Mostrando postagens com marcador sobrenatural. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sobrenatural. Mostrar todas as postagens

3 de abril de 2021

Leitura quatro..


 Olha quem voltou a reler um livro!!! Eu não aprendo mesmo ! 


Depois de ler sobre a Castle Rock tomada por seu mal, nada melhor que ler Derry tomada por Pennywise!

Primeiramente, preciso informar que minha primeira leitura de "It, a Coisa" é da editora Francisco Alves. Neste exemplar, o nome do palhaço foi traduzido para o português. Eu acho isso maravilhoso! Ou seja, Pennywise, nesta tradução da editora Francisco Alves, se transformo em Parcimonioso. Eu sou apaixonada por esse novo !! HAHAHA (ri alto).

A fictícia cidade de Derry possui um mal em sua história; e esta história é a própria Derry. Desde os mais remotos tempos, antes mesmo se chamar Derry, as terras que constituem essa cidade possuem um história sobrenatural de mortes e desaparecimentos - em sua maioria, crianças. Os habitantes conhecem, inconscientemente, esse mal mas preferem não confrontá-lo. Eles deixam a Coisa se alimentar a cada vinte e sete anos, eles apenas olham para o lado. Mas sete crianças não coadunam com esse modo pacífico de permitir que mais mortes sejam levadas adiante. Elas lutam, mesmo sem saber o tamanho contra o que estão lutando. Elas superam o medo - o medo que alimenta a Coisa. 

Este livro, além do sobrenatural - que é característica do escritor - trata sobre amizade e lealdade. Sobre enfrentar o medo que paralisaria o corpo, sobre se importar com pessoas que nem conhecem apenas para que este não tenha mais passagem livre no lugar onde vivem suas vidas. 

Sete criança rejeitadas pela sociedade: a menina que apanha do pai, o garoto gordo, o garoto negro, o judeu, o hipocondríaco, o gago e o hiperativo. Um grupo formado apenas uma coisa em comum: todos são odiados pelo mesmo garoto, Henry Bowers. 

Uma das coisas que me encantam em "It, a Coisa" são as várias histórias que contém a história. E, mesmo tendo em Benjamin Hanscom o meu personagem favorito, eu não posso deixar de dar louvores à Mike Hanlon, o garoto que ficou na cidade e se tornou o bibliotecário e historiador do grupo sobre os assuntos que dizem respeito à Derry e a Coisa. As partes denominadas "Interlúdio" são aquelas que mostram a cidade antes de ser aquilo que os meninos conhecem. É no interlúdio que Mike Hanlon se encontra com os antigos moradores e ouve suas histórias sombrias que não podem ser registradas no gravador de Mike Hanlon, o Interlúdio é o lado "B" de Derry que todos querem esquecer. 

"It, a Coisa" é um livro longo em sua narrativa mas vale cada página! 

Omnia Vanitas. 💀

Leitura três..


 Primeiro King do ano ! Primeira leitura de "Saco de Ossos"! Parabéns para mim! ✌

"Saco de Ossos" conta a história de Mike Nooman, um escritor que sofre um bloqueio de escrita depois da morte de sua esposa, Jo.

Uma das coisas que me fascinou neste livro foi o fato de, pela segunda vez - pelo menos dos livros que eu já li do senhor King, ele cita Maugham. Jo e Mike se conheceram na faculdade e ambos gostavam de ler Maugham. Pouco antes de sua morte, Jo estava lendo "Um Gosto de Seis Vinténs" de William Somerset Maugham. Apaixonei! 

Desesperado pelo seu bloqueio, Mike se muda para sua casa de campo em Castle Rock (lugar fictício que é usado em alguns romances do senhor King). E em meio a sua luta em ajudar um jovem viúva a ter a guarda de sua filha, Mike percebe que além de estar contra um magnata (e avô da criança em disputa) ele também está lutando contra o sobrenatural que habita sua casa - e tenta saber quem está assombrando-o além de sua falecida esposa.

Assim com Derry é guiada pela sua história, Castle Rock conhece o seu mal e não o confronta. A cidade se conforma com aquilo que vive, vira o rosto para as injustiças e aceita como normais rituais infantis para pagar sua dívida com seu passado vergonhoso. E claro, há um saco de ossos na história.

Uma das coisas que me chamou a atenção foi como Stephen King apresenta o mundo editorial para o leitor: as manobras de publicação, a luta para se manter entre os "top 10". E, mais uma vez, o senhor King nos deleita com suas várias citações de autores proeminentes do início da década de noventa. 

Essa ambientação do mundo editorial me fez lembrar outra leitura de King: "Angústia"*. Neste livro o autor apresenta toda a força que o leitor tem sobre seu objeto de desejo: o livro. "Angústia" mostra um leitor ávido por ter seu livro preferido em mãos, e, no caso de Annie Wilkes, tem que ser do jeito que ela quer. 

"Saco de Ossos"  é  uma ótima história bem no estilo King de ser. 


Omnia Vanitas. 💀

3 de maio de 2020

Memórias de um Médico: primeira parte..


Livro um
Livro dois
Livro três
Livro quatro


Olá, leitor anônimo!!

Que prazer ter concluído esta primeira parte da saga Memórias de um Médico! Esta coleção estava mais de cinco anos na minha estante para a primeira leitura. E, desde a compra desta coleção foi algo muito especial para mim.
Deixe-me contar:

Eu tinha o plano de fazer um projeto de leitura livre no bairro que eu morava com meus pais; apenas um plano, quando uma amiga leu e levou à frente o projeto. Ela conseguiu vários patrocínios, bateu em várias portas para conseguir tudo o precisava para montar uma caixa para abrigar os livros. Depois, fomos buscar quem nos ajudaria com livros gratuitos para encher a caixinha. Visitamos alguns lugares que poderiam fornecer alguma doação para o projeto e, entre esses lugares, estava o sebo que eu amo visitar em Joinville - O Sebo Livraria. Foi lá que encontrei, sem ter procurado por ele na ocasião: foi na conversa informal com a dona do sebo sobre adaptações cinematográficas que cheguei a comentar sobre a saga e...ela tinha ! Não coleção completa, faltavam dois volumes que seriam muito fáceis de achar na internet ! E foi minha amiga que pagou para mim 😜 ..pois eu não tinha dinheiro na hora.

Ano passado eu fiz um "stories" no Instagram*  para comemorar o nascimento de Maria Antonieta pois a saga começa com a chegada dela na França para se casar com o Delfim (futuro Luíz XVI) e, me cobrei essa leitura pois era um crime ter passado tanto tempo para começar a lê-la. E, em Dezembro/19 eu trouxe a primeira parte para casa e jurei que começaria essa coletânea.
Neste ano, em março, foi obrigatório o recolhimento social por conta do COVID-19, então decidi começar a leitura desta obra de Dumas. Um dos motivo principais era não levar esses livros para minhas viagens de transporte urbano para não danificar mais a capa e páginas. Missão cumprida.

A leitura de todos os volumes foi muito agradável. Dumas (e Maquet) souberam compor uma trama que não deixou a leitura massante. Cada personagem foi bem aprofundada. Esta leitura me lembrou muito outras duas leituras: O Conde de Monte-Cristo (pela trama construída em lugares diferentes que se unem em determinada parte da narrativa) e O Visconde de Bragelonne por todas as tramas palacianas - o que me deixou com muita vontade de reler a trilogia de Os Três Mosqueteiros. 

Os romances de Alexandre Dumas são em sua maioria históricos. As suas personagens são reais mas o autor lhes dá atitudes que ele decide que servem para a sua obra. Ele não teve a intensão de tomar a história ao pé da letra, mas se utilizou dela para compor a sua realidade.  Portanto, a maior parte de seus personagem foram emprestados da história sem intensão de serem reais.
A corte francesa de Luíz XV está toda lá: a amante Du Barry, o marechal Richelieu - sim, mais um Richelieu, as filhas, o delfim, a nora Maria Antonieta... e o homem que dá nome a saga: Giuseppe Giovanni Battista Vincenzo Pietro Antonio Matteo Balsamo. José Balsamo.

