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30 de setembro de 2025

Leitura 13


Olá, esquecido leitor !

Nesta última leitura do mês, eu decidi reler um livro que tenho apreço: O Véu Pintado, de William Somerset Maugham. 

Por que eu gosto ? Porque ele é simples na narrativa e o arco de crescimento da protagonista é incrível! 

Kitty Fane casou-se com Walter pelo simples fato de não querer ver sua irmã mais nova casar-se antes dela. Porém, não soube escolher seu marido. Ele a ama, pelo menos assim ele declara. Ele cuida dela com toda afeição, envolve-se nas distrações que deixam Kitty satisfeita (mas não feliz). Durante uma saída social, Kitty encontra Charlie - um sedutor pseudo-elegante (o melhor que tem na região). Tornam-se amantes até o momento que Walter descobre o caso entre ambos. Rebaixada pelo marido e abandonada pelo amante, Kitty está sozinha em um lugar desconhecido e numa sociedade que não aceita muito bem o divórcio (anos 20). 

No lugar fictício de Mei-tan-fu (China) - envolvido em uma epidemia de cólera - Kitty vive dias insípidos e longos na companhia de Waddington - um homem que trabalha na alfândega, sem nenhum atrativo físico e um gosto excessivo pela bebida. No primeiro momento que saem da casa de Kitty e Walter, eles estão na seguinte cena que me chamou a atenção desta vez: 

"Subiram a colina ate chegarem no arco. Era mum monumento ricamente esculpido. Fantástico, irônico, erguia-se como um marco sobre a região vizinha. Sentaram-se no pedestal e ficaram a olhar a planície. A colina estava semeada dos montículos verdes dos mortos, não em linhas regulares mas desordenadamente, dando a impressão de que eles se acotovelavam embaixo da terra. A vereda estreita serpeava entre os verdes arrozais. Um menino montado no pescoço de um búfalo dirigia-o vagarosamente para casa, e três campônios de enormes chapéus de palha avançavam lerdos como o corpo vergado sob os seus fardos".

Permita-me, desocupado leitor, dividir convosco minha visão desta cena que Waddington e Kitty assistiam. 

Primeiramente, eles estavam sentados em uma visão privilegiada - o que é realmente o que vivem, pois por serem estrangeiros e brancos possuem um status social superior aos nativos. Eles estão, neste caso, acima da morte" - pois os montes (jazigos sem indicação) estão amontados como desconhecidos. Em uma parte da narrativa, eles declaram que em Mei-tan-fu as pessoas morrem como moscas. Exatamente isso, vidas que são dispensadas rapidamente de forma aleatória em um cemitério desordenado na paisagem dos arrozais - fonte de vida da região. 

Em segundo lugar (e último), um menino vem cadenciando um búfalo manso. A vida na forma de uma criança montada em um animal que a leva para casa. Criei (por não imaginar do Maugham tenha tido essa ideia) que a representação da criança é sempre a esperança, o futuro; enquanto três homens curvados pelo fardo do trabalho seguiam atrás dele. Nestes três homens eu vejo a representação das Parcas: Nona, Décima e Morta. Na mitologia grega elas são chamadas de Moiras (mas a função é mesma): dar a vida, tecer esse fio da vida, e cortar o fio (morte). É o destino do homem (menino) seguindo até em casa - se o caminho é longo ou curto, não cabe a ele saber. 

Então é isso, leitor desconhecido, que eu pensei quando li esta passagem nesta manhã, e não sosseguei até escrevê-lo aqui. 


Omnia Vanitas 💀

 

3 de abril de 2021

Leitura quatro..


 Olha quem voltou a reler um livro!!! Eu não aprendo mesmo ! 


Depois de ler sobre a Castle Rock tomada por seu mal, nada melhor que ler Derry tomada por Pennywise!

Primeiramente, preciso informar que minha primeira leitura de "It, a Coisa" é da editora Francisco Alves. Neste exemplar, o nome do palhaço foi traduzido para o português. Eu acho isso maravilhoso! Ou seja, Pennywise, nesta tradução da editora Francisco Alves, se transformo em Parcimonioso. Eu sou apaixonada por esse novo !! HAHAHA (ri alto).

A fictícia cidade de Derry possui um mal em sua história; e esta história é a própria Derry. Desde os mais remotos tempos, antes mesmo se chamar Derry, as terras que constituem essa cidade possuem um história sobrenatural de mortes e desaparecimentos - em sua maioria, crianças. Os habitantes conhecem, inconscientemente, esse mal mas preferem não confrontá-lo. Eles deixam a Coisa se alimentar a cada vinte e sete anos, eles apenas olham para o lado. Mas sete crianças não coadunam com esse modo pacífico de permitir que mais mortes sejam levadas adiante. Elas lutam, mesmo sem saber o tamanho contra o que estão lutando. Elas superam o medo - o medo que alimenta a Coisa. 

Este livro, além do sobrenatural - que é característica do escritor - trata sobre amizade e lealdade. Sobre enfrentar o medo que paralisaria o corpo, sobre se importar com pessoas que nem conhecem apenas para que este não tenha mais passagem livre no lugar onde vivem suas vidas. 

Sete criança rejeitadas pela sociedade: a menina que apanha do pai, o garoto gordo, o garoto negro, o judeu, o hipocondríaco, o gago e o hiperativo. Um grupo formado apenas uma coisa em comum: todos são odiados pelo mesmo garoto, Henry Bowers. 

Uma das coisas que me encantam em "It, a Coisa" são as várias histórias que contém a história. E, mesmo tendo em Benjamin Hanscom o meu personagem favorito, eu não posso deixar de dar louvores à Mike Hanlon, o garoto que ficou na cidade e se tornou o bibliotecário e historiador do grupo sobre os assuntos que dizem respeito à Derry e a Coisa. As partes denominadas "Interlúdio" são aquelas que mostram a cidade antes de ser aquilo que os meninos conhecem. É no interlúdio que Mike Hanlon se encontra com os antigos moradores e ouve suas histórias sombrias que não podem ser registradas no gravador de Mike Hanlon, o Interlúdio é o lado "B" de Derry que todos querem esquecer. 

"It, a Coisa" é um livro longo em sua narrativa mas vale cada página! 

Omnia Vanitas. 💀

Leitura dois..


 

Segunda leitura de 2021 e mais uma releitura ! Até parece que minha estante não está cheia de livros que nunca tiveram a primeira leitura realizada! Um absurdo ! Mas essa sou eu ! 

Mais um Maugham! "O Fio da Navalha" conta a história em primeira pessoa Lawrence Darrel (Larry) um jovem que participa da Primeira Guerra Mundial e, ao perder seu amigo, questiona sua existência e tudo o que pode abarcar esse fim. Larry é órfão e, mesmo noivo de uma bela jovem - Isabel - decide largar a sociedade proeminente em que vive para se tornar um vagabundo. Larry deixa a próspera América do Norte para visitar o velho continente em busca de suas respostas. 

No momento que a América do Norte estava vivendo um crescimento financeiro que só não se tornaria milionário "quem não quisesse", Larry decide que isso não serve para ele pois a vida é mais do que ganhar dinheiro e prosperar materialmente. 

Viajando por vários lugares, conhecendo vários tipos de pessoas, pensamentos, modos de vida, Larry tenta encontrar um fim para suas ânsias. 

Assim como Kitty Fane, Larry expande mais suas emoções, pensamentos e viagens para buscar em todo tipo de fé aquilo que sacie sua necessidade - algo que lhe seja coerente.

Mesmo que às vezes Larry esteja ausente durante a narrativa do autor-personagem, chegará o momento que alguém citará algo sobre sua atual situação que sempre contratará com aqueles que o mencionam. 

A simplicidade de uma vida ainda é cheia de desafios para aqueles que a buscam. 


Omnia Vanitas. 💀

Leitura um..


 

Este é um livro que eu posso reler várias vezes e sempre será a primeira vez. 

"O Véu Pintado" de William Somerset Maugham conta a história de Kitty Fane, uma garota que é desejada por todos os rapazes do seu círculo social mas, sentindo-se ameaçada pelo casamento da sua irmã mais nova (e desajeita) resolve aceitar como marido - para casar antes da irmã - Walter Fane. 

O casamento não lhe agrada mas ela o vive de forma suportável; porém, um novo contato tira-a do marasmo social e arrebata sua existência de um casamento sem paixão. 

