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26 de agosto de 2016

Fantasia e Realidade ..






Ás vezes eu imagino que meu marido supõe que eu ficarei louca de ler tanto sobre Cervantes, mas sabemos que isso pode ser verdade {rs}.

Deixo, em seguida, a última reportagem que encontrei no site da Folha sobre os quatrocentos anos da morte de Cervantes {e Shakespeare}.


Fantasia e realidade
Como Cervantes e Shakespeare redigiram o manual de regras literárias modernas; Juntos, desafiaram as fronteiras do tempo 
SALMAN RUSHDIE
Já se passaram 400 anos desde que Shakespeare e Cervantes morreram. Juntos, eles desafiam as fronteiras do tempo e das convenções que separam a vida cotidiana da fantasia. No momento em que comemoramos os aniversários de 400 anos da morte de William Shakespeare e Miguel de Cervantes Saavedra, vale observar que, embora seja geralmente aceito que os dois gigantes morreram na mesma data, 23 de abril de 1616, na verdade não foi no mesmo dia.
Em 1616, a Espanha já usava o calendário gregoriano, enquanto a Inglaterra ainda usava o juliano, de modo que estava atrasada em 10 dias. (A Inglaterra continuou com o sistema juliano antigo de datação até 1752, e, quando a mudança finalmente chegou, houve tumultos e turbas nas ruas gritando devolvam-nos nossos dias!) Desconfio que tanto a coincidência de datas quanto a diferença nos calendários teriam agradado e muito às sensibilidades eruditas e travessas dos dois pais da literatura moderna.
Não sabemos se eles tinham consciência um do outro, mas tinham muitas coisas em comum, a começar bem ali na área do não sabemos, porque ambos eram homens cercados de mistérios; há anos faltando no registro de suas vidas e, o que é ainda mais revelador, documentos que faltam.
Nenhum dos dois deixou muito material pessoal. Muito pouco ou nada em matéria de cartas, diários de trabalho, rascunhos abandonados apenas suas obras concluídas, colossais. O restante é silêncio. Consequentemente, ambos viraram vítimas do tipo de teoria idiota que procura contestar sua autoria.
Teorias malucas
Uma busca superficial na internet revela, por exemplo, que não apenas Francis Bacon escreveu as obras de Shakespeare como também escreveu Dom Quixote (minha teoria maluca favorita a respeito de Shakespeare reza que as peças de Shakespeare não foram escritas por ele, mas por outro de mesmo nome).
E é claro que Cervantes viu sua autoria ser contestada ainda em sua vida, quando um certo pseudonímico Alonso Fernández de Avellaneda, cuja identidade também é incerta, publicou sua falsa sequência de Dom Quixote, incitando
Cervantes a escrever a verdadeira parte dois, cujos personagens têm consciência do plagiário Avellaneda e nutrem grande desprezo por ele.
Ecos
É quase certo que Cervantes e Shakespeare nunca se conheceram pessoalmente, mas, quanto mais de perto você olhar as páginas que eles nos deixaram, mais ecos ouvirá.
A primeira ideia que eles compartilham, e, a meu ver, a mais valiosa, é a de que uma obra literária não precisa ser meramente cômica, trágica, romântica ou política/histórica: que, se for corretamente concebida, ela pode ser muitas coisas ao mesmo tempo.
Dê uma olhada nas primeiras cenas de Hamlet. Primeiro Ato, Cena Um, é uma história de fantasmas. Não é mais do que simples fantasia?, Bernardo pergunta a Horácio, e é claro que a peça é muito mais que isso.
O Primeiro Ato, Cena Dois, apresenta as intrigas na corte de Helsingor: o príncipe estudioso e revoltado, sua mãe que enviuvou recentemente e se casou com seu tio (Ó pressa iníqua de subir para o tálamo incestuoso!).
Primeiro Ato, Cena Três: aqui vemos Ofélia contando a seu pai cético, Polônio, o início daquela que será uma história de amor triste: Senhor, ultimamente fez-me muitas propostas de afeição. […] Mas sua insistência sempre foi de moral honrosa e digna.
Primeiro Ato, Cena Quatro, é uma história de fantasmas outra vez e há algo de podre no reino da Dinamarca.
À medida que a peça avança ela continua a se metamorfosear, tornando-se alternadamente uma história de suicídio, uma história de assassinato, uma conspiração política e uma tragédia sobre vingança. Ela tem momentos cômicos e uma peça no interior da peça. Contém alguns dos mais belos trechos de poesia já escritos em inglês e se encerra em meio a melodramáticas poças de sangue.
Nós, que viemos depois, herdamos do bardo a consciência de que uma obra pode ser tudo ao mesmo tempo.
A tradição francesa, mais severa, separa a tragédia (Racine) da comédia (Molière). Shakespeare mistura os dois gêneros, e assim, graças a ele, nós também podemos fazê-lo.
Em um ensaio famoso, Milan Kundera propôs que o romance tem dois progenitores: Clarissa, de Samuel Richardson, e A Vida e as Opiniões do Cavalheiro Tristram Shandy, de Laurence Sterne; mas essas duas obras de ficção enciclopédicas revelam a influência de Cervantes.
O tio Toby e o cabo Trim, de Sterne, se inspiram abertamente em Dom Quixote e Sancho Pança, enquanto o realismo de Richardson deve muito ao fato de Cervantes ter ridicularizado a tola tradição literária medieval cujas ilusões dominam Dom Quix ote.
Trôpegas emoções
Na obra-prima de Cervantes, assim como nas obras de Shakespeare, os tombos cômicos, como de palhaços, convivem com a altivez, o páthos e a emoção, com a libertinagem, culminando no momento infinitamente comovente em que o mundo real se afirma e o cavaleiro da triste figura reconhece que tem sido um velho tolo e louco, que procura as aves deste ano nos ninhos do ano passado.
Tanto Shakespeare quanto Cervantes são escritores autoconscientes, modernos de uma maneira que a maioria dos mestres modernos reconheceria um deles criando peças que têm alto grau de consciência de sua teatralidade, de serem encenadas, e outro criando ficção que tem consciência aguda de sua natureza fictícia, ao ponto de inventar um narrador imaginário, Cide Hamete Benengeli. Fato interessante, é um narrador que tem antecedentes árabes. E os dois gostam tanto do submundo quanto das ideias nobres, e são tão adeptos em retratar a ambos; suas galerias de pilantras, putas, batedores de carteiras e bêbados ficariam à vontade nas mesmas tavernas. Esse lado ordinário revela que ambos são realistas de modo grandioso, mesmo quando se fazem passar por fantasistas, e assim, mais uma vez, nós que viemos depois podemos aprender com eles que a magia não tem sentido exceto quando está a serviço do realismo alguma vez já houve um mago mais realista que Próspero? e que o realismo pode beneficiar-se de uma injeção de uma saudável dose fabulista.
Finalmente, embora ambos empreguem tropos que se originam em contos populares, mitos e fábulas, eles se recusam a apontar para conclusões morais, e nesse aspecto, sobretudo, são mais modernos do que muitos que os seguiram. Eles não nos dizem o que devemos pensar ou sentir, mas nos mostram como fazê-lo.
Dos dois, Cervantes foi o homem de ação, que combateu em batalhas, foi gravemente ferido, perdeu o uso da mão esquerda e passou cinco anos escravizado pelos corsários de Argel, até sua família levantar o dinheiro e pagar seu resgate. Shakespeare não tinha dramas comparáveis em sua experiência pessoal, mas, dos dois, parece ter sido ele o escritor mais interessado na guerra e no ofício militar.
Otelo, Macbeth e Rei Lear são todas histórias de homens em guerra (em guerra interior, sim, mas também no campo de batalha). Cervantes utilizou suas experiências dolorosas, por exemplo na História do Cativo, em Quixote, e em duas peças, mas a batalha na qual Dom Quixote se lança é, para usar palavras modernas, absurdista e existencial, mais que real.Estranhamente, o guerreiro espanhol escreveu sobre a inutilidade cômica de ir para a batalha e criou a grande figura icônica do guerreiro como tolo (pensamos em Ardil 22, de Heller, ou Matadouro Cinco, de Vonnegut, explorações mais recentes desse tema), enquanto a imaginação do poeta e dramaturgo inglês (como Tolstói, como Mailer) mergulhava diretamente na direção da guerra.
Em suas diferenças, Shakespeare e Cervantes encarnam opostos muito contemporâneos, assim como, em suas semelhanças, eles coincidem em relação a muito que ainda é útil para seus herdeiros.


25 de agosto de 2016

Um Viajante que teve o Sonho Frustrado..



Nobre leitor, eu acredito que você deva estar um pouco cansado de ouvir sobre um tal espanhol chamado Miguel de Cervantes y Saavedra.
Mas, permita-me aproveitar este momento histórico que contempla os quatrocentos anos da morte deste escritor e "roubar" tudo o que possa servir para acrescentar conhecimento sobre este ícone da literatura universal.
Encontrei no site da Folha alguns artigos interessantes que farei "Crl+C Crl+V" para nosso deleite, anônimo leitor!

Primeiro artigo é de Sylvia Colombo e intitula-se Um Viajante que Teve o Sonho Americano Frustrado.

