus direitos sobre elas não vão além do alcance de minha força. O que eu posso fazer é o limite do que devo fazer. Somos gregários, e por isso vivemos em sociedade. E a sociedade se conserva unida por meio da força, a força das armas (isto é, a polícia) e a força da opinião pública (isto é, a mrs. Grundy*). De um lado há a sociedade; do outro, o indivíduo: cada um dos dois é um organismo que luta pela sua conservação. É a força contra a força. Eu me encontro só, obrigado a aceitar a sociedade, o que faço de bom grado, uma vez que ela, em troca dos impostos que eu pago, me protege (um fraco) contra a tirania de pessoas mais fortes do que eu. Mas eu me submeto às suas leis porque sou compelido a isso. Não lhe reconheço a justiça nem sei o que isso seja, pois conheço apenas a força. E, depois de pagar uma taxa para que o policial me proteja e (se eu viver num país onde o recrutamento militar for obrigatório) depois de servir no exército que guarda a minha casa e a minha terra contra o invasor, estou quite com a sociedade. Quanto ao mais, contrabalanço a sua força com a minha astúcia. Ela cria leis que visam à sua própria conservação, e se eu as violar sou morto ou encarcerado. A sociedade tem o poder de fazer isso e, por conseguinte, o direito. Se eu violar as leis, aceitarei a vingança do Estado, mas não a considerarei um castigo nem tampouco me julgarei culpado. A sociedade procura atrair-me para o seu serviço acenando-me com honrarias, riquezas e o bom conceito de meus semelhantes. Sou, porém, indiferente à opinião deles. Desprezo as honrarias e posso muito bem dispensar a riqueza.
— Mas, se todos pensassem assim, o mundo viria abaixo num instante.
— Nada tenho que ver com os outros. Só me ocupo comigo mesmo. Tiro proveito do fato de que a maior parte da humanidade é levada, com o olho nas recompensas, a realizar coisas que, direta ou indiretamente, vem beneficiar-me.
— Considero esse um modo extremamente egoísta de encarar as coisas — disse Philip.
— Julga, por acaso, que o homem seja capaz de fazer alguma coisa a não ser por propósitos egoístas?
— Julgo.
— É impossível que assim seja. Quando ficar mais velho, compreenderá que a coisa mais necessária para tornar este mundo um lugar tolerável é reconhecer o inevitável egoísmo da humanidade. É absurdo exigir altruísmo por parte dos outros: para que sacrificariam eles os seus desejos pelos nossos? Quando você quiser compreender que cada um, no mundo, se preocupa apenas consigo mesmo, exigirá menos dos seus semelhantes. Já não lhe causarão decepções e passará a olhá-los com mais simpatia. Os homens buscam, na vida, uma única coisa: o prazer".

MAUGHAM, William Somerset. Servidão Humana. Ed. Globo, 1940; cap. XLV, páginas 236 a 240.

Omnia Vanitas. 💀



16 de março de 2020

Leitura onze..parte I



Olá, fragmentado leitor!

Antecipo-me ao escrever neste blog sobre a leitura atual de Servidão Humana do querido William Somerset Maugham.
Como não poderia ser diferente, é uma leitura densa, com pensamentos e personalidades que atraem minha atenção.
Portanto, mesmo estando apenas na página 178 (de 701), preciso parar para fazer algumas breves considerações. Vamos lá ...

Philip Casey em menos de um ano perdeu seus pais em circunstâncias diferentes: o pai fora envenenado e a mãe morreu após o parto do seu irmão natimorto. Philip tinha nove anos na época que sua mãe faleceu. 

Após toda essa tragédia, foi morar com o tio e sua esposa. William Casey é um vigário na região de Blackstable. 

