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3 de abril de 2021

Leitura quatro..


 Olha quem voltou a reler um livro!!! Eu não aprendo mesmo ! 


Depois de ler sobre a Castle Rock tomada por seu mal, nada melhor que ler Derry tomada por Pennywise!

Primeiramente, preciso informar que minha primeira leitura de "It, a Coisa" é da editora Francisco Alves. Neste exemplar, o nome do palhaço foi traduzido para o português. Eu acho isso maravilhoso! Ou seja, Pennywise, nesta tradução da editora Francisco Alves, se transformo em Parcimonioso. Eu sou apaixonada por esse novo !! HAHAHA (ri alto).

A fictícia cidade de Derry possui um mal em sua história; e esta história é a própria Derry. Desde os mais remotos tempos, antes mesmo se chamar Derry, as terras que constituem essa cidade possuem um história sobrenatural de mortes e desaparecimentos - em sua maioria, crianças. Os habitantes conhecem, inconscientemente, esse mal mas preferem não confrontá-lo. Eles deixam a Coisa se alimentar a cada vinte e sete anos, eles apenas olham para o lado. Mas sete crianças não coadunam com esse modo pacífico de permitir que mais mortes sejam levadas adiante. Elas lutam, mesmo sem saber o tamanho contra o que estão lutando. Elas superam o medo - o medo que alimenta a Coisa. 

Este livro, além do sobrenatural - que é característica do escritor - trata sobre amizade e lealdade. Sobre enfrentar o medo que paralisaria o corpo, sobre se importar com pessoas que nem conhecem apenas para que este não tenha mais passagem livre no lugar onde vivem suas vidas. 

Sete criança rejeitadas pela sociedade: a menina que apanha do pai, o garoto gordo, o garoto negro, o judeu, o hipocondríaco, o gago e o hiperativo. Um grupo formado apenas uma coisa em comum: todos são odiados pelo mesmo garoto, Henry Bowers. 

Uma das coisas que me encantam em "It, a Coisa" são as várias histórias que contém a história. E, mesmo tendo em Benjamin Hanscom o meu personagem favorito, eu não posso deixar de dar louvores à Mike Hanlon, o garoto que ficou na cidade e se tornou o bibliotecário e historiador do grupo sobre os assuntos que dizem respeito à Derry e a Coisa. As partes denominadas "Interlúdio" são aquelas que mostram a cidade antes de ser aquilo que os meninos conhecem. É no interlúdio que Mike Hanlon se encontra com os antigos moradores e ouve suas histórias sombrias que não podem ser registradas no gravador de Mike Hanlon, o Interlúdio é o lado "B" de Derry que todos querem esquecer. 

"It, a Coisa" é um livro longo em sua narrativa mas vale cada página! 

Omnia Vanitas. 💀

Leitura três..


 Primeiro King do ano ! Primeira leitura de "Saco de Ossos"! Parabéns para mim! ✌

"Saco de Ossos" conta a história de Mike Nooman, um escritor que sofre um bloqueio de escrita depois da morte de sua esposa, Jo.

Uma das coisas que me fascinou neste livro foi o fato de, pela segunda vez - pelo menos dos livros que eu já li do senhor King, ele cita Maugham. Jo e Mike se conheceram na faculdade e ambos gostavam de ler Maugham. Pouco antes de sua morte, Jo estava lendo "Um Gosto de Seis Vinténs" de William Somerset Maugham. Apaixonei! 

Desesperado pelo seu bloqueio, Mike se muda para sua casa de campo em Castle Rock (lugar fictício que é usado em alguns romances do senhor King). E em meio a sua luta em ajudar um jovem viúva a ter a guarda de sua filha, Mike percebe que além de estar contra um magnata (e avô da criança em disputa) ele também está lutando contra o sobrenatural que habita sua casa - e tenta saber quem está assombrando-o além de sua falecida esposa.

Assim com Derry é guiada pela sua história, Castle Rock conhece o seu mal e não o confronta. A cidade se conforma com aquilo que vive, vira o rosto para as injustiças e aceita como normais rituais infantis para pagar sua dívida com seu passado vergonhoso. E claro, há um saco de ossos na história.

Uma das coisas que me chamou a atenção foi como Stephen King apresenta o mundo editorial para o leitor: as manobras de publicação, a luta para se manter entre os "top 10". E, mais uma vez, o senhor King nos deleita com suas várias citações de autores proeminentes do início da década de noventa. 

Essa ambientação do mundo editorial me fez lembrar outra leitura de King: "Angústia"*. Neste livro o autor apresenta toda a força que o leitor tem sobre seu objeto de desejo: o livro. "Angústia" mostra um leitor ávido por ter seu livro preferido em mãos, e, no caso de Annie Wilkes, tem que ser do jeito que ela quer. 

"Saco de Ossos"  é  uma ótima história bem no estilo King de ser. 


Omnia Vanitas. 💀

16 de janeiro de 2020

Trigésima nona leitura, parte II..




Olá, abandonado leitor!

Eu estou me devendo algumas publicações sobre as leituras que concluí - talvez não se preocupe, mas eu me cobro essa ausência.

Para continuar, a última leitura de 2019 foi "Os Estranhos" de Stephen King (para a primeira parte desta leitura, clique aqui). 

A narrativa, a parti desta parte, abrangerá a cidade de Haven. Quando mais Bobbi e Gardener cavam, mas a população da cidade sofre a influência desta descoberta. 
Outros personagens são apresentados nesta etapa e, o principal deles é Ruth McCausland. Para mim,  narrativa sobre Ruth se tornou longa demais, apesar de interessante. Mas a personalidade de Ruth me agradou muito. 

A principal trama da cidade envolve os irmãos Brown: David e Hilly. Hilly é o mais velho e um tipo de menino hiperativo e com um quociente intelectual acima da média. David é um doce menino que idolatra o irmão mais velho e lhe companheiro em quase todas as aventuras. Mas não deveria ter aceitado a ideia de ser ajudante de Hilly ao ser chamado para um certo truque de mágica. 

A figura dos Tommyknockers - ou que quer seja que esteja na nave - não aparece na trama, mas pode-se observar a transformação dos habitantes de Haven. 

Eu quero deixar registrado três citações (que eu percebi) na trama de Os Estranhos que são registros de outros livro do King - sendo que anotei somente duas, visto que a primeira, sobre ka, eu estava desprovida de lápis para registrar a menção feita ao "destino" na saga Torre Negra. Esta referência está na primeira parte de Os Estranhos, e, se minha memória for simpática comigo, está contida em uma frase do Gardener (corrijam-me se eu estiver errada).