Crl+V:

Não foi por falta de insistência. Entre 1582 e 1590, Miguel de Cervantes fez vários pedidos à Coroa espanhola para viajar para as Américas. Não se tratava de um desejo abstrato, o escritor-aventureiro esteve obcecado com a ideia. Postulara a cargos na Guatemala, no México e no que hoje seria a Colômbia.

Não teve jeito. A resposta que recebia era sempre a mesma: Peça algo por aqui. Chegou mesmo a ir a Lisboa, na tentativa de embarcar de qualquer jeito em algum navio para o Novo Mundo. Poderíamos ter um dos mais importantes escritores da história desembarcando em nossas praias. Porém, se isso de fato ocorresse, talvez jamais tivéssemos conhecido o Dom Quixote.

Afinal, biógrafos concordam que sua grande obra, que conta a história do fidalgo que enlouqueceu por ler muitos romances de cavalaria, é em parte fruto de sua frustração. Mas por que Cervantes queria deixar a Espanha?

Primeiro, porque se sentia desprestigiado. Achava que merecia uma recompensa por ter lutado corajosamente na batalha de Lepanto contra os turcos, em 1571, onde levou três tiros de arcabuz um deles praticamente destruiu sua mão esquerda. Iniciava-se, então, um período de andanças e dificuldades.

Após Lepanto, seguiu mais uns anos na Itália, onde já havia sido camareiro de um nobre. Após a guerra, como soldado inutilizado, entregou-se às noites nas tavernas e às bebedeiras em Nápoles.

Em 1575, ao tentar voltar à Espanha, teve o navio em que viajava abatido e ele, levado prisioneiro para a Argélia. Passaria ali cinco anos, tentando escapar quatro vezes, todas fracassadas.

Quando de fato conseguiu retornar à Espanha, teve dificuldades financeiras. Mesmo tentando diversos serviços, nada lhe garantia renda fixa.

Não se sabe quando, exatamente, começou a escrever regularmente. Em 1585, publica La Galatea e arrisca suas primeiras obras de teatro, mas não consegue emplacar.

Quando vê enterradas as expectativas de ir à América, consola-se com o posto que lhe é conferido de arrecadador de impostos e, depois, de víveres para a famosa Armada espanhola, conhecida como invencível até ser derrotada em 1588 pela Inglaterra.

Apesar de haver discrepâncias, a versão mais aceita é a de que Cervantes começou a escrever o Quixote quando esteve preso em Sevilha, a partir de 1597, acusado, supostamente, de ter desviado bens da própria Armada.

Quando o Quixote veio à público, em 1605, Cervantes já tinha 58 anos, um idoso para a época. Só então passou a conhecer algo de fama. Lançou outros livros importantes, como a coletânea Novelas Exemplares, em 1613. Dois anos depois, a segunda parte do Quixote.

Porém, em 22 de abril de 1616, fragilizado pela diabetes, morre não sem antes descrever como via o próprio fim, na dedicatória de Los Trabajos de Persiles y Sigismunda.

Paciente leitor, em seguida {porque eu não descanso nunca} farei a outra publicação que encontrei neste site.



20 de junho de 2016

Um louco chamado Quixote..

Ilustração de Gustave Doré

Se na postagem anterior escrevi sobre o homem, nesta, permita-me, desocupado leitor, escrever sobre a criação deste escritor.

Alonso Quixano é o nome de batismo do Cavaleiro da Triste Figura, chamado de Dom Quixote de La Mancha.
Quixano leu tantos livros que ficou louco! Louco?

O autor deste artigo escreveu o seguinte:

"Numa leitura superficial, Dom Quixote e só a narrativa das aventuras tragicômicas de um cinquentão remediado chamado Alonso Quixano, fidalgo de baixa extração. O juízo de Quixano, informa o narrador logo de saída, foi avariado pela leitura dos romances de cavalaria que tinham sido populares no fim da Idade Média, com seus heróis inverossímeis que dedicavam a vida a corrigir as injustiças do mundo (...). O alucinado Quixano se transforma em Dom Quixote pela força da imaginação e de alguns adereços improvisados. Acompanhado de um escudeiro realista, sai em incursões pela região da Mancha, no coração da Espanha, atrás de oportunidades para realizar seu destino heroico e impressionar sua amada Dulcineia del Toboso (...)".

Este é um resumo rápido, preguiçoso leitor, da narrativa da obra cervantina. 
Eu não quero tirar o mérito do escritor deste artigo, mas eu achei um pouco desnecessário usar mais meia página para fazer o resumo de algo óbvio; pois a obra é tão conhecida como uma tia-velha em nossa família de quem conhecemos o básico e o que não se sabe pergunta-se para outro parente. 
Tratando-se de uma revista que atinge o público que já possui, assim gosto de pensar, um pouco de conhecimento literário, usar de um pouco mais de objetividade e menos gravuras seria de melhor valia para compor o artigo.

Feito isso, deixe-me continuar nas palavras do autor do artigo:

"(...) A certa altura já na parece tão louco imaginar que o 'louco' Quixote sabe bem o que faz, usando a falta de juízo como álibi para a afirmação de uma vontade radicalmente livre que não se curva ao Império, à Igreja nem a poder algum. E Sancho, a princípio porta-voz de um bom senso camponês, torna-se cada vez mais sábio e complexo sob a influência do amo".

Eis algo que gostei durante a obra, que não pode ser visto em um simples resumo:

"(...) o romance de Cervantes segue em frente entre dobras metalinguísticas e histórias dentro de histórias. O bastão de narrador é assumido em parte por um certo Cide Hamete Benengeli, historiador que é apresentado como tradutor - do árabe para o espanhol - e comentarista daquelas aventuras".

Este tipo de narrativa é espetacular. Quando li a obra, realmente, fiquei surpreendida com essa mudança de voz. Sem contar que há um livro dentro do livro: "A Novela do Curioso Impertinente" é fantástica e, contada, não por Dom Quixote ou Sancho, mas por personagens que tem uma história inteira para narrar ao leitor. E, nesses personagens está uma das minhas falas preferidas - ainda lembro o local em que eu estava quando li pela primeira vez e o suspiro que me causou a leitura:

Se aos céus piedosos apraz que chegues a gozar algum descanso, em nenhum lugar, leal, firme e formosa senhora minha, o encontrarás ao meu parecer mais seguro que nestes braços que te agora recebem, e que já em outro tempo te receberam quando a fortuna permitiu que eu pudesse chamar-te minha.

#Óin! Um pouco mais do texto você poderá ler aqui, curioso leitor.

O impacto literário foi tão grande que no século XX alguns escritores renomados deram sua contribuição sobre como interpretam a obra e o criador:

"Franz Kafka imaginou Sancho Pança como o verdadeiro herói e Dom Quixote como seu demônio obsessor. Vladimir Nabokov declarou-se impressionado com o compêndio de maldades abarcado pelos dois volumes. (...) Salman Rushdie leu ali a prova de que 'uma obra literária não tem de ser apenas cômica, trágica, romântica ou histórico-política: se for concebida direito, poderá ser muitas coisas ao mesmo tempo (...)". 

Bom ..acho que é isso que extraí de bom do artigo. Não pretendo escrever sobre Shakespeare - talvez eu me arrependa, mas vou esperar para ver.
Ler sobre Cervantes e sua obra, lembrou-me que tenha uma revista inteira sobre o espanhol. Preciso buscá-la na casa da minha mãe e deixar a preguiça de lado! (rs).

Ah! Uma nota sobre a imagem da postagem: Sancho Pança ilustrado por Gustavo Doré, no livro dois quando o escudeiro se lamenta com seu burro os infortúnios pelo qual passou. Eu chorei com ele.

Omnia Vanitas.








Um homem chamado Cervantes..




Faz algum tempo que chegou em minhas mãos uma revista* que contém um artigo em "comemoração" dos quatrocentos anos da morte de dois ícones da literatura universal: Miguel de Cervantes e William Shakespeare.

A parte da reportagem sobre o inglês eu passei; eu preferi ler apenas Cervantes.
Mas o que dizer sobre este espanhol que não permitiu que sua intimidade fosse alvo de curiosos?

Permita-me escrever o que discorrem sobre o homem Cervantes:
"Só no século XVIII descobriu-se a certidão que provava o nascimento de Miguel na cidade universitária de Alcalá de Henares, na periferia de Madri (...). A data pode ter sido 29 de setembro, dia de São Miguel embora o batismo só fosse feito em 9 de outubro. O ano não se discute: 1547".
Há  poucas certezas sobre Cervantes. Segundo Jean Canavaggio:
 "O período da infância e adolescência é um borrão. Vamos encontrá-lo no início da juventude fugindo para a Itália depois de ferir um rival em um duelo (...). Lutou em 1571 na grande batalha de Lepanto - um golfo da Grécia -, em que o Império Otomano sofreu uma dura derrota diante da chamada Liga Santa, (...) ali perdeu a mão esquerda" [para glória da direita - acréscimo]
Em 1575, ao retornar à Espanha, Cervantes foi capturado por piratas e liberto apenas cinco anos depois; fato este que deu origem à uma das frases do Cavaleiro da  Triste Figura:
"A liberdade, Sancho, é um dos mais preciosos dons que os céus deram aos homens".
O outro sobrenome de Cervantes (Saavedra) é adotado após seu casamento; e foi neste período ele atuou em duas funções: escritor literário e coletor de impostos. 
Nota pessoal: no livro Um Escravo Chamado Cervantes, Fernando Arrabal descreve Cervantes como, possivelmente, homossexual. 

