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8 de novembro de 2020

Vigésima sétima leitura..


 

Olá, anônimo leitor!

Imagino o seu sofrimento, leitor, pela minha falta de atualização deste blog. Mas, sem explicações ou justificação, começarei esta publicação.

A vigésima sétima leitura foi um livro de estudo sobre os manuscritos encontrado em um livro de poemas que pertenceu à família Brontë.

Os Manuscritos Perdidos de Charlotte Brontë foi uma preciosa aquisição que o Sociedade Brontë adquiriu depois de quase dois séculos "perdido" na América do norte.

Este livro é uma fonte rica de estudos sobre a importância que este achado trouxe para a juvenília de Charlotte Brontë (e, também, para iluminar a obra de Emily Brontë, Wuthering Heights). Anne ficou à margem, de novo.

Cinco pessoas que são referência em estudos sobre a família Brontë expõem, neste livro, todo o valor de encontrar este fragmento (uma poesia e uma prosa) em um volume de poemas chamado Remains of Henry Kirke White. 

Ann Dinsdale apresentará a chegada do livro à família, desde a sua compra por Maria Branwell (futura senhora Brontë) em sua terra natal; o transporte para sua nova casa ao lado do marido Patrick e a perda em um naufrágio de parte da sua bagagem.

Barbara Heritage apresentará a arqueologia do livro - e do exemplar de Maria Brontë desde a morte marido Patrick e a venda dos bens materiais da família e em quais mãos esses dois exemplares (que se tornaram um) foram manuseados e a explicação para o acréscimo dos dois fragmentos no volume único.

Emma Butcher e Sarah E. Maier são responsáveis por dois estudos reservados à influência destes escritos na juvenília de Charlotte Bronë e como era produzida - com a parceria de seu irmão, Patrick Branwell. 

O último capítulo Reinventando o Céu, de Ann-Marie Richardson é dedicado à Emily Brontë e a inspiração que o poema Clifton Grove, de Henry Kirke White  na escritora de Wuthering Heights.

Eu decidi não me aprofundar em relatar cada capítulo deste livro  por se tratar de estudos direcionados, eu não teria como escrever sobre sem diminuir o valor do conteúdo. Porém, deixo a minha singela recomendação de leitura deste livro para os amantes das irmãs Brontë; e, acrescentarei uma nota para tal leitura: tente ler a juvenília de Charlotte Brontë antes de iniciar esta leitura para que não se torne estranha as ideias apresentadas.


Omnia Vanitas 💀

5 de outubro de 2020

A família Brontë..



Olá, obcecado leitor!

Eu não sei em que ponto da minha vida eu enlouqueci com as irmãs Brontë. Eu sou uma apreciadora das obras delas, mas parece que este ano, para ser mais exata em Setembro, elas me viraram de cabeça para baixo.

A primeira e última leitura que fiz dos livros que eu tenho delas em meu acervo, foi no ano de 2013. Li as três e, em 2015 eu li a Juvenília de Charlotte e Jane Austen. E por falar em Austen, também estou me devendo uma releitura dos seis romances (completos).
Voltando às Brontë; neste ano eu fiz a leitura anual de Norte de Sul da Elizabeth Gaskell. E, por ter uma assinatura no site Anne Brontë eu descobri que este livro da Gaskell foi inspirado em Shirley da Charlotte. Foi o que bastou para eu me decidir a ler os romances das irmãs - pelo menos compõem o acervo (parcial) na minha casa. E então comecei a fuçar mais sobre a família Brontë, assisti "lives" de pessoas que tem cátedra para falar sobre os Brontë, Gaskell e Austen. E cavocando um pouco mais, achei esse livro aí (da foto), que foi publicado no ano passado pela Faro Editorial. Busquei um pouco mais, achei um preço bem camarada no exemplar, convenci meu marido que minha vida dependia desse livro ..e voilà ! 

Maria Brontë é uma figura silenciosa dentro da família Brontë: futura esposa de Patrick Brontë  e mãe de seis filhos - sendo que todos morrem em idade tão jovem (e prematuros) quanto a matriarca; deixando o marido, Patrick, como último a se despedir desta terra finita. 
Dois anos antes do seu casamento com o pastor Brontë (Prunty/Brunty), Maria Branwell tinha em seu poder um exemplar "The Remains of Henry Kirke White". No ano de 1812, ao se mudar para a terra de seu noivo, o navio que levava seu baú sofreu um naufrágio  que levou muitos bens pessoais para as profundezas do mar - porém, alguns foram recuperados pelo fato do acidente ter acontecido perto da margem.
Recuperado o exemplar, ele compôs a biblioteca e o imaginário de toda a família Brontë. Neste exemplar - que não foi apenas lido - foram anotados pensamentos dos leitores desta obra. 
No ano de 1861, após a morte do último membro deste núcleo familiar dos Brontë, muitos bens que ficaram para trás foram vendidos, entre eles, o exemplar de "The Remains of...". Viajando por mãos desconhecidas até chegar na América do Norte sob a tutela de um colecionar particular, em 2015 o exemplar foi comprado pelo The Brontë Society e publicado pela primeira vez em 2018. 
Anotações preciosas que permitem ao leitor descobrir uma nova faceta sobre as inspirações e ideias desta família extraordinária estão disponíveis para quem interessar possa.

O exemplar não possui os poemas de Henry Kirke White, apenas os manuscritos que foram encontrados nele e notas histórias sobre cada momento destas pessoas que encantaram o mundo com histórias e vidas tão sublimes. 

5 de maio de 2020

Releitura de "As Viagens de Gulliver"..



Olá, anônimo leitor!

Estou na segunda leitura deste livro do Swift, depois de mais de oito de distância da primeira. E é um novo olhar por dois motivos.

Primeiro, faz muito tempo desde a primeira leitura, todas as particularidades foram esquecidas conforme outras leituras foram feitas depois desta. 

Segundo motivo foi que desta vez eu decidi incluir as notas explicativas na leitura.
Este exemplar é da Nova Cultural (2003) com tradução e notas de Therezinha Monteiro Deutsch. Ela, também, traduziu pela editora Best Bolso os livro Emma e Razão e Sensilidade de Jane Austen - ambos indicados pela Raquel Sallaberry Brião no seu site Jane Austen em Português como as entre as melhores traduções das obras da escritora inglesa.

Faz pouco tempo que comecei a cuidar das traduções que tenho na minha estante. Algumas edições eu tenho a oportunidade de trocar, mas em sua maioria fico à mercê do que tenho em mãos.
A primeira vez que notei uma tradução diferente foi no livro Persuasão da própria Jane Austen. Vou deixar o link aqui para não me alongar na explicação.
Para outras obras, eu uso as publicações do blog Não Gosto de Plágio da Denise Bottman.
Sendo assim, mais confiante na tradução e nota de Deutsch, eu faço desta segunda leitura de As Viagens de Gulliver uma aventura mais real da história. 

 As notas sobre o texto enriquecem muito a leitura. As observações permitem que o leitor encontre os motivos que levaram àquele trecho ou algumas possíveis ideias de estudiosos de Swift para que esta ou aquela frase estivesse ali. Estar na cabeça e na história que o escritor viveu ao escrever torna a leitura muito mais rica e completa e permite ao leitor rir da sátira que é As Viagens de Gulliver. 
Para não deixar você, leitor anônimo, sem um exemplo, deixarei dois para lhe dar uma luz sobre o que escrevi.

"(...) Diverti-me, entre outras coisas, como dançarinos na corda-bamba¹, que se apresentavam sobre um fino fio branco esticado a cera de um metro e meio do solo. Peço licença, e paciência ao leitor para me alonga um pouco a este respeito.
Esta diversão é praticada apenas pelas pessoas que são candidatas a altos cargos e altos favores na corte. São treinadas nesta arte desde bem pequenas e nem sempre são de nascimento nobre ou têm educação liberal. Quando um alto cargo fica vago, por morte ou queda em desgraça (o que acontece muito), cinco ou seis desses candidatos apresentam petições para divertir Sua Majestade e a corte com a dança na corda-bamba; então, aquele que saltar mais alto sem cair ganha o cargo". (página 62-3)
 (...)
"Mandei tantas cartas e petições para minha liberdade que por fim Sua Majestade mencionou o assunto no gabinete e, depois, numa reunião do Conselho, ninguém e opôs, a ser Skyresh Bolgolam², que resolveu, sem nenhum motivo, ser meu inimigo mortal". (página 67).

