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2 de maio de 2020

Fábula de La Fontaine..



O Louco que vende Sabedoria

Mantenham distância dos loucos, é o melhor conselho que posso lhes dar. Há muitos na corte e os príncipes gostam deles porque disparam seus chistes contra os teimosos, os tolos e os patifes.
Um Louco ia gritando, pelas ruas e praças, que vendia sabedoria, e muitos crédulos corriam para comprá-la. Fazia estranhas caretas e, depois de tomar-lhes o dinheiro, lhes dava uma bofetada e dois metros de barbante. A maior parte dos enganados se revoltava, mas de que adiantava? Acabavam sendo zombados duplamente: o melhor era rir e ir embora sem dizer nada. Buscar naquilo algum sentido seria levar a sério os mentecaptos. Qual razão explica os atos de um louco? A causalidade é o que movo o cérebro de um transtornado. Mesmo assim, um dos enganados foi procurar um homem erudito, que, sem vacilar, lhe disse: "O barbante e a bofetada têm sim um significado: toda pessoa de bom senso deve manter-se longe dos Loucos e a distância desse cordão. Se não fizer assim, se expõe a tomar uma pancada. O Louco não enganou ninguém: ele realmente vende sabedoria".

Le Fou qui vend la sagesse

Jamais auprès des fous ne te mets à portée:
Je ne te puis donner un plus sage conseil.
Il n'est enseignement pareil
À celui-là de fuir une tête éventée.
On en voit souvent dans les cours :
Le Prince y prend plaisir ; car ils donnent toujours
Quelque trait aux fripons, aux sots, aux ridicules.
Un Fol allait criant par tous les carrefours
Qu'il vendait la sagesse ; et les mortels crédules
De courir à l'achat : chacun fut diligent.
On essuyait force grimaces ;
Puis on avait pour son argent
Avec un bon soufflet un fil long de deux brasses.
La plupart s'en fâchaient ; mais que leur servait-il ?
C'étaient les plus moqués ; le mieux était de rire,
Ou de s'en aller, sans rien dire,
Avec son soufflet et son fil.
De chercher du sens à la chose,
On se fût fait siffler ainsi qu'un ignorant.
La raison est-elle garant
De ce que fait un fou ? Le hasard est la cause
De tout ce qui se passe en un cerveau blessé.
Du fil et du soufflet pourtant embarrassé,
Un des dupes un jour alla trouver un sage,
Qui, sans hésiter davantage,
Lui dit : Ce sont ici hiéroglyphes tout purs.
Les gens bien conseillés, et qui voudront bien faire,
Entre eux et les gens fous mettront pour l'ordinaire
La longueur de ce fil ; sinon je les tiens sûrs
De quelque semblable caresse.
Vous n'êtes point trompé : ce Fou vend la sagesse.

Link para o texto em língua francesa aqui.

1 de maio de 2020

Leitura quinze..


Fim da primeira parte de Memórias de um Médico, de Alexandre Dumas. 

O último livro de José Bálsamo é quase uma história a parte da trama geral. Nesta parte do enredo, o destaque é para o drama da família de Tarveney, mais especificamente os dois irmãos Andréa e Phillipe. 

O sofrimento destas personagens se deve ao antigo conhecido da casa da Taverney, Gilberto. A obsessão deste por Andréa é notado desde o primeiro livro, quando ele deixa a casa do barão para seguir Andréa até a corte francesa. Sem muito o que deixar para trás, parte com algum dinheiro nos bolsos atrás da carruagem da filha do barão. Ele foi a pé.

Gilberto é dotado de uma sorte que desgraçados como ele não deveriam ter. Quase morrendo de fome e cansaço, é acudido pela irmã da favorita do rei o meio do caminho. Depois, sem ter onde ficar em Paris, encontra Jean Jacques Rousseau - de que é grande leitor - e permanece na casa dele para ganhar dinheiro, ensino e continuar sua aproximação de Andréa. Por mais um fortuna do destino, esta mora a cem passos da casa do seu protetor e ele consegue vigiá-la ela janela do seu quarto. 
Depois, expulso da casa de Rousseau, consegue emprego de jardineiro no Trianon - onde está Andréa e, claro, a vigia mais de perto.

