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5 de maio de 2020

Releitura de "As Viagens de Gulliver"..



Olá, anônimo leitor!

Estou na segunda leitura deste livro do Swift, depois de mais de oito de distância da primeira. E é um novo olhar por dois motivos.

Primeiro, faz muito tempo desde a primeira leitura, todas as particularidades foram esquecidas conforme outras leituras foram feitas depois desta. 

Segundo motivo foi que desta vez eu decidi incluir as notas explicativas na leitura.
Este exemplar é da Nova Cultural (2003) com tradução e notas de Therezinha Monteiro Deutsch. Ela, também, traduziu pela editora Best Bolso os livro Emma e Razão e Sensilidade de Jane Austen - ambos indicados pela Raquel Sallaberry Brião no seu site Jane Austen em Português como as entre as melhores traduções das obras da escritora inglesa.

Faz pouco tempo que comecei a cuidar das traduções que tenho na minha estante. Algumas edições eu tenho a oportunidade de trocar, mas em sua maioria fico à mercê do que tenho em mãos.
A primeira vez que notei uma tradução diferente foi no livro Persuasão da própria Jane Austen. Vou deixar o link aqui para não me alongar na explicação.
Para outras obras, eu uso as publicações do blog Não Gosto de Plágio da Denise Bottman.
Sendo assim, mais confiante na tradução e nota de Deutsch, eu faço desta segunda leitura de As Viagens de Gulliver uma aventura mais real da história. 

 As notas sobre o texto enriquecem muito a leitura. As observações permitem que o leitor encontre os motivos que levaram àquele trecho ou algumas possíveis ideias de estudiosos de Swift para que esta ou aquela frase estivesse ali. Estar na cabeça e na história que o escritor viveu ao escrever torna a leitura muito mais rica e completa e permite ao leitor rir da sátira que é As Viagens de Gulliver
Para não deixar você, leitor anônimo, sem um exemplo, deixarei dois para lhe dar uma luz sobre o que escrevi.

"(...) Diverti-me, entre outras coisas, como dançarinos na corda-bamba¹, que se apresentavam sobre um fino fio branco esticado a cera de um metro e meio do solo. Peço licença, e paciência ao leitor para me alonga um pouco a este respeito.
Esta diversão é praticada apenas pelas pessoas que são candidatas a altos cargos e altos favores na corte. São treinadas nesta arte desde bem pequenas e nem sempre são de nascimento nobre ou têm educação liberal. Quando um alto cargo fica vago, por morte ou queda em desgraça (o que acontece muito), cinco ou seis desses candidatos apresentam petições para divertir Sua Majestade e a corte com a dança na corda-bamba; então, aquele que saltar mais alto sem cair ganha o cargo". (página 62-3)
 (...)
"Mandei tantas cartas e petições para minha liberdade que por fim Sua Majestade mencionou o assunto no gabinete e, depois, numa reunião do Conselho, ninguém e opôs, a ser Skyresh Bolgolam², que resolveu, sem nenhum motivo, ser meu inimigo mortal". (página 67).

Notas:

(1):  dançarinos em corda-bamba: exibição preferida ente os divertimentos populares no período. Para avaliar o significado satírico, confrontar com a observação de Swift num panfleto religioso (1709): "Leve-se em conta que andar na corda-bamba é o único talento requerido por um ato do Parlamento para transformar um homem em bispo; não se duvide de que depois de ter feito esta demonstração de atividade, de estar em forma, esse homem poderia sentar-se na Câmara dos Lordes...mas é preciso ser pouco cristão para acreditar que esse funâmbulo depois disso tornara-se um tiquinho ais bispo do que antes..." prose, ii, 75; E.W. Rosenheim, PQ, xxxi, 1952, 209).

(2): Skyresh Bolgolam: "Estilo 'im Mar'boro'" (Clark, pp 604-5, i.é,; o duque de Marlborough, a quem Swift atacara várias vezes (principalmente no Examiner, 23 de novembro de 1710) como chefe representativo da polícia-de-guerra dos whigs*. Firth (p.242) identifica Bolgolam como o conde de Nottingham, que usou sua iinflência para impedir que Swift conseguisse um bispado. Se bem qu não fosse um almirante, Nottingham fora Primeiro Lode do Almirantado (1680-4), e se bem que totalmente ignorante em conhecimentos marítimos, sempre se vangloria de ser um perito naval. Case (p.72), que relata a carreira de Gulliver em Liliput não em relação à biografia de Swift, mas sim em referência à sorte política de Oxford e Bolingbroke, aceita esta identificação pelo fato de que Nottingham era hostil a Oxford "sem que tivesse havido nenhuma provocação", a ser o fato de Oxford (então Harley) tê-lo sucedido no cargo (1704).

*whigs: Whig é uma expressão de origem popular que se tornou termo corrente para designar o partido liberal no Reino, e contrapunha-se ao Tory, de linha conservadora.

Eu ainda estava procurando algumas informações sobre a tradutora quando achei dois trabalhos que serão um ótimo suporte para esta leitura, segue os links abaixo;

- Autor: Leonardo José César de Mattos Guerra. Título: Viagens de Gulliver: recepção (história) e interpretação (crítica)

- Autor: Evaldo Gondim dos Santos. Título: Tradução e ironia: o cientificismo iluminista em Gulliver’s Travels vs. (As) Viagens de Gulliver

Então é isso, leitor!

Omnia Vanitas. 💀


3 de agosto de 2019

Marcas de um livro..

Olá, leitor!

Alguns livros são como marcas em nossa vida: seja pela história que trouxeram consigo ou marcas que fizeram naquele momento. E, sem querer, Persuasão tornou-se um livro com marcas muito singulares na minha vida.

Esta semana, na conta do meu Instagram, eu fiz a leitura da carta do Capitão Wentworth para Anne Elliot. 

Ontem, meu marido de presenteou uma nova edição do livro Persuasão de Jane Austen. (foto acima).

E, então, comecei a pensar nas leituras que já fiz deste livro e, todas as vezes, aconteceram situações únicas na minha vida. 
Se for paciente, continue lendo.