Notas:

(1):  dançarinos em corda-bamba: exibição preferida ente os divertimentos populares no período. Para avaliar o significado satírico, confrontar com a observação de Swift num panfleto religioso (1709): "Leve-se em conta que andar na corda-bamba é o único talento requerido por um ato do Parlamento para transformar um homem em bispo; não se duvide de que depois de ter feito esta demonstração de atividade, de estar em forma, esse homem poderia sentar-se na Câmara dos Lordes...mas é preciso ser pouco cristão para acreditar que esse funâmbulo depois disso tornara-se um tiquinho ais bispo do que antes..." prose, ii, 75; E.W. Rosenheim, PQ, xxxi, 1952, 209).

(2): Skyresh Bolgolam: "Estilo 'im Mar'boro'" (Clark, pp 604-5, i.é,; o duque de Marlborough, a quem Swift atacara várias vezes (principalmente no Examiner, 23 de novembro de 1710) como chefe representativo da polícia-de-guerra dos whigs*. Firth (p.242) identifica Bolgolam como o conde de Nottingham, que usou sua iinflência para impedir que Swift conseguisse um bispado. Se bem qu não fosse um almirante, Nottingham fora Primeiro Lode do Almirantado (1680-4), e se bem que totalmente ignorante em conhecimentos marítimos, sempre se vangloria de ser um perito naval. Case (p.72), que relata a carreira de Gulliver em Liliput não em relação à biografia de Swift, mas sim em referência à sorte política de Oxford e Bolingbroke, aceita esta identificação pelo fato de que Nottingham era hostil a Oxford "sem que tivesse havido nenhuma provocação", a ser o fato de Oxford (então Harley) tê-lo sucedido no cargo (1704).

*whigs: Whig é uma expressão de origem popular que se tornou termo corrente para designar o partido liberal no Reino, e contrapunha-se ao Tory, de linha conservadora.

Eu ainda estava procurando algumas informações sobre a tradutora quando achei dois trabalhos que serão um ótimo suporte para esta leitura, segue os links abaixo;

- Autor: Leonardo José César de Mattos Guerra. Título: Viagens de Gulliver: recepção (história) e interpretação (crítica)

- Autor: Evaldo Gondim dos Santos. Título: Tradução e ironia: o cientificismo iluminista em Gulliver’s Travels vs. (As) Viagens de Gulliver

Então é isso, leitor!

Omnia Vanitas. 💀


3 de maio de 2020

Memórias de um Médico: primeira parte..


Livro um
Livro dois
Livro três
Livro quatro


Olá, leitor anônimo!!

Que prazer ter concluído esta primeira parte da saga Memórias de um Médico! Esta coleção estava mais de cinco anos na minha estante para a primeira leitura. E, desde a compra desta coleção foi algo muito especial para mim.
Deixe-me contar:

Eu tinha o plano de fazer um projeto de leitura livre no bairro que eu morava com meus pais; apenas um plano, quando uma amiga leu e levou à frente o projeto. Ela conseguiu vários patrocínios, bateu em várias portas para conseguir tudo o precisava para montar uma caixa para abrigar os livros. Depois, fomos buscar quem nos ajudaria com livros gratuitos para encher a caixinha. Visitamos alguns lugares que poderiam fornecer alguma doação para o projeto e, entre esses lugares, estava o sebo que eu amo visitar em Joinville - O Sebo Livraria. Foi lá que encontrei, sem ter procurado por ele na ocasião: foi na conversa informal com a dona do sebo sobre adaptações cinematográficas que cheguei a comentar sobre a saga e...ela tinha ! Não coleção completa, faltavam dois volumes que seriam muito fáceis de achar na internet ! E foi minha amiga que pagou para mim 😜 ..pois eu não tinha dinheiro na hora.

Ano passado eu fiz um "stories" no Instagram*  para comemorar o nascimento de Maria Antonieta pois a saga começa com a chegada dela na França para se casar com o Delfim (futuro Luíz XVI) e, me cobrei essa leitura pois era um crime ter passado tanto tempo para começar a lê-la. E, em Dezembro/19 eu trouxe a primeira parte para casa e jurei que começaria essa coletânea.
Neste ano, em março, foi obrigatório o recolhimento social por conta do COVID-19, então decidi começar a leitura desta obra de Dumas. Um dos motivo principais era não levar esses livros para minhas viagens de transporte urbano para não danificar mais a capa e páginas. Missão cumprida.

A leitura de todos os volumes foi muito agradável. Dumas (e Maquet) souberam compor uma trama que não deixou a leitura massante. Cada personagem foi bem aprofundada. Esta leitura me lembrou muito outras duas leituras: O Conde de Monte-Cristo (pela trama construída em lugares diferentes que se unem em determinada parte da narrativa) e O Visconde de Bragelonne por todas as tramas palacianas - o que me deixou com muita vontade de reler a trilogia de Os Três Mosqueteiros. 

Os romances de Alexandre Dumas são em sua maioria históricos. As suas personagens são reais mas o autor lhes dá atitudes que ele decide que servem para a sua obra. Ele não teve a intensão de tomar a história ao pé da letra, mas se utilizou dela para compor a sua realidade.  Portanto, a maior parte de seus personagem foram emprestados da história sem intensão de serem reais.
A corte francesa de Luíz XV está toda lá: a amante Du Barry, o marechal Richelieu - sim, mais um Richelieu, as filhas, o delfim, a nora Maria Antonieta... e o homem que dá nome a saga: Giuseppe Giovanni Battista Vincenzo Pietro Antonio Matteo Balsamo. José Balsamo.

Eu desconhecia totalmente esta personagem histórica. Ele foi tudo o que o Balsamo de Dumas é: maçom, alquimista, ocultista, feiticeiro, curandeiro - deve até jogar no bicho!
É com Balsamo que a trama inicia lá no livro um. Ele é o médico cuja memória é escrita.

O verdadeiro Balsamo, Giuseppe tinha uma real Lorenza - mas dela não procurei muito, visto que ela já deixou a trama. Giuseppe foi caçado pela inquisição e, teve um mestre que lhe ensinou sobre alquimia quando o rapaz tinha apenas dezessete anos. Giuseppe também atende pela alcunha de Alessandro, conde de Cagliostro e há alguns livros publicados sobre ele e o seu julgamento durante a Revolução Francesa.
Balsamo é respeitado até hoje como ocultista. Suas últimas palavras antes de morrer foram:
“Sono un cavaliere errante. Non sono di alcuna epoca né di alcun luogo, al di fuori del tempo e dello spazio, il mio essere spirituale vive la sua eterna esistenza e, se immergendomi nel mio pensiero risalgo il corso delle età, se distendo il mio spirito verso un modo d’esistenza lontano da quello che voi percepite, divengo colui che desidero."

Tradução: "Sou um cavaleiro errante. Não sou de nenhuma época ou lugar, fora do tempo e do espaço, meu ser espiritual vive sua existência eterna e, se imergindo em meu pensamento, volto ao longo dos tempos, se forçar meu espírito a uma maneira de existência longe do que você percebe, eu me torno o que eu desejo".

Nisso Dumas e Maquet acertaram: o José Balsamo da trama fictícia é um viajante além do tempo.

Omnia Vanitas.

*Salvo na pasta "Alexandre Dumas".

1 de maio de 2020

Leitura quinze..


Fim da primeira parte de Memórias de um Médico, de Alexandre Dumas. 

O último livro de José Bálsamo é quase uma história a parte da trama geral. Nesta parte do enredo, o destaque é para o drama da família de Tarveney, mais especificamente os dois irmãos Andréa e Phillipe. 

O sofrimento destas personagens se deve ao antigo conhecido da casa da Taverney, Gilberto. A obsessão deste por Andréa é notado desde o primeiro livro, quando ele deixa a casa do barão para seguir Andréa até a corte francesa. Sem muito o que deixar para trás, parte com algum dinheiro nos bolsos atrás da carruagem da filha do barão. Ele foi a pé.