Eu desconhecia totalmente esta personagem histórica. Ele foi tudo o que o Balsamo de Dumas é: maçom, alquimista, ocultista, feiticeiro, curandeiro - deve até jogar no bicho!
É com Balsamo que a trama inicia lá no livro um. Ele é o médico cuja memória é escrita.

O verdadeiro Balsamo, Giuseppe tinha uma real Lorenza - mas dela não procurei muito, visto que ela já deixou a trama. Giuseppe foi caçado pela inquisição e, teve um mestre que lhe ensinou sobre alquimia quando o rapaz tinha apenas dezessete anos. Giuseppe também atende pela alcunha de Alessandro, conde de Cagliostro e há alguns livros publicados sobre ele e o seu julgamento durante a Revolução Francesa.
Balsamo é respeitado até hoje como ocultista. Suas últimas palavras antes de morrer foram:
“Sono un cavaliere errante. Non sono di alcuna epoca né di alcun luogo, al di fuori del tempo e dello spazio, il mio essere spirituale vive la sua eterna esistenza e, se immergendomi nel mio pensiero risalgo il corso delle età, se distendo il mio spirito verso un modo d’esistenza lontano da quello che voi percepite, divengo colui che desidero."

Tradução: "Sou um cavaleiro errante. Não sou de nenhuma época ou lugar, fora do tempo e do espaço, meu ser espiritual vive sua existência eterna e, se imergindo em meu pensamento, volto ao longo dos tempos, se forçar meu espírito a uma maneira de existência longe do que você percebe, eu me torno o que eu desejo".

Nisso Dumas e Maquet acertaram: o José Balsamo da trama fictícia é um viajante além do tempo.

Omnia Vanitas.

*Salvo na pasta "Alexandre Dumas".

5 de abril de 2020

Fábulas e contos ...


Olá, leitor!

Eu sou apaixonada por contos e fábulas (infantis?). Então, eu decidi compartilhar algumas dessas maravilhas com vocês deste exemplar da foto!

A metologia será da seguinte forma: publicarei a história escolhida do livro e tentarei achar o conto no idioma original. Sobre as ilustrações, que neste livro são de Gustave Doré, será disposta a mesma que se encontra no livro que irei reproduzir.






O Sol e as Rãs

Celebram-se as bodas de um Tirano e o Povo, com festiva algazarra afoga suas preocupações em copos cheios. Esopo era o único que no via com bons olhos tais celebrações.
Contava ele que, em épocas passadas, o Sol pensou em se casar. Em seguida começaram as lamentações das Rãs. "Que será de nós, se ele tiver filhos?", perguntaram as Cidadãs da lagoa. "Com apenas um Sol já sofremos; quando houver meia dúzia deles, os mares e todos os seus habitantes sumirão. Adeus, pântanos e córregos! Nossa raça diminuirá e logo estará reduzida às águas do Estige". Para um pobre Animal, as Rãs, ao meu ver, racionavam muito bem".


Le Soleil et les Grenouilles

Aux noces d'un Tyran (1) tout le Peuple en liesse
Noyait son souci dans les pots (2).
Esope seul trouvait que les gens étaient sots
De témoigner tant d'allégresse.
Le Soleil, disait-il, eut dessein autrefois
De songer à l'hyménée.
Aussitôt on ouït (3) d'une commune voix
Se plaindre de leur destinée
Les Citoyennes des étangs.
Que ferons-nous, s'il lui vient des enfants ?
Dirent-elles au Sort, un seul Soleil à peine
Se peut souffrir (4). Une demi-douzaine
Mettra la mer à sec et tous ses habitants.
Adieu joncs et marais : notre race est détruite.
Bientôt on la verra réduite
A l'eau du Styx (5). Pour un pauvre Animal,
Grenouilles, à mon sens, ne raisonnaient pas mal.

(1) chez les Grecs : souverain absolu d'une cité
(2) les cruches de vin (on dit actuellement prendre un pot pour prendre un verre)
(3) on entendit (on n'emploie plus ce verbe que dans l'expression J'ai ouï dire)
(4) supporter
(5) Le Styx est le fleuve marécageux des Enfers, dans la mythologie. Les grenouilles n'auront plus qu'à s'y réfugier


fonte para texto em francês aqui.

24 de fevereiro de 2020

Leitura oito..



Olá, indeciso leitor!

Ainda não sei se gosto deste livro. 

Quando peguei esse livro na estante, logo achei que seria uma dessas história arrebatadores de Aluisio Azevedo. Enganei-me. 

Primeiramente, esta história se passa em Paris, no século XVII. Péssimo! 
Em segundo lugar, eu não achei os personagens cativantes ou bem envolvidos na trama. O enredo parece pular de um lugar para outro sem muito sentido. Personagens são deixados para trás sem motivo aparente. 

E a trama é a seguinte: um órfão é deixado na porta de um seminário e, um padre que buscava por sua remissão de uma vida libertina, encontrou no menino a sua absolvição.
Angelo, este é o nome do órfão, foi criado para se tornar um eclesiástico perfeito, sem mácula ou qualquer tipo de vício que o pudesse tirar a virtude - incluindo a sua virgindade. 
O garoto teve pouco convívio social, morou durante muito tempo dentro de uma espécie de sótão e só conversava com pessoas que não poderiam tirá-lo do caminho de fé traçado pelo seu "pai", Ozéas.

E, para mim, só os nomes já começaram errado. França com Angelo e Ozéas não me cativaram. 

A ideia do menino viver no clausuro para tentar criar um homem sem vícios, bacana! Mas, sem aviso prévio, levá-lo para uma grande multidão ouvir  a sua primeira pregação e, ainda assim, levar todos às lágrimas - achei forçado.
E a paixão repentina pela cortesã que - só e olhar - enche o rapaz de amor puro e sincero. Não comprei a ideia. 

E esta foi a primeira parte.

A segunda parte mostra o jovem Angelo vivendo sozinho, pensando em Alzira - que se muda para a região onde o jovem e virtuoso padre mora. O segundo encontro deste casal é surreal e até anima um pouco o desenrolar da segunda parte quando o jovem padreco tem lá os seus sonhos. Mas ainda assim é uma história sem muito atrativo. 

Assim como em O Seminarista, de Bernardo Guimarães, o jovem toma a sua decisão entre a vida eclesiástica ou a  vida com Alzira. 
Mas algumas pontas ficam abertas.

Como já mencionei, depois de ler O Cortiço e O Mulato, ficou muito difícil engolir A Mortalha de Alzira como uma obra de Aluisio Azevedo. 

30 de janeiro de 2020

Leitura quatro..



Leitor apaixonado...estou ouvindo David Gilmour (apaixonada até o fim e além) tocando Echoes

Mais uma leitura chegou ao fim! 

Antes de escrever sobre o livro, deixe-me explicar-lhe, anônimo leitor, a escolha da leitura.

Em um domingo sonolento, eu decidi que precisava escolher a próxima leitura (eu estava lendo Almas em Conflito e terminaria antes do meia da semana seguinte). Sempre prestativo, meu marido entrou em um sorteio que eu fiz. Entre cinco leituras, ele escolheu aquela que continha Robert Louis Stevenson, Mary Shelley e Bram Stoker. Um um breve stories no Instagram, eu expliquei que a leitura escolhida apresenta três monstros diferentes. Em Stevenson, o monstro está dentro do homem. Em Shelley,  o monstro é criado pelo homem. Em Stoker o homem caça o monstro. Na minha cabeça isso parece fantástico!

O Doutor Jekyll e o Monstro contém outros contos que me deixaram mais fã do escritor de A Ilha do Tesouro. 