A vida de Miguel de Cervantes é especulada há muito tempo; e nada é encontrado para que se escreva algo sobre a intimidade do espanhol. Diários, cartas, anotações; nada. Certa vez li uma reportagem em uma página oficial sobre Cervantes, afirmando, ou especulando, que a ossada o escritor havia sido encontrada. As iniciais MC estavam junto ao lugar que o esqueleto foi encontrado. Porém, sem nenhum outro parente para comparar o DNA do escritor, fica-se somente a interrogação sobre de quem serão os ossos.
Na obra de Arrabal, que citei acima, pouco se sabe, exatamente, sobre a vida de Miguel de Cervantes. Ele, Arrabal, descreve fatos históricos interessantíssimos que fazem parte do contemporâneo do espanhol, mas pouco sobre seu objeto de estudo. 

Há mais informação sobre Cervantes nesta postagem que escrevi sobre outra comemoração da sua morte.

O artigo da revista* também descreveu a obra principal deste espanhol: As Aventuras do Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de La Mancha. Mas deixarei para escrever em outra postagem, para que não fique cansativo e perca o valor da obra.

Omnia Vanitas.


*RODRIGUES, Sergio. Os Inventores do Mundo: entre o ideal e a realidade. Revista Veja, edição 2475 - ano 49 - nº17; página 94 à 99. 27 de abril de 2016

20 de abril de 2015

Elogios que não elogiam..



Eu já mencionei que sou contra elogios exagerados e coisas do tipo e que, também, sou contra essa ideia de mulher ser tratada com beata.

Porém, há um assunto que estou remoendo há muito tempo. Às vezes, tenho vontade de escrevê-lo, em outras prefiro ignorar minhas ideias. Mas, nesta nublada manhã de segunda-feira, eu li um texto que foi um empurrão para eu fazer esta publicação. O texto "motivacional" está neste blog.

Depois de ter ativado, novamente, minha conta no Facebook, resolvi fazer uma limpa em algumas páginas (e contatos, também). Porém, excluindo alguns, inclui outros. E nesse mexe-mexe de põe e tira, eu encontrei coisas interessantes. Uma delas é sobre "feministas". Na verdade, pseudo-feminista (que acham que esculachar os homens é valorizar o próprio sexo). Mas, algumas coisicas são engraçadinhas e, portanto, lá eu fico. Mas, como já disse, nessa manhã, eu li algo que me "inspirou" a escrever. Esse texto - que está linkado lá em cima - fala sobre as vantagens de namorar/ficar com um gordinho. 

Eu não tenho nada contra gordinhos, fortinhos, magrinhos, sarados, metrossexuais etc e tal. Por mim, sejam felizes como preferem ser.
Mas, não há pior do que "elogiar" em detrimento ao outro. Para um ser bom, é preciso diminuir o outro? Que triste! É isto que eu concluí ao ler aquele texto. E, esta não será a última vez que isso acontecerá.

Esse tipo de "elogio" é tão comum quanto você, querido leitor, pode imaginar. Quantos "conselhos" você já ouviu semelhantes a esse "elogio"? Pense! Quantas vezes um elogio lhe foi dado em detrimento de outra pessoa?

Ser magra não me torna uma pessoa má e fria! Ser gorda não me torna uma pessoa boa e carinhosa! Isso se chama caráter! E daí ...isso é outro post! ;)

28 de dezembro de 2014

Coronel Fawcett .. o Indiana Jones!


Certa vez, enquanto esperava para ser atendida no salão de uma amiga, me distraí lendo uma revista que tinha por perto. E, vejam só, encontrei uma reportagem muito interessante, pelo menos eu a considero assim. Portanto, chega de blá-blá-blá e segue o texto:

"Para alguns, o coronel inglês Percy Harrison Fawcett foi um grande explorador romântico. Para outros, um ganancioso buscador de riquezas. Há quem diga que não passava de um gringo desastrado que encontrou a morte e 1925, no Mato Grosso,  seguindo a pista de uma quimera: uma cidade perdida construída pelos descendentes dos hipotéticos habitantes de Atlântida. São muitos os boatos que atribuem ao explorador a inspiração do escritor Robert MacGregor para criar as aventuras de Indiana Jones, imortalizado no cinema por Steven Spielberg na pele no ator Harrison Ford.
O explorador também inspirou Sir Arthur Conan Doyle, o "pai" de Sherlock Holmes, especialmente no livro O Mundo Perdido
Fotografado com seu cachimbo, botas e bombachas, Fawcett era um homenzarrão cuja vida foi salpicada de aventuras na Ásia e América Latina. Nasceu em 1867, em Torquay, Inglaterra, e foi criado no auge do Império Britânico, canalizando seu caráter forte e arrogante a serviço da conquista de territórios para rainha. Aos 19 anos, alistou-se na Real Artilharia de Sua Majestade. Foi enviado à ilha do Ceilão (atual Sri Lanka) e depois para a África negra, Malta, Hong Kong, Marrocos e Irlanda.
Sua visão do mundo, centrada na suposta superioridade britânica, fez com que descrevesse os outros povos com uma série de preconceitos: sujos, ignorantes e atrasados - embora pudesse ter compaixão pelo índios e raiva dos europeus sem escrúpulos que buscavam fortuna fácil. Em 1906, com 39 anos, o incansável viajante foi convidado pela Sociedade Geográfica Real para demarcar as fronteiras da Bolívia com o Brasil e o Peru. Durante esse período, fez contato com vários grupos indígenas, dos quais recolheu lendas, tradições e muitas histórias fantásticas. Os grandes descobrimentos arqueológicos daqueles tempos, com as tumbas faraônicas do Egito e a cidade perdida de Machu Picchu, aguçaram ainda mais a curiosidade do militar britânico.
Em 1912, deu de cara com um documentos supostamente escrito por bandeirantes no século 18 e traduzido em inglês por outro aventureiro britânico, Richard Burton (...). Era a descrição de uma cidade de pedra abandonada no sertão baiano. Depois, em 1920, realizou uma viagem solitária pela Chapada Diamantina - há quem diga que motivado não só pela vontade de topar com a cidade perdida, mas também pelas minas de ouro e diamantes. Em 1925, ele decidiu, junto com seu filho Jack e um amigo dele, Raleigh Rimell, buscar a tal cidade nas proximidades da Serra do Roncador, no Mato Grosso. Nunca mais foram vistos.
Surgiram milhões de lendas para explicar o sumiço. Houve quem descrevesse o sisudo coronel morando entre os índios. Os místicos da Sociedade Teúrgica do Roncador espalharam a história de  que Fawcett encontrou a cidade misteriosa e foi morar nela: um povoado subterrâneo cujos habitantes possuem poderes paranormais. O jornal inglês The Times ofereceu uma pequena fortuna  para quem encontrasse pistas sobre o militar e expedições de busca se seguiram, sem sucesso.

Em 1951, o sertanista Orlando Villas-Boas arrancou uma confissão dos índios katapalos que parece ter posto fim ao mistério:   um tal Cavucuira, membro da tribo, assassinara os três estrangeiros. Tudo por causa de uma briga por mantimentos e por um rifle. Triste fim para um grande aventureiro". 




Fonte: Super Interessante, Agosto de 2003. Escrito por Pablo Villarrubia Mauso.                

13 de dezembro de 2014

Da Praça ...


Estava eu folheando o jornal nesta manhã, à procura das palavras cruzadas para distrair, quando li essa reportagem. Achei interessante e estou pensando em passar em uma livraria para adquirir a obra deste conterrâneo meu.
O texto abaixo foi escrito por Suelen Soares para o jornal Notícias do Dia, de Joinville.

O cenário português inspirou o bancário e escritor Tercio Bernardes. Ele lançou neste sábado o livro "O Cerco - A luta contra a Coroa", na Livraria Midas, em Joinville.O livro contém 15 ilustrações de página inteira, feitas à mão em grafite pelo artista joinvilense Fabrício Silva, cuja obra de referência na cidade é a pintura dos azulejos da entrada Faculdade Cenecista de Joinville. Bernardes conta que a ideia do livro surgiu há dez anos, quando ainda residia em Portugal. As paisagens medievais e suas muralhas alavancaram a vontade de escrever o que, segundo ele, mistura ficção e fantasia. “É como se os personagens estivessem em um mundo paralelo,que prende a atenção do leitor", explica o autor.
O personagem principal é Alman, que lutou desde a infância para estabelecer seu reino no mundo áspero dos filhos e filhas de Homem. Desde os primeiros confrontos até batalhas sangrentas, edificou para si um trono invejável, cercado de muralhas belas e colossais. Tudo parecia bem, até a aparição de incomuns peregrinos e de seu misterioso livro. Quando a neblina indissolúvel, que estratégias em combater sem enxergá-los. Mas, afinal, quem é esse lá fora, às portas da cidade? "O Cerco - A luta contra a "O Cerco - A luta contra a Coroa";estará a venda no lançamento, a R$ 25,00, após, estará disponível na Livraria Midas e na Rema.