Gilberto é dotado de uma sorte que desgraçados como ele não deveriam ter. Quase morrendo de fome e cansaço, é acudido pela irmã da favorita do rei o meio do caminho. Depois, sem ter onde ficar em Paris, encontra Jean Jacques Rousseau - de que é grande leitor - e permanece na casa dele para ganhar dinheiro, ensino e continuar sua aproximação de Andréa. Por mais um fortuna do destino, esta mora a cem passos da casa do seu protetor e ele consegue vigiá-la ela janela do seu quarto. 
Depois, expulso da casa de Rousseau, consegue emprego de jardineiro no Trianon - onde está Andréa e, claro, a vigia mais de perto.

Gilberto é o que se chama hoje de em dia "perseguidor". E, como cultura da época, depois de estuprar sua vítima/amada, ele quer redimir seu crime casando com a moça. E, claro, arruma quem lhe dê dinheiro para o dote de casamento. 

Gilberto nunca foi uma personagem com quem consegui estabelecer uma ideia boa sobre ela. Algo na descrição dele e nas suas atitudes é incômoda: e se mostrou exatamente do que dele se esperava. Tudo o que Gilberto faz é mau - e ele tenta colocar uma "intensão" nobre para justificar suas atitudes: o desprezo de Andréa ao saber que ele é  pai do filho que ela espera (ele a estuprou enquanto ela estava entorpecida) parecia para o criminoso uma ação incoerente visto que ele a amava e queria redimir seu erro. Ele só produz um absurdo atrás do outro. Todas as oportunidades honestas que lhe apareceram na vida ele as transformou em desgraça. 

O epílogo da trama apresenta a doença do rei Luiz XV e sua morte para a ascensão do Delfim e Maria Antonieta. 

A segunda parte da saga será O Colar da Rainha, com dois volumes, e tratará do caso do colar de diamantes de  Maria Antonieta às portas da Revolução Francesa.

Omnia Vanitas 💀

22 de abril de 2020

Leitura catorze..


Olá, isolado leitor!

Fim de mais uma leitura - e do terceiro livro da saga Memórias de um Médico, de Alexandre Dumas. 
Esta primeira parte é composta por quatro volumes e chama-se José Bálsamo. Estes são os links para o primeiro e o segundo livros. 

Neste terceiro livro, o projeto de José Bálsamo segue seu curso, porém, nesta direção também estavam os planos de outros personagens

A condessa Du Barry estava em guerra contra todos que não a aceitavam como a favorita do rei Luís XV. Esta lista era composta por quase toda a França, pela família Choiseul, pela Delfina e seu esposo (Luiz XVI) e, também o marechal Richelieu - que muda mais de partido dentro da trama do que pode ser aceito em via de regra. 
Um adendo sobre esta personagem - não se trata do mesmo Richelieu de Os Três Mosqueteiros - o período entre as história o faria um matusalém; mas ambos existiram e foram ativos junto à monarquia francesa
Além de seus inimigos naturais, a condessa Du Barry ainda precisa enfrentar uma nova rival, a dama de companhia de Maria Antonieta, Andréa de Taverney. 
Mas o rei não é o único apaixonado por Andréa. A menina parece arrebatar corações por onde passa; e o mais apaixonado deste séquito de enamorados é Gilberto. Este aspirante a filósofo faz a sua vida orbitar conforme a trajetória de Andréa. E é isto que Du Barry utilizará para manter esta paixão de Luiz XV fora do alcance do rei. Em contra-partida, o marechal Richelieu pretende aproximar este casal para tirar a Du Barry "do sério" e "da vista".
Todo o mal entendido aconteceu por conta de um cargo no parlamento que foi recusado (pelo rei) ao senhor de Richelieu. Tal recusa foi entendida como uma traição de Du Barry ao marechal. E, sendo rivais, estão colocando empecilhos no caminho de cada um - que, às vezes, traz a vitória para um, outrora a vitória de outro. 
E nesta troca de cargo no parlamento francês, a disputa pela vaga que o ministro De Choiseul deixou, mobilizou uma revolta no parlamento que este decidiu não julgar mais nenhum caso. Mais uma vez a amante do rei entra em ação para fazer sua vontade ser ouvida. 

Entre os filósofos, Rousseau tem três participações interessantes: a primeira delas é a rompimento de relação professor x pupilo com o Gilberto. A segunda é em uma reunião onde ele encontra alguns participantes da maçonaria, entre eles, um médico relevante para a história com um sobrenome peculiar: Guillotin. A terceira participação que chamou minha atenção foi justamente a reunião com aqueles que causaram a sua separação de Gilberto - uma pequena ação contraditória.

Esta terceira parte de José Bálsamo me lembrou muito a saga O Visconde de Bragelonne, onde as intrigas da corte tomam mais conta da narrativa do que a trama central; mas, faço um adendo - desde que a sessão real foi convocada até a conversa que Bálsamo tem com Guillotin - a leitura foi muitíssima interessante (e dentro do enredo para  a queda da monarquia) e me permitiu terminar a leitura antes do prazo estipulado.

Esta saga apresenta o gérmen que surgiu para a  queda da monarquia francesa. José Bálsamo, um líder maçônico e alquimista (entre outros títulos) deseja tirar o rei Luís XV e sua descendência do poder e declarar a monarquia extinta. Para isso, conforme primeiro livro, ele pediu um prazo de vinte anos para a realização do projeto - prazo este que ele considerou justo para arrancar a monarquia pela raiz e não permitir a sua ascensão ao trono novamente.

Por hoje é só, começo a leitura do quarto e último volume desta primeira parte!

Omnia Vanitas

5 de abril de 2020

Fábulas e contos ...


Olá, leitor!

Eu sou apaixonada por contos e fábulas (infantis?). Então, eu decidi compartilhar algumas dessas maravilhas com vocês deste exemplar da foto!

A metologia será da seguinte forma: publicarei a história escolhida do livro e tentarei achar o conto no idioma original. Sobre as ilustrações, que neste livro são de Gustave Doré, será disposta a mesma que se encontra no livro que irei reproduzir.






O Sol e as Rãs

Celebram-se as bodas de um Tirano e o Povo, com festiva algazarra afoga suas preocupações em copos cheios. Esopo era o único que no via com bons olhos tais celebrações.
Contava ele que, em épocas passadas, o Sol pensou em se casar. Em seguida começaram as lamentações das Rãs. "Que será de nós, se ele tiver filhos?", perguntaram as Cidadãs da lagoa. "Com apenas um Sol já sofremos; quando houver meia dúzia deles, os mares e todos os seus habitantes sumirão. Adeus, pântanos e córregos! Nossa raça diminuirá e logo estará reduzida às águas do Estige". Para um pobre Animal, as Rãs, ao meu ver, racionavam muito bem".


Le Soleil et les Grenouilles

Aux noces d'un Tyran (1) tout le Peuple en liesse
Noyait son souci dans les pots (2).
Esope seul trouvait que les gens étaient sots
De témoigner tant d'allégresse.
Le Soleil, disait-il, eut dessein autrefois
De songer à l'hyménée.
Aussitôt on ouït (3) d'une commune voix
Se plaindre de leur destinée
Les Citoyennes des étangs.
Que ferons-nous, s'il lui vient des enfants ?
Dirent-elles au Sort, un seul Soleil à peine
Se peut souffrir (4). Une demi-douzaine
Mettra la mer à sec et tous ses habitants.
Adieu joncs et marais : notre race est détruite.
Bientôt on la verra réduite
A l'eau du Styx (5). Pour un pauvre Animal,
Grenouilles, à mon sens, ne raisonnaient pas mal.

(1) chez les Grecs : souverain absolu d'une cité
(2) les cruches de vin (on dit actuellement prendre un pot pour prendre un verre)
(3) on entendit (on n'emploie plus ce verbe que dans l'expression J'ai ouï dire)
(4) supporter
(5) Le Styx est le fleuve marécageux des Enfers, dans la mythologie. Les grenouilles n'auront plus qu'à s'y réfugier


fonte para texto em francês aqui.

4 de abril de 2020

Leitura doze..


Olá, enclausurado leitor!