A segunda menção é do livro Zona Morta, publicado em 1981:
No decurso de uma conversa com o atendente, ficou sabendo do caso de um sujeito chamado John Smith, que lecionara durante um tempo na cidadezinha perto de Cleaves Mills. Smith permanecera em coma vários anos, tendo despertado com uma espécie de dom psíquico. Perdera a razão alguns anos antes - tentara assassinar um indivíduo chamado Stillson, deputado federal por New Hampshire.
(página 317).
A terceira menção é do livro It, A Coisa:
(...) Tommy começara a ter alucinações; enquanto dirigia pela Rua Wentworth, julgou ser um palhaço sorrindo para ele, de um bueiro aberto de esgotos - um palhaço cujos olhos eram cintilantes dólares de prata e segurava balões de gás na mão enluvada de branco. (página 435).

Por infelicidade, eu terminei esta leitura dia 29/12/19 e, então, além da distância da data desta publicação, foram feitas mais duas leituras posteriormente que não permitem à mim relembrar fatos significativos sobre este livro. Uma segunda leitura? Talvez.


Sem mais para o momento,

Omnia Vanitas 💀



6 de dezembro de 2019

Trigésima nona leitura - parte I ..

I.XII.MMXIX - Praia dos Ingleses, Florianópolis/SC

Olá, leitor anônimo!!

Ainda estou lendo Os Estranhos do mestre Stephen King! Este livro tem três partes, e, como boa neurótica, eu separei as partes para ajudar na leitura e coloquei dias marcados para terminar a leitura: 31/12.
Por ser um mês com feriados, eu decidi que uma programação "básica" não seria uma má ideia! - sem contar que o livro é longo e com uma letra miseravelmente pequena.

Sobre o livro, ele foi publicado pela primeira vez em 1987. Esta edição que tenho (na foto) é a segunda, publicada pela editora Francisco Alves. Ganhei este exemplar de presente faz uns cinco ou seis anos - custava, apenas, R$ 49,90. Atualmente, o valor mínimo é R$ 80,00. Esta obra não é mais publicada no Brasil, por isso o abuso no preço. 
Os Estranhos ou Os Tommyknockes é um livro de ficção científica e muito semelhante aos escritos de H. P. Lovecraft - a quem Stephen King é fã dos livros. Porém, o senhor King odeia esse livro pois foi escrito no auge do uso de drogas pelo senhor King. Ele odeia o livro e diz que lembra pouco sobre o período que o escreveu. O personagem James Gardener é quase autobiográfico.
Para aqueles que gostam do "Stephen King das antigas" este livro é um prato cheio. Há quem considere que ele "perdeu a mão" para escrever terror como na época deste livro - mas este livro faz parte da essência do escritor, mesmo ele achando esse livro horrível.

Apesar de ser um livro maravilhoso, a narrativa possui muitas referências que eu não consigo compreender. Vou deixar um exemplo para que você entenda, leitor:
...Santo Deus, penetrei em uma história de ficção científica, extraída de Histórias Chocantes. Acho que foi por volta de 1947. Terei eu feito a capa? E se fiz, quem me forçou? Virgil Finlay? Hannes Bok?
Finlay e Bok são ilustradores americanos de fantasia, ficção e horror. Entende o que digo, perdido leitor? Em absoluto estraga a leitura, mas ou você passa adiante ou procura algo sobre a referência. Como a maioria da minha leitura é feita nas viagens de ônibus - seis ao total do dia, eu não tenho nenhuma fonte de pesquisa, e, as vezes, não faço questão de procurar.

 Sobre os tommyknockers, eles fazem parte do folclore americano. Segundo Stephen King, mesmo sendo criado longe da terra natal de esposa, Thabita, ambos conheciam a canção sobre os tommyknockers:

“Late last night and the night before,
Tommyknockers, Tommyknockers,
knocking at the door.

I want to go out, don’t know if I can,

Cause I’m so afraid of the Tommyknocker man.”

E, ele deixa avisado:
Haven não é real. Os personagens não são reais. Esta é uma obra de ficção, com uma única exceção:Os Tommyknocers são reais.Se você pensa que estou brincando, é porque não ouviu os noticiários noturnos".

A primeira parte do livro intitula-se "A Nave na Terra".

Os dois principais personagens são Roberta (Bobbi) Anderson e James (Jim) Gardener (Gard).

Ele é um poeta bêbado com tendências suicidas e ela um escritora de romances de faroeste. 

Certa manhã, Bobbi passeia com seu cachorro e tropeça, literalmente, em algo que está no chão da sua propriedade em Haven. 
Apesar de não ser uma mulher curiosa, Bobbi tem sua atenção presa no objeto e não descansa enquanto não descobrir o que é aquilo. 

Enquanto Roberta está descobrindo o que é e como este objeto chegou na sua propriedade, Jim Gardener está em uma excursão de leituras de poesias para angariar fundos para pagar suas contas. E, mesmo não querendo admitir, seu pensamento está na amiga escritora. Algo nele diz que ela corre perigo. Ele precisa voltar! Ele precisa deixar seu suicídio para depois que Bobbi estiver segura!


Nesta primeira parte do livro, toda a narrativa estará voltada para estes dois personagens, e, então, a constatação de que Stephen King é um ótimo contador de histórias fica notória. 
A personalidade e caráter de cada personagem, seus medos, histórias e pensamentos são muito bem descritos e prende o leitor em cada página.


Por enquanto é isso, leitor! Assim que terminar a segunda parte, voltarei! 






17 de novembro de 2019

Trigésima sétima leitura..



Olá, anônimo leitor !!

Fim da primeira leitura de um livro do "Estevão Rei" neste ano! Este exemplar de Escuridão Total Sem Estrelas é especial por ser um presente de uma amiga muito querida! 

Este livro contém quatro contos, a maioria deles - ou todos - já se tornaram filmes. Destes, eu assisti 1922. E, vou repetir o que escrevi sobre este conto lá no Instagram: essa história me lembrou muito Crime e Castigo de Fiódor Dostoiévski. Um homem comete um crime é sua consciência o atormenta tanto que ele sente que a qualquer momento seu ato será descoberto - mas com uma pitada sinistra do mestre King.

A sequencia dos contos é a seguinte:
- 1922
- Gigante no Volante
- Extensão Justa
- Um Bom Casamento.

Com eu não quero dar spoiler, não vou apenas comentar que todos os contos tem um final comum. 

