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3 de abril de 2021

Leitura quatro..


 Olha quem voltou a reler um livro!!! Eu não aprendo mesmo ! 


Depois de ler sobre a Castle Rock tomada por seu mal, nada melhor que ler Derry tomada por Pennywise!

Primeiramente, preciso informar que minha primeira leitura de "It, a Coisa" é da editora Francisco Alves. Neste exemplar, o nome do palhaço foi traduzido para o português. Eu acho isso maravilhoso! Ou seja, Pennywise, nesta tradução da editora Francisco Alves, se transformo em Parcimonioso. Eu sou apaixonada por esse novo !! HAHAHA (ri alto).

A fictícia cidade de Derry possui um mal em sua história; e esta história é a própria Derry. Desde os mais remotos tempos, antes mesmo se chamar Derry, as terras que constituem essa cidade possuem um história sobrenatural de mortes e desaparecimentos - em sua maioria, crianças. Os habitantes conhecem, inconscientemente, esse mal mas preferem não confrontá-lo. Eles deixam a Coisa se alimentar a cada vinte e sete anos, eles apenas olham para o lado. Mas sete crianças não coadunam com esse modo pacífico de permitir que mais mortes sejam levadas adiante. Elas lutam, mesmo sem saber o tamanho contra o que estão lutando. Elas superam o medo - o medo que alimenta a Coisa. 

Este livro, além do sobrenatural - que é característica do escritor - trata sobre amizade e lealdade. Sobre enfrentar o medo que paralisaria o corpo, sobre se importar com pessoas que nem conhecem apenas para que este não tenha mais passagem livre no lugar onde vivem suas vidas. 

Sete criança rejeitadas pela sociedade: a menina que apanha do pai, o garoto gordo, o garoto negro, o judeu, o hipocondríaco, o gago e o hiperativo. Um grupo formado apenas uma coisa em comum: todos são odiados pelo mesmo garoto, Henry Bowers. 

Uma das coisas que me encantam em "It, a Coisa" são as várias histórias que contém a história. E, mesmo tendo em Benjamin Hanscom o meu personagem favorito, eu não posso deixar de dar louvores à Mike Hanlon, o garoto que ficou na cidade e se tornou o bibliotecário e historiador do grupo sobre os assuntos que dizem respeito à Derry e a Coisa. As partes denominadas "Interlúdio" são aquelas que mostram a cidade antes de ser aquilo que os meninos conhecem. É no interlúdio que Mike Hanlon se encontra com os antigos moradores e ouve suas histórias sombrias que não podem ser registradas no gravador de Mike Hanlon, o Interlúdio é o lado "B" de Derry que todos querem esquecer. 

"It, a Coisa" é um livro longo em sua narrativa mas vale cada página! 

Omnia Vanitas. 💀

Leitura um..


 

Este é um livro que eu posso reler várias vezes e sempre será a primeira vez. 

"O Véu Pintado" de William Somerset Maugham conta a história de Kitty Fane, uma garota que é desejada por todos os rapazes do seu círculo social mas, sentindo-se ameaçada pelo casamento da sua irmã mais nova (e desajeita) resolve aceitar como marido - para casar antes da irmã - Walter Fane. 

O casamento não lhe agrada mas ela o vive de forma suportável; porém, um novo contato tira-a do marasmo social e arrebata sua existência de um casamento sem paixão. 

Tudo o que Kitty vive após isso é consequência deste caso extraconjugal; seja para o bem ou para o mal, ela aprende algo que não pensava existir: uma vida além da sua existência mesquinha.

Essa transformação gradual de Kitty é o que há de mais lindo na trama: suas ânsias, suas buscas por respostas que parecem estar tão acessíveis, mas, na realidade são mais profundas do que ela pode entender. Cada fonte lhe dá uma dica do que ela pode estar buscando, mas por ela mesma estar perdida, não consegue encontrar fim último. Esta é a melhor parte do romance: a transformação da protagonista para um ser completamente superior àquela do início da trama.

Leiam Maugham!


Omnia Vanitas 💀

30 de agosto de 2020

Vigésima Segunda leitura..


 Olá, abandonado leitor !! 
Faz muito tempo que não escrevo neste blog. Eu gosto refletir minhas leituras aqui, mas outros afazeres tiraram meu tempo para esta tarefa.
Porém, semana passada eu fui arrebatada pela leitura de A Mão e a Luva de Machado de Assis e este período de distanciamento foi quebrado. 

Que livro ! Que hisória! 

Eu comecei a ler no dia 21 de agosto (sexta-feira) e domingo (23 de agosto) eu concluí a leitura. Domingo foi o dia chave para completar o término da obra. 
Comecei pela manhã fria e aconchegante sob uma camada de cobertores e apreciada com pedaços de chocolate. 
Geralmente, meu marido e eu combinamos como será  dia: dividimos nosso dia em tarefas individuais e uma segunda parte dedicamos ao convívio de prazer mútuo.
A leitura da manhã estava ótima. O enredo prendia a cada capítulo e tornava impossível interromper a leitura. 
Após o almoço, combinamos que no período da tarde teríamos para nós. 
O período vespertino chegou, minha promessa de pós-almoço vacilava em ser cumprida! 
Somente no final da tarde consegui ir para a sala, e fui exclamando: Meu deus! Que livro ! Que livro !! 
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Entenda a história, leitor:

Guiomar é uma moça órfã que depois da morte prematura da sua prima vai morar com sua tia para lhe servir de consolo.
A beleza de Guiomar arrebatou o coração de Estevão, porém, o coração da dama exigia mais do que um simples elogia a sua formosura.
Um primo seu, Jorge, também querido pela tia, revelou suas intenções de afeto pela moça. Ousou-a pedir em casamento ... mas ainda havia Luís Alves.

A trama gira em torno destes três pretendentes que esperam de Guiomar uma resposta sobre qual será a decisão que ela tomará em relação à escolha do futuro marido.

Guiomar é ambiciosa.  Mas não julgue que seja mau o seu caráter, apenas anceia que sua vontade seja superior ao que lhe obrigam a aceitar. Ela mede cada pretendente conforme sua ambição.
Estevão lhe oferece um amor pueril, Jorge manterá sua fortuna dentro da família e Luís Alves lhe oferece um nome.

Eu adorei Guiomar, mas não desde o início. Ela é uma personagem que precisa ser observada com cuidado para não seja mau interpretada. E acredite, leitor! Você amará Guiomar.
Eu gostei do Machado de Assis "fez" com ela. Trouxe uma mulher com uma determinada sem a carregar de trejeitos romanescos exagerados. Ela sabe o que quer e, mais importante, quer concluir com êxito a sua ambição. 
Ela já está na minha lista de preferidas preferidas e A Mão e Luva em uma releitura desejada.

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31 de março de 2020

Leitura onze..parte final



Olá, esperançoso leitor!

Fim da leitura de Servidão Humana, de William Somerset Maugham. 
Este livro é uma pseudo-biografia do autor. 

Gosto muito dos livros do Maugham, e com este não foi diferente; apesar de ter perdido o foco da leitura por achar que se tratar de uma narrativa onde a relação amorosa seria o tema central. Ledo engano.  Deixe-me explicar, equivocado leitor!


A primeira parte da vida de William Carey está nesta publicação. 
Partindo deste ponto, ele foi para Paris para viver como pintor, pois achava que esse era seu dom. Encontrou um tipo variado de pessoas que também se julgavam pintores natos. Poucos realmente tinha aptidão para a pintura. Suas vidas eram dedicadas a esta arte, devotados por uma arte que não os reconhecia como participantes dela. E algumas vezes, tal arte exige a vida.

Novamente à Inglaterra, Philip precisa decidir em que profissão encaixará a sua vida. Escolheu a medicina e, neste processo de estudo - que não exercia por paixão mas por necessidade - conheceu Mildred. 

Servidão Humana é um livro sobre escolhas. Para onde ir, quem amar, o que fazer da sua vida.. Philip colocou-se em situações que escolheu viver, desfrutou de viagens, escolher amar quem não lhe amava, conheceu  a solidão e amigos leais. 

