Mostrando postagens com marcador presente. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador presente. Mostrar todas as postagens

30 de agosto de 2020

Vigésima Segunda leitura..


 Olá, abandonado leitor !! 
Faz muito tempo que não escrevo neste blog. Eu gosto refletir minhas leituras aqui, mas outros afazeres tiraram meu tempo para esta tarefa.
Porém, semana passada eu fui arrebatada pela leitura de A Mão e a Luva de Machado de Assis e este período de distanciamento foi quebrado. 

Que livro ! Que hisória! 

Eu comecei a ler no dia 21 de agosto (sexta-feira) e domingo (23 de agosto) eu concluí a leitura. Domingo foi o dia chave para completar o término da obra. 
Comecei pela manhã fria e aconchegante sob uma camada de cobertores e apreciada com pedaços de chocolate. 
Geralmente, meu marido e eu combinamos como será  dia: dividimos nosso dia em tarefas individuais e uma segunda parte dedicamos ao convívio de prazer mútuo.
A leitura da manhã estava ótima. O enredo prendia a cada capítulo e tornava impossível interromper a leitura. 
Após o almoço, combinamos que no período da tarde teríamos para nós. 
O período vespertino chegou, minha promessa de pós-almoço vacilava em ser cumprida! 
Somente no final da tarde consegui ir para a sala, e fui exclamando: Meu deus! Que livro ! Que livro !! 
.
.
Entenda a história, leitor:

Guiomar é uma moça órfã que depois da morte prematura da sua prima vai morar com sua tia para lhe servir de consolo.
A beleza de Guiomar arrebatou o coração de Estevão, porém, o coração da dama exigia mais do que um simples elogia a sua formosura.
Um primo seu, Jorge, também querido pela tia, revelou suas intenções de afeto pela moça. Ousou-a pedir em casamento ... mas ainda havia Luís Alves.

A trama gira em torno destes três pretendentes que esperam de Guiomar uma resposta sobre qual será a decisão que ela tomará em relação à escolha do futuro marido.

Guiomar é ambiciosa.  Mas não julgue que seja mau o seu caráter, apenas anceia que sua vontade seja superior ao que lhe obrigam a aceitar. Ela mede cada pretendente conforme sua ambição.
Estevão lhe oferece um amor pueril, Jorge manterá sua fortuna dentro da família e Luís Alves lhe oferece um nome.

Eu adorei Guiomar, mas não desde o início. Ela é uma personagem que precisa ser observada com cuidado para não seja mau interpretada. E acredite, leitor! Você amará Guiomar.
Eu gostei do Machado de Assis "fez" com ela. Trouxe uma mulher com uma determinada sem a carregar de trejeitos romanescos exagerados. Ela sabe o que quer e, mais importante, quer concluir com êxito a sua ambição. 
Ela já está na minha lista de preferidas preferidas e A Mão e Luva em uma releitura desejada.

.
.



5 de dezembro de 2019

Trigésima oitava leitura - parte II..



Segunda parte da leitura de Oliver Twist, de Charles Dickens.

Nesta publicação, eu deixarei algumas anotações que fiz quando terminei a primeira parte da leitura. 

Segue ..

O primeira parágrafo de Oliver Twist aborda a forma comum em que as cidades e os asilos se assemelham, não sendo necessário atribuir-lhe uma placa de identificação - nem o menino do livro precisa de apresentação: seu nome não e citado, apenas é dito: "cujo nome aparece no título do presente capítulo".
Além de asilos, casas eram destinadas a cuidar dos órfãos - e recebiam uma quantia "por cabeça" para ajudar a manter a criança. Oliver Twist custava sete pence e meio. 
Na prática, o dinheiro ficava apenas para o deleite do tutor; as crianças, além de serem castigadas de forma severa por qualquer motivo, serviam-se de uma alimentação rala que mal lhes bastava para um dia. A higiene, também, era precária e praticada quando um censor (bedel) do município vinha visitar a casa.
A permanência nestas casas, também, parecia ser limitada, pois, quando o protagonista completou nove anos, ele foi transferido, novamente, para o asilo onde nasceu - ou para um semelhante a aquele.
O modo de tratar  os órfãos também não era diferente: comida rala, higiene pessoal precária etc. A única coisa que havia sem falta eram os castigos severos. Segue uma citação da experiência pela qual passou Oliver Twist:
Nos primeiros seis meses após a mudança de Oliver Twist, o sistema esteve em pleno funcionamento. Foi um pouco dispendioso, a princípio, em consequência do aumento na conta do agente funerário e da necessidade de apertar as roupas de todos os indigentes, que flutuavam pois de uma semana ou duas de papas. Mas o número de inquilinos do asilo tornou-se dessa maneira reduzido; e o Conselho muito se alegrou com o resultado.
E, quanto a fome, uma breve passagem:
As vasilhas não precisavam ser lavadas. Os rapazes poliam-nas com as colheres até que rebrilhassem; e, depois de fazer essa operação, que nunca demorava muito, por serem as colheres quase tão grandes como as vasilhas, ficavam a mirar o caldeirão, com olhos tão ávidos como se quisessem devorar os próprios tijolos em que ele estava assente; empregavam-se, no entanto, a sugar muito diligentemente os dedos, para ver se lambiam alguns pingos desgarrados de papa que estivessem metidos entre eles.
Além da miséria que as crianças viviam, Dickens, também, critica os filósofos e a sua filosofia que em nada mudava o destino daqueles que viviam na miséria completa. Em um trecho, um filósofo queira proar que seu cavalo conseguiria viver sem comida; porém, o animal faleceu antes que seu dono pudesse provar a tese.