Iniciei a leitura da saga Memórias de um Médico, de Alexandre Dumas. São quinze volumes no total, começando com a chegada de Maria Antonieta à França até a sua morte em 1793.
A saga é dividida em cinco partes:

- José Balsamo (4 volumes)
- O Colar da Rainha (2 volumes)
- Angelo Pitou (2 volumes)
- A Condessa de Charny (5 volumes)
- O Cavaleiro da Casa Vermelha (2 volumes)

Esta minha edição foi impressa em 1935, contém ilustrações e foi impressa pela W.M. Jackson Inc.

José Balsamo, volume um, inicia sua narrativa no místico Monte-Trovão (Zugspitze, se eu não estiver errada) com um desconhecido que irá receber sua iniciação na mística e secreta sociedade maçônica.
Desta reunião surge a ideia de exterminar as monarquias do mundo. E a primeira delas será a francesa, e o protagonista desta tarefa será José Balsamo - um alquimista (pelo que entendi até agora).

O segundo cenário será na casa do barão de Taverney. Balsamo para lá se dirige depois de um revés que lhe atinge o caminho. Neste castelo, Balsamo usa suas influências místicas para entreter os moradores e descobrir os planos que trazem a delfina Maria Antonieta à França. Logo a chegada da infanta, Balsamo sai de cena.

A viagem da futura rainha se mostra movimentada e repleta de obstáculos para aqueles querem concluí-la com pressa. 

Antes da chegada de Maria Antonieta, Dumas nos mostra toda a agitação que se passa no palácio do rei Luís XV. Chega a ser cômico o quanto o rei está cercado de pessoas que lhes trazem problemas pessoais em uma sequência de cenas muito rápida. 
A condessa de Du Barry, a favorita do rei, lhe traz toda a indignação de seu irmão ter sido atacado por um soldado do rei; o neto, futuro Luiz XVI, traz ao avô a inquietação de seu soldado ter sido atacado pelo irmão da favorita; o duque Choiseul contrapor a entrada da favorita na corte e o infortúnio que o irmão desta causou ao delfim.
Em seguida, seu filha Luísa - a única virtuosa das quatro que moram com ele no palácio - também lhe pede atenção para dele se despedir antes de ir morar em um convento. E este é um dos melhores diálogos deste primeiro volume, infelizmente ele é  longo e, talvez, eu faça uma postagem exclusiva para ele - eu escrevi, talvez. 
Assim como descreve o neto de Luís XV como um fã da arte da relojoaria, apresenta as outras três filhas (Adelaide, Vitória e Sofia)  como simplórias, ambiciosas e cheias de vícios maliciosos.

O restante da narrativa descreve as artimanhas de Du Barry para tentar sua entrada à sociedade real, além do passe livre que tem para a cama do rei. 

A narrativa é muito dumasiana: diálogos curtos e rápidos com descrição longa de personagens em capítulo introdutórios. 
A história é simples e rápida e, também, envolvente.
E, para lembrar, Alexandre Dumas usa as personagens históricas para compor seus romances sem ter como obrigação ser coerente com os fatos históricos. 

Adorei a primeira parte de José Balsamo - que terminou com um café passado pelo próprio rei. 


Omnia Vanitas. 💀

16 de março de 2020

Leitura onze..parte I



Olá, fragmentado leitor!

Antecipo-me ao escrever neste blog sobre a leitura atual de Servidão Humana do querido William Somerset Maugham.
Como não poderia ser diferente, é uma leitura densa, com pensamentos e personalidades que atraem minha atenção.
Portanto, mesmo estando apenas na página 178 (de 701), preciso parar para fazer algumas breves considerações. Vamos lá ...

Philip Casey em menos de um ano perdeu seus pais em circunstâncias diferentes: o pai fora envenenado e a mãe morreu após o parto do seu irmão natimorto. Philip tinha nove anos na época que sua mãe faleceu. 

Após toda essa tragédia, foi morar com o tio e sua esposa. William Casey é um vigário na região de Blackstable. 

Após a chegada na casa dos tios, Philip viu sua vida direcionada para o trabalho religioso.  Frequentou a escola da região e teve seu primeiro contato social: sua deficiência no pé o levou conhecer a maldade que seus colegas de ensino lhe demonstravam por ele não ser "normal". Precisou enfrentar o deboche dos alunos e conviver com o autoritarismo de alguns professores. E neste ambiente, Philip precisou construir o seu caráter.
A falta de habilidade esportiva o levou aos livros. Tornou-se o primeiro em algumas matérias, cativou a simpatia de alguns professores e o horror de outros. Sua inteligência e perspicácia permitiram à Philip saber usar de argúcia contra seus colegas - visto que mesmo com seu destaque nos estudos, pouco convívio social tinha com os demais alunos pois em sua maioria o consideram estranho ou arrogante. 
E, na falta de companheiros, o protagonista encontrou Rose, um aluno que chegou ao instituto e logo cativou amizade com todos, incluindo Philip. E Philip se entregou a esta amizade de corpo e alma. Ele tinha alguém para compartilhar a vida na escola e ao chegar as férias, ansiou pelo retorno ao liceu para voltar a compartilhar da amizade de Rose. 
Mas o período de férias trouxe um novo Rose.

Philip precisou aprender a lidar com a indiferença do amigo e com o próprio orgulho ferido. Sua personalidade muda. Seu caráter tornou-se ácido com os outros, os estudos já não lhe davam prazer. Suas notas ficaram abaixo do normal e, agora, ele viu que precisa de um novo horizonte. 

E este horizonte foi a Alemanha. Na casa de pensão de uma pequena família, conhece outras personalidades completamente diferentes daquelas que ele conviveu no instituto - incluindo o convívio com o sexo oposto (dentro da sua faixa etária). 
Ainda era um mundo estranho para ele. Philip tem dificuldade de fazer-se expressar e de entender os outros.  E as mulheres com mais dificuldade ainda. 
Entre os conhecidos que faz e das conversas que tece, descobre-se ateu. E os pensamentos e ideais que descobre nesta nova condição lhe são mais confusos do que a própria crença cristã. 
E, apesar das coisas que descobriu que pensão, ainda faltava apaixonar-se... Mas antes lhe faltou dinheiro - o que levou a retornar para a casa dos tios.

Blackstable lhe trouxe uma nova mudança, e ela veio na figura de Emily Wilkinson. Ela foi seu ensaio amoroso. A busca pelo descobrimento de um sentimento profundo ou efêmero pela mulher, testava meros galanteios que pudessem sortir efeito positivo; viu-a desdenhar ou ignorar suas investidas. As longas conversas e as leituras permitiram a Philip conhecer Miss Wilkinson com mais propriedade. O convívio lhe foi prazeroso e educativo. Emily era mais velha que Philip e isto não estava definido para ele com atrativo ou desagradável. 
As relações íntimas que teve com ela o fez mentir em uma carta para o colega que conheceu na Alemanha. Florou a situação, falseou a imagem de Emily para convencer o destinatário da grande façanha que viveu.  Ainda não era amor. Ainda não lhe conheceu aquela que o faria viver a intensidade do sentimento amoroso. 

Philip Casey está perdido. Sua personalidade não está completa pois lhe falta o amor. Viveu as mudanças que precisou fazer para conhecer-se como cidadão em sociedade: enfrentou o tio, os professores, seus colegas - tornou-se aquele que lhe foi permitido ser; dialogou uma fé que lhe foi imposta, descobriu as falhas que nela há e naqueles que vivem dela e para ela. Compreendeu que uma mulher pode ser atraente mas não necessariamente amada. 
E segue adiante a leitura...

Omnia Vanitas. 💀

31 de janeiro de 2020

Empréstimo..


Olá, leitor!

Essa semana começou com uma conversa literária na agência dos Correios que frequento: Cervantes tem ou não um biografia paupável - além das obras que deixou?
Enquanto eu coloquei em dúvida a existência de uma biografia do autor de Dom Quixote, o atendente dos Correios foi contra minha opinião.
Com uma pitada de rivalidade literária, foi proposta uma leitura a partir da biografia que cada um tem em sua biblioteca - no meu caso, Cervantes de Jean Canavaggio. E, meu colega atendente, esta edição de Roger Chartier.
Para efeito de biografia, o francês não tem nada a oferecer; apenas a história sobre um conto que se encontra na primeira parte do livro O Engenhoso Dom Quixote da Mancha: Cardenio.