Este livro me lembrou muito outro livro de Maugham: O Fio da Navalha. Enquanto Larry buscava se livrar das amarras que as pessoas exigiam dele, tentava descobrir o sentido de estar vivendo; em Philip a busca era por aprovação social, familiar e amorosa. 

Os livros de Maugham são muito reflexivos, e nesta obra que representa a sua vida, não poderia ser diferente. 

Omnia Vanitas. 💀

10 de março de 2020

Leitura dez..


Olá, equivocado leitor!!

Fim de mais uma leitura! E esta foi especial porque se trata de um dos meus personagens preferidos: Basílio de Brito.

O Primo Basílio é uma das grandes obras do escritor português Eça de Queiroz.
O livro trata da história de um casal que vive uma vida confortável e pacata no subúrbio de Lisboa. As relações sociais de Luísa e Jorge são de nível medianas à medíocres; porém, por Jorge ter um emprego como engenheiro, faz-se respeitável perante a vizinhança. 

Nesta paz que entra Basílio. 
Vindo à Lisboa para negócios e Jorge, neste mesmo período, ausenta-se de casa para ir trabalhar em outra cidade. Sabendo da ausência do marido da prima, Basílio vai à casa de Luísa para saber como a prima está - de aparência, para saber se está conservada ou feia. Imediatamente, as fagulhas do antigo namorico reacendem em ambos, tornando o adultério inevitável.

Luísa Mendonça do Brito Carvalho, a do Engenheiro, tem um caráter simplório e é coberta de mimos - desde antes do casamento. Nada a vida lhe pareceu muito difícil de conseguir e seu temperamento é romanesco: acredita ser amada pelo primo apenas porque merece esse amor, e o fantasia como se fosse saída de uma romance de Dumas (filho).

Os livros lidos pelos personagens ou apenas mencionados na trama são um esboço da própria obra. Como citei acima, o livro lido por Luísa é A Dama das Camélias, de Alexandre Dumas (filho). Na trama, uma mulher cortesã vive um romance com um jovem estudante de Direito. Outro momento que um livro é apresentado - de modo a significar tão bem o momento da trama, é a representação teatral de Fausto do escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe, onde e protagonista vende a sua alma e em troca quer o amor de uma mulher. 

A personagem de Luisa é a principal personagem na trama. Mesmo Basílio está à margem na trama. 

E por falar em Basílio. Ele tem trinta e quatro anos quando reencontra sua prima, casada. Luísa tem vinte e cinco anos. O romance deles começou que ela tinha dezoito. A separação brusca do casal devido ao falecimento de um parente de Basílio - e das suas dívidas, segundo as línguas afiadas, o fizeram sair do país e vir para esta terra nossa, o Brasil. 
Apesar da dor da separação, o casamento com Jorge não foi penoso para a moça; mas o reencontro trouxe a nostalgia de um romance abandonado. 

Porém, Basílio é um canalha. O único motivo para estar em Lisboa, segundo ele mesmo, é por causa de Luísa. Esta afirmação não significa que lhe quer bem, apenas a deseja e usufrui dos prazeres que desfrutam no Paraíso. 
Ambos vivem esse adultério de modo pleno. E, também, vivem de modo leviano pois a do Engenheiro esquece de ter cuidados para que a vizinhança não note suas saídas ou as visitas frequentes de Basílio. E quem está prestando atenção nesta relação parental é Juliana Couceiro Tavira. 

Juliana é a empregada "de dentro" do casal Carvalho. Ela é uma "herança" que Jorge trouxe da casa de uma tia. Esta tia, adoentada ao longo de um ano, teve a sua cabeceira a dedicada Juliana. Como enfermeira zelosa, cuidou a velha tia até o fim...com apenas um interesse: ganhar uma gorda herança da doente para que pudesse parar de trabalhar e tornar-se senhora e deixar de ser serviçal. 
Toda a sua vida foi de sofrimento nas casas que trabalhou, e naquelas em que foi bem tratada, com toda a amargura que adquiriu não conseguia reconhecer os benefícios e boas atenções que lhe davam. 
Ao perceber que poderia fazer uma pequena fortuna e deixar de trabalhar para poder cuidar de sua saúde - e talvez, até encontrar um marido - viu na relação de Luísa e Basílio a sua moeda da boa sorte. 

Infelizes mulheres. Seja Luísa ou Juliana, ambas se iludiram em suas paixões. Enquanto a patroa achava-se amada e adorada pelo amante, a empregada achou-se rica com os abusos que fazia Luísa sofrer. 

Para finalizar, este romance deveria ser lido por todos que pensam em ter um relacionamento, seja ele qual for. Eça de Queiroz apresenta a realidade das relações que são romanceadas: amantes, litigioso, ambicioso, adúltero; a expectativa e convívio real das situações são mais complexas do que nas páginas de um livro. 

Omnia Vanitas. 💀

24 de fevereiro de 2020

Leitura sete..


Olá, realista leitor!

Quando eu iniciei a leitura de O Seminarista, duas obras foram citadas no prefácio: Eurico, o Presbítero (Alexandre Herculano) e O Crime do Padre Amaro (Eça de Queiroz).
Infelizmente, o livro do Alexandre Herculano está na minha biblioteca lá na casa dos meus pais. Felizmente, Eça de Queiroz estava à mão.

Que livro!!!

Eu achei que a leitura estaria comprometida por eu conhecer o final da história. Ledo engano. Nada se perdeu durante a leitura por este motivo. Até gostei do Amaro Vieira - pelo menos até o capítulo XII.

Esta obra de Eça (e também outras, como Os Maias) causou burburinho quando do seu lançamento. Qual! Falar assim do clero e da instituição eclesiástica não deveria ser permitido. Mas o foi!

Eça de Queiroz apresenta uma sociedade mesquinha, habilidosa e sem virtude na figura do clero da pequena cidade de Leiria. O poder dessa classe era tão forte que ditou o modo de vida da região; ditando casamentos, empregos e vícios.

Amaro Vieira é um órfão que ficou sob a tutela da família na qual seus pais eram empregados. Franzino e de compleição submissa e tímida, sua tutora, ao falecer, o deixou de herança uma função: tornar-se padre. Padre? Justo à Amaro que adorava a companhia da mulheres, seus paparicos e chamegos. Porém, não tinha ideia do que ser na vida, mas sabia que padre não queria ser. Nunca compreendeu aqueles que se engajaram na profissão por amor a ela. Mas padre se tornou. Seu tempo de seminário foi um suplício e, não fosse pelo conde Ribamar, genro da sua tutora, viveria em uma comunidade serrana - totalmente fora dos centros urbanos onde ferviam atualidades e mulheres lindas. 
Leiria foi um ótimo celeiro para Amaro. Uma cidade repleta de vícios religiosos onde a figura da igreja - seja qual o seu cargo, era respeitada como o próprio Deus - e tão pouco questionável quanto o próprio. 
Apesar de se chocar com esta sociedade no início, Amaro fácil se acostumou a ela - visto que sempre um janota que aprecia tudo o que é bom e de fácil acesso.

Amélia Caminha é uma jovem de Leiria criada por uma mãe carola. Viveu sempre rodeada pelo clero e ouvindo história sobre esta classe de forma romanceada: uma mulher que perdeu o amor do sua vida e tornou-se freira para não se entregar a outro homem, ou o padre que se apaixonou por uma freira que teve a sua vida eclesiástica ofuscando essa paixão e blá-blá-blá.
Então, para uma jovem de vinte e três anos foi fácil apaixonar-se pelo bonito padre que chegou na região: Amaro Vieira. 

Eça de Queiroz deixa muito claro como o clero abusou do seu poder sobre as mentes fracas de seus seguidores. Criticou, também, o sacerdócio sem a vocação e como isso pode levar a uma função fora dos propósitos da fé. 
Todos os personagens, desde o menor até o principal apresentam vícios e caráteres que são baixos na personalidade humano. Pessoas mesquinhas e inclementes, orgulhosas, avarentas  e odiosas. 
Porém, antes de terminar a obra, Eça apresenta um personagem carismático e exemplo de sacerdócio. É uma flor em meio as ervas daninhas. 

Eu adorei a leitura desta obra, e, assim como minha mãe, odiei o Amaro - e fui torcedora fiel de João Eduardo (outro queridão que coloquei na minha lista junto com Ferrão).

