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21 de janeiro de 2018

Leitura três..



Querido leitor,

Eu conheci este livro da Alice Walker no início da minha juventude. E, depois de lê-lo, ao assistir o filme eu estava em prantos na primeira cena de Celie com Nettie.


A história conta a vida de duas irmãs que vivem vidas opostas: enquanto Celie vive conforme lhe designam, Nettie procura por uma vida melhor.
Ao se separar de Celie, Nettie promete lhe escrever sempre: infelizmente a irmã não recebeu nenhuma carta da sua irmã. 

A vida de Celie é triste: é estuprada pelo pai, seus dois únicos filhos são levados para a adoção, ela é dada em casamente ao um homem que não lhe trata melhor que seu pai, em sua nova casa ela é maltratada pelos filhos do marido que a reconhecem como uma pessoa com autoridade sobre elas. Mas ainda assim, Celie vive; ela espera receber notícias de sua irmã e enquanto isso escreve para Deus sobre seu cotidiano.

Aos poucos, ela recebe um tratamento humano de uma pessoa inesperada. Este amparo promove um novo olhar para a protagonista. 

Este é um livro triste, com uma história triste que sofre racismo e machismo em um grau alto e intolerável. Trata-se de uma narrativa com esteriótipos que comove em cada página; é uma história com personagens que são um exemplo de força e superação. 

Em meio a este sofrimento há uma cena que me faz rir junto com os personagens:
Bom, o Grady falou, tentando trazer a luz. Uma mulher num consegui um homem, se as pessoa falam.A Docí olhou pra mim e a gente riu. Aí a gente começou a dar e dar risada. Então a Tampinha começou a rir. Depois a Sofia. A gente quase morreu de rir.A Docí falou, Eles num são dimais? A gente falou hum, hum, e batemo na mesa, e limpamo a água dos olhoHarpo falou pra Tampinha, Fica quieta, Tampinha, ele falou. Dá má sorte rir de homem.Ela falou, Tá bem. Ela sentou reta, ingulindo a respiração, tentando num mexer a boca.Ele olhou pra Sofia. Ela olhou e riu na cara dele. Eu já tive minha má sorte, ela falou. Eu já tive o bastante pra poder rir o resto da minha vida.
Termino por aqui, querido leitor. Recomendo com muita segurança a leitura desta obra.

Omnia Vanitas. 💀

14 de janeiro de 2018

Leitura dois ..


Olá, leitor anônimo!

Assim como foi ao terminar a primeira leitura desta obra de Fannie Flagg, aos prantos terminei esta segunda leitura. 
As vinte páginas finais foram difíceis de ler porque as lágrimas simplesmente não paravam de fluir! Cada frase era um incentivo ao choro desenfreado.  Aviso a você, leitor: o livro não tem a ver com o filme - em algumas partes, principalmente no final. 

Esta obra foi relançada pela Folha de São de Paulo em um projeto chamado Mulheres na Literatura. Esta coleção começou a publicação em 20 de março de 2017 e terá seu último volume publicado em quatro de março deste corrente ano; desta forma completará trinta publicações. Só tem mulher de peso: Simone de Beauvoir, Jane Austen, Isabel Allende, Charlotte Brontë, Clarice Lispector, Emily Dickson, Louisa May Alcott, Florbela Espanca, Maria Adelaide do Amaral, Lya Luft e outras (não menos relevantes na literatura). As edições estão disponíveis em bancas de revistas/jornais. 
Agradeço muito por esta republicação de Tomates Verdes Fritos pois as edições que circulam pela internet estão com preços absurdos por um exemplar. 

