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3 de abril de 2021

Trigésima segunda leitura..


 

Olá, abandonado leitor !

Que loucura ! Deixei este blog sem atualização durante muito tempo! Perdão aos leitores inexistentes desta página! Tive motivo para isso. Plausíveis? Não! Então, vamos à atualização de algumas leituras. 


Emily Brontë e o seu "O Morro dos Ventos Uivantes" foi a minha última leitura de 2020. Que livro, senhoras e senhores! Que força!

Este romance único de Emily Brontë traz a história de Heathcliff e Catherine Earnshaw. Estas duas personagens foram criadas sob o mesmo teto. Ele sendo adotado e ela filha legítima. 

Heathcliff é uma personagem que eu gosto muito por tudo o que ele representa: sua identidade incógnita, seus sentimentos por Catherine, seu tratamento com todos que habitam a cidade (e principalmente sua casa). Ele é o mal que foi trazido para um seio familiar que, ao meu ver, parecia próspero. Porém, o tratamento que ele recebeu de  todos foi retribuído com uma intensidade que poucos souberam entender. 

"O Morro dos Ventos Uivantes" é um livro singular em alguns aspectos como sua narrativa muito verossímil com a realidade da sua época; para mim, ele tem toda a força da sua autora; possui passagens que são icônicas até os dias atuais. 

Este exemplar da foto tem a tradução da escritora brasileira Rachel de Queiroz.

Omnia Vanitas 💀


30 de dezembro de 2020

Trigésima primeira leitura..


 Olá, leitor ! 

Penúltima leitura deste ano (um tanto louco)!

Villette é uma releitura que fiz da autora Charlotte Brontë. 

Logo no prólogo da editora, algumas personagens são descritas conforme sua inpiração: o professor Héger, a grande paixão de Charlotte é ipsis litteris de Monsieur Paul Emmanuel. E que personagem grosseiro ele é! Não existe um momento que me faça detestar menos essa persona. Eu não sei o que Charlotte e Emily possuem como estereótipo de homem perfeito pois Monsieur Paul e Heathcliff são homens péssimos! 

Villete é a cidade fictícia de Bruxelas onde as duas irmãs estudaram. A protagonista de Villette é Lucy Snowe - órfã (é claro). A sua trajetória passa por três estágios: solidão, encontro e esperança.

O primeiro capítulo é diferente de todos os demais, pelo menos na minha opinião. Todo o livro e narrado em primeira pessoa, e relata a vida de Lucy. Porém, o primeiro capítulo que ela descreve as pessoas que estão ao seu redor e pouco do realmente acontece com ela. 

Lucy Snowe sabe quem ela é! Uma das reclamações da personagem é a falta de percepção dos outros em saber quem ela é ... apenas a supõem. Cada um entende Lucy como deseja sem a conhecê-la de fato. 

Existe uma solidão latente em Villette. Existe uma persistente solidão que ataca a personagem, como se os sucessos que consegue não devessem lhe pertencer - como se as amizades que conquista devam ser breves. Há uma citação que eu ser um desabafo da autora e não uma fala da personagem:

Eu gemia sob sua amarga severidade. Nunca - nunca! Oh, odiosa palavra! Esta bruxa, esta razão, nunca me deixou olhar para cima, ou sorrir, ou ter esperança: ela não podia descansar, a menos que eu estivesse completamente esmagada, acovardada, quebrada e aniquilada. Segunda ela, eu nascera só para trabalhar por um pedaço de pão, para esperar as dores da morte e perder constantemente a esperança através de uma vida de desânimo. Talvez a razão falasse a verdade, entretanto, não é de admirar que nós gostemos, por vezes, de estarmos contentes, de desafiá-la, de fugir de debaixo da sua vara e de dar uma hora de liberdade à imaginação - sua doce e brilhante inimiga, nosso bom auxílio, nossa divina esperança. Devemos romper os limites de tempos em tempos, apesar da terrível vingança que aguarda nosso retorno. A razão é vingativa como o diabo. Para mim foi sempre venenosa como uma madrasta. Se eu lhe obedeci foi, principalmente, com a obediência do medo, não a do amor. Há muito tempo eu deveria ter morrido por seus maus tratos: a sua mesa mesquinha, a sua cama gelada, o frio, seus selvagens e incessantes golpes. ah, se não fosse essa força mais suave que detém a minha secreta e jurada fidelidade! Muitas vezes a razão me expulsou para fora, em plena noite de inverno, no frio da neve, lançando-me para sustento os ossos roídos que os cães haviam abandonado. Declarava, severamente, que a sua dispensa nada tinha para mim. Negou-me duramente o direito de pedir coisas melhores... Então, olhando para cima, vi no céu uma cabeça rodeada de estrelas das mais brilhantes que emanava um raio de simpatia e atenção. Um espírito mais suave e melhor do que a razão humana desceu em voo tranquilo ao deserto, trazendo à sua volta um ar emprestado de eterno verão, o perfume das flores que não podem murchar; fragrância de árvores, cujos frutos são a vida; trazendo brisas de um mundo, cujo dia não precisa ser sol para iluminá-lo. Este bom anjo saciou minha fome um doce e estranho alimento, conseguido entre os anjos que guardam a sua colheita branca de orvalho na primeira hora de um dia celestial. Mitigou, ternamente, as minhas lágrimas insuportáveis que choravam a própria vida; acalmou os meus temores e, gentilmente, cedeu descanso ao meu cansaço mortal, deu esperança ao meu desespero. (página 288/89)

Eu achei simplesmente sensacional. Como mencionei para uma cliente que estava no Sebo do Portuga: Villette é um livro sobre solidão e sobrevivência - é um livro lento e amargo para ler, mas cada página vale de sua leitura. 

Como já mencionei, a figura de M. Paul é uma réplica fiel do caráter de seu amado professor C. Héger. A esposa deste homem está na figura de Madame Beck. A confissão de Charlotte à um padre - que não corresponde a fé que ela professava também está registrada no livro, no final da primeira parte. 

Eu preciso confessar que os momentos de solidão e tristeza são os que mais chamam a minha atenção: o mesmo aconteceu na leitura de Jane Eyre. As passagens são intensas e reais! E, talvez, por isso, O Morro dos Ventos Uivantes não saiu da minha estante...mas isso é outra publicação de outra irmã.


Omnia Vanitas. 💀

29 de dezembro de 2020

Trigésima leitura ..


 Olá, esquecido leitor! 

Faz algum tempo que preciso colocar este blog em dia! Eis o dia ! 

No ínicio de novembro, eu comecei a ler, pela segunda vez, este livro e Charlotte Brontë: O Professor. Neste link está a primeira impressão desta leitura.