Omnia Vanitas. 💀



18 de outubro de 2019

Vigésima oitava leitura..



Fim de mais uma leitura !

Esta não é a edição que li na minha adolescência, mas não pude deixar de comprá-la quando estava em uma sessão de compra (inocente) em um sebo em Joinville.

Este Dom Quixote de Monteiro Lobato foi o meu primeiro contato (indireto) com a opera magna de Miguel de Cervane Saavedra.

Desta leitura, o que mais marcou, além da clássica cena dos moinhos de vento, foi a indignação e não aceitação de Emília para o fim do livro do espanhol. 

A história é recontada por dona Benta durante alguns dias (antes das crianças irem dormir) e acompanhada pelos deliciosos quitutes de tia Nastácia. 
Em toda a contação da obra, dona Benta ressalta que quando as crianças forem maiores e tiverem o domínio linguístico para ler uma obra como Dom Quixote, verão o quão ela é rica em detalhes e significado. As partes que foram contadas para as crianças (Pedrinho, Narizinho e a boneca Emília) foram somente as principais aventuras do Cavaleiro da Triste Figura. E, para minha alegria, a  briga na taverna e a manteada sofrida por Sancho (sinto muito, fiel escudeiro) estava na narrativa de dona Benta. 

Minha lembrança, além do que escrevi acima, eu me vejo sentada com o livro em mãos na cancha de bocha do meu pai. Não como ela está agora, mas a antiga, que tinha o chão de saibro batido com duas pistas para o jogo.  E, também, lembro de alguém passar por mim e ler o título do livro em voz alta. 

Esta leitura me fez sentir saudade da outra leitura que fiz de Dom Quixote de La Mancha. 
E, para finalizar, deixo o meu agradecimento à Monteiro Lobato  por não ter se alongado muito para escrever sobre o segundo livro da história de Dom Quixote - eu detesto aquele duque e sua esposa.

Omnia Vanitas. 💀


P.S.: A boneca Emília - tal como foi concebida - não poderia ser aceita nos dias atuais.  Tivemos sorte! 

15 de novembro de 2017

Vigésima sétima leitura..


Olá, leitor anônimo!
Fim de mais uma leitura! E fim, também, dos clássicos de Jane Austen - este ano. 
Terminei com o primeiro livro publicado desta inglesa renomada: Razão e Sentimento (ou Sensibilidade, como queira).

Este é o meu livro preferido da Jane Austen. Mesmo que Orgulho e Preconceito me roube mais suspiros, este é o meu xodó.

O enredo conta a história conforme o site da Saraiva.com :
As irmãs vivem em uma sociedade rígida, e ambas tentam sobreviver a esse mundo cheio de regras e injustiças. Tanto a sensível e sensata Elinor como a romântica e impetuosa Marianne se veem fadadas a aceitar um destino infeliz por não possuírem fortuna nem influências, obrigadas a viver em um mundo dominado por dinheiro e interesse. As duas personagens passam por um processo intenso de aprendizagem, mesclando a razão com os sentimentos em busca por um final feliz.
Enquanto Marianne vive os arroubos sentimentais de todo gênero, Elinor é a sensata das três irmãs - sim, ainda há Margaret, mas ela é apenas um personagem.

Sendo Elinor a minha personagem preferida, deixe-me granjear mais elogios para esta protagonista.
Entre as mulheres símbolos dos seis romances (completos e publicados) de Jane Austen, Elinor Dashwood é a heroína que não precisa ser remendada para completar o final de trama. Enquanto Elizabeth Bennet precisa sofrer com seu preconceito em relação a Mr. Darcy, Emma precisa corrigir sua atitude para ser completa, Catherine precisa superar suas desilusões e Anne - até mesmo Anne Elliot precisou rever seu conceito para não se deixar guiar pelos outros; Elinor Dashwood permaneceu Elinor do início ao fim da trama.
Talvez, atento leitor, você tenha percebido que não citei Fanny Price - ela poderia rivalizar com a mais velha das Dashwood, mas eu não sou admiradora do seu temperamento tímido e sem atitude (mas louvo sua persistência em manter-se firme ao seus ideias).

Elinor é uma mulher muito moderna - até para os dias atuais. Ela mantém seu bom senso acima de tudo. Sofre sem fazer drama. Aconselha na hora que é necessário e analisa as palavras para não ser equivocada. Ela é perfeita.
Há uma passagem - das muitas - que citam o caráter de Elinor:
E tudo isso aconteceu numa época em que, como você sabe muito bem, não era esse meu único desgosto. Se me acha capaz de alguma vez ter sentido... Certamente deve supor que sofri então. A tranquilidade que consigo ter agora para analisar o assunto, a consolação que estou desejosa de me conceder, foram o efeito de constantes e dolorosos esforços... que não brotaram espontaneamente... que não ocorreram desde o início para aliviar meus sentimentos... Não, Marianne! Naquela época, se eu não tivesse sujeita ao silêncio, talvez nada me tivesse impedido... nem mesmo o respeito que devo aos meus amigos mais caros... demonstrar abertamente o quanto eu era infeliz.
Este autocontrole que eu gosto em Elinor. Saber ponderar, estar em silêncio e pensar com justeza no ocorrido; medir o quanto pode-se ofender a felicidade de alguém impondo a própria infelicidade ou vice e versa. Existe nesta personagem uma atitude de meditar antes de expor um assunto importante que pode alterar um círculo social. Pouco pensa-se no poder real de uma palavra mal colocada; fala-se em arrepender-se do que foi dito, mas pouca alteração há neste comportamento. 
Atualmente, tudo é jogado na internet: pouco é medido antes de ocupar a grande rede; pois não parece correto segurar uma emoção - todos tem saber: sofrer ou ser feliz - tudo precisa ser mostrado e compartilhado com tantas outras pessoas que não sabemos o quanto pode ser perigoso o resultado final.  A intimidade não é preservada. 
Somos todos Marianne. 

13 de setembro de 2017

Proposta de Casamento..


Olá, jovem!!

Estou caminhando na releitura de Norte e Sul e, mesmo conhecendo a história eu ainda me derreto igual manteiguinha quando Mr. Thornton pede Margaret Hale em casamento. E, nem é romântico!

Elizabeth Gaskell gostava de ler Jane Austen. O décimo primeiro capítulo se chama Primeiras Impressões por que este foi o primeiro título para Orgulho e Preconceito, da senhorita Austen. E, eu não duvido que a discussão do casal de Gaskell seja mais uma forma de homenagear o casal mais famoso da literatura universal: Elizabeht Benett e Mr. Darcy.

Veja só, o pedido de casamento de Mr. Darcy foi todo atrapalhado e deixou Lizzy Benett tremendo em fúria - ainda mais depois de descobrir que seu admirador foi quem arruinou o relacionamento de sua irmã Jane e Mr. Bingley. 

Em Norte e Sul há um antagonismo entre o casal protagonista. É perceptível a adoração de Mr. Thornton por Margaret - e isso se dá pela moça ter seu temperamento forte e opiniões sólidas.
Mesmo tendo certeza do desprezo da moça por ele, John Thornton, em um  suspiro ínfimo de esperança de que o sentimento de Miss Hale tenha sofrido uma alteração, ele vai até a casa da jovem e a pede em casamento.
Eu acho tudo lindo! Mesmo durante a briga eu fico suspirando corações.. 💞

Deixo abaixo alguns trechos do pedido/rejeição de casamento:

- à caminho da casa de Margaret
Seu coração batia acelerado na expectativa da chegada de Margaret. Não podia esquecer o toque dos braços dela ao redor do seu pescoço, apesar da impaciência que sentira na ocasião. Mas agora, a lembrança daquela defesa dele em forma de abraço, parecia eletrizá-lo inteiramente – derretendo toda a sua resolução, toda a sua capacidade de autocontrole, como se fosse cera diante do fogo. Ele temia adiantar-se para recebê-la, com os braços estendidos em muda súplica para que ela se aninhasse neles (...)