Gilberto é o que se chama hoje de em dia "perseguidor". E, como cultura da época, depois de estuprar sua vítima/amada, ele quer redimir seu crime casando com a moça. E, claro, arruma quem lhe dê dinheiro para o dote de casamento. 

Gilberto nunca foi uma personagem com quem consegui estabelecer uma ideia boa sobre ela. Algo na descrição dele e nas suas atitudes é incômoda: e se mostrou exatamente do que dele se esperava. Tudo o que Gilberto faz é mau - e ele tenta colocar uma "intensão" nobre para justificar suas atitudes: o desprezo de Andréa ao saber que ele é  pai do filho que ela espera (ele a estuprou enquanto ela estava entorpecida) parecia para o criminoso uma ação incoerente visto que ele a amava e queria redimir seu erro. Ele só produz um absurdo atrás do outro. Todas as oportunidades honestas que lhe apareceram na vida ele as transformou em desgraça. 

O epílogo da trama apresenta a doença do rei Luiz XV e sua morte para a ascensão do Delfim e Maria Antonieta. 

A segunda parte da saga será O Colar da Rainha, com dois volumes, e tratará do caso do colar de diamantes de  Maria Antonieta às portas da Revolução Francesa.

Omnia Vanitas 💀

22 de abril de 2020

Leitura catorze..


Olá, isolado leitor!

Fim de mais uma leitura - e do terceiro livro da saga Memórias de um Médico, de Alexandre Dumas. 
Esta primeira parte é composta por quatro volumes e chama-se José Bálsamo. Estes são os links para o primeiro e o segundo livros. 

Neste terceiro livro, o projeto de José Bálsamo segue seu curso, porém, nesta direção também estavam os planos de outros personagens

A condessa Du Barry estava em guerra contra todos que não a aceitavam como a favorita do rei Luís XV. Esta lista era composta por quase toda a França, pela família Choiseul, pela Delfina e seu esposo (Luiz XVI) e, também o marechal Richelieu - que muda mais de partido dentro da trama do que pode ser aceito em via de regra. 
Um adendo sobre esta personagem - não se trata do mesmo Richelieu de Os Três Mosqueteiros - o período entre as história o faria um matusalém; mas ambos existiram e foram ativos junto à monarquia francesa
Além de seus inimigos naturais, a condessa Du Barry ainda precisa enfrentar uma nova rival, a dama de companhia de Maria Antonieta, Andréa de Taverney. 
Mas o rei não é o único apaixonado por Andréa. A menina parece arrebatar corações por onde passa; e o mais apaixonado deste séquito de enamorados é Gilberto. Este aspirante a filósofo faz a sua vida orbitar conforme a trajetória de Andréa. E é isto que Du Barry utilizará para manter esta paixão de Luiz XV fora do alcance do rei. Em contra-partida, o marechal Richelieu pretende aproximar este casal para tirar a Du Barry "do sério" e "da vista".
Todo o mal entendido aconteceu por conta de um cargo no parlamento que foi recusado (pelo rei) ao senhor de Richelieu. Tal recusa foi entendida como uma traição de Du Barry ao marechal. E, sendo rivais, estão colocando empecilhos no caminho de cada um - que, às vezes, traz a vitória para um, outrora a vitória de outro. 
E nesta troca de cargo no parlamento francês, a disputa pela vaga que o ministro De Choiseul deixou, mobilizou uma revolta no parlamento que este decidiu não julgar mais nenhum caso. Mais uma vez a amante do rei entra em ação para fazer sua vontade ser ouvida. 

Entre os filósofos, Rousseau tem três participações interessantes: a primeira delas é a rompimento de relação professor x pupilo com o Gilberto. A segunda é em uma reunião onde ele encontra alguns participantes da maçonaria, entre eles, um médico relevante para a história com um sobrenome peculiar: Guillotin. A terceira participação que chamou minha atenção foi justamente a reunião com aqueles que causaram a sua separação de Gilberto - uma pequena ação contraditória.