A primeira e segunda leituras aconteceram no ano de 2012:

- XXIII.II.MMXII à XXIII.II.MMXII

Eu ganhei esse livro da minha amiga GLN no Natal anterior. Em Fevereiro de dois mil e doze, eu precisei fazer uma cirurgia de apêndice. Tudo foi muito rápido: passei mal durante a madrugada de quinta-feira; sexta-feira fui internada e no domingo eu fui para a mesa cirurgia. E, graças a Deus, a recuperação foi um sucesso. 
Lembro-me que na sexta-feira, depois de a médica dar o diagnóstico, ela me pediu para trocar de roupa e levar o básico para irmos ao hospital. E, junto com meus documentos pessoais, celular e tals, eu peguei a leitura daquele momento: Persuasão (da editora Martin Claret).
Uma passagem marcante daquela leitura foi a seguinte frase: 
"Um quarto de doente muitas vezes pode valer tanto quanto muitos livros". (livro 2 capítulo 5)*
No final do ano de 2012, eu fiquei com vontade de reler o livro - pois na primeira leitura eu estava imersa nos livros de Alexandre Dumas (a trilogia Os Três Mosqueteiros) que percebi que havia perdido uma ótima leitura.

- XIX.XII.MMXII à XXX.XII.MMXII

Nesta época do ano, meu irmão vem visitar meus pais. Ele havia começado a tatuar novamente, e fizemos um arranjo financeiro que resultou na minha tatuagem no braço esquerdo. Eu escolhi tatuar lírios - pois uma das capas do livro Persuasão tem como imagem alguns lírios. E assim foi.


Passou poucos anos para eu voltar a ler este livro póstumo de Jane Austen.  E a época também teve um significado marcante:

- XVII.IV.MMXV à II.V.MMXV

Foi nesta terceira leitura que eu conheci meu marido. Lembro que eu tirei uma foto minha lendo o livro - e ele diz que é a foto preferida que ele tem de mim. 💖
Lembro, também, que ele assistiu ao filme Persuasão, estrelado pela Sally Hawkins como Anne Elliot, e o Capitão Wentworth foi o papel de Rupert Perry-Jones (o primeiro personagem masculino que é loiro) somente para saber sobre o que eu estava lendo.
Nossos planos de casamento aconteceram rápido e Persuasão ficou com marca tão significativa que o modelo de convite de casamento foi impresso com a seguinte frase:
"Não somos tão jovens a ponto de nos irritar por uma bobagem, enganar pelos acasos de qualquer instante e a ponto de brincar descuidadamente como nossa própria felicidade"**
A última leitura foi quando já estávamos morando longe do Sebo.

- XXII.IX.MMXVII à XXIX.IXX.MMXVII

Foi nesse ano que mudamos de apertamento pela terceira vez. Eu sempre brinco com ele que para cada ano de casamento teremos um apartamento novo. E, estamos caminhando para o quarto ano de casados e morando no quarto apartamento diferente! E eu tenho uma nova edição de Persuasão!









* Eu estava lendo a edição da Martin Claret, mas a citação nesta postagem é da editora Zahar. Mais informações neste link.

** Como mencionado, a edição da MC tem alguns equívocos de tradução, a frase no convite de casamento era esta:
"Não somos crianças para nos irritarmos caprichosamente ou sermos iludidos pelos equívocos do momento, brincando levianamente com a nossa própria felicidade.”



9 de junho de 2019

Décima Quarta leitura ..


Olá, leitor anônimo!!

Em um dia, duas publicações. Isso que dá deixar acumular postagens! Vamos lá! 

Minha décima quarta leitura foi uma surpresa muitíssimo agradável! Trata-se da obra de Júlio Diniz "As Pupilas do Senhor Reitor". 

Este meu exemplar é um xuxuzinho lindo! Publicado em 1923, 24ª edição, publicado em Lisboa pela editora J. Rodrigues & C.ª; e, tem aquelas páginas amarelas que eu amo e a fonte da letra é perfeita (nem muito pequena, nem muito grande). Uma das coisas que me encanta na escrita clássica (e, principalmente, na portuguesa) é o uso da mesóclise. Adoro! Sou apaixonada por um "vê-lo-ei", "amar-te-ia" .. são deliciosos de ler! 
Este livro não é todo estranho para mim pois eu já assisti alguns capítulos - há muitíssimo tempo atrás, a novela homônima que foi produzida pelo Sistema Brasileiro de Televisão - SBT (de 6 de dezembro de 1994 até 08 de julho de 1995 - obrigada Google!). 

Nesta obra, a primeira que leio deste autor*, duas irmãs são as protagonistas da trama. Margarida e Clara. Duas órfãs, meia-irmãs, que são tuteladas de reitor da aldeia. 
O caráter das irmãs me lembrou muito outras duas meia-irmãs: Elinor e Marianne Dashwood. Sendo a primeira (de ambas as histórias) a mais sensata e a mais nova a mais afetiva de ambas. 

Ao par destas duas moças, Margarida e Clara, estão seus amantes: Pedro e Daniel. E eu gostei de Pedro desde a primeira descrição. Ele não é muito explorado na obra, exceto quando é preciso se referi-lo como noivo de Clara, irmão de Daniel e filho mais de velho de José das Dornas. O trio principal, para mim, é Margarida, Daniel e Clara.
Por se tratar de uma "crônica da aldeia" os personagens são bem simplórios - mas muito divertidos.
Eu gosto muito de romances interioranos; é um charme que não consigo explicar. 

A trama principal se inicia quando Daniel volta do Porto para clinicar na aldeia onde moram seu pai e seu irmão (a única família que ele tem no local - fora aqueles que moram na "cidade").  Como foi para o Porto ainda menino, Daniel adquiriu os modos e a malícia da sociedade que viveu. Ao chegar na terra madre, esqueceu-se que por lá vive-se de outro jeito e, primordialmente, esqueceu-se de cuidar para que boa fama das moças fosse resguardada dos seus modos "mundanos". Muita confusão ele causa para as duas irmãs e para o reitor, em consequência. 

Apesar de simples, a trama envolve de uma maneira muito atraente; o que tornou a minha leitura rápida sem que eu percebesse isso acontecer. 

Lá no Skoob este livro ficou classificado com cinco estrelas e favoritado. Sem dúvidas, farei outra releitura da obra.













*Júlio Dinis é o pseudônimo de Joaquim Guilherme Gomes Coelho

25 de agosto de 2018

Maratona ..


Olá, anônimo leitor! 

Semana passada meu marido precisou viajar à trabalho. E, desde que esta notícia chegou ao meu conhecimento, eu programei fazer "maldades" na ausência dele.

A minha "maldade" consistiu em assistir as minisséries baseadas nos livros de Jane Austen, Charlote Brontë e Elizabeth Gaskell.

Já tinha muito tempo que eu não assistia essas produções por respeito às obras originais porque sou uma pessoa um pouco confusa: misturo os livros com as minisséries e me perco ao contar as histórias.

Primeiramente, assisti Jane Eyre. Depois Orgulho e Preconceito, Emma, Miss Austen Regrets*, Razão e Sensibilidade. E, para terminar, Cranford.