Após a chegada na casa dos tios, Philip viu sua vida direcionada para o trabalho religioso.  Frequentou a escola da região e teve seu primeiro contato social: sua deficiência no pé o levou conhecer a maldade que seus colegas de ensino lhe demonstravam por ele não ser "normal". Precisou enfrentar o deboche dos alunos e conviver com o autoritarismo de alguns professores. E neste ambiente, Philip precisou construir o seu caráter.
A falta de habilidade esportiva o levou aos livros. Tornou-se o primeiro em algumas matérias, cativou a simpatia de alguns professores e o horror de outros. Sua inteligência e perspicácia permitiram à Philip saber usar de argúcia contra seus colegas - visto que mesmo com seu destaque nos estudos, pouco convívio social tinha com os demais alunos pois em sua maioria o consideram estranho ou arrogante. 
E, na falta de companheiros, o protagonista encontrou Rose, um aluno que chegou ao instituto e logo cativou amizade com todos, incluindo Philip. E Philip se entregou a esta amizade de corpo e alma. Ele tinha alguém para compartilhar a vida na escola e ao chegar as férias, ansiou pelo retorno ao liceu para voltar a compartilhar da amizade de Rose. 
Mas o período de férias trouxe um novo Rose.

Philip precisou aprender a lidar com a indiferença do amigo e com o próprio orgulho ferido. Sua personalidade muda. Seu caráter tornou-se ácido com os outros, os estudos já não lhe davam prazer. Suas notas ficaram abaixo do normal e, agora, ele viu que precisa de um novo horizonte. 

E este horizonte foi a Alemanha. Na casa de pensão de uma pequena família, conhece outras personalidades completamente diferentes daquelas que ele conviveu no instituto - incluindo o convívio com o sexo oposto (dentro da sua faixa etária). 
Ainda era um mundo estranho para ele. Philip tem dificuldade de fazer-se expressar e de entender os outros.  E as mulheres com mais dificuldade ainda. 
Entre os conhecidos que faz e das conversas que tece, descobre-se ateu. E os pensamentos e ideais que descobre nesta nova condição lhe são mais confusos do que a própria crença cristã. 
E, apesar das coisas que descobriu que pensão, ainda faltava apaixonar-se... Mas antes lhe faltou dinheiro - o que levou a retornar para a casa dos tios.

Blackstable lhe trouxe uma nova mudança, e ela veio na figura de Emily Wilkinson. Ela foi seu ensaio amoroso. A busca pelo descobrimento de um sentimento profundo ou efêmero pela mulher, testava meros galanteios que pudessem sortir efeito positivo; viu-a desdenhar ou ignorar suas investidas. As longas conversas e as leituras permitiram a Philip conhecer Miss Wilkinson com mais propriedade. O convívio lhe foi prazeroso e educativo. Emily era mais velha que Philip e isto não estava definido para ele com atrativo ou desagradável. 
As relações íntimas que teve com ela o fez mentir em uma carta para o colega que conheceu na Alemanha. Florou a situação, falseou a imagem de Emily para convencer o destinatário da grande façanha que viveu.  Ainda não era amor. Ainda não lhe conheceu aquela que o faria viver a intensidade do sentimento amoroso. 

Philip Casey está perdido. Sua personalidade não está completa pois lhe falta o amor. Viveu as mudanças que precisou fazer para conhecer-se como cidadão em sociedade: enfrentou o tio, os professores, seus colegas - tornou-se aquele que lhe foi permitido ser; dialogou uma fé que lhe foi imposta, descobriu as falhas que nela há e naqueles que vivem dela e para ela. Compreendeu que uma mulher pode ser atraente mas não necessariamente amada. 
E segue adiante a leitura...

Omnia Vanitas. 💀

6 de janeiro de 2018

Leitura um..


Olá, leitor anônimo! 

E já aconteceu minha primeira leitura deste novo ano. Trata-se de uma re-leitura. Antes de terminar "O Véu Pintado" eu fiquei com vontade de ler este livro pois senti sentindo falta de As Três Mulheres de Antibes

Esta obra de W. Somerset Maugham contém dez contos que exemplificam algumas formas de socialização: algumas impostas, outras por escolha. Cada uma contém a sua consequência pois, convenhamos, é possível escolher o caminho mas o resultado não poderá ser alterado. Toda seleção é a exclusão de algo - o efeito reflete a escolha - algumas vezes, amarga.

Omnia Vanitas. 💀 







2 de janeiro de 2018

Última leitura de 2017..


Olá, esperançoso leitor!