Escuridão Total Sem Estrelas é um livro violento. Assassinato e estupro é o que permeia estes contos do senhor King. 
Eu não quero escrever muito sobre cada um para não dar mancada em revelar algum desfecho; mas vou transcrever o que Stephen King escreveu sobre a inspiração para cada escrita. 
1922 foi inspirado em um livro de não ficção chamado Wisconsin Death Trip (1973), de Michael Lesy, que mostrava fotografias tiradas na pequena cidade de Black River Falls, Wisconsin Fiquei impressionado pelo isolamento rural dessas fotografias e pela severidade e pela privação no rosto da pessoas. (...)Em 2007, enquanto viajava pela Interestadual 84 para uma sessão de autógrafos no oeste de Massachusetts, passei por uma dessas paradas de estrada (...). Quando saí da lanchonete, vi uma mulher com o pneu furado tendo uma conversa ávida com um caminhoneiro estacionado na vaga ao lado. (...)Em Bangor, onde moro, uma via pública chamada extensão da rua Hammond margeia o aeroporto. (...) Há uma área de cascalho ao lado da cerca do aeroporto, na metade da extensão, onde vários vendedores de beira de estrada vêm montando suas barraquinhas ao longo dos anos. (...)A última história  veio à minha cabeça depois de ler um artigo sobre Dennis Rader, o infame assassino BTK (do inglês bind, torture and kill - amarrar, torturar e matar) que tirou a vida de dez pessoas - a maioria mulheres, mas duas eram crianças - em um período de 16 anos. (...) Paula Raider foi casada com esse monstro por 34 anos, e muitas pessoas na área de Wichita, onde Rader cometia seus crimes, se recusaram a acreditar que ela vivia com ele sem saber o que ele fazia.
Explicação para o título da obra:
Na ausência da luz, o mundo assume formas sombrias, distorcidas, tenebrosas. Os crimes parecem inevitávveis; as punições, insuportáveis; as cumplicidades, misteriosas. Os personagens destes quatro contos passas por momentos de escuridão total, quando não existe nada - bom senso, piedade, justiça ou estrelas - para guiá-los. Suas histórias representam o modo como lidamos com o mundo e como o mundo lida conosco. São narrativas fortes e, cada uma a seu modo, profundamente chocantes.

Eu adorei esta leitura, e a rapidez ao terminar o livro se deu por haver várias filas de carros parados me prendendo dentro de ônibus por mais de hora durante a semana!

Omnia Vanitas 💀

25 de agosto de 2017

Décima oitava leitura ..


Olá, leitor do futuro!!!

Herbert George Wells é um desses escritores que ficavam rondando perto de mim. 
Quando li A Coisa, de Stephen King, meu personagem querido - Ben Hanscom - achava que os tubos de esgoto da cidade de Derry lhe lembrava os "buracos de Morloques".
Outra vez, assistindo Todo Mundo Odeia o Cris, o protagonista havia confundindo o livro de H.G. Wells com o filme Homem Invisível.
E, por último, ouvi a menção deste escritor na queridinha minissérie Downton Abbey (pela minha personagem preferida):

E, nessa semana, chegou uma doação para o sebo que continha um exemplar de H.G. Wells - A Máquina do Tempo.

A oportunidade não foi perdida. Tomei emprestado o exemplar e o li durante minha folga. 

"O explorador" chegou ao ano de 802.701 com sua máquina do tempo. E, nesta época, os habitantes da Terra, os Elóis, viviam pacificamente, eram vegetarianos e...infantis. Entre a fisionomia de uma criança e de um adulto quase não havia distinção - e também o sexo não era muito distinto. 
A inocência dos elóis era pedante ao explorador - as flores eram seus presentes e viviam de brincadeira de roda.

E, mesmo em meio a esta inocência, a máquina do tempo foi roubada. À procura da máquina, o viajante encontra outra forma de vida que habitava aquela época, os morloques. 
Enquanto os elóis eram bonitos, de cabelos cacheados, felizes e inocentes; os morloques eram pálidos (por viverem na escuridão e sentirem-se confortáveis com a chegada da noite), maliciosos, agressivos e ...carnívoros.

Este livro apresenta uma crítica de como será a humanidade e de como chegou até o ponto final. Apesar da narrativa contar, em sua maior parte, sobre o ano de 802.701; o explorador viaja em outras épocas, e nenhuma delas trás algum conforto para a raça humana: querido leitor, vamos morrer!

Eu gostei desta história; porém, acrescento que senti falta de detalhes - talvez seja que, a tradução deste exemplar, não é apropriada.

O livro está a venda na loja física Sebo do Portuga, (não online). Custa, apenas, R$ 5,00. 





3 de junho de 2017

Décima Quarta leitura..


"O que eu temia veio sobre mim" Jó 3:25


Olá, anônimo leitor!

Essa semana, eu terminei minha segunda leitura de A Coisa, de Stephen King (e primeira leitura desta edição). 

O livro contém 1.103 páginas; e, para não se perder o ânimo (mesmo a história sendo muito bem escrita), eu coloquei meus bilhetinhos para me guiar na leitura. Separei conforme o índice: as partes e os interlúdios e, ainda, coloquei tiras com anotações que achei interessantes para colocar no blog - não sei se usarei todas, mas foram marcadas para tal - usei essas anotações por se tratar de uma obra de muitas páginas e, se não marcasse, poderia vir a esquecer aquilo que chamou minha atenção na época da leitura. Coisa de leitor. Comecei esta leitura dia vinte e três de abril/2017 e terminei dia primeiro de junho do mesmo ano. 
Houve alguns contratempos na leitura: fiquei uma semana colocando a montagem do meu quebra-cabeça de deua mil peças em dias e, claro, eu também tive que trabalhar no turno do meu marido para que alguns fatos fossem resolvidos por ele. Sendo assim, começo a história.

Durante as férias de verão, em Derry - Maine, sete crianças se reuniram para matar um palhaço assassino.. Pensa nisso, vingativo leitor, que bela redação de "Minhas Férias" estas crianças escreveram (rs). 
Um palhaço, Parcimonioso (em PT; Pennywise na língua inglesa), atraia crianças e as mata alimentando-se do medo delas. E, daqueles que não se deixaram se impressionar pela teia do palhaço, os sete amigos decidiram dar um fim neste personagem circense. 

Por que um palhaço? Segundo a lenda universal, palhaços são seres "assustadores" e os americanos parecem ser os mais assustados em relação a tal personagem. Mas, segundo o Parcimonioso:
...ora, que criança não adorava um palhaço?
Tentei buscar alguma explicação para essa fobia, mas não a encontrei; então, vamos aceitar o medo sem o justificá-lo. E a classe de palhaços se manifestou contra Stephen King e o autor se defendeu:


A primeira parte história começa com as crianças, no ano de 1958, quando as crianças ferem a Coisa no dia dez de agosto daquele ano.  Porém, vinte e sete anos depois, a Coisa volta a atacar a mortal cidade do Maine. Então, Mike, o bibliotecário da cidade, liga para seus seis amigos no dia vinte e oito de maio de 1985 para avisar que aquilo que eles achavam estar morto, voltou. E assim acontece um segundo confronto, mortal para alguns membros deste grupo.

A psicologia utilizada neste livro é muito boa - até mesmo aquelas que aparecem nas entrelinhas. Deixe-me listar alguns, curioso leitor.

O livro fala sobre o medo que alimenta a Coisa. Apesar de se apresentar como um palhaço com balões, o ataque é sempre mortal quando a Coisa se apresenta com o medo particular de cada criança e, também, a uma explicação para o ataque acontecer contra crianças e adolescente:

A Coisa sempre se alimentou bem de crianças. Muitos adultos poderiam ser usados sem saber que foram usados, e a Coisa até já tinha se alimentado de alguns mais velhos ao longo dos anos. Os adultos tinham seus próprios pavores, e as glândulas deles podiam ser invadidas, abertas, para que todos os componentes químicos do medo jorrassem pelo corpo e salgassem a carne. Mas os medos das crianças eram mais simples e normalmente mais poderosos. Os medos das crianças costumavam ser invocados com um único rosto… e se fosse preciso usar isca, ora, que criança não adorava um palhaço?

