Mostrando postagens com marcador carta. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador carta. Mostrar todas as postagens

31 de agosto de 2020

A carta de Theodora ..






Olá, leitor !

Ontem, domingo, eu comecei minha manhã lendo na sacada do apartamento. Um café quente (sim, este ano decidi experimentar café e gostei - tomei três canecas) para acompanhar a leitura e ..enlouqueci !!! Que livro !!! Que leitura !!! Eu já decidi que este livro também será uma releitura com certeza ! 
Minha leitura atual é Amor de Salvação, do português Camilo Castelo Branco.

Eu gosto muito quando a personagem escreve cartas durante a trama. Amo cartas ! E, nesta leitura, Theodora escreve uma carta para Afonso! É maravilhosa !!! Divido esta experiência com você, leitor ! 

Quem te disse a ti que eu tinha caído diante de mim mesma, Afonso? Quando te dei eu direito de supor que o teu silêncio, em resposta a um grito do coração, me esmagaria os brios de mulher, que, de um sopro, faz saltar de suas vestes a lama do teu desprezo? Quando eu te apareci magnífica dedicação, fizeste-te mesquinho tu. As minhas lágrimas figuraram-se-te o pus de um coração corrompido; e eram soro do mais nobre sangue. Não pudeste chegar com a fronte à altura da minha, e apedrejaste-ma! Quem cuidas tu que és, soberbo senhor, que voltas o rosto da tua escrava. e não sabes sequer usar a misericórdia de dizer à mulher que te ama que não seja infame, amando-te?! (...) A contas, homem de ferro, que endureceste o teu frágil barro de outro tempo ao fogo de baixas paixões, a contas com a mulher desprezível! Que fazias tu quando eu me estorcia de saudades de ti e dores do meu cativeiro, dentro das grades das Ursulinas? Quando soubeste que a tirania me fechava a sete chaves numa cela e me media os átomos de ar, que eu respirava a furto, que fazias tu para resgatar os quinze anos de uma mulher que queria o sol das flores, das aves, dos mendigos, do último ver-me que se arrasta e cumpre o seu destino debaixo dos olhos de Deus?! (...) Não respondas. A vil, a abjeta, a desgraçada, é generosa. Não respondas. Ri e escuta. Abandonada por ti, enganada, não sei por que nem com que fim, por tua mãe, achei-me fraca para cruzar os braços e esperar a morte. À borda do abismo. vi uma tábua de salvação. Sabia que, segurando-me nela, as mãos se rasgariam em chagas incuráveis. Sabia-o; mas agarrei-me à tábua de salvação. Escutei a desgraça; que não tinha outro anjo, nem outro demônio que me aconselhasse. Escutei-a, e aceitei o marido que ela me deu. Perdi-me para a vida da alma; mas encontrei a vida dos olhos e dos ouvidos, e do seio, onde me roía a serpente da soledade e do desabrigo. Vi árvores, vi estrelas, ouvi os cânticos da Terra e os amorosos murmúrios da natureza festiva. No centro do mundo era eu a única mulher sem mãe, sem pai, sem amigo, sem coração que se abrisse às cinzas do meu. Não importa. Via o Sol no firmamento; e, para além do Sol, a infinita luz dos que bem-disseram a mão do Senhor, que, à sua vontade, desdobra um crepe de trevas sobre os corações, que, em inocência, não ousam interrogá-lo como Job! Transbordou um dia a amargura de minha alma. Não sabia onde me levava a vertigem. Corri léguas. As árvores que gemiam um som, as fontes que tinham uma voz, os trovões que estalavam do céu de bronze, as catadupas que bramiam no despenhadeiro, tudo me dizia o teu nome. Corri as montanhas que nos viram meninos; reconheci a fraga onde nossas mães se sentavam; orei à cruz de pedra que está na quebrada da serra. E não te vi. Dois meses te procurei, sem balbuciar o teu nome. E,. quando há um ano te avistei encostado ao ombro de tua mãe, a voz do meu orgulho de desgraçada disse-me: se ela quiser que tu te percas por ele, amanhã não terás honra, nem família, nem marido, nem criatura sobre a Terra que te não insulte. E escrevi-te, Afonso! Aquele papel era uma renunciação, aquelas palavras queriam dizer dá-me a perdição como salvamento; dá-me a infâmia como glória; o mundo vai apedrejar-me, e eu cuidarei que ele me aclama virtuosa; todas as devassas me julgarão indigna delas; eu, contente da minha desonra, estenderei benignamente a mão a todas as miseráveis que ma cuspirem. E tu, Afonso? Como me julgaste morta para a virtude, aproximaste-te do cadáver, puseste-lhe sobre o peito um pé, calcaste, viste-lhe nos lábios o sangue do coração, e escarraste-lhe! Voltei do outro mundo. A mulher que viste há pouco era um fantasma. Os cabelos negros que adornaste com três flores naqueles formosos quinze anos caíram-te aos pés. As flores vêm aradas do fogo do inferno. O fantasma voltou às suas labaredas, para nunca mais te crestar o riso dos lábios com as chamas dos seus olhos. Vai tu ao Céu e pede a Deus que me deixe adorar-te na eternidade das penas. Pede-lhe que me dê eternidade para a expiação e eternidade para o amor Adeus."


Trecho retirado do Domínio Público: Amor de Salvação 

21 de janeiro de 2018

Leitura três..



Querido leitor,

Eu conheci este livro da Alice Walker no início da minha juventude. E, depois de lê-lo, ao assistir o filme eu estava em prantos na primeira cena de Celie com Nettie.


A história conta a vida de duas irmãs que vivem vidas opostas: enquanto Celie vive conforme lhe designam, Nettie procura por uma vida melhor.
Ao se separar de Celie, Nettie promete lhe escrever sempre: infelizmente a irmã não recebeu nenhuma carta da sua irmã. 

A vida de Celie é triste: é estuprada pelo pai, seus dois únicos filhos são levados para a adoção, ela é dada em casamente ao um homem que não lhe trata melhor que seu pai, em sua nova casa ela é maltratada pelos filhos do marido que a reconhecem como uma pessoa com autoridade sobre elas. Mas ainda assim, Celie vive; ela espera receber notícias de sua irmã e enquanto isso escreve para Deus sobre seu cotidiano.

Aos poucos, ela recebe um tratamento humano de uma pessoa inesperada. Este amparo promove um novo olhar para a protagonista. 

Este é um livro triste, com uma história triste que sofre racismo e machismo em um grau alto e intolerável. Trata-se de uma narrativa com esteriótipos que comove em cada página; é uma história com personagens que são um exemplo de força e superação. 