Sobre o livro:
A história é sobre amizade: o coração é Ruth e Idge - mas há tantas amizades envolvidas na trama que inspiram um amor pelos personagens e pela cidade que é impossível não se apaixonar e querer estar lá. Eu não vou entrar na questão do relacionamento de Ruth com Idge - sim, era uma relação homoafetiva e isso não tem segredo nenhum (supere!). 
A senhora Treadgoode - narradora de parte da história da Parada do Apito, tem uma relação de amizade com Evelyn Couch, que é casada com Ed - um marido que não nota as aflições da esposa - e Evelyn não consegue encontrar uma utilidade para si. Ouvindo as histórias do Apito, ela é encorajada a mudar de atitude e tomar as rédias da sua própria vida sem pensar no que os outros pensam sobre isso.

A história não é contada de forma linear. A narrativa de Ninny (sra. Treadgoode), as histórias do semanário e a história corrente não seguem uma sequencia reta - e isso deixou minha mãe chateada e a fez desistir do livro na página cem (uma pena!).

Além do esteriótipo homessexual, o racismo é outro ponto tratado no livro Tomates Verdes Fritos. O fato de Idge e outras pessoas desafiarem uma minúscula sociedade ao se relacionarem com os negros da região, deixava o KKK* de cabelo em pé. E, uma coisa triste é que havia o Klan em um lugarejo com 250 habitantes. Apesar de não ser uma prática incentivada, este grupo existia nesta região do Alabama - assim como em todo lugar (mas com nomes diferentes). 

Eu recomendo esta deliciosa leitura.
Sinto muito assustado meu marido ao entrar aos prantos no escritório! E o consolo que ele me deu foi: Você poderá reler depois, amor! .. E me abraçou com delicadeza tratando do meu choro com  muito carinho. 

Omnia Vanitas. 💀

P.S.: Assim que tiver tempo, experimentarei a receita de Tomates Verdes Fritos.
P.S. do P.S.: a música Sweet Home Alabama tocava na minha cabeça durante toda a leitura.

3 de junho de 2017

Décima Quarta leitura..


"O que eu temia veio sobre mim" Jó 3:25


Olá, anônimo leitor!

Essa semana, eu terminei minha segunda leitura de A Coisa, de Stephen King (e primeira leitura desta edição). 

O livro contém 1.103 páginas; e, para não se perder o ânimo (mesmo a história sendo muito bem escrita), eu coloquei meus bilhetinhos para me guiar na leitura. Separei conforme o índice: as partes e os interlúdios e, ainda, coloquei tiras com anotações que achei interessantes para colocar no blog - não sei se usarei todas, mas foram marcadas para tal - usei essas anotações por se tratar de uma obra de muitas páginas e, se não marcasse, poderia vir a esquecer aquilo que chamou minha atenção na época da leitura. Coisa de leitor. Comecei esta leitura dia vinte e três de abril/2017 e terminei dia primeiro de junho do mesmo ano. 
Houve alguns contratempos na leitura: fiquei uma semana colocando a montagem do meu quebra-cabeça de deua mil peças em dias e, claro, eu também tive que trabalhar no turno do meu marido para que alguns fatos fossem resolvidos por ele. Sendo assim, começo a história.

Durante as férias de verão, em Derry - Maine, sete crianças se reuniram para matar um palhaço assassino.. Pensa nisso, vingativo leitor, que bela redação de "Minhas Férias" estas crianças escreveram (rs). 
Um palhaço, Parcimonioso (em PT; Pennywise na língua inglesa), atraia crianças e as mata alimentando-se do medo delas. E, daqueles que não se deixaram se impressionar pela teia do palhaço, os sete amigos decidiram dar um fim neste personagem circense. 

Por que um palhaço? Segundo a lenda universal, palhaços são seres "assustadores" e os americanos parecem ser os mais assustados em relação a tal personagem. Mas, segundo o Parcimonioso:
...ora, que criança não adorava um palhaço?
Tentei buscar alguma explicação para essa fobia, mas não a encontrei; então, vamos aceitar o medo sem o justificá-lo. E a classe de palhaços se manifestou contra Stephen King e o autor se defendeu:


A primeira parte história começa com as crianças, no ano de 1958, quando as crianças ferem a Coisa no dia dez de agosto daquele ano.  Porém, vinte e sete anos depois, a Coisa volta a atacar a mortal cidade do Maine. Então, Mike, o bibliotecário da cidade, liga para seus seis amigos no dia vinte e oito de maio de 1985 para avisar que aquilo que eles achavam estar morto, voltou. E assim acontece um segundo confronto, mortal para alguns membros deste grupo.