Essa explicação justifica o medo particular de cada criança: Ben tem medo da múmia, Eddie do leprosos, Mike do pássaro grande, Stan tem medo das crianças mortas na Torre D'Água, Richie tem medo do lobisomen juvenil etc. E, na minha primeira leitura eu achei muito toscos os medos, porém, na releitura eu tive a  sensibilidade de perceber esse fato.
Outras questões que são interessantes de marcar se referem, na minha opinião, ao medo: a Coisa mora nos esgostos de Derry; as sete crianças brincam na saída do esgosto da cidade; a bicicleta de Bill fica guardada  embaixo de uma ponte; o clube secreto se esconde em um buraco no chão.
A simbologia desses pontos foram relacionados, por mim, ao medo por estarem sempre "para baixo". O medo é algo que fica escondido embaixo de uma camada de coragem.
A lembrança que os personagens tem dos fatos que os uniram é algo bloqueado na mente deles. A recordação foi bloqueada quase no momento seguinte que eles se separaram depois ferirem a Coisa. A amizade não seria mais tão sólida pois o que os unia - o medo - foi dissipado. Quando adultos, não se lembram mais uns dos outros até o momento que Mike faz a ligação tão temida: a Coisa atacando novamente. Assim, as lembranças das desventuras que o grupo viveu foram surgindo lentamente na vida de cada personagem conformem conversavam sobre o assunto ou visitando os locais nos quais tinham vivido naquela época. O medo é tratado como um trauma que não permite que a lembrança seja "viva" para não paralisar o indivíduo - como se estevessem em uma espécie de coma. Stan diz que o ele vive, na adolescência, deve ser recusada por ser uma ofensa. Achei essa definição sobre o assunto muito peculiar. Eis o trecho:

"É com a ofensa que você talvez não consiga viver, porque ela abre uma rachadura dentro do seu pensamento, e se você olhar dentro dela, vê que há coisas vivas ali, e elas têm olhinhos amarelos que não piscam, e tem um fedor naquela escuridão, e depois de um tempo você acha que talvez haja um outro universo lá dentro, um universo em que uma lua quadrada sobe no céu e as estrelas riem com vozes frias e alguns dos triângulos têm quatro lados, e alguns têm cinco, e alguns têm cinco elevado a cinco lados. Nesse universo, podem crescer rosas que cantam. Tudo leva a tudo, ele teria dito para os amigos se pudesse. (...) Pareceria uma ofensa".

O livro aborda o racismo contra judeus e negros e, também, a violência contra a mulher. Deixe-me descorrer um pouco sobre este último tópico.
Bevvie era agredida pelo seu pai e, ao casar, o marido fazia o mesmo. Uma das coisas que mais chamou muito minha atenção foi a amiga de Bevvie: uma feminista que lucrou com um divórcio e fazia propagandas em favor da libertação da mulher de esteriótipos machistas. Porém, não é isso que chamou minha atenção. Essa amiga, Kay McCall, aconselhava Bevvie a largar o marido, Tom. Os discursos de "como você pode viver com esse homem", "chute a bunda dele", "reaja!" etc eram os mais dirigidos à vítima; mas, de repente, tudo mudou. Quando Beverly recebeu a ligação de Mike, ela deixa Tom para trás - depois da violência habitual, mas, desta vez, contra Tom.  A fugitiva corre para a amiga, pedindo dinheiro emprestado para voltar ao Maine etc e tal. Em tudo, Kay ajuda. Mas uma coisa a feminista não contava: Tom foi atrás dela.
Todo o seu feminismo não a salvou. O marido violento de Bevvie lhe aplicou a violência mais forte que eu capaz de utilizar naquele momento e, o resultado, foi que o medo a privou de denunciar o agressor. Sou contra a violência doméstica, mas sou contra, principalmente, as pessoas que pregam "a liberdade" mas não sabem lidar com o psicológico que a vítima sofre.

A união dos amigos é uma junção dos excluídos, eles apelidaram seu grupo como o Clube do Otários. Bill é gago, Richie é pirado, Eddie é hipocondríado, Ben é gordo, Stan é judeu, Mike é negro, Bevvie sofre violência doméstica. É um grupo de discriminados.

Notas mais pessoais sobre essa leitura:
- personagem preferido: Benjamin Hanscon
- parte preferida: o balão que estoura na biblioteca quando Mike escreve suas anotações (interlúdios)
- capítulo preferido: todos os interlúdios.
- capitulo mais tosco: a cena de sexo para encontrar o caminho para casa (??)

Stephen King aborda temas muito relevantes, além do medo patológico por palhaços - e é isto que eu amo nesta obra.

Esta é minha visão de A Coisa, determinado leitor. Leia!

Omnia Vanitas

17 de novembro de 2016

Nostalgia..


O que lhe traz nostalgia, saudoso leitor?

Eu visitei minha mãe no último final de semana e, mais uma vez, entrei no meu escritório e vi meus livros; todos lindos e, alguns, esperando por 2017.
Subi no braço do sofá para alcançar as prateleiras e peguei alguns para folhear. Tão lindos. Quanta saudade dos dias que eu os li. A maioria está significativamente cravado em minhas recordações:

- Misery, em um janeiro quente, na varanda da casa dos meus pais. Tantos chás gelados para aplacar o calor do verão insano. Noites e dias, dias úteis e finais de semanas, todos tão deliciosos. Ou quando li Desespero e chorei copiosas lágrimas no final da leitura (I João 4:8). As madrugadas lendo IT, A Coisa.

- Histórias dos Mares do Sul, do meu amado Maugham. Cada história enchendo meu coração de alegria e paz. Ah King durante uma virada de ano ao lado da minha cachorrinha, a Costelinha.

- O dezembro que reli O Hobbit e vim rindo no ônibus porque Bilbo chegou na casa de Beor. As noites de chuva de Setembro quando li O Senhor dos Anéis.

Essa é a magia dos livros sobre mim: ao primeiro toque ou no primeiro olhar, eu recordo o momento feliz que passei na (re)leitura dele.

Omnia Vanitas

6 de novembro de 2016

A Lista de Adelita


Voltei!

E estou com uma dúvida cruelíssima! Que livros ler em 2017?

No ano que vem, eu me comprometi a ler todos os livros que eu já li (e tenho); ou seja, 2017 será um ano de releituras. Será maravilhoso poder ler os livros que me encantaram .. mas, QUE LIVROS DEVO ESCOLHER??

Vou ler Maugham: mas que livros de Maugham devo ler? Amo todos que li: O Véu Pintado, O Fio da Navalha, Ah King, Histórias dos Mares do Sul ..nossa! Tudo de Maugham eu amo!