Em meio a este sofrimento há uma cena que me faz rir junto com os personagens:
Bom, o Grady falou, tentando trazer a luz. Uma mulher num consegui um homem, se as pessoa falam.A Docí olhou pra mim e a gente riu. Aí a gente começou a dar e dar risada. Então a Tampinha começou a rir. Depois a Sofia. A gente quase morreu de rir.A Docí falou, Eles num são dimais? A gente falou hum, hum, e batemo na mesa, e limpamo a água dos olhoHarpo falou pra Tampinha, Fica quieta, Tampinha, ele falou. Dá má sorte rir de homem.Ela falou, Tá bem. Ela sentou reta, ingulindo a respiração, tentando num mexer a boca.Ele olhou pra Sofia. Ela olhou e riu na cara dele. Eu já tive minha má sorte, ela falou. Eu já tive o bastante pra poder rir o resto da minha vida.
Termino por aqui, querido leitor. Recomendo com muita segurança a leitura desta obra.

Omnia Vanitas. 💀

8 de março de 2017

Oitava leitura..


"A população de cachalotes demonstrou uma notável capacidade de recuperação, em face do que Melville chamou de “uma devastação impiedosa”. Estima-se que os naturais de Nantucket e seus irmãos ianques matadores de baleia ceifaram mais de 225 mil cachalotes entre 1804 e 1876. Em 1837, o melhor ano do século para se matar baleias, 6767 baleias foram mortas por baleeiros americanos. (Para se ter um termo de comparação um tanto perturbador, em 1964, o pico da moderna atividade baleeira, 29 255 baleias foram mortas.) Alguns pesquisadores crêem que na década de 1860 os baleeiros talvez houvessem reduzido a população de cachalotes em até 75 por cento; outros estimam que ela haja diminuído apenas entre oito e dezoito por cento. Qualquer que seja a cifra mais próxima da verdade, os cachalotes saíram-se melhor do que outros grandes cetáceos caçados pelo homem. Hoje, existe algo entre 1,5 milhão e 2 milhões de cachalotes, o que os torna a espécie mais abundante entre as grandes baleias do mundo".
 Olá, leitor!

Se você acha que um filme pode contemplar o que um livro proporciona; ou, sente-se satisfeito com aquilo que lhe é apresentado em vídeo, pense novamente.

Eu já tinha assistido ao filme No Coração do Mar, sendo o "Thor" quem interpretou o primeiro imediato Owen Chase. 
Mas o livro... sem explicações.

A narrativa histórica do baleeiro Essex acompanha outros fatos históricos que, semelhante ao baleeiro guiado pelo capitão George Pollard Jr.; seja em fome, frio, sede, sofrimento em grupo ou direção náutica, Nathaniel Philbrick cobre todas posições desde o físico, psicológico e histórico.
Um dos fatos que eu achei interessante, foi a abstinência em nicotina:

Naquela primeira noite da sua viagem, Chase, Pollard e Joy distribuíram as rações de água e pão para a tripulação de seus botes. Já haviam passado dois dias do naufrágio e o interesse dos homens por comida havia, afinal, voltado: o pão foi comido rapidamente. Havia algo mais que eles cobiçavam: tabaco. Um baleeiro quase sempre trazia um punhado de tabaco na boca,consumindo mais de trinta quilos em uma única viagem. Além de todas as suas outras aflições, a tripulação do Essex tinha também de enfrentar os sintomas nervosos da abstinência associados à dependência de nicotina.
O autor encontrou base em documentos históricos deixados pelos sobreviventes e também usufruiu de tudo o que Nantucket pode ter sobre o acidente.

Um dos assuntos marcantes da história deste baleeiro foi o canibalismo. Mesmo querendo deixar esse fato longe da memória, os sobreviventes tiveram que levar essa marca além do túmulo.
Como eu já mencionei, Philbrick apresenta outros fatos que, semelhante ao Essex, sofreram um revés no mar. Sobre o canibalismo, eu acredito que para um homem de cultura não canibal sofre os efeitos psicológicos que atribuem ao consumo da carne humana.
Lembro de uma história que meu professor de Linguística contou em sala; é a seguinte: um determinado professor de medicina deixou em sua casa, na geladeira, um cérebro humano (não me recordo do motivo de ele ter levado essa massa até a sua residência, mas o fato é que levou). Estando na geladeira, também, o cérebro de um animal (não recordo se era bovino ou suíno). A empregada, sem a informação de que havia um cérebro humano na geladeira, pegou-o e cozinhou como refeição para a família da casa. Diz meu professor que a doméstica ficou muitíssimo perturbada por haver consumido parte de um corpo humano.

Acredito que consumir carne humana não cause problemas físicos ou nos afete com alguma doença psicológica; mas o fato de haver uma edução que não abarca alimentar-se do corpo de um igual de espécie provoque uma alteração psíquica naquele que alimentou-se do próximo. Atribui-se àqueles que tomam essa prática, em uma civilização que abominada tal atitude, uma punição não apenas moral mas judiciária; exemplo: Hannibal Lecter.
Apesar de ser uma medida tomada em um momento de desespero (pelo menos na maioria dos casos), Philbrick apresenta uma situação de náufragos que passaram 191 dias à deriva e não tomaram o canibalismo como ação  de sobrivivência:
Em face de circunstâncias igualmente terríveis, outros marinheiros tomaram decisões diferentes. Em 1811, o brigue de 139 toneladas chamado Polly, em sua viagem de Boston para o Caribe, perdeu os mastros em uma tempestade e a tripulação vagou à deriva, a bordo do casco inundado, durante 191 dias. Embora alguns homens morressem em virtude da fome e da exposição às intempéries, seus corpos em momento algum serviram de alimento; em vez disso, foram usados como isca. Prendendo ao anzol de uma linha de corrico pedaços dos cadáveres de seus companheiros de bordo, os sobreviventes conseguiram capturar tubarões suficientes para se sustentarem até seu salvamento. Caso a tripulação do Essex houvesse adotado essa estratégia por ocasião da morte de Matthew Joy, talvez jamais tivessem chegado ao extremo com que agora se defrontavam.
Durante a leitura, eu pensei comigo: como alguém à deriva pode passar fome, se estão no mar? A fauna marítima pode muito bem suprir a necessidade de comida da tripulação. 
Fora o momento que alguns peixes voadores pularam em cima dos náufragos, a região do oceano Pacífico em que se encontravam era deserta. Com esta afirmação, não quero concluir que não havia peixes, mas eles estavam a muitos metros fora da linha de pesca dos tripulantes.

Há dois motivos que fizeram os tripulantes dos baleeiros ficarem longe das terras habitadas são as seguintes: as ilhas próximas tinham como civilização alguns canibais e, a limitação geográfica que havia na época. Preciso adicionar mais uma pontuação sobre o motivo da falta de aproximação à outras possíveis ilhas: a falta de leitura. Um periódico havia sido lançado com atualizações sobre mapas e culturas espalhadas pelas ilhas que compunham o Pacífico. Para o Essex, essa informação seria preciosa para sua situação de desespero. Poderiam ter tido socorro antes, não fosse a perda que esta leitura trouxe ao grupo.