Eu não irei escrever o senhor Jekyll pois já o fiz nesta publicação de 2013. 
Os outros contos que estão presentes nesta edição da Paulinas de l968 são: Will do Moinho, Markheim, Janet do Pescoço Quebrado e, Olallá.

Impossível escolher um deles como favorito. Todos fantásticos! 

Will do Moinho conta a história de um menino que gostaria de sair do lugar onde vive - e nunca o faz. A vida que leva se torna confortável e amistosa. Este conto é um contraste com Markheim que se viveu uma vida desafortunada e seguiu um caminho perigoso (que o levou a tomar a atitude de entrar em um antiquário). 

Janet do Pescoço Quebrado conta a história de uma mulher que criou o seu filho fora de um casamento, em uma vila pequena. De personalidade firme, não se deixa levar pelas ideias que criam sobre ela e, quando possível, cala a todos com palavras duras. Porém, a vida lhe dá a oportunidade de morar na casa do novo pároco da vila. Mas nada é fácil para Janet.

Olallá é o conto mais longo depois de O Doutor Jekyll... . A saúde frágil de um homem o leva a morar em uma casa longe do movimento da cidade. Neste lugar de repouso habitam três pessoas que provém de uma família de alta linhagem - infortunadamente, estão todos pobres e sem perspectiva de melhorar ou seguir com a hereditariedade. A vida desta miserável família nobre está envolta em um mistério que nem mesmo o amor poderá mudar o seu fim. 

Adorei! Olallá me levou longe ao tentar solucionar o caso da família. Janet do Pescoço Quebrado me tirou algumas risadas pela impetuosidade da moça. Markheim me deu um "medinho" e, Will do Moinho me deixou mais dúvidas sobre a vida do que eu achei que teria. 

E sempre terei vontade de ler A Ilha do Tesouro quando estiver com um Stevenson nas mãos. 

Omnia Vanitas. 💀





16 de janeiro de 2020

Trigésima nona leitura, parte II..




Olá, abandonado leitor!

Eu estou me devendo algumas publicações sobre as leituras que concluí - talvez não se preocupe, mas eu me cobro essa ausência.

Para continuar, a última leitura de 2019 foi "Os Estranhos" de Stephen King (para a primeira parte desta leitura, clique aqui). 

A narrativa, a parti desta parte, abrangerá a cidade de Haven. Quando mais Bobbi e Gardener cavam, mas a população da cidade sofre a influência desta descoberta. 
Outros personagens são apresentados nesta etapa e, o principal deles é Ruth McCausland. Para mim,  narrativa sobre Ruth se tornou longa demais, apesar de interessante. Mas a personalidade de Ruth me agradou muito. 

A principal trama da cidade envolve os irmãos Brown: David e Hilly. Hilly é o mais velho e um tipo de menino hiperativo e com um quociente intelectual acima da média. David é um doce menino que idolatra o irmão mais velho e lhe companheiro em quase todas as aventuras. Mas não deveria ter aceitado a ideia de ser ajudante de Hilly ao ser chamado para um certo truque de mágica. 

A figura dos Tommyknockers - ou que quer seja que esteja na nave - não aparece na trama, mas pode-se observar a transformação dos habitantes de Haven. 

Eu quero deixar registrado três citações (que eu percebi) na trama de Os Estranhos que são registros de outros livro do King - sendo que anotei somente duas, visto que a primeira, sobre ka, eu estava desprovida de lápis para registrar a menção feita ao "destino" na saga Torre Negra. Esta referência está na primeira parte de Os Estranhos, e, se minha memória for simpática comigo, está contida em uma frase do Gardener (corrijam-me se eu estiver errada).

A segunda menção é do livro Zona Morta, publicado em 1981:
No decurso de uma conversa com o atendente, ficou sabendo do caso de um sujeito chamado John Smith, que lecionara durante um tempo na cidadezinha perto de Cleaves Mills. Smith permanecera em coma vários anos, tendo despertado com uma espécie de dom psíquico. Perdera a razão alguns anos antes - tentara assassinar um indivíduo chamado Stillson, deputado federal por New Hampshire.
(página 317).
A terceira menção é do livro It, A Coisa:
(...) Tommy começara a ter alucinações; enquanto dirigia pela Rua Wentworth, julgou ser um palhaço sorrindo para ele, de um bueiro aberto de esgotos - um palhaço cujos olhos eram cintilantes dólares de prata e segurava balões de gás na mão enluvada de branco. (página 435).

Por infelicidade, eu terminei esta leitura dia 29/12/19 e, então, além da distância da data desta publicação, foram feitas mais duas leituras posteriormente que não permitem à mim relembrar fatos significativos sobre este livro. Uma segunda leitura? Talvez.


Sem mais para o momento,

Omnia Vanitas 💀



6 de dezembro de 2019

Trigésima nona leitura - parte I ..

I.XII.MMXIX - Praia dos Ingleses, Florianópolis/SC

Olá, leitor anônimo!!

Ainda estou lendo Os Estranhos do mestre Stephen King! Este livro tem três partes, e, como boa neurótica, eu separei as partes para ajudar na leitura e coloquei dias marcados para terminar a leitura: 31/12.
Por ser um mês com feriados, eu decidi que uma programação "básica" não seria uma má ideia! - sem contar que o livro é longo e com uma letra miseravelmente pequena.

Sobre o livro, ele foi publicado pela primeira vez em 1987. Esta edição que tenho (na foto) é a segunda, publicada pela editora Francisco Alves. Ganhei este exemplar de presente faz uns cinco ou seis anos - custava, apenas, R$ 49,90. Atualmente, o valor mínimo é R$ 80,00. Esta obra não é mais publicada no Brasil, por isso o abuso no preço. 
Os Estranhos ou Os Tommyknockes é um livro de ficção científica e muito semelhante aos escritos de H. P. Lovecraft - a quem Stephen King é fã dos livros. Porém, o senhor King odeia esse livro pois foi escrito no auge do uso de drogas pelo senhor King. Ele odeia o livro e diz que lembra pouco sobre o período que o escreveu. O personagem James Gardener é quase autobiográfico.
Para aqueles que gostam do "Stephen King das antigas" este livro é um prato cheio. Há quem considere que ele "perdeu a mão" para escrever terror como na época deste livro - mas este livro faz parte da essência do escritor, mesmo ele achando esse livro horrível.

Apesar de ser um livro maravilhoso, a narrativa possui muitas referências que eu não consigo compreender. Vou deixar um exemplo para que você entenda, leitor:
...Santo Deus, penetrei em uma história de ficção científica, extraída de Histórias Chocantes. Acho que foi por volta de 1947. Terei eu feito a capa? E se fiz, quem me forçou? Virgil Finlay? Hannes Bok?
Finlay e Bok são ilustradores americanos de fantasia, ficção e horror. Entende o que digo, perdido leitor? Em absoluto estraga a leitura, mas ou você passa adiante ou procura algo sobre a referência. Como a maioria da minha leitura é feita nas viagens de ônibus - seis ao total do dia, eu não tenho nenhuma fonte de pesquisa, e, as vezes, não faço questão de procurar.

 Sobre os tommyknockers, eles fazem parte do folclore americano. Segundo Stephen King, mesmo sendo criado longe da terra natal de esposa, Thabita, ambos conheciam a canção sobre os tommyknockers:

“Late last night and the night before,
Tommyknockers, Tommyknockers,
knocking at the door.

I want to go out, don’t know if I can,

Cause I’m so afraid of the Tommyknocker man.”

E, ele deixa avisado:
Haven não é real. Os personagens não são reais. Esta é uma obra de ficção, com uma única exceção:Os Tommyknocers são reais.Se você pensa que estou brincando, é porque não ouviu os noticiários noturnos".

A primeira parte do livro intitula-se "A Nave na Terra".

Os dois principais personagens são Roberta (Bobbi) Anderson e James (Jim) Gardener (Gard).