E Stephen King? Meu primeiro livro foi O Cemitério, adorei Desespero, Cujo, O Iluminado, A Coisa, Misery .. tudo!

E Tolkien? O Hobbit, Silmarillion ou a trilogia do Anel? Todos? E Contos Inacabados, Mestre Gil de Ham, Roverandom..??

E as irmãs Brontë? E Jane Austen?

E ainda tem Dostoièvski, Melville, e ainda tem a literatura brasileira: Machado de Assis, José de Alencar, Rachel de Queirós, Aluísio Azevedo e .. e.. tantos livros e apenas 365 dias. Que injusto! Que cruel!

Sem contar que não posso deixar minhas leituras em francês paradas para não retroceder .. então, ou releio tudo o que li em francês ou terei problemas em mantes o vocabulário que aprendi até agora!

A vida é cruel com leitores compulsivos e ansiosos!

Omnia Vanitas!

25 de agosto de 2016

Stranger Things..



Meua-migo, eu adorei Stranger Things. É uma série muito, mas muito nerd! Eu viajava nas citações literárias que faziam - muitas sobres os livros do Tolkien! ...Ça va, vou respirar um pouco e me concentrar! 

Lá vai! 

Stranger Things é uma série original da Netflix que está sendo a queridinha do momento. Todos a amam - principalmente aquela galera que ama os anos 80! Toda a ambientação {carros, móveis, gírias, maquiagem, vestuário ...tudo!} é uma deliciosa reverência aos anos 80. 
A caracterização é do século XX mas os efeitos especiais são do século XXI. Essa afirmação pode ser óbvia, mas acredite, leitor nerd, há filmes atuais que mais parecem encenados no século passado! 

Mas, vamos lá! 
Stranger Things conta  a história de quatro crianças nerds que adoram RPG. 
Nessa época, 1983, era uma maravilha (e não estou sendo irônica). Nada de celulares, mensagens de texto e essa tecnologias que idiotizam.. Tudo na base do bom e velho telefone de disco, walkie-talkies e ...bicicleta! Dá vontade de sair pedalando só de assistir esses meninos fugindo de camelo! 
Porém, nem tudo são flores. Um dos meninos desaparece e toda a cidade se movimenta para encontrá-los. 
Se eu escrevesse apenas isso, a série pareceria O Resgate de Jéssica, mas quando alguém meio perturbado mergulha na mente de Stephen King + monstros de Tolkien + anos 80 = boa coisa não sai disso! {Poderes paranormais é o mínimo que se pode esperar}.
Um universo paralelo se abre e Onze entra em cena. Uma menina (chamada de Onze) aparece na floresta (Floresta das Trevas) onde Will (o garoto nerd) sumiu. Ela é fruto de uma experiência do governo! Óbvio! Ainda bem que eu assisti muito a série Arquivo X  e sei que eles são capazes de tudo! Mulder me ensinou! Ainda falando em Arquivo X, o tema de abertura faz eu me lembrar da série de Chris Carter. 
Mais uma curiosidade são as teorias de conspiração = tudo e todos são monitorados pelos agentes federais.. The Big Brother is watching you, man! 
Mas calma.. tem romance também. 

Recomendo. Sem contar que são apenas oito episódios. 

Omnia Vanitas

11 de julho de 2016

O Domo..


Pensa em um seriado chato! vixi !

Tem spoiler !

Decidi e convenci meu marido a assistir Under the Dome, um seriado baseado no livro de Stephen King. Meu conforto era saber que o seriado estava muito longe de ser semelhante ao livro. Quando o seriado chegou ao público, devotos do senhor King já anunciaram que a atração televisiva era uma blasfêmia contra o livro - mesmo tendo Stephen King como produtor executivo do projeto {até a metade da segunda temporada, pelo que notei}.

Chato! Muito mimimi de adolescente e gente tola! E, também, o personagem Big Jim mata metade da cidade, todos ficam sabendo e continuam pedindo o conselho dele sobre o que fazer debaixo do Domo. "Domo"... eita palavra que me irritou. Assistimos na versão dublada e eu tive que suportar essa palavra durante três longas temporadas.
Meu personagem preferido morreu no final. Estávamos torcendo por ele, meu marido e eu! Gostamos do menino! E toda vez que ele aparecia nós gritávamos: JÚÚÚÚÚNIOR!!! hahahaha. Tadinho. James, o Júnior, era um menino que não tinha independência: mandado pela namorada, pelo pai, pela morta, pela abelha rainha .. tadinho! Nós torcemos mas um bom final para ele! .. RIP JÚÚÚÚÚNIOR!!

O seriado {e o livro} conta a história de uma cidade que foi isolada por uma REDOMA invisível. É um Big Brother sobrenatural no estilo Stephen King {o livro, não o seriado}.

Mas tinha algo legal? Não! Duas cenas se destacaram:

- Primeira cena. No ínicio da segunda temporada, a ex-namorada do JÚÚÚÚÚNIOR está servindo café na lanchonete quando um homem lhe pede café. 
Emocionante, né!
Mas não é um homem qualquer, ele é STEPHEN KING FOR GOD SAKE!!!! Eu gritei, histérico leitor! Gritei! Meu marido ria e tentava me conter, mas eu apenas sabia gritar: 
- É STEPÃN! É ESTEPÃN!  Vou servir café para ele .. Olha, amor!!! É ele !!! ... 
Pareci, leitor, que eu estava vendo o homem em pessoa na minha frente! Coisa de leitor histérico!

- Segunda cena. Essa foi engraçada! Big Jim, o pai do JÚÚÚÚÚNIOR, encontrou um cachorro {ou o cachorro encontrou Big Jim, não sei}. E, na terceira temporada, ele e Julia estão em uma casa que servia de laboratório quando Big Jim ouve o cachorro latir e sai pela porta para ir ao encontro do animal. Euforia de ambos..ninguém teve o senso de editar esta cena que aparece o cachorro excitado.
hahahaha .. paciência ! 

Antes da segunda temporada terminar, a gente já estava cansado de ver o seriado; mas, por ter apenas três temporadas no total, resolvemos ir até o fim pois eu queria dizer aqui que:
             nada se salva nesse seriado. leia o livro.
Omnia Vanitas.

26 de junho de 2016

Maupassant ..



Fim de leitura.

Pela primeira vez eu li um livro do escritor Guy de Maupassant. No tempo que eu era estudante na Aliança Francesa, emprestei na biblioteca um livro deste francês, Une Vie; porém, não consegui ter tempo para ler - nas duas tentativas que me dei para fazer esta leitura.

A leitura que fiz foi Cinq Contes, em francês fácil; ou seja, adaptado para um nível de aprendizagem da língua francesa; neste caso, B1. Comecei a leitura na sexta-feira e achei o primeiro conto, Toine, divertido; mas o final do conto eu achei sem graça.

O livro tem os seguintes contos: Toine, Le Papa de Simon, La Bête de maître Belhomme, Le Ficelle e L'auberge. 

