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2 de outubro de 2020

Vigésima quinta leitura..

 



Fim de mais uma leitura !!! 


A partir de Shirley, eu decidi reler os livros das irmãs Brontë que estão comigo; e a escolha de desta obra de Charlotte Brontë é especial: foi nele que Elizabeth Gaskell se inspirou para escrever o meu amado Norte e Sul - porém, o livro de Charlotte não alcançou a mesma popularidade que o livro da amiga.

A publicação no livro foi no ano de 1849 - edição em três volumes sob o pseudônimo de Currer Bell. Este romance foi precedido por Jane Eyre (que teve uma ótima recepção pelo público e até hoje conhecido como a magnum opus de Charlotte Brontë) e seguido por Villete

A trama de Shirley acontece entre os anos de 1811 e 1812  - no período que a Inglaterra fecha o seu comércio por conta da guerra com Napoleão. Assim com em Norte e Sul, existe uma revolta ocasionada pela falta de emprego - porém, neste romance de Brontë a revolta se dá pela ocupação que as máquinas terão em detrimento a mão de obra humana. O desemprego é um dos temas de Shirley. A questão religiosa é uma das diferenças entre os romances de Gaskell e Brontë: em Norte e Sul é um assunto tratado de modo mais ameno, porém em Shirley a questão é mais aberta mostrando a rivalidade entre whigs e tories - para saber um pouco tem uma nota nesta publicação aqui

As personagens de Shirley também serviram de inspiração para Norte e Sul. O industrial Roberto Moore lembra muito a personalidade forte e determinada de John Thornton 💓. Ambos são ambiciosos, mas em Thornton há uma conotação de herói da trama que não lhe permite os erros de caráter de Roberto Moore. 

Entre as protagonistas, nenhuma delas tem relação entre si.

O romance, na minha opinião, poderia se chamar Carolina, pois mais de oitenta por cento da trama gira em torno desta personagem. A personagem que dá título ao livro aparecerá somente no capítulo dez (a partir da página 130 no meu exemplar*) e terá algumas participações na trama. Carolina Helstone, por outro lado, tem uma personalidade definida desde o início da trama e sua ausência na história se dá apenas para que o enredo entre a protagonista e Luís Moore 💗 cresça para fechar a trama.

Algumas anotações sobre Shirley - a mulher e não o livro - devem ser escritas: o nome dela era prevalentemente masculino, mas depois da publicação da obra algumas mulheres foram registradas com este nome. Shirley é uma das poucos mulheres ricas (protagonistas) que povoam as obras de Charlotte Brontë. Shirley tem personalidade forte e, por ser rica, muita das suas vontades são satisfeitas e poucas vezes é repreendida por algum ato cometido ou palavra dita. Shirley é quem cuida dos seus negócios, responde as cartas comerciais - geralmente feito pelo homem da casa ou por um contratado para o serviço; e por suas atitudes "masculinas", o tio de Carolina chama a herdeira de "Capitão Keeldar" - que é o sobrenome de Shirley, Keeldar. E ele o faz sem sentido pejorativo. E estas não são as únicas peculiaridades desta protagonista: seu cachorro não é de uma raça recomendada para "damas" - eu acredito que seja um buldogue inglês que, apesar de pequeno não é "educado". Geralmente as moças tinham poodles ou raça semelhante. Uma passagem intrigante para mim foi quando a sua acompanhante, a misteriosa senhora Pryor, repreende Shirley por ela estar assobiando - desde a primeira leitura essa foi uma parte marcante pois me instiga a pensar que não era "apropriado" para uma mulher assobiar - talvez seja pelo fato de homens usarem isso para caça (?); não sei!

Em oposto à Shirley está Carolina Helstone. Como em geral nos romances de Charlotte, ela é órfã - apesar de não saber o paradeiro da mãe, o pai é falecido. Mora com o tio que é pastor e tem sociedade com um casal de primos, os Moore (inicialmente Hortência e Roberto) e posteriormente, Luís. O fato de ela ser órfã e não ter fortuna para si, a faz crer que ser solteira será seu destino. E, o próprio Roberto a rejeita como esposa pela sua pobreza - pois com a guerra e sua possível falência, Roberto precisa de um cônjuge que lhe traga benefícios financeiros para que ele reerga a sua fábrica.  