Eu lembro desta história em especial por conter duas citações de que sou apaixonada:

Quem não tenciona satisfazer não regateia condições no contratar.
e
Se aos céus piedosos apraz que chegues a gozar algum descanso, em nenhum lugar, leal, firme e formosa senhora minha, o encontrarás ao meu parecer mais seguro que nestes braços que te agora recebem, e que já em outro tempo te receberam quando a fortuna permitiu que eu pudesse chamar-te minha.

Neste livro, Roger Chartier traz documentos factuais que apontam que este mesmo conto "Cardenio" foi apresentado por Shakespeare.

Ainda estou nas primeiras páginas, mas a viagem até uma época de publicações obscuras de autores esquecidos é maravilhosa. Um simples conto traz em si muitas facetas de um período que as traduções e publicações ainda engatinhavam. 

Se eu conseguir ler até o final  - pois trata-se de uma leitura pesada (com datas, nomes e períodos desconhecidos para mim), trarei um breve esboço da obra.

Torça por mim, anônimo leitor!

Omnia vanitas. 💀💪

11 de outubro de 2019

Vigésima sexta leitura ..


Olá, leitor anônimo!!

Mais um livro da Urda na minha leitura de Outubro. 
Adendo: no final desta publicação, eu vou deixar um link para as outras leituras que fiz em Outubro.

Este é o segundo livro escrito pela catarinense Urda Alice Klueger, As Brumas Dançam sobre o Espelho do Rio. Trata-se, também, de um romance-histórico.

Elisa mora na pacata Porto Belo e está destinada a casar com João Jesus, seu amigo desde a infância. Nada parece atrapalhar o projeto de ambos os pais; o enxoval é digno de uma princesa - Abel da Costa, pai da moça, não poupou esforços ou dinheiro para dar a sua filha caçula um casamento que deixará toda a vila com inveja. 

Mas a vida tem suas próprias tramas e delas ninguém escapa.

Desembarca em Porto Belo um certo Severo trazido pelo vento sul, e, desde esse momento, tudo o que Elisa achava ter certeza troca de lugar.  E, entremeios, acontece a Guerra do Paraguai.

Apesar desta guerra não ser o foco em Verde Vale, a função dela no enredo muda a vida dos personagens de ambas as narrativas.

Rio Morto é uma vila que surgiu com pessoas que fugiram do alistamento militar. Segundo a narrativa, não eram pessoas covardes, apenas não queriam se envolver em algo que não lhes representava um motivo para lutar - o que os deixava um pouco diminuídos foi saberem que os alemães participavam desta guerra mesmo este não sendo o seu país de origem. Mas a vila de Rio Morto começou por causa dessa deserção e teve sua importância na história de Santa Catarina. 

O casal protagonista tem como personagens Severo e Elisa que fogem desta guerra e também dos pais da moça para viverem seu amor.

Este livro me dividiu. Metade de mim estava adorando ler sobre a vida que estas duas personagens estavam começando longe de Porto Belo. Metade de mil achava aquele "amor" muito melado e forçado e, até mesmo, infantil. Mas mesmo assim, eu li em  24 horas as breves 142 páginas.

Muito diferente do que foi a narrativa de Verde Vale, Urda apresenta uma história mais completa e tecida com mais cuidado.

Eu deixei de fora da publicação da leitura de Verde Vale, mas a narrativa deste é mais ...como posso escrever, mais aberta - talvez não seja essa a palavra certa. Tentarei explicar. 
Apesar de ser uma história ótima, Verde Vale tem um enredo onde falta uma "cola" para a continuação da próxima ideia.  Faltam alguns detalhes que deixam a leitura com uma vontade de saber mais sobre o que realmente pensa e vive determinada personagem. Dois exemplos breves: 

- minha personagem preferida é Astrid Sonne. Como filha, ela não tem muito destaque a trama, exceto quando Helmuth se alista e parte para a Guerra do Paraguai. Nesta altura da trama, Klueger apresenta os sentimentos de Astrid, suas angústias, esperanças, a rotina da moça e tudo mais. Porém, abruptamente, não se sabe muito mais sobre ela depois que fica noiva de Helmuth. O casamento é mencionado, o trabalho do marido para conseguir dinheiro para a família; porém, quando os filhos do casal nascem, nem mesmo um nome nos é dado a conhecer, exceto que são felizes e reproduzem como coelhos.
- outro exemplo é o caráter de Lisa: a menina sempre pareceu meiga e prestativa. Depois do casamento ela se mostrou avarenta, assim como seu marido. A filha do casal era mais próxima da avó materna do que dos próprios pais que só pensavam em trabalhar para adquirir mais dinheiro. Como aconteceu a mudança deste caráter é que uma incógnita.

Neste segundo romance, é bem melhor desenvolvido as personagens e a narrativa é melhor enlaçada. Pode-se conhecer os personagens sem ter surpresas em suas atitudes - e isso não torna a narrativa monótona. 

E estas foram as minhas impressões sobre mais esta leitura de Outubro, e mais uma estória que terei prazer de reler em outro momento. 




Verde Vale {Urda Alice Klueger}
Heidi, a menina dos Alpes (1 e 2) {Johanna Spyri}

5 de outubro de 2019

Vigésima terceira leitura ..


Olá, anônimo leitor!!

Aaahh! Comecei as leituras do mês de Outubro! Neste mês, eu decidi reler algumas leituras que fiz durante a minha adolescência. 

A minha primeira escolha foi Verde Vale, da escritora catarinense Urda Alice Klueger. 

Leitor, antes de continuar a escreve, lhe dou o seguinte conselho: releia os livros da sua infância/adolescência. Esta experiência está sendo fantástica para mim.
Eu lembro muito bem quando precisei contar para a minha turma da sala de aula sobre o livro que li. Como eu estava ansiosa para que todos soubessem que maravilhosa história eu havia lido. Lembro da professora de Língua Portuguesa, Maria Clara, pedindo para alguém começar a contar sobre a leitura que fez - e lá estava eu, tentando de um jeito totalmente sem destreza, contar sobre tudo o que livro me trouxe de maravilhoso.

Verde Vale conta a história da fictícia família Sonne, oriunda da Alemanha e imigrantes no Brasil, mais especificamente na região sul, em Blumenau - onde dizia-se haver terras para todos que quisessem tomá-las, e batatas do tamanho de um braço adulto (o que sabemos ser uma rama de aipim).
A família passa por uma adaptação a nova forma de viver: construindo sua casa, roçando o terreno para o plantio da lavoura, a criação de animais etc.
O desenvolvimento, tanto da família como da Colônia Blumenau é animador, mesmo com as dificuldades que do material escaço.
O nascimento das ruas, das famílias, da economia entre tantas outras bonanças torna o romance desta blumenauense quase um conto de fadas - parece que seria impossível abalar a estrutura familiar e comunitária da Colônia.

Verde Vale também contou sobre a Guerra do Paraguai que levou os alemães a lutar pelo país que adotaram como seu. E a volta dos soldados alemães da guerra trouxe surpresas: o velado preconceito racial vem a tona. Casamento de alemão com brasileira, uma negra mestiça frequentando a escola com alemães "puros" - foram alguns pontos levantados. 

E, durante toda a narrativa tudo parece funcionar bem para próspera família Sonne e seus seis filhos...mas então, uma boa ação do passado volta-se contra este alicerce da sociedade blumenauense. 

Outro ponto que quero deixar registrado são as enchentes de Blumenau. Se você, leitor anônimo, não é catarinense como eu, talvez não saiba (ou talvez sim, dependendo de quanto interesse você tenha por este Estado): mas em Blumenau as enchentes são algo negativo na história desta região. Meu primeiro pensamento quando a família Sonne escolheu esta parte do Estado para morar, foram as enchentes. Em seu livro "Vem, vamos remar", Urda relata sua experiência na grande enchente de 1983. Para quem tem interesse em saber sobre este acontecimento triste na história da cidade de Blumenau, clique neste link. 

Como já escrevi anteriormente, estou adorando passar por essas leituras que contribuíram - agora sei disso - para compor quem eu sou e como sinto o mundo ao meu redor. 