Este livro foi a primeira tentativa de Charlotte em publicar um livro; e foi negado por todos que o tiveram em mãos. 

A primeira publicação foi depois de dois anos da morte da autora, em ano de 1857; seu marido Arthur Bell levou o manuscrito à um editor que publicou a obra - haja vista o renome de Charlotte desde a descoberta do seu pseudônimo Currer Bell.

Porém, na minha singela opinião, o livro não tem um poder tão grande de arrebatar o leitor como em Jane Eyre, Villette e até mesmo, Shirley. A narrativa é rápida naquilo que pretende e, para mim, algumas atitudes do professor Crimsworth me deixam inquieta. 

Também, neste conto, o professor é uma caricatura da paixão arrebatadora que Charlotte teve por Constantin Héger, e, também, do desejo da escritora de ter sua própria instituição de ensino - o que fez porém, sem o sucesso que sua personagem obteve. A esposa de Héger também é descrita em O Professor como a dona da instituição de ensino onde William Crimsworth lecionará - porém, ela é sempre retratada como uma mulher mesquinha e torpe. 

Esta edição que tenho é da Clube do Livro, publicada em 1958. Uma nota da edição avisa que alguns trechos foram omitidos no momento da tradução por achar que eram longos demais para descrever. Que triste! 

Omnia Vanitas. 💀

Vigésima nona leitura..


Olá, determinado leitor! 

Essa semana que passou, eu terminei a segunda leitura do segundo romance da caçulinha das Brontë, A Senhora de Wildfell Hall. Eu adorei! Incrível!

Este foi o segundo e último romance publicado por Anne Brontë. Sua primeira publicação ocorreu no ano de 1848 e, após a morte da autora, Charlotte Brontë não permitiu que fosse novamente por achar a obra violenta, e, claro, o abuso do álcool era baseada na vida promíscua do irmão e isso não agradou Charlotte. Apenas após a morte de Charlotte este livro voltou a ser publicado - e, também, em algumas edições alguns trechos foram emitidos pelos mesmo motivos que chocaram Charlotte - uma pena. 

Quando eu li Agnes Grey, a figura de Rosalie Murray ficou gravada na minha memória. Em A Senhora de Wildfell Hall essa personagem voltou à minha lembrança. 

Helen é uma jovem rica, órfã de mãe e criada pelos tios. Em sua estadia com os parentes fora da região rural, Helen é pressionada a escolher como futuro marido alguns pretendentes que sua tia acha conveniente para um futuro casamento. Helen descarta as orientações da tia, e, ao encontrar Arthur Huntingdon se apaixona de imediato. Contrariando os conselhos da tia, Helen decide casar com Arthur mesmo sabendo das falhas morais do rapaz - pois ela julgava ser capaz de mudar com seu amor de dedicação ao amado tornado o lar um lugar capaz de demolir os possíveis vícios do marido. Ledo engano. A moralidade de Arthur é decadente em vários aspectos e a protagonista se vê presa em um relacionamento abusivo com poucas chances de sair dele. 

Neste livro Anne Brontë trata com a maior realidade possível o que abuso do álcool pode causar ao usuário e àqueles que lhe são próximos (e íntimos).  Mas, principalmente, Anne nos mostra como os "erros" masculinos eram perdoáveis (e incentivados) em relação à conduta que uma mulher deveria ter. 

A chegada de Helen causa curiosidade na vizinhança: quem é aquela mulher de caráter sisudo, apegada ao filho de modo excessivo, e como pôde alugar uma casa tão velha como aquela e, como seu filho pode ser tão parecido com seu senhorio? 
Helen percebe sua vida se tornar insuportável quando fofocas sobre ela começam a rodar pela região e o seu relacionamento com o senhorio é visto com malícia por Gilbert Markham... então o leitor e apresentado ao seu diário através dos olhos do jovem e apaixonado fazendeiro Markham.

Uma outra situação que chamou a minha atenção foram as mães. A senhora Markham cobre Gilbert de cuidados e atenções - sua alimentação precisa ser preparada assim que ele chega pois mesmo atrasado ele não pode ter uma refeição fria. E ele a trata com pouca educação, às vezes exige que ela saia de perto de si, outras bate a porta ou responde com uma grosseria. 
Desde o início eu não gostei de Gilbert, e o tratamento de menino mimado me deixava com mais desgosto ainda. O mesmo ele fez com Helen: a cena de ele segurando o livro de Lawrence nas mãos e mostrando para a inquilina de Wildfell Hall me deixou irritada! Eu teria tirado o livro da mão dele e dito: "a porta para o senhor sair da minha casa é esta"! Muito mimado! 

Deixo uma nota especial para a gravidez de Helen. Nenhuma menção. A Era Vitoriana não gostava de mostrar uma mulher grávida pois seria uma vergonha saber que as mulheres casadas faziam sexo com seus maridos - porém, em contradição, era preciso que uma mulher tivesse uma prole de número alto para mostrar que era uma mulher capaz de gerar uma família numerosa.
A gravidez de Helen é só dita uma vez quando Huntingdon quer que sua esposa fique longe dele, a desculpa é esta: 

(...) Você anseia pelas brisas frescas de sua casa no campo e vai senti-las em dois dias. E lembre-se de seu estado, querida Helen. De sua saúde depende a saúde, se não a vida, de nossa esperança futura". (p. 225)

Este livro é maravilhoso; eu  o deixarei sempre perto de mim para uma pronta releitura! 


8 de novembro de 2020

Vigésima oitava leitura..


 

Olá, leitor anônimo!

Depois de ler Os Manuscritos Perdidos de Charlotte Brontë, eu senti falta da irmã mais nova, Anne; portanto, decidi ler, pela primeira vez, Agnes Grey.

Anne Brontë possui dois romances publicados além de poemas que publicou juntamente com as irmãs Charlotte e Emily.  O primeiro romance da escritora caçula das Brontë é Agnes Grey e, o segundo, A Inquilina de Wildfell Hall.

Neste romance de estreia, Anne Brontë tira toda idealização da função de preceptora que sua irmã, Charlotte, apresentou em Jane Eyre. A experiência de Anne como preceptora permeia este romance - e isso o torna realista. 

Agnes Grey é uma jovem que vê sua família perder a maior parte da sua fortuna em um negócio mau sucedido do pai e, para ajudar a família a reconstruir essa perda, ela decide se tornar preceptora em uma casa de família - mesmo não tendo nenhuma experiência em lidar com crianças. A protagonista trabalhará para duas famílias antes de retornar, em definitivo ao  seu próprio lar. 