Dia 28 de dezembro de 2017 eu comecei a última leitura do ano. O Véu Pintado, de Somerset Maugham. Esta foi a segunda vez que li este livro em 2017 - senti saudade dos moradores de Mei-tan-fu. A vida parece mais significativa quando se está no centro de uma epidemia de cólera.

No prefácio, Maugham conta que estava de férias da faculdade de Medicina quando resolveu ir até a Itália para aprender italiano (entre outras coisas). 
Hospedado na casa de uma senhora viúva e sua filha solteira, as aulas de italiano decorriam bem e, durante uma leitura de O Inferno de Dante, sua professora lhe contou que Pia de Sienna traiu seu marido, e este, não podendo matá-la, mandou-a para o castelo de Maremma para lá ela morrer respirando os vapores insalubres. 
Quando Maugham ouviu a explicação da sua professora para o caso da personagem de Dante Alighiere, ele precisou achar uma forma de colocar esta ideia em prática para a história ter coerência. Depois de alguns nomes censurados e locais legítimos injuriados, Mei-tan-fu foi a cidade fictícia e Fane o casal escolhido para este romance.

Durante a trama, outra citação é feita: "O cão foi que morreu" - este trecho faz parte da Elegia sobre a Morte de um Cachorro Louco, de Oliver Goldsmith.

"O cão foi que morreu" é a citação de Goldsmith dita por Walter Fane. Esta elegia conta a história de um homem de bem que foi mordido por um cachorro com raiva e a frase dita é a última na composição da obra. 

Infelizmente, para as duas informações sobre este livro eu não tenho a capacidade intelectual de responder sobre a composição e os motivos pelos quais foram escritos, mas sei que eles se encaixam perfeitamente na trama - até onde meu savoir-faire  chega.

Walter Fane foi um mal imprescindível, e Kitty Fane soube aproveitá-lo!

29 de dezembro de 2017

Trigésima segunda leitura..


Olá, anônimo leitor!

Término de mais uma leitura! Ah King chegou ao fim dia 27. Esta foi a segunda leitura deste livro, e não deixou à desejar! Na segunda história A Porta da Oportunidade - que eu acho fascinante tanto pela descrição do local como pela vida dos personagens antes do clímax -  eu não conseguia lembrar de nada da narrativa. Eu fiquei intrigada e não consegui deixar o livro antes de saber do que se tratava. Vencida pelo sono do meu marido, precisei abandonar a leitura para o dia seguinte. 

Durante sua viagem para Bornéu, Indochina e Sião, Maugham encontrou um criado de caráter interessante: pouco mostrava entusiasmo ao seu patrão e, ao despedir-se, sentiu-se demasiadamente triste com a separação. E, por tão singular personagem, o título do volume foi "batizado" com o nome do criado: Ah King. 
Algumas narrativas acontecem em primeira pessoa - muito comum em Maugham.  O livro compõe seis histórias (além de Ah King), todas referem-se a relacionamentos: traições, incesto, celibato, amizade e conversão.

Os relacionamentos em Maugham são intensos e simples. Seus personagens mostram-se em singulares situações em um ambiente propício para tal situação. 
Suas histórias acontecem fora da terra natal do seus personagens; em um lugar quase inexplorado, apenas com o comércio limitado pelo nativos e poucos conquistadores. Trata-se de uma nova terra que está sendo explorada e, sendo assim, gerando uma forma pessoal de lidar com a sociedade - apesar de alguns hábitos antigos serem rigorosamente praticados.

Para terminar, deixo um link de uma publicação antiga sobre esta leitura. 
E, ontem, foi dia de recomeçar mais um Maugham, O véu pintado.




21 de dezembro de 2017

Trigésima primeira leitura..



Olá, leitor !! 

Dezembro é o mês escolhido para eu ler William Somerset Maugham. 

O primeiro escolhido foi Um Gosto e Seis Vinténs. E eu gosto desse livro somente pelo final dele. Depois que o personagem foco sai de cena e, a história dele é contada por terceiros.. é a melhor parte. 