Outro autor que está em destaque nesta coluna por seu livro é Ayrton Brandão por seu trabalho em "A Sombra do Cinamomo". Suelen Soares assim escreve:

A Sombra do Cinamomo se passar em Rio Pardo, no Rio Grande do Sul, em 1860, tendo como pano de fundo as lembranças e o retrato de uma das maiores guerras que assolaram o país: a Revolução Farroupilha. A trama conta a busca incessante de Inácio Escarenha por respostas ao desaparecimento de seu pai e da conquista do amor de Adelaide, que está prometida em casamento ao capataz uruguaio González. Como cúmplice de um passado ferido, na frente da casa que dá vida aos personagens, um velho pé de cinamomo com seu tronco rugoso, castigado, mas ainda exalando flores nos ares primaveris.
Para comprar um exemplar, entrar em contato diretamente com o autor pelo email airton-brandão@bol.com.br ou pelo telefone (47) 8446-9279.

13 de novembro de 2014

Mulheres de Tinta ..

Al Buell - 1944
A Tight Draw
A Tight Draw

Hoje, enquanto eu procurava uma imagem na internet, me deparei com uma pin up. Acho essas mulheres muito charmosas e sensuais. Há muito tempo atrás, eu tinha vários arquivos com fotos dessas damas de tinta.

Então, decidi escrever sobre elas, hoje. 

Primeiro, anônimo leitor, "pin up" eram garotas que ficavam "penduradas" em uma parede. 

Várias mulheres famosas eram pintadas por artista que se utilizavam desta arte.  E, se a mulher atual acha que o photoshop é sua ruína, em 1910 as coisas não eram diferentes. Imagine que estas lindas pinturas, sem imperfeições, eram cobiçadas pela maioria dos homens e, você mulher comum, nunca chegaria naquela medida e seria frustrada com nossa veterana Marta Rocha. 
Elas seduzem com o rosto angelical e tímido e seu olhar inocente. Se, hoje em dia, as mulheres fazem "biquinhos" para fotos, isso não é criação delas - o imaginário masculino  desde sempre se utilizada dessas expressões para suas mulheres de tinta.
A inclinação do corpo, seu modo de sentar e olhar faziam de uma simples mulher um furacão. 
Uma das coisas que acho interessante é a mulher que servia de "inspiração", ou seja, aquela mulher simples que servia de base para a gravura.

Atualmente, essas deusas não perderam a majestade. 

 Dita Von Teese é uma representante forte desta classe clássica de mulheres de tinta. Pé pequeno, cintura fina, boca e olhos expressivos, deixa muito marmanjo "chorando" quando ela deixa os palcos. 

Artistas como a cantora Pitty e Katy Perry  também já brincaram de serem essas bonecas.

Porém, há outra forma de pin up que, talvez, não tenha tanta força como as demais, mas, mesmo assim, eu adorei o estilo. Chama-se Hilda.
Como não sei muito sobre ela, deixo uma reportagem que ajude você, leitor anônimo, e eu a conhecermos melhor essa incrível figura que é Hilda.

O estilo não caiu de moda. Muitas mulheres ainda se vestem neste estilo ou utilizam alguma peça do vestuário de uma pin up para expressar seu gosto por essa arte.

Deixo este link com as mais diversas formas que atualmente existe para estas mulheres de antigamente. Eu prefiro as clássicas com Al Buell, Rolf Armstrong, Edward D'ancona, Peter Driben, Gil Elvgren etc.


Omnia Vanitas




4 de novembro de 2013

Um ideia..Um sonho..Parte II


Há quem diga que os livros são artigos tão caros quanto comprar computadores, entretanto, tão necessários que precisam mesmo de uma forcinha na hora da compra e daí a criação do sebo ser uma boa alternativa para empreendimento. Por mais que digam que os livros estão caindo em desuso, ainda há pessoas que preferem folhear as obras e nichos do mercado relacionados a eles, como estudantes, ao menos por enquanto.
Apesar de o mercado andar meio abalado, a venda de livros ainda continua em alta. Houve tempos de crise, mas há compradores fiéis que buscam sempre produtos em papel e ainda os que são obrigados a usar o material para pesquisa. Neste caso, podem recorrer a um sebo.
É preciso saber que os empreendedores atuantes neste determinado seguimento precisam ter um perfil diferenciado. Geralmente, são pessoas que gostam de literatura e outras formas de cultura, possuindo certo conhecimento sobre o que oferecem aos clientes e precisam saber avaliar o que há em mãos. Além disso, os proprietários têm muita vontade de atuar neste segmento, trabalham com paixão.
O que é um sebo?
Sebos são lojas que vendem livros usados, mas podem também vender CDs, DVDs, revistas, gibis e outros produtos ligados à cultura, que não estão novos, mas não necessariamente em estado crítico. Alguns são vendidos ainda na capa por alguém que comprou e não usou e podem ser uma boa opção para conseguir livros por custos mais baixos.
O sebo é comum em algumas cidades. Em Recife, capital do estado de Pernambuco, por exemplo, existe mais de trinta lojas em um mesmo bairro que formam uma praça, conhecida como Praça do Sebo e bem popular pela quantidade de opções que há no mercado. Em outras cidades brasileiras há points de venda de livros usados de diversas categorias.
Eles podem vender livros recém lançados usados, mas também obras raras, por isso, tais espaços são bem procurados. Dá ainda para comercializar edições raras e já não mais a venda no mercado tradicional e por este motivo o local é bem quisto como ponto comercial para visita pelos amantes da leitura.
Há aqueles que preferem sempre visitar o sebo para posteriormente visitar as demais livrarias da cidade. Alguns deles são especializados apenas em obras raras e antigas, como revistas em sua primeira edição e demais itens que apenas colecionadores costumam comprar.
Clientes em potencial de um sebo
Na teoria, todo mundo pode ser cliente de um sebo, basta precisar comprar um livro. Entretanto, podemos ver em uma visita eventual que os sebos são lotados por pesquisadores, professores e acadêmicos, pois estes costumam recorrer não apenas a livros antigos que não são mais vendidos em livrarias, como também a procura de preços mais em conta, já que os usados são, às vezes, 50% mais baratos em relação aos vendidos em livrarias.
O sebo é uma boa alternativa também para jovens que estudam para o vestibular e precisam de mais livros que os indicados pelo colégio. Muitos concurseiros procuram os espaços, bem como professores e leitores de obras que querem economizar, uma vez que dá para encontrar livro semi novo ou até novo em tais lojas.
São clientes também de um sebo, as pessoas que precisam de um conhecimento específico, mas que nem sempre são encontrados nas grandes livrarias. O baixo custo de uma obra no sebo é o principal atraente de jovens e adultos, em sua maioria adultos que não se importam em ter um livro novo. Podem ainda ser seus clientes pais em busca de livros de segunda mão para estudantes que querem abdicar de livros novos no ano letivo.
Localização ideal para montar um sebo
A localização do sebo é um fator a ser muito considerado, assim como em toda a montagem de um empreendimento. O mais indicado é que seu negócio esteja próximo dos seus possíveis clientes, ou seja, próximo de escolas ou universidades ou ainda de feiras de final de semana e de locais de venda de artesanato.
Esteja próximo a pontos de ônibus, e se seu espaço for numa avenida movimentada é melhor ainda. Tente divulgar o sebo com a fachada da loja em letreiro claro e limpo e deixe livros à mostra para as pessoas entenderem que aquela é uma boa livraria e vale a pena ser visto.
Estrutura necessária para montar um sebo
Para montar um sebo é preciso ter ao menos um imóvel de 50 m², comprar os computadores e uma impressora para notas fiscais. Para a infraestrutura de comunicação é preciso ter telefone e internet e fax, apesar de este estar sendo cada vez menos usado.
O mais indicado é ter diversas gôndolas ou prateleiras para fazer a decoração interna de acordo com uma livraria, organizando os livros por temas ou áreas em prateleiras específicas. Ter um computador que contenha todas as informações das obras também é importante para deixar o processo de venda mais rápido e organizado, um catálogo virtual que deve ser feito quando o livro entra na livraria para ser vendido.
Uma dica na sua organização de estrutura é oferecer um espaço para que o cliente possa sentar e observar os livros escolhidos, verificando se as obras atendem as suas necessidades com mesa e cadeiras, como algumas grandes livrarias o fazem, ou simplesmente bancos nos corredores, se estes forem largos. Algumas vantagens como oferecer o pagamento com cartão de crédito e débito deixa o sebo mais interessante e atende um público maior de pessoas.
O grande problema dos sebos é quanto ao cheiro, uma vez que pode guardar livros usados por muitos anos sem serem procurados. Por isso, procure criar um bom sistema de ventilação e boas prateleiras visíveis que possam ser limpas com facilidade. Caso tenha mais de um livro na loja da mesma edição, monte um estoque e guarde os demais para serem repostos assim que as edições mais velhas forem vendidas.
Documentação necessária para montar um sebo
Para este empreendimento, que nada mais é que um simples ponto comercial, é preciso ter alvará de funcionamento compatível com seu seguimento comercial que deve ser conseguido junto à Prefeitura, registro na Junta Comercial e na Receita Federal para assim obter um CNPJ, cadastro na Secretaria de Estado da Fazenda, registro no sistema de conectividade social da Caixa Econômica Federal (para INSS e FGTS) e liberação dos bombeiros locais, com taxa anual a ser paga. O ideal é que se tenha a ajuda de um contador para ajudar no processo, por ser mais qualificado e já conhecer os órgãos.
Um ponto importante a ser verificado em um sebo é ligado à legislação. A venda de livros usados não está enquadrada da mesma forma como a comercialização de obras novas, o que significa que é considerada uma empresa comum que está sujeita à incidência de impostos.
Porém, se o item legislação não é dos melhores, o investimento com a estrutura é positivo. O local do sebo não requer muitas adaptações e reformas. O indicado é que ele seja organizado, mostrando aos clientes que eles estão sendo respeitados.
Funcionários de um sebo
Neste modelo de empreendimento é comum encontrar o dono do sebo trabalhando na loja, mas isso vai depender muito do tamanho do empreendimento e da quantidade de livros oferecidos, além do movimento na cidade. No entanto, se houver a necessidade de empregar mais funcionários, é indicado fazer um treinamento específico para que os empregados tenham conhecimento sobre o que vendem e possam atender aos clientes da melhor forma possível.
É mais do que necessário que estes vendedores consigam entender às necessidades dos clientes do sebo, que é de pagar pouco por uma informação preciosa.
Como comprar livros para um sebo
A maioria das lojas de sebo vende e compra livros usados ao mesmo espaço. Por isso, o ideal é que se conheça sobre as obras e assim se saiba negociar um bom valor ou simplesmente saiba que o livro é raro e saiba dar bons preços.
É preciso, portanto, que se saiba o preço do mercado, consiga oferecer um preço bom para o vendedor e consiga lucrar com a revenda, que deve ser abaixo do preço das livrarias. Exemplo: um livro custa R$100,00 em uma livraria tradicional. Pode-se comprar a edição usada avaliando seu estado de conservação, que quanto mais danificada mais barata é, por R$40,00, vender por R$70,00 e ainda estar abaixo do mercado tradicional de livros novos.
Capital inicial necessário para investimento em um sebo
Os custos para manter um sebo são consideráveis, mas compensam. Estima-se que para este modelo de novo negócio é preciso ter um capital inicial necessário em torno de R$15.000,00, estando incluídos gastos com estoque, montagem da loja, divulgação, documentos necessários e também funcionários. O retorno pode acontecer em menos de 36 meses ou um pouco mais, caso o sebo esteja em uma localização não privilegiada e conseguir uma boa clientela.

