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30 de agosto de 2020

Vigésima Segunda leitura..


 Olá, abandonado leitor !! 
Faz muito tempo que não escrevo neste blog. Eu gosto refletir minhas leituras aqui, mas outros afazeres tiraram meu tempo para esta tarefa.
Porém, semana passada eu fui arrebatada pela leitura de A Mão e a Luva de Machado de Assis e este período de distanciamento foi quebrado. 

Que livro ! Que hisória! 

Eu comecei a ler no dia 21 de agosto (sexta-feira) e domingo (23 de agosto) eu concluí a leitura. Domingo foi o dia chave para completar o término da obra. 
Comecei pela manhã fria e aconchegante sob uma camada de cobertores e apreciada com pedaços de chocolate. 
Geralmente, meu marido e eu combinamos como será  dia: dividimos nosso dia em tarefas individuais e uma segunda parte dedicamos ao convívio de prazer mútuo.
A leitura da manhã estava ótima. O enredo prendia a cada capítulo e tornava impossível interromper a leitura. 
Após o almoço, combinamos que no período da tarde teríamos para nós. 
O período vespertino chegou, minha promessa de pós-almoço vacilava em ser cumprida! 
Somente no final da tarde consegui ir para a sala, e fui exclamando: Meu deus! Que livro ! Que livro !! 
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Entenda a história, leitor:

Guiomar é uma moça órfã que depois da morte prematura da sua prima vai morar com sua tia para lhe servir de consolo.
A beleza de Guiomar arrebatou o coração de Estevão, porém, o coração da dama exigia mais do que um simples elogia a sua formosura.
Um primo seu, Jorge, também querido pela tia, revelou suas intenções de afeto pela moça. Ousou-a pedir em casamento ... mas ainda havia Luís Alves.

A trama gira em torno destes três pretendentes que esperam de Guiomar uma resposta sobre qual será a decisão que ela tomará em relação à escolha do futuro marido.

Guiomar é ambiciosa.  Mas não julgue que seja mau o seu caráter, apenas anceia que sua vontade seja superior ao que lhe obrigam a aceitar. Ela mede cada pretendente conforme sua ambição.
Estevão lhe oferece um amor pueril, Jorge manterá sua fortuna dentro da família e Luís Alves lhe oferece um nome.

Eu adorei Guiomar, mas não desde o início. Ela é uma personagem que precisa ser observada com cuidado para não seja mau interpretada. E acredite, leitor! Você amará Guiomar.
Eu gostei do Machado de Assis "fez" com ela. Trouxe uma mulher com uma determinada sem a carregar de trejeitos romanescos exagerados. Ela sabe o que quer e, mais importante, quer concluir com êxito a sua ambição. 
Ela já está na minha lista de preferidas preferidas e A Mão e Luva em uma releitura desejada.

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17 de novembro de 2019

Trigésima sexta leitura..




Olá, leitor anônimo!

Semana passada eu terminei esta leitura do livro Contos, de Machado de Assis.

Esta leitura não era linear. Eu já expliquei sobre ela nesta publicação.

Todos os contos são muito gostosos de ler. Talvez, alguns, terminem sem que o leitor (eu) saiba o que aconteceu - mas não me preocupo porque nem o escritor-narrador soube explicar. 

Deste conjunto de contos, o meu preferido intitula-se Conto da Escola.  
Pilar - o protagonista narrador - apresenta sua história quando um amigo, filho do professor, lhe pede ajuda (em sala). Toda a algazarra acontece e Pilar resolve tomar satisfações com o amigo .. mas tudo mudou quando a banda passa. 

Pilar me lembrou muito a personalidade marota e divertida de um garotinho que eu amo muito: Nicolas. A ingenuidade e alegria de Pilar me divertiu durante a sua narrativa.

O conto A Cartomante eu achei sensacional. Lembro que cheguei em casa e contei esta história trágica rindo - o que meu marido não entendeu muito. 

O estado de conservação deste exemplar é razoável, mas criei carinho e não pretendo me desfazer dele, por enquanto.

Omnia Vanitas. 💀



13 de agosto de 2019

Décima oitava leitura..


Fantástica!

Leitor, eu não tenho outra palavra para descrever esta leitura! 