Carolina é a personificação da heroína. Ela sofre por um amor que não pode ser conquistado, ela ajuda a todos além das suas forças, abdica do bem estar para que outros possam estar bem, jamais afirma que está cansada ou que algo lhe abate a alma - tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta - como está no Evangelho. E todos os benefícios colhidos (mesmo os mais ínfimos) são louvados, todas as injúrias sofridas são perdoadas em nome do amor.

Enquanto em Norte e Sul a morte permeia a trama, em Shirley ela é descartada. Talvez, porque no momento em que escrevia este romance, Charlotte Brontë havia perdido seus três último irmãos: Branwell (setembro 1848), Emily (dezembro 1848) e Anne (Maio 1849). 

Carolina sofre de um terrível mal físico (e psicológico)  que a deixa por várias semanas doente, a beira da morte. Sua recuperação se dá por meio de uma revelação que lhe trás um motivo para lutar contra a morte. Segundo uma amiga íntima de Charlotte, Carolina foi inspirada em sua irmã mais nova Anne e, pouca certeza há, que Shirley foi dedicada à Emily. Ellen Nussey, a amiga íntima, nunca confirmou a inspiração de Shirley em Emily. 

Um adendo para Luís Moore. 

Este irmão de Hortência e Roberto aparece no final da trama. Sua aparência não é tão bela quanto a de Roberto, mas ambos se assemelham fisicamente - e a comparação para por aí. Luís é quieto, mas altivo. Escolhe suas palavras antes de dizê-las, ao entrar em uma conversa ele domina o interlocutor - mesmo sendo Shirley. Ele é professor. E essa profissão é importante para Charlotte Brontë. Em sua estadia em Bruxelas, ela se apaixonou pelo professor, casado, Constantin Héger. Ela lhe enviava cartas para ele -  mesmo não sendo encorajada a fazer isso. A obsessão por este homem está marcado em seus romances: em O Professor (romance póstumo, publicado em 1857) William Crimsworth é a representação de Héger; em Villette ele é Monsieur Paul; em Jane Eyre ele é Mr. Rocherster. 


Então é isso! 

Omnia Vanitas 💀


*BRONTE, Charlottte. Shirley. Ed. Brasileira, 1949. Tradutor: Fábio Valente.


15 de setembro de 2019

Vigésima primeira leitura..


Olá, leitor anônimo!

Fim de mais uma leitura de Norte e Sul! 

Amo esse livro e, desde 2016, eu decidi que em cada Setembro, eu faria uma leitura dele. Eu não posso deixar Mr. Thornton apagar da minha memória! 
Infortunadamente, em 2018 essa prática foi comprometida por meu cérebro esquecido. Deixei meu exemplar na casa da minha mãe... e, como não queria lê-lo fora do mês escolhido, deixei-o para este ano. E para não ocorrer no erro novamente, Norte e Sul fica de modo permanente na estante da minha casa atual. 

Esta foi a quarta leitura desta obra. As datas registradas são essas:

* 02.12 à 14.12.13 - onde meu coração foi completamente entregue à Mr. Thornton!
* 10.09 à 20.09.16
* 07.09 à 19.09.17
e a última
* 30.08 à 13.09.19

Ganhei este exemplar da minha amiga GLN como presente de aniversário. O mais interessante foi que minha amiga entregou o dito presente depois da data e, neste meio tempo, o aniversário dela estava chegando; então, sem eu saber que ganharia Norte e Sul, eu comprei um exemplar igual de Norte e Sul para ela. Foi muito divertido o momento de abrirmos os presentes trocados. Nunca mais obtive sintonia mais fina que esta em um presente! 

E, ao pensar no que escrever nesta publicação, eu observei minha coluna de livros lidos deste ano e constatei o seguinte: os últimos cinco livros contém mulheres que influenciam diretamente na vida dos personagens que as rodeiam: Capitu e Raquel, Lady Barberina e Miss Jessel , Cecília Lisbon e suas irmãs e, claro, Margaret Hale.