ESCLARECIMENTO: este é um post antigo que está na minha caixa de rascunho. Infelizmente, perdi a fonte dele.

5 de julho de 2013

Essa mulher..


"Essa mulher não vive com o celular grudado ao ouvido e nem carrega o notebook para cima e para baixo como se estivesse duelando com o tempo. Essa mulher não tem idade definida e também não precisa malhar em academia para ter corpo escultural. Não lembra em nada uma mulher estressada. Fica longe da neurose para ostentar cabelo maravilhoso e pele sedosa. Não possui carro importado nem passaporte cheio de carimbo.
Não precisa circular em festas sofisticadas nem tem a imagem estampada quase todos os dias nas colunas sociais de jornal e TV. Aliás, ela chama a atenção apenas com o seu jeito elegante de caminhar no final da tarde, sentindo o vento no rosto. É educada quando recebe flores, emociona-se ao ouvir boa música ou quando lê um texto consistente.
Essa mulher é carinhosa com as crianças e com os animais. É dispensada de mestrado ou doutorado em alguma coisa. O poder de convencimento dessa mulher não tem nada a ver com a retórica. É exercido apenas com o olhar suave e o lindo sorriso a elogiar para os amigos a ousadia do seu amado na cozinha. 
Essa mulher não está apenas na minha imaginação. Ela é real, presente e resume os principais sentimentos nobres que brotam da natureza generosa de quem é fonte de luz. É sábia nas decisões e simples quando define soluções. Tem um sorriso para cada questionamento íntimo. Mas, acima de tudo, sabe que o silêncio tem o peso da verdade. Se contrariada, pratica a compreensão e faz a vida parecer fácil de viver.
A generosidade dessa mulher é a sua principal característica, a marca registrada, todos os dias, desde o amanhecer. Sabe desejar um bom dia sonolento com a cabeça ainda no travesseiro. Beija com os braços entrelaçados no pescoço de quem ama. Faz silêncio e se manifesta na hora certa. Gosta de dançar uma música romântica ao ritmo das batidas dos corações. É carinhosa, companheira, cúmplice e permite ser amada. Mas, acima de tudo, é movida pela paixão".
Texto de Léo Saballa para o jornal Notícias do Dia, em 05/07/2013.

Fiquei feliz quando li o texto do Saballa. Pensei com meus botões: os homens também "viajam" ao imaginar que exista uma mulher "perfeita". Queridos, essa mulher não existe - a não ser em uma imaginação fértil. Possuímos algumas das características descritas pelo escritor, mas não somos completas e santas. Algumas possuem um gênio mais apurado (presente!) e não conseguem equilibrar todos os sentidos para agradar o seu amado (pai, mãe, irmãs, amigos...). Somos falhas! Não esperem de nós a beatitude fantasiosa. 

Porém, é possível ser uma excelente companheira quando, ao lado, há um homem que possua um caráter que seja análogo ao desta mulher. Não somos "superpoderosas"! Conseguimos "carregar" um mundo em nossas costas, se possível, mas gostamos de compartilhar nossos dissabores e alegrias com um homem que seja tão equilibrado como nós. Diferenças que unem = essa é minha visão de casal; onde eu falho, preciso de amparo. Vice e versa. 

Obrigada, Léo Saballa, mas a responsabilidade não é somente nossa!

11 de junho de 2013

A Milha Verde..



Eu estava lendo essa reportagem na página do  Imagens Históricas  e, logo no início da leitura, lembrei de um livro de um escritor que gosto, Stephen King, A Milha Verde, ou "A Espera de Um Milagre".

Leia com atenção, anônimo leitor, e veja se a história não se assemelha com o assassinato que acontece no livro que foi e causa a prisão do gigante John Coffey (igual ao café mas sem um "e").

Além disso, a história real choca por seu racismo, que me lembrou outro livro: "Tempo de Matar" de John Grisham; a história fictícia absolve dois homens brancos pelo estupro e tortura de uma menina de 8 anos, negra. A pai da menina, que sobreviveu - porém, o trauma é latente -, foi até o tribunal e, na saída dos dois homens brancos, arranca uma arma da mão de um dos policiais e assassina os dois estupradores. E, então, a história começa, levando em consideração pontos como: a pena de morte e o racismo.

Ok, chega de "bla bla bla". Lá vai a história real:



 George Junius Stinney Jr. foi, aos 14 anos, a pessoa mais jovem a ser executada nos Estados Unidos, em 1944.
Entretanto, o processo judicial que levou à sua execução ainda permanece controverso. Stinney foi preso por suspeita de assassinar duas meninas, Betty June Binnicker, de 11 anos, e Maria Emma Thames, de 8 anos, na Carolina do Sul, em 23 de março de 1944. Ambas desapareceram quando andavam de bicicleta à procura de flores. Ao passarem pela casa Stinney, eles perguntaram ao jovem George Stinney e à sua irmã, Katherine, se eles sabiam onde encontrar "flores-da-paixão". Quando as meninas não retornaram, grupos de busca foram organizados, com centenas de voluntários. Os corpos das meninas foram encontrados na manhã seguinte em uma vala cheia de água lamacenta. Ambas sofreram ferimentos graves na cabeça.
Stinney foi preso algumas horas depois e foi interrogado por vários oficiais em uma sala trancada com nenhuma testemunha além dos oficiais. Após uma hora, foi anunciado que Stinney havia confessado o crime. De acordo com a confissão, Stinney tentou abusar sexualmente de Betty enquanto ela catava flores com a irmã mais nova. Após perder a paciência com a menor que tentava proteger a irmã, ele acabou por matar as duas com uma barra de ferro e atirou os corpos em um buraco lamacento. De acordo com os policias, Stinney aparentemente tinha sido bem sucedido em matar ambas ao mesmo tempo, causando trauma contuso em suas cabeças, quebrando os crânios de cada uma em pelo menos 4 pedaços. No dia seguinte, Stinney foi acusado de assassinato em primeiro grau. O pai de Stinney foi demitido de seu emprego na serraria local.
O julgamento ocorreu em 24 de abril no tribunal do condado de Clarendon. Após a seleção do júri, o julgamento começou, às 12h30 e terminou às 05:30. Depois de apenas 10 minutos de deliberação, o júri, que foi composto inteiramente de homens brancos, deu um veredicto de culpado.
Sob as leis da Carolina do Sul, todas as pessoas com idade superior a 14 anos eram tratados como um adulto. Stinney foi condenado à morte na cadeira elétrica.
A execução foi marcada para ser realizada na Prisão Estadual de Carolina do Sul, em Columbia , em 16 junho de 1944 , menos de três meses após o crime. Às 19:30, Stinney caminhou até a câmara de execução com a Bíblia debaixo do braço.
Mais tarde verificou-se que a barra com a qual as duas meninas foram mortas, pesava mais de vinte libras (9,07 kgs). Stinney foi decretado incapaz de levantar esse peso, e muito menos ser capaz de bater forte o suficiente para matar as duas.

7 de junho de 2013

A tal da Virgindade..