O asilo que Oliver habitou não apenas lhe servia como provedor de fome e castigo - a função desta instituição era ensinar um ofício para que pudesse viver por si só. E este trabalho de aprendiz era o disfarce ideal para a exploração infantil.
Esta prática foi descrita na figura do senhor Gramfield - um limpador de chaminés que negociava com os agentes do asilo para que Oliver trabalhasse com ele. A instituição pagaria cinco libras para quem tivesse interesse em educar um órfão em um ofício.
A negociação entre o asilo e o senhor Gamfield me deixou apreensiva pelo fato de o "contratante" ter em seu currículo quatro aprendizes que faleceram durante o exercício do trabalho - segundo o empregador porque foram preguiçosos  dormiram durante o trabalho.
A segunda oferta de trabalho levou Oliver para fora do asilo.  Ele foi contratado por um próspero agente funerário.
Apesar de estar fora do asilo, não houve diferença entre o tratamento que recebeu na instituição - somente que a comida era mais "farta", principalmente quando o cachorro não queria comer a própria comida.
Durante o tempo que passou neste ofício, Oliver suportou toda a sorte de injúrias, punições e privações; mas uma situação tirou-o de sua fleuma e o resultado foi a escolha de Oliver em abandonar o trabalho.
.
.
.
Aqui terminou as minhas primeiras impressões (e a segunda parte) do livro Oliver Twist.



3 de dezembro de 2019

Trigésima oitava leitura - parte I ..


Olá, atrasado leitor!

Terminei esta leitura de Oliver Twist no mês de Novembro, mas, infelizmente, meu tempo disponível foi somente hoje! 
E, talvez, eu tenha coisas demais para escrever e faça, por isso, duas publicações. 

Como já escrevi anteriormente, eu fiz marcações em partes da leitura, e será sobre elas que escreverei neste primeiro momento. 

Primeiramente, separei o livro em quatro partes.

- do capítulo I ao VII, Oliver Twist está no ambiente do asilo e sua sociedade está em torno desta casa. É nesse período que o protagonista chora muito. Nestes primeiros seis capítulo ele foi às lágrimas nove vezes - incluindo o choro de nascimento. Outra curiosidade que observei foi que Oliver poucas vezes interage nas cenas. Sua participação é quase de coadjuvante da história. As pessoas em volta são descritas, conversam, riem... E Oliver permanece em silêncio ou em choro. 

- do capítulo VIII ao XXVII, Oliver muda de cidade por não aguentar a injustiça proferida àquela que ele ama. Seus novos amigos, apesar da reputação não tão ilibada quanto a dos outros que conheceu antes, dão ao menino um lugar para morar e comida. 
Nesta parte da trama a identidade de quem seria Oliver Twist é apresentada ao leitor. E, a amizade que outrora era valiosa para o menino, nesta altura, o põe em apuros.

- do capítulo XXVIII ao XXXVII, a história muda de cenário novamente e Oliver conhece pessoas que realmente o podem ajudar - e, talvez, desvendar um pouco de quem pode ser esse jovem órfão. A ajuda virá de uma pessoa inesperada.

- do capítulo XXXVIII ao LIII - eu não escreverei sobre os pontos relevantes para não atrapalhar a leitura de alguém, apenas quero deixar registrado que o tom da narrativa, para mim, mudou de modo significativo. A ironia marcante do início da narrativa fica de lado ao longo da trama, e a maneira como os acontecimentos finais foram descritos me deixou um pouco assustada; pois aquela história que parecia suave se tornou pesada. Mas adorei cada capítulo.

Eu escrevi algumas anotações na borda das folhas, mas infelizmente não conseguirei transmitir tudo o que gostaria pois o texto ficaria extenso demais.  Apenas, permita-me, considerado leitor, algumas observações:

- a descrição de um enterro (na primeira parte) é triste. A morte ainda consegue ser mais miserável que  própria vida. 

- a fidelidade das crianças a Fagin (o velho judeu) é tão sincera que mesmo quando estão no cadafalso com sua vida ao fim não o traem. Existe uma lavagem cerebral, algumas vezes sutil em outras amedrontadora que leva as crianças a crerem que não poderão/poderiam ser outra coisa. 

- Charles Dickens debocha abertamente dos filósofos e seus pensamentos tão fora da realidade das pessoas que não estão no seu círculo de pensadores, e disso faz isso - com grifo meu - no capítulo XIII para descrever como Dawkins e Bates fogem quando Oliver é levado à prisão.

- sobre a prisão, há a descrição de três tipos de pessoas que frequentam a cadeia inglesa: "um delinquente miserável, descalço, que havida sido preso por tocar flauta"; "...um vagabundo de sessenta e cinco anos que estava preso (...) por esmolar nas ruas e não fazer nada para ganhar a vida" e "na cela seguinte encontrava-se outro homem, o qual se achava preso por vender caçarolas de estanho sem licença, com o que fazia alguma coisa para ganhar a vida, mas em detrimento do Tesouro Público" (cap.XIII). 

Leitor anônimo, terminarei esta primeira postagem aqui - para não alongar muito o texto.

19 de novembro de 2019

Marcações..

Olá, estranho leitor!

Tornei-me aquilo que mais temia: uma pessoa que marca a leitura com post-it.

Nada contra isso, magoado leitor, apenas, não era meu costume! Eu sempre achei que a leitura não precisava disso - ela só tem a obrigação de ser livre.
Porém, ao começar a ler este livro do senhor Charles Dickens - meu primeiro Dickens, by the way! - eu me vi na obrigação de marcar algumas partes da leitura porque .. não sei! Parece que existe algo nelas que não pode ser esquecido. 
Será que todo livro do Dickens será assim para mim?

Deixe-me explicar as cores de cada etiqueta: 

- azul: são as partes que me chamam a atenção

- verde: são as partes que Oliver Twist chora.

- laranja: são as frases que mais me chamaram a atenção.