- depois da recusa do pedido:
que sempre que eu me alegrar com a existência daqui para a frente, possa dizer a mim mesmo “Toda essa alegria na vida, todo esse honesto orgulho em fazer o meu trabalho no mundo, toda essa aguda consciência de existir, eu devo a ela!” E isso dobra a alegria, torna brilhante o orgulho, aguça o sentido da existência, até que eu mal saiba se é dor ou prazer, pensar que eu devo tudo isso a alguém... não, deve me ouvir, vai me ouvir... – disse ele, dando um passo adiante com firme determinação – devo tudo isso a alguém que eu amo, como não acredito que um homem já tenha amado uma mulher.
(...)
Eu sou um homem. E reivindico o direito de expressar meus sentimentos.
(...)
Uma palavra mais. A senhorita olha como se considerasse uma desonra ser amada por mim. Não pode evitar isso. Não. Se eu pudesse, a liberaria dessa desonra. Mas eu não vou, nem que possa. Eu nunca amei mulher alguma antes: minha vida foi sempre muito ocupada, meus pensamentos muito absorvidos por outras coisas. Agora eu amo e continuarei amando. Mas não tenha medo de que haja muita expressão desse sentimento da minha parte.
E por fim, a frase que ele diz à mãe dele depois que chega em casa é muito fofa:

Ninguém me ama... ninguém gosta de mim, só a senhora, mãe.

Pára tudo !!!! Eu sou apaixonada por esse homem!! Meu lado adolescente aflora de modo intenso!!
E, para frente, Margaret repensa sua atitude perante ele - ainda em negação - e como ele age com ela após esse acontecimento! É lindo! Tudo é lindo!

Omnia Vanitas.

31 de agosto de 2017

Downton Abbey²..




Certa noite, enquanto morávamos no saudoso apartamento do bairro "Long Beach", meu marido escolheu uma série para assistirmos: era Downton Abbey. Em menos de dois minutos do início, eu o avisei que não seria do seu agrado assistir - filmes/séries de época não são a praia dele. Dito e feito. Abandonamos em quinze minutos.

Depois, neste novo endereço, certa tarde eu resolvi começar, novamente. E, desta vez, foi paixão. As seis temporadas foram devoradas durante minhas folgas (exceto no momentos de leitura e passeio). 

A série apresenta a história da família Crawley e todos aqueles que compõem o cotidiano de Downton Abbey.  E a história destas pessoas começa com o naufrágio do Titanic - mesmo que nenhum das personagens estivessem no navio. Patrick, o ordeiro do título e da herdade dos Crawley, estava no inaufragável transatlântico. A série ainda passa pela Segunda Guerra Mundial - que transforma a rotina e a vida dos personagens que compõem a série. Todas as vezes que uma mudança é citada, a frase que normalmente é dita é: "Isto era antes da Guerra". A chegada da luz, do telefone, de eletrodoméstico (como a geladeira que a senhora Patmore detesta), a calça comprida como vestuário feminino, secador de cabelo etc. O automóvel como algo seleto, o rádio vista como uma moda passageira e, principalmente, a mulher tendo mais papéis significativos na sociedade pós-guerra.

Uma das coisas que mais me emociona na série é a troca de correspondências. Acho tão lindo receber uma missiva - e elas tinhas três horários para chegar: manhã, tarde e noite. Eu sou apaixonada por cartas (e isso me lembra que preciso escrever para minha querida amiga N.C.G.V.).

Durante toda a série, eu fiquei apaixonada por alguns personagem: Edith Crawley, Daisy Mason, Lesley Patmore (eu queria ter o dom de cozinha desta personagem), Violet Crawley (sou apaixonada pela língua afiada desta mulher) e alguns outros. E, entre estes, Thomas Barrow foi o que me deixou mais feliz.

O personagem de Thomas é um lacaio que vê sua oportunidade de ascender à camareiro ser tomada por um forasteiro manco que chega à Downton. Ele tem como fiel comparsa a odiosa Sara O'brien; Thomas é obscuro, mesquinho, trapaceiro e chantagista. Barrow é aquele personagem que você torce - descaradamente - para que ele sofra por todas as coisas ruins que ele fez.  Porém, o que o ambicioso lacaio tem é uma boa sorte irritante. Todas as vezes que eu achava que ele pagaria por sua maldade ... BANG! .. algum acontecimento revertia em bem para ele. Poucas vezes vi o destino se virar contra ele - a cena que me vem à mente é quando ele perde todo o seu dinheiro para um falastrão pior que ele. Mesmo assim, a boa sorte lhe sorri. 
Há algo que faz Thomas sofrer: suas paixões frustradas. Seu curto relacionamento através de missivas com um duque que visita os Crawley termina de forma contrária ao ambicioso projeto do lacaio.
Sua segunda frustração amorosa é ao voltar da guerra. O rapaz cego a quem ele presta serviços médicos, suicida-se. Sua maior dor amorosa foi Jimmy, o laico.  Ludibriado por O'brien - agora sua rival - Thomas é levado a acreditar que Jimmy lhe concede sentimentos ternos. Ledo engano. Certa noite, Barrow vê seu beijos serem repudiados pelo jovem lacaio. Algum tempo depois, ambos tornam-se amigos.
E, depois desta amizade, acredito de Thomas começa a se tornar mais "humano". E sua humanização torna-se considerável.
Eu sou apaixonada por personagens que tem seu caráter regenerado. Ele traz uma camareira para lhe servir de "fofoqueira" sobre o que acontece "em cima" na casa. Phillys Baxter parece enxergar em Thomas alguém que sofre - e todo seu sofrimento é revertido em antipatia - mas, mesmo sendo chantageada, ela o transporta para a recuperação de sua personalidade. E o resultado é emocionante. Como é lindo ver este novo Barrow - sendo querido e lutando, sem maldade, por seu novo rumo. 

A partir de terça-feira, minha próxima folga, eu começarei pela terceira vez a assistir esta série. E, durante esse período, eu quero escrever sofre a queridíssima Condessa viúva. 


15 de julho de 2017

Décima sétima leitura.. {parte um}


Primeira leitura: outubro/2003
Segunda leitura: 16/08/2011 - 28/08/2011
Terceira leitura: 30/06/2017 - 15/07/2017

Olá, amigo leitor!!

Terminei, hoje, a primeira parte da leitura de O Senhor dos Anéis, do professor John Ronald Reuel Tolkien. Eu vou computar como uma leitura, apesar de a obra conter três livros; pois o professor tinha a intenção de publicar apenas um livro e não três - mas a editora não concordou com a ideia e separou o em três livros e, dos três, Tolkien concordou apenas com o título do primeiro. 

Por ser uma leitura longa e muito detalhada, decidi fazer uma publicação para cada livro.

A Sociedade do Anel, primeiro tomo, dois livros.

O livro (completo) foi uma encomenda feita pela editora depois do sucesso de O Hobbit, e foi terminado depois de doze anos de produção. Por ser um obra de grande volume (mais de mil páginas), a editora, por uma questão de logística para a época, precisou separar o livro em partes; o que deixou o autor não muito satisfeito, mas assim foi feito.

O primeiro tomo de SdA contém dois livros: 

- o primeiro começa com a festa de aniversário de Bilbo Baggins (protagonista de O Hobbit) até a fuga de Frodo, Sam, Merry, Pippin e Passolargo dos Cavaleiros Negros.

- o segundo relata a chegada em Valfenda (Rivendel) até a rompimento da comitiva do Anel (formada em Valfenda).

Segundo a revista The Sunday Times, "o mundo está dividido entre aqueles que já leram O Hobbit e O Senhor dos Anéis e aqueles que ainda não leram".  Eu enfatizo a palavra "ainda" - e incluo nesta lista aqueles que assistiram aos filmes de Peter Jackson; c'est la vie. 

Sou apaixonada pela obra do professor por ter a conhecido através primeiro filme e, antes de lançar As Duas Torres, eu já estava familiarizada* com o livro e colocando defeito em tudo. #soudessas.

Eu não pretendo entrar na disputa interminável sobre as diferenças que existem entre estas duas obras; amo os livros e não assisto mais aos filmes em respeito ao trabalho do professor - e conheço pessoas que não conseguem iniciar a leitura por achá-la enfadonha. Gosto não se discute. 