Tudo o que Kitty vive após isso é consequência deste caso extraconjugal; seja para o bem ou para o mal, ela aprende algo que não pensava existir: uma vida além da sua existência mesquinha.

Essa transformação gradual de Kitty é o que há de mais lindo na trama: suas ânsias, suas buscas por respostas que parecem estar tão acessíveis, mas, na realidade são mais profundas do que ela pode entender. Cada fonte lhe dá uma dica do que ela pode estar buscando, mas por ela mesma estar perdida, não consegue encontrar fim último. Esta é a melhor parte do romance: a transformação da protagonista para um ser completamente superior àquela do início da trama.

Leiam Maugham!


Omnia Vanitas 💀

Trigésima segunda leitura..


 

Olá, abandonado leitor !

Que loucura ! Deixei este blog sem atualização durante muito tempo! Perdão aos leitores inexistentes desta página! Tive motivo para isso. Plausíveis? Não! Então, vamos à atualização de algumas leituras. 


Emily Brontë e o seu "O Morro dos Ventos Uivantes" foi a minha última leitura de 2020. Que livro, senhoras e senhores! Que força!

Este romance único de Emily Brontë traz a história de Heathcliff e Catherine Earnshaw. Estas duas personagens foram criadas sob o mesmo teto. Ele sendo adotado e ela filha legítima. 

Heathcliff é uma personagem que eu gosto muito por tudo o que ele representa: sua identidade incógnita, seus sentimentos por Catherine, seu tratamento com todos que habitam a cidade (e principalmente sua casa). Ele é o mal que foi trazido para um seio familiar que, ao meu ver, parecia próspero. Porém, o tratamento que ele recebeu de  todos foi retribuído com uma intensidade que poucos souberam entender. 

"O Morro dos Ventos Uivantes" é um livro singular em alguns aspectos como sua narrativa muito verossímil com a realidade da sua época; para mim, ele tem toda a força da sua autora; possui passagens que são icônicas até os dias atuais. 

Este exemplar da foto tem a tradução da escritora brasileira Rachel de Queiroz.

Omnia Vanitas 💀


30 de dezembro de 2020

Trigésima primeira leitura..


 Olá, leitor ! 

Penúltima leitura deste ano (um tanto louco)!

Villette é uma releitura que fiz da autora Charlotte Brontë. 

Logo no prólogo da editora, algumas personagens são descritas conforme sua inpiração: o professor Héger, a grande paixão de Charlotte é ipsis litteris de Monsieur Paul Emmanuel. E que personagem grosseiro ele é! Não existe um momento que me faça detestar menos essa persona. Eu não sei o que Charlotte e Emily possuem como estereótipo de homem perfeito pois Monsieur Paul e Heathcliff são homens péssimos! 

Villete é a cidade fictícia de Bruxelas onde as duas irmãs estudaram. A protagonista de Villette é Lucy Snowe - órfã (é claro). A sua trajetória passa por três estágios: solidão, encontro e esperança.

O primeiro capítulo é diferente de todos os demais, pelo menos na minha opinião. Todo o livro e narrado em primeira pessoa, e relata a vida de Lucy. Porém, o primeiro capítulo que ela descreve as pessoas que estão ao seu redor e pouco do realmente acontece com ela. 

Lucy Snowe sabe quem ela é! Uma das reclamações da personagem é a falta de percepção dos outros em saber quem ela é ... apenas a supõem. Cada um entende Lucy como deseja sem a conhecê-la de fato. 

Existe uma solidão latente em Villette. Existe uma persistente solidão que ataca a personagem, como se os sucessos que consegue não devessem lhe pertencer - como se as amizades que conquista devam ser breves. Há uma citação que eu ser um desabafo da autora e não uma fala da personagem:

Eu gemia sob sua amarga severidade. Nunca - nunca! Oh, odiosa palavra! Esta bruxa, esta razão, nunca me deixou olhar para cima, ou sorrir, ou ter esperança: ela não podia descansar, a menos que eu estivesse completamente esmagada, acovardada, quebrada e aniquilada. Segunda ela, eu nascera só para trabalhar por um pedaço de pão, para esperar as dores da morte e perder constantemente a esperança através de uma vida de desânimo. Talvez a razão falasse a verdade, entretanto, não é de admirar que nós gostemos, por vezes, de estarmos contentes, de desafiá-la, de fugir de debaixo da sua vara e de dar uma hora de liberdade à imaginação - sua doce e brilhante inimiga, nosso bom auxílio, nossa divina esperança. Devemos romper os limites de tempos em tempos, apesar da terrível vingança que aguarda nosso retorno. A razão é vingativa como o diabo. Para mim foi sempre venenosa como uma madrasta. Se eu lhe obedeci foi, principalmente, com a obediência do medo, não a do amor. Há muito tempo eu deveria ter morrido por seus maus tratos: a sua mesa mesquinha, a sua cama gelada, o frio, seus selvagens e incessantes golpes. ah, se não fosse essa força mais suave que detém a minha secreta e jurada fidelidade! Muitas vezes a razão me expulsou para fora, em plena noite de inverno, no frio da neve, lançando-me para sustento os ossos roídos que os cães haviam abandonado. Declarava, severamente, que a sua dispensa nada tinha para mim. Negou-me duramente o direito de pedir coisas melhores... Então, olhando para cima, vi no céu uma cabeça rodeada de estrelas das mais brilhantes que emanava um raio de simpatia e atenção. Um espírito mais suave e melhor do que a razão humana desceu em voo tranquilo ao deserto, trazendo à sua volta um ar emprestado de eterno verão, o perfume das flores que não podem murchar; fragrância de árvores, cujos frutos são a vida; trazendo brisas de um mundo, cujo dia não precisa ser sol para iluminá-lo. Este bom anjo saciou minha fome um doce e estranho alimento, conseguido entre os anjos que guardam a sua colheita branca de orvalho na primeira hora de um dia celestial. Mitigou, ternamente, as minhas lágrimas insuportáveis que choravam a própria vida; acalmou os meus temores e, gentilmente, cedeu descanso ao meu cansaço mortal, deu esperança ao meu desespero. (página 288/89)

Eu achei simplesmente sensacional. Como mencionei para uma cliente que estava no Sebo do Portuga: Villette é um livro sobre solidão e sobrevivência - é um livro lento e amargo para ler, mas cada página vale de sua leitura. 

Como já mencionei, a figura de M. Paul é uma réplica fiel do caráter de seu amado professor C. Héger. A esposa deste homem está na figura de Madame Beck. A confissão de Charlotte à um padre - que não corresponde a fé que ela professava também está registrada no livro, no final da primeira parte. 

Eu preciso confessar que os momentos de solidão e tristeza são os que mais chamam a minha atenção: o mesmo aconteceu na leitura de Jane Eyre. As passagens são intensas e reais! E, talvez, por isso, O Morro dos Ventos Uivantes não saiu da minha estante...mas isso é outra publicação de outra irmã.


Omnia Vanitas. 💀

29 de dezembro de 2020

Vigésima nona leitura..


Olá, determinado leitor! 

Essa semana que passou, eu terminei a segunda leitura do segundo romance da caçulinha das Brontë, A Senhora de Wildfell Hall. Eu adorei! Incrível!

Este foi o segundo e último romance publicado por Anne Brontë. Sua primeira publicação ocorreu no ano de 1848 e, após a morte da autora, Charlotte Brontë não permitiu que fosse novamente por achar a obra violenta, e, claro, o abuso do álcool era baseada na vida promíscua do irmão e isso não agradou Charlotte. Apenas após a morte de Charlotte este livro voltou a ser publicado - e, também, em algumas edições alguns trechos foram emitidos pelos mesmo motivos que chocaram Charlotte - uma pena. 

Quando eu li Agnes Grey, a figura de Rosalie Murray ficou gravada na minha memória. Em A Senhora de Wildfell Hall essa personagem voltou à minha lembrança. 