Estava lendo algumas reportagens na internet, especificamente, na Globo.com. Eu não assisto, com afinco, as novelas. Acho que a última foi "Lado a Lado", porém, sem uma assiduidade marcada.
Bom, a nova novela das vinte de uma, na Rede Globo, chama-se "Amor à Vida". Esses dias, vi uma chamada no site desta novela, algo relacionado à virgindade de uma das personagens. A personagem se chama Perséfone (na mitologia ela casou com Hades, forçada porém, diz a lenda, que ela acabou aceitando-o como marido depois que Deméter -seu pai- quis resgatá-la).
Ela é uma enfermeira, beirando os 40 anos, que ainda não teve relação sexual com nenhum homem. Ao que parece, ela anseia por isso, mas possui "requisitos" - ou os possuía - para que se entregasse ao ato sexual.

O que me deixou indignada é como é tratada a virgindade de Perséfone:

Para quem vem acompanhando as peripécias de Perséfone (Fabiana Karla) para resolver o seu maior problema, a virgindade, aí vai uma pérola: todos já sabem que a enfermeira está atrás de Daniel (Rodrigo Andrade) para que ele a ajude com isso e parece que o fisioterapeuta está disposto a resolver tudo, isso depois de ela dizer que tem um montão de cerveja para ele no apê dela!
Oi? Desde quando "virgindade" é problema? Que cultura é essa que impõe à alguém a necessidade de se envolver sexualmente com outra pessoa para que seja tratada como "normal"?

Eu fui virgem até os meus 24 anos. E nunca vi problema nenhum em ser virgem! Eu achava até divertido "escandalizar" algumas pessoas com essa situação. Eu brincava com minha irmã número 5, dizendo que eu iria bater o recorde dela (que não teve relação sexual até 20 anos). Claro que há o desejo, o libido que, por vezes, parece gritar à plenos pulmões; porém, na minha criação - e não a condeno - eu fui levada por princípios que fizeram com que eu me relacionasse somente nessa idade. E, sem querer frustar meu parceiro, eu poderia ter esperado mais um tempo até ter a primeira relação. Minha visão mudou muito desde aquele dia até hoje.
Atualmente, é tão comum ver adolescentes se relacionando sexualmente, com naturalidade. Algo semelhante à: "um mês namorando, então DEVEMOS transar". Sexo vai além do contato físico. A falta de preparo psicológico para lidar com essa situação é grande. Quantos adolescentes ficam pais e, como consequência, poucos conseguem educar seus filhos com a dignidade necessária: alimentação diária de qualidade, moradia, saúde, escolaridade etc. São pais precoces que não estão preparados para essa função. Os adultos, atualmente, não estão, imaginem, então, os mais jovens e inexperientes.

Podem me chamar de careta e retrógrada, fiquem à vontade, mas, para mim, sexo vai muito além de um simples contato de pele. Há sentimentos envolvidos. São poucos os que possuem discernimento para sair de um relacionamento sem mágoas. Pouquíssimos. O problema não está no sexo, está em relacionar-se com o outro. Sexo é a melhor parte, concordo, mas não é o que garante bons frutos na relação.
Pense comigo, porque se entregar à alguém que não irá respeitar-lhe, cuidar e amar-lhe. Não, eu não li Jane Austen excessivamente. Porém, eu acredito que minha liberdade está em não escolher fazer sexo com outra pessoa porque meus princípios me guiam para isso.
Que liberdade opressora é essa que quer me obrigar a transar para ser "livre"!! Que ditadura é essa que me diz que eu preciso ter vários parceiros para ser vista como "livre"!! De onde tiraram esse absurdo??
Eu quero ser respeitada como mulher, mas não é por isso que vou me relacionar sexualmente a torto e a direito. Quem disse que só poderei ganhar respeito desta forma?
Sou cristã, livre para escolher as minhas atitudes. Eu sigo à Cristo - ninguém me impôs isso, eu escolhi aceitar o sacrifício vicário de Jesus. Eu vivo mediante essa fé. Podem me achar carola, medíocre, ignorante, o que for. São vocês, não sou eu que pensa isso sobre mim. Tenho formação acadêmica, leitura suficiente e fé para discernir o que é bom ou não para mim. Não venham com aquele papo tolo que todo crente é burro!
Sou mulher para escolher se quero ou não ter relação sexual. Assumo minhas atitudes, quer gostem ou não.  Aceito o sacrifício que cada escolha traz.

Omnia Vanitas.


2 de junho de 2013

Alfarrábio..


Reportagem abaixo encontrada no blog da Veja

Eu sou adepta à compra de livros de segunda mão. É uma ótima maneira de ser sustentável nesta Era. Já escrevi algo em relação à isso, portanto, para não repetir post, clique aqui. ou, na imagem ao lado descrita como: "Campanha do Livro Usado".
A menos que algum estudioso desencave um documento de época que nunca veio à luz, a consulta de Bruno não tem uma resposta definitiva, do tipo que se possa escrever na pedra. Sebo como sinônimo de alfarrábio, ou seja, loja de livros usados, é um brasileirismo que surgiu informalmente, a princípio como gíria, e sobre sua origem tudo o que há são especulações. Isso não nos impede de, por eliminação, chegar a uma resposta provavelmente correta, como veremos adiante.
Primeiro, vamos às eliminações.
A tese do SEcond-hand BOok me parece mais falsa do que promessa de candidato a vereador. Talvez fosse defensável se houvesse em inglês, mesmo que apenas num vilarejo esquecido do País de Gales, a palavra sebo com o mesmo sentido, mas não há. Seria necessário imaginar a existência em algum ponto da história de um estabelecimento comercial brasileiro, anglófono e com peso cultural suficiente para dar origem a uma acepção popular – e do qual, apesar dessa popularidade, não restasse registro algum. Na seara da etimologia fantasiosa, que agrada a tanta gente, prefiro a tese que deriva sebo das iniciais S.E.B.O., isto é, Suprimentos Econômicos para Bibliófilos Obsessivos. Soa melhor, não soa? O único problema é que acabo de inventá-la.
A história da velha vela de sebo que escorre sobre as páginas não chega a ser exatamente delirante, mas também reluto em comprá-la – mesmo a preço de sebo. O maior problema aqui é cronológico: tudo indica que a acepção livreira de sebo entrou em circulação em meados do século 20, quando a leitura à luz de velas já era história antiga.
Há quem cite ainda, para acrescentar à confusão uma tese não mencionada por Bruno, o caminho erudito que o etimologista brasileiro Silveira Bueno encontrou para explicar o sentido da palavra “sebenta”, que em Portugal é sinônimo de apostila, caderno de apontamentos das lições dadas em sala de aula. O estudioso foi buscar a origem do termo no português arcaico “assabentar”, isto é, instruir, o que é interessante. Mas Silveira Bueno em momento algum sugere que se recorra à etimologia de “sebenta” para explicar sebo. Além do fato de a primeira palavra ser portuguesa e a segunda, brasileira, apostilas usadas nunca foram itens característicos de tal tipo de comércio.
Resta de pé, assim, a hipótese mais simples: a de que essa acepção de sebo (do latim sebum, “gordura”) tenha surgido como metonímia brincalhona a partir da ideia irrefutável de que livros muito manuseados ficam ensebados, sujos, engordurados. Com poucas exceções, a simplicidade costuma ser um bom norte para quem navega no mar alto da etimologia. Essa tese eu compro sem susto – pelo menos até alguém descobrir num sebo um volume sebento no qual fique provado que S.E.B.O. não era uma ideia tão maluca, afinal.

26 de abril de 2013

Atrasada..


Publicação atrasada! Encontrei essa notícia no site Jane Austen em Português (www.janeausten.com.br) da competentíssima (ou você acha que chamariam uma mera leitora de clássicos para fazer a apresentação?) Raquel Sallaberry Brião - acho chique esse nome! rs.

É um capítulo do livro "Sanditon" que foi lançado, ontem, no RJ, com a presença do renomado Ivo Barroso e da mestra Raquel Sallaberry Brião.

Para quem cultua (haha) Jane Austen e tem problemas em ler em língua inglesa (como eu), eis o trecho abaixo para dar uma aguinha na boca e comissão nos dedos!

Omnia Vanitas!