Ele é um poeta bêbado com tendências suicidas e ela um escritora de romances de faroeste. 

Certa manhã, Bobbi passeia com seu cachorro e tropeça, literalmente, em algo que está no chão da sua propriedade em Haven. 
Apesar de não ser uma mulher curiosa, Bobbi tem sua atenção presa no objeto e não descansa enquanto não descobrir o que é aquilo. 

Enquanto Roberta está descobrindo o que é e como este objeto chegou na sua propriedade, Jim Gardener está em uma excursão de leituras de poesias para angariar fundos para pagar suas contas. E, mesmo não querendo admitir, seu pensamento está na amiga escritora. Algo nele diz que ela corre perigo. Ele precisa voltar! Ele precisa deixar seu suicídio para depois que Bobbi estiver segura!


Nesta primeira parte do livro, toda a narrativa estará voltada para estes dois personagens, e, então, a constatação de que Stephen King é um ótimo contador de histórias fica notória. 
A personalidade e caráter de cada personagem, seus medos, histórias e pensamentos são muito bem descritos e prende o leitor em cada página.


Por enquanto é isso, leitor! Assim que terminar a segunda parte, voltarei! 






17 de novembro de 2019

Trigésima sétima leitura..



Olá, anônimo leitor !!

Fim da primeira leitura de um livro do "Estevão Rei" neste ano! Este exemplar de Escuridão Total Sem Estrelas é especial por ser um presente de uma amiga muito querida! 

Este livro contém quatro contos, a maioria deles - ou todos - já se tornaram filmes. Destes, eu assisti 1922. E, vou repetir o que escrevi sobre este conto lá no Instagram: essa história me lembrou muito Crime e Castigo de Fiódor Dostoiévski. Um homem comete um crime é sua consciência o atormenta tanto que ele sente que a qualquer momento seu ato será descoberto - mas com uma pitada sinistra do mestre King.

A sequencia dos contos é a seguinte:
- 1922
- Gigante no Volante
- Extensão Justa
- Um Bom Casamento.

Com eu não quero dar spoiler, não vou apenas comentar que todos os contos tem um final comum. 

Escuridão Total Sem Estrelas é um livro violento. Assassinato e estupro é o que permeia estes contos do senhor King. 
Eu não quero escrever muito sobre cada um para não dar mancada em revelar algum desfecho; mas vou transcrever o que Stephen King escreveu sobre a inspiração para cada escrita. 
1922 foi inspirado em um livro de não ficção chamado Wisconsin Death Trip (1973), de Michael Lesy, que mostrava fotografias tiradas na pequena cidade de Black River Falls, Wisconsin Fiquei impressionado pelo isolamento rural dessas fotografias e pela severidade e pela privação no rosto da pessoas. (...)Em 2007, enquanto viajava pela Interestadual 84 para uma sessão de autógrafos no oeste de Massachusetts, passei por uma dessas paradas de estrada (...). Quando saí da lanchonete, vi uma mulher com o pneu furado tendo uma conversa ávida com um caminhoneiro estacionado na vaga ao lado. (...)Em Bangor, onde moro, uma via pública chamada extensão da rua Hammond margeia o aeroporto. (...) Há uma área de cascalho ao lado da cerca do aeroporto, na metade da extensão, onde vários vendedores de beira de estrada vêm montando suas barraquinhas ao longo dos anos. (...)A última história  veio à minha cabeça depois de ler um artigo sobre Dennis Rader, o infame assassino BTK (do inglês bind, torture and kill - amarrar, torturar e matar) que tirou a vida de dez pessoas - a maioria mulheres, mas duas eram crianças - em um período de 16 anos. (...) Paula Raider foi casada com esse monstro por 34 anos, e muitas pessoas na área de Wichita, onde Rader cometia seus crimes, se recusaram a acreditar que ela vivia com ele sem saber o que ele fazia.
Explicação para o título da obra:
Na ausência da luz, o mundo assume formas sombrias, distorcidas, tenebrosas. Os crimes parecem inevitávveis; as punições, insuportáveis; as cumplicidades, misteriosas. Os personagens destes quatro contos passas por momentos de escuridão total, quando não existe nada - bom senso, piedade, justiça ou estrelas - para guiá-los. Suas histórias representam o modo como lidamos com o mundo e como o mundo lida conosco. São narrativas fortes e, cada uma a seu modo, profundamente chocantes.

Eu adorei esta leitura, e a rapidez ao terminar o livro se deu por haver várias filas de carros parados me prendendo dentro de ônibus por mais de hora durante a semana!

Omnia Vanitas 💀

29 de outubro de 2019

Trigésima segunda leitura..


Olá, anônimo leitor!

Confesso, eu esperava mais desse livro. 
Adorei o título e pensei que a história seria mais envolvente. 

Comecei a ler no sábado e terminei no mesmo dia. Dediquei-me com afinco, mesmo não gostando da história, para não alongar mais a leitura. 

Bandeira apresenta um grupo de jovens reunidos em uma casa antiga e em condições precárias. Durante o tempo que estão lá, o grupo passa por situações contrárias a diversão que esperavam: a ponte de acesso a cidade quebra, ficam sem eletricidade na casa .. 
Dentro todos, o único animado é Alexandre. Mesmo não entendendo o motivo do grupo ficar tão assustado por causa de uma trovoada e a falta de luz, os amigos tentam colocar Alexandre no mesmo ânimo, contando histórias sobrenaturais que ouviram em algum momento. Nada do que contam leva o ânimo de Alexandre ao que esperam.

E as histórias que contam tem a mesma enredo que já ouvimos em nosso tempo de juventude: a brincadeira do copo com o espírito, alguém que já morreu e que vem pedir ajuda para um ente querido, os delírios que levam algumas pessoas a tomar atitudes contrárias ao bom senso etc.
Não vou julgar as histórias contadas porque em algum momento da minha vida elas já me deram medo; o que me causou um pouco de falta de ânimo foi a falta de concordância em relação ao tempo. Deixarei a seguir os dois exemplos que mais chamaram a minha atenção.

Primeiro: a turma de amigos se conheceram no primeiro ano do ensino médio. Todos estão no terceiro ano quando a história acontece. E, em algum momento da narrativa, Alexandre diz algo semelhante a "...nos conhecemos faz anos" - dando a impressão de ser um tempo muito longo de amizade.
Em outro ponto é em uma das histórias contada que o arqueólogo tinha apenas quatro horas disponíveis no local onde estava e, caso ficasse preso, teria como sobreviver durante este tempo sem luz, água ou alimento - e o ar não se esgotaria. Então, mais para frente a narrativa disse que ele ficou horas no local antes de conseguir abrir o sarcófago. Horas? O tempo dele era bem limitado para o tanto de tempo que deu a impressão e passar.

Entenda, leitor, eu não estou tirando o mérito da trama, apenas apontando pontos que o deixaram negativo para mim. 

Sendo assim,

Omnia Vanitas 💀

15 de setembro de 2019

Décima Nona leitura..



Olá, leitor anônimo!

Peço desculpas por escrever somente agora sobre as leituras que já concluí faz muito tempo.

Começo com Lady Barberina/A Outra Volta do Parafuso de Henry James.

Esta foi a minha primeira leitura de um Henry James. O meu foco era ler apenas a segunda estória; mas a minha edição contém Lady Barberina e eu não quis deixar um livro lido pela metade. 

Lady Barberina apresenta duas sociedades em miscigenação: a americana e a inglesa.
Ah! Não pode-se deixar de mencionar que Henry James é americano naturalizado inglês.
A América apresentava seus novos ricos: pessoas que fizeram sua fortuna através do trabalho, não apresentavam nenhuma descendência de nobreza - um título ou algo do gênero. 
A Inglaterra tinha nobres quase falidos que precisavam do dinheiro jovem destes milionários desprovidos de nobreza. 
A junção era feliz para ambos. O dinheiro abundante precisava da nobreza que lhe faltava e vice e versa. 