Helen é uma jovem rica, órfã de mãe e criada pelos tios. Em sua estadia com os parentes fora da região rural, Helen é pressionada a escolher como futuro marido alguns pretendentes que sua tia acha conveniente para um futuro casamento. Helen descarta as orientações da tia, e, ao encontrar Arthur Huntingdon se apaixona de imediato. Contrariando os conselhos da tia, Helen decide casar com Arthur mesmo sabendo das falhas morais do rapaz - pois ela julgava ser capaz de mudar com seu amor de dedicação ao amado tornado o lar um lugar capaz de demolir os possíveis vícios do marido. Ledo engano. A moralidade de Arthur é decadente em vários aspectos e a protagonista se vê presa em um relacionamento abusivo com poucas chances de sair dele. 

Neste livro Anne Brontë trata com a maior realidade possível o que abuso do álcool pode causar ao usuário e àqueles que lhe são próximos (e íntimos).  Mas, principalmente, Anne nos mostra como os "erros" masculinos eram perdoáveis (e incentivados) em relação à conduta que uma mulher deveria ter. 

A chegada de Helen causa curiosidade na vizinhança: quem é aquela mulher de caráter sisudo, apegada ao filho de modo excessivo, e como pôde alugar uma casa tão velha como aquela e, como seu filho pode ser tão parecido com seu senhorio? 
Helen percebe sua vida se tornar insuportável quando fofocas sobre ela começam a rodar pela região e o seu relacionamento com o senhorio é visto com malícia por Gilbert Markham... então o leitor e apresentado ao seu diário através dos olhos do jovem e apaixonado fazendeiro Markham.

Uma outra situação que chamou a minha atenção foram as mães. A senhora Markham cobre Gilbert de cuidados e atenções - sua alimentação precisa ser preparada assim que ele chega pois mesmo atrasado ele não pode ter uma refeição fria. E ele a trata com pouca educação, às vezes exige que ela saia de perto de si, outras bate a porta ou responde com uma grosseria. 
Desde o início eu não gostei de Gilbert, e o tratamento de menino mimado me deixava com mais desgosto ainda. O mesmo ele fez com Helen: a cena de ele segurando o livro de Lawrence nas mãos e mostrando para a inquilina de Wildfell Hall me deixou irritada! Eu teria tirado o livro da mão dele e dito: "a porta para o senhor sair da minha casa é esta"! Muito mimado! 

Deixo uma nota especial para a gravidez de Helen. Nenhuma menção. A Era Vitoriana não gostava de mostrar uma mulher grávida pois seria uma vergonha saber que as mulheres casadas faziam sexo com seus maridos - porém, em contradição, era preciso que uma mulher tivesse uma prole de número alto para mostrar que era uma mulher capaz de gerar uma família numerosa.
A gravidez de Helen é só dita uma vez quando Huntingdon quer que sua esposa fique longe dele, a desculpa é esta: 

(...) Você anseia pelas brisas frescas de sua casa no campo e vai senti-las em dois dias. E lembre-se de seu estado, querida Helen. De sua saúde depende a saúde, se não a vida, de nossa esperança futura". (p. 225)

Este livro é maravilhoso; eu  o deixarei sempre perto de mim para uma pronta releitura! 


11 de outubro de 2020

Vigésima sexta leitura..



Olá, anônimo leitor!

Eu tinha esquecido como a leitura de Jane Eyre, de Charlotte Brontë, é maravilhosa.

Publicado em 1848 sob o pseudônimo de Currer Bell. O sucesso foi imediato ao lançamento e, nesta edição que tenho da BestBolso (2013, segunda edição) há o prefácio do autor para a segunda e terceira edições onde Brontë assina como Bell. 

Jane Eyre é um romance de formação que apresenta da vida da orfã (homônima) desde a sua infância até a fase adulta. O enredo é narrado pela protagonista e, portanto, não há outro ponto de vista exceto a do narrador.

A trama que dá vida à personagem é um empréstimo de alguns dramas vividos pela própria autora como: o orfanato para o qual a menina é enviada é uma representação do orfanato de Lancashire para onde ela e suas irmãs (Maria, Elizabeth e Emily) estudaram - e a precária condição da instituição deixou a saúde das duas irmãs mais velhas tão debilitadas que ambas morreram de tuberculose aos 11 e 10 anos sucessivamente). Para não perder Charlotte e Emily, o  pai - Patrick Brontë - busca as filhas e as ensina em casa. A personagem de Jane Eyre, Helen Burns é inspirada em sua irmã, Maria. 

E como Helen Burns me cativou nesta segunda leitura! Eu, simplesmente, não conseguia não me apaixonar pela personagem. Vou deixar duas frases - de tantas que gostei - para representar minha paixão por Helen:

(...) Acho que a vida é curta demais para ser gasta com animosidades, só pensando em acontecimentos ruins. (p.74)

Mesmo que o mundo inteiro detestasse você e a achasse má, se sua consciência a absolvesse de qualquer culpa, você não estaria sozinha (p.87)

Ainda sobre as ligações do romance com a vida da autora, o fato da protagonista ser órfã, também, diz muito respeito sobre Charlotte Brontë pois sua mãe faleceu em 1821 quando a autora tinha cinco anos de idade. E, este é um fato corriqueiro em seus romances, visto que a maioria de suas personagens não possuem os pais, ou pelo menos um deles.

Mais um fato marcante na obra de Jane Eyre é o Sr. Rochester que representa a figura de sua paixão por Constatin Héger, seu professor em Bruxelas.

O enredo, como já mencionado, contempla a infância da órfã Jane Eyre. Sua tia, Sarah Reed, precisava atender à apenas um pedido do falecido marido: cuidar da sua sobrinha como se fosse sua própria filha. Porém, isso não aconteceu. Sem o afeto da tia ou dos filhos desta - e tampouco dos empregados - Jane Eyre é enviado para o orfanado de Lowood. Neste lugar duas pessoas conquistam o coração carente da órfã, a supervisora Srta. Temple (que é uma figura materna para a criança) e sua amiga Helen Burns. Esta duas figuras darão a força e o amor necessários para que Jane Eyre aprenda a viver na obscura instituição de ensino. 

Após essas duas perdas, contanto com a idade de dezoito anos - e exercendo a função de professora desde os dezesseis - Jane Eyre rompe o laço com a instituição e se torna preceptora de uma menina órfã: Adèle Varens, em Thornfield Hall - residência de Edward Fairfax Rochester.

Uma nota que fiz sobre essa "casa". Ao meu ver, parece que o Sr. Rochester gosta de enviar para esse lugar os seus "problemas". Bertha Mason é a primeira a viver naquela mansão e Adèle chegará depois. Duas personagens que Monsieur Rochester parece querer esquecer em um lugar que lhe trouxe sofrimento.

Apesar de ser um ambiente amigável (Thornfield Hall), Jane Eyre não encontra muita alegria na sua estadia na mansão. Seu espírito ainda anseia por partir e descobrir outros lugares - mas, então, um encontro em um caminho obscuro muda toda a configuração dos sentimentos desta preceptora. 

Outra coisa que notei é que os fatos mais importantes da trama - os mais significativos pelo menos, acontecem à noite (ou madrugada). Preciso fazer mais anotações sobre isso em uma próxima leitura. Eu, infelizmente, somente atentei para este fato quando já havia passado da metade da leitura, mas os encontros com Rochester, com St. John e tantas outra decisões e atos aconteceram na madrugada ou, pelo menos, à noite. A Lua - nosso querido satélite natural - faz sua participação como coadjuvante nestas cenas "de la nuit".

Eu achei o capítulo vinte e sete interessante por ser a visão do Sr. Rochester sobre o primeiro encontro e tudo o houve até aquele momento - e foi um capítulo longo (o maior deles?) para o ponto de vista destas duas personagens.

Eu não quero parecer macabra, mas eu sou apaixonada pelas cenas de "sofrimento". Existe uma autenticidade na dor e nos conflitos que Charlotte Brontë descreve que impossível não entender o que Jane Eyre sente e como seu psicológico e moral sofrem quando ela se diante de grandes dilemas. 

Antes de terminar, quero deixar registrado que, assim como em Shirley, há uma punição e redenção para uma personagem. Quando o mal é causado, o agente precisa ser punido para que haja a redenção daquele que fez sofrer. 

Nesta leitura eu usei tantos "post-it" para marcar o que eu achei interessante, desde frases, o "escuro", e, também, todas as vezes que a protagonista descreveu o físico do Sr. Rochester (eu não sei porque fiz isso, mas foi algo que simplesmente aconteceu). Eu deveria tirar essas marcações, mas talvez eu as aproveite em outra próxima leitura, ou resolva fazer anotações à parte em algum caderno sobre o que senti/entendi sobre. 

