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3 de maio de 2020

Memórias de um Médico: primeira parte..


Livro um
Livro dois
Livro três
Livro quatro


Olá, leitor anônimo!!

Que prazer ter concluído esta primeira parte da saga Memórias de um Médico! Esta coleção estava mais de cinco anos na minha estante para a primeira leitura. E, desde a compra desta coleção foi algo muito especial para mim.
Deixe-me contar:

Eu tinha o plano de fazer um projeto de leitura livre no bairro que eu morava com meus pais; apenas um plano, quando uma amiga leu e levou à frente o projeto. Ela conseguiu vários patrocínios, bateu em várias portas para conseguir tudo o precisava para montar uma caixa para abrigar os livros. Depois, fomos buscar quem nos ajudaria com livros gratuitos para encher a caixinha. Visitamos alguns lugares que poderiam fornecer alguma doação para o projeto e, entre esses lugares, estava o sebo que eu amo visitar em Joinville - O Sebo Livraria. Foi lá que encontrei, sem ter procurado por ele na ocasião: foi na conversa informal com a dona do sebo sobre adaptações cinematográficas que cheguei a comentar sobre a saga e...ela tinha ! Não coleção completa, faltavam dois volumes que seriam muito fáceis de achar na internet ! E foi minha amiga que pagou para mim 😜 ..pois eu não tinha dinheiro na hora.

Ano passado eu fiz um "stories" no Instagram*  para comemorar o nascimento de Maria Antonieta pois a saga começa com a chegada dela na França para se casar com o Delfim (futuro Luíz XVI) e, me cobrei essa leitura pois era um crime ter passado tanto tempo para começar a lê-la. E, em Dezembro/19 eu trouxe a primeira parte para casa e jurei que começaria essa coletânea.
Neste ano, em março, foi obrigatório o recolhimento social por conta do COVID-19, então decidi começar a leitura desta obra de Dumas. Um dos motivo principais era não levar esses livros para minhas viagens de transporte urbano para não danificar mais a capa e páginas. Missão cumprida.

A leitura de todos os volumes foi muito agradável. Dumas (e Maquet) souberam compor uma trama que não deixou a leitura massante. Cada personagem foi bem aprofundada. Esta leitura me lembrou muito outras duas leituras: O Conde de Monte-Cristo (pela trama construída em lugares diferentes que se unem em determinada parte da narrativa) e O Visconde de Bragelonne por todas as tramas palacianas - o que me deixou com muita vontade de reler a trilogia de Os Três Mosqueteiros. 

Os romances de Alexandre Dumas são em sua maioria históricos. As suas personagens são reais mas o autor lhes dá atitudes que ele decide que servem para a sua obra. Ele não teve a intensão de tomar a história ao pé da letra, mas se utilizou dela para compor a sua realidade.  Portanto, a maior parte de seus personagem foram emprestados da história sem intensão de serem reais.
A corte francesa de Luíz XV está toda lá: a amante Du Barry, o marechal Richelieu - sim, mais um Richelieu, as filhas, o delfim, a nora Maria Antonieta... e o homem que dá nome a saga: Giuseppe Giovanni Battista Vincenzo Pietro Antonio Matteo Balsamo. José Balsamo.

Eu desconhecia totalmente esta personagem histórica. Ele foi tudo o que o Balsamo de Dumas é: maçom, alquimista, ocultista, feiticeiro, curandeiro - deve até jogar no bicho!
É com Balsamo que a trama inicia lá no livro um. Ele é o médico cuja memória é escrita.

O verdadeiro Balsamo, Giuseppe tinha uma real Lorenza - mas dela não procurei muito, visto que ela já deixou a trama. Giuseppe foi caçado pela inquisição e, teve um mestre que lhe ensinou sobre alquimia quando o rapaz tinha apenas dezessete anos. Giuseppe também atende pela alcunha de Alessandro, conde de Cagliostro e há alguns livros publicados sobre ele e o seu julgamento durante a Revolução Francesa.
Balsamo é respeitado até hoje como ocultista. Suas últimas palavras antes de morrer foram:
“Sono un cavaliere errante. Non sono di alcuna epoca né di alcun luogo, al di fuori del tempo e dello spazio, il mio essere spirituale vive la sua eterna esistenza e, se immergendomi nel mio pensiero risalgo il corso delle età, se distendo il mio spirito verso un modo d’esistenza lontano da quello che voi percepite, divengo colui che desidero."