Uma das coisas que me chamou a atenção, e a leitura de Moby Dick tal fato também se apresenta, é a correspondência. Havia em algumas ilhas cartas deixadas pelos tripulantes de barcos (baleeiros em sua maioria) para seus familiares. Os barcos que saiam de um porto deixavam as missivas que familiares enviavam por outros marinheiros e os próprios marinheiros escreviam para seus entes queridos durante sua estadia no mar.
Owen Chase recebeu uma carta amarga, algumas viagens após o acidente com o Essex, de que sua esposa havia dado a luz a um menino - depois de ele estar no mar por quase dezessete meses (ops!).

A tragédia do Essex não é algo singular, muitos baleeiros foram abaloados por cachalotes posteriormente. O fato da caça às baleias ter crescidos exageradamente, um animal de constituição dócil (mesmo que seu tamanho seja acima de 23 metros) como o cachalote tornou-se agressivo para poder manter-se vivo.

Como parte de uma história, a tragédia do Essex influenciou muitos escritores, e Herman Melville é o mais forte deste grupo - mesmo que seu Moby Dick não tenha aplacado nas bancas. Esse acontecimento histórico foi tão importante quanto o naufrágio do navio Titanic foi para o século XX.

Querido leitor, há muita coisa para escrever sobre esta obra de Nathaniel Philbrick que enriquece qualquer leitura póstuma do gênero. E, como recomendação indireta, vou ler As Aventuras de Arthur Gordon Pin, de Edgar Allan Poe. ;)

Àqueles interessados na história deste mal fadado baleeiro, é só clicar aqui.

Bom, por hoje é só pessoal!

Omnia Vanitas.


20 de janeiro de 2017

"A quem interessar possa..."


Estou assistindo a série Gilmore Girls pela segunda vez. Não é uma série magna, mas é muito gostoso assistir. Eu detesto a voz da Rory e algumas das coisas que a Lorelai faz me dão raiva. Às vezes, quando a Rory quebra a cara ou a Lorelai briga com a filha me deixam satisfeita pois acho a jovem Gilmore muito mimada.  Mas assisto. Gosto muito. Parece um leve bálsamo em meio a agitação do dia - é como ler um romance suave ao invés de um clássico. É bom.

E, uma das partes que eu mais gosto é o episódio da sétima temporada intitulada "A quem interessar possa", quando Lorelai escreve uma carta de referência pessoal para a ação de tutela do Luke, seu ex-noivo, que está tentando ter a guarda da filha dele (para visitas). A carta é linda! Eu sou "apaixanada" pelo personagem de Lucas Dennis; não quero descrever o caráter dele, deixo isso para a carta de recomendação escrita por Lorelai:

"Stars Hollow, 9 de janeiro de 2007.
A quem interessar possa
Nos quase dez anos em que conheço Luke Dennis, ele tem se mostrado um homem honesto e decente, e, também, uma das pessoas mais gentis e carinhosas que já conheci.
Eu sou mãe solteira e criei minha filha sozinha, mas quando Luke Dennis se tornou meu amigo nessa cidade, nunca mais me senti sozinha. Luke e eu tivemos altos e baixos durante uns anos, mas com tudo isso, a relação dele com a minha filha, Rory, nunca mudou.
Ele sempre esteve ao lado dela, independente de tudo. Ele estava lá nos aniversários, estava lá quando ela se formou na escola. Luke tem sido uma espécie de figura paterna na vida da minha filha. Com a própria filha, Luke não teve a chance de estar lá nos primeiros doze anos, mas deve ter essa chance agora. Porque quando Luke Dennis entra na sua vida é para sempre.
Sei por experiência pessoal que é uma dádiva, e não dar acesso a minha filha seria privá-la de tudo o que esse homem tem a oferecer; e ele oferece muita coisa.
Obrigada pela atenção,
Atencisamente,
Lorelai Gilmore".
Omnia Vanitas

14 de junho de 2016

Nicholas Sparks..



Ontem foi dia de filme na casa dos Ferreira! Pipoca, cobertor e filminho na televisão.
Assistimos um filme que o maridão escolheu: Noites de Tormenta, baseado no livro homônimo de Nicholas Sparks. Apesar do filme não ser o que meu marido achava que seria, eu, antes do final da trama, ditei "a dança" sobre como seria o término do filme.
Portanto, se você quer assistir ao filme ou ler o livro, não leia adiante.

E na despedida do casal, eu disse:

- Ele vai morrer!
- Você já assistiu?
- Não. Mas 'tá na cara que ele vai morrer.
Eu não gostei muito dos personagens pois são personalidades carimbadas de filmes românticos.
Uma das coisas que me deixou chocada foi como Adrianne abriu sua vida no primeiro dia que ela encontrou o Paul (personagem do Richard Gere). Carambola! Na primeira frase ela já declarou que era divorciada, que o pai morreu, que o ex- não ajudou em nada, que a filha é rebelde, que ela pretende voltar com o marido.. e.. DEUS! Dá um tempo! Se eu fosse um homem na situação do Paul, pegaria meu prato com comida e iria cear sozinho! Uau!!
Ah! E por falar em filha.. Gente! O que é aquela menina!? Na primeira cena, eu teria dado uns bons tapas nessa garota! Desbocada que só ela! Por vezes eu tive vontade de pegar um varinha de pêssego e fazer a obra! Filha minha abre a boca para falar comigo nesse tom e perderá dois dentes! Credo!

Bom ..no fim, os dois "se gostaram". Ele foi embora! Ela recebeu cartas dele - adorei essa parte! E, quando ela estava sentada no sofá esperando por ele, eu declarei de novo: ele morreu.
Quando a porta se abre e o filho do Paul está parado do lado de fora, eu olhei para meu marido e disse:

- Viu, ele morreu!

Para que eu não pareça chata demais para filmes deste tipo, quero deixar registrado coisas que gostei muito nesta película.

Primeiro, a casa. Nossa! Adorei a casa/hotel que eles ficaram. Tudo é lindo, desde a localização. O que eu achei fantástico é que, na primeira vista que se tem da casa/hotel, parece apenas um mausoléu perdido na costa do mar. Porém, quando a câmera contorna a casa, ... Uau! Que lindo! As varandas são lindas..tudo é lindo! As janelas azuis são maravilhosas! 

A segunda, e última coisa que gostei no filme foi a música que toca no Festival do Carangueijo. Chama-se "Before I Met You". Linda! Linda! Linda! ..Algumas coisas eu entendi "de ouvido" e traduzi para meu marido que, imediatamente, também, gostou da música!
E, confesso: quase chorei quando ela leu a última carta dele, mesmo sem saber o que estava escrito nela! Ooh! 

E é isso! Para quem gosta de filmes românticos, é um prato cheio. Eu adorei a fotografia e a música! E, por mencionar a música novamente, deixo a letra à seguir.