Antes de terminar, eu preciso dizer o quanto sou apaixonada pela história da personagem Astrid Sonne. Durante muito tempo eu fantasiei viver uma vida como a dela! 💓👪

E sobre o final da trama, confesso que fiquei triste. Como disse, tudo parecia um conto de fadas na trajetória da família de Humberto e Eillen Sonne; mas a vida não é essa janta farta que a gente pensa, não é mesmo?

15 de setembro de 2019

Vigésima primeira leitura..


Olá, leitor anônimo!

Fim de mais uma leitura de Norte e Sul! 

Amo esse livro e, desde 2016, eu decidi que em cada Setembro, eu faria uma leitura dele. Eu não posso deixar Mr. Thornton apagar da minha memória! 
Infortunadamente, em 2018 essa prática foi comprometida por meu cérebro esquecido. Deixei meu exemplar na casa da minha mãe... e, como não queria lê-lo fora do mês escolhido, deixei-o para este ano. E para não ocorrer no erro novamente, Norte e Sul fica de modo permanente na estante da minha casa atual. 

Esta foi a quarta leitura desta obra. As datas registradas são essas:

* 02.12 à 14.12.13 - onde meu coração foi completamente entregue à Mr. Thornton!
* 10.09 à 20.09.16
* 07.09 à 19.09.17
e a última
* 30.08 à 13.09.19

Ganhei este exemplar da minha amiga GLN como presente de aniversário. O mais interessante foi que minha amiga entregou o dito presente depois da data e, neste meio tempo, o aniversário dela estava chegando; então, sem eu saber que ganharia Norte e Sul, eu comprei um exemplar igual de Norte e Sul para ela. Foi muito divertido o momento de abrirmos os presentes trocados. Nunca mais obtive sintonia mais fina que esta em um presente! 

E, ao pensar no que escrever nesta publicação, eu observei minha coluna de livros lidos deste ano e constatei o seguinte: os últimos cinco livros contém mulheres que influenciam diretamente na vida dos personagens que as rodeiam: Capitu e Raquel, Lady Barberina e Miss Jessel , Cecília Lisbon e suas irmãs e, claro, Margaret Hale.

Todas essas mulheres possuem um caráter forte e determinado. Mas sou propensa a gostar mais de Margaret.
Eu a percebi mais nesta leitura (na leitura anterior o fator "indústria" foi mais latente para mim). Eu a achei como uma mulher cuidadora dos seus. Primeiro, a prima em Harley Street, depois os pais, na mudança de endereço ela se viu mais envolta em cuidar dos pais - mas por maneiras mais fortes; os membros da família Higgins também tiveram a atenção dedicada dela. Eu adorei conhecer essa Margaret que para não pensar em sua miséria cuida de outros. 
Claro, existe um sofrimento na alma dela motivado por tudo o que se passa ao redor: a mãe doente, o pai apático, a amiga moribunda com o pai desempregado e a irmã tola. Mas ela se envolve porque é isso que lhe dá forças. 
Quando se muda da cidade industrial de Milton, ela não consegue conviver com esse estado de "tranquilidade" pois sabe que não longe dali existem pessoas que precisam de algum amparo e cuidado - coisa que a tia e prima não conseguem compreender. 

Eu gostei de Margaret porque talvez ela tenha uma personalidade de entrega que ainda preciso cultivar em mim: saber que apesar do meu sofrimento é preciso olhar para o próximo. Preciso ter mais Margaret Hale em mim.

Omnia Vanitas 💀 

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Links para outras publicação sobre Norte e Sul, de Elizabeth Gaskell


9 de junho de 2019

Décima Terceira leitura..



Olá, leitor anônimo!!

Sinto muito não corresponder às leituras que faço e demorar para escrever por aqui ! Se lhe apetecer, tenho uma conta deste blog no Intagram, caso queira me acompanhar por lá! 

Minhas leituras ficaram um pouco lentas desde o mês de Abril. 
Eu não tenho por hábito ler rápido para cumprir metas de leituras; mas não gosto quando a leitura, por algum motivo atrasa. Eu sei que estão atrasadas quando eu me dedico mais a uma função e as deixo de lado. 
Como eu havia dito, a mudança trouxe alguns dias pesados de trabalho e, também, a minha dedicação ao meu quebra-cabeça não me deixou envolver muito pela última leitura (Excalibur).

Comecei a leitura de Excalibur dia onze de maio e fui terminá-la somente dia três de junho. E terminei porque tinha que terminar - eu não queria fechar trinta dias com um mesmo livro. Portanto, as últimas páginas foram lidas sem muita paixão.

Algumas passagens me deixaram presa na leitura. A segunda parte do livro teve seus altos e baixos. Cornwell descreveu (muito) sobre como era a vida em um cerco de batalha. Eu achei que havia detalhes demais - mas talvez seja somente eu. 
Os detalhes de como foram negociadas as tentativas de "paz", como a vida em um lugar pode tornar a existência efêmera - uma diarreia pode matar metade de um pelotão aquartelado em um terreno úmido e pantanoso. 
Mas, quando Artur chega a escuridão se torna dia. 

Como eu gostei muito do segundo livro - além de ele conter a história de Tristão e Isolda. Gostei de ler um Artur mais "pistola" e menos misericordioso com todos - principalmente com os filhos gêmeos dele (ô cria de choca!).

Porém, o livro três tem suas delícias: Lancelot vai para a batalha e Derfel o encontra. O caso de como Derfel perdeu a sua mão também é muito boa e de como se tornou cristão. Merlin também é fantástico neste livro. E claro, Artur é sem igual.
Eu ainda não me perdoou por gosta de Guinevere!

Quero terminar com um trecho que gostei muito de ler -  e o li para meu marido que também gostou dele:
"A parede de escudos se rompe e a morte governa, e assim matamos até termos os braços cansados demais para levantar uma espada, e quando a matança terminou vimo-nos num  pântano de sangue (...). Procuramos amigos vivos e os abraçamos, vimos amigos mortos e choramos por eles. Conhecemos o delírio da vitória absoluta, compartilhamos as lágrimas e o riso, e alguns homens, cansados como estavam,  dançavam de pura alegria (...). Porque tínhamos vencido. Tínhamos transformado os campos junto ao rio num matadouro. Tínhamos salvado e realizado o sonho de Artur. Éramos os reis da matança e os senhores dos mortos, e uivávamos nosso triunfo sangrento para o céu.
Porque o poder dos saxões estava partido".
E essa batalha - e as outras que existiram nestes três livros - era travada para manter o inimigo interno e externo fora das terras britânicas; mas a maior de todas as batalhas era feita pela fé. O cristianismo crescente sufocava o druidismo. Na verdade, a fé cristã matou (literalmente) qualquer um que se opusesse a ela. Era a ordem de Deus que a Britânia ficasse livre da religião pagã para que Cristo pudesse voltar para terra e torná-la um lugar de paz - mas para isso era preciso se livrar de todos os pagãos. E os pagãos mataram quantos cristãos (e pagãos) puderam para trazer os deuses primevos para sua terra - que era abençoada antes da chegada dos inimigos e, principalmente, antes dos cristãos chegarem. 

Eu gostei muito destra trilogia - e foi ela, até agora, a leitura mais pesada que fiz de um livro de Bernard Cornwell. A história é muito antiga, muitos lugares e nomes (o que deixa o leitor um pouco tonto no primeiro livro). A história é diferente daquelas que já li em A Busca do Graal e muito diferente de Crônicas Saxônicas.  Mas ainda é boa, ainda é Cornwell.

Omnia Vanitas 💀




11 de maio de 2019

Décima Segunda leitura..


Olá, leitor anônimo! 

Antes de começar, quero deixar registrado que uma roçadeira está trabalhando de maneira frenética do outro lado da rua! O barulho já está na minha mente e, se algo que eu escrever sair mais estranho do o normal, sinta-se avisado! 

Fim de mais uma leitura! E foi uma leitura bem complicada. Deixe-me explicar, sonoro leitor!

A leitura de Morte de Reis começou no dia dezoito de abril. A história começou boa! Uhtred já estava na mira da espada de algum desavisado, Alfredo ainda estava na fase "um morto muito louco" - não sabia que ficava neste mundo ou ia para o outro - e, para variar, colocou Uhtred em mais uma missão sem sentido. 
E como bom cachorrinho, Uhtred foi!