Todas essas mulheres possuem um caráter forte e determinado. Mas sou propensa a gostar mais de Margaret.
Eu a percebi mais nesta leitura (na leitura anterior o fator "indústria" foi mais latente para mim). Eu a achei como uma mulher cuidadora dos seus. Primeiro, a prima em Harley Street, depois os pais, na mudança de endereço ela se viu mais envolta em cuidar dos pais - mas por maneiras mais fortes; os membros da família Higgins também tiveram a atenção dedicada dela. Eu adorei conhecer essa Margaret que para não pensar em sua miséria cuida de outros. 
Claro, existe um sofrimento na alma dela motivado por tudo o que se passa ao redor: a mãe doente, o pai apático, a amiga moribunda com o pai desempregado e a irmã tola. Mas ela se envolve porque é isso que lhe dá forças. 
Quando se muda da cidade industrial de Milton, ela não consegue conviver com esse estado de "tranquilidade" pois sabe que não longe dali existem pessoas que precisam de algum amparo e cuidado - coisa que a tia e prima não conseguem compreender. 

Eu gostei de Margaret porque talvez ela tenha uma personalidade de entrega que ainda preciso cultivar em mim: saber que apesar do meu sofrimento é preciso olhar para o próximo. Preciso ter mais Margaret Hale em mim.

Omnia Vanitas 💀 

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Links para outras publicação sobre Norte e Sul, de Elizabeth Gaskell


9 de maio de 2019

Dúvida cruel ..


Olá, indeciso leitor ! 

Você também, ao escolher um livro, tem critérios (duvidosos, à vezes) para escolher um exemplar para chamar seu?

Leitor, eu tenho algumas manias antes de adquirir uma nova obra para minha biblioteca:

- de preferência, que seja papel tipo pólen (meus olhos irritam com papel branco 👼)
- que seja usado, se possível
- capa dura
- a letra não pode ser muito pequena porque eu pretendo viver até os 92 anos e ler até o último minuto!
- apesar de eu ter começado a ler Crônicas Saxônicas (estou terminando o livro seis), eu não tenho mais interesse em adquirir trilogias e sagas

Mas toda regra tem exceções: a minha está representada na imagem de capa.
Estou cadastrando livros para o sebo e, ao precisar descartar um livro e repor outro em seu lugar, encontrei um livro do Émile Zola (de quem nunca li nada) na caixa: Germinal. O livro é o de capa mole. 
Folheie a brochura e fiquei tentada a ficar com o exemplar mas daí... Encontrei mais dois livros da obra Germinal disponíveis na loja. Fiquei em dúvida. Eu não consigo nortear minha escolha mesmo usando as regras que "criei". 

A vida não é fácil, Janjão! 

Deixe-me descrever um pouco sobre esta obra de Zola:

O protagonista é um homem (Lantier) que trabalha em minas de extração de carvão e a vida não lhe é agradável; porém, um moça chamada Catarina - também trabalhadora na mina, é um refresco para sua vida laboriosa. Germinal destaca a classe mineira e a formação dos sindicatos e as greves como modo de exigir que o trabalho seja melhor amparado. O autor retrata a fome, miséria e a decadência humana perante a sociedade de sua época.
Um curiosidade é que Émile Zola conviveu com trabalhadores de minas de carvão durante dois meses para adquirir conhecimento sobre a vida dos operários. 

Um dos motivos para eu querer ler este livro é a questão da greve. No livro Norte e Sul (1854), de Elizabeth Gaskell, em meio ao romance de Mr. Thornton (💗💗💗) e Margaret, a questão de salários reduzidos e a opressão sobre a classe operária em fábricas de tecido é o painel social que vive o casal #JhoMag As questões levantadas em uma pós Revolução Industrial são muito interessantes e eu já escrevi sobre isso

Então é isso, leitor ... não sei qual exemplar levar para casa ! A vida é dura, Janjão! 

30 de janeiro de 2018

Leitura cinco..


Olá, saudoso leitor!

Fim de mais uma leitura! E, hoje, eu não vou publicar no blog porque escreverei no meu caderno (físico) de leitura. Bateu uma nostalgia em escrever. 
Mas fica a dica de leitura, Cranford de Elizabeth Gaskell. 
Notas interessantes: Gaskell foi amiga de Charlotte Brontë e Charles Dickens. Este amigo teve algumas discussões com Gaskell chegando a dizer que tinha "pena" do marido desta por ter uma mulher com o temperamento como ela. Gaskell era leitora de Jane Austen #AguentaEssaMissBronte

20 de setembro de 2017

Vigésima leitura..


Fim da vigésima leitura. 