Exemplos:
azul:
Entre outros ofícios públicos de certa cidade, que, por muitas razões será prudente evitar mencionar, e à qual não queremos atribuir nome fictício, um existe, muito comum, nos últimos tempos, à maior parte das cidades, sejam elas grandes ou pequenas. Refiro-me a um asilo. Nesse asilo nasceu, certo dia, em data que vale a pena indicar, porque isso, no princípio desta história, não apresenta nenhum interesse para o leitor, a criatura cujo nome aparece no título do presente capítulo.
Existe, na minha opinião, uma indigência completa neste primeiro parágrafo. Tanto do órfão que não precisa de mais nenhuma identificação além do nome e, também, uma completa preferência por não identificar o lugar que essa criança nasceu - exceto que foi em um asilo. Ambos tão comuns e necessitados  um do outro para existir. Por isso eu marquei com a fita azul.

verde:
(...) Não era difícil para ele chamar as lágrimas aos olhos.  A fome e os maus tratos recentes auxiliavam muito a um menino que queria chorar; e com efeito, Oliver chorou muito naturalmente.
Essa é a segunda vez que Oliver Twist chorou. A primeira foi na hora do seu nascimento. Quase todas as lágrimas de Oliver começam sem um motivo específico de ação, além da fome e da carência de uma valor afetivo que expresse que ele tem um valor positivo agregado a si. 

laranja:
(...) O rapaz não tinha amigos com quem se importar, ou que se importassem com ele. Não poder curtir saudades de sua recente separação anuviava-lhe o espírito; não sentir a ausência de nenhum rosto amado e saudoso pesava-lhe o coração. E o que ele desejava, ao arrastar-se para o interior da sua estreita cama, ea que ela fosse seu caixão, e que o depusessem num último sono calmo no terreno da igreja, com a erva alta ondeando suavemente sobre sua cabeça e o som profundo do velho sino embalando-lhe o sono. 
Este é o terceiro lugar que Oliver Twist vai morar desde o seu nascimento. Seu primeiro emprego é no comércio de um homem que vende caixões. Ele, literalmente, tem como cama um caixão para cadáveres que fica embaixo do balcão que fica em um porão. Percebe, leitor, como a descrição leva-nos para baixo? E a solidão ainda o acompanha.

Então é isso, anônimo leitor!
Sigo com minha leitura...

Omnia Vanitas. 💀



17 de novembro de 2019

Trigésima sétima leitura..



Olá, anônimo leitor !!

Fim da primeira leitura de um livro do "Estevão Rei" neste ano! Este exemplar de Escuridão Total Sem Estrelas é especial por ser um presente de uma amiga muito querida! 

Este livro contém quatro contos, a maioria deles - ou todos - já se tornaram filmes. Destes, eu assisti 1922. E, vou repetir o que escrevi sobre este conto lá no Instagram: essa história me lembrou muito Crime e Castigo de Fiódor Dostoiévski. Um homem comete um crime é sua consciência o atormenta tanto que ele sente que a qualquer momento seu ato será descoberto - mas com uma pitada sinistra do mestre King.

A sequencia dos contos é a seguinte:
- 1922
- Gigante no Volante
- Extensão Justa
- Um Bom Casamento.

Com eu não quero dar spoiler, não vou apenas comentar que todos os contos tem um final comum. 

Escuridão Total Sem Estrelas é um livro violento. Assassinato e estupro é o que permeia estes contos do senhor King. 
Eu não quero escrever muito sobre cada um para não dar mancada em revelar algum desfecho; mas vou transcrever o que Stephen King escreveu sobre a inspiração para cada escrita. 
1922 foi inspirado em um livro de não ficção chamado Wisconsin Death Trip (1973), de Michael Lesy, que mostrava fotografias tiradas na pequena cidade de Black River Falls, Wisconsin Fiquei impressionado pelo isolamento rural dessas fotografias e pela severidade e pela privação no rosto da pessoas. (...)Em 2007, enquanto viajava pela Interestadual 84 para uma sessão de autógrafos no oeste de Massachusetts, passei por uma dessas paradas de estrada (...). Quando saí da lanchonete, vi uma mulher com o pneu furado tendo uma conversa ávida com um caminhoneiro estacionado na vaga ao lado. (...)Em Bangor, onde moro, uma via pública chamada extensão da rua Hammond margeia o aeroporto. (...) Há uma área de cascalho ao lado da cerca do aeroporto, na metade da extensão, onde vários vendedores de beira de estrada vêm montando suas barraquinhas ao longo dos anos. (...)A última história  veio à minha cabeça depois de ler um artigo sobre Dennis Rader, o infame assassino BTK (do inglês bind, torture and kill - amarrar, torturar e matar) que tirou a vida de dez pessoas - a maioria mulheres, mas duas eram crianças - em um período de 16 anos. (...) Paula Raider foi casada com esse monstro por 34 anos, e muitas pessoas na área de Wichita, onde Rader cometia seus crimes, se recusaram a acreditar que ela vivia com ele sem saber o que ele fazia.
Explicação para o título da obra:
Na ausência da luz, o mundo assume formas sombrias, distorcidas, tenebrosas. Os crimes parecem inevitávveis; as punições, insuportáveis; as cumplicidades, misteriosas. Os personagens destes quatro contos passas por momentos de escuridão total, quando não existe nada - bom senso, piedade, justiça ou estrelas - para guiá-los. Suas histórias representam o modo como lidamos com o mundo e como o mundo lida conosco. São narrativas fortes e, cada uma a seu modo, profundamente chocantes.

Eu adorei esta leitura, e a rapidez ao terminar o livro se deu por haver várias filas de carros parados me prendendo dentro de ônibus por mais de hora durante a semana!

Omnia Vanitas 💀

26 de setembro de 2019

Mais um sonho realizado..



Olá, leitor!!

Que momento delicioso eu tenho para compartilhar! 

Eu tinha uma vontade enorme de conhecer um determinado sebo em São Paulo (capital). 
Neste final de semana, viajamos para lá para visitar a família do meu marido e, foi necessário, permanecer durante quatro dias por lá. 
As outras vezes que os visitamos, nem de longe tínhamos tempo livre para andar pela cidade. 
Desta vez, eu "exigi" visitar o Sebo do Messias.  
Leitor, eu sou apaixonada por esse lugar, e ele foi uma das inspirações para o Sebo do Portuga.
E, em uma preparação para viver um outro lado da compra de livros, eu fiz um pedido on line com retirada no balcão. 💗
Eu estava muito ansiosa pela chegado do momento de visitar (e comprar) livros "diretamente da fonte". 
Porém, o tempo não era somente meu e eu tive o prazer de visitar os autores que amo (e ainda faltaram tantos outros que esqueci em meio a emoção de estar lá) entre as prateleiras do senhor Messias
Mas nada se compara ao ver o dono do Sebo, o senhor Messias A. Coelho. A minha timidez não permitiu que eu fosse cumprimentá-lo, mas vê-lo ativo na loja foi muito emocionante para mim e, levantei uma pergunta: estarei eu, também, atrás do balcão e sendo tão cuidadosa quanto ele depois de tantos anos como livreira? Em meu coração é o meu desejo.