Esta obra, completa, tem muitos pontos que poderiam, por si, compor ótimas publicações; mas não pretendo enveredar por este caminho, logo, escolhi um personagem que chamou minha atenção desde a primeira leitura.

Se você, assim como eu, iniciou seu vida tolkieniana através do filme, percebeu, durante a leitura, um personagem, no mínimo, estranho inserido na trama - e sem concluir quem é e porque está na trama: Tom Bombadill.
Ei boneca! Feliz neneca!
Dingue-dongue dilo!
Dingue-clongue! Não delongue!
Largue logo aquilo! Tom Bom, jovial
Tom, Tom Bombadillo
Este personagem é inserido no enredo quando os hobbits (Merry, Pippin, Sam e Frodo) estão atravessando a Floresta Velha e um deles é atacado pelo Salgueiro-Homem.

{Eu não quero entrar neste mérito das árvores da Floresta Velha e Fangorn (As Duas Torres) para não citar a gama simbólica que Tolkien usou para criar sua fantasia - seria uma publicação longa e meu material é escasso}.

Quem é Tom Bombadil? - esta é a pergunta que Frodo fez a Fruta D'ouro - que mora com Tom.
Ele é o Senhor da Floresta, das águas e das colinas.
E a pergunta é repetida àquele a quem se refere, e a resposta foi uma pergunta muito filosófica, que eu tenho registrado na memória desde a primeira leitura:

(...) Diga-me, quem é você, sozinho e sem nome?
E a continuação da resposta é a seguinte:
Tom Bombadill já estava aqui antes do rio e das árvores; Tom se lembra da primeira gota de chuva e do primeiro broto de árvore. Fez trilhas antes das pessoas grandes, e viu o povo pequeno chegando. Já estava aqui antes dos Reis e dos túmulos e das Criaturas Tumulares. Quando os elfos passaram para o oeste, Tom já estava, antes de os mares serem encurvados. Conheceu o escuro sob as estrelas quando não havia medo - antes de o Senhor do Escuro chegar de Fora.
E, sim..ele fala de si na terceira pessoa do singular.

Segundo os personagens desta parte da obra, Elrond comenta:
Viajei por aquelas terras uma vez, e conheci muitas coisas estranhas e selvagens. Mas tinha me esquecido de Bombadil, se é que esse é o mesmo que caminhava nas florestas e colinas há muito tempo, e mesmo naquela época ele era mais velho que os velhos. Nesse tempo, tinha outro nome. Chamavam-no de Iarwain Ben-adar, o mais antigo e sem pai. Mas outros nomes lhe foram dados por vários povos: Forn pelos anões, Orald pelos homens do Norte, e outros nomes além desses. (...) É melhor dizer que o Anel não tem poder sobre ele. Ele é seu próprio senhor.
Sobre esta última afirmação de Elrond, pode-se ler o que acontece quando Tom Bombadill utiliza o Um na presença dos hobbits, no primeiro livro:
- Mostre-me o precioso Anel! - disse ele {Tom Bombadill} de repente, em meio à história: e Frodo, para a própria surpresa, puxou a corrente do bolso, e soltando dela o Anel, entregou-o imediatamente a Tom.O Anel pareceu crescer por um momento naquela grande mão morena. Então, de repente, Tom ergueu-o na altura dos olhos e riu. Por um segundo os hobbits tiveram uma visão, cômica e alarmante, de seu olho azul brilhando através do círculo de ouro. Depois Tom colocou o Anel na ponta de seu dedo mínimo, levando-o para perto da luz da vela. Por um momento, os hobbits não perceberam nada de estranho a respeito disso. Então ficaram pasmos. Nenhum sinal de Tom desaparecer.Tom riu de novo, e jogou o Anel para os ares - e ele sumiu num clarão.
"Ele é seu próprio senhor". É muito interessante esta colocação, pois o enigma sobre quem é Tom Bombadill não chega a ter muitas explicações. Se Gandalf, o cinzento, foi um Ainu que veio para Eä e tornou-se um Vala - e ele ainda sofre com o poder do Um sobre si; então, quem é Tom Bombadill que é imune ao poder da joia de Mordor?

E, a conclusão de Glorfindel, no Conselho de Elrond:
Acho que, no fim, se todo o resto for conquistado, Bombadil sucumbirá, vindo a ser o último, da mesma forma como foi o Primeiro; e então a Noite virá.
Essa é a pontuação que fiz sobre o personagem de Tom Bombadill durante esta terceira leitura. Sei que ela é curta e sem conclusão.. Quem sabe com a chegada de meu novo livro (aguardem) eu possa compreender melhor este personagem (e fazer uma adendo sobre)?

Omnia Vanitas.


*louca de pedra


11 de junho de 2017

E Morgoth veio..



Relendo O Silmarillion eu cheguei em um capítulo que eu gosto muito, chama-se Da Ruína de Beleriand e da Queda de Fingolfin. 

Fingolfin é rei entre os noldor e ao ver seu povo sendo dizimado pelos servos de Morgoth ele reage e, em fúria, chega até os portões de Angband e desafia sua inimigo. Muito boa a narrativa:

Ora, chegaram notícias a Hithlum de que Dorthonion estava perdida, os filhos de Finarfin, derrotados, e os filhos de Fëanor, expulsos de suas terras. Fingolfin então contemplou (como lhe parecia) a total destruição dos noldor, e a derrota irremediável de todas as suas casas. E, cheio de cólera e desespero, montou em Rochallor, seu cavalo magnífico, e partiu sozinho, sem que ninguém pudesse contê-lo. Passou por Dor-nu-Fauglith como um vento em meio à poeira; e todos os que viram sua investida fugiram assustados, acreditando que o próprio Oromë chegara. Pois ele fora dominado por uma loucura furiosa, tal que seus olhos brilhavam como os olhos dos Valar. Assim, chegou sozinho aos portões de Angband, fez soar sua trompa e golpeou mais uma vez as portas de bronze, desafiando Morgoth a se apresentar para um combate homem a homem.E Morgoth veio.
Essa foi a última vez naquelas guerras em que ele atravessou as portas de seu reduto; e o que se diz é que não aceitou o desafio de bom grado. Pois, embora seu poder fosse maior que tudo o que existe no mundo, ele era o único dos Vaiar que conhecia o medo. Agora, porém, não podia fugir ao desafio diante de seus capitães. Pois as rochas reverberavam com a música aguda da trompa de Fingolfin, sua voz chegava clara e nítida às profundezas de Angband, e Fingolfin chamava Morgoth de covarde e de senhor de escravos. Por isso, Morgoth veio, subindo lentamente de seu trono subterrâneo, e o ruído de seus passos era como trovões no seio da terra. E se apresentou trajando uma armadura negra. Parou diante do Rei como uma torre, com sua coroa de ferro. E seu enorme escudo, negro sem brasão, lançava uma sombra como uma nuvem de tempestade. Fingolfin, entretanto, cintilava dentro da sombra como uma estrela; pois sua malha era recoberta de prata, e seu escudo azul era engastado com cristais. E ele sacou sua espada Ringil, que refulgia como o gelo.
Morgoth então ergueu bem alto Grond, o Martelo do Mundo Subterrâneo, e o fez baixar como um raio. Fingolfin, porém, deu um salto para o lado, e Grond abriu um tremendo buraco na terra, de onde jorraram fumaça e fogo. Muitas vezes Morgoth tentou esmagá-la, e a cada vez Fingolfin escapava com um salto, como o relâmpago que sai de uma nuvem escura. E fez sete ferimentos em Morgoth; e sete vezes Morgoth deu um grito de agonia, com o que os exércitos de Angband se prostraram no chão, aflitos, e os gritos ecoaram pelas terras do norte. 