Tradução: "Sou um cavaleiro errante. Não sou de nenhuma época ou lugar, fora do tempo e do espaço, meu ser espiritual vive sua existência eterna e, se imergindo em meu pensamento, volto ao longo dos tempos, se forçar meu espírito a uma maneira de existência longe do que você percebe, eu me torno o que eu desejo".

Nisso Dumas e Maquet acertaram: o José Balsamo da trama fictícia é um viajante além do tempo.

Omnia Vanitas.

*Salvo na pasta "Alexandre Dumas".

5 de abril de 2020

Fábulas e contos ...


Olá, leitor!

Eu sou apaixonada por contos e fábulas (infantis?). Então, eu decidi compartilhar algumas dessas maravilhas com vocês deste exemplar da foto!

A metologia será da seguinte forma: publicarei a história escolhida do livro e tentarei achar o conto no idioma original. Sobre as ilustrações, que neste livro são de Gustave Doré, será disposta a mesma que se encontra no livro que irei reproduzir.






O Sol e as Rãs

Celebram-se as bodas de um Tirano e o Povo, com festiva algazarra afoga suas preocupações em copos cheios. Esopo era o único que no via com bons olhos tais celebrações.
Contava ele que, em épocas passadas, o Sol pensou em se casar. Em seguida começaram as lamentações das Rãs. "Que será de nós, se ele tiver filhos?", perguntaram as Cidadãs da lagoa. "Com apenas um Sol já sofremos; quando houver meia dúzia deles, os mares e todos os seus habitantes sumirão. Adeus, pântanos e córregos! Nossa raça diminuirá e logo estará reduzida às águas do Estige". Para um pobre Animal, as Rãs, ao meu ver, racionavam muito bem".


Le Soleil et les Grenouilles

Aux noces d'un Tyran (1) tout le Peuple en liesse
Noyait son souci dans les pots (2).
Esope seul trouvait que les gens étaient sots
De témoigner tant d'allégresse.
Le Soleil, disait-il, eut dessein autrefois
De songer à l'hyménée.
Aussitôt on ouït (3) d'une commune voix
Se plaindre de leur destinée
Les Citoyennes des étangs.
Que ferons-nous, s'il lui vient des enfants ?
Dirent-elles au Sort, un seul Soleil à peine
Se peut souffrir (4). Une demi-douzaine
Mettra la mer à sec et tous ses habitants.
Adieu joncs et marais : notre race est détruite.
Bientôt on la verra réduite
A l'eau du Styx (5). Pour un pauvre Animal,
Grenouilles, à mon sens, ne raisonnaient pas mal.

(1) chez les Grecs : souverain absolu d'une cité
(2) les cruches de vin (on dit actuellement prendre un pot pour prendre un verre)
(3) on entendit (on n'emploie plus ce verbe que dans l'expression J'ai ouï dire)
(4) supporter
(5) Le Styx est le fleuve marécageux des Enfers, dans la mythologie. Les grenouilles n'auront plus qu'à s'y réfugier


fonte para texto em francês aqui.

31 de março de 2020

Leitura onze..parte final



Olá, esperançoso leitor!

Fim da leitura de Servidão Humana, de William Somerset Maugham. 
Este livro é uma pseudo-biografia do autor. 

Gosto muito dos livros do Maugham, e com este não foi diferente; apesar de ter perdido o foco da leitura por achar que se tratar de uma narrativa onde a relação amorosa seria o tema central. Ledo engano.  Deixe-me explicar, equivocado leitor!


A primeira parte da vida de William Carey está nesta publicação
Partindo deste ponto, ele foi para Paris para viver como pintor, pois achava que esse era seu dom. Encontrou um tipo variado de pessoas que também se julgavam pintores natos. Poucos realmente tinha aptidão para a pintura. Suas vidas eram dedicadas a esta arte, devotados por uma arte que não os reconhecia como participantes dela. E algumas vezes, tal arte exige a vida.

Novamente à Inglaterra, Philip precisa decidir em que profissão encaixará a sua vida. Escolheu a medicina e, neste processo de estudo - que não exercia por paixão mas por necessidade - conheceu Mildred. 

Servidão Humana é um livro sobre escolhas. Para onde ir, quem amar, o que fazer da sua vida.. Philip colocou-se em situações que escolheu viver, desfrutou de viagens, escolher amar quem não lhe amava, conheceu  a solidão e amigos leais. 