Na foto acima, os exemplares que comprei (exceto Não Me Abandone Jamais e O Instituto) no Messias. Que momento para guardar na memória!

Lista dos livros:
(retirados no balcão)
- A Cidadela
- Almas em Conflito
- Três Amores
(de A. J. Cronin - que ainda falarei sobre)

(comprados na loja)
- A Mortalha de Alzira (Aluízio Azevedo)
- As Mil e Uma Noites v.8 (coleção fechada) 
- Enquanto Eu Te Esquecia (Jennie Shortridge) - presente para minha mãe
- Primo Basílio (Eça de Queiroz)

Para os exemplares extra-Messias,  O Instituto (Stephen King) foi presente do meu marido quando passamos em frente a Livraria da Travessa, em Pinheiros. 
E, Não Me Abandone Jamais foi a leitura concluída durante a estadia em São Paulo. 


Omnia Vanitas 💀


23.09.19, foto by marido 

25 de outubro de 2017

Vigésima quarta leitura..


Olá, anônimo leitor! 

Fim de mais uma releitura!
Sei que fiquei devendo os apontamentos de Emma, mas preferi permanecer com o que já havia escrito sobre a leitura.

E, agora, Mansfield Park.

Antes, deixe-me contar minhas memórias de leitura com este livro. Primeiramente, ele é um presente de Natal de uma amicíssima minha; e a frase que ela usou ao presentear-me foi: Eu não sabia o que comprar, então comprei um livro da Jane Austen.
Naquela época eu tinha apenas os livros Orgulho e Preconceito e Razão e Sensibilidade e eu estava numa vibe de clássicos históricos - esta é a justificativa para ela não saber se eu iria gostar de ganhar um livro da Jane Austen. Eu parei a leitura de O Corcunda de Notre Dame e mergulhei em Mansfield Park. A minha resposta para o presente foi: Eu estava com muita vontade de ler Jane Austen!
Ainda nesta primeira leitura, que aconteceu no verão de 2003, eu estava voltando do trabalho e uma chuva torrencial caiu sobre a cidade. Joinville, a cidade que eu habitava, tem um rio no centro do município que, seja com a subida da maré ou com chuvas constantes - ou a junção destas situações - o terminal de ônibus central fica inundado. E foi isso que aconteceu naquela chuva.
Para meu alívio, encontrei um banco, cruzei as pernas e fiquei lendo por volta de três horas e, a passagem que marcou este dia foi quando Mr. Crawford afirmou que gostaria de se tornar clérigo. Eu ri sozinha - rodeada por água suja de enchente.
E, a segunda leitura eu a recordação que foi quando estava lendo Mansfield Park que eu fui mergulhar em um domingo com outros amigos. Foi um ótimo dia.

Continuando agora com as impressões de leitura.
É incrível como nenhum personagem consegue me cativar. Na maioria das vezes, eu tenho vontade de bater em todos. Pais negligentes, filhos negligentes, vizinhos negligentes, tios negligentes - a tia Norris é uma bruxa... e a protagonista é muito pacífica. Ler Mansfield Park depois de ler Emma talvez não me ajudou a gostar do caráter silencioso de Fanny Price. Mesmo que eu leia Orgulho e Preconceito antes, os créditos para Fanny não aumentam. Mas não posso culpá-la. 
Enquanto as demais heroínas são donas de sua própria vida, a senhorita Price é uma órfã de pais vivos que mora de favor na casa dos parentes abastados e que poucas vezes sentiu-se querida em seu meio. 
Mas nem tudo está perdido. O que a falta de habilidade em discursar tem de menor, a capacidade de observar e refletir e permanecer é marcante em Fanny. Suas conclusões são ponderadas de maneira exemplar, mesmo quando vai contra os seus desejos: como achar civilidade e redenção em Mr. Crawford.. e meio minuto a mais a salvou de uma premeditada tragédia. E essa é a única parte do caráter de Fanny que me atraia: ela pensa, ela sabe utilizar o tempo que tem para saber onde estar e como avaliar. Prudente em suas reflexões e ações e não tardia em exprimir o que pensa de maneira a ser compreendida.
O contrapé da personalidade desta heroína é que ela não se vê com grande valor. A saúde dela é frágil - é a única protagonista de Austen que tem essa fraqueza. Ela não reconhece o seu valor - sempre está tirando o mérito que tem perante os outros por ser pobre; em contraponto, ela sabia que o caráter dos outros membros era mau - e, nem assim, ela se achava superior. 
Eu não quero qualificá-la com a necessidade de ser arrogante em si, mas um pouquinho de amor-próprio não faria mal.



18 de setembro de 2017

Duas Joanas..



Na última sexta-feira, meu marido fez uma surpresa para mim! Levou-me até uma livraria e disse:
- Entre e escolha seu presente de aniversário!

Aaaahh!!! Que loucura! Senti-me como uma criança em um parque de diversões: não sabendo por onde começar a brincar.

Depois de olhar aqui e ali, decidi levar Joana D'Arc de Mark Twain. E, antes mesmo de chegar em casa já houvera decido que faria a releitura do livro Joana D'Arc de Alexandre Dumas...e, acrescentar a leitura de Os Grandes Julgamentos da História: Joana D'arc, de Claude Bertin.

Esta saga está programada para acontecer em 2018; ou seja, ano que vem minha leitura pegará fogo!!! 😤



8 de janeiro de 2017

Primeiro livro ..