Mas, por fim, o Rei se cansou, e Morgoth o empurrou para baixo com o escudo. Três vezes, Fingolfin foi esmagado até se ajoelhar, e três vezes ele se levantou portando seu escudo quebrado e seu elmo amassado. Entretanto, a terra estava toda esburacada e rasgada ao seu redor, e ele tropeçou e caiu para trás aos pés de Morgoth. E Morgoth pôs o pé esquerdo sobre o pescoço de Fingolfin; e o peso era o de uma colina desmoronando. Contudo, num golpe final e desesperado, Fingolfin lhe cortou o pé com Ringil, e o sangue jorrou negro e fumegante, enchendo os buracos feitos por Grond. 
Assim morreu Fingolfin, Rei Supremo dos noldor, o mais altivo e destemido dos Reis élficos de outrora. Os orcs não se vangloriaram desse duelo junto aos portões. Nem os elfos cantam esse feito, pois é por demais profunda sua dor. Entretanto, a história ainda é lembrada, já que Thorondor, Rei das Águias, levou as notícias a Gondolin e às plagas remotas de Hithlum. E Morgoth apanhou o corpo do Rei élfico e o partiu para lançá-la aos lobos. Thorondor, porém, veio apressado de seu ninho em meio aos picos de Crissaegrim, lançou-se sobre Morgoth e lhe feriu o rosto. O farfalhar das asas de Thorondor era como o ruído dos ventos de Manwë. Ele pegou o corpo com suas garras poderosas e, alçando vôo de repente fora do alcance dos dardos dos orcs, levou o Rei embora. E o depositou no topo de uma montanha que, do norte, dava para o vale oculto de Gondolin. Turgon veio e construiu um monumento de pedras sobre o pai. Nenhum orc jamais ousou passar por cima do monte de Fingolfin ou se aproximar de seu túmulo, enquanto não se realizasse a sina de Gondolin e a traição não surgisse entre sua gente. Morgoth mancou para sempre, a partir daquele dia, e a dor de seus ferimentos não podia ser mitigada. E, no rosto, trazia a cicatriz deixada por Thorondor.
Enorme foi a lamentação em Hithlum quando se tomou conhecida a queda de Fingolfin; e Fingon, pesaroso, assumiu a chefia da Casa de Fingolfin e o reino dos noldor; mas seu jovem filho Ereinion (que mais tarde foi chamado de Gil-galad) ele enviou para os Portos.


Este é apenas o trecho sobre a luta e queda de Fingolfin contra Morgorth.

Omnia Vanitas.

11 de julho de 2016

O Domo..


Pensa em um seriado chato! vixi !

Tem spoiler !

Decidi e convenci meu marido a assistir Under the Dome, um seriado baseado no livro de Stephen King. Meu conforto era saber que o seriado estava muito longe de ser semelhante ao livro. Quando o seriado chegou ao público, devotos do senhor King já anunciaram que a atração televisiva era uma blasfêmia contra o livro - mesmo tendo Stephen King como produtor executivo do projeto {até a metade da segunda temporada, pelo que notei}.

Chato! Muito mimimi de adolescente e gente tola! E, também, o personagem Big Jim mata metade da cidade, todos ficam sabendo e continuam pedindo o conselho dele sobre o que fazer debaixo do Domo. "Domo"... eita palavra que me irritou. Assistimos na versão dublada e eu tive que suportar essa palavra durante três longas temporadas.
Meu personagem preferido morreu no final. Estávamos torcendo por ele, meu marido e eu! Gostamos do menino! E toda vez que ele aparecia nós gritávamos: JÚÚÚÚÚNIOR!!! hahahaha. Tadinho. James, o Júnior, era um menino que não tinha independência: mandado pela namorada, pelo pai, pela morta, pela abelha rainha .. tadinho! Nós torcemos mas um bom final para ele! .. RIP JÚÚÚÚÚNIOR!!

O seriado {e o livro} conta a história de uma cidade que foi isolada por uma REDOMA invisível. É um Big Brother sobrenatural no estilo Stephen King {o livro, não o seriado}.

Mas tinha algo legal? Não! Duas cenas se destacaram:

- Primeira cena. No ínicio da segunda temporada, a ex-namorada do JÚÚÚÚÚNIOR está servindo café na lanchonete quando um homem lhe pede café. 
Emocionante, né!
Mas não é um homem qualquer, ele é STEPHEN KING FOR GOD SAKE!!!! Eu gritei, histérico leitor! Gritei! Meu marido ria e tentava me conter, mas eu apenas sabia gritar: 
- É STEPÃN! É ESTEPÃN!  Vou servir café para ele .. Olha, amor!!! É ele !!! ... 
Pareci, leitor, que eu estava vendo o homem em pessoa na minha frente! Coisa de leitor histérico!

- Segunda cena. Essa foi engraçada! Big Jim, o pai do JÚÚÚÚÚNIOR, encontrou um cachorro {ou o cachorro encontrou Big Jim, não sei}. E, na terceira temporada, ele e Julia estão em uma casa que servia de laboratório quando Big Jim ouve o cachorro latir e sai pela porta para ir ao encontro do animal. Euforia de ambos..ninguém teve o senso de editar esta cena que aparece o cachorro excitado.
hahahaha .. paciência ! 

Antes da segunda temporada terminar, a gente já estava cansado de ver o seriado; mas, por ter apenas três temporadas no total, resolvemos ir até o fim pois eu queria dizer aqui que:
             nada se salva nesse seriado. leia o livro.
Omnia Vanitas.

28 de junho de 2016

Filosofia Samwise Gamgee..



Eu estava assistindo o filme O Senhor dos Anéis {A Sociedade do Anel e As Duas Torres} durante meu trabalho no sebo. O filme rolava ao fundo enquanto eu fazia meu trabalho; e, às vezes, uma paradinha para assistir uma cena aqui e outra ali {durante o almoço e o café da tarde - ligeiros}.
Mas, eu tive que parar, parar mesmo, para assistir a uma das minhas cenas favoritas {principalmente no livro}: o discurso de esperança de Samwise Gamgee. Ele é um personagem fantástico: fiel escudeiro de Frodo, jardineiro habilidoso e um ótimo cozinheiro - sem contar que é um amigo para todas as horas, até o fim!
Foi nesse discurso que eu pensei na nossa existência, filósofo leitor.
Vivemos nesse mundo decadente e nos achamos o rei da festa. Que festa pobre com gente medíocre. 
Atualmente, vejo pessoas que querem tudo nas mãos, na hora, de graça ... e reclamando demais. Pessoas que não sabem o que é lutar por algo, que não correm atrás "da máquina". Há poucas pessoas como Samwise Gamgee. 
Sacrifício? Que é isso!!! O mundo quer sombra e água fresca na beira da praia e em hotel cinco estrelas. 
Ou pode ser pior: querem passar por cima dos outros à qualquer preço - qualquer preço! Vivemos em um mudo podre e tem princípios morais quase nulos. 

Ontem, durante nosso descanso em casa, meu marido me mostrou uma postagem sobre um jogador do país de Portugal que, ao se classificar para as quartas-de-finais da Eurocopa, não comemorou em campo pois um dos jogadores adversário é seu amigo em outro clube que defendem juntos.

Valores bons! Menos eu, menos meu prazer, menos minha vontade, menos meus luxos..menos eu! Somos egoístas e levados por toda sorte de emoções e esquecemos que há alguém que precisa que estendemos a nossa mão para ajudar - e assim, deixaremos de lado nosso conforto para atender ao outro. 

Precisamos de mais personagens como Gamgee para irem...sem olhar para trás, sem pensar em si, sem se preocupar em voltar inteiro... Precisamos de seres humanos que se doem.

Eu preciso me doar mais, reconheço essa falha em mim. Mas eu acredito que a leitura promove essa mudança. Quando em uma leitura eu encontro personagens como Sam Gamgee, eu reflito em mim as atitudes dele e repenso minhas próprias atitudes. Nenhuma literatura deixará o leitor parado no mesmo lugar - apenas se este o quiser.

Leia! Viva Samwise Gamgee! 
Segue abaixo o discurso que, em toda a leitura, me emociona!

Omnia Vanitas.