Este livro me lembrou muito outro livro de Maugham: O Fio da Navalha. Enquanto Larry buscava se livrar das amarras que as pessoas exigiam dele, tentava descobrir o sentido de estar vivendo; em Philip a busca era por aprovação social, familiar e amorosa. 

Os livros de Maugham são muito reflexivos, e nesta obra que representa a sua vida, não poderia ser diferente. 

Omnia Vanitas. 💀

16 de março de 2020

Leitura onze..parte I



Olá, fragmentado leitor!

Antecipo-me ao escrever neste blog sobre a leitura atual de Servidão Humana do querido William Somerset Maugham.
Como não poderia ser diferente, é uma leitura densa, com pensamentos e personalidades que atraem minha atenção.
Portanto, mesmo estando apenas na página 178 (de 701), preciso parar para fazer algumas breves considerações. Vamos lá ...

Philip Casey em menos de um ano perdeu seus pais em circunstâncias diferentes: o pai fora envenenado e a mãe morreu após o parto do seu irmão natimorto. Philip tinha nove anos na época que sua mãe faleceu. 

Após toda essa tragédia, foi morar com o tio e sua esposa. William Casey é um vigário na região de Blackstable. 

Após a chegada na casa dos tios, Philip viu sua vida direcionada para o trabalho religioso.  Frequentou a escola da região e teve seu primeiro contato social: sua deficiência no pé o levou conhecer a maldade que seus colegas de ensino lhe demonstravam por ele não ser "normal". Precisou enfrentar o deboche dos alunos e conviver com o autoritarismo de alguns professores. E neste ambiente, Philip precisou construir o seu caráter.
A falta de habilidade esportiva o levou aos livros. Tornou-se o primeiro em algumas matérias, cativou a simpatia de alguns professores e o horror de outros. Sua inteligência e perspicácia permitiram à Philip saber usar de argúcia contra seus colegas - visto que mesmo com seu destaque nos estudos, pouco convívio social tinha com os demais alunos pois em sua maioria o consideram estranho ou arrogante. 
E, na falta de companheiros, o protagonista encontrou Rose, um aluno que chegou ao instituto e logo cativou amizade com todos, incluindo Philip. E Philip se entregou a esta amizade de corpo e alma. Ele tinha alguém para compartilhar a vida na escola e ao chegar as férias, ansiou pelo retorno ao liceu para voltar a compartilhar da amizade de Rose. 
Mas o período de férias trouxe um novo Rose.

Philip precisou aprender a lidar com a indiferença do amigo e com o próprio orgulho ferido. Sua personalidade muda. Seu caráter tornou-se ácido com os outros, os estudos já não lhe davam prazer. Suas notas ficaram abaixo do normal e, agora, ele viu que precisa de um novo horizonte. 

E este horizonte foi a Alemanha. Na casa de pensão de uma pequena família, conhece outras personalidades completamente diferentes daquelas que ele conviveu no instituto - incluindo o convívio com o sexo oposto (dentro da sua faixa etária). 
Ainda era um mundo estranho para ele. Philip tem dificuldade de fazer-se expressar e de entender os outros.  E as mulheres com mais dificuldade ainda. 
Entre os conhecidos que faz e das conversas que tece, descobre-se ateu. E os pensamentos e ideais que descobre nesta nova condição lhe são mais confusos do que a própria crença cristã. 
E, apesar das coisas que descobriu que pensão, ainda faltava apaixonar-se... Mas antes lhe faltou dinheiro - o que levou a retornar para a casa dos tios.

Blackstable lhe trouxe uma nova mudança, e ela veio na figura de Emily Wilkinson. Ela foi seu ensaio amoroso. A busca pelo descobrimento de um sentimento profundo ou efêmero pela mulher, testava meros galanteios que pudessem sortir efeito positivo; viu-a desdenhar ou ignorar suas investidas. As longas conversas e as leituras permitiram a Philip conhecer Miss Wilkinson com mais propriedade. O convívio lhe foi prazeroso e educativo. Emily era mais velha que Philip e isto não estava definido para ele com atrativo ou desagradável. 
As relações íntimas que teve com ela o fez mentir em uma carta para o colega que conheceu na Alemanha. Florou a situação, falseou a imagem de Emily para convencer o destinatário da grande façanha que viveu.  Ainda não era amor. Ainda não lhe conheceu aquela que o faria viver a intensidade do sentimento amoroso. 