I Thought I Had Seen Pretty Girls In My Time
But That Was Before I Met You
I Never Saw One That I Wanted For Mine
But That Was Before I Met You

I Thought I Was Swinging The World By The Tail
I Thought I Could Never Be Blue
I Thought I'd Been Kissed And I Thought I'd Been Loved
But That Was Before I Met You
I Wanted To Ramble And Always be Free
But That Was Before I Met You
I Said That No Woman Could Ever Hold Me
But That Was Before I Met You

They Tell Me I Must Reap Just What I Have Sown
But Darling I Hope It's Not True
For Once I Made Plans About Living Alone ...But That Was Before I Met You
Before I Met You [Pride Charlie]

Omnia Vanitas.



1 de dezembro de 2015

..Anseio por ti



Eu gosto muito de cartas! Em Conde Negro, há muitas cartas do general Dumas à seus superiores, mas eu quero deixar registrado uma carta que é particular ao general. Sua esposa está grávida do segundo filho e escreve a seguinte missiva ao marido (anunciando a data próxima do nascimento da criança):


Meu bom amigo,
A guarnição militar que fica aqui hoje a caminho da Alemanha [...] te levará esta missiva transmitindo nossos votos mais ternos e informando-te que a data prevista se aproxima e eu quero que estejas comigo na ocasião. Não a proteles e traze-me a coragem de que necessito. Todos aqui te congratulam. Marie-Aimée (...) envia-te mil beijos carinhosos e eu acrescento outros mil e anseio por ti.Marie-Louise Dumas




Omnia Vanitas

23 de junho de 2015

A Carta..

"Escrevo-te estas mal traçadas linhas meu amor
Porque veio a saudade visitar meu coração" (Renato Russo, A Carta)


Existem coisas que são singulares. Por mais que se receba algo em quantidade ou frequência, uma delas se torna singular.

Eu tenho o hábito de escrever e receber cartas desde os meus catorze anos. Primeiramente, por não haver o benefício do correio eletrônico, as cartas físicas foram, e ainda são, a forma mais concreta de receber notícias de alguém.

Certa vez, visitando minha irmã que morava em Curitiba/PR, percebi que a caixa de correio dela continha apenas contas e propaganda. Achei isso muito sem graça. Decidi, então, começar a escrever para ela cartas e contar as notícias que aconteciam na família e, de modo singular, comigo. Ela adorou. A caixa de correio dela agora tinha outra "cor". 

Depois, veio o interesse de trocar cartas com um grupo de leitura. Adorei! Achei o máximo. Por pura coincidência, a maioria dessas cartas chegavam na Sexta-feira. Nada programado, apenas acaso.

Mas, entre todas as cartas que costumo receber ainda, em uma Sexta-feira, uma correspondência em especial estava na mesa do meu escritório. Nesta carta não havia menções de um cotidiano ou recomendações de leituras ou de velhas aventuras que amigas costumam recordar.
Esta carta veio com um sentimento forte de amor, sonhos, desejos e vontade de realizações. Nesta carta há a vontade de crescer junto, de sonhar junto, de conhecer junto. Meu namorado, LCF, dedicou seu tempo para escrever uma carta para mim. Mesmo podendo entregá-la em mãos à mim, ela veio pelo "modo antigo": selada e endereçada ao destinatário: eu.

Eu nem sei onde devo guardá-la. Ainda está vagando pelo meu quarto. Parece que nenhum lugar é digno dela. 

Obrigada, LCF, pelo carinho, amor, atenção e tempo dispensado, não somente ao escrever esta carta, mas por todo o tempo, até o fim! Te amo!

"E para terminar, amor assinarei
Do sempre, sempre teu..."
(Renato Russo, A Carta)

Omnia Vanitas

8 de junho de 2015

Uma Carta de Cassandra Austen..


Estava lendo o blog da Raquel Sallaberry Brião sobre a compra da carta de Cassandra Austen (irmã de Jane Austen) para a sobrinha Fanny Knight.
Para finalizar a publicação, Raquel S.B. traduz a carta, que segue abaixo! Eu achei linda esta missiva e quase fui às lágrimas. Espero que logo seja publicado um livro com as cartas que Jane Austen trocava com Cassandra, será uma realização de leitora que anseio à muito tempo!
Segue a carta traduzida por Raquel Sallaberry Brião:






29 de julho de 1817
Chawton, terça-feira


Minha queridíssima Fanny,

acabei de ler sua carta pela terceira vez e agradeço sinceramente por cada gentileza para comigo, e ainda mais calorosamente por seus louvores a ela que acredito era mais conhecida por você do que qualquer outro ser humano além de mim. Nada desse tipo poderia ter sido mais gratificante para mim do que a maneira pela qual você escreve sobre ela, e se o querido Anjo pode saber o que se passa aqui, e não estiver acima dos sentimentos deste mundo, ela talvez possa receber com prazer o fato de ser tão pranteada. Tivesse sido ela a sobrevivente posso imaginá-la falando sobre você quase nos mesmos termos. Há certamente muitos pontos fortes de semelhança em suas personalidades; na intimidade entre vocês, e na forte e mútua afeição vocês eram idênticas.

Quinta-feira não foi um dia tão terrível como você imaginou. Havia tantas coisas necessárias a fazer que não houve tempo para infelicidade adicional. Tudo foi conduzido com a maior tranquilidade, e exceto que eu estava determinada que veria até o final, portanto estava na escuta, eu não deveria ter sabido quando eles saíram de casa. Assisti o pequeno cortejo, do comprimento da rua, passar; e quando desapareceu de minha vista eu a tinha perdido para sempre, mesmo nesse momento eu não fiquei subjugada, nem muito agitada como estou agora em escrever isto. Nunca houve um ser humano mais sinceramente pranteado, por aqueles que atenderam seu velório, do que foi esta querida criatura. Possa a tristeza com que ela partiu com da terra ser um prognóstico da alegria com a qual ela será saudada no céu!

Eu continuo toleravelmente bem, muito melhor do que se poderia supor possível, porque certamente tenho tido um cansaço considerável no corpo como também uma angustia mental faz meses; mas estou realmente bem e espero estar devidamente agradecida ao Todo-Poderoso por ter sido apoiada. Sua avó, também, está muito melhor do que quando cheguei em casa.

Não acho que seu querido papai pareça indisposto e creio que ele me parece muito mais confortável depois de seu retorno de Winchester do que antes. Não preciso dizer para você que ele foi um grande conforto para mim; de fato, eu nunca poderei dizer o suficiente da bondade que recebi dele e de todos outros amigos.