A trama de Daphne du Maurier {Minha Prima Raquel} conta a história de dois homens que vivem suas vidas sem fazer questão de ter mulheres por perto. Na herdade que moram, apenas serventes do sexo masculino - muito raramente uma mulher vem auxilia-los em algum trabalho; e, suportam a visita de poucas conhecidas aos domingos. 

A vida destes dois familiares (tio e sobrinho) muda quando o tutor se casa com uma prima que mora em Florença. Para infelicidade do sobrinho, o tio falece por conta de um tumor cerebral (que já havia levado à morte outro membro da família). Em meio aos delírios (?), o tio envia cartas para o tutelado avisando sobre a caráter da sua esposa: a prima Raquel.

Para surpresa de todos, a viúva de Ambrósio chega a Inglaterra para devolver os pertences do falecido marido ao sobrinho. E, o que seria uma visita de três dias tornou-se uma permanência de um pouco mais de dez meses.

Durante sua estadia, o caráter de Raquel divide todos os personagens, sendo o principal deles Philip, sobrinho de Ambrósio e seu único herdeiro. 

A narrativa é feita a partir das memórias de Philip. Tudo o que compete sobre Raquel é do ponto de vista dele e o que ele dela entende através de outros. 
Imaturo, impulsivo e despreparado, Philip vive sentimentos que nunca havia experimentado em sua vida de misoginia: como agir e o que sentir perante uma mulher desconhecida, apaixonante e misteriosa o leva à beira da loucura e do êxtase. 

E, mesmo sabendo o quão tolo é o rapaz, o caráter de Raquel é totalmente desconhecido - apesar de eu apostar que apenas os gastos excessivos que citam sobre ela é verdade: mesmo sem provas concretas. 

Tudo em Raquel é dúbio - pelo menos é o que se vê através dos olhos de Philip. 

Eu já havia feito uma publicação sobre o quão semelhante é esta leitura de Dom Casmurro. 

- Dois homens apaixonados por mulheres que não controlam
- Ambos têm sentimentos divergentes pela amada
- Bentinho e Philip são imaturos
- Ambos não têm a presença paterna ao lado e são apegados ao lar
- Assim como Bentinho, Philip duvida da mulher amada e se sente traído quando outros homens conversam com ela.
- O final de ambos é muito semelhante.

E, por achar o livro de Machado de Assis e Daphne du Maurier com narradores-personagem tão semelhantes,  eu escolhi ler Dom Casmurro antes de começar a primeira (de muitas) leitura deste maravilhoso livro de Maurier.

Uma trama simples, envolvente e cheia de mistérios. Eu devorei cada página! 

22 de julho de 2019

Leitura extra..



Olá, Leitor!

Hoje, pela manhã, eu estava procurando alguns livros no sebo para colocar a venda. Encontrei, para minha felicidade, um livro pequeno de contos do Machado de Assis. Apaixonei-me!

Deixei-o separado na prateleira de encomendas para ler um conto por dia; afinal, são contos curtos e posso ler um por dia de trabalho. Na verdade, já li dois: Carolina e Conto de Escola.
O livro é composto de dez contos em 115 páginas. Trata-se da edição Série Bom Livro, da editora Ática, publicado em 1974.

Pretendo não me apegar mais do que o necessário.

Boas leituras, leitor anônimo!

Omnia Vanitas 💀

18 de abril de 2019

Pedido ..


Bom dia, afortunado leitor!

Nesta manhã eu fiz uma comprinha básica de livros.

Os suspeitos de sempre listam os itens dessa compra.

- Machado de Assis: nunca é de mais ter um Machado na estante.

- Daphne Du Maurier é um desejo antigo. Eu já assisti ao filme homônimo e adorei; e minha mãe precisa conhecer essa história!

- Eça de Queiroz se tornou meu queridinho. Chegou no Sebo duas obras dele (que já estão na minha estante): - As Cidades e a Serra e - A Correspondência de Fradique Mendes. Logo, a minha primeira escolha foi uma sequência para Fradique Mendes e a outra Alves e Cia achei interessante a sinopse.

Agora a minha lista de Livros não Lidos soma 225. Já a lista de Livros Lidos atinge a soma de 219.


Omnia Vanitas. 💀

4 de agosto de 2018

Leitura Doze..