E a cada capítulo, eu tinha vontade de pegar o livro e ler a história de uma só vez! Infelizmente, por falta de espaço em casa, estes livros estão na casa da minha mãe e, também, eu não abandonaria a leitura da época {À Espera de Um Milagre, Stephen King}.

Foi muito boa esta experiência extra-livro; e, por mais que eu ame Razão e Sensibilidade, eu descobri que tenho um carinho por Emma - e pelo senhor Knightley. 

Com a chegada de Setembro, chega a época de eu ler meu querido Norte e Sul, de Elizabeth Gaskell - motivo pelo qual eu não quis assistir à minissérie.

É isso aí, leitor! 
Termino esta publicação recomendando cada livro - todos valem muito a leitura! 

Omnia Vanitas 💀

* Miss Austen Regrets não é baseado em um livro, mas eu assisti, também, durante a maratona. 



15 de abril de 2018

Leitura dez..


Olá, anônimo leitor!

Hoje, eu terminei a leitura de O clube de leitura de Jane Austen, da Karen Joy Fowler. 

Este era um livro que eu ansiei muito para que houvesse a publicação em PT. E, para celebrar com graça, foi um presente do meu marido - sem motivo algum, segundo ele, apenas porque eu merecia ganhar este livro. Que lindo! 💘

Eu já havia assistido o filme homônimo algumas vezes e o livro me deu a mesma sensação gostosa de leitura quanto o filme. 

Um clube de leitura com seis participantes; um livro da Jane Austen por mês. A vida dos personagens se cruzam com a leitura com seus enredos particulares; cada um com suas convicções, planos, sociedade - é um grupo diferenciado que durante a leitura eu me perguntei como podem conviver em amizade. E, de todos os personagens, Bernadette é quem tem as melhores histórias. 

Eu recomendo a leitura - muito fácil, ainda mais se você já conhece os seis livros de Jane Austen que permeiam esta trama. É uma leitura leve e gostosa que parece chuva com chocolate quente embaixo do cobertor. 



28 de março de 2018

Novela ..

Nathalia Dill é Elisabeta Benedito em Orgulho e Paixão

Olá, noveleiro leitor! 

Eu estou achando fantástica a adaptação das obras (principais) de Jane Austen. Orgulho e Paixão é a novela das dezoito horas da emissora Rede Globo.  

Elisabeta Benedito e Darcy Williamson são personagens inspirados em Elizabeth Bennet e Fitzwilliam Darcy, respectivamente (Orgulho e Preconceito).

As irmãs da família Benedito são um misto de personagens de outros romances:

Jane - Jane Bennet: Orgulho e Preconceito
Cecília - Catherine Morland: A Abadia de Northanger
Lídia - Lídia Bennet: Orgulho e Preconceito
Mariana - Marianne Dashwood: Razão e Sentimento
Alison Steadman, Mrs Bennet, 1995.

E a mãe histérica? Ela está na trama, também; chama-se Ofélia* e é interpretada por Vera Holtz. Mas, Mrs. Bennet sempre terá a atriz Alison Steadman como o suprassumo da perfeição! É a voz dela que ouço todas as vezes que leio Orgulho e Preconceito.


A trama Global ainda apresenta Ema (Emma Woodhouse, do romance Emma); Coronel Brandão (Coronel Brandon, Razão e Sentimento); Susana (Susan, Lady Susan); Camilo Bittencourt (Mr. Bingley, Orgulho e Preconceito) etc. Todos as personagens boazinhas e vilãs (que falta faz a tia Norris!) podem ser encontradas neste link; e para saber quem é quem nos livros da senhorita Austen, basta ler - ou assistir aos filmes/minisséries.

Apesar de todos terem um pouco de Austen, a interpretação de Nathalia Dill para sua Elisabeta tem me arrebatado! Ela consegue atuar mostrando uma Eliza muito coerente com a personagem de Austen. E, outra coisa que eu gostei foram as cores das roupas de Dill; são lindas - sempre com uma cor vermelha para destacar o espírito penetrante da personagem. Eu estou adorando esta versão da sagaz Lizi Bennet. E Mr. Darcy? Thiago Lacerda é perfeito para o arrebatador Darcy!!! Os sorrisos ... aaahhh !!! 

Estou apaixonada por tudo nesta novela, incluindo a fotografia - perfeita! 

Recomendo os romances de Austen e a novela Orgulho e Paixão!

Elizabeta e Darcy (Nathalia Dill e Thiago Lacerda)




*na obra de Jane Austen os pais das irmãs Bennet não possuem nomes próprios, eles são chamados, apenas, de Mr. e Mrs. Bennet.

15 de novembro de 2017

Vigésima sétima leitura..


Olá, leitor anônimo!
Fim de mais uma leitura! E fim, também, dos clássicos de Jane Austen - este ano. 
Terminei com o primeiro livro publicado desta inglesa renomada: Razão e Sentimento (ou Sensibilidade, como queira).

Este é o meu livro preferido da Jane Austen. Mesmo que Orgulho e Preconceito me roube mais suspiros, este é o meu xodó.

O enredo conta a história conforme o site da Saraiva.com :
As irmãs vivem em uma sociedade rígida, e ambas tentam sobreviver a esse mundo cheio de regras e injustiças. Tanto a sensível e sensata Elinor como a romântica e impetuosa Marianne se veem fadadas a aceitar um destino infeliz por não possuírem fortuna nem influências, obrigadas a viver em um mundo dominado por dinheiro e interesse. As duas personagens passam por um processo intenso de aprendizagem, mesclando a razão com os sentimentos em busca por um final feliz.
Enquanto Marianne vive os arroubos sentimentais de todo gênero, Elinor é a sensata das três irmãs - sim, ainda há Margaret, mas ela é apenas um personagem.

Sendo Elinor a minha personagem preferida, deixe-me granjear mais elogios para esta protagonista.
Entre as mulheres símbolos dos seis romances (completos e publicados) de Jane Austen, Elinor Dashwood é a heroína que não precisa ser remendada para completar o final de trama. Enquanto Elizabeth Bennet precisa sofrer com seu preconceito em relação a Mr. Darcy, Emma precisa corrigir sua atitude para ser completa, Catherine precisa superar suas desilusões e Anne - até mesmo Anne Elliot precisou rever seu conceito para não se deixar guiar pelos outros; Elinor Dashwood permaneceu Elinor do início ao fim da trama.
Talvez, atento leitor, você tenha percebido que não citei Fanny Price - ela poderia rivalizar com a mais velha das Dashwood, mas eu não sou admiradora do seu temperamento tímido e sem atitude (mas louvo sua persistência em manter-se firme ao seus ideias).