Philip Casey está perdido. Sua personalidade não está completa pois lhe falta o amor. Viveu as mudanças que precisou fazer para conhecer-se como cidadão em sociedade: enfrentou o tio, os professores, seus colegas - tornou-se aquele que lhe foi permitido ser; dialogou uma fé que lhe foi imposta, descobriu as falhas que nela há e naqueles que vivem dela e para ela. Compreendeu que uma mulher pode ser atraente mas não necessariamente amada. 
E segue adiante a leitura...

Omnia Vanitas. 💀

28 de fevereiro de 2020

Leitura nove..



Olá, anônimo leitor!

Fim a leitura do romance Clara dos Anjos, de Lima Barreto. Na verdade, terminei apenas a leitura do romance pois, nesta edição há alguns contos do autor. Mas, como o título do livro remete somente ao romance, esta publicação se aterá somente a ele.

Clara dos Anjos é a única filha de Joaquim e Engrácia - única filha que sobreviveu. Eles moram no subúrbio carioca e é nessa sociedade que todo o romance é passado. 

Lima Barreto apresenta a história de cada personagem do subúrbio. O romance, então, não se concentra apenas em Clara, mas faz da personagem o motriz que leva o leitor para conhecer a vida privada das outras pessoas da trama. 

Cada vida é apresenta em sua dignidade e seu vício; as famílias e os princípios que as regem. A leitura não está ligada ao personagem central - Clara - porém, todos a sua volta tornam-se participantes da sua vida e, alguns, fatais ao seu destino. 

Clara dos Anjos apaixona-se por Cassi Jones de Azevedo. Ambas as famílias criam seus filhos através da dignidade.
O núcleo Dos Anjos vêem na única filha sobrevivente o motivo de orgulho e preocupação. Rodeada de cuidados excessivos, Clara pouco conhece ou se envolve com a sociedade ao seu redor - fora a vizinha e algumas poucas amigas. Protegida e com pais que pouco prezam em designar a filha uma aprendizagem adequada para sua vida em sociedade - desta forma impedem que a menina tenha conhecimento sobre atuar em uma relação extra-família. 
Esse "aprisionamento" molda na protagonista uma personalidade fraca e inocente. Com todos esses cuidados excessivos, Clara não cria um discernimento sobre o caráter das outras pessoas.  
Enquanto a mãe a mantém presa em casa para a segurança da menina, o pai pouco a vê (pois trabalha de manhã até à noite). Ambos desejam que a menina tenha um bom casamento - desde que não seja com Cassi Jones, à quem mantém longe dos olhos da filha (ou pelo menos assim acham).
Todos esses cuidados são somente um motivo para que Clara se rebele - dentro da sua personalidade - contra as opiniões que os pais tem do rapaz.

Cassi Jones vem de uma família que, para o orgulho de dona Salustiana, apenas possui o subtítulo de um parente do passado. Apesar da mãe orgulhosa e totalmente cega aos maus feito do filho, o pai, senhor Azevedo, é um pais austero que ignora e expulsa o filho do convívio familiar à fim de não deixar que suas duas outras filhas (Catarina e Irene) sejam privadas de bons casamentos e sociedade por causa das atitudes do filho. 

Clara dos Anjos mostra a diferença social, mas, principalmente, racial de uma sociedade suburbana em formação. Os agouros e sonhos de pessoas que precisam sobreviver mediante sua dignidade, apesar da condição econômica e discriminação racial que vivem -e a última frase do romance mostra o desespero destas pessoas. 


Omnia Vanitas 💀



17 de janeiro de 2020

Leitura dois..



Segundo livro deste ano. Sensacional!

Este exemplar eu encontrei perdido na casa da minha mãe. À priori, eu o descartaria porque sua capa estava prestes a cair e percebi outras avarias. Como me dói muito descartar um livro, eu o trouxe comigo para casa e adotei-o definitivamente. É meu, mesmo que outros exemplares surjam, este livro é meu. 

Como eu já mencionei na primeira leitura, a suspeita de Carroll ser um pedófilo e, Nabokov expressara-se desta forma a respeito do autor de Alice no País das Maravilhas:

“I always call him Lewis Carroll Carroll, because he was the first Humbert Humbert.” — V.N.
E, não deixando passar ao largo, Nabokov cita de maneira velada o país das maravilhas de Carroll (Carroll).

Mas, além de Carroll, o autor de Lolita cita um fato que aconteceu em l948: o sequestro de Sally Horner, de apenas onze anos de idade, pelo pedófilo de cinquenta anos Frank Lasalle.

Será que eu havia feito a Lolita o mesmo que Frank Lasalle (...)?

 Lolita é um ótimo livro. Duro de ler - pelo menos para mim. 