Publicado em 27maio18 no Sapo.pt

Olá, esquecido leitor!

Sinto muito pela ausência durante estes dias (semanas); mas eu não estava com ânimo para escrever (e nem ler). 
Explicações à parte, terminei a leitura de "Papéis Avulsos" de Machado de Assis. Eu gosto muito de ler Machado, mas nesta leitura eu não consegui me entregar por inteiro então, minha interpretação ficou comprometida. 

"Papéis Avulsos" é um livro de contos; e, no seu prefácio, Machado de Assis escreve o seguinte:
 "Avulsos são eles mas não vieram aqui como passageiros que acertam de entrar na mesma hospedaria. São pessoas de uma só família que a obrigação do pão fez sentar à mesma mesa".

O primeiro conto é o famoso "O Alienista". A sequência de contos é uma trama de pessoas loucas. Enquanto eu lia, eu me sentia Simão Bacamarte - com vontade de colocar todos no hospício.Sinto muto não escrever mais sobre o livro, eu realmente não estava sintonizada com a leitura. 


Rachel e Capitu





Publicado em 08maio18 no Sapo.pt

Olá, leitor anônimo!

Ontem à noite, enquanto eu fazia meus trabalhos domésticos, meu marido tentava me convencer à assistir algum filme. Nada do que eu ouvia me convenceu a sentar no sofá. Ele desistiu e, ao olhar para o aparelho de televisão eu vi a capa de um filme "Minha Prima Raquel". Gritei minha descoberta mas não houve parceria por mais de dez minutos - segunda-feira é um dia agitado na casa dos "do Cabo Ferreira".
Entre louça lavada, roupa na máquina, cachorro correndo.. eu assisti ao filme. Eu comecei a assistir apenas para decidir se eu deveria ou não comprar o livro. 

A tal prima Raquel é viúva do tutor de Phillip. Após o falecimento do tutor, Phillip vai ao encontro da sua prima para desmascará-la e culpá-la pela morte do marido.
Pobre Phillip. Apaixonou-se euforicamente por Raquel. Deu-lhe sua herança, as jóias da família e lhe creditou todo o amor que poderia ter em seu jovem coração. Porém, a prima não respondeu ao mesmo amor. Ele perdeu a razão sobre tudo ao redor.
Eu não contarei o desfecho do filme e anseio pela leitura desta obra de Daphne du Maurier.
O filme trouxe à minha lembrança uma obra clássica de Machado de Assis: Dom Casmurro.
Todo o ciúmes de Bentinho, suas acusações contra Capitu .. A narrativa deixa o leitor em dúvida sobre o caráter da esposa de Bentinho. Ainda é um mistério para os leitores a fidelidade de Capitu ao ciumento marido.
O mesmo eu senti sobre Raquel. Tudo nela pareceu ambiguo. O ciúmes, as dúvidas, as acusações.. Bentinho está para Phillip com Capitu está para Raquel.

6 de novembro de 2016

A Lista de Adelita


Voltei!

E estou com uma dúvida cruelíssima! Que livros ler em 2017?

No ano que vem, eu me comprometi a ler todos os livros que eu já li (e tenho); ou seja, 2017 será um ano de releituras. Será maravilhoso poder ler os livros que me encantaram .. mas, QUE LIVROS DEVO ESCOLHER??

Vou ler Maugham: mas que livros de Maugham devo ler? Amo todos que li: O Véu Pintado, O Fio da Navalha, Ah King, Histórias dos Mares do Sul ..nossa! Tudo de Maugham eu amo!

E Stephen King? Meu primeiro livro foi O Cemitério, adorei Desespero, Cujo, O Iluminado, A Coisa, Misery .. tudo!

E Tolkien? O Hobbit, Silmarillion ou a trilogia do Anel? Todos? E Contos Inacabados, Mestre Gil de Ham, Roverandom..??

E as irmãs Brontë? E Jane Austen?

E ainda tem Dostoièvski, Melville, e ainda tem a literatura brasileira: Machado de Assis, José de Alencar, Rachel de Queirós, Aluísio Azevedo e .. e.. tantos livros e apenas 365 dias. Que injusto! Que cruel!