Eu tenho saído e me ocupado. É claro que essas ocupações se adequam melhor quando me deixam livre para pensar nela, a quem perdi, e realmente penso nela na mais variadas circunstâncias. Em nossas horas felizes de conversas confidenciais, nas animadas festas familiares que ela tanto adornava, em seu quarto de doente, em seu leito de morte, e (espero) como habitante dos céus. Ah, se eu puder um dia me reunir a ela lá! Sei que virá o tempo em que minha mente não ficará tão absorvida dela, mas eu não gosto de pensar sobre isso. Se penso nela menos na terra, que Deus garanta que eu nunca cesse de refletir sobre ela como uma habitante do céu, e nunca cesse meus humildes esforços (quando isto for do agrado de Deus) de juntar me a ela.

Olhando uns poucos e preciosos papeis os quais são agora minha propriedade, achei alguns memorandos, entre os quais ela quer que uma de suas correntes de ouro seja dada a sua afilhada Louisa, e uma mecha de seus cabelo seja destinada a você. Você não necessita de nenhuma garantia, minha querida Fanny, de que cada pedido de sua amada tia será sagrado para mim. Assim sendo me diga se você prefere um broche ou anel. Deus abençoe você, minha querida Fanny.

Acredite-me, mais carinhosamente sua,
Cass. Elizth. Austen

Omnia Vanitas.

Nota de esclarecimento em 08 de junho de 2016: Jane Austen faleceu em 18 de julho de 1817 e foi sepultada dia 24 de julho do mesmo ano, na cidade de Winchester, Reino Unido.

10 de abril de 2015

Carta! Carta! Carta!


Já estou me acostumando a chegar em casa às sextas-feiras e encontrar uma carta do Clube de Leitura.
Hoje, não foi diferente! Esta carta veio lá de São João Del Rei/MG.

"...Que tal me acompanhar em um chá enquanto conversamos por essa cartinha?"

Que encantador! Fervi uma porção de água e escolhi um dos dois chás que ela mandou como sugestão. Que delícia!!
E, junto com o chá, veio um postal da cidade com um lindo pôr-do-sol! Adorei!!!

Agora só me falta respondê-la!

Omnia Vanitas.

27 de março de 2015

Carta..




Veja só, anônimo leitor, recebi o retorno de uma das minhas correspondentes!!!
Sextas- feiras têm sido assim: cartas, cartas, cartas...

' Bora lá responder! ;)

20 de março de 2015

Carta ..

E mais uma  sexta feira terminando com uma carta do Clube de Leitura..

'Borá responder!!


Que agradável é essa comunicação "às antigas" !!


Omnia Vanitas.

6 de março de 2015

Carta...



Terminando a sexta- feira com a surpresa de, ao chegar em casa, ter uma carta do clube de leitura me esperando!
Parei tudo o que tinha planejado para responder esta missiva!!!

Omnia Vanitas!

19 de fevereiro de 2015

A Carta de Mr. Collin (versão zumbi) ..



Postagens atrás, eu publiquei a carta de Mr. Collins para Mr. Bennet referente a fuga da filha deste último com o mal caráter do Wickham.

Agora, publico a carta de Mr. Collins para o senhor Bennet, na versão zumbi, sobre o mesmo fato.
O que chamou minha atenção e "cortou meu coração" foi o destino de Charlotte Lucas (esposa do clérigo). Senti a perda dela. Gosto dela desde a primeira leitura e, realmente, eu estava esperando por uma mudança em seu estado. Não houve! E, juntando-se a minha "dor", Mr. Collins me surpreendeu!

Segue a carta:

MEU CARO SENHOR,
Por conta do nosso parentesco e da minha situação na vida, sinto-me na obrigação de lhe apresentar minhas condolências pela perversa aflição que no momento o senhor está experimentando, e ao mesmo tempo informar ao senhor do meu próprio sofrimento, devido à tragédia que se abateu sobre um de nossos entes mais amados, minha adorada esposa, Charlotte. É minha triste obrigação comunicar que ela não se encontrar mais entre nós na Terra; de alguma maneira ainda desconhecida, minha boa esposa foi infectada pela praga — uma infelicidade para a qual todos estivemos cegos, até que Lady Catherine de Bourgh teve a bondade de me chamar a atenção, da maneira mais gentil, para as evidências. Sua Senhoria, devo acrescentar ainda teve a extrema gentileza de oferecer-se para proceder à costumeira decapitação e cremação; no entanto, senti que era meu deve como marido executá-las com minhas próprias mãos — mesmo que trêmulas. Tenha certeza, meu caro senhor, de que, a despeito do meu próprio padecimento, que praticamente me paralisa, eu com sinceridade me solidarizo com o senhor e com toda a sua respeitável família no atual momento de agonia, que deve ser a mais amarga. A morte de sua filha seria uma bênção em comparação com isso, assim como a decapitação e a cremação de minha esposa foi uma desgraça preferível a vê-la juntar-se às brigadas de Lúcifer. O senhor, em sua agrura, merece todo o nosso compadecimento, opinião na qual sou reforçado por Lady Catherine e sua filha, a quem relatei o ocorrido. Elas concordaram comigo na compreensão de que essa desonra de uma de suas filhas será danosa ao futuro de todas as demais; visto que "quem", como Lady Catherine condescende em dizer, "se ligará a tal família"? E essa reflexão me faz voltar meus pensamentos, com grande satisfação, para minha proposta de casamento a Elizabeth em novembro último. Caso ela houvesse aceitado, eu estaria envolvido em sua desgraça, em vez de meramente penalizado, situação na qual irremediavelmente me encontro. Portanto, deixe-me aconselhá-lo, caro senhor, a afastar sua indigna filha de seu coração para sempre, e permita que ela colha sozinha os frutos de seu hediondo ato. Peço licença para concluir parabenizando-o, já que não mais requisitarei Longbourn depois de sua morte, pois quando esta carta alcançá-lo eu próprio estarei morto, pendurado num dos galhos da árvore favorita de Charlotte, no jardim o qual Sua Senhoria, em sua magnanimidade, colocou sob nossos cuidados.
SEU, ETC, ETC.

Omnia Vanitas.

13 de fevereiro de 2015

Mais Uma..


Mais uma carta chegou, ontem, do Clube de Leitura que participo na página do Facebook! Que alegria!!!

Mãos à obra para responder!!!!

Aguarde, querida destinatária!!!

:)

Omnia Vanitas.

11 de fevereiro de 2015

A Carta de Mr. Collins..



Para aqueles que conhecem um pouco da literatura de Jane Austen, não é novidade que seus clérigos sejam pessoas estúpidas. Estranho é pensar que o pai dela era um pastor anglicano e, mesmo assim, ela brincou muito com o caráter dos seus personagens eclesiásticos.

Mr. Collins é o clérigo em Orgulho e Preconceito. Ele representa uma das vergonhas de Elizabeth Bennet em relação a sua família. De forma trágica, para Elizabeth, ele foi o primeiro homem a lhe pedir em casamento: podre coitada. Claro, ela negou e depois fez troça da situação.