A psicologia utilizada neste livro é muito boa - até mesmo aquelas que aparecem nas entrelinhas. Deixe-me listar alguns, curioso leitor.

O livro fala sobre o medo que alimenta a Coisa. Apesar de se apresentar como um palhaço com balões, o ataque é sempre mortal quando a Coisa se apresenta com o medo particular de cada criança e, também, a uma explicação para o ataque acontecer contra crianças e adolescente:

A Coisa sempre se alimentou bem de crianças. Muitos adultos poderiam ser usados sem saber que foram usados, e a Coisa até já tinha se alimentado de alguns mais velhos ao longo dos anos. Os adultos tinham seus próprios pavores, e as glândulas deles podiam ser invadidas, abertas, para que todos os componentes químicos do medo jorrassem pelo corpo e salgassem a carne. Mas os medos das crianças eram mais simples e normalmente mais poderosos. Os medos das crianças costumavam ser invocados com um único rosto… e se fosse preciso usar isca, ora, que criança não adorava um palhaço?

Essa explicação justifica o medo particular de cada criança: Ben tem medo da múmia, Eddie do leprosos, Mike do pássaro grande, Stan tem medo das crianças mortas na Torre D'Água, Richie tem medo do lobisomen juvenil etc. E, na minha primeira leitura eu achei muito toscos os medos, porém, na releitura eu tive a  sensibilidade de perceber esse fato.
Outras questões que são interessantes de marcar se referem, na minha opinião, ao medo: a Coisa mora nos esgostos de Derry; as sete crianças brincam na saída do esgosto da cidade; a bicicleta de Bill fica guardada  embaixo de uma ponte; o clube secreto se esconde em um buraco no chão.
A simbologia desses pontos foram relacionados, por mim, ao medo por estarem sempre "para baixo". O medo é algo que fica escondido embaixo de uma camada de coragem.
A lembrança que os personagens tem dos fatos que os uniram é algo bloqueado na mente deles. A recordação foi bloqueada quase no momento seguinte que eles se separaram depois ferirem a Coisa. A amizade não seria mais tão sólida pois o que os unia - o medo - foi dissipado. Quando adultos, não se lembram mais uns dos outros até o momento que Mike faz a ligação tão temida: a Coisa atacando novamente. Assim, as lembranças das desventuras que o grupo viveu foram surgindo lentamente na vida de cada personagem conformem conversavam sobre o assunto ou visitando os locais nos quais tinham vivido naquela época. O medo é tratado como um trauma que não permite que a lembrança seja "viva" para não paralisar o indivíduo - como se estevessem em uma espécie de coma. Stan diz que o ele vive, na adolescência, deve ser recusada por ser uma ofensa. Achei essa definição sobre o assunto muito peculiar. Eis o trecho:

"É com a ofensa que você talvez não consiga viver, porque ela abre uma rachadura dentro do seu pensamento, e se você olhar dentro dela, vê que há coisas vivas ali, e elas têm olhinhos amarelos que não piscam, e tem um fedor naquela escuridão, e depois de um tempo você acha que talvez haja um outro universo lá dentro, um universo em que uma lua quadrada sobe no céu e as estrelas riem com vozes frias e alguns dos triângulos têm quatro lados, e alguns têm cinco, e alguns têm cinco elevado a cinco lados. Nesse universo, podem crescer rosas que cantam. Tudo leva a tudo, ele teria dito para os amigos se pudesse. (...) Pareceria uma ofensa".