A primeira família será os Bloomfield, em uma residência relativamente próxima a sua casa paterna. Esta primeira vivência de Agnes é a representação da experiência que Anne teve em sua vida. Segue um trecho de como eram as duas crianças que a senhorita Grey precisara ensinar - ou tentar:

Mas eles não conheciam a vergonha, zombavam da autoridade que não fosse baseada no terror; e quanto à bondade ou afeto, ou eles não tinham coração ou que tinham estava tão bem guardado e escondido que eu, apesar de todos os meus esforços, não havia descoberto um modo de chegar até ele. 

Realmente, essas crianças me assustaram muito com seus comportamentos cruéis - e vi em Tom um assassino em série. 

A segunda família foram os Murray. Foi um período longo que Agnes passou com a família e, as duas jovens: Rosalie e Matilda eram quase da sua idade. Apesar de não serem tão cruéis, a primeira era vaidosa ao extremo (fazendo os rapazes se apaixonarem por ela apenas para lhes recusar o pedido de casamento - este era seu passatempo preferido), Matilda era mais livre porém não menos indiferente aos ensinamentos e a presença de Agnes. 

Ao término do livro, meus pensamentos ficaram presos em Rosalie e no casamento desta personagem - eu fiquei triste pelo fim dela, mesmo sabendo que ela o escolheu de olhos bem abertos. 

Assim como Agnes Grey, Anne Brontë foi preceptora em duas famílias, sendo a última com que ficou mais tempo, porém, ao contrário de sua protagonista, Anne ficou amiga das suas alunas e passava férias com a família em uma casa na praia - lugar que Anne amava, e onde foi enterrada, sendo a única daquele grupo familiar a não estar no mesmo lugar que os demais. E, para infelicidade da escritora, ela precisou cortar os laços com as amigas (talvez únicas) pois seu irmão, Patrick, foi amante da mãe das meninas. 

Agnes Grey é um romance mais realista, não apresenta a fúria de Wuthering Heights ou o sofrimento de Jane Eyre, mas tem sua expressão em apresentar uma sociedade muito próxima da realidade de uma preceptora a exercer seu cargo, tirando dele toda a fantasia e apresentando a marginalização de um cargo. 


Omnia Vanitas 💀

 

Vigésima sétima leitura..


 

Olá, anônimo leitor!

Imagino o seu sofrimento, leitor, pela minha falta de atualização deste blog. Mas, sem explicações ou justificação, começarei esta publicação.

A vigésima sétima leitura foi um livro de estudo sobre os manuscritos encontrado em um livro de poemas que pertenceu à família Brontë.

Os Manuscritos Perdidos de Charlotte Brontë foi uma preciosa aquisição que o Sociedade Brontë adquiriu depois de quase dois séculos "perdido" na América do norte.

Este livro é uma fonte rica de estudos sobre a importância que este achado trouxe para a juvenília de Charlotte Brontë (e, também, para iluminar a obra de Emily Brontë, Wuthering Heights). Anne ficou à margem, de novo.

Cinco pessoas que são referência em estudos sobre a família Brontë expõem, neste livro, todo o valor de encontrar este fragmento (uma poesia e uma prosa) em um volume de poemas chamado Remains of Henry Kirke White

Ann Dinsdale apresentará a chegada do livro à família, desde a sua compra por Maria Branwell (futura senhora Brontë) em sua terra natal; o transporte para sua nova casa ao lado do marido Patrick e a perda em um naufrágio de parte da sua bagagem.

Barbara Heritage apresentará a arqueologia do livro - e do exemplar de Maria Brontë desde a morte marido Patrick e a venda dos bens materiais da família e em quais mãos esses dois exemplares (que se tornaram um) foram manuseados e a explicação para o acréscimo dos dois fragmentos no volume único.

Emma Butcher e Sarah E. Maier são responsáveis por dois estudos reservados à influência destes escritos na juvenília de Charlotte Bronë e como era produzida - com a parceria de seu irmão, Patrick Branwell. 

O último capítulo Reinventando o Céu, de Ann-Marie Richardson é dedicado à Emily Brontë e a inspiração que o poema Clifton Grove, de Henry Kirke White  na escritora de Wuthering Heights.

Eu decidi não me aprofundar em relatar cada capítulo deste livro  por se tratar de estudos direcionados, eu não teria como escrever sobre sem diminuir o valor do conteúdo. Porém, deixo a minha singela recomendação de leitura deste livro para os amantes das irmãs Brontë; e, acrescentarei uma nota para tal leitura: tente ler a juvenília de Charlotte Brontë antes de iniciar esta leitura para que não se torne estranha as ideias apresentadas.


Omnia Vanitas 💀

11 de outubro de 2020

Vigésima sexta leitura..



Olá, anônimo leitor!

Eu tinha esquecido como a leitura de Jane Eyre, de Charlotte Brontë, é maravilhosa.

Publicado em 1848 sob o pseudônimo de Currer Bell. O sucesso foi imediato ao lançamento e, nesta edição que tenho da BestBolso (2013, segunda edição) há o prefácio do autor para a segunda e terceira edições onde Brontë assina como Bell. 

Jane Eyre é um romance de formação que apresenta da vida da orfã (homônima) desde a sua infância até a fase adulta. O enredo é narrado pela protagonista e, portanto, não há outro ponto de vista exceto a do narrador.

A trama que dá vida à personagem é um empréstimo de alguns dramas vividos pela própria autora como: o orfanato para o qual a menina é enviada é uma representação do orfanato de Lancashire para onde ela e suas irmãs (Maria, Elizabeth e Emily) estudaram - e a precária condição da instituição deixou a saúde das duas irmãs mais velhas tão debilitadas que ambas morreram de tuberculose aos 11 e 10 anos sucessivamente). Para não perder Charlotte e Emily, o  pai - Patrick Brontë - busca as filhas e as ensina em casa. A personagem de Jane Eyre, Helen Burns é inspirada em sua irmã, Maria. 

E como Helen Burns me cativou nesta segunda leitura! Eu, simplesmente, não conseguia não me apaixonar pela personagem. Vou deixar duas frases - de tantas que gostei - para representar minha paixão por Helen:

(...) Acho que a vida é curta demais para ser gasta com animosidades, só pensando em acontecimentos ruins. (p.74)

Mesmo que o mundo inteiro detestasse você e a achasse má, se sua consciência a absolvesse de qualquer culpa, você não estaria sozinha (p.87)

Ainda sobre as ligações do romance com a vida da autora, o fato da protagonista ser órfã, também, diz muito respeito sobre Charlotte Brontë pois sua mãe faleceu em 1821 quando a autora tinha cinco anos de idade. E, este é um fato corriqueiro em seus romances, visto que a maioria de suas personagens não possuem os pais, ou pelo menos um deles.