Neste contexto, Jackson Lemon (não é preciso mencionar que ele é o americano rico), ao passar uma temporada no Velho Mundo descobre-se apaixonado por Lady Barberina - uma nobre.

A história apresenta o ponto de vista de cada personagem na trama - o que os move e seus limites para suas ações. 
Eu tive um desprezo enorme por Jackson Lemon - talvez porque ele me "pegou" em um momento delicado de temperamento. Mas fechei o livro e o xinguei muito por ser quem é. 


A leitura de A Outra Volta do Parafuso me fez ficar com medo algumas vezes. Superou em larga escala a história anterior - Lemom idiota!

Um grupo de amigos está em um castelo e propõe-se contar histórias fantásticas ou de terror. 
Um deles diz que ele tem uma história que aconteceu com a antiga preceptora dele. A história foi registrada por ele e guardada em sigilo. 
A expressão "a outra volta do parafuso" é mencionada (e eu vejo como uma explicação para o título):

"Se uma única criança aumenta a emoção da história (de terror) e da outra volta no parafuso, que diriam os senhores se fossem duas?"
Eu encontrei uma explicação na internet sobre essa expressão - com duas traduções de textos coo exemplo. Deixo-a a seguir:

Transcrevo o trecho da edição da Victor Civita (1988):
"[...] que o fato de haver aparecido, em primeiro lugar, a um menino de tão tenra idade lhe confere uma característica particular [...] Se uma única criança aumenta a emoção da história e dá outra volta ao parafuso, que diriam os senhores de duas crianças?" 
Trecho da edição da Penguin/Cia. dasLetras (2011) :
"[...] não se trata da primeira ocorrência de uma espécie encantadora a envolver uma criança. Se uma criança dá ao fenômeno outra volta do parafuso, o que me diriam de duas crianças?" 
Em ambos os textos a palavra 'duas' está em itálico ...
A outra volta do parafuso seria, então, tornar a situação presente pior ainda - dar outra volta no parafuso teria o sentido de tornar a ocorrência do fenômeno mais estranho ainda, uma situação pior ainda, especialmente se narrado não por uma, mas duas crianças ...Em outras palavras, o fantasma aparecer para duas crianças torna o fenômeno mais incrível ainda.
É a minha conclusão depois de um bom tempo tentando entender ....(Essa primeira fase de Henry James foi muito estranha ...)
E buscando mais um pouco, achei esta publicação que também é interessante (Denise Bottman é tradutora e historiadora) :

atualização - gentilíssimo, fred spada fornece em comentário as soluções e esclarecimentos de marcelo pen: 
Seguem as traduções do Marcelo Pen (em "Contos de Horror do século XIX", Cia das Letras, 2005) e seu comentário na apresentação do conto: 
"Se uma criança concorre ao efeito com outro aperto do torniquete, o que diriam de duas...?" (p. 133) 
"(...) mas que apenas exigia enfim, sejamos francos, que se apertasse o torniquete da virtude humana usual." (p 227) 
E a apresentação: 
"Observação: o título 'A volta do parafuso' é um caso clássico, talvez mundial, de tradução equivocada. A rigor, não diz nada em português. Tighten the screw, give the screw another turn e expressões correlatas significam, em geral, aumentar a pressão sobre alguém que já se encontra em posição aflitiva. A expressão lembra o thumbscrew, os 'anjinhos' - antigos anéis de tortura com que se apertavam os dedos das vítimas. Curiosamente, existe em português uma expressão equivalente (inclusive com a reminiscência à tortura) - apertar o torniquete -, que, conforme atesta Antenor Nascentes [Tesouro da fraseologia brasileira], quer dizer 'pôr em situação difícil quem já não está em boa situação'. Não propomos mudar o título do clássico de James, hoje consagrado, mas ajustamos a expressão vernácula nas ocorrências em que o autor usou, posto que com ênfases diversas, a angustiante locução inglesa." (p. 132)

 Ou seja, é uma história de terror onde duas crianças são visitadas por dois espíritos que vivem na casa. A trama prende em cada linha. Eu me arrepiei em vários momentos e mal conseguia fechar o livro para fazer algum trabalho que exigia minha atenção. Tudo era o livro! Adorei muito e está na minha lista de releitura (mas antes buscarei uma edição individual).

Omnia Vanitas 💀 













28 de março de 2018

Leitura oito.. Joana 1/3

"Os juízes não a querem santa. Também não a querem militar" (p.185)
Logo após a leitura de "O Clube Dumas" eu resolvi colocar em prática um projeto de leitura que planejei em 2017. E, nesta semana, eu terminei a primeira das três partes desta empresa.

Claude Bertin foi quem supervisionou este volume de Os Grandes Julgamentos da História: Joana D'arc.  Este é o quarto tomo desta coleção da editora Otto Pierre. Esta edição apresenta ilustrações da Bibliothèque National, agência Roger Viollet e uma gama bibliográfica que serviu de fonte para a composição deste livro.

Carlos V construiu com um bom território para a França. Carlos VI não soube o que fazer com este patrimônio real. Carlos VII não sabia se era apto para assumir o trono. Joana D'arc trouxe um rei para a França e a Inglaterra a queimou por bruxaria.

Joana D'arc se envolveu na luta pela França quando a Guerra dos Cem Anos estava acontecendo. A França havia perdido batalhas significativas para a Inglaterra: Crécy (1346) , Poirtiers (1356) e Azincourt (1415); e cada uma que era acrescentada tornava o território inglês maior. 
No ano de 1429 o certo a Orleans trouxe um novo ar para derrotada França. E seu líder foi Joana D'arc.

Joana D'arc foi uma camponesa que saiu da casa patriarcal e foi lutar pelo seu país. Despojou-se das roupas femininas e vestiu-se como guerreiro. Esta jovem trouxe à França vitórias e coroou um rei abatido. Depois desta glória a França a esqueceu e permitiu que sua redentora fosse queimada como bruxa pelos seus inimigos.

A igreja (inglesa) não a queria por santa, eles não aceitariam suas visões e suas profecias; mas não puderam dizer que as visões não possíveis ou estariam condenando todos os profetas bíblicos.
O controverso julgamento desta jovem lhe custou a vida quando tinha apenas dezenove anos. 
A Inglaterra juntou provas, e forjou outras tantas, para lhe condenar como bruxa; caso contrário, teriam que admitir que Deus estava contra eles. 
De todas as acusações, poucas foram comprovadas para lhe dar o veredito de culpada; portanto, culpar-lhe pelos trajes masculinos que vestia foi o que a levou à fogueira. 

A fervorosa jovem cristã pedia para que o Papa lhe soubesse o caso e, julgando ele que ela falava mentiras, aceitaria a condenação. Mas o Papa nunca foi chamado, porém, conhecia o caso de Joana. Segundo Bertin "a verdade é que toda a época foi cúmplice da condenação". Em toda a parte se sabia sobre a virgem guerreira que coroou o rei da França; porém, nem mesmos Carlos VII não se pronunciou em momento algum sobre um resgate para o seu soldado. 

Entretanto, quase vinte e cinco anos depois da morte da herege, o Papa contemporâneo, Calisto III, foi feita a reabilitação da jovem guerreira. Carlos VII se pronunciou, os guerreiros que estavam com ela também deram contribuição para o novo julgamento e, as amigas de Joana D'arc foram ouvidas. 
Apesar das declarações e louvores à jovem devota, pouco se sabe soube como ela era fisicamente; exceto a cor dos cabelos: castanhos. Nenhum esboço serviu para dar rosto àquela mulher.

A igreja lhe condenou pelas roupas de homem que vestiu;  mas a virgindade lhe tornou santa.