Os contos terminam, na minha opinião, sem um pouco de nexo - exceto o último conto.  Então, deixe-me escrever uma pequenina sinopse, curioso leitor.

Um hotel precisava ser desocupado pois o inverno havia chegado e estava se tornando mais rigoroso. Cinco ocupantes estavam arrumando seus pertences para deixar o estabelecimento: as mulheres seguiriam até a vila com um acompanhante e,  dois homens permaneceriam em um albergue/pousada nas redondezas. Com o desaparecimento de um dos homens {Gaspart Hari}, seu companheiro {Ulrich Kunsi} sai à procura do amigo, porém, não o encontra. E, sozinho, ele se confronta com seus medos e delírios que o levam a tomar atitudes alienadas.

Eu gostei muito deste conto por apresenta o confronto que o ser humano tem consigo e seus medos quando se está longe de uma sociedade. Sem contar que eu lembrei de um livro de Stephen King quando a história começou - será que preciso dizer que se trata de O Iluminado? ;)

C'est ça!!

Omnia Vanitas.


Sobre o Autor.
   

16 de março de 2016

Machadão ..


Ocupado leitor, estou eu lendo um livro de Stephen King chamado A Hora do Vampiro*, quando uma citação sobre uma mãe leitora de Jane Austen chama minha atenção. Achei divertido e iria postar o trecho sinalizador do gosto literário em comum com a personagem, porém, em alguns parágrafos depois, eu me deparei com uma frase que chamou minha atenção. Continuo...

Se você, leitor tupiniquim, gosta de Machado de Assis, deve estar familiarizado com trechos virais como: Olhos de cigana oblíqua e dissimulada.. ou Ao vencedor, as batatas!
Então, estou eu lendo Stephen King no conforto do meu lar quando uma frase muito Machadiana pulula na minha frente! Ei-la:

"A criança é o pai do homem". 

Isso é muitíssimo Machado de Assis. É uma citação clássica (e viral) de Memórias Póstumas de Brás Cubas - recomendo.
Então, eu, aqui comigo, pensei: será que Stephen King leu Machado de Assis? Pode ser, porque não? 
Fucei um pouco a net para saber se a frase é de autoria extra-machadiana. Nada encontrei. Prefiro achar que Memórias Póstumas de Brás Cubas já passou nas mãos do senhor King.

Para não perder a ida à net, eu achei esse trecho interessante que dispõe um pouco desta máxima filosófica de Machado de Assis. 

Segue..
O menino é pai do homem. Esta afirmação que está em um livro de Machado de Assis, é repleta de verdades.  Sim, o menino é pai do homem que será, o homem é filho dos sonhos pretéritos e perspectivas do menino. 
Quem quando criança, já não tinha decidido para todo o sempre, (sempre que poderia durar uma hora) qual seria sua profissão, se iria casar, quantos filhos teria, onde moraria? Queríamos ser bombeiros, astronautas, atores ou iguais ao pai ou a mãe ou outra pessoa, porque encontramos neles modelos de perfeição... E estes desejos sempre são voltados para o bem.
Certo é, que muitas dessas decisões que são levadas tão à sério acabam sendo mudadas, senão pelas circunstâncias ao longo da vida, que às vezes podam nossos sonhos ou porque optamos por caminhos diferentes, porém o menino permanece. 
Permanece, porque é nele que vamos encontrar lembranças, forças para realizar um antigo desejo, para contar estórias e histórias aos filhos, que sempre começam com "quando eu era criança...".
Se quando crianças nos espelhamos principalmente em nossos pais, aí está um bom motivo para ressaltar a importância dessa pessoa que pode ajudar a ditar o rumo da vida de alguém: o pai.
Deus, também como Pai, deu aos homens o que representa toda sua divindade, o firmamento de sua criação: gerar filhos.
Ter filhos, não é só ter descendentes que perpetuarão pelo mundo suas características genéticas, seu nome, sua tradição. Ter filhos é divino, um presente de Pai para pai, é uma missão de continuidade. Os filhos são presentes de Deus. E um presente deve ser preservado com muito cuidado, o presenteado deve ter aquele olhar de menino, de saber que ele conduzirá o percurso daquele ser que lhe foi confiado.
Aos pais cabem honrar a extensão da criação divina, para que seus filhos possam lhes dar a certeza de que foram dignos da missão. Aos filhos, cabem retribuir aos pais, tudo de bom que lhes foi dedicado e estender aos descendentes, os atos bons de seus pais e corrigir as falhas.
Citei Machado de Assis acima, e agora cito novamente, com uma frase de sua autoria que ficou muito conhecida: "Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria". Que não seja assim, pois ter filhos, é transmitir o legado da essência de Deus.
Omnia Vanitas.

*Salem's Lot

20 de fevereiro de 2016

Parecido, né..



Em algum dia dessa semana, enquanto eu lia A Dança da Morte me deparei com um trecho da trama que me lembrou outro livro. A semelhança foi tanta que até fui buscar o trecho deste outro livro na net, pois não tenho tenho o livro na minha estante.
Trata-se do livro de Khaled Hosseini é o autor de O Caçador de Pipas e outros livros, mas, é neste que quero falar especificamente.

Deixe-me transcrever os textos, enigmático leitor:

..de Hosseini:

Existe apenas um pecado, um só. E esse pecado é roubar. Qualquer outro é simplesmente a variação do roubo. Quando você mata um homem, está roubando uma vida. Está roubando da esposa, o direito de ter um marido, roubando dos filhos um pai. Quando mente, está roubando de alguém o direito de saber a verdade. Quando trapaceia, está roubando o direito à justiça [...]

..de King:

O pai do pecador é o roubo; cada um dos Dez Mandamentos reduzia-se a "Não furtarás". Matar era o roubo de uma vida, adultério era o roubo de uma esposa, a cobiça sendo o roubo secreto, sorrateiro, que ocorria no fundo do coração. Blasfêmia era o roubo do nome de Deus, surrupiando da Casa do Senhor e enviado a percorrer as ruas como uma prostituta empertigada.

Percebeu, perspicaz leitor, a semelhança (quase igualdade) de pensamentos? Se refletirmos sobre este assunto, eu e você, e a palavra "cópia" surgir em meio ao devaneio, eu diria que foi Hosseini que copiou King - já que A Dança da Morte teve sua primeira publicação em 1978 e 1990. Mas eu duvido que se trate de cópia..acho que foi uma bela e literária coincidência.

Omnia Vanitas.

17 de fevereiro de 2016

Stephen e sua visão sobre Deus ..

Stephen King


Stephen King me impressiona com a sua visão literária sobre Deus.
Quando eu li Desespero, eu simplesmente achei fantástico o olhar que ele lançou sobre a fé cristã e suas motivações. Eu já escrevi sobre esse livro, mas ficou mau escrito e eu não quis recuperar. Se tiver vontade lê-lo, clique aqui. Continuando ..

Lendo A Dança da Morte, eu não pude deixar para  o final do livro o que quero escrever agora (sobre esse tema isolado).