Mais um fato marcante na obra de Jane Eyre é o Sr. Rochester que representa a figura de sua paixão por Constatin Héger, seu professor em Bruxelas.

O enredo, como já mencionado, contempla a infância da órfã Jane Eyre. Sua tia, Sarah Reed, precisava atender à apenas um pedido do falecido marido: cuidar da sua sobrinha como se fosse sua própria filha. Porém, isso não aconteceu. Sem o afeto da tia ou dos filhos desta - e tampouco dos empregados - Jane Eyre é enviado para o orfanado de Lowood. Neste lugar duas pessoas conquistam o coração carente da órfã, a supervisora Srta. Temple (que é uma figura materna para a criança) e sua amiga Helen Burns. Esta duas figuras darão a força e o amor necessários para que Jane Eyre aprenda a viver na obscura instituição de ensino. 

Após essas duas perdas, contanto com a idade de dezoito anos - e exercendo a função de professora desde os dezesseis - Jane Eyre rompe o laço com a instituição e se torna preceptora de uma menina órfã: Adèle Varens, em Thornfield Hall - residência de Edward Fairfax Rochester.

Uma nota que fiz sobre essa "casa". Ao meu ver, parece que o Sr. Rochester gosta de enviar para esse lugar os seus "problemas". Bertha Mason é a primeira a viver naquela mansão e Adèle chegará depois. Duas personagens que Monsieur Rochester parece querer esquecer em um lugar que lhe trouxe sofrimento.

Apesar de ser um ambiente amigável (Thornfield Hall), Jane Eyre não encontra muita alegria na sua estadia na mansão. Seu espírito ainda anseia por partir e descobrir outros lugares - mas, então, um encontro em um caminho obscuro muda toda a configuração dos sentimentos desta preceptora. 

Outra coisa que notei é que os fatos mais importantes da trama - os mais significativos pelo menos, acontecem à noite (ou madrugada). Preciso fazer mais anotações sobre isso em uma próxima leitura. Eu, infelizmente, somente atentei para este fato quando já havia passado da metade da leitura, mas os encontros com Rochester, com St. John e tantas outra decisões e atos aconteceram na madrugada ou, pelo menos, à noite. A Lua - nosso querido satélite natural - faz sua participação como coadjuvante nestas cenas "de la nuit".

Eu achei o capítulo vinte e sete interessante por ser a visão do Sr. Rochester sobre o primeiro encontro e tudo o houve até aquele momento - e foi um capítulo longo (o maior deles?) para o ponto de vista destas duas personagens.

Eu não quero parecer macabra, mas eu sou apaixonada pelas cenas de "sofrimento". Existe uma autenticidade na dor e nos conflitos que Charlotte Brontë descreve que impossível não entender o que Jane Eyre sente e como seu psicológico e moral sofrem quando ela se diante de grandes dilemas. 

Antes de terminar, quero deixar registrado que, assim como em Shirley, há uma punição e redenção para uma personagem. Quando o mal é causado, o agente precisa ser punido para que haja a redenção daquele que fez sofrer. 

Nesta leitura eu usei tantos "post-it" para marcar o que eu achei interessante, desde frases, o "escuro", e, também, todas as vezes que a protagonista descreveu o físico do Sr. Rochester (eu não sei porque fiz isso, mas foi algo que simplesmente aconteceu). Eu deveria tirar essas marcações, mas talvez eu as aproveite em outra próxima leitura, ou resolva fazer anotações à parte em algum caderno sobre o que senti/entendi sobre. 

Termino por aqui, e com a triste constatação que, apesar de ser a segunda leitura desta obra, é a primeira vez que escrevo sobre ela. Talvez eu seja mais eloquente na terceira 😉


Omnia Vanitas 💀



5 de outubro de 2020

A família Brontë..



Olá, obcecado leitor!

Eu não sei em que ponto da minha vida eu enlouqueci com as irmãs Brontë. Eu sou uma apreciadora das obras delas, mas parece que este ano, para ser mais exata em Setembro, elas me viraram de cabeça para baixo.

A primeira e última leitura que fiz dos livros que eu tenho delas em meu acervo, foi no ano de 2013. Li as três e, em 2015 eu li a Juvenília de Charlotte e Jane Austen. E por falar em Austen, também estou me devendo uma releitura dos seis romances (completos).
Voltando às Brontë; neste ano eu fiz a leitura anual de Norte de Sul da Elizabeth Gaskell. E, por ter uma assinatura no site Anne Brontë eu descobri que este livro da Gaskell foi inspirado em Shirley da Charlotte. Foi o que bastou para eu me decidir a ler os romances das irmãs - pelo menos compõem o acervo (parcial) na minha casa. E então comecei a fuçar mais sobre a família Brontë, assisti "lives" de pessoas que tem cátedra para falar sobre os Brontë, Gaskell e Austen. E cavocando um pouco mais, achei esse livro aí (da foto), que foi publicado no ano passado pela Faro Editorial. Busquei um pouco mais, achei um preço bem camarada no exemplar, convenci meu marido que minha vida dependia desse livro ..e voilà

Maria Brontë é uma figura silenciosa dentro da família Brontë: futura esposa de Patrick Brontë  e mãe de seis filhos - sendo que todos morrem em idade tão jovem (e prematuros) quanto a matriarca; deixando o marido, Patrick, como último a se despedir desta terra finita. 
Dois anos antes do seu casamento com o pastor Brontë (Prunty/Brunty), Maria Branwell tinha em seu poder um exemplar "The Remains of Henry Kirke White". No ano de 1812, ao se mudar para a terra de seu noivo, o navio que levava seu baú sofreu um naufrágio  que levou muitos bens pessoais para as profundezas do mar - porém, alguns foram recuperados pelo fato do acidente ter acontecido perto da margem.
Recuperado o exemplar, ele compôs a biblioteca e o imaginário de toda a família Brontë. Neste exemplar - que não foi apenas lido - foram anotados pensamentos dos leitores desta obra. 
No ano de 1861, após a morte do último membro deste núcleo familiar dos Brontë, muitos bens que ficaram para trás foram vendidos, entre eles, o exemplar de "The Remains of...". Viajando por mãos desconhecidas até chegar na América do Norte sob a tutela de um colecionar particular, em 2015 o exemplar foi comprado pelo The Brontë Society e publicado pela primeira vez em 2018. 
Anotações preciosas que permitem ao leitor descobrir uma nova faceta sobre as inspirações e ideias desta família extraordinária estão disponíveis para quem interessar possa.

O exemplar não possui os poemas de Henry Kirke White, apenas os manuscritos que foram encontrados nele e notas histórias sobre cada momento destas pessoas que encantaram o mundo com histórias e vidas tão sublimes. 