Ontem, quando cheguei em casa, decidi ler Número Zero durante o final de semana.
Este livro foi o último escrito por Umberto Eco e, como costume, há uma conspiração na trama.

O livro narra o envolvimento de um jornalista sexagenário em um jornal de cunho coagente, as reuniões do seleto grupo de jornalista e as pautas que são discutidas para promover o sucesso de um determinado Comendador sobre seus adversários. Tudo deve parecer verídico e simplório - porém, com poder suficiente para ser moeda de troca nas mãos do Comendador.
Entre os profissionais há apenas uma mulher, Maia Fresia - a amante de Collona, o narrador-personagem. 
Conspiração é um dos ingredientes prediletos de Eco, então não é novidade quando a suposta morte de Benito Mussolini é mascarada pelo Vaticano; e vários envolvidos querem a não publicação do fato.
Toda a narrativa ocorre em 1992*.

Eu sei que nunca poderei escrever como Umberto Eco, mas confesso que este livro deixou-me à desejar mais da história. 
A história de Mussolini é semelhante a de Hitler morando na Argentina; a atual vida de seus familiares e a reconstituição da morte do Duce abrem um leque para várias divagações sobre quem foi o homem pendurado de cabeça para baixo ao lado da amante assassinada. A atenção sobre este fato, para mim, foi cansativa. E, como acho que tendo Mussolini morado/morrido na Argentina não torna em absoluto diferente a atualidade, tenho como passatempo tolo remontar tal cenário.

Porém, a manipulação jornalística e a falta de atenção que se tem dos complôs políticos é muito interessante. As discussões sobre fatos mentirosos que precisam ser implantados para tirar o foco de um assunto/pessoa é intrigante. Até que ponto podemos confiar naquilo que lemos e assistimos? Será que estamos em uma bolha de tolices? Quem manipula a verdade para que possa esta ser vista como mentira?
Às vezes, acho que vivemos em uma existência tão tola que precisamos crer que existe, realmente, algo tão superior (em tramas governamentais) para que possamos viver como se nossa passagem seja tomada como banal. Precisamos crer no Area 51, em Hitler na Argentina, em Elvis vivo etc ..precisamos crer que alguém está nos enganando; criar nossos contos de fadas moderno para ter algo sobre o que falar e esquecer o que realmente importa. O que?




*1992 foi o ano escolhido por Umberto Eco pois trata-se do período político singular para a Itália.

5 de janeiro de 2017

Le fils..


Olááá, anônimo leitor!!!´

Feliz ano novo! Ano novo, livro velho! É isso aí, vetusto leitor; ganhei de presente (de Natal) do meu marido este lindo exemplar (datado de 1882) do filho do meu querido Dumas..Alexandre Dumas, fils.
Dois mil e dezessete será um ano de releituras mas, também, de novos horizontes literários.
Sempre fui amante das obras do pai e, para iniciar a leitura das obras do filho precisa ser com classe (rs) ... Le Docteur Servans, nouvelle édition, 1882. Mais um livro centenário que tenho o prazer de  ter em meu humilde acervo. 
Este lindo exemplar (em capa dura, as iniciais do antigo dono, páginas amareladas e cheirinho de velho (rs) - perfeito!!) chegou em minhas mãos esta semana (que está deliciosamente corrida na livraria) - foi um pequeno carinho durante esta semana. Mesmo com pouco tempo para dar atenção que deve ser dedicada ao meu querido regalo, o mesmo está na minha nova estante no meu novo es-cri-tó-ri-o-ôôô! Siiim!! Tenho um escritório lindo que também ganhei de presente (do maridão) nesta semana - cheia de novidades maravilhosas! 

Sobre a obra: é o quarto dos principais romances de Alexandre Dumas filho, publicado pela primeira vez em 1849. 
Do que trata a história: não sei .. mas prometo escrever quando eu terminar a leitura! ;) 

6 de julho de 2016

Leafar..


Leafar! Esse é o nome desse lindo ursinho de pelúcia! 

Ganhei o Leafar quando eu tinha 13 anos, do meu padrinho de batismo; e somente aos 15 anos ele começou a ter uma real importância na minha vida. E, desde lá, é meu fiel escudeiro por onde quer que eu vá {dormir}. Nenhum lugar é improvável para ele ir, ele simplesmente vai!

Quando me mudei da casa dos meus pais, entre as caixas de mudança ele estava. Minha mãe, aquela senhora linda que é minha mãe, olhou para minha mudança e disse:

- Não acredito que você vai levar esse bicho!

Fato é que estou casada, mas não consigo dormir sem o Leafar nos meu braços. Meu marido não reclama pois ele não tem o hábito de dormir abraçado comigo porque não consegue pegar no sono. Já o Leafar ... 

E, depois do casamento ele deixou de ter um nome, agora é, simplesmente, o Bicho.

- Cadê o bicho? -  é a frase mais usada entre meu marido e eu. Quando eu viro as costas, ele está com o Leafar nas mãos para fazer alguma traquinagem. O Leafar já vestiu a camisa de Portugal, já usou meus óculos, tocas de lã, fones de ouvido.. já foi parar em cima, do lado e dentro do guarda roupas; já ficou sentado no selim da minha bicicleta, na cozinha, na janela dos quartos .. e, quando peço explicação sobre o assunto, o que ouço é:

- Esse Bicho só apronta, amor!

E ele está muito velhinho. Descobrimos três furinhos na pelúcia dele :( . Isso me deixa triste pois ele é um "amiguinho" há muito tempo. 
Domingos passados, assistimos Toy Story 3 na televisão. Juro que eu chorei lembrando do meu querido Leafar! Meu marido riu, claro! 

Mas, enquanto a pelúcia puder ser costurada, Leafar será meu fiel escudeiro nas noites, sessões de cinema/desenho/série/futebol em casa.

Vida longa ao Bicho!

Omnia Vanitas

2 de junho de 2016

Pedro..


O sebo precisa de compradores e vendedores. Talvez a medida seja a mesma para ambos. Não adianta eu ter muitos compradores e poucos vendedores de livros. Então, quase todos os dias, no balcão da livraria, sempre há pessoas comuns trazendo livros para venda. 