Norte e Sul, de Elizabeth Gaskell é um dos livros que eu releio todo Setembro - para comemorar meu aniversário. Decidi fazer isso no ano de 2015, mas, como eu houvera emprestado o livro para minha irmã número dois (e ela atrasou a leitura), não pude colocar o plano em prática. 2016 e este ano foi diferente. 

Comecei esta leitura no feriado de sete de setembro e, durante uma madrugada de insônia, eu decidi escrever alguns pontos históricos sobre a sociedade de Milton Norte. Então, segue abaixo minha pontuação:

N&S tem como pano de fundo uma sociedade pós-revolução industrial, na cidade fictícia de Milton Norte - que foi baseada na cidade inglesa de Manchester, onde a escritora residiu por alguns anos com seu marido.
Os protagonistas são John Thorton e Margaret Hale.
Ela vem de uma sociedade aristocrata, neta de Lady e Lorde Beresford. Viveu em Londres com sua tia Shaw - viúva de um General - e com sua prima Edith durante quase dez anos. Conheceu todo o requinte da sociedade londrina e seus personagens.
Depois do casamento de sua prima, Margaret retorna para Sua cidade natal, Hellstone onde reside por alguns meses antes da grande mudança.
Seus pais são pessoas simplórias: a mãe sente falta do glamour da juventude e o pai é um pároco sem ambição de por um cargo superior ao que ocupa. Ambos casaram-se por amor, mas logo descobrem que os recursos escassos e um lugar pastoril não são sinônimos de bem-estar e felicidade; pelo menos para o lado feminino do casal que não possui outra ocupação que não seja a casa.
Pouco tempo depois da chegada à Hellstone - antes do inverno e durante a estação dos pêssegos - Margaret está diante de uma nova mudança: abandonar o campo e ir para uma cidade industrial.
Milton é uma cidade coberta pela fumaça das fábricas dela fuligem. Seu ar é pesado e sua gente é ocupada.
O período, como mencionado, é pós revolução industrial: as fábricas produzem muitos empregos, salários baixos e modo de vida alto.
Os sindicatos estão ativos e as greves já não são novidades. E, quando Margaret chega para residir nesta fumacenta cidade, outra greve está pronta para eclodir.
Alguns pontos são interessantes de notar na narrativa sobre a vida industrial em Milton:

- os donos eram ricos emergentes;
- as fábricas ainda estavam na primeira idade; nas palavras de John Thornton, o maquinário precisa sofrer adaptações ao longo do processo e uso;
- as doenças causadas pela fumaça das fábricas e principalmente pela fuligem expelida pelo algodão - matéria prima usada nas fábricas em Milton - provoca doença pulmonar pela inalação durante a jornada de trabalho. Esse fato é representado pela personagem de Bessy Higgins, filha de um sindicalista e amiga de Margaret. Segundo Bessy, a fuligem poderia ser amenizada com a instalação de uma espécie de ventilador que levaria a maior parte do resíduo para fora da área de produção. Mas isso era barato e muito menos interessante para os donos de fábrica - não havia retorno lucrativo para este investimento;
- para John Thornton, a poluição era algo que ele amenizou na sua fábrica; desta forma a utilização do carvão para as máquinas a valor era melhor consumido, e a fumaça expelida no ar não era tão tóxica.

Margaret vivia entre dois mundos: enquanto Nicholas Higgins (pai de Bessy) lhe apresentava o ponto de vista dos operários, John Thornton era a outra ponta da corda.
Depois de encontrar Bessy, Margaret se tornou mais interessada na classe proletária de Milton. Era visita quase constante aos Higgins e a vida/sofrimento dos vizinhos destes também lhe era conhecida.
As discussões entre John Thornton e Margaret acontecem por ela não conseguir enxergar o ponto de vista dele sobre os negócios industriais. Para Thornton, a mão de obra não deve saber como ele aplica seu dinheiro ou gerência sua fábrica; ele não responsável por aqueles a quem emprega, exceto durante a jornada de trabalho que lhes é contratada. Para Margaret, a falta de vínculo mais pessoal entre Thornton e o proletariado, sua falta de compreensão sobre o sofrimento que vivem seus funcionários, a irrita e faz ela pensar que ele possa ser um tirano.
As conversas são muitíssimas interessantes entre o casal e, como o mundo já se tornou capitalista, entender John Thornton é fácil.