É, é isso mesmo — disse Sam. — E de modo algum estaríamos aqui se estivéssemos mais bem informados antes de partir. Mas suponho que seja sempre assim. Os feitos corajosos das velhas canções e histórias, Sr. Frodo: aventuras, como eu as costumava chamar. Costumava pensar que eram coisas à procura das quais as pessoas maravilhosas das histórias saiam, porque as queriam, porque eram excitantes e a vida era um pouco enfadonha, um tipo de esporte, como se poderia dizer. Mas não foi assim com as histórias que realmente importaram, ou aquelas que ficam na memória. As pessoas parecem ter sido simplesmente embarcadas nelas, geralmente — seus caminhos apontavam naquela direção, como se diz. Mas acho que eles tiveram um monte de oportunidades, como nós, de dar as costas, apenas não o fizeram. E, se tivessem feito, não saberíamos, porque eles seriam esquecidos. Ouvimos sobre aqueles que simplesmente continuaram — nem todos para chegar a um final feliz, veja bem; pelo menos não para chegar àquilo que as pessoas dentro de uma história, e não fora dela, chamam de final feliz. O senhor sabe, voltar para casa, descobrir que as coisas estão muito bem, embora não sejam exatamente iguais ao que eram — como aconteceu com o velho Sr. Bilbo. Mas essas não são sempre as melhores histórias de se escutar, embora possam ser as melhores histórias para se embarcar nelas! Em que tipo de história teremos caído?
— Também fico pensando — disse Frodo. — Mas não sei. E é assim que acontece com uma história de verdade. Pegue qualquer uma de que você goste. Você pode saber, ou supor, que tipo de história é, com final triste ou final feliz, mas as pessoas que fazem parte dela não sabem. E você não quer que elas saibam.
— Não, senhor, claro que não. Veja o caso de Beren: ele nunca pensou que ia pegar aquela Silmaril da Corôa de Ferro em Thangorodrim. E apesar disso ele conseguiu, e aquele lugar era pior e o perigo era mais negro que o nosso. Mas é uma longa história, é claro, e passa da alegria para a tristeza e além dela — e a Silmaril foi adiante e chegou a Eärendil. E veja, senhor, eu nunca tinha pensado nisso antes! Nós temos — o senhor tem um pouco da luz dele naquela estrela de cristal que a Senhora lhe deu! Veja só, pensando assim, estamos ainda na mesma história! Ela está continuando. Será que as grandes histórias nunca terminam?
— Não, nunca terminam como histórias — disse Frodo. — Mas as pessoas nelas vêm e vão quando seu papel termina. Nosso papel vai terminar mais tarde — ou mais cedo.

20 de junho de 2016

Um louco chamado Quixote..

Ilustração de Gustave Doré

Se na postagem anterior escrevi sobre o homem, nesta, permita-me, desocupado leitor, escrever sobre a criação deste escritor.

Alonso Quixano é o nome de batismo do Cavaleiro da Triste Figura, chamado de Dom Quixote de La Mancha.
Quixano leu tantos livros que ficou louco! Louco?

O autor deste artigo escreveu o seguinte:

"Numa leitura superficial, Dom Quixote e só a narrativa das aventuras tragicômicas de um cinquentão remediado chamado Alonso Quixano, fidalgo de baixa extração. O juízo de Quixano, informa o narrador logo de saída, foi avariado pela leitura dos romances de cavalaria que tinham sido populares no fim da Idade Média, com seus heróis inverossímeis que dedicavam a vida a corrigir as injustiças do mundo (...). O alucinado Quixano se transforma em Dom Quixote pela força da imaginação e de alguns adereços improvisados. Acompanhado de um escudeiro realista, sai em incursões pela região da Mancha, no coração da Espanha, atrás de oportunidades para realizar seu destino heroico e impressionar sua amada Dulcineia del Toboso (...)".

Este é um resumo rápido, preguiçoso leitor, da narrativa da obra cervantina. 
Eu não quero tirar o mérito do escritor deste artigo, mas eu achei um pouco desnecessário usar mais meia página para fazer o resumo de algo óbvio; pois a obra é tão conhecida como uma tia-velha em nossa família de quem conhecemos o básico e o que não se sabe pergunta-se para outro parente. 
Tratando-se de uma revista que atinge o público que já possui, assim gosto de pensar, um pouco de conhecimento literário, usar de um pouco mais de objetividade e menos gravuras seria de melhor valia para compor o artigo.

Feito isso, deixe-me continuar nas palavras do autor do artigo:

"(...) A certa altura já na parece tão louco imaginar que o 'louco' Quixote sabe bem o que faz, usando a falta de juízo como álibi para a afirmação de uma vontade radicalmente livre que não se curva ao Império, à Igreja nem a poder algum. E Sancho, a princípio porta-voz de um bom senso camponês, torna-se cada vez mais sábio e complexo sob a influência do amo".

Eis algo que gostei durante a obra, que não pode ser visto em um simples resumo:

"(...) o romance de Cervantes segue em frente entre dobras metalinguísticas e histórias dentro de histórias. O bastão de narrador é assumido em parte por um certo Cide Hamete Benengeli, historiador que é apresentado como tradutor - do árabe para o espanhol - e comentarista daquelas aventuras".

Este tipo de narrativa é espetacular. Quando li a obra, realmente, fiquei surpreendida com essa mudança de voz. Sem contar que há um livro dentro do livro: "A Novela do Curioso Impertinente" é fantástica e, contada, não por Dom Quixote ou Sancho, mas por personagens que tem uma história inteira para narrar ao leitor. E, nesses personagens está uma das minhas falas preferidas - ainda lembro o local em que eu estava quando li pela primeira vez e o suspiro que me causou a leitura:

Se aos céus piedosos apraz que chegues a gozar algum descanso, em nenhum lugar, leal, firme e formosa senhora minha, o encontrarás ao meu parecer mais seguro que nestes braços que te agora recebem, e que já em outro tempo te receberam quando a fortuna permitiu que eu pudesse chamar-te minha.

#Óin! Um pouco mais do texto você poderá ler aqui, curioso leitor.

O impacto literário foi tão grande que no século XX alguns escritores renomados deram sua contribuição sobre como interpretam a obra e o criador:

"Franz Kafka imaginou Sancho Pança como o verdadeiro herói e Dom Quixote como seu demônio obsessor. Vladimir Nabokov declarou-se impressionado com o compêndio de maldades abarcado pelos dois volumes. (...) Salman Rushdie leu ali a prova de que 'uma obra literária não tem de ser apenas cômica, trágica, romântica ou histórico-política: se for concebida direito, poderá ser muitas coisas ao mesmo tempo (...)". 

Bom ..acho que é isso que extraí de bom do artigo. Não pretendo escrever sobre Shakespeare - talvez eu me arrependa, mas vou esperar para ver.
Ler sobre Cervantes e sua obra, lembrou-me que tenha uma revista inteira sobre o espanhol. Preciso buscá-la na casa da minha mãe e deixar a preguiça de lado! (rs).

Ah! Uma nota sobre a imagem da postagem: Sancho Pança ilustrado por Gustavo Doré, no livro dois quando o escudeiro se lamenta com seu burro os infortúnios pelo qual passou. Eu chorei com ele.

Omnia Vanitas.








13 de junho de 2016

Adieu, mon ami! ..

— Monte-Cristo ! dit-il, n’oubliez pas Monte-Cristo!

Abade Faria se foi! Mais uma vez, Edmond Dantès está sozinho! Solidão novamente.. (ou não!)

Eu gosto muito do personagem do abade. Dumas tomou esse personagem histórico e o colocou como mentor do seu protagonista! E o fez de modo supremo.
Faria e Dantès, depois de decidirem que fugir pelo túnel que Faria fez ou matar o guarda não era uma boa ideia para escaparem da prisão, começaram a se relacionar como professor e aluno.
Faria ensinou a Dantès tudo o que aprendeu na casa do seu antigo "patrão", o conde Spada; e, Dantès, estava pronto para aprender tudo o que Faria poderia ensiná-lo. 
Como diria Andy Dufresne em sua máxima sobre o tempo:

Ocupar-se de viver ou ocupar-se de morrer*.

Ao contrário de Dufresne, eles não cavaram um túnel, mas ocuparam-se de tornar a vida de cada um suportável dentro do calabouço que estavam encarcerados. 

Toda a base para a próxima  vida de Dantès no pós-prisão, ele deve à este servo do Senhor. Amém!