Sem diminuir cada fornecedor, quero escrever sobre um em específico. O nome dele é Pedro. Ele é "figura" carimbada aqui. 
Os primeiros livros que o Pedro me trouxe estavam horríveis. Eram títulos bons, em bom estado, mas com uma sujeira que me deixou irritada. A negociação não foi fácil! Ele querendo um valor e eu oferendo um valor inferior - onde já se viu livros naquele estado! No final, acabei pagando o valor que ele pediu e avisei: Não se repetirá, ok! 
Ele acenou com a cabeça e saiu.
O Pedro é morador de rua e, faz somente 4 dias, que sei o nome dele. Ele sempre entra no sebo, sem não antes pedir licença, e coloca os livros dele no balcão. 
Terça-feira, eu precisei fechar o sebo para ir até a ilha resolver algumas questões desagradáveis e, quando voltei, o Pedro estava sentado na porta do sebo esperando a porta abrir.
Eram livros, óbvio, que ele trouxe para negociar.
De todas as vezes que o vi, esta foi a vez que ele estava mais bem arrumado. Roupa limpa e asseada. 
Porém, na quarta-feira ele estava um pouco alterado e, hoje, ele estava cheirando a cachorro molhado.
O Pedro mora na rua e vende reciclados - eis o motivo de ter tantos livros para vender. E também, ele é usuário de drogas. 
Até hoje eu não tive reclamações com ele - exceto pelos livros sujos na primeira compra. 

Nesta tarde, eu estava trabalhando e ele veio com uma caixa com flores e um saco de lixo no ombro. 
Da caixa ele tirou um vaso com flores e colocou no balcão:

- É presente! (...) Para dar prosperidade para seu negócio!

Depois que agradeci e arrumei o vaso no balcão, ele tirou um mudinha de flores - essa da foto - e disse:

- Essa flor é para a senhora plantar na sua casa. Também é laranja para dar prosperidade.
- É a minha flor preferida - respondi. Vou colocar junto com minhas outras flores! Obrigada, Pedro! 
- Diga para o seu Portuga que é com respeito que lhe dou essas flores pois vocês me tratam sempre com respeito! 

Depois ele tirou do saco três livros infantis - muito bons, por sinal - eu o paguei e ele foi embora.

Espero que esta muda cresça e dê outras lindas flores.

Omnia Vanitas.


5 de fevereiro de 2016

Um dia lerei..



Às vezes, na verdade quase sempre, que vou ao mercado, eu fico olhando a prateleira de livros. Não há muito o que me interesse lá, mas é uma forma de distração. Olho as prateleiras com livros que, possivelmente, minha mãe leria (ou que ela já leu); vejo um pouco de literatura infantil e juvenil, livros para pintar etc. E, também, fico de olho em uma certa saga: As Crônicas de Gelo e Fogo.
Minha irmã número cinco tem os cinco primeiros livros e, às vezes, eu fico tentada a lê-los. Mas uma dúvida me consome: E se eu gostar?
Por tudo o que é sagrado, esse homem ainda está vivo e escrevendo feito um louco! Já basta Stephen King que não para de escrever e me deixa pobre à cada nova publicação. 
Tempos atrás, eu estava falando com minha irmã número cinco ao telefone e ela me contou que estava querendo se desfazer dos livros do senhor Martin. Então, eu disse: "Dê-os à mim!". Ela começou a rir e disse achar estranho porque eu sempre falei mal dos livros e da série homônimo.
Mas, naquele dia eu tinha ido ao mercado e folheado um dos cinco. É tentador! 

No último final de semana, quando fui visitá-la, ela me deu os cinco. Todos estão na prateleira da casa da minha mãe - onde a maioria dos meus livros estão. Um dia, eu trarei o número um para casa e...sabe-se lá o que poderá acontecer.

Antes de terminar, quero deixar registrado que eu assisti aos cinco primeiros episódios da primeira temporada da série - e detestei! Mas, livro é livro! 

Agora vou recolher a roupa do varal porque está trovejando! ;)

Omnia Vanitas.

18 de maio de 2015

Presentes ..


Sexta-feira, ao chegar em casa, tive a grata surpresa de encontrar um presente para mim: um livro do Stephen King que minha amiga de Floripa teve o carinho de enviar à mim! Eu adorei o presente! Adorei a delicadeza de ela lembrar de uma das minhas várias paixões literárias. Ainda não está encapado, mas está na prateleira com os outros "Kings" que eu ainda não li. E, como todos os outros livros, não vejo a hora de ter um tempo para ler e curtir cada página avançada!

No sábado, depois de ajudar uma irmã, eu fui fazer algumas coisas que havia em uma lista de "obrigações": comprar amendoim de chocolate, pagar um livro, pagar minha irmã, sacar dinheiro etc. Então lembrei que eu tenho uma amiga que também gosta de Stephen King. E, como eu devia um presente de aniversário para ela, fiquei matutando sobre qual livro comprar. Pensei em "Christine", "O Iluminado", "It"...mas, no final, acabei comprando "Misery: Louca Obsessão". Eu  tenho esse livro, mas a minha publicação se chama "Angústia". Eu concordo com um blogueiro que certa vez escreveu que "nunca um título foi tão bem traduzido como 'Angústia'", pois é isso mesmo o que o leitor sente ao ler este livro: angústia. É uma ansiedade louca de ajudar Paul Sheldon a escapar da loucura de Annie Wilkes. A cada tentativa, a cada ideia do personagem, eu sofri a angústia de vê-lo falhar. E, uma curiosidade sobre a senhorita Wilkes: ela tem toda a coleção de Somerset Maugham na sua biblioteca. #Sinitro

Portanto, esse foi meu presente para uma amiga. E ela adorou. Quando eu disse o quanto o livro é bom, a resposta dela foi: "Stephen King é sempre bom!". Eu nem vou escrever mais nada! A frase dela cala qualquer comentário.

Omnia Vanitas.

23 de abril de 2015

O Primeiro Namorado..

"Você foi a única que eu amei de verdade!"