Porém, de todas as vergonhas que todo leitor sente ao conhecer este puxa-saco que é Mr. Collins, ontem, ao ler a carta que ele enviou à Mr. Bennet, pelo motivo da fuga da filha mais nova, Lidia; eu não pude deixar de dar razão a este personagem. Em sua missiva, o clérigo exprimiu, pelo menos assim senti ao ler, toda a indignação que o leitor sente quando se trata da educação leviana que o casal Bennet dispôs às suas filhas. Por mais que tenha sido uma verdade nua e crua (permeada com a idiotice que é característica do personagem), é a verdade em seu real sentido de como a indulgência paterna e materna guiaram suas filhas - salvo duas delas - à completa ignorância e estupidez. 

Segue a missiva do primo:

"Meu caro senhor: sinto-me obrigado pelo nosso parentesco e pela minha situação na vida a apresentar-lhe as minhas condolências pela grande aflição que agora está sofrendo e da qual fomos informados ontem por uma carta do Hertfordshire. Fique certo, meu caro senhor, de que Mrs. Collins e eu próprio nos solidarizamos sinceramente com o senhor e toda a sua res-peitável família no seu atual sofrimento, que deve ser dos mais agudos, porque provém de uma causa que, o tempo não pode remover. Para lhe aliviar tão grande infelicidade, não faltarão argumentos da minha parte. Desejo consolá-lo nesse transe, que deve ser, de todos, o mais duro para o coração de um pai. A morte da sua filha seria uma bênção em comparação com o que sucede agora. E isto ainda é de se lamentar quando sabemos que existem razões de supor, como a minha cara Charlotte me informou, que essa licenciosidade de conduta da parte de sua filha foi devida a uma excessiva e culposa indulgência; ao mesmo tempo, para o seu próprio consolo e o de Mrs. Bennet, estou inclinado a acreditar que as tendências da sua filha devem ser naturalmente perversas. Sem o que, ela jamais seria capaz de cometer tão grande crime com tão pouca idade. Seja como for, o senhor nos merece a maior compaixão, e nisto sou acompanhado não só por Mrs. Collins, como igualmente por Lady Catherine e sua filha, a quem contei a história e que são da mesma opinião. Elas concordam comigo quanto às apreensões que sinto, que este mau passo de uma das suas filhas será prejudicial para o futuro de todas as outras; na verdade, quem, como Lady Catherine pessoalmente condescende em dizer, quem quererá se relacionar com tal família? E esta consideração me conduz além disso a refletir com a maior satisfação num certo acontecimento do mês de novembro passado, pois de outro modo eu estaria envolvido em todas estas tristezas e desgraças. Permita que o aconselhe, pois, meu caro senhor, a se consolar a si próprio o mais que puder, a expulsar para sempre a sua filha indigna da sua afeição, e deixá-la colher os frutos do seu odioso crime. Seu, caro senhor, etc."

Omnia Vanitas.

3 de fevereiro de 2015

Cartas ao Destinatário..






"Em pleno século XXI, você escreve cartas!", foi o que disse uma amiga minha ao receber uma carta que lhe enviei. Com esta minha amiga, mantive o hábito de escrever. Estudamos juntas o curso de Letras e, durante as férias (Julho e final de ano) trocávamos cartas. Dois anos atrás eu reiniciei a escrever cartas a ela, foi quando recebi a exclamação acima como retorno!
É verdade, não me importo de escrever cartas, colar um selo e deixá-la no Correio. É romântico: a espera pelo seu recebimento, o retorno que ela trará com as novidades do destinatário. Eu aprecio todas as etapas deste evento! Tenho várias cartas que recebi, guardadas - desde os tempos memoriais da minha adolescência.

Quando reabri minha conta no Facebook, decidi procurar por grupo de leitura/literatura e afins. Em um grupo específico, foi lançado o desafio de trocar correspondência "à moda antiga". Logo entrei no clima! E, ontem, pela primeira vez, recebi uma carta de uma das garotas do clube de leitura. Fiquei super contente! Veio até com uma lembrancinha junto! Que fofo!

Até o final de semana eu pretendo responder a missiva!

Omnia Vanitas.

24 de fevereiro de 2014

Todas as Cartas de Amor são Ridículas..



Buenas, companheiros (rs).

Ontem, terminei de ler "A Casa das Sete Mulheres", de Letícia Wierzchowski. Adorei! Terminei o livro apaixonada. Este, ainda, não é um post sobre a leitura, mas eu não posso deixar de registrar uma carta, pelo menos, do primo de Manuela, filho de Bento Gonçalves da Silva - general Farroupilha.
Sinto muito por Manuela não ter aceito o pedido de casamento deste jovem médico e bravo soldado. Cada um sabe o chapéu que lhe cabe, não é mesmo. A parte disto, eu adorei a primeira carta que ele envia à prima. Segue:


"Cara Manuela,

Faz muito que anseio em le escrever, pois a saudade que sinto de vosmecê tem aumentado a cada dia, mas somente agora, sentado aqui nesta pedra, vendo uma ponta de mar quebrar com estrondo na areia, é que tive coragem suficiente de le dizer dessa falta que me pesa. Sim, faz muito que deixei de le dedicar um afeto de primo. Hoje, penso com carinho e amor no nosso futuro casamento, e espero que seja breve esse tempo em que estamos separados, e que vosmecê está na estância com as outras, e eu aqui, neste acampamento de soldados, nesta luta pela liberdade.
Eu ando aqui para as bandas de Torres, onde temos travado algumas batalhas, nas quais, graças a Deus e à Virgem, tenho me saído mui bem e em completa saúde. Afora elas, sucederam uns poucos embates sem importância, umas escaramuças passageiras que mais servem para espantar a solidão destes dias do que para fazer garantir nossa República. Mas o inverno aqui se faz mais úmido, e me aperta o peito. De modo que, ao partir — sairemos de Torres ainda nesta semana —, meu coração há de encontrar um pouco mais de alento, mesmo que não seja no verde dos seus olhos.
É por isso que le escrevo, Manuela. Para que vosmecê responda a esta missiva e me diga que dedica a mim esse mesmo afeto que le dedico, e que sente por este seu primo a mesma saudade que sinto eu de vosmecê. Tenho certeza de que serei mais feliz então, e de que lutarei com mais gana. Depois, quando esta guerra estiver finda, teremos a nossa vida e a nossa estância, e os dias serão doces e ternos para nós. Por agora, é a República, mas peço que vosmecê me espere e que reserve para este seu parente que tanto bem le quer a melhor parte do seu afeto e dos seus pensamentos.
O mar hoje está verde como seus olhos, de um verde escuro e cheio de mistério, Manuela, que as nuvens que pesam do céu só fazem acentuar. E eu, aqui, sob um vento frio e úmido que levanta a areia em redor, mando para usted todo o meu afeto.
Por favor, dê lembranças minhas para minha mãe e para as tias,

sempre seu,

Joaquim.