Esta terceira parte de José Bálsamo me lembrou muito a saga O Visconde de Bragelonne, onde as intrigas da corte tomam mais conta da narrativa do que a trama central; mas, faço um adendo - desde que a sessão real foi convocada até a conversa que Bálsamo tem com Guillotin - a leitura foi muitíssima interessante (e dentro do enredo para  a queda da monarquia) e me permitiu terminar a leitura antes do prazo estipulado.

Esta saga apresenta o gérmen que surgiu para a  queda da monarquia francesa. José Bálsamo, um líder maçônico e alquimista (entre outros títulos) deseja tirar o rei Luís XV e sua descendência do poder e declarar a monarquia extinta. Para isso, conforme primeiro livro, ele pediu um prazo de vinte anos para a realização do projeto - prazo este que ele considerou justo para arrancar a monarquia pela raiz e não permitir a sua ascensão ao trono novamente.

Por hoje é só, começo a leitura do quarto e último volume desta primeira parte!

Omnia Vanitas

13 de abril de 2020

Leitura treze..


Olá, confinado leitor!

Fim de mais uma leitura! E que leitura! Eu concordo com cada letra da frase da professora Maria Lúcia Dias Mendes: "Alexandre Dumas é um bom contador de histórias". Ele sabe como deixar suas histórias com um gosto de "quero mais". 

A condessa Du Barry ainda não tem descanso com o seu França (Luis XV). Por falar neste apelido, eu acho uma graça quando ela o chama por esta alcunha. 
Para Dumas, Luis XV é um rei que reina sem se preocupar com o presente e com o futuro. O futuro não é da responsabilidade daqueles que o viverão, e o presente se resolve sozinho. 

José Balsamo usa da sua alquimia para trazer alguém para o seu lado - comprado. E o mais engraçado é que ele precisa passar recibo (da compra) para seus companheiros da seita. 
Ainda sobre Balsamo, sua esposa o ama quando está em transe de sono mas o renega quando está acordada. Dormindo, ela tenta seduzir seu marido para que a noite de núpcias seja consumada; acordada jura que irá matar-se se ele tocar nela. E Balsamo concorda que deseja tocá-la mas para sua feitiçaria precisa que ela se mantenha virgem. Interessante.

Ainda sobre casamentos não consumados, o Delfin tem o seu casamento mas uma noiva histérica no quarto. Mas ele não se preocupa visto que também não seduz sua noiva para levá-la à alcova. Fica nesse zero à zero, todos dormindo: ele no sofá e ela de frente para o altar. Os únicos acordados são os parisienses e o rei Luiz XV - que espia pela porta e vê o que não lhe agrada. 

E para os corações partidos, Gilberto continua apaixonado pela sua Andréa, apesar do desdém da moça. Vive como um que sofre todo o sofrimento daqueles que ousam amar uma realização impossível. 

A filosofia de Rousseau é o ponto de Arquimedes para Balsamo. Através dela o alquimista pretende derrubar a monarquia francesa.

Estou gostando muito da leitura, ela é envolvente e dinâmica. A história de cada personagem e sua trama tornam a leitura rápida e agradável. A construção da narrativa me lembrou muito o livro O Conde de Monte Cristo pois cada personagem tem a sua construção pessoal dentro dela, mesmo o egoísta barão de Taverney.

Omnia Vanitas 💀

4 de abril de 2020

Leitura doze..


Olá, enclausurado leitor!

Iniciei a leitura da saga Memórias de um Médico, de Alexandre Dumas. São quinze volumes no total, começando com a chegada de Maria Antonieta à França até a sua morte em 1793.
A saga é dividida em cinco partes:

- José Balsamo (4 volumes)
- O Colar da Rainha (2 volumes)
- Angelo Pitou (2 volumes)
- A Condessa de Charny (5 volumes)
- O Cavaleiro da Casa Vermelha (2 volumes)

Esta minha edição foi impressa em 1935, contém ilustrações e foi impressa pela W.M. Jackson Inc.