Elinor é uma mulher muito moderna - até para os dias atuais. Ela mantém seu bom senso acima de tudo. Sofre sem fazer drama. Aconselha na hora que é necessário e analisa as palavras para não ser equivocada. Ela é perfeita.
Há uma passagem - das muitas - que citam o caráter de Elinor:
E tudo isso aconteceu numa época em que, como você sabe muito bem, não era esse meu único desgosto. Se me acha capaz de alguma vez ter sentido... Certamente deve supor que sofri então. A tranquilidade que consigo ter agora para analisar o assunto, a consolação que estou desejosa de me conceder, foram o efeito de constantes e dolorosos esforços... que não brotaram espontaneamente... que não ocorreram desde o início para aliviar meus sentimentos... Não, Marianne! Naquela época, se eu não tivesse sujeita ao silêncio, talvez nada me tivesse impedido... nem mesmo o respeito que devo aos meus amigos mais caros... demonstrar abertamente o quanto eu era infeliz.
Este autocontrole que eu gosto em Elinor. Saber ponderar, estar em silêncio e pensar com justeza no ocorrido; medir o quanto pode-se ofender a felicidade de alguém impondo a própria infelicidade ou vice e versa. Existe nesta personagem uma atitude de meditar antes de expor um assunto importante que pode alterar um círculo social. Pouco pensa-se no poder real de uma palavra mal colocada; fala-se em arrepender-se do que foi dito, mas pouca alteração há neste comportamento. 
Atualmente, tudo é jogado na internet: pouco é medido antes de ocupar a grande rede; pois não parece correto segurar uma emoção - todos tem saber: sofrer ou ser feliz - tudo precisa ser mostrado e compartilhado com tantas outras pessoas que não sabemos o quanto pode ser perigoso o resultado final.  A intimidade não é preservada. 
Somos todos Marianne. 

7 de novembro de 2017

Vigésima sexta leitura..


Ler Orgulho e Preconceito é sempre um grande prazer.

Os personagens são cativante: tolos, alegres, presunçosos ... e cheios de orgulho e preconceito.

Talvez, algumas pessoas encarem este livro como um romance açucarado e com um ícone masculino que leva os leitores ao delírio. Porém, Jane Austen tocou em pontos fortes da sua época: a presença substancial da mulher, a questão financeira como ponto importante nos relacionamentos conjugais, a importância títulos hereditários etc.
A sagacidade de Elizabeth Bennet ao negar o pedido de casamento do primo, o direito a hereditariedade somente dos homens, a questão do casamento por conveniência e outros pontos que foram vividos pela escritora são  colocados neste romance. Talvez seja irrelevante para o leitor deste século ler sobre estes temas; mas eu discordo. Os personagens, ao contrário do que alguns filmes homônimos podem passar, estão além do mocinho e da mocinha, além da função de chegar ao casamento como meta.
Os personagens são atuais em suas personalidades: é fácil você reconhecer Elizabeth Bennet, Mr. e Mrs. Bennet, Mr. Collins, Mary, Jane, Lady Catherine e outros como vivendo em nosso meio.
E, se for para refletir sobre o casamento: nos dias de hoje o que mais é cobrado de um ser humano é um relacionamento afetivo com o próximo. Casamento - ou use a nomenclatura que preferir - é um tema muito atual e, encontrar um consorte é, no fundo, o que todo mundo mais quer - se não, você é Mary Bennet - e ainda sim tem seu papel no romance.

Julgar um romance como algo somente para um determinado grupo é incoerente quando o leitor não está aberto para uma leitura real do romance.

Mas o mais saboroso do romance, para mim, é a ironia que Jane Austen utiliza em seus romances. É uma comédia da vida privada que nos remete ao nosso próprio ridículo.

Omnia Vanitas. 💀



25 de outubro de 2017

Vigésima quarta leitura..


Olá, anônimo leitor! 

Fim de mais uma releitura!
Sei que fiquei devendo os apontamentos de Emma, mas preferi permanecer com o que já havia escrito sobre a leitura.

E, agora, Mansfield Park.

Antes, deixe-me contar minhas memórias de leitura com este livro. Primeiramente, ele é um presente de Natal de uma amicíssima minha; e a frase que ela usou ao presentear-me foi: Eu não sabia o que comprar, então comprei um livro da Jane Austen.
Naquela época eu tinha apenas os livros Orgulho e Preconceito e Razão e Sensibilidade e eu estava numa vibe de clássicos históricos - esta é a justificativa para ela não saber se eu iria gostar de ganhar um livro da Jane Austen. Eu parei a leitura de O Corcunda de Notre Dame e mergulhei em Mansfield Park. A minha resposta para o presente foi: Eu estava com muita vontade de ler Jane Austen!
Ainda nesta primeira leitura, que aconteceu no verão de 2003, eu estava voltando do trabalho e uma chuva torrencial caiu sobre a cidade. Joinville, a cidade que eu habitava, tem um rio no centro do município que, seja com a subida da maré ou com chuvas constantes - ou a junção destas situações - o terminal de ônibus central fica inundado. E foi isso que aconteceu naquela chuva.
Para meu alívio, encontrei um banco, cruzei as pernas e fiquei lendo por volta de três horas e, a passagem que marcou este dia foi quando Mr. Crawford afirmou que gostaria de se tornar clérigo. Eu ri sozinha - rodeada por água suja de enchente.
E, a segunda leitura eu a recordação que foi quando estava lendo Mansfield Park que eu fui mergulhar em um domingo com outros amigos. Foi um ótimo dia.

Continuando agora com as impressões de leitura.
É incrível como nenhum personagem consegue me cativar. Na maioria das vezes, eu tenho vontade de bater em todos. Pais negligentes, filhos negligentes, vizinhos negligentes, tios negligentes - a tia Norris é uma bruxa... e a protagonista é muito pacífica. Ler Mansfield Park depois de ler Emma talvez não me ajudou a gostar do caráter silencioso de Fanny Price. Mesmo que eu leia Orgulho e Preconceito antes, os créditos para Fanny não aumentam. Mas não posso culpá-la. 
Enquanto as demais heroínas são donas de sua própria vida, a senhorita Price é uma órfã de pais vivos que mora de favor na casa dos parentes abastados e que poucas vezes sentiu-se querida em seu meio. 
Mas nem tudo está perdido. O que a falta de habilidade em discursar tem de menor, a capacidade de observar e refletir e permanecer é marcante em Fanny. Suas conclusões são ponderadas de maneira exemplar, mesmo quando vai contra os seus desejos: como achar civilidade e redenção em Mr. Crawford.. e meio minuto a mais a salvou de uma premeditada tragédia. E essa é a única parte do caráter de Fanny que me atraia: ela pensa, ela sabe utilizar o tempo que tem para saber onde estar e como avaliar. Prudente em suas reflexões e ações e não tardia em exprimir o que pensa de maneira a ser compreendida.
O contrapé da personalidade desta heroína é que ela não se vê com grande valor. A saúde dela é frágil - é a única protagonista de Austen que tem essa fraqueza. Ela não reconhece o seu valor - sempre está tirando o mérito que tem perante os outros por ser pobre; em contraponto, ela sabia que o caráter dos outros membros era mau - e, nem assim, ela se achava superior. 
Eu não quero qualificá-la com a necessidade de ser arrogante em si, mas um pouquinho de amor-próprio não faria mal.