  1. Adendo: o livro cinco me cansou por causa dessa submissão do protagonista ao chefe maior do Estado de Wessex! Coisa-chata! O saxão-dinamarquês se tornou um cachorrinho (malcriado, mas ainda cachorrinho) nas mãos de Alfredo. 


Mas, nesse meu entremeio de leitura, houve (mais) uma mudança de endereço, uma viagem com os amigos para uma final de semana na praia (apesar de todos morarem na praia rsrs) e, também, o trabalho. Cansaço e mais cansaço e uma dose de estres; e minha leitura ficou completamente comprometida quando eu trocava os nomes e esquecia as razões para que isso ou aquilo estivessem acontecendo. Dia vinte e três de Abril eu estava na página e sessenta e resolvi voltar para a primeira página. Então, comecei a me dedicar a ler com mais atenção - mesmo ainda estando em meio a arrumações, viagens de ônibus e visitas familiares. 
E, terminei a leitura muito satisfeita - comigo e com o livro.

A trama do livro seis foi muito melhor! 

Como já escrevi, a história começa com a faca-entre-dentes. A cada passo que Uhtred dá a trama fica mais envolvente. Os inimigos e traidores se juntam para derrubar Wesssex e os dinamarqueses estão cuidando das marionetes para que tudo saia como eles planejaram. Mas sempre haverá Uhtred, o Guerreiro de Wessex! (rs). A fama do protagonista está cada mais forte; seu nome está firmado como um grande guerreiro sob a alcunha de O Ousado. E acredite, ele o é !  
Entre feiticeiras e anjos, na guerra e na paz, entre reis e guerreiros, Uhtred encontrará uma brecha para desconfiar de tudo e confiar em poucos. 

Para terminar, a Nota História, apesar de conter pouco mais de três páginas, ainda é um deleite sobre toda a fantasia de Cornwell.

Omnia Vanitas! 💀

9 de maio de 2019

Dúvida cruel ..


Olá, indeciso leitor ! 

Você também, ao escolher um livro, tem critérios (duvidosos, à vezes) para escolher um exemplar para chamar seu?

Leitor, eu tenho algumas manias antes de adquirir uma nova obra para minha biblioteca:

- de preferência, que seja papel tipo pólen (meus olhos irritam com papel branco 👼)
- que seja usado, se possível
- capa dura
- a letra não pode ser muito pequena porque eu pretendo viver até os 92 anos e ler até o último minuto!
- apesar de eu ter começado a ler Crônicas Saxônicas (estou terminando o livro seis), eu não tenho mais interesse em adquirir trilogias e sagas

Mas toda regra tem exceções: a minha está representada na imagem de capa.
Estou cadastrando livros para o sebo e, ao precisar descartar um livro e repor outro em seu lugar, encontrei um livro do Émile Zola (de quem nunca li nada) na caixa: Germinal. O livro é o de capa mole. 
Folheie a brochura e fiquei tentada a ficar com o exemplar mas daí... Encontrei mais dois livros da obra Germinal disponíveis na loja. Fiquei em dúvida. Eu não consigo nortear minha escolha mesmo usando as regras que "criei". 

A vida não é fácil, Janjão! 

Deixe-me descrever um pouco sobre esta obra de Zola:

O protagonista é um homem (Lantier) que trabalha em minas de extração de carvão e a vida não lhe é agradável; porém, um moça chamada Catarina - também trabalhadora na mina, é um refresco para sua vida laboriosa. Germinal destaca a classe mineira e a formação dos sindicatos e as greves como modo de exigir que o trabalho seja melhor amparado. O autor retrata a fome, miséria e a decadência humana perante a sociedade de sua época.
Um curiosidade é que Émile Zola conviveu com trabalhadores de minas de carvão durante dois meses para adquirir conhecimento sobre a vida dos operários. 

Um dos motivos para eu querer ler este livro é a questão da greve. No livro Norte e Sul (1854), de Elizabeth Gaskell, em meio ao romance de Mr. Thornton (💗💗💗) e Margaret, a questão de salários reduzidos e a opressão sobre a classe operária em fábricas de tecido é o painel social que vive o casal #JhoMag As questões levantadas em uma pós Revolução Industrial são muito interessantes e eu já escrevi sobre isso. 

Então é isso, leitor ... não sei qual exemplar levar para casa ! A vida é dura, Janjão! 

17 de abril de 2019

Décima primeira leitura..


Olá, desconhecido leitor!

Fim de mais uma leiturinha!

O segundo livro de As Crônicas de Artur é muito, mas muito bom! Adorei! Desde a primeira página eu já estava cativada pela narrativa das aventuras desse rei sem trono; apesar de ter dificuldade em entender a segunda frase:
Este é o último dia do ano que passou.
E, mesmo lendo agora, ainda não entendi o seu significado.

Vida que segue!

O Inimigo de Deus (título do segundo livro) narra a história da busca por um dos tesouros da Britânia que Merlin mencionou no livro um e, para minha enorme satisfação, acontece a história de Tristan (Tristão) e Isolda. Eu estava esperando pela chegada desta história desde o primeiro livro. Fiz a leitura com muito prazer e li sem nenhuma pressa de terminar.
A recordação que tive da história deste casal é que tive muita raiva deles na primeira leitura - em um conto separado publicado pela editora Martin Claret.
Eu era pró-Mark (o marido de Isolda). Eu não via nenhum "amor" entre eles (T&I) porque o sentimento vinha de uma poção mágica que ambos beberam. 
Na minha concepção romântica, não foi algo que brotou espontaneamente entre .
Em O Inimigo de Deus  eles parecem mais apaixonados do que amaldiçoados.
No seu universo só havia espaço para Isolda.
Outro fator que chamou a minha atenção foi a idade de ambos. Tristan tinha quarenta e Isolda era uma menina de quinze anos. Tão jovem que Derfel, o narrador das crônicas de Artur, a chama de esposa-criança.
Confesso que achei sexy esse Tristan quarentão ...mas quinze! Para os dias atuais é uma aberração, mas no século V essa menina já teria, no mínimo, dois filhos nascidos e talvez grávida do terceiro - se não morresse no parto.
Outro trecho que chamou minha atenção foi quando Derfel encontra o pai de Isolda meses depois da morte da jovem: ele não lembra de quem era ela. Ele tinha várias filhas:
Voltei a virar-me para Oengus.
- Desembainhei uma espada por ela, meu Rei e Senhor.
- Fez bem, Derfel - disse ele descuidadamente - fez bem, mas não tem importância. Tenho várias filhas. Nem tenho certeza se consigo me lembrar de qual delas era Isolda. Uma coisinha magricela, não era?
- Uma menina linda, meu Rei e Senhor.
Ainda neste conto de T&I, o rei Mark tem outro caráter. Na edição publicada pela Martin Claret*, o marido traído parecia um homem devotado à sua jovem esposa. E, nesta leitura de Cornwell, ele é um rei que se entedia quando sua esposa completa dezenove anos. Por coincidência, todas morrem quando atingem a idade inapropriada para o velho rei. 

Neste livro aconteceram algumas batalhas e tramas e traições que deixaram a narrativa com um gosto de "quero mais" em cada capítulo - um frio na barriga sobre o destino de cada personagem. 

Eu adorei! Mas, minha próxima leitura voltará para Uhtred de Bebbanburg ! 💗  O livro seis "Morte dos Reis" chegou hoje - para meu delírio! 

O destino é inexorável - já dizia Merlin.





*Béroul, Thomas (troveiro anglo-normando do século XII), Gottfried von Strassburg e o francês J. Bédier

14 de abril de 2019

Crônicas Saxônicas .. de O Último Reino à Terra em Chamas


Olá, esquecido leitor!!! 

Sinto muito por não cumprir meu papel de escrever neste blog ao terminar uma leitura; ando um pouco desleixada com esta tarefa.

Eu já publiquei alguns textos sobre Crônicas Saxônicas, mas nunca deixei nada sobre cada livro específico. Lástima! 

Hoje tudo vai mudar ! Estou aqui para escrever um pouco sobre cada leitura da saga (até o quinto livro).