José Balsamo, volume um, inicia sua narrativa no místico Monte-Trovão (Zugspitze, se eu não estiver errada) com um desconhecido que irá receber sua iniciação na mística e secreta sociedade maçônica.
Desta reunião surge a ideia de exterminar as monarquias do mundo. E a primeira delas será a francesa, e o protagonista desta tarefa será José Balsamo - um alquimista (pelo que entendi até agora).

O segundo cenário será na casa do barão de Taverney. Balsamo para lá se dirige depois de um revés que lhe atinge o caminho. Neste castelo, Balsamo usa suas influências místicas para entreter os moradores e descobrir os planos que trazem a delfina Maria Antonieta à França. Logo a chegada da infanta, Balsamo sai de cena.

A viagem da futura rainha se mostra movimentada e repleta de obstáculos para aqueles querem concluí-la com pressa. 

Antes da chegada de Maria Antonieta, Dumas nos mostra toda a agitação que se passa no palácio do rei Luís XV. Chega a ser cômico o quanto o rei está cercado de pessoas que lhes trazem problemas pessoais em uma sequência de cenas muito rápida. 
A condessa de Du Barry, a favorita do rei, lhe traz toda a indignação de seu irmão ter sido atacado por um soldado do rei; o neto, futuro Luiz XVI, traz ao avô a inquietação de seu soldado ter sido atacado pelo irmão da favorita; o duque Choiseul contrapor a entrada da favorita na corte e o infortúnio que o irmão desta causou ao delfim.
Em seguida, seu filha Luísa - a única virtuosa das quatro que moram com ele no palácio - também lhe pede atenção para dele se despedir antes de ir morar em um convento. E este é um dos melhores diálogos deste primeiro volume, infelizmente ele é  longo e, talvez, eu faça uma postagem exclusiva para ele - eu escrevi, talvez. 
Assim como descreve o neto de Luís XV como um fã da arte da relojoaria, apresenta as outras três filhas (Adelaide, Vitória e Sofia)  como simplórias, ambiciosas e cheias de vícios maliciosos.

O restante da narrativa descreve as artimanhas de Du Barry para tentar sua entrada à sociedade real, além do passe livre que tem para a cama do rei. 

A narrativa é muito dumasiana: diálogos curtos e rápidos com descrição longa de personagens em capítulo introdutórios. 
A história é simples e rápida e, também, envolvente.
E, para lembrar, Alexandre Dumas usa as personagens históricas para compor seus romances sem ter como obrigação ser coerente com os fatos históricos. 

Adorei a primeira parte de José Balsamo - que terminou com um café passado pelo próprio rei. 


Omnia Vanitas. 💀

24 de fevereiro de 2020

Leitura oito..



Olá, indeciso leitor!

Ainda não sei se gosto deste livro. 

Quando peguei esse livro na estante, logo achei que seria uma dessas história arrebatadores de Aluisio Azevedo. Enganei-me. 

Primeiramente, esta história se passa em Paris, no século XVII. Péssimo! 
Em segundo lugar, eu não achei os personagens cativantes ou bem envolvidos na trama. O enredo parece pular de um lugar para outro sem muito sentido. Personagens são deixados para trás sem motivo aparente. 

E a trama é a seguinte: um órfão é deixado na porta de um seminário e, um padre que buscava por sua remissão de uma vida libertina, encontrou no menino a sua absolvição.
Angelo, este é o nome do órfão, foi criado para se tornar um eclesiástico perfeito, sem mácula ou qualquer tipo de vício que o pudesse tirar a virtude - incluindo a sua virgindade. 
O garoto teve pouco convívio social, morou durante muito tempo dentro de uma espécie de sótão e só conversava com pessoas que não poderiam tirá-lo do caminho de fé traçado pelo seu "pai", Ozéas.

E, para mim, só os nomes já começaram errado. França com Angelo e Ozéas não me cativaram. 