Estas foram minhas avaliações da madrugada.
Adiciono, também, que a religião era algo que não se encaixa na vida em Milton. Existe a presença da fé cristã em alguns diálogos de alguns personagens, principalmente na família Hale. Mas, Nicholas Higgins questiona a necessidade da igreja na sociedade industrial: famílias estão morrendo de fome, os salários são baixos e as condições básicas de vida são precárias. Em um lugar onde ganhar e melhor visto do que crer (como profissão de fé), qual a utilidade e a veracidade da igreja: os patrões as frequentam mas não aplicam o discurso em sua vida diária - principalmente no que se refere aos negócios (melhores salários e condições de trabalho que promovam a dignidade do trabalhador).

Outra situação que chama a minha atenção é sobre Margaret. Depois de voltar para a vida aristocrática, esta sociedade não dá mais prazer. O conforto e falta de objetivo que encontra na casa de sua tia Shaw a deixam inquieta: há, em algum lugar, uma pessoa que sofre e precisa de alguém que a ouça, a aconselhe e cuide. 
Assim que sua vida se estabelece (a custa de sofrimento e perdas), Margaret retoma às atividades de filantropia. Esse era o modo de vida que sua nova sociedade familiar não conseguia entender: como Miss Hale poderia ficar o dia fora com pessoas sem refinamento, usar do seu tempo para cuidar de pessoas de classe tão inferior. Essa característica a personagem aprimorou em Milton Norte, mas já a praticava em Hellstone. 

Esta é a minha visão da terceira leitura de Norte e Sul. Ano que vem, se assim eu puder, voltarei à esta maravilhosa leitura.

Omnia Vanitas. 💀

13 de setembro de 2017

Proposta de Casamento..


Olá, jovem!!

Estou caminhando na releitura de Norte e Sul e, mesmo conhecendo a história eu ainda me derreto igual manteiguinha quando Mr. Thornton pede Margaret Hale em casamento. E, nem é romântico!

Elizabeth Gaskell gostava de ler Jane Austen. O décimo primeiro capítulo se chama Primeiras Impressões por que este foi o primeiro título para Orgulho e Preconceito, da senhorita Austen. E, eu não duvido que a discussão do casal de Gaskell seja mais uma forma de homenagear o casal mais famoso da literatura universal: Elizabeht Benett e Mr. Darcy.

Veja só, o pedido de casamento de Mr. Darcy foi todo atrapalhado e deixou Lizzy Benett tremendo em fúria - ainda mais depois de descobrir que seu admirador foi quem arruinou o relacionamento de sua irmã Jane e Mr. Bingley. 

Em Norte e Sul há um antagonismo entre o casal protagonista. É perceptível a adoração de Mr. Thornton por Margaret - e isso se dá pela moça ter seu temperamento forte e opiniões sólidas.
Mesmo tendo certeza do desprezo da moça por ele, John Thornton, em um  suspiro ínfimo de esperança de que o sentimento de Miss Hale tenha sofrido uma alteração, ele vai até a casa da jovem e a pede em casamento.
Eu acho tudo lindo! Mesmo durante a briga eu fico suspirando corações.. 💞

Deixo abaixo alguns trechos do pedido/rejeição de casamento:

- à caminho da casa de Margaret
Seu coração batia acelerado na expectativa da chegada de Margaret. Não podia esquecer o toque dos braços dela ao redor do seu pescoço, apesar da impaciência que sentira na ocasião. Mas agora, a lembrança daquela defesa dele em forma de abraço, parecia eletrizá-lo inteiramente – derretendo toda a sua resolução, toda a sua capacidade de autocontrole, como se fosse cera diante do fogo. Ele temia adiantar-se para recebê-la, com os braços estendidos em muda súplica para que ela se aninhasse neles (...)

- depois da recusa do pedido:
que sempre que eu me alegrar com a existência daqui para a frente, possa dizer a mim mesmo “Toda essa alegria na vida, todo esse honesto orgulho em fazer o meu trabalho no mundo, toda essa aguda consciência de existir, eu devo a ela!” E isso dobra a alegria, torna brilhante o orgulho, aguça o sentido da existência, até que eu mal saiba se é dor ou prazer, pensar que eu devo tudo isso a alguém... não, deve me ouvir, vai me ouvir... – disse ele, dando um passo adiante com firme determinação – devo tudo isso a alguém que eu amo, como não acredito que um homem já tenha amado uma mulher.
(...)
Eu sou um homem. E reivindico o direito de expressar meus sentimentos.
(...)
Uma palavra mais. A senhorita olha como se considerasse uma desonra ser amada por mim. Não pode evitar isso. Não. Se eu pudesse, a liberaria dessa desonra. Mas eu não vou, nem que possa. Eu nunca amei mulher alguma antes: minha vida foi sempre muito ocupada, meus pensamentos muito absorvidos por outras coisas. Agora eu amo e continuarei amando. Mas não tenha medo de que haja muita expressão desse sentimento da minha parte.
E por fim, a frase que ele diz à mãe dele depois que chega em casa é muito fofa:

Ninguém me ama... ninguém gosta de mim, só a senhora, mãe.

Pára tudo !!!! Eu sou apaixonada por esse homem!! Meu lado adolescente aflora de modo intenso!!
E, para frente, Margaret repensa sua atitude perante ele - ainda em negação - e como ele age com ela após esse acontecimento! É lindo! Tudo é lindo!

Omnia Vanitas.

7 de janeiro de 2015

Eis o Homem ..





Devaneios! Devaneios! Devaneios!!

Estava eu fuçando a ressuscita página do meu perfil no Facebook, quando vi o post abaixo da Editora Pedrazul.


Quando Gaskell escrevia sua obra-prima!

Quando trabalhava nos capítulos finais de Margaret Hale (Norte e Sul), na casa da família perto de Matlock, em Derbyshire, Inglaterra, ela escreveu que, como não podia dar a obra o título idealizado, o nome da sua heroína, preferia chamar seu romance ‘Death and Variations’ e não de “Norte e Sul” como queria Charles Dickens, seu editor, pois na trama havia cinco mortos, cada uma delas maravilhosamente coerente com a personalidade do indivíduo e com a história". Esta observação, provavelmente uma piada, enfatiza o papel importante da morte no desenrolar da obra. A morte afeta Margaret profundamente e, gradualmente, a encoraja à independência, permitindo Gaskell analisar as profundas emoções de sua personagem e concentrar-se na dureza do sistema social através das demais mortes. Loreau and Mrs. H. de Lespine, com a autorização da autora, traduziu a obra para o francês, e a publicou em Paris pela Hachette, em 1859, sob o título de Marguerite Hale (Nord et Sud). Portanto, a Pedrazul não será a pioneira na manutenção do título original. Porém, será a pioneira ao lançar uma obra com duas capas, cada uma delas revelando o teor de seu tema!

Eu li apenas um livro da Elizabeth Gaskell - Norte e Sul - e assisti duas minisséries: Cranford e O Retorno a Cranford. Adorei todos. 

Mas, ou estou muito enganada, todo leitor(a) tem o seu personagem que lhe inspira suspiros. Eu tenho vários (rs). Mas, sobre todos eles existe John Thornton. Oh! Que homem perfeito! Por tanto tempo Edmond Dantés e Mr. Darcy estiveram neste posto; mas Mr. Thornton veio, muito mansamente, arrebatar-lhes o lugar de honra (rs).

E, porque ele ocupa este posto? Porque ele é humano em seus sentimentos com a amada! Mr. Thonrnton não te a pretensão de ser este ser intocável que é meu querido Dantés ou nobre como Mr. Darcy. Ele é apenas Thornton! Ahh que delírio - hahaha.

Eu estava procurando a minha passagem preferida no livro Norte e Sul... E, agora, deixo-a para você, leitor anônimo, como um pedaço do meu devaneio:

A voz dele estava rouca e trêmula de paixão, quando disse:
– Margaret!
Por um momento ela o olhou. Então tentou ocultar os olhos luminosos escondendo o rosto nas mãos. Novamente, chegando mais perto, ele voltou a chamar o seu nome, com voz trêmula e ansiosa.
– Margaret!
Mais sua cabeça baixou, mais o rosto se escondeu, quase descansando na mesa diante dela. Ele se aproximou. Ajoelhou-se ao seu lado, trazendo o rosto até o seu ouvido, e sussurrou ofegante as palavras:
– Tome cuidado... Se você não falar, eu a reivindicarei como minha, de algum modo presunçoso e estranho. Me mande embora agora, se eu tenho que ir... Margaret!

Omnia Vanitas

Foto: Richard Armitage (intérprete de Mr. Thornton na produção da BBC de Londres).

Os Meninos da Rua Paulo - Prefácio

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