Termino por aqui, e com a triste constatação que, apesar de ser a segunda leitura desta obra, é a primeira vez que escrevo sobre ela. Talvez eu seja mais eloquente na terceira 😉


Omnia Vanitas 💀



2 de outubro de 2020

Vigésima quinta leitura..

 



Fim de mais uma leitura !!! 


A partir de Shirley, eu decidi reler os livros das irmãs Brontë que estão comigo; e a escolha de desta obra de Charlotte Brontë é especial: foi nele que Elizabeth Gaskell se inspirou para escrever o meu amado Norte e Sul - porém, o livro de Charlotte não alcançou a mesma popularidade que o livro da amiga.

A publicação no livro foi no ano de 1849 - edição em três volumes sob o pseudônimo de Currer Bell. Este romance foi precedido por Jane Eyre (que teve uma ótima recepção pelo público e até hoje conhecido como a magnum opus de Charlotte Brontë) e seguido por Villete. 

A trama de Shirley acontece entre os anos de 1811 e 1812  - no período que a Inglaterra fecha o seu comércio por conta da guerra com Napoleão. Assim com em Norte e Sul, existe uma revolta ocasionada pela falta de emprego - porém, neste romance de Brontë a revolta se dá pela ocupação que as máquinas terão em detrimento a mão de obra humana. O desemprego é um dos temas de Shirley. A questão religiosa é uma das diferenças entre os romances de Gaskell e Brontë: em Norte e Sul é um assunto tratado de modo mais ameno, porém em Shirley a questão é mais aberta mostrando a rivalidade entre whigs e tories - para saber um pouco tem uma nota nesta publicação aqui. 

As personagens de Shirley também serviram de inspiração para Norte e Sul. O industrial Roberto Moore lembra muito a personalidade forte e determinada de John Thornton 💓. Ambos são ambiciosos, mas em Thornton há uma conotação de herói da trama que não lhe permite os erros de caráter de Roberto Moore. 

Entre as protagonistas, nenhuma delas tem relação entre si.

O romance, na minha opinião, poderia se chamar Carolina, pois mais de oitenta por cento da trama gira em torno desta personagem. A personagem que dá título ao livro aparecerá somente no capítulo dez (a partir da página 130 no meu exemplar*) e terá algumas participações na trama. Carolina Helstone, por outro lado, tem uma personalidade definida desde o início da trama e sua ausência na história se dá apenas para que o enredo entre a protagonista e Luís Moore 💗 cresça para fechar a trama.

Algumas anotações sobre Shirley - a mulher e não o livro - devem ser escritas: o nome dela era prevalentemente masculino, mas depois da publicação da obra algumas mulheres foram registradas com este nome. Shirley é uma das poucos mulheres ricas (protagonistas) que povoam as obras de Charlotte Brontë. Shirley tem personalidade forte e, por ser rica, muita das suas vontades são satisfeitas e poucas vezes é repreendida por algum ato cometido ou palavra dita. Shirley é quem cuida dos seus negócios, responde as cartas comerciais - geralmente feito pelo homem da casa ou por um contratado para o serviço; e por suas atitudes "masculinas", o tio de Carolina chama a herdeira de "Capitão Keeldar" - que é o sobrenome de Shirley, Keeldar. E ele o faz sem sentido pejorativo. E estas não são as únicas peculiaridades desta protagonista: seu cachorro não é de uma raça recomendada para "damas" - eu acredito que seja um buldogue inglês que, apesar de pequeno não é "educado". Geralmente as moças tinham poodles ou raça semelhante. Uma passagem intrigante para mim foi quando a sua acompanhante, a misteriosa senhora Pryor, repreende Shirley por ela estar assobiando - desde a primeira leitura essa foi uma parte marcante pois me instiga a pensar que não era "apropriado" para uma mulher assobiar - talvez seja pelo fato de homens usarem isso para caça (?); não sei!

Em oposto à Shirley está Carolina Helstone. Como em geral nos romances de Charlotte, ela é órfã - apesar de não saber o paradeiro da mãe, o pai é falecido. Mora com o tio que é pastor e tem sociedade com um casal de primos, os Moore (inicialmente Hortência e Roberto) e posteriormente, Luís. O fato de ela ser órfã e não ter fortuna para si, a faz crer que ser solteira será seu destino. E, o próprio Roberto a rejeita como esposa pela sua pobreza - pois com a guerra e sua possível falência, Roberto precisa de um cônjuge que lhe traga benefícios financeiros para que ele reerga a sua fábrica.  

Carolina é a personificação da heroína. Ela sofre por um amor que não pode ser conquistado, ela ajuda a todos além das suas forças, abdica do bem estar para que outros possam estar bem, jamais afirma que está cansada ou que algo lhe abate a alma - tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta - como está no Evangelho. E todos os benefícios colhidos (mesmo os mais ínfimos) são louvados, todas as injúrias sofridas são perdoadas em nome do amor.

Enquanto em Norte e Sul a morte permeia a trama, em Shirley ela é descartada. Talvez, porque no momento em que escrevia este romance, Charlotte Brontë havia perdido seus três último irmãos: Branwell (setembro 1848), Emily (dezembro 1848) e Anne (Maio 1849). 

Carolina sofre de um terrível mal físico (e psicológico)  que a deixa por várias semanas doente, a beira da morte. Sua recuperação se dá por meio de uma revelação que lhe trás um motivo para lutar contra a morte. Segundo uma amiga íntima de Charlotte, Carolina foi inspirada em sua irmã mais nova Anne e, pouca certeza há, que Shirley foi dedicada à Emily. Ellen Nussey, a amiga íntima, nunca confirmou a inspiração de Shirley em Emily. 

Um adendo para Luís Moore. 

Este irmão de Hortência e Roberto aparece no final da trama. Sua aparência não é tão bela quanto a de Roberto, mas ambos se assemelham fisicamente - e a comparação para por aí. Luís é quieto, mas altivo. Escolhe suas palavras antes de dizê-las, ao entrar em uma conversa ele domina o interlocutor - mesmo sendo Shirley. Ele é professor. E essa profissão é importante para Charlotte Brontë. Em sua estadia em Bruxelas, ela se apaixonou pelo professor, casado, Constantin Héger. Ela lhe enviava cartas para ele -  mesmo não sendo encorajada a fazer isso. A obsessão por este homem está marcado em seus romances: em O Professor (romance póstumo, publicado em 1857) William Crimsworth é a representação de Héger; em Villette ele é Monsieur Paul; em Jane Eyre ele é Mr. Rocherster. 


Então é isso! 

Omnia Vanitas 💀


*BRONTE, Charlottte. Shirley. Ed. Brasileira, 1949. Tradutor: Fábio Valente.


5 de maio de 2020

Releitura de "As Viagens de Gulliver"..



Olá, anônimo leitor!

Estou na segunda leitura deste livro do Swift, depois de mais de oito de distância da primeira. E é um novo olhar por dois motivos.

Primeiro, faz muito tempo desde a primeira leitura, todas as particularidades foram esquecidas conforme outras leituras foram feitas depois desta. 

Segundo motivo foi que desta vez eu decidi incluir as notas explicativas na leitura.
Este exemplar é da Nova Cultural (2003) com tradução e notas de Therezinha Monteiro Deutsch. Ela, também, traduziu pela editora Best Bolso os livro Emma e Razão e Sensilidade de Jane Austen - ambos indicados pela Raquel Sallaberry Brião no seu site Jane Austen em Português como as entre as melhores traduções das obras da escritora inglesa.

Faz pouco tempo que comecei a cuidar das traduções que tenho na minha estante. Algumas edições eu tenho a oportunidade de trocar, mas em sua maioria fico à mercê do que tenho em mãos.
A primeira vez que notei uma tradução diferente foi no livro Persuasão da própria Jane Austen. Vou deixar o link aqui para não me alongar na explicação.
Para outras obras, eu uso as publicações do blog Não Gosto de Plágio da Denise Bottman.
Sendo assim, mais confiante na tradução e nota de Deutsch, eu faço desta segunda leitura de As Viagens de Gulliver uma aventura mais real da história. 