Há dois personagens que separam os sobreviventes do Capitão Viajante: Abagail Freemantle e Randal Flagg .Abby, como a chamam, representa o labo branco da força; logo, o senhor Flagg é o lado negro desta.

Durante um devaneio, Abby começa a meditar sobre tudo o que está acontecendo ao seu redor: os pequenos grupos estão chegando com mais agregados, formando assim uma pequena comuna viajante até chegarem onde Abby, que decisões devem ser tomadas (por ela?), o que Deus pretende fazer etc.. e é nesse ponto que eu acho Stephen King fantástico. Gostaria de deixar toda a narrativa aqui, mas seria enfadonho parra alguns e talvez o foco ficasse disperso; então, deixe-me escrever somente alguns trechos, preguiçoso leitor.

Deus trabalhava com discrição, utilizando meios que fossem do Seu agrado. Agradara-Lhe deixar que os Filhos de Israel suassem e se vergassem ao peso do jugo egípcio durante gerações. Agradara-Lhe enviar José para a escravidão, seu belo capote multicolorido rasgado rudemente de suas costas. Agradara-Lhe permitir que Jó recebesse a visita de cem pragas, como fora do Seu agrado permitir que Seu único Filho fosse pendurado a uma cruz com uma piada de mau gosto escrita sobre Sua cabeça. 
Deus era um jogador — se tivesse sido um mortal, estaria à vontade debruçado sobre um tabuleiro de xadrez do alpendre do armazém de Pop Mann, lá em Hemingford Home. Ele tanto jogava com peças vermelhas ou pretas, pretas ou brancas. Abby refletiu que, para Ele, o jogo mais do que justificava o esforço, o jogo era o próprio esforço. Ele prevaleceria quando julgasse chegado o momento certo. Só que não necessariamente neste ano ou nos próximos mil anos... e ela não iria superestimar a habilidade e a astúcia do homem escuro. Se ele era gás néon, então ela era a diminuta partícula de poeira negra que uma pesada nuvem de chuva forma sobre a terra ressequida. Apenas outro soldado raso — e há muito passado da idade de ser reformado, era verdade! — a serviço do Senhor.
— Seja feita a Vossa vontade! — disse ela e enfiou a mão no bolso do avental e tirou um pacote de amendoim.
 Boa, Stepã!

Então, querido leitor, precisamos ver que Deus age como e quando quer. Até o silêncio de Deus é ação!  E, quando dizemos que Deus é assim ou assado, precisamos entender que:

I - Nunca saberemos como Deus é em sua plenitude
II - Precisamos aprender a conversar sobre Deus, sabendo que ele utiliza cada expressão de fé como manifestação - quer você goste ou não.

Outra coisa que me deixa encantada nesta leitura é o seguinte: Abby está tranquila quando não consegue compreender tudo porque ela sabe que Deus está no controle e, se ela só sabe o que lhe cabe é porque ..leia isso:

Não fazia ideia do que poderia ser; não seria da vontade de Deus que visse isso, de maneira que o assunto não devia ser importante ao plano Dele para aquela comunidade.

Então eu lhe escrevo, sábio leitor: não fique esperneando sobre as coisas pois como diz o pregador (filho do rei Davi) tudo é vaidade de correr atrás do vento (omina vanitas..). Não se contente em saber pouco, não perca o ânimo e fé; apenas saiba que nunca saberás de tudo...e por algum motivo.



Omnia Vanitas.




15 de fevereiro de 2016

A Dança da Morte: Livro I ..


Fim da leitura do primeiro livro de A Dança da Morte, de Stephen King.
Este livro é dividido em três outros livros. 
O primeiro se chama: Capitão Viajante.
Este é um dos nomes que o vírus da gripe que está matando mais da metade da civilização humana na face da Terra. Que sorte, marcianos!!

Bom, a história é assim. Uma família foge do centro de pesquisas e espalha um vírus mortal por todo o país (que atinge o mundo inteiro). Desta catástrofe, o Capitão Viagem, sem saber como, poupa alguns mortais. Gostaria de escrever que o joio e trigo são separados com esta doença, mas...não. Indiferente ao caráter, o mundo está habitado por pouquíssimas pessoas que, a partir de um encontro inesperado entre si, estão tentando encontrar outras pessoas e fugir da solidão. Incrível como um mundo egoísta quer fugir da solidão.
Porém, em meio a esta fuga e busca, algo muito interessante acontece: tudo está disponível! Lojas de artigos variados, farmácias, revendedoras de veículos, blá blá blá ...tudo disponível para quem estiver vivo. Exceto a energia elétrica.

Então, além de haver um funil humano, há também as condições em que esses escolhidos precisarão se adaptar. A falta de alimento fácil (desde a comida pronta congelada até a produção de novos ítens). Alimento enlatado é a resposta imediata a necessidade vigente. Adeus as cervejas e refrigerantes gelados.
Aos poucos, os carros são dispensáveis e apenas "sobrevivem" as motos e as bicicletas (e os pés para longas caminhadas).

O que eu achei muito interessante, o fato das pessoas invadirem lojas de produtos que lhes agradavam.
Saudável leitor, se eu sobrevivesse a uma virose deste tipo, as livrarias seriam esvaziadas (rs). Que delícia!! Um mar de livros à minha disposição. Acho que eu faria uma visita ao Sebo do Messias (em São Paulo) para buscar algumas raridades que ele tem lá para formar minha biblioteca. E que biblioteca seria, querido leitor! Imensa! Completa! Perfeita! 

Voltando ao livro, há algo que une os sobreviventes: um sonho. Cada sobrevivente tem um sonho com dois personagens: o homem escuro e a velha negra. São esses dois personagens que permeiam o livro dois. Logo que eu terminar a leitura deste livro, eu contarei as novidades.

Omnia Vanitas.

28 de janeiro de 2016

Marcadores de Distração..



Cá estou eu lendo mais um livro de monsieur King. Porém, este é um livro muuuuito longo! Estou falando de 940 páginas de história de ficção.  E, para leituras longas (exceto quando se trata da leitura do volume único de O Senhor dos Anéis) é preciso uma estratégia de distração.

Leituras longas podem ser cansativas. Eu sei que Jane Austen diria que "um livro bem escrito nunca é longo o bastante", mas, deixe-me escrever algo a respeito.

Este livro possui 940 páginas de narrativa e, por ansiedade talvez, ele se torne longo demais para atingir o clímax final. Então, para me distrair e deixar a leitura seguir seu fluxo até a linha final, eu adquiri um hábito: marcadores.

A primeira maração é sobre as mortes que acontecem na obra. Oras bolas, se o título é A Dança da Morte, quero marcar os passos desse baile (rs - trocadilho besta). Mas esta foi minha primeira marcação. 
Peguei papéis avulsos da cestinha de trecos + fita adesiva dupla face + lápis e pronto! Marcação feita.
Depois, para incrementar mais minha leitura, eu coloquei outros marcadores para assinalarem onde começa cada livro (a obra é dividida em três livros com datas distintas) e, por último, eu coloquei marcadores para registrar onde meus personagens preferidos (Stuard, Frannie e Nick - por enquanto apenas esses três) estão em cada capítulo da história!