2 de outubro de 2020

Vigésima quinta leitura..

 



Fim de mais uma leitura !!! 


A partir de Shirley, eu decidi reler os livros das irmãs Brontë que estão comigo; e a escolha de desta obra de Charlotte Brontë é especial: foi nele que Elizabeth Gaskell se inspirou para escrever o meu amado Norte e Sul - porém, o livro de Charlotte não alcançou a mesma popularidade que o livro da amiga.

A publicação no livro foi no ano de 1849 - edição em três volumes sob o pseudônimo de Currer Bell. Este romance foi precedido por Jane Eyre (que teve uma ótima recepção pelo público e até hoje conhecido como a magnum opus de Charlotte Brontë) e seguido por Villete

A trama de Shirley acontece entre os anos de 1811 e 1812  - no período que a Inglaterra fecha o seu comércio por conta da guerra com Napoleão. Assim com em Norte e Sul, existe uma revolta ocasionada pela falta de emprego - porém, neste romance de Brontë a revolta se dá pela ocupação que as máquinas terão em detrimento a mão de obra humana. O desemprego é um dos temas de Shirley. A questão religiosa é uma das diferenças entre os romances de Gaskell e Brontë: em Norte e Sul é um assunto tratado de modo mais ameno, porém em Shirley a questão é mais aberta mostrando a rivalidade entre whigs e tories - para saber um pouco tem uma nota nesta publicação aqui

As personagens de Shirley também serviram de inspiração para Norte e Sul. O industrial Roberto Moore lembra muito a personalidade forte e determinada de John Thornton 💓. Ambos são ambiciosos, mas em Thornton há uma conotação de herói da trama que não lhe permite os erros de caráter de Roberto Moore. 

Entre as protagonistas, nenhuma delas tem relação entre si.

O romance, na minha opinião, poderia se chamar Carolina, pois mais de oitenta por cento da trama gira em torno desta personagem. A personagem que dá título ao livro aparecerá somente no capítulo dez (a partir da página 130 no meu exemplar*) e terá algumas participações na trama. Carolina Helstone, por outro lado, tem uma personalidade definida desde o início da trama e sua ausência na história se dá apenas para que o enredo entre a protagonista e Luís Moore 💗 cresça para fechar a trama.

Algumas anotações sobre Shirley - a mulher e não o livro - devem ser escritas: o nome dela era prevalentemente masculino, mas depois da publicação da obra algumas mulheres foram registradas com este nome. Shirley é uma das poucos mulheres ricas (protagonistas) que povoam as obras de Charlotte Brontë. Shirley tem personalidade forte e, por ser rica, muita das suas vontades são satisfeitas e poucas vezes é repreendida por algum ato cometido ou palavra dita. Shirley é quem cuida dos seus negócios, responde as cartas comerciais - geralmente feito pelo homem da casa ou por um contratado para o serviço; e por suas atitudes "masculinas", o tio de Carolina chama a herdeira de "Capitão Keeldar" - que é o sobrenome de Shirley, Keeldar. E ele o faz sem sentido pejorativo. E estas não são as únicas peculiaridades desta protagonista: seu cachorro não é de uma raça recomendada para "damas" - eu acredito que seja um buldogue inglês que, apesar de pequeno não é "educado". Geralmente as moças tinham poodles ou raça semelhante. Uma passagem intrigante para mim foi quando a sua acompanhante, a misteriosa senhora Pryor, repreende Shirley por ela estar assobiando - desde a primeira leitura essa foi uma parte marcante pois me instiga a pensar que não era "apropriado" para uma mulher assobiar - talvez seja pelo fato de homens usarem isso para caça (?); não sei!

Em oposto à Shirley está Carolina Helstone. Como em geral nos romances de Charlotte, ela é órfã - apesar de não saber o paradeiro da mãe, o pai é falecido. Mora com o tio que é pastor e tem sociedade com um casal de primos, os Moore (inicialmente Hortência e Roberto) e posteriormente, Luís. O fato de ela ser órfã e não ter fortuna para si, a faz crer que ser solteira será seu destino. E, o próprio Roberto a rejeita como esposa pela sua pobreza - pois com a guerra e sua possível falência, Roberto precisa de um cônjuge que lhe traga benefícios financeiros para que ele reerga a sua fábrica.  

Carolina é a personificação da heroína. Ela sofre por um amor que não pode ser conquistado, ela ajuda a todos além das suas forças, abdica do bem estar para que outros possam estar bem, jamais afirma que está cansada ou que algo lhe abate a alma - tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta - como está no Evangelho. E todos os benefícios colhidos (mesmo os mais ínfimos) são louvados, todas as injúrias sofridas são perdoadas em nome do amor.

Enquanto em Norte e Sul a morte permeia a trama, em Shirley ela é descartada. Talvez, porque no momento em que escrevia este romance, Charlotte Brontë havia perdido seus três último irmãos: Branwell (setembro 1848), Emily (dezembro 1848) e Anne (Maio 1849). 

Carolina sofre de um terrível mal físico (e psicológico)  que a deixa por várias semanas doente, a beira da morte. Sua recuperação se dá por meio de uma revelação que lhe trás um motivo para lutar contra a morte. Segundo uma amiga íntima de Charlotte, Carolina foi inspirada em sua irmã mais nova Anne e, pouca certeza há, que Shirley foi dedicada à Emily. Ellen Nussey, a amiga íntima, nunca confirmou a inspiração de Shirley em Emily. 

Um adendo para Luís Moore. 

Este irmão de Hortência e Roberto aparece no final da trama. Sua aparência não é tão bela quanto a de Roberto, mas ambos se assemelham fisicamente - e a comparação para por aí. Luís é quieto, mas altivo. Escolhe suas palavras antes de dizê-las, ao entrar em uma conversa ele domina o interlocutor - mesmo sendo Shirley. Ele é professor. E essa profissão é importante para Charlotte Brontë. Em sua estadia em Bruxelas, ela se apaixonou pelo professor, casado, Constantin Héger. Ela lhe enviava cartas para ele -  mesmo não sendo encorajada a fazer isso. A obsessão por este homem está marcado em seus romances: em O Professor (romance póstumo, publicado em 1857) William Crimsworth é a representação de Héger; em Villette ele é Monsieur Paul; em Jane Eyre ele é Mr. Rocherster. 


Então é isso! 

Omnia Vanitas 💀


*BRONTE, Charlottte. Shirley. Ed. Brasileira, 1949. Tradutor: Fábio Valente.


25 de agosto de 2018

Maratona ..


Olá, anônimo leitor! 