O livro aborda o racismo contra judeus e negros e, também, a violência contra a mulher. Deixe-me descorrer um pouco sobre este último tópico.
Bevvie era agredida pelo seu pai e, ao casar, o marido fazia o mesmo. Uma das coisas que mais chamou muito minha atenção foi a amiga de Bevvie: uma feminista que lucrou com um divórcio e fazia propagandas em favor da libertação da mulher de esteriótipos machistas. Porém, não é isso que chamou minha atenção. Essa amiga, Kay McCall, aconselhava Bevvie a largar o marido, Tom. Os discursos de "como você pode viver com esse homem", "chute a bunda dele", "reaja!" etc eram os mais dirigidos à vítima; mas, de repente, tudo mudou. Quando Beverly recebeu a ligação de Mike, ela deixa Tom para trás - depois da violência habitual, mas, desta vez, contra Tom.  A fugitiva corre para a amiga, pedindo dinheiro emprestado para voltar ao Maine etc e tal. Em tudo, Kay ajuda. Mas uma coisa a feminista não contava: Tom foi atrás dela.
Todo o seu feminismo não a salvou. O marido violento de Bevvie lhe aplicou a violência mais forte que eu capaz de utilizar naquele momento e, o resultado, foi que o medo a privou de denunciar o agressor. Sou contra a violência doméstica, mas sou contra, principalmente, as pessoas que pregam "a liberdade" mas não sabem lidar com o psicológico que a vítima sofre.

A união dos amigos é uma junção dos excluídos, eles apelidaram seu grupo como o Clube do Otários. Bill é gago, Richie é pirado, Eddie é hipocondríado, Ben é gordo, Stan é judeu, Mike é negro, Bevvie sofre violência doméstica. É um grupo de discriminados.

Notas mais pessoais sobre essa leitura:
- personagem preferido: Benjamin Hanscon
- parte preferida: o balão que estoura na biblioteca quando Mike escreve suas anotações (interlúdios)
- capítulo preferido: todos os interlúdios.
- capitulo mais tosco: a cena de sexo para encontrar o caminho para casa (??)

Stephen King aborda temas muito relevantes, além do medo patológico por palhaços - e é isto que eu amo nesta obra.

Esta é minha visão de A Coisa, determinado leitor. Leia!

Omnia Vanitas

14 de março de 2017

Nona leitura..


Nona leitura, dedicado leitor!

Minha primeira leitura de Mark Twain.
Para mim, soa estranho eu nunca ter lido Mark Twain antes. Achei Tom Sawyer muito, mas muito divertido!

Os primeiros capítulos me fizeram rir alto; estas são algumas passagens:

..Tom Sawyer adquiriu vários cartões de pontuação na aula de religião. Ao negociar esses cartões com seus amigos de escola bíblica, Tom adquiriu o número suficiente para ganhar sua Bíblia Sagrada. Este fato fez do menino o centro da atenção do diretor da escola. E isso não foi bom para Tom Sawyer.
- Bem, agora eu acho que você não se importará de contar para mim e para esta digna senhora que está comigo algumas das coisas que aprendeu aqui – eu sei que terá prazer em nos contar – porque todos nós sentimos orgulho dos jovens aplicados que se dedicam ao estudo. Vamos ver, sem dúvida você sabe os nomes dos Doze Discípulos de Cristo. Não precisa recitar todos, mas diga-nos os nomes dos dois primeiros que foram escolhidos!(...)A essa altura, Tom estava retorcendo sem parar um dos botões de seu casaco, como se pretendesse arrancá-lo. Parecia realmente muito tímido e encabulado. Seu rosto ficou muito vermelho e seus olhos ficaram grudados no assoalho da igreja. O coração do sr. Walters se afundou em seu peito. Ele disse consigo mesmo: “Não é possível que esse rapaz possa responder as mais simples das questões. Por que o juiz foi perguntar logo a ele?” Mesmo assim, foi obrigado a altear a voz e dizer:– Responda ao cavalheiro, Thomas – não tenha medo.Tom ficou com o rosto mais vermelho ainda.– Ora, eu sei que para mim você dirá – falou a senhora, com a voz cheia de compreensão maternal. – Os nomes dos dois primeiros discípulos eram...– DAVID E GOLIAS!Vamos puxar a cortina caridosamente sobre o restante desta cena trágica.
..Tom foi a igreja, domingo, com sua tia Polly..e foi assim:
O Ministro leu o trecho da Bíblia que inspirava seu sermão e pôs-se a discorrer monotonamente sobre um assunto tão repetitivo que muitas cabeças começaram aos poucos a balançar de sono – mesmo que a prédica versasse sobre o fogo e o enxofre infinitos da condenação final, reduzindo os eleitos “predestinados” a tão poucos, que praticamente não valia o esforço pela salvação.
..Logo, a prédica deixou de ser interessante e Tom teve uma ideia, brincar com o escaravelho que trouxera dentro de uma caixinha que estava no seu bolso! Que ideia ótima! Porém, o escaravelho picou seu dedo e caiu no chão. Um cachorro o encontrou e aconteceu uma brincadeira entre o cão e o escaravelho que fez o ministro perder a atenção do seu "rebanho". E então, ..
Tom Sawyer voltou para casa muito contente, pensando que os ofícios divinos podiam ser até agradáveis, quando se introduzia neles uma pequena variação. Somente um pensamento empanava sua felicidade: estava disposto a deixar que o cachorro brincasse com seu “bicho-beliscão”, só que ele deveria tê- lo devolvido – não tinha sido direito que o animal fugisse com seu brinquedo.
A leitura de Tom Sawyer é um terror para os politicamente corretos. Ele gosta de fazer tudo o que deixa pais e responsáveis de cabelo em pé: gosta de sair na calada da madrugada para encontrar alguma aventura com seu amigo Huck Finn (minha próxima leitura). Tom gosta de ser pirata, ladrão, mentir, fumar, falar palavrão e brigar.  E, de tanto inventar aventuras, viveu uma bem séria!
A sua paixão por Becky é típica de um adolescente - pelo menos acho que ele era adolescente.
Permaneceu "morto" quase uma semana só para ir ao seu funeral. Gosta de ser livre mas, às vezes, gosta dos braços da tia Polly.

Porém, Huck Finn era de outra estirpe: com pais que só brigavam, um pai bêbado e, aparentemente, mãe ausente; ele não via alegria em viver uma vida "regrada".
Não funciona, Tom, essa vida não é pra mim. Eu não estou acostumado com essas coisa toda. A viúva é muito boa pra mim e me mostrou toda a amizade do mundo; mas eu não suporto os costume daquela casa. Ela me faiz levantar de manhã todos os dia à merma hora; ela faiz eu lavar a cara e as mão a toda hora; eles me penteiam tanto que eu fico ouvindo uns trovão nas oreia; ela não me deixa dormir no garpão da lenha; eu tenho de usar essas mardita roupa que me deixa sufocado, Tom. Parece que não entra ar nenhum por drento delas. E o pió é que as tais de roupa são tão nova e bonita que eu não posso nem me sentar, nem me deitar, nem rolar pela grama em lugar nenhum. Eu não escorrego por uma porta de jogar carvão no porão faiz... acho que faiz uns quantos ano. Eu tenho de ir à igreja e ficar suando e comichando por lá – eu odeio aqueles mardito sermão! Eu não posso pegar uma mosca lá drento, não posso mastigar, tenho de usar sapato o domingo intero! A viúva Douglas come por campainha; ela vai pra cama por campainha, tamém; ela até se levanta por campainha – tudo tem hora e as hora são sempre as merma e um cara não consegue se aguentar!
A linguagem de Huck Finn tinha correção; ou seja, todos os erros gramaticais foram corrigidos; tão certo quanto a palavra "preto" foi excluída por racismo.

Omnia Vanitas.

11 de junho de 2013

A Milha Verde..