Desde o prólogo o livro surpreende e, para os desavisados ou com compreensão equivocada sobre a obra, desde o princípio é apresentado como uma ação sexual contra uma criança. Portanto leitor, não entenda de outro modo. É isso.

A obra de Nabokov é fantástica ao tratar a pedofilia. Ela é apresentada na visão de um homem adulto que ao encontrar a filha de sua senhoria, apaixona-se imediatamente por aquela criança. Primeiramente, por esta criança lembrar seu primeiro. Em segundo lugar sua fantasia por Lolita sobrepõe a finada Annabelle e torna-se sua obsessão.

Humbert Humbert, como se denomina o escritor desta narrativa, é um homem erudito e literato e, todo a sua personalidade cátedra é vista neste seu relato sobre a sua história com Lolita. Em momento algum o leitor se deparará com palavrões, descrições grotescas de alguma situação. Humbert Humbert mostra, apesar de sua personalidade podre, um ótimo domínio sobre a escrita que não traz ao leitor nada que irá chocá-lo demasiadamente - visto que a pedofilia em si já enoja.

Dolores Haze - Lolita - é uma criança. Durante a leitura da obra, o leitor não pode esquecer disso. Quando Humbert Humbert tem relações sexuais com ela, Lolita em tem doze anos. Quando ele a acaricia, ela tem doze anos. A personagem de Nabokov não tem absolutamente nada a ver com os filmes de 1962 e 1997. Em ambos, as atrizes são mulheres acima de dezoito anos com esteriótipos sexualizados para trazer uma imagem erótica: Lolita tem doze anos, um metro e quarenta e cinco de altura. Ela é uma infante.

Por hoje é só ! Tentarei ser mais pontual com cada publicação. Ou não.

Omnia Vanitas 💀







17 de novembro de 2019

Trigésima sétima leitura..



Olá, anônimo leitor !!

Fim da primeira leitura de um livro do "Estevão Rei" neste ano! Este exemplar de Escuridão Total Sem Estrelas é especial por ser um presente de uma amiga muito querida! 

Este livro contém quatro contos, a maioria deles - ou todos - já se tornaram filmes. Destes, eu assisti 1922. E, vou repetir o que escrevi sobre este conto lá no Instagram: essa história me lembrou muito Crime e Castigo de Fiódor Dostoiévski. Um homem comete um crime é sua consciência o atormenta tanto que ele sente que a qualquer momento seu ato será descoberto - mas com uma pitada sinistra do mestre King.

A sequencia dos contos é a seguinte:
- 1922
- Gigante no Volante
- Extensão Justa
- Um Bom Casamento.

Com eu não quero dar spoiler, não vou apenas comentar que todos os contos tem um final comum. 

Escuridão Total Sem Estrelas é um livro violento. Assassinato e estupro é o que permeia estes contos do senhor King. 
Eu não quero escrever muito sobre cada um para não dar mancada em revelar algum desfecho; mas vou transcrever o que Stephen King escreveu sobre a inspiração para cada escrita. 
1922 foi inspirado em um livro de não ficção chamado Wisconsin Death Trip (1973), de Michael Lesy, que mostrava fotografias tiradas na pequena cidade de Black River Falls, Wisconsin Fiquei impressionado pelo isolamento rural dessas fotografias e pela severidade e pela privação no rosto da pessoas. (...)Em 2007, enquanto viajava pela Interestadual 84 para uma sessão de autógrafos no oeste de Massachusetts, passei por uma dessas paradas de estrada (...). Quando saí da lanchonete, vi uma mulher com o pneu furado tendo uma conversa ávida com um caminhoneiro estacionado na vaga ao lado. (...)Em Bangor, onde moro, uma via pública chamada extensão da rua Hammond margeia o aeroporto. (...) Há uma área de cascalho ao lado da cerca do aeroporto, na metade da extensão, onde vários vendedores de beira de estrada vêm montando suas barraquinhas ao longo dos anos. (...)A última história  veio à minha cabeça depois de ler um artigo sobre Dennis Rader, o infame assassino BTK (do inglês bind, torture and kill - amarrar, torturar e matar) que tirou a vida de dez pessoas - a maioria mulheres, mas duas eram crianças - em um período de 16 anos. (...) Paula Raider foi casada com esse monstro por 34 anos, e muitas pessoas na área de Wichita, onde Rader cometia seus crimes, se recusaram a acreditar que ela vivia com ele sem saber o que ele fazia.
Explicação para o título da obra:
Na ausência da luz, o mundo assume formas sombrias, distorcidas, tenebrosas. Os crimes parecem inevitávveis; as punições, insuportáveis; as cumplicidades, misteriosas. Os personagens destes quatro contos passas por momentos de escuridão total, quando não existe nada - bom senso, piedade, justiça ou estrelas - para guiá-los. Suas histórias representam o modo como lidamos com o mundo e como o mundo lida conosco. São narrativas fortes e, cada uma a seu modo, profundamente chocantes.