Eu tinha quinze anos quando ele começou a estudar comigo. E eu detestava ele. Paulista metido que veio de Sampa pagar de moderno para catarina do interior. 
Ele adorava encher meu saco quando o meu time perdia e o dele, ganhava. E ficava todo faceiro quando eu pagava a promessa de usar a camisa do time dele quando o meu perdia. Que vergonha!
Sem contar quando fazia elogios que me deixavam com o rosto vermelho no meio da sala de aula.

Mas nem tudo era ruim. Éramos ainda adolescentes e cheios daquela alegria que só sabemos reconhecer algum tempo depois. E, eu não sei porque, ele se apaixonou por mim - uma garota temperamental, que torcia contra o time dele e que falava pelos cotovelos. 
E assim foi o primeiro ano do ensino médio, o segundo e o terceiro. Tivemos nossa formatura em 1997, e somente em 1998 ele pediu para namorar comigo. Eu aceitei. 

Namoramos pouco tempo. 
Era aquela época que ainda sentávamos no sofá lá da sala, na casa da minha mãe. Ainda existe esse sofá. Eu lembro que, aos sábados à tarde, depois que ele saia do trabalho, eu ficava sentada lá, naquele dito sofá, esperando ele buzinar para eu ir recebê-lo portão. 
Meu pai tinha uma colheita de milho, bem pequena, na frente da nossa casa. Toda as vezes que ele chegava, me dizia:

- Cheguei na Colheita Maldita! (filme baseado em um conto do Stephen King, chamado de As Crianças do Milharal).

Era divertido. Dias do único verão que passamos juntos, na frente de casa, deixando a brisa da noite nos refrescar. 
Também tínhamos o hábito de jogar general, à noite, na cozinha da minha casa e, também, fazer nossas compras "sagradas": amendoim com cobertura de chocolate e jujubas. Havia um vidro especialmente pronto para receber essas iguarias; mas o vidro esvaziava no mesmo dia - com ou sem sessão de cinema.
E quando ele entrava no meu quarto impecavelmente arrumado, ele dizia que parecia estar tudo bagunçado. Roubava meu diário, enquanto eu estava no banho,  para ler o que que escrevia sobre ele (rs).
Quando ele tomava café eu fazia ele chupar uma bala de fruta para tirar o gosto do café (porque detesto café). E ele fazia essa minha vontade.
E como esquecer dos longos beijos que dávamos escondidos dos meus pais ou, das longas despedidas quando ele trazia de volta da casa dele. 

Lembro da nossa viagem para Curitiba. Do meu mau humor durante o segundo dia de viagem (Deus! Como ele podia me aguentar?!)
Lembro, também, do dia que ele voltou de viagem de carnaval com a família dele. Eu fui recebê-lo, como toda boa namoradinha, no portão da minha casa. Ele saiu do carro e começou a reclamar que estava com uma dor nas costas. Preocupada, pedi para ele me mostrar onde doía. E, então, para minha grata surpresa, havia um enorme algodão doce escondido atrás dele - ele sabia que eu adoro algodão doce. E, de brinde, veio um balão para estourarmos depois. 

Ontem, relembrando o tempo de colégio com um amigo em comum, eu tive a  triste notícia de saber que meu primeiro namorado (e guerreiro rs), faleceu de câncer há, mais ou menos, dois anos. 

Ele já estava casado e com dois filhos; eu soube quando ele me ligou, quase oito anos atrás, para se desculpar pelo o modo como nosso namoro terminou. Claro que não havia motivos para desculpas, afinal, éramos dois jovens tolos que estavam brincando de amar. Mas, aceitei as desculpas e ofereci as minhas, também. E, uma coisa que ele me disse - e que não confessei na época por conta do estado civil dele - foi que ele sonhava comigo. E, todas as vezes ele acordava inquieto. Ele me disse, ao telefone, que se ele sonhasse comigo mais uma vez, ligaria para pedir desculpas à mim. Foi o que ele fez. Mas eu nunca confessei, pelo motivo que já expliquei, que eu também sonhava com ele. E, depois que nós tivemos aquela conversa, eu nunca mais sonhei com ele. Exceto, por essa noite. 

A notícia da morte dele foi um choque! Eu senti que uma parte da minha história se foi com ele. Ele não foi somente meu primeiro namorado, foi um amigo e "rival" que tive a alegria de ter por perto. 

Gostaria de contar mais sobre o significado daquele tempo, mas fica para outra publicação. Essa é só para ele e a dor que ausência dele, tão precoce, deixou em todos que o amam. 

In memorian de W.C.R.F. (Mor).


20 de março de 2015

A Doce Ironia de Austen..

Jane Austen
Jane Austen, de longe, é uma das minhas escritoras favoritas. Como se não bastasse criar personagens ícones, suas histórias foram elaboradas com uma doce dose de ironia. E, essa harmonia me faz pensar que a senhorita Austen possuía um ótimo senso de humor e um semblante amistoso.

Ganhei de presente da minha amiga GLN o livro "Juvenília" com histórias de Jane Austen e Charlotte Brontë. Como o próprio título sugeri, são histórias que a senhorita Austen escreveu ainda na tenra idade. Este livro acompanha também os textos da sua "rival" Charlotte Brontë - nem tão divertida quanto Austen mas tão maravilhosa quanto esta. Porém, vou escrever somente de Jane Austen, no momento.

 Logo no primeiro conto do Livro I, ela destila sua ironia. É impossível não rir com a sutileza de suas palavras. Lê-se:

(...) andou até a casa da sra. Fitzroy para se despedir da afável Rebecca, a quem encontrou rodeada de base, pó, brilhantina e pintura, com os quais estava em vão tentando remediar a feiura natural de sua face.
"Vim, minha afável Rebecca, me despedir de você pelo período de duas semanas que passarei na casa da minha tia. Acredite, essa separação me é dolorosa, mas tão necessária quanto a tarefa que neste momento a ocupa".
 E..

"Epitáfio
Aqui jaz a nossa amiga, que após prometer
Se casar com dois homens diferentes
Atirou toda a beleza de seu ser
No riacho da casa de seus parentes.