Eu estava lendo essa reportagem na página do  Imagens Históricas  e, logo no início da leitura, lembrei de um livro de um escritor que gosto, Stephen King, A Milha Verde, ou "A Espera de Um Milagre".

Leia com atenção, anônimo leitor, e veja se a história não se assemelha com o assassinato que acontece no livro que foi e causa a prisão do gigante John Coffey (igual ao café mas sem um "e").

Além disso, a história real choca por seu racismo, que me lembrou outro livro: "Tempo de Matar" de John Grisham; a história fictícia absolve dois homens brancos pelo estupro e tortura de uma menina de 8 anos, negra. A pai da menina, que sobreviveu - porém, o trauma é latente -, foi até o tribunal e, na saída dos dois homens brancos, arranca uma arma da mão de um dos policiais e assassina os dois estupradores. E, então, a história começa, levando em consideração pontos como: a pena de morte e o racismo.

Ok, chega de "bla bla bla". Lá vai a história real:



 George Junius Stinney Jr. foi, aos 14 anos, a pessoa mais jovem a ser executada nos Estados Unidos, em 1944.
Entretanto, o processo judicial que levou à sua execução ainda permanece controverso. Stinney foi preso por suspeita de assassinar duas meninas, Betty June Binnicker, de 11 anos, e Maria Emma Thames, de 8 anos, na Carolina do Sul, em 23 de março de 1944. Ambas desapareceram quando andavam de bicicleta à procura de flores. Ao passarem pela casa Stinney, eles perguntaram ao jovem George Stinney e à sua irmã, Katherine, se eles sabiam onde encontrar "flores-da-paixão". Quando as meninas não retornaram, grupos de busca foram organizados, com centenas de voluntários. Os corpos das meninas foram encontrados na manhã seguinte em uma vala cheia de água lamacenta. Ambas sofreram ferimentos graves na cabeça.
Stinney foi preso algumas horas depois e foi interrogado por vários oficiais em uma sala trancada com nenhuma testemunha além dos oficiais. Após uma hora, foi anunciado que Stinney havia confessado o crime. De acordo com a confissão, Stinney tentou abusar sexualmente de Betty enquanto ela catava flores com a irmã mais nova. Após perder a paciência com a menor que tentava proteger a irmã, ele acabou por matar as duas com uma barra de ferro e atirou os corpos em um buraco lamacento. De acordo com os policias, Stinney aparentemente tinha sido bem sucedido em matar ambas ao mesmo tempo, causando trauma contuso em suas cabeças, quebrando os crânios de cada uma em pelo menos 4 pedaços. No dia seguinte, Stinney foi acusado de assassinato em primeiro grau. O pai de Stinney foi demitido de seu emprego na serraria local.
O julgamento ocorreu em 24 de abril no tribunal do condado de Clarendon. Após a seleção do júri, o julgamento começou, às 12h30 e terminou às 05:30. Depois de apenas 10 minutos de deliberação, o júri, que foi composto inteiramente de homens brancos, deu um veredicto de culpado.
Sob as leis da Carolina do Sul, todas as pessoas com idade superior a 14 anos eram tratados como um adulto. Stinney foi condenado à morte na cadeira elétrica.
A execução foi marcada para ser realizada na Prisão Estadual de Carolina do Sul, em Columbia , em 16 junho de 1944 , menos de três meses após o crime. Às 19:30, Stinney caminhou até a câmara de execução com a Bíblia debaixo do braço.
Mais tarde verificou-se que a barra com a qual as duas meninas foram mortas, pesava mais de vinte libras (9,07 kgs). Stinney foi decretado incapaz de levantar esse peso, e muito menos ser capaz de bater forte o suficiente para matar as duas.

Os Meninos da Rua Paulo - Prefácio

  Olá, abandonado leitor!  Comecei neste final de semana a leitura de "Os Meninos da Rua Paulo". Ainda não cheguei na página 50, a...