A ideia do menino viver no clausuro para tentar criar um homem sem vícios, bacana! Mas, sem aviso prévio, levá-lo para uma grande multidão ouvir  a sua primeira pregação e, ainda assim, levar todos às lágrimas - achei forçado.
E a paixão repentina pela cortesã que - só e olhar - enche o rapaz de amor puro e sincero. Não comprei a ideia. 

E esta foi a primeira parte.

A segunda parte mostra o jovem Angelo vivendo sozinho, pensando em Alzira - que se muda para a região onde o jovem e virtuoso padre mora. O segundo encontro deste casal é surreal e até anima um pouco o desenrolar da segunda parte quando o jovem padreco tem lá os seus sonhos. Mas ainda assim é uma história sem muito atrativo. 

Assim como em O Seminarista, de Bernardo Guimarães, o jovem toma a sua decisão entre a vida eclesiástica ou a  vida com Alzira. 
Mas algumas pontas ficam abertas.

Como já mencionei, depois de ler O Cortiço e O Mulato, ficou muito difícil engolir A Mortalha de Alzira como uma obra de Aluisio Azevedo. 

11 de abril de 2018

Segundo abandono.. Joana D'arc 3/3


Sinto muito, determinado leitor, mas eu abandonei a leitura de Joana D'arc de Mark Twain. 

Fiquei pela página 80 e poucos - antes de 89. Eu não consegui gostar da leitura. Quando eu li Dumas, achei que era uma história com muitas fábulas de quem foi Joana D'arc - antes das batalhas e da prisão.
Mark Twain criou uma vida cheia de fantasia para esta heroína; e alguns diálogos eu achei muito chatos: a defesa das fadas após a sua expulsão, sobre um determinado estômago puro de um suposto ladrão.

Infelizmente, minha determinação foi abalada e eu abandonei a tercei Joana D'arc. 
Ainda não decidi se vou colocá-lo à venda ou vou deixar na minha prateleira. 


8 de abril de 2018

Leitura nove .. Joana 2/3



Olá, planejado leitor!

Mais uma leitura terminada. Mais uma Joana concluída.

Esta foi a segunda leitura sobre a heroína francesa. O livro é um romance de Alexandre Dumas, Joana D'arc.

Dumas conta a história de Joana desde o seu nascimento até a sua morte. A parte da história que se  referente a morte desta personagem não há enxertos para compor a trama pois há registros que apresentam o martírio que acompanhou aquela que levou Carlos VII ao trono.
Porém, do nascimento à juventude (exceto quando esta ingressa na carreira militar), nada se sabe em como viveu Joana D'arc. Dumas, então, cria um nascimento quase messiânico para Joana:

Na noite em que nasceu Joana, a do dia de Reis de 1412 (...) uma ligeira brisa surgiu pela noite, impregnada dos suaves odores que só se respiram nos crepúsculos de maio; (...) então pareceu que uma estrela se destacou do céu e desenhando no espaço um traço luminoso, foi na casa de Jacques d'Arc.
E, ao descrever as ações e intensões desta heroína, torna-a um ser quase celestial.

Na minha opinião, somente após a prisão de Joana que a história se torna verossímil; antes disso, tudo o que se faz é preencher lacunas e adicionar frases não ditas para compor a trama. 

28 de março de 2018

Leitura oito.. Joana 1/3

"Os juízes não a querem santa. Também não a querem militar" (p.185)
Logo após a leitura de "O Clube Dumas" eu resolvi colocar em prática um projeto de leitura que planejei em 2017. E, nesta semana, eu terminei a primeira das três partes desta empresa.

Claude Bertin foi quem supervisionou este volume de Os Grandes Julgamentos da História: Joana D'arc.  Este é o quarto tomo desta coleção da editora Otto Pierre. Esta edição apresenta ilustrações da Bibliothèque National, agência Roger Viollet e uma gama bibliográfica que serviu de fonte para a composição deste livro.

Carlos V construiu com um bom território para a França. Carlos VI não soube o que fazer com este patrimônio real. Carlos VII não sabia se era apto para assumir o trono. Joana D'arc trouxe um rei para a França e a Inglaterra a queimou por bruxaria.