Eu adorei esta leitura, e a rapidez ao terminar o livro se deu por haver várias filas de carros parados me prendendo dentro de ônibus por mais de hora durante a semana!

Omnia Vanitas 💀

20 de abril de 2015

Elogios que não elogiam..



Eu já mencionei que sou contra elogios exagerados e coisas do tipo e que, também, sou contra essa ideia de mulher ser tratada com beata.

Porém, há um assunto que estou remoendo há muito tempo. Às vezes, tenho vontade de escrevê-lo, em outras prefiro ignorar minhas ideias. Mas, nesta nublada manhã de segunda-feira, eu li um texto que foi um empurrão para eu fazer esta publicação. O texto "motivacional" está neste blog.

Depois de ter ativado, novamente, minha conta no Facebook, resolvi fazer uma limpa em algumas páginas (e contatos, também). Porém, excluindo alguns, inclui outros. E nesse mexe-mexe de põe e tira, eu encontrei coisas interessantes. Uma delas é sobre "feministas". Na verdade, pseudo-feminista (que acham que esculachar os homens é valorizar o próprio sexo). Mas, algumas coisicas são engraçadinhas e, portanto, lá eu fico. Mas, como já disse, nessa manhã, eu li algo que me "inspirou" a escrever. Esse texto - que está linkado lá em cima - fala sobre as vantagens de namorar/ficar com um gordinho. 

Eu não tenho nada contra gordinhos, fortinhos, magrinhos, sarados, metrossexuais etc e tal. Por mim, sejam felizes como preferem ser.
Mas, não há pior do que "elogiar" em detrimento ao outro. Para um ser bom, é preciso diminuir o outro? Que triste! É isto que eu concluí ao ler aquele texto. E, esta não será a última vez que isso acontecerá.

Esse tipo de "elogio" é tão comum quanto você, querido leitor, pode imaginar. Quantos "conselhos" você já ouviu semelhantes a esse "elogio"? Pense! Quantas vezes um elogio lhe foi dado em detrimento de outra pessoa?

Ser magra não me torna uma pessoa má e fria! Ser gorda não me torna uma pessoa boa e carinhosa! Isso se chama caráter! E daí ...isso é outro post! ;)

14 de abril de 2015

Prostituto de Luxo ..


Ainda estou lendo a Juvenília de Jane Austen e Charlotte Bronte! Estou na última parte, que cabe a Charlotte e, no início desta última parte, o prólogo chamou minha atenção. Eu achei divertido e original no melhor estilo do estilo "Homem Solteiro Procura..". Segue:

"Um jovem de aparência cativante, eloquência elegante e comportamento cavalheiresco deseja obter seu pão sem esforço e viver desfrutando do nível mais alto possível de conforto e esplendor através do nível mais baixo possível de labuta ou fadiga. Com esse objetivo, pede permissão para informar o público de que lhe seria extremamente conveniente uma fortuna de herança ou se casar com uma mulher cujo menor mérito não deve ser seu dote pecuniário.
O anunciante não é rigoroso quanto à idade nem enfatiza os encantos transitórios meramente físicos - que, de acordo com a opinião dos melhores médicos de todas as eras, podem ser removidos apenas por uma doença que dure alguns dias ou pelo mais trivial dos acidentes.
Ao contrário, uma forma simetricamente imperfeita - um membro que esteja lateral, horizontal ou obliquamente fora da linha da mais rígida retidão; ou mesmo a ausência de uma feição, como um olho ou uma fileira de dentes a menos - não será uma grande objeção para este este indivíduo esclarecido e sincero, contanto que sejam oferecidas provas satisfatórias da posse dessa grande e essencial virtude, desse eminente e irresistível charme: D - I - N - H - E - I - R - O! Escrever para C.T. - aos cuidados do sr. Graeme Ellrington, nº 12, rua Capela, Verdópolis. 
P.S. - Não deve se oferecer para a posição ninguém que tenha uma fortuna em cédulas, terras ou títulos de menos de vinte mil libras. O anunciante se considera uma barganha pelo dobro do preço".