Sem contar que não posso deixar minhas leituras em francês paradas para não retroceder .. então, ou releio tudo o que li em francês ou terei problemas em mantes o vocabulário que aprendi até agora!

A vida é cruel com leitores compulsivos e ansiosos!

Omnia Vanitas!

3 de agosto de 2016

Reinveções do Quixote..


Assim como a maioria dos clássicos, Dom Quixote de La Mancha foi reescrito em diversas adaptações e reinvenções, como escreveu o autor deste artigo Reynaldo Damazio.
O artigo é bem simples pois comenta as referências literárias que tiveram Cervantes como ponte para sua concepção. 
Eu acho cansativo fazer um resumo do resumo de cada uma, então, apenas deixarei algumas poucas palavras que podem ligar a obra do espanhol àquela que criada à partir dela.

Vamos lá, dinâmico leitor, àquelas obras que foram inspiradas pelo obra máxima de Miguel de Cervantes y Saavedra.

Damazio começa citando o escritor francês Gustave Flaubert e sua Madame Bovary: "mulher sonhadora e perturbada por uma visão livresca, idealizadora, do mundo". Além disso, um amante lhe sonda as saias já que percebe que seu casamento é monótono. Delirante leitor, imagine o "estrago" que este francês causou quando o livro foi publicado.

Próximo: Charles Dickens bebeu da fonte quixotesca e criou o seu clássico As Aventuras do Sr. Pickwick. Há muito tempo que quero ter esse livro na minha biblioteca, ansioso leitor, mas o que me impede de comprá-lo é o fato de encontrar somente as edições da Abril que são impressas com letras miseravelmente pequenas para uma leitura anciã. Veja só, preocupado leitor, quando eu for uma senhorinha de 80 anos, pretendo continuar sendo uma leitora ativa. Portanto, se hoje eu comprar livros com letras minúsculas, que trabalho enorme terei no futuro! Cautela, jovem leitor! 
Voltando ao senhor Pickwick, só o nome já dá sinais de divertimento - pelo menos à mim. Damazio liga o espanhol ao inglês com a seguinte explicação: "um grupo se reúne para realizar uma pretensa investivação científica dos costumes e das relações humanas na capital inglesa".

Se o assunto é reinvenção, o russo Dostka não pode ficar de fora da festa. Fiódor Dostoiévski retratou o Cavaleiro da Triste Figura através do seu O Idiota. Já fiz publicações aqui. Acrescento Damazio:

"Dostoiévski enfrentou com brilhantismo incomum temas cruciais que preparam a mentalidade do mundo contemporâneo, como o misticismo e  o materialismo, o nacionalismo e o universalismo, as paixões e a razão, a barbárie e o senso de humanidade no terreno movediço da literatura, fazendo do ficcional o instrumento de reflexão sobre as angústias mais profundas do homem".
Damazio ainda cita o livro de Nikolai Gógol Almas Mortas e o livro de Rudolf Erich Raspe com Gottfired August Bürger intitulado As Aventuras do Barão de Münchhausen. 
A minha ignorância não permite comentar sobre estas duas reinvenções. Perdoe-me, culto leitor.

O Brasil não deixou de beber desta fonte cervantina. E, não que me "gambar" - como diria uma amiga - mas antes de eu ler este artigo, eu já reconhecera Dom Quixote na obra de Machado de Assis Quincas Borba e na obra de Lima Barreto O Triste Fim de Policarpo Quaresma. Ai, sou tão inteligente! 

Rubião é o personagem de Machado de Assis que recebeu uma herança de seu amigo Quincas Borba. Eu achei hilário o fato de o dono ter colocado o próprio nome no cachorro. Fantástico. E, após a morte do filósofo (dono do cão), o bichano vai junto com a herança deixada à Rubião. O cômico é que muitas vezes Rubião olhava para o cachorro e não sabia se era animal que lhe olhava ou amigo falecido. E, do mesmo modo que Dom Quixote provocou em mim uma fúria pelo mau tratamento que recebia de seus amigos, Rubião também despertou esta carisma em mim. Coisa de leitor.

Na obra de Lima Barreto é muito fácil identificar Dom Quixote: o personagem promove a volta da língua materna do Brasil - antes que os portugueses viessem impor a cultura aos nativos das terras de cá. Sim, ele desejava a volta da língua indígena na cultura brasileira colonizada. E o fim de Policarpo Quaresmo, como título da obra já declara, é triste - assim como Dom Quixote. A realidade volta à razão do protagonista e o devora a sua tolice.