Um cavalheiro e uma senhora, viajando a negócios de Tunbridge para a parte costeira de Sussex entre Hastings e Eastbourne, foram induzidos a abandonar a estrada principal e se aventurar por uma vereda escarpada, e, ao tentarem uma longa subida, meio pedra, meio areia, seu veículo tombou. O acidente ocorreu logo depois de passarem pela única moradia próxima à vereda, casa essa que o condutor da carruagem, ao ser solicitado a prosseguir naquela direção, julgou ser o objetivo final da viagem, e por isso foi com a expressão mais insatisfeita que se viu na obrigação de seguir por ali. Resmungava amiúde e encolhia os ombros, açoitando os cavalos tão duramente que não estaria a salvo das suspeitas de haver feito a carruagem tombar de propósito (especialmente por não ser esta de propriedade de seu amo), caso a estrada não tivesse se tornado indubitavelmente pior do que antes.
Assim que as imediações da dita casa ficaram para trás, deu a entender, com a mais agourenta das fisionomias que, além dali, nenhum veículo, a não ser carroças, poderia seguir com segurança. A gravidade da queda foi amenizada por estarem avançando muito devagar e pela estreiteza do caminho; tanto o cavalheiro, que se arrastou para fora, quanto a companheira, que ele ajudou a sair, a princípio não sentiram mais do que arranhões e os abalos da queda. Mas o cavalheiro havia, no ato de se libertar, torcido o tornozelo; e, logo sentindo os efeitos da torção, teve de interromper suas repreensões ao cocheiro ante a satisfação de ver que estavam bem tanto ele quanto a esposa, indo sentar-se à beira da estrada, incapaz que estava de ficar de pé.
- Estou sentindo algo aqui - disse ele, apertando com a mão o calcanhar. - Mas não se preocupe, minha querida - continuou, olhando para ela com um sorriso -, isso não poderia, como sabe, ter ocorrido em lugar mais propício, ainda bem. Era o que de melhor poderíamos desejar. Em breve seremos socorridos. Lá, imagino, está a minha cura - disse, apontando para a nítida silhueta de um chalé que se via romanticamente situado em meio a um bosque numa elevação do terreno a pouca distância dali.
- Aquilo não promete ser o próprio lugar? - A esposa desejou fervorosamente que de fato fosse, mas estava ali parada, atemorizada e ansiosa, sem poder fazer nem sugerir nada, até vislumbrar uma primeira e real ajuda no vulto de várias pessoas que vinham em seu auxílio. O acidente fora percebido a distância desde um campo de feno próximo da casa pela qual haviam passado. E as pessoas que se aproximavam eram um bem-apessoado senhor de meia-idade, robusto e de aspecto cavalheiresco; o proprietário do campo, que por acaso estava entre os segadores no momento; e três ou quatro deles entre os mais hábeis que se prontificaram a seguir o patrão; para não mencionar todo o resto do campo, homens, mulheres e crianças não muito distantes dali. O sr. Heywood, tal era o nome do proprietário, aproximou-se com um cumprimento muito cordial, muito preocupado com o acidente, um tanto surpreso em ver alguém arriscar-se em carruagem por aquela estrada, e de imediato ofereceu seus préstimos. Sua oferta de ajuda foi aceita com afabilidade e gratidão, e, enquanto um ou dois homens prestavam ajuda ao cocheiro para levantar a carruagem, o viajante disse:
- Está sendo extremamente gentil, meu caro senhor, e confio em sua palavra. O ferimento que tenho na perna me parece insignificante. Mas é sempre melhor nestes casos, como bem sabe, ter o parecer de um médico sem perda de tempo; e, como a estrada não parece estar em condições para eu ir ao encontro dele, peço-lhe o favor de mandar um de seus homens buscá-lo.
- Quem, o médico? - perguntou o sr. Heywood. - Temo que o senhor não venha encontrar nenhum médico à mão por aqui, mas devo garantir que poderemos nos arranjar perfeitamente sem ele.
- Desculpe, senhor, mas, se ele não estiver disponível, seu assistente poderá igualmente tratar-me, ou mesmo até melhor. Aliás preferiria que viesse o assistente. Estou certo de que um de seus bons empregados poderá chegar a ele em três minutos. Não preciso dizer que daqui esteja a ver a casa - disse ele olhando em direção ao chalé -, pois, excetuando-se a sua, não passamos nesta região por nenhuma que possa ser a residência de um médico.
O sr. Heywood olhou para ele um tanto espantado.
- O quê, meu caro senhor! Está esperando encontrar um médico naquele chalé? Não temos médico nem assistente em toda a freguesia, asseguro-lhe.
- Peço-lhe desculpas, caro senhor - replicou o outro -, por parecer que esteja a contradizê-lo, mas, considerando o tamanho da freguesia ou alguma outra causa de que o senhor possa não estar ciente, acho que... espere lá... estarei eu enganado quanto ao lugar? Não estou mesmo em Willingden? Aqui não é Willingden?
- É de fato, caro senhor, aqui é certamente Willingden.
- Então, caro senhor, posso lhe dar a prova de que existe um médico nesta freguesia, seja isso do seu conhecimento ou não. Aqui está, caro senhor - disse, tirando do bolso sua agenda -; se fizer o favor de dar uma olhada nestes anúncios, que recortei do Morning Post e da Kentish Gazette ainda ontem mesmo de manhã em Londres, penso que ficará convencido de que não estou falando por falar. Verá que se trata do anúncio da dissolução de uma associação médica "em sua própria freguesia", "expansão de negócios", "reputação ilibada", "ótimas referências", "desejando estabelecer um consultório independente". Aqui está o texto completo, caro senhor - disse ao outro, oferecendo dois pequenos recortes oblongos.
- Meu caro, mesmo que o senhor me mostrasse todos os jornais impressos nesta semana em todo o país, não iria me convencer de que existe um médico em Willingden - disse o sr. Heywood com um sorriso bem-humorado. - Moro aqui desde menino há 57 anos e penso que deveria conhecer o tal personagem. Pelo menos posso me arriscar a dizer que essa pessoa não tem tido lá muito trabalho. Na verdade, se os pacientes tiverem que subir esta encosta em berlindas, não será de bom alvitre para um médico ter sua casa no alto da colina. Quanto àquele chalé, posso assegurar-lhe que, na verdade, a despeito de seu ar elegante visto a distância, é tão modesto quanto qualquer outro sobrado da freguesia e que meu caseiro vive num dos extremos e três velhas senhoras no outro.
Ele tomou os recortes enquanto falava e, tendo-os examinado, acrescentou:
- Creio ter agora a explicação. O senhor se enganou foi de lugar. Há duas Willingden nesta região. E estes anúncios devem se referir à outra, que é a Great Willingden, ou Willingden Abbots, que fica a dez quilômetros de distância do outro lado de Battle. Lá bem no meio da mata. E nós, caro senhor - acrescentou um tanto orgulhoso - estamos fora dela.
- Não lá no meio da mata, sem dúvida - replicou o viajante gracejando. - Levamos meia hora só para subir a colina. Bem, é forçoso dizer que o senhor tem razão e que cometi uma tremenda e estúpida mancada. Por questão de um momento. O anúncio só despertou minha atenção na última meia hora em que passamos na cidade; tudo na pressa e na confusão que sempre ocorrem numa curta estadia por lá. A gente nunca consegue concluir nada na linha de negócios, bem sabe, até que a carruagem chegue à porta. Então, satisfazendo-me com uma breve indagação e achando que estávamos de fato a pouco mais de dois ou três quilômetros de uma Willingden, eu não pensei mais nada... Minha cara (para a esposa), lamento muito tê-la metido nesta enrascada. Mas não se alarme em relação à minha perna. Não tenho dores enquanto estou quieto. E, assim que esta boa gente conseguir botar a carruagem de pé e atrelar os cavalos, a melhor coisa que teremos a fazer será voltar pelo mesmo caminho até a bifurcação e seguir de lá para Hailsham, em direção a casa sem esperar mais nada. Em duas horas estaremos lá a partir de Hailsham. E, uma vez lá, teremos o tratamento à mão, bem sabe. A brisa do nosso pequeno braço de mar logo me porá novamente de pé. Pode confiar, minha querida: é um caso para o mar resolver. O ar salino e as imersões farão o resto. Já estou pressentindo tudo isso.
De maneira muito cordial, o sr. Heywood interferiu neste ponto, rogando-lhes que não pensassem em prosseguir antes que o tornozelo fosse examinado e que tomassem algum refresco em sua casa, e instando-lhes cordialmente a que a usassem para ambos os propósitos.
- Sempre temos boa provisão de remédios caseiros para torceduras e arranhões. E garanto-lhes que minha mulher e minhas filhas terão muito prazer em servi-los naquilo que estiver a seu alcance.
Uma ou outra pontada, na tentativa de mover o pé, convenceu o viajante a considerar com mais atenção do que antes os benefícios de uma imediata assistência, e, consultando a esposa em rápidas palavras (- Bem, minha cara, penso que será melhor para nós), voltou-se de novo para o sr. Heywood e disse:
- Antes de aceitarmos sua hospitalidade, caro senhor, e a fim de afastar qualquer impressão desfavorável que esta perseguição absurda em que me encontrou lhe possa ter causado, permita que me apresente. Chamo-me Parker, o sr. Parker de Sanditon; esta senhora, minha esposa, é a sra. Parker. Estávamos vindo de Londres para a nossa casa. Embora eu não seja de modo algum o primeiro da família a ter uma propriedade rural na freguesia de Sanditon, meu nome talvez seja desconhecido a esta distância da costa.
Mas quanto a Sanditon... certamente todos já ouviram falar de Sanditon. O local favorito para uma nova e crescente estação balneária, decerto o lugar favorito entre todos os que se situam na costa de Sussex; o mais favorecido pela natureza e que promete vir a ser o escolhido pela gente...
- Sim, já ouvi falar de Sanditon - replicou o sr. Heywood.
- A cada cinco anos, a gente ouve falar de um novo lugar ou de outro que esteja começando na praia e entrando na moda. Como poderá a metade deles ser povoada é o que me surpreende! Onde encontrar tanta gente com dinheiro e folga para ir a eles! Um mau negócio para a região, certamente os preços dos gêneros irão subir e os pobres sofrerão ainda mais... como talvez o senhor também ache.
- De maneira alguma, meu caro senhor, de maneira alguma - exclamou o sr. Parker impaciente. - Pelo contrário, asseguro-lhe. É a ideia geral, mas um equívoco. Isso pode se aplicar aos lugares desenvolvidos, superpovoados como Brighton ou Worthing ou Eastbourne, mas não a um vilarejo como Sanditon, impedido por suas dimensões de sofrer quaisquer males da civilização; ao passo que o crescimento do lugar, as edificações, as sementeiras, a demanda por tudo e a segura existência das melhores companhias (dessas famílias regulares, sólidas e reservadas dotadas de nobreza e caráter que são uma bênção em qualquer parte) estimulam o trabalho dos pobres e difundem o conforto e o desenvolvimento de toda a sorte entre eles. Não, meu caro senhor, asseguro-lhe que Sanditon não é um lugar...
- Não quis dizer que não haja exceções em algum lugar em particular - respondeu o sr. Heywood -, só penso que a nossa costa está repleta deles. Mas não seria melhor levar o senhor...
- Nossa costa está repleta! - repetiu o sr. Parker. - Talvez nesse ponto não possamos de todo discordar. Pelo menos já há o bastante. Nossa costa já está muito explorada. Não precisa de mais. Atende ao gosto e às finanças de cada um. E essa boa gente que está tentando ampliar o número das estações balneárias, na minha opinião, insiste num exagero e em breve se verá vítima de seus próprios cálculos falaciosos. Um lugar como Sanditon, senhor, posso dizer que foi sonhado, foi exigido. A natureza selecionou-o, indicou-o em caracteres maiúsculos. A brisa mais pura e suave da costa, tida como tal, banhos excelentes, areia fina e firme, águas profundas a dez metros da praia, sem lama, sem ervas, sem pedras escorregadias. Nunca houve um lugar mais claramente projetado pela natureza para ser o balneário de enfermos, o verdadeiro lugar de que milhares de pessoas estavam à procura! À mais conveniente distância de Londres! Um quilômetro e meio mais perto do que Eastbourne. Imagine apenas, senhor, a vantagem de economizar toda essa distância numa longa viagem. Mas Brinshore, senhor, na qual acredito esteja pensando, as tentativas de dois ou três especuladores em Brinshore no ano passado de promover aquele mesquinho povoado, situado como está entre um charco estagnado, uma charneca árida e as constantes emanações de um brejo de algas putrefatas, não pode resultar em nada a não ser em decepção. E, em nome do bom senso, Brinshore poderia ser recomendável? Um ar muitíssimo insalubre, estradas sabidamente detestáveis, água suja sem igual, sendo impossível ter-se uma boa chávena de chá num raio de cinco quilômetros em redor. E, quanto ao solo, é tão gelado e infértil que nem consegue produzir um repolho que seja. Confie em mim, senhor, que esta é uma descrição a mais fiel de Brinshore, sem o mínimo grau de exagero, e se o senhor ouviu falar dela de modo diverso...
- Meu senhor, eu nunca ouvi falar dela em toda a minha vida - disse o sr. Heywood. - Nem sabia que havia tal lugar no mundo.
- Não sabia! Veja, minha cara - voltando-se com exultação para a esposa -, veja como são as coisas. Eis a celebridade de Brinshore! Este senhor nem sabia existir tal lugar no mundo. Pois bem, meu senhor, na verdade creio que poderíamos aplicar a Brinshore aqueles versos do poeta Cowper descrevendo a aldeã religiosa, que ele opõe a Voltaire: "Ela nunca ouviu falar de algo que esteja a cerca de um quilômetro de casa."
- Sinceramente, caro senhor, aplique a isso os versos que quiser. Mas quero ver é algo aplicado à sua perna. E estou certo, pelas feições de sua senhora, de que ela é bem da minha opinião e acha inútil estarmos perdendo mais tempo aqui. E lá vêm minhas filhas para falar por elas próprias e pela mãe delas.
Duas ou três jovens amáveis e simpáticas, seguidas por outras tantas criadas, estavam agora saindo das portas da casa.
- Estava admirado que o alvoroço ainda não tivesse chegado a elas. Um incidente deste gênero logo se torna um acontecimento num lugar solitário como o nosso. Agora vejamos, senhor, qual a melhor maneira de conduzi-lo até a casa.
As jovens chegaram e disseram tudo o que seria próprio para reforçar as ofertas do pai e sem a menor afetação trataram de propiciar comodidades aos viajantes. Como a sra. Parker estivesse ansiosamente necessitada de repouso, e o marido a essa altura não muito menos inclinado a isso, não fizeram cerimônia; mesmo porque a carruagem, agora posta em pé, revelou ter sofrido no lado da queda tais estragos que tornavam imprópria a sua utilização. O sr. Parker foi carregado então para a casa, e a carruagem empurrada para dentro de um galpão vazio.