Você pode acreditar ou não, crédulo leitor, que Joana D'arc tinha visões e ouvia vozes dos santos; fato é que esta jovem mulher liderou batalhas - e venceu a maioria delas sem nunca ter treinado para isso. Você pode acreditar ou não, mas ela foi eloquente o suficiente para dobrar um rei a fazer  o que ela queria. Ela o corou rei de uma nação desesperada. A vida de Joana D'arc foi verdade. Seus atos são verdade. 

No ano de 1929, Joana D'arc foi canonizada. 








12 de março de 2018

Leitura sete..


Olá, leitor anônimo!


O desafio deste mês de Março pedia uma leitura de suspense policial. 
O Clube Dumas, de Arturo Pérez-Reverte não é exatamente policial - apesar de toda a investigação que ocorre ao longo da trama; mas é um livro de suspense. 

Lucas Corso, caçador de livros, tem duas missões em suas mãos: autenticar um capítulo de Os Três Mosqueteiros, de Alexandre Dumas père; e, também, legitimar um livro que tem o poder de invocar o diabo. 

Para um caçador mercenário como Corso, a tarefa não é difícil: ele conhece os caminhos de deve seguir para concluir seu trabalho; porém, situações inexplicáveis se apresentam em sua frente depois que ambos manuscritos estão sob sua responsabilidade.

O livro aborda o mundo dos livros raros. A investigação sobre a autenticidade da publicação: desde a textura de uma folha, o impresso de uma página, o couro da capa - cada tempo, cada impressão tem a personalidade de seu tempo. Quando um bibliófilo quer ter em seu acerto um  Dante, um Cervantes ou mesmo um Dumas, tudo deve ser averiguado com muito cuidado e atenção para que nada possa gerar dúvidas quanto a veracidade do exemplar. E toda essa manobra movimento cifras financeiras altíssimas. Porém, o orgulho de expor um livro tão importante da história literária faz do seu dono um ser orgulhoso da posse que tem. 
As visitas de Lucas Corso à livreiros de coleções raras, restauradores e encadernadores de livros, bibliófilos é a descrição de lindos cenários para os amantes de livros. 

Este livro de Arturo Pérez-Reverte é um romance obscuro sobre o mundo literário de um seleto grupo de colecionadores, que com dinheiro e jogadas arriscadas, pode fazer parte.


*Choque de Cultura, canal Omeleteve.

2 de outubro de 2017

Vigésima segunda leitura..



Mais um propósito de leitura concluído. 
E, sem pretensão de ser uma leitura rápida, assim o foi A Abadia de Northanger, de Jane Austen.

Nesta obra, a senhorita Austen conseguiu unir vários personagens tolos; desde a protagonista até a maioria daqueles personagens que socializam com ela. 

Catherine Morland é uma menina inocente e tola que encontra refúgio na leitura de romances. Seus pais - como a maioria dos pais austenianos - são ignorantes e possuem dez filhos que educam da mesma maneira; e nem todos são belos. Catherine é uma exceção bem fraca. 

Se você, atento leitor, leu a publicação anterior, consegue perceber que a heroína de A Abadia de Northanger é completamente diferente daquela em Persuasão. Na verdade, Catherine Morland é diferente de todas as protagonistas dos romances de Jane Austen: enquanto Anne Elliot é a mais a mais paciente, Emma Woodhouse a mais rica, Fanny Price a mais introspectiva, Elizabeth Bennet a mais sagaz e Elinor Dashwood a mais sensata; Catherine Morland é a mais tola delas.  E, na minha opinião, noventa por cento dos personagens me dão "vergonha alheia".

A trama acontece na cidade Bath, onde a protagonista é levada para passar férias em companhia de um casal de vizinhos de seus pais. Tudo é novo para Catherine: pessoas, casas, lojas, bailes etc. A falta de percepção nesta personagem seria um martírio para a observadora de Mansfield Park

A Abadia de Northanger é uma história repleta de ironias: sobre a leitura de romances (principalmente os de gênero gótico), sobre a ganância, sobre paqueras e amizades. Jane Austen ri de tudo o que lhe convém. Neste romance, a autora ironiza a criação de personagens heróinas: como devem se comportar, como devem sofrer e se apaixonar. 

25 de agosto de 2016

Stranger Things..



Meua-migo, eu adorei Stranger Things. É uma série muito, mas muito nerd! Eu viajava nas citações literárias que faziam - muitas sobres os livros do Tolkien! ...Ça va, vou respirar um pouco e me concentrar! 

Lá vai! 

Stranger Things é uma série original da Netflix que está sendo a queridinha do momento. Todos a amam - principalmente aquela galera que ama os anos 80! Toda a ambientação {carros, móveis, gírias, maquiagem, vestuário ...tudo!} é uma deliciosa reverência aos anos 80. 
A caracterização é do século XX mas os efeitos especiais são do século XXI. Essa afirmação pode ser óbvia, mas acredite, leitor nerd, há filmes atuais que mais parecem encenados no século passado! 

Mas, vamos lá! 
Stranger Things conta  a história de quatro crianças nerds que adoram RPG. 
Nessa época, 1983, era uma maravilha (e não estou sendo irônica). Nada de celulares, mensagens de texto e essa tecnologias que idiotizam.. Tudo na base do bom e velho telefone de disco, walkie-talkies e ...bicicleta! Dá vontade de sair pedalando só de assistir esses meninos fugindo de camelo! 
Porém, nem tudo são flores. Um dos meninos desaparece e toda a cidade se movimenta para encontrá-los. 
Se eu escrevesse apenas isso, a série pareceria O Resgate de Jéssica, mas quando alguém meio perturbado mergulha na mente de Stephen King + monstros de Tolkien + anos 80 = boa coisa não sai disso! {Poderes paranormais é o mínimo que se pode esperar}.
Um universo paralelo se abre e Onze entra em cena. Uma menina (chamada de Onze) aparece na floresta (Floresta das Trevas) onde Will (o garoto nerd) sumiu. Ela é fruto de uma experiência do governo! Óbvio! Ainda bem que eu assisti muito a série Arquivo X  e sei que eles são capazes de tudo! Mulder me ensinou! Ainda falando em Arquivo X, o tema de abertura faz eu me lembrar da série de Chris Carter. 
Mais uma curiosidade são as teorias de conspiração = tudo e todos são monitorados pelos agentes federais.. The Big Brother is watching you, man! 
Mas calma.. tem romance também. 

Recomendo. Sem contar que são apenas oito episódios. 

Omnia Vanitas

18 de agosto de 2016

Destino - Parcas

As Parcas, por Salviati
Olá, leitores anônimos!!! Estou bem longe das publicações nesta semana ! Depois de um "combo" de publicações sobre meu querido Miguel de Cervantes, eu "pisei no freio" por alguns motivos: tenho trabalhos no sebo (minha paixão) e tenho curtido alguns esportes olímpicos.  Mas..

Como eu havia prometido, deixe-me escrever sobre as místicas parcas.

As parcas {morias ou destino} são soberanas sobre deuses e homens. A trindade é composta por Cloto, Láquesis e Átropos. A função de cada uma no universo {conforme sequência} é dar a vida, tecer o curso da vida e, finalmente, dar um fim à existência humana. 
As pinturas sobre estas três figuras são sempre representadas por mulheres, geralmente velhas e de semblante sisudo! {Como se a vida fosse uma brincadeira, não é mesmo, fadado leitor}.

"Com seu olhar frio, as Moiras assistem à farsa* efêmera da vida no palco da terra. Não têm compaixão de ninguém. Nem dos fortes nem dos fracos. Nem dos homens nem dos deuses".
É isso mesmo, querido leitor, não adianta fazer drama e lamentar a falta de sorte; ou, não tente se gabar pela boa sorte que lhe acompanha, pois segundo a mitologia tudo já está tecido antes de você caminhar firme sobre suas próprias pernas. "As Moiras comandam. Os homens obedecem".