Depois eu conto se houve respostas ao sincero pretendente! ;)

25 de fevereiro de 2015

Cinquentas Tons do Sr. Darcy...uma paródia



Caso você seja um homem, vou lhe dizer o que acontece com o cérebro de uma mulher quando lhe é dito "Mr. Darcy".
Uma geração estará pensando em Colin Firth saindo molhado, com a camisa grudada ao seu corpo (deus! que corpo!) andando em direção a Elizabeth Bennet nos parques de Pembley.
Outra geração estará lembrando de Mathew Macfadyen molhado na chuva pedindo Elizabeth Bennet em casamento (todinho molhado! ô deus!).

Porém, somente uma mente criativa e pervertida pode criar Mr. Darcy como um dominador sexual em busca da sua escrava (sexual, claro). E, nada mais nada menos que, Elizabeth Bennet no papel de submissa (só que não!).
Emma Thomas é a autora deste livro "Cinquenta Tons do Sr. Darcy". Porém, não se tem certeza de quem seja o criador desse livro bizarro, pois "Emma Thomas" é um pseudônimo. Portanto, siga sua imaginação para descobrir quem pode ser o dono desta divertida obra.

Uma paródia que "mistura" o best seller Cinquenta Tons de Cinza e  o clássico Orgulho e Preconceito deu como resultado ótimas risadas.
Eu paguei muito mico em público lendo esse livro: cômico do início ao fim!

Elizabeth Bennet não se conforma que Mr. Darcy (um gostoso, fodido, mal-humorado, controlador e bilionário bem-sucedido) não pudesse usufruir dos benefícios de um sexo baunilha. Como heroína, somente ela poderia tirar este herói romântico da merda onde Lady Catherine de Bruços, sua tia dominatrix o havia enfiado.

Na maioria dos casos, os nomes foram mudados para codinomes bem escrotos, como o sr. Bingley ser, nesta narrativa, o sr. Bingulin. Hilário!

Como eu não li o best seller, tive que somente imaginar como seria a história fora do que conheço sobre Orgulho e Preconceito. Pelo que entendi, o tal Grey é, de maneira sinistra, preocupado com a alimentação da sua submissa (dando-lhe cardápio do que ela deve comer), como ela deve manter a higiene íntima e, claro, tem uma espécie de guarda-costas surtado para que ela se mantenha viva (isso me lembrou muito a saga Crepúsculo).
Cara, é por isso que eu sou contra essa merda de livro! Durante ANOS! ANOS! ANOS! as mulheres (sensatas) galgam degraus árduos em busca de reconhecimento, liberdade, e direitos iguais e, então, quando o mundo é para estar moderno e civilizado, uma escrota e mal fodida escreve tudo ao contrário! E chamam essa porcaria de "romance"!!! É de queimar o sutiã em praça pública! 

Ok..seguindo, ou perco o fio do pensamento!... (ódio).

Como já havia dito, paguei muito mico em público por conta das cenas bizarras que li; seguem algumas:

No original:
 (...) Todo o grupo se encontrava ainda na mesma posição, conversando muito agradavelmente, quando se ouviu um rumor, e Darcy e Bingley apareceram a cavalo. Ao avistar as senhoras, imediatamente se adiantaram para o grupo e as cumprimentaram com as cortesias de costume. Bingley se dirigiu logo a Miss Bennet. Estava, explicou ele, a caminho de Longbourn, a fim de saber notícias dela. Mr. Darcy confirmou com uma reverência e estava a ponto de tomar a resolução de não olhar para Elizabeth, quando a presença do estranho lhe chamou a atenção. Elizabeth, que olhava para o rosto de ambos, viu com espanto que quando os seus olhos se encontraram um corou e o outro empalideceu. Mr. Wickham, depois de alguns instantes, tocou o chapéu: uma saudação que Mr. Darcy apenas se dignou responder. Que poderia significar aquilo? Era impossível saber, mas era impossível também não sentir grande curiosidade.
Poucos minutos depois, Mr. Bingley, embora sem parecer notar o que tinha se passado, despediu-se e partiu com o amigo.