15 de outubro de 2017

Estou lendo Mansfield Park..



Olá, leitor..

Estou, ainda, no início desta releitura de Mansfield Park; e estou confusa. 
A minha edição é com tradução de Mariana Menezes Neumann pela Best Bolso e, estou confusa com algumas sentenças da narrativa. 

Nesta tradução que tenho e minha última confusão foi  no seguinte trecho:
Agora não teremos mais estradas ruins, Srta. Crawford; as nossas dificuldades terminaram. O restante do caminho é mais agradável. O Sr. Rushworth cuidou da estrada desde que herdou a propriedade. Aqui começa o vilarejo. Esses chalés estão em estado deplorável. A torre da igreja é conhecida por sua beleza excepcional. Fico satisfeito com o fato de a igreja não se tão próxima à Great House, como geralmente ocorre em lugares antigos (...).
Eu não entendi o "Fico satisfeito". Edmund estava do lado de fora, o Sr. Crawford estava sentado ao lado de Julia - e não conhecia a região para declarar as mudanças ocorridas desde que a herança chegou às mãos do Sr. Rushworth, e guiava a charrete. Quem foi o homem que conversava com a senhorita Crawford?
Alguns diálogos, como este, não ficam coerente para mim. Então, procurei outras traduções na internet.

A tradução seguinte é de Vera Sílvia Camargo Guarnieri
Agora não teremos mais estradas difíceis, Miss Crawford. Nossas dificuldades terminaram. O resto do caminho é como deveria ser. Mr. Rushworth cuidou disso assim que recebeu a herança. Aqui começa o vilarejo. Esses chalés são mesmo uma desgraça. A agulha da torre da igreja é considerada extraordinariamente bela. Fico feliz pelo fato de a igreja não se encontrar demasiadamente perto da casa grande, como acontece com frequência em lugares antigos (...).
E esta última tradução é de Rachel de Queiroz, escritora brasileira:
Agora não teremos mais estradas ruins, Miss Crawford; estamos salvas. O resto do caminho é ótimo. A primeira coisa que Mr. Rushworth fez ao tomar posse da propriedade foi consertar a estrada. Aqui começa a vila. Aquelas cabanas são realmente uma lástima. A torre da igreja é tida como uma das mais belas. E é bom que a igreja não esteja tão perto da casa grande como geralmente acontece nesses lugares antigos (...).
E esta é a versão original:
Now we shall have no more rough road, Miss Crawford; our difficulties are over. The rest of the way is such as it ought to be. Mr. Rushworth has made it since he succeeded to the estate. Here begins the village. Those cottages are really a disgrace. The church spire is reckoned remarkably handsome. I am glad the church is not so close to the great house as often happens in old places (...).

Eu acredito que talvez tenha a frase tenha sido dita pela tia Norris. Mas ainda não sei ..

Eu não tenho a pretensão de aprender a língua inglesa para ler os clássicos ingleses que eu aprecio. Coloco minha esperança nas traduções para minha língua materna. 

2 de outubro de 2017

Vigésima segunda leitura..



Mais um propósito de leitura concluído. 
E, sem pretensão de ser uma leitura rápida, assim o foi A Abadia de Northanger, de Jane Austen.

Nesta obra, a senhorita Austen conseguiu unir vários personagens tolos; desde a protagonista até a maioria daqueles personagens que socializam com ela. 

Catherine Morland é uma menina inocente e tola que encontra refúgio na leitura de romances. Seus pais - como a maioria dos pais austenianos - são ignorantes e possuem dez filhos que educam da mesma maneira; e nem todos são belos. Catherine é uma exceção bem fraca. 

Se você, atento leitor, leu a publicação anterior, consegue perceber que a heroína de A Abadia de Northanger é completamente diferente daquela em Persuasão. Na verdade, Catherine Morland é diferente de todas as protagonistas dos romances de Jane Austen: enquanto Anne Elliot é a mais a mais paciente, Emma Woodhouse a mais rica, Fanny Price a mais introspectiva, Elizabeth Bennet a mais sagaz e Elinor Dashwood a mais sensata; Catherine Morland é a mais tola delas.  E, na minha opinião, noventa por cento dos personagens me dão "vergonha alheia".

A trama acontece na cidade Bath, onde a protagonista é levada para passar férias em companhia de um casal de vizinhos de seus pais. Tudo é novo para Catherine: pessoas, casas, lojas, bailes etc. A falta de percepção nesta personagem seria um martírio para a observadora de Mansfield Park

A Abadia de Northanger é uma história repleta de ironias: sobre a leitura de romances (principalmente os de gênero gótico), sobre a ganância, sobre paqueras e amizades. Jane Austen ri de tudo o que lhe convém. Neste romance, a autora ironiza a criação de personagens heróinas: como devem se comportar, como devem sofrer e se apaixonar. 

29 de setembro de 2017

Vigésima primeira leitura..


Fim de mais um releitura!

Este livro tem marcas de momentos importantes na minha vida:

- a primeira leitura foi durante minha internação e recuperação da cirurgia de apendicite que fiz (13.02.12 - 23.02.12)
- a segunda leitura aconteceu no mesmo ano, e foi quando fiz minha primeira tatuagem no braço (19.12.12 - 30.12.12)
- a terceira leitura, e mais significativa, foi quando conheci meu marido. Eu lembro que ele assistiu ao filme homônimo só para saber que tipo de leitura é Persuasão. E, a frase que escolhi para nosso convite de casamento é: 
Não somos mais tão jovens a ponto de nos irritar por uma bobagem, enganar pelos acasos de qualquer instante e a ponto de brincar descuidadamente com nossa própria felicidade.

Cheguei ao fim desta quarta leitura (23.09.17 - 29.09.17) muito mais satisfeita do que quando o li a cinco anos e meio atrás. (rs).  

Anne Elliot é uma mulher madura. E esta característica não lhe compete somente pela idade de vinte e sete anos, mas por seu intelecto chegar à esta fase. 
Enquanto as outras heroínas de Jane Austen não chegam nem a completar vinte e dois anos de vida, Anne Elliot é a personagem que faz exceção à regra. 