O abade Faria tem uma aplicação para seus estudos que muito me lembrou outro personagem: Sherlock Holmes. A citação à seguir esta no primeiro romance do detetive (escrito pelo fiel médico Watson):

...considero que o cérebro de um homem é originalmente como um pequeno sótão vazio, que temos que encher com os móveis que escolhemos. Um tolo recolhe todo tipo de trastes com que depara, de modo que o conhecimento que lhe poderia ser útil fica atravancado, ou na melhor das hipóteses misturado com muitas outras coisas, de modo que ele tem dificuldade em localizá-lo.

O abade, em seu conhecimento, focou sua atenção para aqueles estudos que ele tinha por escolha criado como alvo para sua educação. Dantès, malgrado sua ignorância da juventude, estava com o "sótão" livre para enche-lo com o que realmente era interessante: filosofia, línguas, matemática, filologia etc.. E, então, inteligente e rico, Dantès dá vida ao mais perfeito personagem já criado:

O Conde de Monte-Cristo. 

Juro, eu acho o Conde sensacional! Ele elabora cada movimento, cada situação..nada lhe passa desapercebido, nem o mármore ordinário que orna sua nova residência.
E, por coincidência, o primeiro volume desta história (na edição que comprei), termina com uma das minhas frases favoritas:

"Je viens de découvrir le moyen de délivrer un jardinier des loirs qui lui mangeaient ses pêches".

Ele é FAN-TÁS-TI-CO! E eu ponho na conta do papa!, digo, do abade!

Sinto muito a morte deste personagem! É um dos meus preferidos! Ah..quisera eu ter tido alguém com paciência para me ensinar "as coisa" da vida!

Omnia Vanitas. 


*frase do filme Um Sonho de Liberdade (baseado no conto de Stephen King, Primaveira Eterna, do livro As Quatro Estações)

26 de março de 2016

Sherlock Holmes e a Cocaína..



Ontem à noite eu iniciei minha leitura inédita de O Signo dos Quatro, de sir Arthur Conan Doyle. E, logo na primeira página eu li algo, no mínimo, intrigante. O detetive invetava cocaína para espantar o tédio.
Segue trecho:
– O que é hoje – perguntei –, morfina ou cocaína?
Ele ergueu os olhos languidamente do velho volume com letras góticas que havia aberto.
– É cocaína – disse ele –, uma solução a sete por cento. Você gostaria de provar?
– Não, muito obrigado – respondi bruscamente.
– Minha saúde ainda não se recuperou da campanha do Afeganistão. Não posso me dar ao luxo de forçá-la mais.
Ele sorriu ante a minha veemência.
– Talvez você esteja certo, Watson – disse ele. – Eu suponho que a influência da droga seja fisicamente ruim. Considero, no entanto, que ela é tão extraordinariamente estimulante e esclarecedora para a mente, que o seu efeito secundário é uma questão de pouca importância.
– Mas reflita! – eu disse com veemência. – Avalie o custo disso! O seu cérebro pode, como você diz, estar estimulado e excitado, mas trata-se de um processo patológico e mórbido, que envolve uma alteração dos tecidos cada vez maior e pode deixar no mínimo uma debilidade permanente. Você conhece também a depressão que se segue. Certamente o jogo não vale a pena. Por que você arriscaria, por um mero prazer passageiro,a perda das grandes capacidades com as quais você foi dotado? Lembre que eu não falo somente de um camarada para outro, mas como um médico até certo ponto responsável por sua saúde.

E no final do caso (da conclusão do livro), a conversa sobre cocaína volta:

– (...) Você fez todo o trabalho neste caso. Arranjei uma esposa com ele e Jones abocanhou o mérito; diga-me, o que sobre para você?
– Para mim, disse Sherolock Holmes, ainda resta o frasco de cocaína.

Fiquei curiosa para saber qual a ideologia da droga naquela época; e li que era comum o uso de cocaína, morfina e ópio na Era Vitoriana. Porém, conforme vemos, Watson repreende Sherlock do mesmo modo; pois o uso era medicinal (exceto quando a corte vitoriana recebia várias encomendas de ópio para as reuniões particulares da corte).
Procurei alguns links para fazer download desta obra, e, em uma delas, eu encontrei o trecho acima deletado. 
Não faço apologia às drogas, mas fiquei bem intrigada ao ler uma passagem como esta. Imagino que não colocaram esse atitude de Holmes na série atual - pois tiraram o clássico cachimbo da boca do personagem pois não é politicamente correto.


Omnia Vanitas.

24 de março de 2016

Bridget Jones voltou ..


Ela voltou!!! Doida e desastrada como sempre e como nunca, Bridget Jones, ex-senhora Darcy, estará nas telas do cinema em Setembro (é isso mesmo?). Divorciada de Mark, ela está curtindo a vida magra, linda, com um cabelo maravilhoso.. e ela jura que sua carreira teve um "up". 
E nesta nova rotina ela conhece o personagem de Patrick Dempsey que, supostamente, pode ser o pai do seu filho. Ou será Mark Darcy?

Esta é Bridget  Jones, alguém sem nenhuma noção do que acontece ao redor e sem controle da própria existência.

Quando eu vi o trailer pela primeira vez, pensei: ué! de onde saiu esse filme?

Segundo o roteiro literário, o último livro sobre esta heroína às avessas foi "Louca pelo Garoto"; que segue da seguinte forma: Mark Darcy morreu  :'(  e Bridget se apaixona por um garotão de 30 anos - e toda a aventura acontece em volta disso.
Na época do lançamento do livro, todas as fãs loucas por Mark Darcy quiseram apedrejar a autora (Helen Fielding) por matar o "homem mais perfeito do mundo".  E, agora, com o lançamento do filme, todos os fãs estão questionando "como ela pode pedir divórcio de Mark Darcy". Cresçam: antes divorciado do que morto!

Estou louca para assistir ao filme! E tenho certeza que Mark Darcy é o pai ..porque essa garota nasceu com o bumbum virado para a Lua (rs).

Omnia Vanitas

7 de março de 2016

Elinor Dashwood ..




Elinor Dashwood faz parte das "Dez Mais" das heroínas/heróis da literatura, no meu conceito. 
À pouco, enquanto meu marido ouvia a transmissão do jogo da Lusa, eu lia Razão e Sensibilidade. E..ela chama minha atenção a cada ato.

Criada por uma mulher mais excepcional que ela, Elinor é suprema em toda esta obra. 
Segue o trecho deste último momento:

"...por mais fascinante  que seja a ideia de um único e constante amor e apesar  de tudo o que se possa dizer sobre a felicidade de alguém depender totalmente de uma pessoa determinada, as coisas não devem ser assim, nem é adequado ou possível que o sejam".

Talvez, leitor anônimo, você não consiga enxergar o que esta mulher provinciana e "antiguinha" era para seu tempo; pois, então, eu lhe digo: revolucionária.
Totalmente contrária aos sentimentos que unem em laços desprovidos de autenticidade; Jane Austen pede para que o nó seja desfeito, que a vida continue e uma mudança seja feita! Eu quero ir além, quero dizer que a dependência em alguém não é saudável, pois cansa aos dois lados. Sejam unidos mas não ao ponto de interferir na vida do outro.


Omnia Vanitas.

Outras postagens sobre Elinor Dashwood clique aqui e aqui e aqui.

15 de fevereiro de 2016

Jane Austen ..de novo!



Estou com saudades dela! Nossa...que vontade de voltar a ler as obras da senhorita Austen! 
Acredito que não conseguirei passar esse ano sem lê-la! Saudade de Elinor Dashwood e sua temperança; de Elizabeth Bennet e sua sagacidade; de Emma e sua impulsividade .. Todos os personagens são queridos. E, saudade de ver os mau caráter sofrendo justiça! (rs).

Farei a lista de leitura conforme o filme O Clube de Leitura Jane Austen e ..logo que minha leitura de Stephen King finalizar, Austen tomará o posto de "próxima leitura".

É cruel com os outros livros que tenho, deixá-los ainda na lista de espera; mas é necessário. 
Ano passado eu havia dito a mim mesma que seria o ano de releitura das irmãs Brontë ...mas, não consigo pensar que ficarei um ano longe de Jane Austen.

Austen sempre!

Os Meninos da Rua Paulo - Prefácio

  Olá, abandonado leitor!  Comecei neste final de semana a leitura de "Os Meninos da Rua Paulo". Ainda não cheguei na página 50, a...