Semana passada meu marido precisou viajar à trabalho. E, desde que esta notícia chegou ao meu conhecimento, eu programei fazer "maldades" na ausência dele.

A minha "maldade" consistiu em assistir as minisséries baseadas nos livros de Jane Austen, Charlote Brontë e Elizabeth Gaskell.

Já tinha muito tempo que eu não assistia essas produções por respeito às obras originais porque sou uma pessoa um pouco confusa: misturo os livros com as minisséries e me perco ao contar as histórias.

Primeiramente, assisti Jane Eyre. Depois Orgulho e Preconceito, Emma, Miss Austen Regrets*, Razão e Sensibilidade. E, para terminar, Cranford.

E a cada capítulo, eu tinha vontade de pegar o livro e ler a história de uma só vez! Infelizmente, por falta de espaço em casa, estes livros estão na casa da minha mãe e, também, eu não abandonaria a leitura da época {À Espera de Um Milagre, Stephen King}.

Foi muito boa esta experiência extra-livro; e, por mais que eu ame Razão e Sensibilidade, eu descobri que tenho um carinho por Emma - e pelo senhor Knightley. 

Com a chegada de Setembro, chega a época de eu ler meu querido Norte e Sul, de Elizabeth Gaskell - motivo pelo qual eu não quis assistir à minissérie.

É isso aí, leitor! 
Termino esta publicação recomendando cada livro - todos valem muito a leitura! 

Omnia Vanitas 💀

* Miss Austen Regrets não é baseado em um livro, mas eu assisti, também, durante a maratona. 



8 de setembro de 2017

Continuações..


No último domingo que passou, eu assisti ao filme "Jane Eyre" e, mesmo não gostando do filme, decidi que os livros das irmãs Brontë + Jane Austen + Elizabeth Gaskell {minha leitura atual} precisavam de uma releitura, também.

Estou louca para reler Villete, Jane Eyre, Razão e Sensibilidade (meu queridinho), Persuasão ..ou seja, todas as novelas integrais de Jane Austen e das Brontë.. Nossa, Morro dos Ventos Uivantes. Estou aos pulos querendo ler tudo ao mesmo tempo! Quero hoje me deliciar nessas páginas, entregar meu tempo nestas narrativas que me trazem tanta satisfação ao ler. 

E, para adicionar à esta lista, eu tive o prazer de "roubar" do sebo o exemplar de Agnes Grey, de Anne Brontë, que faltava na minha coleção. 

Tantos livros para ler, tão pouco tempo para desfrutá-los.



13 de março de 2017

Bagagem..



Olá, leitor!

Visitinha à casa da mamãe no fim-de-semana!
Além de matar a saudade dos meus pais, trouxe uns livrinhos do meu antigo escritório. Deixe-me apresentá-los, desconhecido leitor:

Releituras:
Jane Eyre, de Charlotte Brontë
A Ilha do Tesouro, Robert Louis Stevenson
Ah King, de Somerset Maugham
Um Drama na Malásia, de Somerset Maugham

Primeira leitura:
- As Aventuras de Huclkeberry Finn, Mark Twain
- Nas Montanhas da Loucura e outros contos, H.P. Lovecraft
- As Aventuras de Arthur Gordon Pinn, de Edgar Allan Poe
- Biombo Chinês, de Somerset Maugham

Duas leituras são compras "frescas". Durante a viagem até a casa dos meus pais, o livro do americano Lovecraft foi comprado durante um lanche em um posto; e, o livro do Maugham foi a compra da semana passada.
As Aventuras de Arthur Gordon Pinn foi uma "dica de leitura" da leitura de Nathaniel Philbrick em No Coração do Mar; e As Aventuras de Huclkeberry Finn foi uma opção para a sequência da minha leitura atual, As Aventuras de Tom Sawyer.
O livro A Ilha do Tesouro foi uma opção para depois de Moby Dick, porém outras leitura surgiram, mas continua na lista de releituras pois junta dois ingredientes das outras histórias: adolescentes em aventuras e tesouros + mar. 

E Maugham é sempre uma boa releitura.

Deixando de lado "os homens", Charlotte Brontë e sua Jane Eyre. Eu não entendo porque deixei ela na prateleira..mas erro desfeito!

É isso!





6 de novembro de 2016

A Lista de Adelita


Voltei!

E estou com uma dúvida cruelíssima! Que livros ler em 2017?

No ano que vem, eu me comprometi a ler todos os livros que eu já li (e tenho); ou seja, 2017 será um ano de releituras. Será maravilhoso poder ler os livros que me encantaram .. mas, QUE LIVROS DEVO ESCOLHER??

Vou ler Maugham: mas que livros de Maugham devo ler? Amo todos que li: O Véu Pintado, O Fio da Navalha, Ah King, Histórias dos Mares do Sul ..nossa! Tudo de Maugham eu amo!

E Stephen King? Meu primeiro livro foi O Cemitério, adorei Desespero, Cujo, O Iluminado, A Coisa, Misery .. tudo!

E Tolkien? O Hobbit, Silmarillion ou a trilogia do Anel? Todos? E Contos Inacabados, Mestre Gil de Ham, Roverandom..??

E as irmãs Brontë? E Jane Austen?

E ainda tem Dostoièvski, Melville, e ainda tem a literatura brasileira: Machado de Assis, José de Alencar, Rachel de Queirós, Aluísio Azevedo e .. e.. tantos livros e apenas 365 dias. Que injusto! Que cruel!

Sem contar que não posso deixar minhas leituras em francês paradas para não retroceder .. então, ou releio tudo o que li em francês ou terei problemas em mantes o vocabulário que aprendi até agora!

A vida é cruel com leitores compulsivos e ansiosos!

Omnia Vanitas!

17 de abril de 2015

C'est Fini..


Foi quase uma saga, mas cheguei ao fim! 

Eu não gosto de ficar muito tempo com livro para ler - diga-se de passagem que tenho um limite de, no máximo, 20 dias para ler um livro de 400.
A Juvenília contém 442 + Notas Explicativas. 
Eu teria terminado no prazo, se não fosse a confusão que fiz com a leitura inicial da Juvenília de Charlotte Brontë (vide publicação Recomeçar). Mas nada é perdido quando há o empenho em compreender!

Fim!

O livro das rivais chegou ao fim e, notei ao fim da leitura de "Elizabeth Hastings" o mesmo que notei ao fim de "Amor e Amizade" de Jane Austen: o melhor conto ficou para o final.