Mas deixe-me apresentar a história: este livro é baseado na vida do pintor Paul Gauguin, pintor pós-impressionista do século XIX. Claro não é a história fidedigna pois Maugham inventa personagens e situações para encorpar seu livro. 
Cansado da sua vida burguesa, Charles Strickland abandona a família depois das férias e vai para Paris para estudar e criar a sua arte. 
De humor agressivo e sem quase nenhum dinheiro, ele vaga pelas ruas de Paris em busca de inspiração, comida e para desprezar os que o tentam ajudar. 
Incomoda-se com o fato de não conseguir chegar ao ápice da arte - exaspera-se por não encontrar o âmago da sua inspiração - tateando cego em seu caminho.
Decidi-se deixar Paris e vai para Marselha e deixa de existir qualquer conhecimento substancial sobre ele. Por acaso, durante a composição de um livro, o narrador personagem passa pelo Taiti e descobre que Strickland é conhecido naquelas paragens. Soube, através de outras pessoas, como o pintor se comportou, com quem socializou ...

Esses personagens são fantásticos; simples e verdadeiros: vivem suas vidas da forma mais franca possível. E os nativos - chamados pelos conquistadores de "preguiçosos" vivem da caça, de frutas que colhem e em casas modestas: vivem com o simples da vida e são felizes - quando há a morte, enterram e continuam seus dias até chegar a sua vez. 

O título original deste livro "The Moon and Sixpence" é resposta à um crítico sobre a obra principal de Maugham "Servidão Humana" que disse que o protagonista olhava para a Lua e não via os vinténs que estavam aos seus pés. 

Para mim, Maugham sempre deixa um gosto de "quero mais".. por isso, ontem mesmo, comecei a leitura de Ah King .. um xuxu de leitura! 



13 de março de 2017

Bagagem..



Olá, leitor!

Visitinha à casa da mamãe no fim-de-semana!
Além de matar a saudade dos meus pais, trouxe uns livrinhos do meu antigo escritório. Deixe-me apresentá-los, desconhecido leitor:

Releituras:
Jane Eyre, de Charlotte Brontë
A Ilha do Tesouro, Robert Louis Stevenson
Ah King, de Somerset Maugham
Um Drama na Malásia, de Somerset Maugham

Primeira leitura:
- As Aventuras de Huclkeberry Finn, Mark Twain
- Nas Montanhas da Loucura e outros contos, H.P. Lovecraft
- As Aventuras de Arthur Gordon Pinn, de Edgar Allan Poe
- Biombo Chinês, de Somerset Maugham

Duas leituras são compras "frescas". Durante a viagem até a casa dos meus pais, o livro do americano Lovecraft foi comprado durante um lanche em um posto; e, o livro do Maugham foi a compra da semana passada.
As Aventuras de Arthur Gordon Pinn foi uma "dica de leitura" da leitura de Nathaniel Philbrick em No Coração do Mar; e As Aventuras de Huclkeberry Finn foi uma opção para a sequência da minha leitura atual, As Aventuras de Tom Sawyer.
O livro A Ilha do Tesouro foi uma opção para depois de Moby Dick, porém outras leitura surgiram, mas continua na lista de releituras pois junta dois ingredientes das outras histórias: adolescentes em aventuras e tesouros + mar. 

E Maugham é sempre uma boa releitura.

Deixando de lado "os homens", Charlotte Brontë e sua Jane Eyre. Eu não entendo porque deixei ela na prateleira..mas erro desfeito!

É isso!





1 de março de 2017

Sétima leitura..



Maugham é muito bom!

Este livro foi minha primeira leitura de Somersert Maugham. Eu assisti ao filme baseado no livro e, arrebatada, comprei o livro.

Comecei a reler ontem e, hoje pela manhã consegui terminar. Diferente da primeira leitura, não foi com lágrimas que o livro voltou para a estante, mas ainda assim fiquei apaixonada. 

Dois seres humanos diferentes casaram-se. Eu sei que a máxima popular diz que os opostos se atraem, mas Walter e Kitty estavam longe fazer jus ao ditado. 
Ela casou com desespero e ele pela beleza dela.

A psicologia de ambos não era atraente entre si. Ela odiava o silêncio casmurro dele e ele esforçava-se para gostar das futilidades dela.

Logo, veio a traição.