Os grandes escritores gregos e romanos já comentavam em suas obras sobre estas três mulheres implacáveis e vingativas. Sim, vingativas! 

Homero em sua Ilíada já as descreveu como irrevogáveis: o que está escrito determinado está. 

"Nem homens nem deuses podem ir além de suas próprias fronteiras, que são fronteiras dadas pela Moira". 

Destino, fadado leitor! Ninguém poderia interromper aquilo que estava destinado a acontecer. Mas...haviam dedos ágeis em mudar sua fortuna e quando isso acontecia, audacioso leitor, a irmã Vingança vinha ao encontro daquele que mudou seu destino. E  ela chegava! Vem na forma de culpa - castigo - expiação. A ordem era colocada no lugar. Neste ponto o Destino era confundido com a moral social. 
Quando eu fiz a promessa de escrever sobre estas senhorinhas, eu fui influenciada pela série Supernatural. Quando o anjo Baltasar muda o destino das vítimas do Titanic {não o fazendo naufragar}, a Vingança volta e busca os descendentes das almas que foram poupadas no naufrágio. Esta era a forma de manter a ordem cósmica - punir a prole que não deveria ter nascido. 
Equilíbrio - esta é a minha palavra para definir a representação destas três irmãs chamadas de Destino. 

Os filósofos também conversavam sobre a ideia de Destino.
Platão, no décimo livro de República, as chama de "filhas da Necessidade"; onde Láquesis canta o passado, Cloto canta o presente e Átropos canta o futuro. Plutarco define o Destino como a "alma do mundo". Cícero é enfático ao dizer que tudo o que está escrito acontecerá. 
Mas a filosofia se divide em duas escolas: aquela que aceita passivamente o Destino e aquela que a consciência e ação do homem podem transformar seu destino - e esta segunda escola surge no século V a.C. quando "o povo grego luta para livrar-se das opressões sociais e das injustiças políticas".

Reservado leitor, termino por aqui esta pequena publicação por aqui. As páginas que li são bem mais explicativas sobre o assunto, mas meu conhecimento é ínfimo e não permite que eu me alongue além daquilo que me fadado conhecer! ;)

Omnia Vanitas



significado da palavra farsa


17 de fevereiro de 2016

Stephen e sua visão sobre Deus ..

Stephen King


Stephen King me impressiona com a sua visão literária sobre Deus.
Quando eu li Desespero, eu simplesmente achei fantástico o olhar que ele lançou sobre a fé cristã e suas motivações. Eu já escrevi sobre esse livro, mas ficou mau escrito e eu não quis recuperar. Se tiver vontade lê-lo, clique aqui. Continuando ..

Lendo A Dança da Morte, eu não pude deixar para  o final do livro o que quero escrever agora (sobre esse tema isolado).

Há dois personagens que separam os sobreviventes do Capitão Viajante: Abagail Freemantle e Randal Flagg .Abby, como a chamam, representa o labo branco da força; logo, o senhor Flagg é o lado negro desta.

Durante um devaneio, Abby começa a meditar sobre tudo o que está acontecendo ao seu redor: os pequenos grupos estão chegando com mais agregados, formando assim uma pequena comuna viajante até chegarem onde Abby, que decisões devem ser tomadas (por ela?), o que Deus pretende fazer etc.. e é nesse ponto que eu acho Stephen King fantástico. Gostaria de deixar toda a narrativa aqui, mas seria enfadonho parra alguns e talvez o foco ficasse disperso; então, deixe-me escrever somente alguns trechos, preguiçoso leitor.

Deus trabalhava com discrição, utilizando meios que fossem do Seu agrado. Agradara-Lhe deixar que os Filhos de Israel suassem e se vergassem ao peso do jugo egípcio durante gerações. Agradara-Lhe enviar José para a escravidão, seu belo capote multicolorido rasgado rudemente de suas costas. Agradara-Lhe permitir que Jó recebesse a visita de cem pragas, como fora do Seu agrado permitir que Seu único Filho fosse pendurado a uma cruz com uma piada de mau gosto escrita sobre Sua cabeça. 
Deus era um jogador — se tivesse sido um mortal, estaria à vontade debruçado sobre um tabuleiro de xadrez do alpendre do armazém de Pop Mann, lá em Hemingford Home. Ele tanto jogava com peças vermelhas ou pretas, pretas ou brancas. Abby refletiu que, para Ele, o jogo mais do que justificava o esforço, o jogo era o próprio esforço. Ele prevaleceria quando julgasse chegado o momento certo. Só que não necessariamente neste ano ou nos próximos mil anos... e ela não iria superestimar a habilidade e a astúcia do homem escuro. Se ele era gás néon, então ela era a diminuta partícula de poeira negra que uma pesada nuvem de chuva forma sobre a terra ressequida. Apenas outro soldado raso — e há muito passado da idade de ser reformado, era verdade! — a serviço do Senhor.
— Seja feita a Vossa vontade! — disse ela e enfiou a mão no bolso do avental e tirou um pacote de amendoim.
 Boa, Stepã!

Então, querido leitor, precisamos ver que Deus age como e quando quer. Até o silêncio de Deus é ação!  E, quando dizemos que Deus é assim ou assado, precisamos entender que:

I - Nunca saberemos como Deus é em sua plenitude
II - Precisamos aprender a conversar sobre Deus, sabendo que ele utiliza cada expressão de fé como manifestação - quer você goste ou não.

Outra coisa que me deixa encantada nesta leitura é o seguinte: Abby está tranquila quando não consegue compreender tudo porque ela sabe que Deus está no controle e, se ela só sabe o que lhe cabe é porque ..leia isso:

Não fazia ideia do que poderia ser; não seria da vontade de Deus que visse isso, de maneira que o assunto não devia ser importante ao plano Dele para aquela comunidade.

Então eu lhe escrevo, sábio leitor: não fique esperneando sobre as coisas pois como diz o pregador (filho do rei Davi) tudo é vaidade de correr atrás do vento (omina vanitas..). Não se contente em saber pouco, não perca o ânimo e fé; apenas saiba que nunca saberás de tudo...e por algum motivo.



Omnia Vanitas.




12 de agosto de 2015

Concurso


Em Novembro do ano passado, eu passei na Livrarias Curitiba e peguei um informativo deles. Nem sei porque faço isso, eu raramente compro livros novos, 90% dos casos são livros de segunda mão.
Mas, passei e peguei o dito exemplar. E, para minha surpresa, eu encontrei um conto bem interessante. 
Trata-se de um concurso que a livraria lançou: "V Concurso de Contos" que uniu 927 contos. Até onde compreendi, quatro contos foram escolhidos e publicados no informativo. O conto que transcreverei é de Alexandre Braoios, e se chama "Meus Mortos".