"Elizabeth Hastings" teve bom humor, investição e perseguição policial e amor. Mas não pense que "amor" em Charlotte Brontë tem a denotação de "sentimentalismo barato". Ela é dramática e suas paixões estão longe de serem eufóricas ou choramingas. Charlotte Brontë é uma mulher de convicções fortes e marcantes, e quem LEU alguma obra desta autora sabe sobre o que estou escrevendo. Suas heroínas são plenas conhecedoras de si mesmas, são intelectuais, morais e, principalmente, vivas! Charlotte critica Jane Austen e suas personagens:

"(...) o que pulsa rápido e pleno, embora oculto, o que o sangue atravessa, aquilo que é a morada invisível da vida e o alvo consciente da morte - isso a srta. Austen ignora".
Malvadinha essa Charlotte!  Mas é isso, as  personagens de C.B. amam beirando o abismo e permanecendo fiéis ao amor, mas não se jogam em honra de si mesmas!

"Elizabeth Hastings" termina com a lembrança de Jane Eyre e sua fuga de Mr. Rochester no pós quase casamento (rs).

Como é escrito na introdução desta obra "essa juvenília é, claro, às vezes, imperfeita e infantil". Algumas histórias terminam sem pé ou cabeça e deixa o leitor (no caso, eu) com um Hã?! sem explicação.

É isso, meninas e meninos, senhoras e senhores, leitoras e leitores! Divirtam-se com essas adolescentes que se tornaram mulheres marcantes na literatura universal - que nasceram imperfeitas e terminaram aclamadas como mulheres que contribuíram para a que outras do mesmo sexo possam mostrar seu valor! 

Omnia Vanitas.

14 de abril de 2015

Prostituto de Luxo ..


Ainda estou lendo a Juvenília de Jane Austen e Charlotte Bronte! Estou na última parte, que cabe a Charlotte e, no início desta última parte, o prólogo chamou minha atenção. Eu achei divertido e original no melhor estilo do estilo "Homem Solteiro Procura..". Segue:

"Um jovem de aparência cativante, eloquência elegante e comportamento cavalheiresco deseja obter seu pão sem esforço e viver desfrutando do nível mais alto possível de conforto e esplendor através do nível mais baixo possível de labuta ou fadiga. Com esse objetivo, pede permissão para informar o público de que lhe seria extremamente conveniente uma fortuna de herança ou se casar com uma mulher cujo menor mérito não deve ser seu dote pecuniário.
O anunciante não é rigoroso quanto à idade nem enfatiza os encantos transitórios meramente físicos - que, de acordo com a opinião dos melhores médicos de todas as eras, podem ser removidos apenas por uma doença que dure alguns dias ou pelo mais trivial dos acidentes.
Ao contrário, uma forma simetricamente imperfeita - um membro que esteja lateral, horizontal ou obliquamente fora da linha da mais rígida retidão; ou mesmo a ausência de uma feição, como um olho ou uma fileira de dentes a menos - não será uma grande objeção para este este indivíduo esclarecido e sincero, contanto que sejam oferecidas provas satisfatórias da posse dessa grande e essencial virtude, desse eminente e irresistível charme: D - I - N - H - E - I - R - O! Escrever para C.T. - aos cuidados do sr. Graeme Ellrington, nº 12, rua Capela, Verdópolis. 
P.S. - Não deve se oferecer para a posição ninguém que tenha uma fortuna em cédulas, terras ou títulos de menos de vinte mil libras. O anunciante se considera uma barganha pelo dobro do preço".

Depois eu conto se houve respostas ao sincero pretendente! ;)

3 de abril de 2015

Recomeçar...


Comecei a ler a Juvenília da senhorita Austen e da irmã Bronte: Charlotte.
Sábado, eu comecei a leitura da segunda parte, de Charlotte.  

É impressionante a diferença entre essas duas mulheres! Enquanto a juvenília da senhorita Austen tem um humor irônico, Charlotte possui aquele drama e  obsessão que lhe é característico! Talvez, por esse motivo eu não consegui prosseguir com a leitura: precisei recomeçar. Voltei à página 211 (início da juvenília de Charlotte Brontë) para poder compreender aquilo que não estava mais lúcido na página 289. Parece um caminhar para trás, mas eu não vejo assim. Ler um livro em que somente as palavras são decodificas, ao meu ver, é retroceder. Não que com esta afirmação eu esteja tornando nobre o meu ato, mas, realmente, como leitora eu não me contento somente em acumular leitura, eu aprecio a compreensão do que estou lendo. Portanto, mesmo que isso me custe mais uma semana até chegar ao fim deste livro, eu ficarei satisfeita em terminá-lo sabendo que compreendi o máximo que pude dele.

Então.. 'bóra recomeçar! 

Omnia Vanitas.

29 de janeiro de 2015

Empréstimos..



Eu não sou de confiar muito meus livros a outras pessoas. Prefiro comprar um exemplar para ela do que emprestar um meu.

Porém, toda regra tem uma exceção. Há uma amiga que sempre leva de mim nada menos que cinco livros (lidos ou não lidos) da minha prateleira. Não lembro, exatamente, quanto tempo isso acontece, talvez esteja completando dois anos (?).
Nós usamos dois sistemas para esse empréstimo:

- ou ela me manda um email dizendo que terminou de ler os livros que levou e eu separo outros, a meu gosto (exceto a literatura brasileira que ela não curte), empacoto e mando por um motoboy pago por ela.

- ou marcamos um encontro para que a renovação seja feita.

Eu me sinto a Biblioteca Particular dela.

O último empréstimo aconteceu ontem. O motoboy levou - empacotados de forma muito segura - os livros acima. Foram poucas as vezes que ela não aceitou a leitura que ofereci. Desta vez, o retorno foi de "Homens, Lobos e Lobisomens" que, segundo ela, não "casou com o gosto". Espero que desta vez todos casem (rs).
 Nesta remessa houve somente um pedido especial: "Bando de Pardais" de Takashi Matsuoka. Ela leu "Ponte de Outono" e, assim como eu, ficou apaixonada e quis ler outro livro do autor. Eu lembro que li em Setembro de 2012. Fiquei muito encantada, com aquele "ar de apaixonada". Para remediar esse sentimento literário de amor, eu comecei a ler "O Primo Basílio" de Eça de Queiróz, pois esse personagem é um cafajeste de marca maior! 
Ainda não li "Bando..." mas está na lista!

Porque escolhi os livros que escolhi?

- todas merecem se apaixonar pelo sarcástico e irônico Mr. Rochester
- Maugham é sempre muito bom e contagio todos que posso com esse autor
- o livro do Stephen King é maravilhoso, chorei bicas!
- Alice Walker é impressionante com A Cor Púrpura (sempre choro)
- Matsuoka foi pedido
e, "Filme Perfeito" é um livro da minha mãe (coisinha bem doce - rs).

Então .. é isso!

Omnia Vanitas.