Na paródia:
Foram feitas as devidas apresentações e, logo, o grupo inteiro estava envolvido em uma agradável conversa, quando se ouviu o som de cascos de cavalos se aproximando, e o sr. Bingulin e o sr. Darcy foram vistos descendo a rua. O sr. Darcy, montado em uma bela égua alazão, dignou-se a cumprimentar a companhia militar com um aceno, mas foi detido de imediato ao avistar o estranho, e Elizabeth ficou assombrada com o efeito de tal encontro. Observando o semblante de ambos os cavalheiros, percebeu que os olhos do sr. Darcy escureceram-se e seu maxilar ficou rígido, enquanto Thomas Turband empalideceu na hora. Após uma pausa, Thomas tocou a aba do chapéu, saudação que o sr. Darcy respondeu mostrando-lhe o dedo médio e balbuciando a palavra “ cuzão”.
Qual podia ser o sentido daquilo?, perguntou-se Elizabeth. Haveria alguma inimizade entre os dois cavalheiros?
Outra: (nesta cena, Elizabeth descobre que foi Mr. Darcy quem separou sua amada irmã Jane do sr. Bingley - ou Bingulin)

Oh, pobre Jane! Aquilo era demais para suportar! O sr. Darcy arruinara a felicidade de sua amada irmã, talvez para todo o sempre! Que filho da puta!

E, a pior foi a cena que li ontem. Eu tive crise de riso e não conseguia me controlar. Precisei fechar o livro e pensar em coisas não agradáveis para me conter. E, mesmo depois de um tempo, eu voltava a rir. Segue:

— Eu não sou sua escrava. Caso não se lembre, não cheguei a assinar seu maldito contrato — retorquiu Elizabeth.
Os olhos cinzentos do sr. Darcy arregalaram-se de surpresa e depois se tornaram escuros e revoltos. As sobrancelhas e a boca se retorceram. Estava evidente que ele travava uma batalha interna, lutando contra algum turbilhão interior. De repente, sua formosa boca abriu-se, e ele soltou um arroto ensurdecedor e gutural.
— Você não pode fazer uma coisa dessas! — exclamou Elizabeth. — Você é um herói romântico.
O sr. Darcy envergonhou-se.
— Perdoe-me — desculpou-se ele. — Deve ter sido a cebola em conserva que comi no almoço.
Percebendo o olhar horrorizado de Elizabeth, ele murmurou:
— Veja bem, você descobriria isso mais cedo ou mais tarde. — Gentilmente, ele traçou o queixo de Elizabeth com os indicadores longos e sexy. — Eu também peido.
— Não, não, não! — lamentou ela, cobrindo os ouvidos com as mãos. — Não estrague a minha fantasia! Você não é como os outros homens!
O sr. Darcy fez uma expressão de pesar.
— Devo voltar a ficar irritado?
— Por favor, faça isso.
A fúria do sr. Darcy estava de volta.
— O que há de errado, Elizabeth? — perguntou ele, irritado. — Não suporto vê-la infeliz. Você deve sempre ser honesta e se abrir para mim, ou serei obrigado a tirar todo esse brilho de dentro de você na base da porrada.
Elizabeth adotou uma postura firme.
 Mas, nesta manhã, eu consegui terminar a leitura antes chegar ao trabalho. Nada de micos e risadas descontroladas. Fim.

Omnia Vanitas.





26 de fevereiro de 2013

O apetite sexual de Mr. Darcy



Esqueça os vampiros pois eles são coisas do passado.
A onda agora é escrever sobre as mais variadas formas de atos sexuais. Mas por favor, não se limite ao "best seller" Cinquenta Tons de Cinza pois indústria da literatura de massa está gozando livros desta estirpe em todas as livrarias.

Meu gosto literário não me dá prazer para ler a aplaudida obra de E.L.James porém, não pude deixar de lado a paródia feita por Emma Thomas: CINQUENTA TONS DE SR. DARCY.
Eu ainda não inicie a leitura, mas já ri bastante lendo algumas páginas aleatórias.
Lady Catherine dominatrix? hahaha É hilário!
O vocabulário é chulo e grotesco - o que nunca sairia dos belos lábios educados e apaixonados do verdadeiro Mr. Darcy, mas é justamente esse inevitável comportamento que torna impossível o riso fácil.

A vida sexual de Mr. Darcy - o eterno Senhor Perfeito de todas as austenianas - em uma versão muito divertida.



Logo que eu ler, estarei fazendo um post mais conciso. Este foi somente para conter a excitação. ;)

Omnia Vanitas.

Os Meninos da Rua Paulo - Prefácio

  Olá, abandonado leitor!  Comecei neste final de semana a leitura de "Os Meninos da Rua Paulo". Ainda não cheguei na página 50, a...