Segundo Damazio, outros escritores brasileiros beberam de Miguel de Cervantes: José de Alencar, Aluísio Azevedo, Coelho Neto, José Lins do Rego, Fernando Sabino. Os estrangeiros do nosso continente como  Jorge Luis Borges Pierre Menard, autor de Dom Quixote, e Italo Calvino O Cavaleiro Inexistente.

A primeira vez que li Dom Quixote foi na versão infantil que foi adaptada por Monteiro Lobato no seu Dom Quixote para Crianças - com a participação da turma do Sítio do Pica-Pau Amarelo (saudades!). Emília encontra um exemplar nas coisas da Dona Benta e, ao final da história, ela clama em plenos pulmões o que eu também tenho em meu coração de leitora:

- Morreu, nada! - dizia ela. - Como morreu, se D. Quixote é imortal?


Omnia Vanitas.


DAMAZIO, Reynaldo. Reinvenções de Quixote; página 78 à 83. Revista Entre Livros: EntreClássicos Cervantes nº 3: Ediouro.


16 de março de 2016

Machadão ..


Ocupado leitor, estou eu lendo um livro de Stephen King chamado A Hora do Vampiro*, quando uma citação sobre uma mãe leitora de Jane Austen chama minha atenção. Achei divertido e iria postar o trecho sinalizador do gosto literário em comum com a personagem, porém, em alguns parágrafos depois, eu me deparei com uma frase que chamou minha atenção. Continuo...

Se você, leitor tupiniquim, gosta de Machado de Assis, deve estar familiarizado com trechos virais como: Olhos de cigana oblíqua e dissimulada.. ou Ao vencedor, as batatas!
Então, estou eu lendo Stephen King no conforto do meu lar quando uma frase muito Machadiana pulula na minha frente! Ei-la:

"A criança é o pai do homem". 

Isso é muitíssimo Machado de Assis. É uma citação clássica (e viral) de Memórias Póstumas de Brás Cubas - recomendo.
Então, eu, aqui comigo, pensei: será que Stephen King leu Machado de Assis? Pode ser, porque não? 
Fucei um pouco a net para saber se a frase é de autoria extra-machadiana. Nada encontrei. Prefiro achar que Memórias Póstumas de Brás Cubas já passou nas mãos do senhor King.

Para não perder a ida à net, eu achei esse trecho interessante que dispõe um pouco desta máxima filosófica de Machado de Assis. 

Segue..
O menino é pai do homem. Esta afirmação que está em um livro de Machado de Assis, é repleta de verdades.  Sim, o menino é pai do homem que será, o homem é filho dos sonhos pretéritos e perspectivas do menino. 
Quem quando criança, já não tinha decidido para todo o sempre, (sempre que poderia durar uma hora) qual seria sua profissão, se iria casar, quantos filhos teria, onde moraria? Queríamos ser bombeiros, astronautas, atores ou iguais ao pai ou a mãe ou outra pessoa, porque encontramos neles modelos de perfeição... E estes desejos sempre são voltados para o bem.
Certo é, que muitas dessas decisões que são levadas tão à sério acabam sendo mudadas, senão pelas circunstâncias ao longo da vida, que às vezes podam nossos sonhos ou porque optamos por caminhos diferentes, porém o menino permanece. 
Permanece, porque é nele que vamos encontrar lembranças, forças para realizar um antigo desejo, para contar estórias e histórias aos filhos, que sempre começam com "quando eu era criança...".
Se quando crianças nos espelhamos principalmente em nossos pais, aí está um bom motivo para ressaltar a importância dessa pessoa que pode ajudar a ditar o rumo da vida de alguém: o pai.
Deus, também como Pai, deu aos homens o que representa toda sua divindade, o firmamento de sua criação: gerar filhos.
Ter filhos, não é só ter descendentes que perpetuarão pelo mundo suas características genéticas, seu nome, sua tradição. Ter filhos é divino, um presente de Pai para pai, é uma missão de continuidade. Os filhos são presentes de Deus. E um presente deve ser preservado com muito cuidado, o presenteado deve ter aquele olhar de menino, de saber que ele conduzirá o percurso daquele ser que lhe foi confiado.
Aos pais cabem honrar a extensão da criação divina, para que seus filhos possam lhes dar a certeza de que foram dignos da missão. Aos filhos, cabem retribuir aos pais, tudo de bom que lhes foi dedicado e estender aos descendentes, os atos bons de seus pais e corrigir as falhas.
Citei Machado de Assis acima, e agora cito novamente, com uma frase de sua autoria que ficou muito conhecida: "Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria". Que não seja assim, pois ter filhos, é transmitir o legado da essência de Deus.
Omnia Vanitas.