Joana D'arc se envolveu na luta pela França quando a Guerra dos Cem Anos estava acontecendo. A França havia perdido batalhas significativas para a Inglaterra: Crécy (1346) , Poirtiers (1356) e Azincourt (1415); e cada uma que era acrescentada tornava o território inglês maior. 
No ano de 1429 o certo a Orleans trouxe um novo ar para derrotada França. E seu líder foi Joana D'arc.

Joana D'arc foi uma camponesa que saiu da casa patriarcal e foi lutar pelo seu país. Despojou-se das roupas femininas e vestiu-se como guerreiro. Esta jovem trouxe à França vitórias e coroou um rei abatido. Depois desta glória a França a esqueceu e permitiu que sua redentora fosse queimada como bruxa pelos seus inimigos.

A igreja (inglesa) não a queria por santa, eles não aceitariam suas visões e suas profecias; mas não puderam dizer que as visões não possíveis ou estariam condenando todos os profetas bíblicos.
O controverso julgamento desta jovem lhe custou a vida quando tinha apenas dezenove anos. 
A Inglaterra juntou provas, e forjou outras tantas, para lhe condenar como bruxa; caso contrário, teriam que admitir que Deus estava contra eles. 
De todas as acusações, poucas foram comprovadas para lhe dar o veredito de culpada; portanto, culpar-lhe pelos trajes masculinos que vestia foi o que a levou à fogueira. 

A fervorosa jovem cristã pedia para que o Papa lhe soubesse o caso e, julgando ele que ela falava mentiras, aceitaria a condenação. Mas o Papa nunca foi chamado, porém, conhecia o caso de Joana. Segundo Bertin "a verdade é que toda a época foi cúmplice da condenação". Em toda a parte se sabia sobre a virgem guerreira que coroou o rei da França; porém, nem mesmos Carlos VII não se pronunciou em momento algum sobre um resgate para o seu soldado. 

Entretanto, quase vinte e cinco anos depois da morte da herege, o Papa contemporâneo, Calisto III, foi feita a reabilitação da jovem guerreira. Carlos VII se pronunciou, os guerreiros que estavam com ela também deram contribuição para o novo julgamento e, as amigas de Joana D'arc foram ouvidas. 
Apesar das declarações e louvores à jovem devota, pouco se sabe soube como ela era fisicamente; exceto a cor dos cabelos: castanhos. Nenhum esboço serviu para dar rosto àquela mulher.

A igreja lhe condenou pelas roupas de homem que vestiu;  mas a virgindade lhe tornou santa.

Você pode acreditar ou não, crédulo leitor, que Joana D'arc tinha visões e ouvia vozes dos santos; fato é que esta jovem mulher liderou batalhas - e venceu a maioria delas sem nunca ter treinado para isso. Você pode acreditar ou não, mas ela foi eloquente o suficiente para dobrar um rei a fazer  o que ela queria. Ela o corou rei de uma nação desesperada. A vida de Joana D'arc foi verdade. Seus atos são verdade. 

No ano de 1929, Joana D'arc foi canonizada. 








7 de junho de 2016

Esconderijo francês..


Tem coisas que só ficam lindas na França!

Este espaço fica no quartier du Panier, em Marselha. É uma deliciosa casa de chá e, também, livraria. A carta de chás é extensa e diversificada.

Eis a postagem sobre o local:

Les improbables étaient à Marseille...

Cup of Tea

C’est dans le quartier du Panier, tout près de l’Hôtel de Ville que se trouve le salon de thé Cup of Tea qui fait aussi librairie. Les amateurs de thés et infusions y trouveront leur bonheur ainsi que les novices grâce aux conseils avisés du personnel de l’établissement. Au moment des beaux jours, vous pourrez même apprécier votre pause en étant attablé à la terrasse extérieure du salon de thé.
Ouvert du lundi au vendredi de 8h30 à 19h et le samedi de 9h30 à 19h.
1 rue Caisserie, 13002 Marseille

Não digo mais nada, apenas desejo minha presença lá! ;)

Au revoir, mes amis!