 As notas sobre o texto enriquecem muito a leitura. As observações permitem que o leitor encontre os motivos que levaram àquele trecho ou algumas possíveis ideias de estudiosos de Swift para que esta ou aquela frase estivesse ali. Estar na cabeça e na história que o escritor viveu ao escrever torna a leitura muito mais rica e completa e permite ao leitor rir da sátira que é As Viagens de Gulliver. 
Para não deixar você, leitor anônimo, sem um exemplo, deixarei dois para lhe dar uma luz sobre o que escrevi.

"(...) Diverti-me, entre outras coisas, como dançarinos na corda-bamba¹, que se apresentavam sobre um fino fio branco esticado a cera de um metro e meio do solo. Peço licença, e paciência ao leitor para me alonga um pouco a este respeito.
Esta diversão é praticada apenas pelas pessoas que são candidatas a altos cargos e altos favores na corte. São treinadas nesta arte desde bem pequenas e nem sempre são de nascimento nobre ou têm educação liberal. Quando um alto cargo fica vago, por morte ou queda em desgraça (o que acontece muito), cinco ou seis desses candidatos apresentam petições para divertir Sua Majestade e a corte com a dança na corda-bamba; então, aquele que saltar mais alto sem cair ganha o cargo". (página 62-3)
 (...)
"Mandei tantas cartas e petições para minha liberdade que por fim Sua Majestade mencionou o assunto no gabinete e, depois, numa reunião do Conselho, ninguém e opôs, a ser Skyresh Bolgolam², que resolveu, sem nenhum motivo, ser meu inimigo mortal". (página 67).

Notas:

(1):  dançarinos em corda-bamba: exibição preferida ente os divertimentos populares no período. Para avaliar o significado satírico, confrontar com a observação de Swift num panfleto religioso (1709): "Leve-se em conta que andar na corda-bamba é o único talento requerido por um ato do Parlamento para transformar um homem em bispo; não se duvide de que depois de ter feito esta demonstração de atividade, de estar em forma, esse homem poderia sentar-se na Câmara dos Lordes...mas é preciso ser pouco cristão para acreditar que esse funâmbulo depois disso tornara-se um tiquinho ais bispo do que antes..." prose, ii, 75; E.W. Rosenheim, PQ, xxxi, 1952, 209).

(2): Skyresh Bolgolam: "Estilo 'im Mar'boro'" (Clark, pp 604-5, i.é,; o duque de Marlborough, a quem Swift atacara várias vezes (principalmente no Examiner, 23 de novembro de 1710) como chefe representativo da polícia-de-guerra dos whigs*. Firth (p.242) identifica Bolgolam como o conde de Nottingham, que usou sua iinflência para impedir que Swift conseguisse um bispado. Se bem qu não fosse um almirante, Nottingham fora Primeiro Lode do Almirantado (1680-4), e se bem que totalmente ignorante em conhecimentos marítimos, sempre se vangloria de ser um perito naval. Case (p.72), que relata a carreira de Gulliver em Liliput não em relação à biografia de Swift, mas sim em referência à sorte política de Oxford e Bolingbroke, aceita esta identificação pelo fato de que Nottingham era hostil a Oxford "sem que tivesse havido nenhuma provocação", a ser o fato de Oxford (então Harley) tê-lo sucedido no cargo (1704).

*whigs: Whig é uma expressão de origem popular que se tornou termo corrente para designar o partido liberal no Reino, e contrapunha-se ao Tory, de linha conservadora.

Eu ainda estava procurando algumas informações sobre a tradutora quando achei dois trabalhos que serão um ótimo suporte para esta leitura, segue os links abaixo;

- Autor: Leonardo José César de Mattos Guerra. Título: Viagens de Gulliver: recepção (história) e interpretação (crítica)

- Autor: Evaldo Gondim dos Santos. Título: Tradução e ironia: o cientificismo iluminista em Gulliver’s Travels vs. (As) Viagens de Gulliver

Então é isso, leitor!

Omnia Vanitas. 💀


10 de março de 2020

Leitura dez..


Olá, equivocado leitor!!

Fim de mais uma leitura! E esta foi especial porque se trata de um dos meus personagens preferidos: Basílio de Brito.

O Primo Basílio é uma das grandes obras do escritor português Eça de Queiroz.
O livro trata da história de um casal que vive uma vida confortável e pacata no subúrbio de Lisboa. As relações sociais de Luísa e Jorge são de nível medianas à medíocres; porém, por Jorge ter um emprego como engenheiro, faz-se respeitável perante a vizinhança. 

Nesta paz que entra Basílio. 
Vindo à Lisboa para negócios e Jorge, neste mesmo período, ausenta-se de casa para ir trabalhar em outra cidade. Sabendo da ausência do marido da prima, Basílio vai à casa de Luísa para saber como a prima está - de aparência, para saber se está conservada ou feia. Imediatamente, as fagulhas do antigo namorico reacendem em ambos, tornando o adultério inevitável.

Luísa Mendonça do Brito Carvalho, a do Engenheiro, tem um caráter simplório e é coberta de mimos - desde antes do casamento. Nada a vida lhe pareceu muito difícil de conseguir e seu temperamento é romanesco: acredita ser amada pelo primo apenas porque merece esse amor, e o fantasia como se fosse saída de uma romance de Dumas (filho).

Os livros lidos pelos personagens ou apenas mencionados na trama são um esboço da própria obra. Como citei acima, o livro lido por Luísa é A Dama das Camélias, de Alexandre Dumas (filho). Na trama, uma mulher cortesã vive um romance com um jovem estudante de Direito. Outro momento que um livro é apresentado - de modo a significar tão bem o momento da trama, é a representação teatral de Fausto do escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe, onde e protagonista vende a sua alma e em troca quer o amor de uma mulher. 

A personagem de Luisa é a principal personagem na trama. Mesmo Basílio está à margem na trama. 

E por falar em Basílio. Ele tem trinta e quatro anos quando reencontra sua prima, casada. Luísa tem vinte e cinco anos. O romance deles começou que ela tinha dezoito. A separação brusca do casal devido ao falecimento de um parente de Basílio - e das suas dívidas, segundo as línguas afiadas, o fizeram sair do país e vir para esta terra nossa, o Brasil. 
Apesar da dor da separação, o casamento com Jorge não foi penoso para a moça; mas o reencontro trouxe a nostalgia de um romance abandonado. 

Porém, Basílio é um canalha. O único motivo para estar em Lisboa, segundo ele mesmo, é por causa de Luísa. Esta afirmação não significa que lhe quer bem, apenas a deseja e usufrui dos prazeres que desfrutam no Paraíso. 
Ambos vivem esse adultério de modo pleno. E, também, vivem de modo leviano pois a do Engenheiro esquece de ter cuidados para que a vizinhança não note suas saídas ou as visitas frequentes de Basílio. E quem está prestando atenção nesta relação parental é Juliana Couceiro Tavira. 

Juliana é a empregada "de dentro" do casal Carvalho. Ela é uma "herança" que Jorge trouxe da casa de uma tia. Esta tia, adoentada ao longo de um ano, teve a sua cabeceira a dedicada Juliana. Como enfermeira zelosa, cuidou a velha tia até o fim...com apenas um interesse: ganhar uma gorda herança da doente para que pudesse parar de trabalhar e tornar-se senhora e deixar de ser serviçal. 
Toda a sua vida foi de sofrimento nas casas que trabalhou, e naquelas em que foi bem tratada, com toda a amargura que adquiriu não conseguia reconhecer os benefícios e boas atenções que lhe davam. 
Ao perceber que poderia fazer uma pequena fortuna e deixar de trabalhar para poder cuidar de sua saúde - e talvez, até encontrar um marido - viu na relação de Luísa e Basílio a sua moeda da boa sorte. 

Infelizes mulheres. Seja Luísa ou Juliana, ambas se iludiram em suas paixões. Enquanto a patroa achava-se amada e adorada pelo amante, a empregada achou-se rica com os abusos que fazia Luísa sofrer. 

Para finalizar, este romance deveria ser lido por todos que pensam em ter um relacionamento, seja ele qual for. Eça de Queiroz apresenta a realidade das relações que são romanceadas: amantes, litigioso, ambicioso, adúltero; a expectativa e convívio real das situações são mais complexas do que nas páginas de um livro. 

Omnia Vanitas. 💀

30 de janeiro de 2020

Leitura quatro..



Leitor apaixonado...estou ouvindo David Gilmour (apaixonada até o fim e além) tocando Echoes. 