"Depois de muitos anos, adiamentos e apego patológico, decidi dar fim aos corpos amontoados no meu porão. Preciso fazer uma profunda faxina, deixar a luz entrar, apagar as marcas deixadas por anos de violência que nutriram meu sadomasoquismo. Três corpos cuidadosamente preservados. Com o tempo dominei a técnica de preservação e, periodicamente, velava-os num misto de compaixão e fúria. Foi um  trabalho árduo, sacrificante até, mas isso satisfez minha morbidez doentia.
Começo pelo mais novo. Nove anos. Minha primogênita vítima e a mais difícil de matar. Talvez pela idade, talvez pela minha inexperiência no âmbito do crime. O corpo franzino ainda preservava as feições inocentes, o sorriso infantil e o corpo a meio caminho entre a infância e a puberdade.Era o principal alvo de minha devoção sórdida. O segundo corpo era de um rapaz de seus vinte anos (talvez um pouco mais). Em vida era forte, arredio e decidido. Levei bastante tempo para silenciá-lo. Tinha muito a falar. O último, um homem de 35 anos, foi meu mais recente assassinato. Conservava o rosto sério e compenetrado. Arrisco-me a dizer que tinhas poucos amigos. Ainda era possível sentir o calor de seu corpo.
Os três defuntos jaziam perfilados sobre o piso frio do porão compondo um cenário sombrio. Limpei-os respeitosamente, vesti-os com roupas novas e arrumei seus cabelos com carinho. Queria que mantivessem o mesmo frescor de quando o sangue ainda banhava suas carnes.
Demorei a me decidir entre enterrá-los longe, no ermo, ou mantê-los comprometedoramente próximos. Ainda nutria um certo apego e, por essa razão, meu jardim seria o melhor lugar. Assim, solenemente os cobri com a terra fértil, com a esperança de nutrir flores de coloridos diversos e tais cores, quiçá, inibirem a erva danosa.
De volta ao porão ainda malcheiroso, iniciei a limpeza. Crostas impregnavam e manchavam o chão, as paredes e até o teto. Por um instante vislumbrei o horror encenado naquele lugar. Cenas que produziram chagas profundas a me ferir muito mais que a eles, minhas corajosas vítimas. Cada golpe imputado produziu lesão ainda maior no meu corpo cansado, perpetuando indefinidamente a sensação dolorosa.
O trabalho será lento, mas o principal já consegui, livrei-me da adoração fanática e da dependência. Não mais serei refém das minhas assombrações, tão possessivamente minhas, a ditar meus passos, meus embaraços, minhas dores e alegrias tímidas. Quero as alegrias escancaradas e gordas sem a culpa a refreá-las.
O menino que fui, tímido e inocente; o jovem alegre e esperançoso que tentei ser e o adulto que julguei ser independente estão para sempre enterrados. De agora em  diante, somente lembranças sadias comporão o que sou, ou serei. Sem culpa, sem saudosismo, sem entraves. Minha completude inicia-se agora, no momento em que enterro meus mortos e finalizo minha faxina íntima".

30 de julho de 2015

A Escada ..


Aqui estou eu, curtindo uma visita à Abadia de Northanger com Catherine Morland quando, por acaso, me lembrei de um fato na minha época de criança que instigava a minha curiosidade (e do meu irmão também).

Meus pais são descendentes de alemães. Meus bisavós vieram da Alemanha e se instalaram por essas terras. Infelizmente, tive pouquíssimo contato com meus avós e, algum contato, até certa idade, com minhas tias e tios.

Dois tios se destacaram na minha infância e adolescência (ambos irmãos do meu pai): Tio Willy e Tia Olga.
O tio morava em um sítio. Uma maravilha de lugar. Plantações de arroz, milho, córregos em todos os cantos, um poço no meio do terreno, pão caseiro feito em forno de barro ... Tirando os gansos, tudo era ótimo naquele sítio: a criação de gado, porcos, galinhas, patos, marrecos ...e gansos. 

A tia mora "na cidade". Um jardim pequeno, uma varanda aconchegante com um balanço, um banco fixo, flores em um pequeno canteiro. Casa estilo enxaimel.
A cozinha, com o seu fogão à lenha, feito de tijolos, fica perto da perto que leva ao quintal, onde há a plantação de hortaliças, verduras, legumes etc..
Uma janela no canto esquerdo, a porta principal (que sai para rua) e uma porta que leva dentro de casa: onde ficam os quartos, a sala de estar, a sala principal e um banheiro. E, até hoje, ela conserva os móveis antigos. É muito linda a casa da minha tia Olga.
Mas, ainda na cozinha, havia algo que nos fascinava (à mim e ao meu irmão): a escada que vai em direção ao sótão.
Até hoje, não sei porque, escadas me fascinam. Mas somente aquelas que levam à um sótão ou à um porão. A minha tia tem uma escada que leva ao sótão.

Chegávamos na casa dela, meu pai, meu irmão e eu. Cumprimentávamos minha tia e meu tio com beijos e abraços tímidos e, então, meu pai sentava na cozinha com eles e se punha a conversar. Para meu irmão e eu, restava somente ouvir a conversa dos adultos. Minha tia não tem filhos da nossa idade, então, nada de brincar com os primos - pois eles já estavam crescidos e morando longe. 
Enquanto meu pai sentava em uma cadeira, "as crianças" sentavam nos primeiros degraus da escada. E só podia sentar nos primeiros degraus. Nada de ficar subindo até o sótão.

E, enquanto os adultos conversavam, nós, de maneira distraída, sentávamos um degrau acima. Mas, sempre ouvíamos a reprimenda de um deles, dizendo: "Voltem aqui para baixo!".

Certa vez, que glória foi esse dia, conseguimos ficar somente por cinco degraus de distância do fim da escadaria. Quase-quase! ... Então, uma voz adulta nos chamou de volta e, claro, voltamos com carinhas de anjo e nos sentamos nos primeiros degraus da escada.

Eu ainda não sei o que há naquele sótão. E, realmente, talvez eu não queira conhecer aquele lugar. Atualmente, visito pouco minha tia Olga (sempre que vou, estou na companhia do meu pai). Certa vez, ela mostrou algo muito mágico para mim: a banheira de imersão que ela tem no piso principal. Linda! Azul clara, como a primeira banheira que me banhei (aos 13 anos). E, sorridente, minha tia comentou - depois de notar meu entusiasmo: "Se sua tia sentar nessa banheira, ela não levanta mais". Minha  tia é uma senhora de 85 anos.

Não sei que mistérios guardam aquele sótão; e não quero perguntar à minha tia pois, meu instinto de sobrinha diz que, são lembranças de histórias tristes.

Fico com a magia do não descoberto, da fantasia e do mistério do sótão da casa da tia Olga.

Omnia Vanitas.

24 de fevereiro de 2015

Orgulho e Preconceito e Zumbis...troco.


Ainda sobre o ano de 2014, fui até uma livraria de livros usados e comprei "Orgulho e Preconceito e Zumbis". Paguei a bagatela de R$ 10,00 nesta obra. Eu já li "Jane Austen, a Vampira" de Thomas Ford, e ri muito lendo esta obra: confira aqui o post sobre este livro.

Nesta mesma linha, eu li um romance brasileiro "Senhora, a Bruxa" de Angélica Lopes e José de Alencar. Eu sou apaixonada pela obra original e, a adapção juvenil não ficou a desejar. 

Então, com duas referências positivas, adquiri esta obra adaptada por Seth Grahame-Smith. Infelizmente, à mim, não agradou. Talvez, o fato de eu não gostar de zumbis ajude na qualificação da obra. Claro, o post sobre a carta de Mr. Collis na versão zumbi é bem interessante, admito. Porém, o restante foi bem "sem sal". Vi-me, no meio da leitura, me arrastando até o final. Talvez, tenha faltado um pouco mais de ação ou comicidade ao texto. Porém, preciso ressaltar e fazer jus ao encontro de Lady Catherine de Bourgn e Elizabeth Bennet quando a primeira vem tomar satisfações sobre o boato do noite de Lizzy com Mr. Darcy. Adorei. Na leitura original esta é a parte que menos gosto, mas na adaptação foi muitíssimo interessante!
Mas mesmo assim, este livro está lá no Skoob para troca.

Em Dezembro deste ano será a estreia do filme desta adaptação. 
Segundo vi, no casting para interpretar Mr. Darcy está o bonitão do Sam Riley (que atuou em "On the Road" como o escritor Jack Keroak). Que máximo!!!! 
Estarei na sala de cinema para assistir, pois nada me fará perder a surra que meu querido Mr. Darcy dará em Mr. Wickham (bem feito!) e, a luta entre Lizzy Bennet e a última parente viva de Mr. Darcy, Lady Catherine de Bourgn. :)

Omnia Vanitas.

Os Meninos da Rua Paulo - Prefácio

  Olá, abandonado leitor!  Comecei neste final de semana a leitura de "Os Meninos da Rua Paulo". Ainda não cheguei na página 50, a...