8 de dezembro de 2015

Dois Generais ..



Registro de leitura:

Entre os muçulmanos, homens de toda classe que tiveram oportunidade de avistar o general Bonaparte ficaram admirados de quão baixo e franzino ele era  [...] Aquele dentre nossos generais cuja aparência os assombrou sobremaneira [...] foi o general em chefe da cavalaria, Dumas. Homem de cor, e por sua figura assemelhando-se a um centauro, quando o viram cavalgar sobre as trincheiras, indo ao resgate dos prisioneiros, todos acreditaram que fosse o líder da campanha.
[Nicolas René Desgenettes, registro da impressão que a expedição de Napoleão exerceu sobre a população local do Egito].

Para Napoleão, Dumas era-lhe uma pedra no sapato. O pequeno general achava que Dumas e suas ideias humanitárias de invasão (sem extorquir e violentar os moradores da cidade dominada) eram uma ofensa a ele como General da revolução.

Na verdade, ele estava errado em presumir que Dumas fosse desleal. Generais como Dumas lideravam por meio da inspiração e, como o Exército Continental de Washington, lutavam melhor com um motivo para lutar. A disciplina cega não era necessária quando a pessoa combatia por uma causa justa.Mas a dedicação de Dumas a seus ideais republicanos, sua nação e seus camaradas deixavam Napoleão indiferente. Em sua cabeça, havia apenas um tipo de lealdade que importava - a lealdade a ele.

Por isso amo o general Dumas, ouso dizer que mais o general do que ao filho ou seu neto!

Omnia Vanitas.

Conquistadores ..

Ilha de Malta


Se há algo que diverte meu marido é a leitura que estou fazendo de Conde Negro. O motivo da diversão é porque toda vez que vou comentar algo sobre esta leitura eu lhe digo: "Amor, Napoleão é um f.d.p.!!"
E, ontem, tirei um tempinho na parte da manhã para colocar a leitura em dia. E, além de corroborar a minha ideia sobre o general (imperador de araque!) Napoleão, eu li algo muito interessante sobre a Ilha de Malta.  Segue o texto:

Desde a Idade Média, os cavaleiros hospitalários tinham se baseado em Malta, que haviam transformado na ilha fortificada mais inexpugnável da Europa. Candidatos a cavaleiros santos apareciam de toda a parte, na esperança de conquistar fama e glória para Deus combatendo o islã num clima ensolarado. Mas a ilha era também um refúgio para patifes aventureiros de toda espécie, como o pintor renascentista italiano Caravaggio, que, depois de cometer assassinato, fugiu para Malta em 1607 e foi sagrado cavaleiro como retribuição pela pintura de sua obra-prima, A decapitação de são João Batista. (Segundo algumas fontes, sir Caravaggio depois se envolveu em outra violenta altercação, com um colega de confraria, e deixou Malta em desgraça).A despeito dos votos da ordem, incluindo a castidade, Malta também se tornou famosa pela beleza e liberalidade de suas prostitutas, com as melhores ficando reservadas aos cavaleiros e seus hóspedes. E, combatendo o infiel em alto-mar, eles capturavam tantos escravos de galés e tamanho butim que começaram a ser vistos como uma versão cristã dos piratas berberes. Quando chegaram aos ouvidos do papa notícias sobre a moralidade frouxa dos cavaleiros, ele enviou um inquisidor à ilha, em 1574, que se estabeleceu em uma mansão no bairro comercial.Os hospitalários haviam sido outrora intrépidos cruzados lutando pela causa de Cristo; agora, sua praça-forte insular estava mais para uma versão medieval em Palm Springs, onde cavaleiros de idade avançada viviam à custa de uma cuidadosa renda fixa de tesouros amealhados, bem como de tributos gerais e impostos feudais coletados em suas terras natais. Essa última fonte de renda era a mais importante e, como muitos hospitalários descendiam de famílias nobres francesas, os impostos que sustentavam o pródigo estilo de vida da ordem provinham em proporção desigual da França. Quando a Assembleia Nacional francesa aboliu os impostos feudais no verão de 1789, Malta acusou o duro golpe. Aristocratas de toda a Europa ficaram exasperados, mas os cavaleiros hospitalários ficaram arruinados. Fizeram oferecimentos de aliança com os inimigos da França, Áustria e Rússia, bem como conspiraram com seu tradicional senhor feudal, o Reino de Nápoles, dos Bourbon.(...)Em 1800, os britânicos tomaram Malta dos franceses e fizeram da ilha o quartel-general da Frota Mediterrânica da Real Marinha. Durante a Segunda Guerra Mundial, Malta suportou outro cerco inacreditável - dessa vez dos nazistas. Cavaleiros ou não, os malteses mostraram que podiam fazer frente contra o inimigo mais feroz. O rei da Inglaterra concedeu a Cruz de Jorge à 'fortaleza insular de Malta [...] para honrar seu bravo povo', um raro caso em que o mais elevado galardão civil por bravura do Império Britânico foi concedido a um grupo, não a um indivíduo. Franklin Roosevelt chamou Malta de 'uma minúscula chama brilhante nas trevas' da Europa nazista".