Praia de Torres, 12 de julho de 1838"

4 de abril de 2013

Shirley..Parte I



Eu li "Shirley", de Charlotte Brontë. Esse livro fez parte da "Brontë Sister's Tour" que eu fiz, começando com Emily e seu O Morro dos Ventos Uivantes, depois, Anne e sua A Moradora de Wildfell Hall e, por fim, por enquanto, Shirley, de Charlotte.

Shirley acontece durante a invasão de Napoleão à Inglaterra e, ao mesmo tempo, na segunda Revolução Industrial. O enredo está situado neste contexto histórico, incluindo as divergências religiosas da sociedade e a ousadia de duas moças: Caroline e Shirley. Água e vinho transformam a própria história que era moldada (era?) pela conveniência.

Shirley não aparece até a página 90, por um bom motivo. Como heroína da história, ela precisaria contrastar no ambiente que estaria inserida. E, Shirley, não deixou a desejar. Impetuosa, ousada, destemida, mimada, centrada, rica, linda e com um discurso que deixou alguns senhores calados e outros com o desejo de ser ela um homem para poderem acertar as diferenças no braço.
Em contraste, havia a doce, meiga, calma e apaixonada Caroline. Ambas ligadas pela paixão que nutriam pelos irmãos Moore: Roberto e Luís. O primeiro é industrial, o outro, preceptor.

Bom, vou parar por aqui e deixar o capítulo 26, meu preferido, como post (atrasado) para hoje.
Esta publicação faz parte do marcador carta, onde há algumas missivas que eu encontrei nos livros (não todas, é claro), aquelas que eu mais gostei.

Omnia Vanitas.




CAPÍTULO XXVI

SOLILÓQUIO


Luís Moore estava habituado a uma vida tranquila. Dotado um gênio calmo, suportava-a melhor do que muitos, porque tinha o cérebro e o coração povoados de um mundo todo seu.
Como Fieldhead está tranquilo nessa noite! A jovem Keeldar, toda família Sympson, todos, exceto Luís Moore, foram a Nunnely. Sir Filipe convidou-os para travarem conhecimento com a mãe e as irmãs, que se encontram, nesse momento, no Priorado. O barão tivera a amabilidade de convidar também o preceptor. Mas se Luís Moore desejava alguém junto de si nessa noite, não é o pequeno barão, nem a sua mãe ou as irmãs dele, nem qualquer outra pessoa da família Sympson.
A noite está agitada. As tempestades do equinócio revolveram ainda a atmosfera. As chuvas torrenciais do dia acabaram: as nuvens desfazem-se e afastam-se, mas escorraçadas por uma contínua e fragorosa tempestade.
Moore, sentado na sala de estudo, escutava o barulho que a tempestade fazia. O lado onde se encontrava era abrigado, mas nem lhe importava o silêncio nem o fato de estar agasalhado.
“Toda a casa está vazia, - pensou ele – e esta solidão me faz mal ao coração”.
Saiu daqui e foi onde as janelas, mais largas e mais desafogadas, deixavam ver livremente o azul escuro do céu. Não levou qualquer luz consigo: a claridade da lua cheia, embora as nuvens a ocultassem de quando em quando, refletia-se no soalho e nas paredes.
Dir-se-ia que Moore perseguia uma visão de sala em sala. Deteve-se numa, forrada de carvalho, que não é úmida e fria como o grande salão; a lareira está quente e vermelha; junto do fogão há uma mesinha de trabalho e uma escrivaninha; ao lado há uma cadeira.
A visão que Moore vem perseguindo ocupará essa cadeira? É caso para pensar assim ao vê-lo de pé diante dela. No seu olhar há tanto interesse, tanta expressão no seu rosto como se tivesse encontrado naquela solidão um ser vivo com quem pudesse falar.
Vai fazendo descobertas. Uma bolsa, uma pequena bolsa de cetim está dependurada no espaldar da cadeira. A escrivaninha está aberta, as chaves estão na fechadura; um lindo sinete, uma pena de prata, uma luva pequena, limpa e delicada, estão espalhados sobre uma mesinha, numa desordem que pode passar por fantasia.
“Eis os vestígios da descuidada feiticeira – disse ele. – Chamada às pressas, esqueceu-se de voltar para pôr as coisas em ordem. Por que nasce a fascinação sob os seus passos? Há sempre qualquer coisa a censurar nela, mas, para o amante ou para o marido, a censura acabará naturalmente num beijo. Mas que digo? A que monólogo me deixei arrastar?...”
Calou-se. Ficou alguns instantes pensativo, depois instalou-se comodamente para passar o serão.
Correu o reposteiro da larga janela do salão, alimentou o fogo, que ainda ardia mas se consumia rapidamente; acendeu uma das duas velas que tinha diante de si; colocou uma segunda cadeira em frente da que estava ao lado da mesa, e sentou-se. Tirou, em seguida, da algibeira, um caderninho, depois um lápis e começou a escrever, numa letra compacta e nítida. Aproxime-se, o leitor, e vá lendo à medida que ele escreve:

Shirley .. Parte II



“São nove horas; a carruagem não voltará antes das onze, tenho certeza. Até lá sou livre; até lá posso ocupar o quarto dela, sentar-me em frente da sua cadeira, apoiar o cotovelo à sua mesa, ter em volta de mim estes deliciosos objetos que ma recordam.
“É bom escrever sobre a pessoa que me é mais querida do que o meu coração. Ninguém me pode tirar este livrinho, e graças a este lápis posso dizer aquilo que nem sequer ouso exprimir em voz alta.
“Raramente nos encontramos depois daquela noite. Uma vez, quando eu estava só no salão, procurando um livro para Henrique, ela entrou, vestida para um concerto. Foi o seu embaraço, e não o meu que pôs um véu entre nós. Quando passou diante da janela, depois de, tácita mas graciosamente, me haver reconhecido, apareceu ao meu pensamento como a “virgem sem mácula”: rodeava-a um delicado esplendor, e o seu recato de moça era a sua auréola. Eu devia estar com um ar estúpido e pesadão; senti as delícias do paraíso quando ela baixou os olhos diante dos meus, e desviou docemente a cabeça para esconder o seu enrubescimento.
“Eu sei que isto são divagações de um sonhador, o êxtase de uma louco romântico. Sim, estou sonhando; quero sonhar de quando em quando.
“Mas se ela encheu de vida minha natureza prosaica, que hei de fazer?
“Como ela é criança às vezes! Que vivacidade e que inocência há nela!
“Adoro as suas perfeições; mas são os seus defeitos, ou pelo menos, as suas fraquezas, que fazem com que eu a atraia a mim, que a ponha no meu coração, que a rodeie do meu amor, e isso pela mais egoísta e mais natural das razões; porque estes defeitos são os degraus que me fazer elevar acima dela.
“Mas, para falar com mais simplicidade, vê-la é um prazer; ela me agrada. Se eu fosse um grande senhor e Shirley minha criada, não poderia impedir-me de amá-la. Tirem-lhe a educação, os enfeites, os vestidos suntuosos, tirem-lhe toda a graciosidade, exceto aquela que a beleza da sua pessoa torna inevitável; apresentem-na à porta de uma cabana; eu gostarei dela.
“Que negligência, deixar assim aberta a sua escrivaninha, onde sei que há dinheiro! Aqui estão as chaves de todos os seus móveis, mesmo a do cofre de joias. Nesta bolsa de cetim também há dinheiro. Semelhante espetáculo havia de encolerizar meu irmão Roberto; todas as pequenas fraquezas dela, bem o sei, seriam para ele um motivo de irritação. Se me envergonham a mim, é uma deliciosa vergonha. Adoro encontrá-la em falta. Quanto mais o humor dela é decidido, malicioso, impertinente, quanto mais ela me dá motivos para desaprovar, tanto mais eu a procuro e a amo. Nunca ela é menos tratável do que quando, montada na sua égua, volta de cavalgar nas montanhas; e, contudo, confesso-o a esta página muda, tem-me acontecido de esperar uma hora, no pátio, para assistir ao seu regresso, e para a receber nos meus braços ao descer da sua montaria. Tenho observado (é ainda uma coisa que só confio a esta página) que ela só de mim consente este auxílio. Sei agora, sabe-o o meu coração, porque o sentiu, que ela se me abandona sem qualquer aversão. Saberá ela a alegria que sinto em pôr a minha força ao seu serviço? Não sou escravo dela, declaro-o, mas o meu ser é atraído para a sua beleza, o meu saber, toda a minha prudência, toda a minha calma e toda a minha força estão aos seus pés, esperando humildemente uma tarefa a cumprir.
“Chamei-lhe negligente; é digno de nota que a sua negligencia não comprometa nunca a sua elegância; e é nisso que se pode verificar a realidade, a profundidade, a pureza dessa elegância. Tenho tido nas minhas mãos muitos objetos dela, porque muitas vezes ela os deixa em qualquer lugar. Nunca vi nenhum que não revelasse a mulher mais delicada. Em um certo sentido, ela é tão minuciosa como em outros é imprudente; fosse ela aldeã, seria, da mesma forma, elegante e asseada. Veja-se a pureza desta luva, a frescura do cetim desta bolsa.
“Que diferença entre S. e essa pérola da C.H.! Carolina, imagino eu, é a alma da pontualidade conscienciosa e da exatidão; conviria perfeitamente aos hábitos domésticos de meu irmão. Ela é tão delicada, tão hábil, tão engenhosa, tão diligente, tão calma! Com ela tudo se faz imediatamente, tudo é desenhado a esquadro. Ela conviria ao Roberto; mas que poderia eu fazer de coisa tão perfeita? Ela é minha igual, tão pobre como eu. É linda, sem dúvida, uma linda cabeça de Rafael. Mas que há nela que seja preciso aturar, que se tenha de censurar? É composta de tons pálidos, como os lírio dos vales, mas a cor ser-lhe-ia inútil. Como retocar essas perfeições? Que pincel se atreveria a aflorar essa pétalas? Na minha bem-amada, se algum dia eu tiver algumas, quero antes uma semelhança com a rosa; há de ser uma doce e profunda delícia guardada por um eriçamento de espinhos. A minha mulher, se eu algum dia me casar, deverá espicaçar a calma dos meus nervos. Não me fizeram tão calmo para ser emparelhado com uma cordeirinha; e eu teria uma responsabilidade mais de acordo com o meu temperamento, tendo a meu cargo uma leoa ou uma pantera. Não gosto das coisas doces, se não são picantes; ou das coisas brilhantes, se ao mesmo tempo não queimam.
“Oh! Minha discípula! Turbulenta demais para o céu, inocente demais para o inferno! Nunca poderei eu então ir além de ver-te, adorar-te, desejar-te? Ai de mim! Sabendo que poderia fazer-te feliz, estarei condenado a ver-te na posse de quem não tem esse poder?
“Tomai cuidado, Sir Filipe Nunnely.
................................................................

“Aí vem a carruagem! Fechemos a escrivaninha e guardemos as chaves. Ela há de procurá-las amanhã de manhã: terá de vir falar comigo:
“- Senhor Moore, não viu minha chaves? – Assim ela dirá na sua voz clara, falando com hesitação e parecendo envergonhada à ideia de que á vigésima vez que me faz tal pergunta. Posso conservá-la na expectativa e na dúvida; e, quando lhe restituir estes objetos, não deixarei de lhe ralhar. Aqui estão a bolsa e o dinheiro, as luvas, a pena, o sinete. Terá de arrancar lentamente, um por um; e só à força de uma confissão, de penitência, de súplicas. Nunca posso tocar na sua mão, ou numa madeixa dos seus cabelos, ou num laço dos seus vestidos; mas hei de reservar-me privilégios: cada traço do seu rosto, os seus olhos brilhantes, os seus lábios, passarão, para o meu prazer, por todas as transformações que podem sofrer; exibirão as deliciosas mudanças do olhar e da expressão, para meu enlevo, para me penetrarem, talvez para me agrilhoarem. Se tenho de ser escravo dela, não quero perder a minha liberdade por coisa alguma do mundo”.
Fechou a escrivaninha, pôs todos os objetos no bolso e saiu do aposento.

BRONTË,Charlotte.SHIRLEY, Capítulo 26. Ed. José Olympio,1949.

20 de março de 2013

E eu sei que é amor..





Vejam que reportagem mais fofa!!!


O inglês Jack Potter não quer que sua esposa Phyllis esqueça o amor que os une há mais de 70 anos. Sabendo que Phyllis sofre de demência e falta de memória, o homem visita todos os dias a casa de repouso na cidade de Rochester, Inglaterra, e lê para ela o diário que guarda desde o dia em que se conheceram.
O inglês, de 91 anos, disse ao jornal Daily Mail Online que lembra exatamente do momento em que os dois se cruzaram, num baile. Foi em 1941 (casaram em 1943) e no diário escreveu: “Foi uma noite muito agradável. Dancei com uma garota muito legal. Espero encontrá-la novamente”.Esses e outros momentos, como o casamento, as férias, as fotografias e todos os momentos partilhados a dois, estão nesse diário que Jack faz questão de ler para sua esposa demente. Apesar de debilitada, Phyllis se esforça para abraçar o marido. Eles festejaram 70 anos de casamento.

Fonte: clique aqui.

Os Meninos da Rua Paulo - Prefácio

  Olá, abandonado leitor!  Comecei neste final de semana a leitura de "Os Meninos da Rua Paulo". Ainda não cheguei na página 50, a...