Persuadida a não se casar quando tinha dezenove anos, a protagonista vive, oito ano depois, o reencontro com seu ex-noivo. E ao se ver revisitada por essa paixão, Anne mostra que sua personalidade não é fraca, seus motivos não são fúteis e sua constância não é teimosia.
Ela não se entrega ao desespero ou se torna vítima de si mesma, e não condena outros pela decisão que tomou no passado. Ela é plena em si. Sua vida de solteira não é triste, sua família lhe proporciona experiências diversas e, principalmente, ela conhece a si e não tenta viver de outra forma.

O enredo inicia com a mudança da família de Anne - que habita Kellynch Hall, uma área rural - para Bath, um centro urbano. E o novos moradas desta abastada casa é um casal que tem parentesco com seu antigo noivo, o capitão Frederick Wentworth.
Durante a trama, é fácil distinguir os sentimentos de Anne, sua ânsia pelo primeiro encontro com o capitão e a reação dele ao reencontrá-la, descobrir o que ele sente e tudo mais. Tudo é Anne Elliot. Somente no final, o capitão terá voz para dizer, em menos de um capítulo, tudo o que se passou com ele desde o primeiro encontro até aquele momento: 
Não teria aguardado nem sequer esses dez dias se pudesse ter lido seus sentimentos como acho que a senhorita deve ter desvendado dos meus.
Capitão Wentworth não é um personagem que me agrada muito e, talvez, seja porque os sentimentos dele não se revelam tão claramente ao leitor no decorrer da leitura como acontece com os outros "amados" da senhorita Austen. Frederick é um homem magoado pela rejeição - não é como Mr. Darcy que tem pretensão de ser amado por Elizabeth - ele sabia que era amado e, por aquela que amou, foi descartado. Ele voltou para provar que estava bem, rico, bem apessoado, e cheio de amor para conquistar uma nova pretendente. Essa arrogância mau disfarçada não o torna "querido" para mim, mas...meu deus, que carta! Quando eu leio a carta que ele escreve à Anne é impossível segurar a emoção; e nesta manhã de chuva não foi diferente (chorar dentro do ônibus é constrangedor - rs).

Termino esta publicação com um link para a carta que o Capitão escreveu para Anne Elliot - sinto muito, mas esta em francês! 💕

E, mais este link para uma outra publicação que fiz sobre este livro. 


23 de setembro de 2017

Duas versões..


Estou eu na minha quarta leitura do livro Persuasão, de Jane Austen quando uma dúvida surge - quase no fim da leitura: esta edição é confiável?
Por ocasião, estou visitando meus pais, encontrei um outro exemplar desta leitura na prateleira. Fiz algumas observações rápidas em frases conhecidas do texto para averiguar a versão que os dois tradutores deram para os trechos.

No livro da Martin Claret (Roberto Leal Ferreira - trad.), encontra-se esta tradução no capítulo 17:
Um quarto de enfermo pode dar assunto para muitos livros.
Na edição da editora Zahar (Fernanda Abreu - trad.) encontra-se esta versão para a frase contida na M.C.:
Um quarto de doente muitas vezes pode valer tanto quanto muitos livros.
Eu não me senti segura na leitura do Ferreira e precisei tirar dúvidas com uma especialista.
Sou seguidora assídua das publicações de Raquel Sallaberry Brião no site Jane Austen em Português. Logo, busquei a página no facebook e  enviei uma mensagem com a minha dúvida. Fui prontamente respondida e esclarecida.
Brião passou uma lista de traduções de traduções para Jane Austen - compartilho logo abaixo:
Indico sempre estas traduções (que não li por completo, exceto da Luiza Lobo), mas que são de editoras confiáveis:
Luiza Lobo (Bruguera e Francisco Alves)
Celina Portocarrero (L&PM) [+ebook]
Mariana Menezes Neumann (BestBolso)
Fernanda Abreu (Zahar) edição pocket
Muitíssimo satisfeita com a resposta, estou iniciando a releitura de Persuasão, na versão da Zahar, com a tradução de Fernanda Abreu. 
Começando desde o primeiro capítulo.

Omnia Vanitas. 💀 

13 de setembro de 2017

Proposta de Casamento..


Olá, jovem!!

Estou caminhando na releitura de Norte e Sul e, mesmo conhecendo a história eu ainda me derreto igual manteiguinha quando Mr. Thornton pede Margaret Hale em casamento. E, nem é romântico!

Elizabeth Gaskell gostava de ler Jane Austen. O décimo primeiro capítulo se chama Primeiras Impressões por que este foi o primeiro título para Orgulho e Preconceito, da senhorita Austen. E, eu não duvido que a discussão do casal de Gaskell seja mais uma forma de homenagear o casal mais famoso da literatura universal: Elizabeht Benett e Mr. Darcy.

Veja só, o pedido de casamento de Mr. Darcy foi todo atrapalhado e deixou Lizzy Benett tremendo em fúria - ainda mais depois de descobrir que seu admirador foi quem arruinou o relacionamento de sua irmã Jane e Mr. Bingley. 

Em Norte e Sul há um antagonismo entre o casal protagonista. É perceptível a adoração de Mr. Thornton por Margaret - e isso se dá pela moça ter seu temperamento forte e opiniões sólidas.
Mesmo tendo certeza do desprezo da moça por ele, John Thornton, em um  suspiro ínfimo de esperança de que o sentimento de Miss Hale tenha sofrido uma alteração, ele vai até a casa da jovem e a pede em casamento.
Eu acho tudo lindo! Mesmo durante a briga eu fico suspirando corações.. 💞

Deixo abaixo alguns trechos do pedido/rejeição de casamento:

- à caminho da casa de Margaret
Seu coração batia acelerado na expectativa da chegada de Margaret. Não podia esquecer o toque dos braços dela ao redor do seu pescoço, apesar da impaciência que sentira na ocasião. Mas agora, a lembrança daquela defesa dele em forma de abraço, parecia eletrizá-lo inteiramente – derretendo toda a sua resolução, toda a sua capacidade de autocontrole, como se fosse cera diante do fogo. Ele temia adiantar-se para recebê-la, com os braços estendidos em muda súplica para que ela se aninhasse neles (...)