Esses doces versos, tão patéticos quanto belos, jamais foram lidos por qualquer pessoa que passou por ali sem uma inundação de lágrimas e, se deixarem de causar a mesma reação em você, leitor, é porque não tem uma mente digna deles.

E desta forma segue o texto da pueril Jane Austen que desde cedo não deixou de aplicar sua característica em suas produções literárias.

Omnia Vanitas.

17 de março de 2015

Presque Rien ..

:: Francis Cabrel ::

Conheci esse cantor francês há pouco mais de dez anos. Foi um presente que ganhei - músicas diversas em um cd que veio com o seguinte dizer: "Petit Cadeau de Belgique". Desta forma Francis Cabrel me foi apresentado.

Agora, com as aulas de francês que curso desde o ano passado, o meu presente foi resgatado e ouvido com mais sentido. E, além das músicas que ganhei tenho outras que compõem meu playlist!

Então, eu deixo meu querido francês para terminar este post.

Et voilà tout ce que je sais faire
Du vent dans des coffres en bambou
Des pans de ciel pour mettre à tes paupières
Et d'autres pour pendre à ton cou
C'est rien que du ciel ordinaire
Du bleu comme on en voit partout
Mais j'y ai mis tout mon savoir-faire
Et toute notre histoire en-dessous
Tu vois, c'est presque rien
C'est tellement peu
C'est comme du verre, c'est à peine mieux
Tu vois c'est presque rien...
C'est comme un rêve, comme un jeu
Des pensées prises dans des perles d'eau claire

Je t'envoie des journées entières
Des chats posés sur les genoux
Des murs couverts de fleurs que tu préfères
Et de la lumière surtout
Rien que des musiques légères
Une source entre deux cailloux
Du linge blanc sur tes années de guerre
C'est tout ce que je sais faire c'est tout...
Tu vois, c'est presque rien
C'est tellement peu
C'est comme du verre, c'est à peine mieux
Tu vois c'est presque rien...
C'est comme un rêve, comme un jeu
Des pensées prises dans des perles d'eau claire
Doo doo doo doo doo...
(Presque Rien - Francis Cabrel)

3 de janeiro de 2015

O Leitor e a Prisão de Ventre..


Boa noite, querido leitor!

Estou eu, no aconchego do meu lar, lendo e ouvindo meus discos de vinil, quando me deparo com uma lembrança do antigo dono do livro que possuo. 

Livro usado é assim, às vezes nos trás a agradável surpresa de uma lembrança do dono anterior! Desta vez pude perceber que o ex tinha um caso complicado de prisão de ventre. Será que que ele conseguiu chegar até a farmácia indicada? ;)

Omnia Vanitas.

27 de dezembro de 2014

Amigo Oculto ..


Presley se apresentando, senhores!

Pela manhã tive que buscar um complemento para minha reforma e, aproveitando a oportunidade, fui trocar o cartão de presente que ganhei do meu amigo oculto neste Natal! Como meu amigo ficou na dúvida de qual livro comprar para mim, deixou-me a difícil tarefa de escolher meu presente! Difícil mesmo! Entrar em uma livraria e desistir de tantos livros que estariam lindos nas minhas prateleiras é cruel! 
Porém, a tarefa foi cumprida: voltei para casa com um belga e com um alemão.

A escolha foi de dois novatos, para mim. Trata-se de Georges Simenon (o belga) e Charles Bukowski (o alemão - mesmo sabendo que o sobrenome está mais para polaco do que para germânico; paciência, ele nasceu na Alemanha, então, alemão é!).    

De Simenon escolhi o livro "Maigret e o Informante". Não sei nem o que dizer, pois, realmente, não li nada a respeito - exceto folhetos de livrarias e uma obra que vi na Aliança Francesa quando fui fuçar por lá.

De Bukowski, o alemão polaco, eu trouxe um diário dele publicado póstumo a sua morte: "O Capitão Saiu para Almoçar e Os Marinheiros Tomaram Conta do Navio". Eu não gosto de ler biografias - já havia comentado isso - mas isto é um diário, é o próprio autor falando de si e não um monte de lacunas preenchidas para encher linguiça ou algo semelhante. Portanto, encaixa-se no gênero literário que eu gosto.

É isso, leitor! Agora, eu volto para minha labuta!

Omnia Vanitas.




16 de dezembro de 2014

Presentes ..



Antes da matinê de domingo, fui à casa da minha amiga BRK e ganhei três livros de presente! Quem tem amigos têm livros! (rs).

Eis aí, Presley, o Senhor dos Livros Não Lidos, posando com os meus novos livros.

Um deles eu conheço, de ouvir não de ler. Trata-se de Morris West. O livro é O Advogado do Diabo. Mas não se empolgue, leitor, não é esta obra referente ao filme estrelado pelo u-lá-lá do Keanu Reeves.

Outro livro é Os Buddenbrook, de Thomas Mann. Totalmente novo para mim. Só sei o que achei na internet! Conecte-se, leitor anônimo!

O último deles é um livro que eu vinha "ensaiando" comprar faz algum tempo. Mas, por se tratar de uma obra longa, eu nunca consegui dar o primeiro passo. Veja só, fizeram por mim (rs). Trata-se de As Mil e Uma Noites, que conta a história da intrépida Xerazade que envolve seu sultão com histórias para manter-se viva! (já que ele matava na manhã seguinte a mulher com quem passava a noite).  Xerazade deu um "olé" e por mil e uma noites, seduziu o sultão com suas histórias. Estou com o primeiro volume da primeira parte.

Adorei todos os livros e estou curiosa para lê-los. Porém, não meu iludo, quieto leitor, pois tenho mais de cem títulos para ler além dos que recebi no domingo.

Então, 'bóra respirar fundo e continuar a leitura!

Ominia Vanitas.

Os Meninos da Rua Paulo - Prefácio

  Olá, abandonado leitor!  Comecei neste final de semana a leitura de "Os Meninos da Rua Paulo". Ainda não cheguei na página 50, a...