Que mente brilhante!! HAHAHA Eu sei que parece tola a ideia mas, deixe-me dizer que não tem coisa melhor do que brincar enquanto se lê! 

Então, boa leitura para mim! 

Omnia Vanitas.



26 de janeiro de 2016

Outono da Inocência..

Cena do filme "Conta Comigo"

Se você, velho leitor, cresceu nos anos 80 conhece muito bem a cena deste filme "Conta Comigo". 
Quatro amigos saem em uma "aventura": ver o corpo morto de um menino da idade deles, Ray Brower, 12 anos.

Durante esta excursão nada convencional, eles passam por situações que colocam o caráter de cada um em "check": a coragem, as frustrações, medos.. e o destino que o enigmático Chris (personagem de River Phoenix) traça para cada um de seus colegas é conclusivo. 

Durante a leitura, eu encontrei as frases clássicas que qualquer página de internet joga quando você digita o nome do filme/livro; porém, eu quero registrar a passagem que mais gostei - sinto muito se você a achará macabra, aventureiro leitor. Segue:
"Aquilo finalmente me fez cair na realidade. O menino estava morto. O menino não estava doente, o menino não estava dormindo. O menino não ia mais levantar de manhã nem levar bronca por ter comido maçãs demais ou por ter pego uma planta venenosa ou usado caneta que apaga na prova de matemática. O menino estava morto, mortinho. O menino não ia mais sair com os amigos para passear na primavera, mochila nas costas, catar coisas que a neve deixava descobertas quando derretia. O menino não ia acordar às duas da manhã de primeiro de novembro desse ano, correr para o banheiro e vomitar o doce barato do Dia das Bruxas. O menino não ia puxar a trança de uma menina na sala de aula. O menino não ia dar nem receber um soco no nariz que fizesse sangrar. O menino era não pode, não, não vai, nunca, não deve, não deveria, não poderia. Era o lado negativo da pilha. O fusível queimado. A cesta de lixo da mesa da professora, que sempre cheira a lápis apontado e cascas de laranja do lanche. A casa mal-assombrada no campo de janelas quebradas, aviso de NÃO ULTRAPASSE nos campos, o sótão cheio de morcegos, o porão cheio de ratos. O menino estava morto, senhores, senhoras, jovens e senhoritas. Eu podia ficar o dia inteiro sem conseguir precisar a distância entre seus pés descalços no chão e os tênis sujos pendurados no arbusto. Eram mais de metros infinitos, zilhões de anos-luz. O menino estava desligado dos tênis sem nenhuma esperança de reconciliação. Estava morto".
Talvez seja isso, apenas a eminência da morte - aquilo por que buscaram estava na frente deles: a morte, nua e crua na figura de um menino igual a eles. E, ao longo da leitura, durante as aventuras, talvez eu tenha esquecido de Ray Brower por algumas páginas porque eu estava curtindo a aventura. Mas no fim havia a morte, a eminente e temida morte.

Chris Chambers foi um daqueles personagens que custo a esquecer  pois ele consegue ver através de um véu que poucos se dão ao trabalho de olhar: a vida. Algumas coisas estão bem claras a nossa frente, mas deixamos de observá-las para curtir a viagem ou apenas porque não acreditamos em nós mesmos.

Eu adorei a leitura deste conto.

Omnia Vanitas.



Verão da Corrupção..

Cena do filme "Aluno Inteligente"

Qual é o limite?

Neste conto de Stephen King, um estudante de 13 anos bate à porta de uma casa e, ao ser atendido ele encara um homem que mudará sua vida.

Todd é o estudante mais inteligente da sua classe e, também, é a alegria de seus pais. Todd tinha um sonho: ser detetive. Porém, durante um certo verão, os sonhos mudam e tornam-se pesadelos diários.
A curiosidade se intensifica e toma proporções mórbidas e fogem do domínio do pupilo.

Arthur Denker (seu nome é falso) é a presa e o carrasco de Todd. Ambos sentem-se ligados através dos sonhos e ambições. 

Tudo muda quando o limite é ultrapassado.


19 de janeiro de 2016

Primavera Eterna..

Cena do filme "Um Sonho de Liberdade"

Aaaa-êêêêê ... Sábado, no início da madrugada, eu terminei o primeiro conto do livro Quatro Estações do mestre Stephen King. Adorei! Eu já era fã de carteirinha do filme (que teve por base o conto Primavera Eterna) Um Sonho de Liberdade, mas, depois de ler o conto que originou o filme, eu estou muito apaixonada! Andrew Dufresne é um mito!

O conto é narrado por Red, um dos prisioneiros de Shawshank e amigo de Andy. Mesmo com a amizade entre os dois, há coisas sobre Andy que Red ouviu de outros (afinal de contas Red não era onipresente) e algumas coisas que ouviu do próprio amigo e, outras, eu imaginou que aconteceram.

Andrew Dufresne foi preso em 1948 após ser julgado culpado pelo assassinato da sua esposa e do amante dela. Duas perpétuas - uma "porcada".

As aventuras e desventuras deste bancário condenado é o que compõe a narrativa do conto. Red descreve o caráter singular de Andy, sua personalidade centrada e diferente de tudo o que já viu durante os anos de sentença que cumpriu em Shank.

O que é adorável nos contos e romances de Stephen King, pelo menos na minha humilde e delimitada opinião literária, é o fato de ele não se esquecer dos seus personagens ou lugares ou situações. 
Exemplos rápidos: Se você leu Misery (Angústia), perceberá, distraído leitor, que o senhor King faz menção ao famoso e assombrado hotel do seu livro O Iluminado.
Se você leu Desespero, perceberá que ele faz menção de Os Estranhos; em A Incendiária há a lembrança do medonho palhaço de It - A Coisa.
Neste livro, no segundo conto - Aluno Inteligente, Stephen King não esqueceu do seu enigmático presidiário Andrew Dufresne. Leia:

Ações que comprei depois da guerra com outro nome. Através de um banco no Estado do Maine, e quer saber. O banqueiro que me vendeu foi para a cadeia porque matou a mulher, um ano depois que as comprei... a vida às vezes é estranha, hem, garoto?
(...) 
Todas escolha do banqueiro. Dufresne, era o nome dele — me lembro, porque soa um pouco como o meu. Parece que não era tão esperto em matar mulheres como era em escolher ações em alta. Crime passional, garoto. Isso prova que os homens são todos mulas que sabem ler.

Por essas e outras que Stephen King é rei na minha biblioteca! O cara sabe escrever ! E muito bem !!!
O conto é extraordinário e o filme não está longe de ser aplaudido.

Omnia Vanitas.

Os Meninos da Rua Paulo - Prefácio

  Olá, abandonado leitor!  Comecei neste final de semana a leitura de "Os Meninos da Rua Paulo". Ainda não cheguei na página 50, a...