- depois da recusa do pedido:
que sempre que eu me alegrar com a existência daqui para a frente, possa dizer a mim mesmo “Toda essa alegria na vida, todo esse honesto orgulho em fazer o meu trabalho no mundo, toda essa aguda consciência de existir, eu devo a ela!” E isso dobra a alegria, torna brilhante o orgulho, aguça o sentido da existência, até que eu mal saiba se é dor ou prazer, pensar que eu devo tudo isso a alguém... não, deve me ouvir, vai me ouvir... – disse ele, dando um passo adiante com firme determinação – devo tudo isso a alguém que eu amo, como não acredito que um homem já tenha amado uma mulher.
(...)
Eu sou um homem. E reivindico o direito de expressar meus sentimentos.
(...)
Uma palavra mais. A senhorita olha como se considerasse uma desonra ser amada por mim. Não pode evitar isso. Não. Se eu pudesse, a liberaria dessa desonra. Mas eu não vou, nem que possa. Eu nunca amei mulher alguma antes: minha vida foi sempre muito ocupada, meus pensamentos muito absorvidos por outras coisas. Agora eu amo e continuarei amando. Mas não tenha medo de que haja muita expressão desse sentimento da minha parte.
E por fim, a frase que ele diz à mãe dele depois que chega em casa é muito fofa:

Ninguém me ama... ninguém gosta de mim, só a senhora, mãe.

Pára tudo !!!! Eu sou apaixonada por esse homem!! Meu lado adolescente aflora de modo intenso!!
E, para frente, Margaret repensa sua atitude perante ele - ainda em negação - e como ele age com ela após esse acontecimento! É lindo! Tudo é lindo!

Omnia Vanitas.

8 de setembro de 2017

Continuações..


No último domingo que passou, eu assisti ao filme "Jane Eyre" e, mesmo não gostando do filme, decidi que os livros das irmãs Brontë + Jane Austen + Elizabeth Gaskell {minha leitura atual} precisavam de uma releitura, também.

Estou louca para reler Villete, Jane Eyre, Razão e Sensibilidade (meu queridinho), Persuasão ..ou seja, todas as novelas integrais de Jane Austen e das Brontë.. Nossa, Morro dos Ventos Uivantes. Estou aos pulos querendo ler tudo ao mesmo tempo! Quero hoje me deliciar nessas páginas, entregar meu tempo nestas narrativas que me trazem tanta satisfação ao ler. 

E, para adicionar à esta lista, eu tive o prazer de "roubar" do sebo o exemplar de Agnes Grey, de Anne Brontë, que faltava na minha coleção. 

Tantos livros para ler, tão pouco tempo para desfrutá-los.



6 de novembro de 2016

A Lista de Adelita


Voltei!

E estou com uma dúvida cruelíssima! Que livros ler em 2017?

No ano que vem, eu me comprometi a ler todos os livros que eu já li (e tenho); ou seja, 2017 será um ano de releituras. Será maravilhoso poder ler os livros que me encantaram .. mas, QUE LIVROS DEVO ESCOLHER??

Vou ler Maugham: mas que livros de Maugham devo ler? Amo todos que li: O Véu Pintado, O Fio da Navalha, Ah King, Histórias dos Mares do Sul ..nossa! Tudo de Maugham eu amo!

E Stephen King? Meu primeiro livro foi O Cemitério, adorei Desespero, Cujo, O Iluminado, A Coisa, Misery .. tudo!

E Tolkien? O Hobbit, Silmarillion ou a trilogia do Anel? Todos? E Contos Inacabados, Mestre Gil de Ham, Roverandom..??

E as irmãs Brontë? E Jane Austen?

E ainda tem Dostoièvski, Melville, e ainda tem a literatura brasileira: Machado de Assis, José de Alencar, Rachel de Queirós, Aluísio Azevedo e .. e.. tantos livros e apenas 365 dias. Que injusto! Que cruel!

Sem contar que não posso deixar minhas leituras em francês paradas para não retroceder .. então, ou releio tudo o que li em francês ou terei problemas em mantes o vocabulário que aprendi até agora!

A vida é cruel com leitores compulsivos e ansiosos!

Omnia Vanitas!

11 de abril de 2016

Mary Bennet..

Lucy Briers, Orgulho e Preconceito (1995)

Eu sei que já terminei minha leitura de Orgulho e Preconceito, porém, uma personagem ainda ronda minhas lembranças desta última leitura: Mary Bennet
Confesso que eu já gostaria de ter escrito sobre ela na leitura anterior que fiz do livro, mas como não consegui anotar algumas aparições da personagem, o texto ficaria um pouco fora de propósito.

Mas agora vai!

Mary Bennet é a terceira entre as irmãs Bennet: Jane, Elizabeth, Mary, Kitty e Lydia! E, talvez, seja por isso a filha esquecida entre todas. 

Em quase noventa por cento das vezes que Mary aparece na obra, alguém não está prestando atenção ao que ela diz, ou, vira os olhos para algo que ela disse, ou é apenas citada quando seu ambição em se tornar significativa a empobrece.

Mary Bennet, que ninguém sabe a idade (pelo menos não achei essa referência durante as leituras que fiz) é a pseudo-intelectual da família. Ela gosta de ler bastante (menospreza os bailes em favor da aplicação à leitura), é aplicada (porém não bem sucedida) ao tocar piano, sabe cantar (muito mal) e foi a única que ficou em casa depois que todas as irmãs casaram (ou foram morar fora de casa).
Eis algumas passagens que citam esta personagem:

Capítulo II
"..Qual a tua opinião, Mary? Tu, que és jovem sensata e profunda, que lê bons livros e deles extrais ensinamento.
Mary quis dizer algo de sensato, mas não sabia como.
- Enquanto Mary põe em ordem as suas ideias - continuou ele -, voltemos para Mr. Bingley".

Capítulo V

"- O orgulho - observou Mary, que se vangloriava da solidez de suas reflexões - é um defeito muito comum, creio eu. Depois de tudo o que li, estou deveras convencida de que é comum, que a natureza humana manifesta uma tendência bastante acentuada para o orgulho, e que são raros aqueles que entre nós não nutrem um sentimento de condescendência própria baseado em uma ou outra qualidade, real ou imaginária. Vaidade e orgulho são coisas diferentes, embora as palavras sejam frequentemente usadas como sinônimos. Pode-se sentir orgulho sem ser vaidoso. O orgulho diz respeito mais à opinião que temos de nós próprios, enquanto, a vaidade, ao que pretendemos que os outros pensem de nós".

Aaahh gostei dessa interpretação dela!! Não é ruim!.. Mas ela não pára por aí:

Capítulo VI

"..o lugar ao piano foi avidademente ocupado por sua irmã Mary, que, em consequência de sua falta de atrativos, aplicara-se na árdua aquisição de conhecimentos e dotes, vivendo na ânsia constante de os exibir".