Omnia Vanitas
Napoleão f.d.p.

1 de dezembro de 2015

..Anseio por ti



Eu gosto muito de cartas! Em Conde Negro, há muitas cartas do general Dumas à seus superiores, mas eu quero deixar registrado uma carta que é particular ao general. Sua esposa está grávida do segundo filho e escreve a seguinte missiva ao marido (anunciando a data próxima do nascimento da criança):


Meu bom amigo,
A guarnição militar que fica aqui hoje a caminho da Alemanha [...] te levará esta missiva transmitindo nossos votos mais ternos e informando-te que a data prevista se aproxima e eu quero que estejas comigo na ocasião. Não a proteles e traze-me a coragem de que necessito. Todos aqui te congratulam. Marie-Aimée (...) envia-te mil beijos carinhosos e eu acrescento outros mil e anseio por ti.Marie-Louise Dumas




Omnia Vanitas

O bom filho à casa torna!




Crianças, eu voltei !!!!

Que saudade dessa "bagunça"! Eu, realmente, não sabia que estava com saudade até ler um texto na internet, intitulado "Se Arrependimento Matasse..." . E, depois, eu comecei a reler meus textos neste blog e pensei "porque não voltar aos devaneios e dicas sem sentido?".

Diga ao povo que eu voltei!!

Ainda não sei sobre o que escrever, mas vou procurar algumas coisas sobre o que "escrivinhar".
Sobre uma coisa eu serei justa comigo: minha lista de livros está em dia! Como sou desorganizada para anotações (mesmo possuindo uma conta no Skoob), eu quis manter a lista de livros lidos/relidos/leitura atual em dia! Portanto, meu livro de mão de hoje é "O Conde Negro" de Tom Reiss  ... Poxa! Que livro fantástico! Outra hora eu rasgo elogios sobre a minha ignorância sobre história da França e meus delírios sobre o general Dumas!

Au revoir!

Omnia Vanitas

1 de dezembro de 2014

Soeur! ..


Veja só, você que me lê, que lindo presente eu ganhei no sábado!

Eu estava na fila de uma livraria (e não comprei livros, apenas capa para eles) quando, a minha irmã que me acompanhava, veio com esta belezura nas mãos!

- Olha só! Dezenove e noventa!
- Ai, meu deus! França! Que lindo!
- Pegue, é meu presente de Natal para você!

Delírio completo! Fiquei na fila, folheando o meu presente, lendo trechos que terei o prazer de ler por completo depois! E, durante minha rápida vista neste livro, achei meu amado Dumas... Que leitura maravilhosa será!!! E minhas férias são tão curtinhas! Porque? Porque? Porque?

Sábado, realmente, foi um dia de boas surpresas! :)

Omnia Vanitas.

Os Meninos da Rua Paulo - Prefácio

  Olá, abandonado leitor!  Comecei neste final de semana a leitura de "Os Meninos da Rua Paulo". Ainda não cheguei na página 50, a...