24 de abril de 2013

Amanda Knox Strikes Back..




Vejam só quem apareceu! A senhorita Knox voltou à midia! Estava com saudade de ter alguma notícia dela. E, pelo que li, ela está com um livro saindo do forno! Lembro que, logo após sua absolvição, ninguém quis tomar partido para publicar a história dela. Porém, algo mudou e Amanda teve sua biografia carcerária publicada. Eu não vejo a hora de ter esta publicação em PTBR para poder estar nas entrelinhas desta trama policial que ainda não está resolvida, ao que parece!

Se você, leitor anônimo, não sabe quem é esta jovem, seu caso é simples e o Google resolverá. Vá em frente!


A estudante americana Amanda Knox, 25 anos, que foi absolvida pela Justiça italiana pelo assassinato da britânica Meredith Kercher, afirmou que sofreu assédio sexual durante os quatro anos em que permaneceu presa em Perugia, na Itália. Ela escreveu sobre os abusos em um livro, Waiting to be Heard ("Esperando para ser ouvida"), no qual conta sua experiência na prisão. A obra ainda não foi publicada, mas o jornal Daily Mail teve acesso a um manuscrito.

No livro, a americana fala que foi assediada por um guarda da prisão, por uma colega de cela e por um alto funcionário da prisão. O último teria perguntado a ela várias vezes :"quais posições você gosta mais?".

Amanda relatou que, em 2007, logo após ser presa, ela recebeu ordens de tirar a roupa e ficar com as pernas abertas em uma estação policial, enquanto um médico media sua vagina. Várias policiais testemunharam o episódio, disse a estudante.

"O médico examinou os grandes lábios de minha vagina e então os separou com os dedos para examinar os pequenos (lábios). Ele mediu e fotografou minhas partes íntimas", escreveu a jovem.

A americana também diz no livro que foi coagida a confessar a autoria do crime. Ela afirma que foi colocada em um quarto pequeno e estreito com até oito policiais que gritavam para ela: "você precisa lembrar! Você está mentindo! Pare de mentir".

Em 2011, Amanda Knox foi absolvida da acusação de homicídio, após recorrer por ter sido condenada em primeira instância dois anos antes. Entretanto, no final do mês de março, a mais alta corte criminal italiana anunciou o cancelamento da absolvição dela e do italiano Rafaelle Sollecito, e pediu um novo julgamento.

5 de abril de 2013

Precioooso..

Adivinhem o que eu estava fazendo? FUÇANDO A NET haha E achei essa reportagem toda sinistra e interessantíssima no site de O Globo em 02/04/2013.

Segue:


Anel exposto em palácio inglês foi inspiração para J.R.R.Tolkien escrever “Senhor dos Anéis” e " O hobbit’.
Segundo historiadores, essa peça romana foi amaldiçoada pelo dono.

A destruição de um anel que governa todas as criaturas da Terra (Média, no caso) é o que move a aventura de Frodo Bolseiro no clássico “O Senhor dos Anéis”. A fantástica história de J.R.R.Tolkien e também sua predecessora, “O Hobbit” - na qual Bilbo Bolseiro encontra o temível anel -, podem ter sido influenciadas por um anel de verdade. A peça entrou em exposição nesta terça-feira (2) no palácio rural The Vyne, em Hampshire, na Inglaterra.

O anel é tão largo que só pode ser usado com uma luva por cima do dedo. Feito com 12g de ouro, ele tem um desenho e a seguinte inscrição em latim: “Senicianus vive bem com Deus”.
Segundo historiadores, o anel foi encontrado em 1785 por um fazendeiro em um local próximo ao vilarejo Silchester (invadido por Roma e abandonado desde o século 7). Mesmo não havendo registros, os pesquisadores acreditam que o fazendeiro tenha vendido a joia à família Chute.
Décadas depois, na cidade de Lidney, em Gloucestershire, uma tábua foi encontrada no local conhecido como Monte do Anão. Nela, havia uma maldição escrita por Silvanus, que informava ao deus Noden que seu anel tinha sido roubado. O romano sabia quem tinha cometido o crime e desejava que o deus o punisse: “Sobre aqueles que levam o nome de Senicianus, não dê saúde até que ele traga o anel de volta ao templo de Nodens”.
- É particularmente fascinante ver uma evidência física do anel de Vyne, ligado a (história feita por) Tolkien, associada a uma maldição - contou Lynn Forest-Hill, da instituição "The Tolkien Trust", ao jornal britânico "Guardian".
Ao que as evidências indicam, Tolkien estudou esta história quando ainda era professor na Universidade de Oxford, e dois anos depois lançou "O hobbit". A primeira edição do livro e uma cópia da maldição estão expostas junto com o anel romano.

Os Meninos da Rua Paulo - Prefácio

  Olá, abandonado leitor!  Comecei neste final de semana a leitura de "Os Meninos da Rua Paulo". Ainda não cheguei na página 50, a...