Mimada e apaixonada por si, Kitty não conseguia amar ninguém, exceto o amante - o único a quem se entregou integral. 

Walter, que antes cobria de pétalas o chão que Kitty caminhava, agora lhe denotava indiferença. E ambos aceitaram a infelicidade conjugal em Mein-tan-fu.

O melhor do livro é a mudança gradual da personalidade da esposa. 
Vivendo em meio ao vírus da cólera e totalmente longe de todas as opções fúteis de diversão, Kitty volta-se para uma realidade transformadora: a morte.
Parecendo jogarem o macabro jogo de "quem morrerá primeiro", ela é aceita em um orfanato de freiras francesas e lá descobre ser útil - algo que nunca havia sido em sua vida.
A morte, a miséria, o sacrifício pelo próximo, tornaram a esposa de Walter Fane um ser humano melhor que buscava se ajustar na sociedade caótica de Mein-tan-fu. 

As descobertas que faz sobre si, o casamento, o amante e, principalmente, sobre a morte, transformam Kitty por completo.

Depois de tantas experiências e reflexões, ela decidiu tornar a vida útil, não somente para si, mas ao próximo.


28 de fevereiro de 2017

Sexta leitura..


A primeira leitura deste livro foi nas minhas férias em 2015. E foi paixão à primeira vista. Maugham é fantástico!
Um dos escritores citados neste livro é Robert Louis Stevenson pois por volta de 1888 "aventura-se num veleiro em diversos arquipélagos do Pacífico-Sul, junto com a esposa e o enteado. Apaixonado pela paisagem paradisíaca, se estabelece definitivamente em Apia, nas Ilhas Samoa, em 1889". 

O livro compõe seis histórias (mais prefácio e post scriptum), as seguintes:

Mackintosh:  a humilhação de um subalterno chega ao extremo e ele sente-se impelido a odiar seu superior de modo intrínseco. A consequência desejada pelo empregado acaba se tornando o próprio fim deste.

O Degenerado: Um jovem promissor deixa sua cidade natal depois de uma tragédia familiar. Os novos ares fazem o protagonista mudar seu estilo de vida de maneira radical.

O Poço: o amor por uma jovem leve um funcionário do governo às raias da felicidade/loucura.

Honululu: a mística cidade e seu modo sobrenatural de viver levam um velho capitão às raias da morte.

Chuva: as chuvas da estação prendem um casal missionário encontram uma hóspede contrária ao seu modo de vida. A vigília sobre o próximo foi mais firme do que aquela que deveria haver sobre si.

Vermelho: a tragédia de um amor roubado. Desde a primeira leitura este é o meu conto preferido, não somente no livro mas sobre todas as leituras que fiz de Maugham. Existe uma beleza na forma que se conheceram e como se separaram. A tristeza, para mim, é tão funda que toca como se fosse real. 
Vou deixar um trecho e aqui, o link para o download da história completa:

E esses dois jovens - ela com dezesseis anos e ele com vinte - apaixonaram-se à primeira vista. Esse é o verdadeiro amor, não o amor resultante de simpatia, ou de interesses comuns, ou de afinidade intelectual, mas o amor puro e simples. Esse é o amor que Adão sentiu por Eva quando acordou e a viu no paraíso olhando-o com olhos orvalhados. Esse é o amor que atrai os animais uns para os outros, e os deuses. É esse o amor que dá à vida o seu intenso significado. Você nunca ouviu falar naquele sábio e cínico duque francês que dizia que, entre dois amantes, há sempre um que ama e outro que se deixa amar? É uma amarga verdade, à qual quase todos nós temos de nos resignar; mas, de vez em vez, há dois que se amam e ao mesmo tempo se deixam amar. Então podemos imaginar que o sol pára na sua órbita - como parou quando Josué rezou ao Deus de Israel.

Ler Vermelho é um bálsamo -  ele refresca e lhe deixa letárgico.

Omnia Vanitas

10 de dezembro de 2016

Fim de Leitura ..


Fim de leitura.