Capítulo XII

"Encontraram Mary, como de costume, mergulhada no estudo do contraponto e da natureza humana, sem perder tempo em enunciar-lhes uma série de citações e observações de uma moralidade convencional".

Como eu já escrevi, Mary é a irmã esquecida. Enquanto Elizabeth tem a Jane, e Kitty tem Lydia, a terceira filha fica sozinha em casa (na maioria das vezes por assim desejar) lendo e formando sua opinião sem que ninguém a molde - pois seu pai é ausente na educação das filhas e a mãe não faz questão de educá-las; as irmãs não lhe devotam paciência e não há nenhuma outra pessoa que possa dialogar com esta personagem.
Esta ausência de companheirismo torna Mary uma garota soberba e, como já mencionado, ávida em mostrar suas qualidades. Quem, em sua solidão, não gostaria de fazer o mesmo que Mary: ser reconhecido pelos valores que adquiriu. Ora, veja só esse exemplo,  ter um blog e pretender escrever sobre livros, filmes e música não estão tão longe de ser a pretensão de uma Mary Bennet! Apenas com a diferença que não sou solitária e abandonada (rs).

Assim, portanto, é a vida de Mary Bennet, a filha esquecida de Orgulho e Preconceito.

Omnia Vanitas.



5 de abril de 2016

Fim de Leitura..



Final de mais uma leitura de Orgulho e Preconceito. E, de maneira saudosa fechei o livro. A vontade foi de recomeçar a ler pois o livro é de sobremaneira fantástico!

Eu não teria nem como colocar qualificativos que enobreçam a leitura desta obra de Jane Austen; se, isso eu fizer, talvez eu incorra ao erro de Mr. Collins ao aflorar demais o texto tornando-o enfadonho.

Portanto, eu apenas posso recomendar a leitura contínua de tal livro, para o seu bem!

E, termino com as palavras de Mr. Darcy à Elizabeth:

Um homem menos apaixonado que eu talvez o tivesse o feito [conversado]!


Omnia Vanitas. 

30 de março de 2016

Duas medidas..

Charlotte Lucas, Orgulho e Preconceito 2005

Estava eu, em estado confortável, lendo meu livro quando um trecho do mesmo eleva minha atenção.
Veja só, folgado leitor, que me deparo com a ambiguidade de pensamento da heroína de Orgulho e Preconceito.

Quando Charlotte Lucas decidiu casar-se com Mr. Collins, Elizabeth Bennet ficou horrorizada pela escolha da amiga. Casar com Mr. Collins? Por tudo o que há de sagrado; este homem é tolo, soberbo, ridículo, subserviente, mesquinho; e, como todas as características anteriores o conotam, a conversa de tal pessoa é enfadonha e, portanto, insuportável à sociedade que o acolhe.
Pois bem, quando a amiga decidiu casar com tal homem, Lizzy ficou atônita com tal propósito. Como ela pode, segundo o pensamento de Elizabeth, desejar passar a vida ao lado de tal homem? Como ela pode rebaixar a si e conceder a mão em casamento a tal cavalheiro?
Pois bem, a explicação de Charlotte foi de cunho pratico:

"(...) Como deves saber, não sou romântica. Nunca o fui. Apenas desejo um lar confortável; e, considerando o caráter de Mr. Collins, as suas relações e situação na vida, estou convencida de que as perspectivas que se me oferecem de vir a ser feliz com ele são tantas quanto as da maioria das mulheres ao darem esse passo".

E, Elizabeth não poderia ficar tão ultrajada com tal decisão pois conhecia o pensamento da amiga antes de Mr. Collins aparecer:

" (...) se ela se casasse com ele amanhã, eu diria que as probabilidades de ser feliz seriam tantas quantas aquelas que se lhe ofereceriam após ela ter passado doze meses estudando o caráter dele. A felicidade no casamento é uma questão de sorte. Por mais profundo que seja o conhecimento mútuo ou identidade entre as partes interessadas antes do enlace, em nada contribui para a felicidade. Há sempre, depois, uma disparidade de feitios suficiente para lhes assegurar a cada um sua dose de amargura (...)".

Assim é Charlotte Lucas nua e crua. Esta última conversa aconteceu em um determinado encontro social no qual o assunto era Mr. Bingley e Miss Jane Bennet. 

Porém, quando Mr. Wickham resolve dar atenção a certa moça (Miss King) por ela haver herdado dez mil libras, Elizabeth acha conveniente que ele venha buscar algum conforto para sua vida; conforme carta que ela escreveu a sua tia:

" (...) um jovem belo necessita tanto de um pecúlio para viver como qualquer outro".
Logo mais, quando encontra a tia (que a interpela sobre a atenção de Wickham com Miss King) Elizabeth censura-a por esta chamar o cavalheiro de interesseiro:

"Por amor de Deus, querida tia, qual a diferença no casamento entre o interesse e o motivo prudente? Onde acaba a prudência e começa a cobiça?"

Quanta mudança em poucas páginas!
Então, ao meu parecer, há duas explicações razoáveis à atitude de Elizabeth com Charlotte e George Wickham:

- ou ela eleva a natureza feminina em detrimento a natureza masculina (propondo que uma mulher deve buscar um conforto social baseado no nível intelectual do companheiro e não apenas na sua disposição social)

- ou ela é machista.

Talvez, seja uma miscelânea destas duas coisas que permeiam o pensamento de Miss Eliza Bennet!  

7 de março de 2016

Elinor Dashwood ..




Elinor Dashwood faz parte das "Dez Mais" das heroínas/heróis da literatura, no meu conceito. 
À pouco, enquanto meu marido ouvia a transmissão do jogo da Lusa, eu lia Razão e Sensibilidade. E..ela chama minha atenção a cada ato.

Criada por uma mulher mais excepcional que ela, Elinor é suprema em toda esta obra. 
Segue o trecho deste último momento:

"...por mais fascinante  que seja a ideia de um único e constante amor e apesar  de tudo o que se possa dizer sobre a felicidade de alguém depender totalmente de uma pessoa determinada, as coisas não devem ser assim, nem é adequado ou possível que o sejam".

Talvez, leitor anônimo, você não consiga enxergar o que esta mulher provinciana e "antiguinha" era para seu tempo; pois, então, eu lhe digo: revolucionária.
Totalmente contrária aos sentimentos que unem em laços desprovidos de autenticidade; Jane Austen pede para que o nó seja desfeito, que a vida continue e uma mudança seja feita! Eu quero ir além, quero dizer que a dependência em alguém não é saudável, pois cansa aos dois lados. Sejam unidos mas não ao ponto de interferir na vida do outro.


Omnia Vanitas.

Outras postagens sobre Elinor Dashwood clique aqui e aqui e aqui.

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