Para começar, eu preciso declarar porque eu estou lendo Bernard Cornwell como "se não houvesse amanhã". Eu não sei responder por qual motivo isso está acontecendo. Minha programação para 2019 era reler livros das irmãs Brontë, de Jane Austen e Elizabeth Gaskell. Mas daí isso aconteceu e tudo mudou ! E, de quebra, coloquei a leitura de As Crônicas de Artur para "rodar" também. Ou seja, estamos no mês de Abril e dos onzze livros que li até agora, seis são escritos por Bernard Cornwell.

Sem mais delongas, deixe-me escrever sobre minhas observações sobre cada livro de Crônicas Saxônicas. 
Veja bem, enrolado leitor, por ser uma história contínua, eu não consigo definir qual é o livro correspondente a história. Para mim é um bolo só: se tal história aconteceu no livro dois ou no livro três eu não sei - tenho que pegar o livro nas mãos e ler um trecho da trama para saber "onde estou".

Livro um: O Último Reino 
Período de leitura: XIII.XII.MMXVIII à I.I.MMXIX
(última leitura de 2018)

A família de Uhtred sofre com o ataque dos dinamarqueses em Bebbanburg. O jovem Uhtred é morto e seu irmão, Osbert toma o nome do irmão morto e se torna o novo Uhtred da família. Este personagem-narrador da história sobre como os dinamarqueses tentam capturar o último reino saxão: Wessex.
Como minha experiência com a trama começou com os dois primeiros episódios da série The Last Kingdom, eu buguei algumas vezes na leitura. Na série, Uhtred fica "moço" muito cedo; no livro isso acontecerá somente na segunda parte (página 220) do livro - e bem-bem-bem lá para frente. Nesta segunda parte ele ainda tem 16 anos. Então, enquanto na minha mente havia um belo homem formado, na leitura era um piá de 13! Muitas vezes, antes de chegar na idade de Uhtred, eu repetia para mim mesma: ele só tem 13! Ele só tem 13! Ele só tem 13! - para tentar não confundir as figuras de cada Uhtred!
A data da narrativa começa em 866 e termina em 877.
Ah! E na primeira página da história, ainda no prólogo, a seguinte citação é feita:
É a história de uma mulher e de seu pai, um rei.
Eu não sei como ficou isso na série, mas no livro essa mulher aparece algumas vezes em fases diferentes - e se concretiza no livro cinco. Tão fofo! Bom, e o rei é o Alfredão, claro!


Livro dois: O Cavaleiro da Morte
Período de leitura: II.I.MMXIX à XII.I.MMXIX
Primeira leitura 2019

O velho Uhtred define o jovem Uhtred de vinte anos como "arrogante, imbecil e cabeça-dura". Isso não muda muito ao longo dos outros livros. Acrescente, apenas, que ele tem muita sorte e, se alguém escorregar durante uma batalha, Uhtred crava a espada no desastrado. 
Uhtred é papai de um meninão. Seu casamento é razoável até que sua esposa se concentra mais nos padres do que nele. 
Alfredo refugia-se em um pântano para reunir seus guerreiros e fazer alianças não perder Wessex para os dinamarqueses. Por pura sorte, Uhtred o encontra e ambos elaboram um plano para contra-atacar. 
Eu senti muita raiva de Alfredo na última batalha. Enquanto Uhtred esta lá na frente na base do 
"Uhhhhrrrr!!! Uhhhhhrrr!! Uhhhhhrrrr!!", o rei ficava em seu cavalinho olhando para tudo e pensando o que fazer! Fiquei com raiva e tentando dizer: "Vai pra guerra, seu bosta!".
A batalha final é maravilhosa! Eu fiz a leitura desta luta enquanto eu estava no ônibus e tive que conter a emoção para não gritar e rir alto! Lembro de estar com os olhos cheios de lágrimas e braços arrepiados pela comoção que a leitura me trouxe! E foi neste livro que me despedi de um personagem querido na trama! 😢

Livro três: Os Senhores do Norte
Período de leitura: XII.II.MMXIX à XXI.II.MMXIX
Sétima leitura 2019

A narrativa começa no ano de 878. Uhtred decide, de novo, abandonar Alfredo. Ele encontra um novo rei e sua irmã. A sorte parece abandoná-lo e o simpático rei Guthred, também. Dois anos em uma navio escravo o torna amigo de Finan - amigo leal que o seguirá em sua jornada. Uhtred até tenta fugir de Alfredo, mas Alfredo o busca novamente. É neste livro que ocorre o resgate de uma personagem perdida no livro um; e, também uma vingança que aconteceu lá no primeiro livro se concretiza. Eu esperei muito por isso.
Foi neste livro que eu decidi adiar minhas aulas de natação! 💗

Livro quatro: A Canção da Espada
Período de leitura: VII.III.MMXIX à XVI.III.MMXIX
Nona leitura 2019

Ano de 885. A filha de Alfredo se casa. Uhtred está casado com Gisela (livro três) e já é papai de algumas crianças e, claro que o filho mais velho se chama Uhtred. Uhtred pai ainda odeia Alfredo mas ainda o serve. Os nórdicos são um problema para o rei de Wessex; e um velho desafeto de Uhtred reaparece na trama. Eu sei, Uhtred tem vários desafetos, pode-se nomear vários padres nesta lista (vide o padre Asser!). 
E é nesse livro que eu fico maravilhada com a surra e safanões que Uhtred dá no pau-mandado Aldhelm - queridinho do genro de Alfredo, Aethelred - sinto muito nojo desse homem! Segue a descrição da surra:
Você se chama Aldhelm - disse eu. - Só Aldhelm, e eu sou Uhtred, senhor de Bebbanburg, e você me chama de "senhor".
(...)
- Seu desgraçado impertinente - disse ele, em seguida tirou uma faca de uma bainha na cintura e tentou acertar minha cintura.
Quebrei o queixo de Aldhelm, o nariz, as duas mãos e talvez duas costelas antes que Egbert me afastasse. Quando Aldhelm pediu desculpas a Gisela, fez isso cuspindo dentes através do sangue que borbulhava.
Eu gostei, também, deste livro, mas o final ficou em aberto em certas questões. Eu sei que algumas coisas não precisam ser explicadas "tim-tim por tim-tim"; mas passar o traço em algumas demandas  relevantes foi um pouco forçado - pelo menos na minha opinião.

Livro cinco: Terra em Chamas
Período de leitura: XVIII.III.MMXIX à I.IV.MMXIX
Décima leitura 2019

Este não foi um livro que me encantou muito no ínicio (e no meio). A história parecia muito repetida: Uhtred odeia Alfredo. Alfredo odeio Uhtred. Os padres odeiam Uhtred (menos os queridões Beocca e Pyrlig). Uhtred odeia todos os padres (menos os queridões Beocca e Pyrlig). Então, ele abandona Alfredo - desta vez o motivo foi admissível. 
Skade, uma mulher insuportável e nojenta entra na trama! Eu juro que não entendi a utilidade dela! O mulher nojo!!!! 
Uhtred corre para os braços de Ragnar. Brida não é tão receptiva quanto o companheiro; porém, mostra-se mais ambiciosa e estrategista.
Notei que a religião tornou-se uma das motivações para as batalhas, nos outros livros sempre houve a questão por terras e tudo mais. Porém, neste volume, o cristianismo está mais expandido - incluindo entre os dinamarqueses - e, para combater "essa praga", destruir o reino-mestre é fundamental: Wessex (sempre Wessex, o último reino em pé).
 A tal mulher do livro se revela - apesar de estar "na cara" durante todos os livros. 
O desafeto do livro quatro escapa de novo! 
Fiquei animada!

Esta publicação ficou um pouco longa! Sinto muito! E, por ser um resumão, eu tentei manter o mistério e não trazer detalhes sobre as tramas. 
O livro seis e sete estão à caminho! Estou terminando a leitura de O Inimigo de Deus, o segundo livro da trilogia As Crônicas de Artur. 

É isso aí, pessoa(l).




Os Meninos da Rua Paulo - Prefácio

  Olá, abandonado leitor!  Comecei neste final de semana a leitura de "Os Meninos da Rua Paulo". Ainda não cheguei na página 50, a...