Maugham é encantador. Uma das características que me fascinam em suas histórias é o fato de ocorrem em lugares deslumbrantes:

"...eu já vagara por mais de uma terra estranha. Estivera em Bali, Java, Sumatra, estivera no Camboja e no Anam; e agora, com a impressão de me achar novamente em casa, sentei-me no jardim do van Dorth Hotel" 

Maugham narra em primeira pessoa, dando sempre a impressão de tudo aconteceu com ele: realmente alguns relatos são verídicos porém, outros, são apenas narrados em primeira pessoa do singular. Fantástico.

Estar longe de jornais (meio de comunicação único da época para notícias do mundo), é para mim maravilhoso. 
Pense você, conectado leitor, ficar sem seu celular, tablet, notebook ou qualquer sinal de vida social interligada por redes sociais e tals.
Simplesmente sentar um local desconhecido, com uma cultura completamente diferente da sua e aprender a socializar.

Sem contar que a narrativa de Maugham e simples; nada de rodeios ou máscaras: os seres humanos são complexos e primários.

O título original Cosmopolitans é perfeito. São 29 histórias escritas durante os anos de 1924 - 1929 - em primeira pessoa do singular - estes contos foram publicados na revista Cosmopolitan e, como exigência, tinha que ser dentro de um formato específico. As narrativas acontecem em vários cantos da Terra e com pessoas de perfis encantadores.

28 de novembro de 2016

Férias..


No próximo final de semana, eu estarei visitando meus pais. Além de matar a saudade da família e dos amigos, vou aproveitar para trazer alguns livros para meu projeto de releitura em 2017. E, como estarei levando alguns livros que estão em nossa casa, vou aproveitar e ler mais um Maugham para contar na bagagem.

Eu adotei o hábito de ler Maugham durante as minhas férias do  trabalho. Sendo que agora sou dona do próprio negócio, entrar em gozo de férias é algo fora da realidade atual. Então, para manter meu gosto, vou ler Maugham agora - já que a maioria das escolas estão em férias. 

O título original é Cosmopolitans, mas a tradução para o português é 29 Histórias.
Assim como em Ah King, são histórias que Maugham escreveu durante suas viagens, neste caso, para a China. Ele não quis mexer muito nos contos para não perder o valor do momento em que foram escritas. Estou ansiosa para ler. 
As histórias de Somerset Maugham tem uma simplicidade na forma que são criadas que me permitem voar até uma praia retirada nos mares do sul, cruzar uma ponte pensil com um equilíbrio vascilante e sentar em uma poltrona para ouvir a história de algum habitante de tal lugar perdido no tempo. 

E haverá mais Maugham em 2017 pois ele está na minha lista de releituras - o problema é escolher quais reler! ;)

17 de novembro de 2016

Nostalgia..


O que lhe traz nostalgia, saudoso leitor?

Eu visitei minha mãe no último final de semana e, mais uma vez, entrei no meu escritório e vi meus livros; todos lindos e, alguns, esperando por 2017.
Subi no braço do sofá para alcançar as prateleiras e peguei alguns para folhear. Tão lindos. Quanta saudade dos dias que eu os li. A maioria está significativamente cravado em minhas recordações:

- Misery, em um janeiro quente, na varanda da casa dos meus pais. Tantos chás gelados para aplacar o calor do verão insano. Noites e dias, dias úteis e finais de semanas, todos tão deliciosos. Ou quando li Desespero e chorei copiosas lágrimas no final da leitura (I João 4:8). As madrugadas lendo IT, A Coisa.

- Histórias dos Mares do Sul, do meu amado Maugham. Cada história enchendo meu coração de alegria e paz. Ah King durante uma virada de ano ao lado da minha cachorrinha, a Costelinha.

- O dezembro que reli O Hobbit e vim rindo no ônibus porque Bilbo chegou na casa de Beor. As noites de chuva de Setembro quando li O Senhor dos Anéis.

Essa é a magia dos livros sobre mim: ao primeiro toque ou no primeiro olhar, eu recordo o momento feliz que passei na (re)leitura dele.

Omnia Vanitas

6 de novembro de 2016

A Lista de Adelita


Voltei!

E estou com uma dúvida cruelíssima! Que livros ler em 2017?