Mais uma leitura chegou ao fim! 

Antes de escrever sobre o livro, deixe-me explicar-lhe, anônimo leitor, a escolha da leitura.

Em um domingo sonolento, eu decidi que precisava escolher a próxima leitura (eu estava lendo Almas em Conflito e terminaria antes do meia da semana seguinte). Sempre prestativo, meu marido entrou em um sorteio que eu fiz. Entre cinco leituras, ele escolheu aquela que continha Robert Louis Stevenson, Mary Shelley e Bram Stoker. Um um breve stories no Instagram, eu expliquei que a leitura escolhida apresenta três monstros diferentes. Em Stevenson, o monstro está dentro do homem. Em Shelley,  o monstro é criado pelo homem. Em Stoker o homem caça o monstro. Na minha cabeça isso parece fantástico!

O Doutor Jekyll e o Monstro contém outros contos que me deixaram mais fã do escritor de A Ilha do Tesouro. 

Eu não irei escrever o senhor Jekyll pois já o fiz nesta publicação de 2013. 
Os outros contos que estão presentes nesta edição da Paulinas de l968 são: Will do Moinho, Markheim, Janet do Pescoço Quebrado e, Olallá.

Impossível escolher um deles como favorito. Todos fantásticos! 

Will do Moinho conta a história de um menino que gostaria de sair do lugar onde vive - e nunca o faz. A vida que leva se torna confortável e amistosa. Este conto é um contraste com Markheim que se viveu uma vida desafortunada e seguiu um caminho perigoso (que o levou a tomar a atitude de entrar em um antiquário). 

Janet do Pescoço Quebrado conta a história de uma mulher que criou o seu filho fora de um casamento, em uma vila pequena. De personalidade firme, não se deixa levar pelas ideias que criam sobre ela e, quando possível, cala a todos com palavras duras. Porém, a vida lhe dá a oportunidade de morar na casa do novo pároco da vila. Mas nada é fácil para Janet.

Olallá é o conto mais longo depois de O Doutor Jekyll... . A saúde frágil de um homem o leva a morar em uma casa longe do movimento da cidade. Neste lugar de repouso habitam três pessoas que provém de uma família de alta linhagem - infortunadamente, estão todos pobres e sem perspectiva de melhorar ou seguir com a hereditariedade. A vida desta miserável família nobre está envolta em um mistério que nem mesmo o amor poderá mudar o seu fim. 

Adorei! Olallá me levou longe ao tentar solucionar o caso da família. Janet do Pescoço Quebrado me tirou algumas risadas pela impetuosidade da moça. Markheim me deu um "medinho" e, Will do Moinho me deixou mais dúvidas sobre a vida do que eu achei que teria. 

E sempre terei vontade de ler A Ilha do Tesouro quando estiver com um Stevenson nas mãos. 

Omnia Vanitas. 💀





30 de outubro de 2019

Trigésima terceira leitura..



Olá, leitor !!

Colocando minha penúltima leitura em publicação.

Esta é minha terceira leitura de A Filha do Papai Pelerine de Maria Gripe. A primeira aconteceu na época a adolescência e a segunda foi em 2017. Por pura coincidência, nesta terceira leitura eu comecei na mesma data que segunda. 

A Filha do Papai Pelerine conta a história de Luela, uma pré-adolescente que mora em uma cabana na floresta com seus irmãos gêmeos menores. Ela busca o sustento para eles e recebe ajuda de dona Aldina Petterson e Frederico Olsson. 
A mãe de Luela viaja e navio por vários países e o pai ela não conhece. Mas ela tem Papai Pelerine.

Talvez a psicologia consiga responder melhor, e também explicar, a presença do espantalho Papai Pelerine. A menina chama a si como Luela Pelerine - mesmo a mãe tendo o sobrenome Nilsson e do pai Persson.
Papai Pelerine foi confeccionado por Luela para espantar seus inimigos. Ela o veste conforme a estação e seus braços sempre estão prontos para abraçá-la.  Possivelmente, o espantalho seja o "amigo imaginário" que algumas pessoas personificam como representação de algo que lhes faltam: no caso de Luela é a figura paterna - de modo inconsciente - que ela projeta como protetor. 
E, também, é no espantalho que Luela recebe as guloseimas e comidas que Frederico Olsson deixa. Em retribuição, Luela fornece ao velho os selos das poucas cartas que recebe da mãe. 

Conforme os protagonistas de Spyri, Maria Gripe apresenta uma órfão, apesar não ser uma órfão  "funcional": seus pais existem, mas eles não estão presentes no crescimento de Luela e dos irmãos. A mãe viaja para adquirir dinheiro para sustentar a pequena família. Quanto ao pai, ele quis ficar com Luela mas a mãe o proibiu de levar a menina com ele. 
A menina nunca teve interesse de saber quem era seu pai, até ouvir, na surdina, de alguém que disse que ambos se parecem. Como Luela se acha diferente de todas as pessoas, vivia na esperança de encontrar este homem que lhe era tão semelhante. 
Luela sonha com o pai algumas vezes, sempre o salvando de situações inusitadas. Talvez, para provar seu valor, ela precisasse salvá-lo para que ele pudesse reconhece-la como filha.

Luela é uma menina madura para sua idade. Quando ela é levado do campo para a cidade, não entende porque a pessoas sorriem demais e compram demais. Ela sempre sorri quando quer e compra somente o que é preciso para ela e os irmãos. 

Sua estadia na cidade se prova útil mas não é uma experiência que pretende repetir. 

A história se mostrou muito mais rica, para mim, nesta terceira leitura. Espero poder colher mais frutos dela em uma próxima leitura.






24 de outubro de 2019

Vigésima nona leitura


Olá, leitor anônimo!!

Domingo passado eu terminei a leitura de mais um livro da meta de Outubro: Diário de um Adolescente Hipocondríaco, de Aidan MacFarlane e Ann McPherson.

Eu amo ler diários. Desde a minha adolescência, eu tenho o hábito de manter um diário perto de mim. Infelizmente, muitos se perderam. Mas, neste ano, minha mãe fez uma limpeza na casa dela e lá estavam alguns diários meus entre os anos de 1995 até 1999. Eu reuni esses diários e sentei ao lado do meu marido (que me conheceu quando eu tinha 36) e disse: venha me conhecer nos meus dezessete anos).  Foi uma experiência muito deliciosa para nós dois. Demos muitas risadas juntos, e eu prometi fazer um diário para nosso casamento. Quem sabe eu não comece um no dia que comemoraremos nosso quarto ano de casados!?

Como eu tenho essa paixão por diários, não foi difícil me interessar por esse livro.

A primeira leitura deste livro foi depois dos meus dezoito anos. E ele foi um empréstimo que nunca foi devolvido - e não faço ideia de quem me emprestou.

Peter H. Payne é o filho do meio entre três: duas meninas. Como o próprio título anuncia, ele é hipocondríaco. Porém, esta condição não se aplica ao fato de ele adorar tomar remédios, visto que em Londres as farmácias não distribuem remédios sem receita médica. Logo, a neura de Peter está ligada ao fato de ele achar que tudo o que ele lê sobre doença torna-o, automaticamente, encubador de tal vírus ou o que for.
Seus batimentos cardíacos são vigiados para que seu coração não se esforce além do necessário. Os pelos do seu corpo, as espinhas do seu rosto...tudo tem a atenção máxima de Peter - que ele só divide em precisa perturbar sua irmã mais nova, Sussie.

Este livro não é um diário "corrido". Ele não especifica o dia-a-dia de Peter, apenas dias alternados sem uma frequência de personagens. Exemplo: Sam é o melhor amigo e Peter, mas não ele aparece no dia a dia do rapaz. Nem mesmo a irmã mais velha, Sandy - que mora com a família Payne - tem uma menção contínua na vida do adolescente.

Um ponto fraco que eu encontrei no livro foi as respostas de uma coluna de revistas que a irmã caçula de Peter recebeu para perguntas sobre peso e regime.

No mais, o livro é divertido e orientador para (pré e) adolescentes e para pais que esqueceram de todas as dificuldades de como é viver nessa idade.




18 de outubro de 2019

Vigésima oitava leitura..



Fim de mais uma leitura !

Esta não é a edição que li na minha adolescência, mas não pude deixar de comprá-la quando estava em uma sessão de compra (inocente) em um sebo em Joinville.