*Salem's Lot

9 de julho de 2015

Literatura Brasileira..



Estava eu indo para o trabalho, de zarco, lendo, ouvindo meu rock preferido, quando uma citação de Mansfield Park (sim, aguente, leitor, é minha leitura atual) chamou minha atenção.

Henry Crawford estava conversando com Edmund Bertram sobre literatura. A leitura de H.C. havia feito era de Shakespeare, Henrique VIII. E, durante a conversa dos jovens, com o intuito de impressionar a distraída ouvinte, Fanny Price, os meninos divagavam sobre como a literatura está envolvida no meio social. Segue:

(...) Mas a gente fica conhecendo Shakespeare não se sabe como. É uma parte da constituição inglesa. Seus pensamentos e encantos estão tão espalhados por todo o mundo que o encontramos em toda a parte; fica-se íntimo dele por instinto. Nenhum homem de alguma inteligência é capaz de abrir uma boa parte de uma de suas peças sem lhe cair imediatamente no fluxo dos pensamentos.
— Não há dúvida que Shakespeare nos é familiar até certo ponto, disse Edmund, desde a
primeira infância. As passagens célebres são repetidas por todo o mundo; estão na maior parte dos livros que lemos e nós todos falamos com Shakespeare, usamos suas imagens, descrevemos com as suas descrições; mas isto é inteiramente diverso de lhe dar o sentido que você dá. Conhecê-lo por este ou aquele trecho é muito comum; conhecê-lo mesmo por todas as suas obras, não é, talvez, pouco comum (...).

E, então, eu senti um "pesar" literário de conhecer Shakespeare somente na minha juventude, quando estava perto dos meus dezoito anos, na leitura de um livro que emprestei na Biblioteca Pública da cidade. E, lembrei, também, de um colega que  tive que leu O Senhor dos Anéis (J.R.R. Tolkien) na época do Ensino Médio (se é que isso existe lá na Bélgica). E, eu fui ler O Hobbit quando já passava dos vinte e poucos...

 E, neste devaneio eu pensei que os escritores brasileiros eu fui conhecer também neste período. E que tempo maravilhoso foi quando os conheci. Aprendi a gostar de Machado de Assis, José de Alencar, Aluízo (de) Azevedo, Rachel de Queiróz, Graciliano Ramos (chorei muito com a morte da cachorra Baleia)...

Eu não deprecio o fato de lermos escritores estrangeiros, mas parece que a cultura atual não valoriza os nossos escritores brasileiros. Torce-se o nariz para os clássicos e os contemporâneos devem, perdoe-me se estou errada, seguir a moda estrangeira para agradar os neo-leitores. 
Eu adorei ler Dom Casmurro (Machado de Assis); as três mulheres de José de Alencar: Lucíola, Emília (Diva) e Aurélia (Senhora). Li Rachel de Queiróz com entusiasmo, e descobri que amo Aluízio (de) Azevedo ao ler O Cortiço e, meu deus, eu amei ler O Mulato (que leitura surpreendente).

Temos tantas boas joias literárias no nosso país (exceto por Paulo Coelho -  rs) que não devíamos menosprezar esses talentos que compõem a Academia Brasileira de Letras de maneira impecável - exceto por Paulo Coelho.

Ensinem as pessoas a gostarem, a lerem mais literatura brasileira. É maravilhoso!

Omania Vanitas.

Os Meninos da Rua Paulo - Prefácio

  Olá, abandonado leitor!  Comecei neste final de semana a leitura de "Os Meninos da Rua Paulo". Ainda não cheguei na página 50, a...