No ano que vem, eu me comprometi a ler todos os livros que eu já li (e tenho); ou seja, 2017 será um ano de releituras. Será maravilhoso poder ler os livros que me encantaram .. mas, QUE LIVROS DEVO ESCOLHER??

Vou ler Maugham: mas que livros de Maugham devo ler? Amo todos que li: O Véu Pintado, O Fio da Navalha, Ah King, Histórias dos Mares do Sul ..nossa! Tudo de Maugham eu amo!

E Stephen King? Meu primeiro livro foi O Cemitério, adorei Desespero, Cujo, O Iluminado, A Coisa, Misery .. tudo!

E Tolkien? O Hobbit, Silmarillion ou a trilogia do Anel? Todos? E Contos Inacabados, Mestre Gil de Ham, Roverandom..??

E as irmãs Brontë? E Jane Austen?

E ainda tem Dostoièvski, Melville, e ainda tem a literatura brasileira: Machado de Assis, José de Alencar, Rachel de Queirós, Aluísio Azevedo e .. e.. tantos livros e apenas 365 dias. Que injusto! Que cruel!

Sem contar que não posso deixar minhas leituras em francês paradas para não retroceder .. então, ou releio tudo o que li em francês ou terei problemas em mantes o vocabulário que aprendi até agora!

A vida é cruel com leitores compulsivos e ansiosos!

Omnia Vanitas!

20 de agosto de 2016

Novos Agregados! ..


Bom dia, leitor anônimo!!! Hoje minha ansiedade se foi {pelo menos sobre este assunto}.

Comprei esses dois lindos livros no mês passado - presente do maridão. Porém, está encomenda que chegaria em no máximo dez dias úteis demorou um pouco mais de um mês para chegar nas minhas mãos! Chegaram nesta manhã linda de céu nublado!!

Deixe-me apresentar meus novos amigos, ansioso leitor:

- Confissões, de William Somerset Maugham. Meu querido inglês relata neste livro os caminhos que seguiu para escrever suas histórias. Eu não pretendo ser uma escritora de sucesso como meus ídolos literários, mas é interessante conhecer a forma de criar deste mestre.

- Le Tour du Monde en 80 Jours, de Jules Verne. Fiz esta leitura em francês adaptado ao meu nível de leitura e, por ter gostado muito da história, eu quis comprar a obra integral.  Este exemplar é lindo: tem figuras e a capa dura vem com uma sobrecapa para cuidar melhor do exemplar!

Concluindo: estou muito satisfeita com a minha nova aquisição literária. Ao chegar em casa, essas belezuras irão para minha prateleira improvisada na sala de visitas!

Omnia Vanitas.

12 de janeiro de 2016

Abandonado ..



Domingo, deitada na sala na companhia do meu marido, eu lia um livro de Maugham. Era uma leitura inquieta pois eu estava inquieta.

Eu não conseguia ficar presa à leitura. Lia uma página e não conseguia chegar até a outra. Tortura. Eu fechava o livro e andava para outro lado do apartamento. Olhava a chuva pela janela, olhava para as flores que cultivo na soleira de outra; voltava para a minha posição de leitura e ainda não conseguia prosseguir.

Maugham me "decepcionou". 
O encanto que encontrei neste autor é pela facilidade e beleza em explorar a alma humana. Ao ler Maquiavel e a Dama eu descobri a leitura de um romance histórico. Não tenho, em absoluto, nada contra romances históricos - Alexandre Dumas e Bernard Cornwell são minhas testemunhas, mas, Maugham!.. Eu não consegui. Quando eu pensava que a história estava me animando, eu olhava para o início da página e lia o nome do autor: Maugham. A constatação tirava o ânimo da leitura pois eu não iria encontrar os elementos que encontrei neste escritor.

Então, com uma vontade quase contrária à decisão que tomei, eu abandonei a leitura de Maquiavel e a Dama. Talvez, quando eu estiver preparada para ler um Maugham histórico, eu retome a leitura; mas, no domingo, ela encerrou na página 104.

Omnia Vanitas.

Os Meninos da Rua Paulo - Prefácio

  Olá, abandonado leitor!  Comecei neste final de semana a leitura de "Os Meninos da Rua Paulo". Ainda não cheguei na página 50, a...