Este Dom Quixote de Monteiro Lobato foi o meu primeiro contato (indireto) com a opera magna de Miguel de Cervane Saavedra.

Desta leitura, o que mais marcou, além da clássica cena dos moinhos de vento, foi a indignação e não aceitação de Emília para o fim do livro do espanhol. 

A história é recontada por dona Benta durante alguns dias (antes das crianças irem dormir) e acompanhada pelos deliciosos quitutes de tia Nastácia. 
Em toda a contação da obra, dona Benta ressalta que quando as crianças forem maiores e tiverem o domínio linguístico para ler uma obra como Dom Quixote, verão o quão ela é rica em detalhes e significado. As partes que foram contadas para as crianças (Pedrinho, Narizinho e a boneca Emília) foram somente as principais aventuras do Cavaleiro da Triste Figura. E, para minha alegria, a  briga na taverna e a manteada sofrida por Sancho (sinto muito, fiel escudeiro) estava na narrativa de dona Benta. 

Minha lembrança, além do que escrevi acima, eu me vejo sentada com o livro em mãos na cancha de bocha do meu pai. Não como ela está agora, mas a antiga, que tinha o chão de saibro batido com duas pistas para o jogo.  E, também, lembro de alguém passar por mim e ler o título do livro em voz alta. 

Esta leitura me fez sentir saudade da outra leitura que fiz de Dom Quixote de La Mancha. 
E, para finalizar, deixo o meu agradecimento à Monteiro Lobato  por não ter se alongado muito para escrever sobre o segundo livro da história de Dom Quixote - eu detesto aquele duque e sua esposa.

Omnia Vanitas. 💀


P.S.: A boneca Emília - tal como foi concebida - não poderia ser aceita nos dias atuais.  Tivemos sorte! 

11 de outubro de 2019

Vigésima sexta leitura ..


Olá, leitor anônimo!!

Mais um livro da Urda na minha leitura de Outubro. 
Adendo: no final desta publicação, eu vou deixar um link para as outras leituras que fiz em Outubro.

Este é o segundo livro escrito pela catarinense Urda Alice Klueger, As Brumas Dançam sobre o Espelho do Rio. Trata-se, também, de um romance-histórico.

Elisa mora na pacata Porto Belo e está destinada a casar com João Jesus, seu amigo desde a infância. Nada parece atrapalhar o projeto de ambos os pais; o enxoval é digno de uma princesa - Abel da Costa, pai da moça, não poupou esforços ou dinheiro para dar a sua filha caçula um casamento que deixará toda a vila com inveja. 

Mas a vida tem suas próprias tramas e delas ninguém escapa.

Desembarca em Porto Belo um certo Severo trazido pelo vento sul, e, desde esse momento, tudo o que Elisa achava ter certeza troca de lugar.  E, entremeios, acontece a Guerra do Paraguai.

Apesar desta guerra não ser o foco em Verde Vale, a função dela no enredo muda a vida dos personagens de ambas as narrativas.

Rio Morto é uma vila que surgiu com pessoas que fugiram do alistamento militar. Segundo a narrativa, não eram pessoas covardes, apenas não queriam se envolver em algo que não lhes representava um motivo para lutar - o que os deixava um pouco diminuídos foi saberem que os alemães participavam desta guerra mesmo este não sendo o seu país de origem. Mas a vila de Rio Morto começou por causa dessa deserção e teve sua importância na história de Santa Catarina. 

O casal protagonista tem como personagens Severo e Elisa que fogem desta guerra e também dos pais da moça para viverem seu amor.

Este livro me dividiu. Metade de mim estava adorando ler sobre a vida que estas duas personagens estavam começando longe de Porto Belo. Metade de mil achava aquele "amor" muito melado e forçado e, até mesmo, infantil. Mas mesmo assim, eu li em  24 horas as breves 142 páginas.

Muito diferente do que foi a narrativa de Verde Vale, Urda apresenta uma história mais completa e tecida com mais cuidado.

Eu deixei de fora da publicação da leitura de Verde Vale, mas a narrativa deste é mais ...como posso escrever, mais aberta - talvez não seja essa a palavra certa. Tentarei explicar. 
Apesar de ser uma história ótima, Verde Vale tem um enredo onde falta uma "cola" para a continuação da próxima ideia.  Faltam alguns detalhes que deixam a leitura com uma vontade de saber mais sobre o que realmente pensa e vive determinada personagem. Dois exemplos breves: 

- minha personagem preferida é Astrid Sonne. Como filha, ela não tem muito destaque a trama, exceto quando Helmuth se alista e parte para a Guerra do Paraguai. Nesta altura da trama, Klueger apresenta os sentimentos de Astrid, suas angústias, esperanças, a rotina da moça e tudo mais. Porém, abruptamente, não se sabe muito mais sobre ela depois que fica noiva de Helmuth. O casamento é mencionado, o trabalho do marido para conseguir dinheiro para a família; porém, quando os filhos do casal nascem, nem mesmo um nome nos é dado a conhecer, exceto que são felizes e reproduzem como coelhos.
- outro exemplo é o caráter de Lisa: a menina sempre pareceu meiga e prestativa. Depois do casamento ela se mostrou avarenta, assim como seu marido. A filha do casal era mais próxima da avó materna do que dos próprios pais que só pensavam em trabalhar para adquirir mais dinheiro. Como aconteceu a mudança deste caráter é que uma incógnita.

Neste segundo romance, é bem melhor desenvolvido as personagens e a narrativa é melhor enlaçada. Pode-se conhecer os personagens sem ter surpresas em suas atitudes - e isso não torna a narrativa monótona. 

E estas foram as minhas impressões sobre mais esta leitura de Outubro, e mais uma estória que terei prazer de reler em outro momento. 




Verde Vale {Urda Alice Klueger}
Heidi, a menina dos Alpes (1 e 2) {Johanna Spyri}

Vigésima quarta e quinta leituras..

 Olá, anônimo leitor!

Fim de mais duas leituras de Outubro.
Caso, leitor, você tenha esquecido, neste mês de Outubro eu estou relendo livros que li na minha adolescência. Claro, é impossível eu lembrar de toda a literatura que li naquela época, mas aquelas que tenho em casa eu me comprometi a ler. E, caso sobre algum tempinho, eu estarei adicionando outras leitura do gênero (que eu amo ler) nesta lista - Pollyana está no topo dela.

A vigésima quarta leitura foi o livro de Johanna Spyri, Heidi, a menina dos Alpes, da editora Autêntica. Este exemplar é uma republicação da edição antiga que li. Eu poderia ter comprado uma edição usada: sim; porém, eu sou saudosista e queria A Edição que li na tenra idade, como não a encontrei, preferi comprar uma nova edição - bem bonitona - da estória da Heidi.

E, começando pelo livro 1 "Tempo de Viajar e Aprender", eu tive uma surpresa: eu não me lembrava nada da história. Juro! Uma das intensões destas releituras é reviver alguns sentimentos que tais leituras me trouxerem. Eu não lembro de nada deste livro, exceto a nostalgia dos lugares, da paixão por dormir em sótão; lembro que esta narrativa me lembrava a casa dos meus tios na área rural de Joinville... mas eu fiquei pasma por não me lembrar do enredo.

Vamos ao livro: Johanna Spyri escreveu uma Heidi que é um exemplo de pessoa (mesma idade pueril que ela possuía). Todas as virtudes que uma pessoa deve possuir estão em Heidi. Esta protagonista respeita os mais velhos, ajuda os necessitados, não tem atitudes egoístas, sua fala é moderada, questiona com amor... Heidi, como livro, é uma narrativa para educar crianças a serem virtuosas. Na narrativa, também, é ensinado a fé em Deus como pilar para uma vida feliz. 

Um breve resumo deste primeiro livro: Heidi tem cinco anos de idade, é órfã e vive com sua tia (irmã da sua falecida mãe). Depois da morte da avó materna, a menina é encaminhada ao avô paterno que mora nos Alpes suíços. Tal avô atende pela alcunha de Tio dos Alpes e mora de forma isolada do restante do vilarejo. Sua reputação não é das melhores: sempre de mau humor e sem nenhum amigo próximo, o Tio dos Alpes tem apenas um contato próximo com Pedro, o menino-pastor que cuida das cabras do tio e de outras pessoas do lugar. 
A chegada de Heidi muda a rotina deste senhor, mas o seu caráter não corresponde ao que os populares julgam ele ser. 
A neta apaixona-se por tudo o encontra no lugar: a casa, as refeições, os animais e principalmente a natureza que tudo cerca. 
Mesmo vivendo bem, a menina é arrancada desta rotina e transportada para a cidade de Frankfurt e lá conhece outras pessoas e outro modo de viver.


O livro dois {Tempo de usar o que aprendeu} continua a narrativa final do primeiro livro sem interrupção na linha do tempo. Depois de aprender a ler, ter conhecimento da fé cristã e nela viver, Heidi surpreende a todos com seu altruísmo e contagia corações oprimidos.

Enquanto Heidi é um exemplo a ser seguido, Pedro, o menino-pastor, mostra-se completamente diferente: ele sempre quer mais do que os outros, responde à comandos somente sob ameças, é egoísta - seja com a comida, pertences em geral ou pessoas e, também, tem atitudes perversas. 
Apesar de reconhecer alguns erros e buscar por remissão, o caráter de Pedro não muda muito mesmo depois de sua confissão de culpa: ao ser questionado o que gostaria de receber como prêmio pela sua boa atitude, ele quer dinheiro para si. Quando a pergunta é feita para Heidi, a resposta dela é que quer beneficiar outra pessoa que precisa mais, pois, ela, Heidi, tem tudo o que precisa para ser feliz. 

Eu fiquei apaixonada por essas duas leituras - visto que não lembrei de nada que li na primeira vez - e terei prazer em rele-las em outro momento.







5 de outubro de 2019

Vigésima terceira leitura ..


Olá, anônimo leitor!!

Aaahh! Comecei as leituras do mês de Outubro! Neste mês, eu decidi reler algumas leituras que fiz durante a minha adolescência. 

A minha primeira escolha foi Verde Vale, da escritora catarinense Urda Alice Klueger. 

Leitor, antes de continuar a escreve, lhe dou o seguinte conselho: releia os livros da sua infância/adolescência. Esta experiência está sendo fantástica para mim.
Eu lembro muito bem quando precisei contar para a minha turma da sala de aula sobre o livro que li. Como eu estava ansiosa para que todos soubessem que maravilhosa história eu havia lido. Lembro da professora de Língua Portuguesa, Maria Clara, pedindo para alguém começar a contar sobre a leitura que fez - e lá estava eu, tentando de um jeito totalmente sem destreza, contar sobre tudo o que livro me trouxe de maravilhoso.

Verde Vale conta a história da fictícia família Sonne, oriunda da Alemanha e imigrantes no Brasil, mais especificamente na região sul, em Blumenau - onde dizia-se haver terras para todos que quisessem tomá-las, e batatas do tamanho de um braço adulto (o que sabemos ser uma rama de aipim).
A família passa por uma adaptação a nova forma de viver: construindo sua casa, roçando o terreno para o plantio da lavoura, a criação de animais etc.
O desenvolvimento, tanto da família como da Colônia Blumenau é animador, mesmo com as dificuldades que do material escaço.
O nascimento das ruas, das famílias, da economia entre tantas outras bonanças torna o romance desta blumenauense quase um conto de fadas - parece que seria impossível abalar a estrutura familiar e comunitária da Colônia.

Verde Vale também contou sobre a Guerra do Paraguai que levou os alemães a lutar pelo país que adotaram como seu. E a volta dos soldados alemães da guerra trouxe surpresas: o velado preconceito racial vem a tona. Casamento de alemão com brasileira, uma negra mestiça frequentando a escola com alemães "puros" - foram alguns pontos levantados. 

E, durante toda a narrativa tudo parece funcionar bem para próspera família Sonne e seus seis filhos...mas então, uma boa ação do passado volta-se contra este alicerce da sociedade blumenauense. 

Outro ponto que quero deixar registrado são as enchentes de Blumenau. Se você, leitor anônimo, não é catarinense como eu, talvez não saiba (ou talvez sim, dependendo de quanto interesse você tenha por este Estado): mas em Blumenau as enchentes são algo negativo na história desta região. Meu primeiro pensamento quando a família Sonne escolheu esta parte do Estado para morar, foram as enchentes. Em seu livro "Vem, vamos remar", Urda relata sua experiência na grande enchente de 1983. Para quem tem interesse em saber sobre este acontecimento triste na história da cidade de Blumenau, clique neste link. 

Como já escrevi anteriormente, estou adorando passar por essas leituras que contribuíram - agora sei disso - para compor quem eu sou e como sinto o mundo ao meu redor. 

Antes de terminar, eu preciso dizer o quanto sou apaixonada pela história da personagem Astrid Sonne. Durante muito tempo eu fantasiei viver uma vida como a dela! 💓👪

E sobre o final da trama, confesso que fiquei triste. Como disse, tudo parecia um conto de fadas na trajetória da família de Humberto e Eillen Sonne; mas a vida não é essa janta farta que a gente pensa, não é mesmo?

15 de setembro de 2019

Vigésima primeira leitura..


Olá, leitor anônimo!

Fim de mais uma leitura de Norte e Sul! 

Amo esse livro e, desde 2016, eu decidi que em cada Setembro, eu faria uma leitura dele. Eu não posso deixar Mr. Thornton apagar da minha memória! 
Infortunadamente, em 2018 essa prática foi comprometida por meu cérebro esquecido. Deixei meu exemplar na casa da minha mãe... e, como não queria lê-lo fora do mês escolhido, deixei-o para este ano. E para não ocorrer no erro novamente, Norte e Sul fica de modo permanente na estante da minha casa atual. 

Esta foi a quarta leitura desta obra. As datas registradas são essas:

* 02.12 à 14.12.13 - onde meu coração foi completamente entregue à Mr. Thornton!
* 10.09 à 20.09.16
* 07.09 à 19.09.17
e a última
* 30.08 à 13.09.19

Ganhei este exemplar da minha amiga GLN como presente de aniversário. O mais interessante foi que minha amiga entregou o dito presente depois da data e, neste meio tempo, o aniversário dela estava chegando; então, sem eu saber que ganharia Norte e Sul, eu comprei um exemplar igual de Norte e Sul para ela. Foi muito divertido o momento de abrirmos os presentes trocados. Nunca mais obtive sintonia mais fina que esta em um presente! 

E, ao pensar no que escrever nesta publicação, eu observei minha coluna de livros lidos deste ano e constatei o seguinte: os últimos cinco livros contém mulheres que influenciam diretamente na vida dos personagens que as rodeiam: Capitu e Raquel, Lady Barberina e Miss Jessel , Cecília Lisbon e suas irmãs e, claro, Margaret Hale.

Todas essas mulheres possuem um caráter forte e determinado. Mas sou propensa a gostar mais de Margaret.
Eu a percebi mais nesta leitura (na leitura anterior o fator "indústria" foi mais latente para mim). Eu a achei como uma mulher cuidadora dos seus. Primeiro, a prima em Harley Street, depois os pais, na mudança de endereço ela se viu mais envolta em cuidar dos pais - mas por maneiras mais fortes; os membros da família Higgins também tiveram a atenção dedicada dela. Eu adorei conhecer essa Margaret que para não pensar em sua miséria cuida de outros. 
Claro, existe um sofrimento na alma dela motivado por tudo o que se passa ao redor: a mãe doente, o pai apático, a amiga moribunda com o pai desempregado e a irmã tola. Mas ela se envolve porque é isso que lhe dá forças. 
Quando se muda da cidade industrial de Milton, ela não consegue conviver com esse estado de "tranquilidade" pois sabe que não longe dali existem pessoas que precisam de algum amparo e cuidado - coisa que a tia e prima não conseguem compreender. 

Eu gostei de Margaret porque talvez ela tenha uma personalidade de entrega que ainda preciso cultivar em mim: saber que apesar do meu sofrimento é preciso olhar para o próximo. Preciso ter mais Margaret Hale em mim.

Omnia Vanitas 💀 

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Links para outras publicação sobre Norte e Sul, de Elizabeth Gaskell


Os Meninos da Rua Paulo - Prefácio

  Olá, abandonado leitor!  Comecei neste final de semana a leitura de "Os Meninos da Rua Paulo". Ainda não cheguei na página 50, a...