11 de janeiro de 2015

Sobre as Férias..


Fim das férias!

Quantas coisas eu fiz! Quanta vontade de fazer tantas outras!

Depois da correria do Natal, reformei meu escritório! Ficou lindo! Do jeito que quero, do meu jeito! Meus livros ordenados nas prateleiras que escolhi e fixei! A cor que desejei na primeira reforma...agora é real. Quatro dias de trabalho e a satisfação durará sempre! Nada melhor do que poder realizar aquilo que deseja!

Durante esse tempo, minha leitura não foi neglicenciada. Terminei de ler Villette.  Por conta deste fim, eu comecei outra leitura de Charlotte Brontë, O Professor
Maugham também foi visitado nestas férias: Ah KingHistórias dos Mares do Sul, O Destino de Um Homem e Um Gosto de Seis Vinténs. Dumas também participou com O Filho do Forçado.
Foram ótimas madrugadas adentro junto de cada livro, livre de preocupações, somente o prazer de saborear uma leitura tranquila e gostosa.

Também tive liberdade para visitar a família e ajudar amigos. Pesquei, ri, nadei, suei (rs), brinquei com minha cachorrinha, comprei livros, ganhei presentes e muito mais.

Se gostaria de fazer outras coisas? Eu não mudaria as coisas que fiz, mas teria tantas outras que acrescentaria. Precisaria de mais dias e mais dinheiro (rs).

Férias, na verdade, é igual chocolate: você precisa saborear cada pedacinho antes do fim! 

Agora é aguardar por pequenos feriados e, claro, as próximas férias! Até lá estudar, nadar, trabalhar, curtir os amigos e ... outras coisas (rs).

Então, que comece a labuta!!!

Omnia Vanitas.

8 de janeiro de 2015

A Vaca..


Eu estava indo dormir, mas vi este post no Facebook e decidi escrever umas besteirinhas (rs).

Um um sábado qualquer, eu fui visitar minha professora de língua hebraica para tirar uma dúvida (fico tão feliz quando tenho somente uma dúvida rs) e, enquanto ela atendia uma chamada ao telefone, eu fiquei xeretando os livros - ela é dona de uma livraria. 

Passando os olhos por alguns títulos muitíssimos interessantes, eu descobri Lady Susan. Eu li esse livro durante minhas férias de 2012. E, como naquela época eu já tinha a leitura dos seis livros principais de Jane Austen - a autora de Lady Susan - eu não pude deixar de achar, no mínimo estranho, a mulher que criou Elizabeth Bennet, Elenor Dashwood, Fanny Price, Emma Woodhouse e Anne Elliot (sem citar as coadjuvantes destas heroínas) criar uma mulher tão vaca como Lady Susan
Quando a minha professora desligou o telefone, eu estava com o exemplar nas mãos e disse para ela:

- Se alguém pedir referência sobre este livro, diga: Lady Susan é uma vaca!

Ela riu do meu comentário, e duvido que utilize-o para alguma venda do exemplar (rs).

Mas, leia isso, sonolento leitor, a Editora Pedrazul está fazendo a alegria de muitos leitores (prefiro acreditar que existem homens que curtam essa leitura) publicando uma vasta coleção de livros que foram negados, durante muito tempo, àqueles que somente leem em PTBR.

Além da vaca Lady Susan, também a biografia escrita por um parente de Jane Austen está em lançamento. 
O que espero, ansiosamente, é a publicação das cartas da senhorita Austen para sua amada irmã, Cassandra. Biografias não são meu forte, mas cartas...ah..eu sou apaixonada por cartas, diários e semelhantes. Escritos pelo punho do autor(a). Isso sim é biografia!! 

Outras publicações da Pedrazul (hoje estou pagando pau para essa editora - rs) é meu querido livro Villette e Shirley da irmã Brontë Charlotte. 
O primeiro eu comprei da Pedrazul, mas Shirley eu comprei em um sebo de São Paulo (on line). Trata-se de uma jovem senhora de Sessenta e Cinco anos (completará 66 em Outubro deste ano). É linda! Enxuta! Firme! Com aquele cheirinho de livro velho (rs) e alguns ácaros pendurados. Por sorte achei mais dois exemplares usados, além do meu, e presentei duas amigas que também gostam de Charlotte Bonte. Em Shirley, eu "conheci" o professor Loius Moore...um fofo! 
Termino este post com um trecho do capítulo Vinte e Seis, de Shirley, meu preferido:

...Não gosto das coisas doces, se não são picantes; ou das coisas brilhantes, se ao mesmo tempo não queimam.

Omnia Vanitas.

29 de dezembro de 2014

O Professor ..




Preciso dar algumas explicações antes de começar a escrever sobre O Professor de Charlotte Brontë.  

Primeira explicação, a foto! Trata-se da imagem do filme de Indiana Jones e Os Caçadores da Arca Perdida. É uma cena, na minha opinião, clássica! Quem nunca se apaixonou pelo professor? Meu deus, eu várias vezes..Professor de Ciências na sexta-série, de Educação Física na Sétima, de Literatura Portuguesa em Letras... Mas nenhum deles se compara a Henry Walton "Indiana" Jones Jr. Uma graça! E, para quem não notou, está escrito "Love You" nas pálpebras da estudante enamorada.


Segunda explicação: eu lembrei muito de outro professor de Charlotte Brontë, o meu querido Luís Moore. Este personagem faz parte do livro Shiley; eu o conheci em Março de Dois mil e Treze, durante uma série de leituras Brontëanas que fiz naquela época. Deixei uma lembrança de Luis Moore, em duas partes, que já publiquei neste blog: parte I parte II . Sempre que eu faço uma faxina nos livros, Shirley é aberto no capítulo Vinte e Seis para "matar" minha saudade deste professor.

Agora, vamos ao livro.

A apresentação da família Crimsworth lembrou muito outros dois irmãos: Roberto e Luís Moore. Sim, o professor Moore esteve em meus pensamentos durante toda a narrativa de O Professor. Primeiramente, porque em Shirley também um irmão trabalha na indústria e o outro é professor. Roberto é muito ativo na área industrial - que está em expansão na Inglaterra e, Luis, é o ex-professor de Shirley que visita à ex-aluna junto com a família do seu atual pupilo. 
A diferença entre essa dupla de irmãos é que entre os Crimsworth o convívio era impossível entre ambos, o que não aconteceu entre Roberto e Luís.

O Professor é um livro muito tranquilo para ler. Pela primeira vez eu tive a oportunidade de ler uma narrativa Brontëana na perspectiva de um homem, pois todo o livro é narrado por William Crimsworth, o professor. 

Um personagem que me cativou foi Hunsden Yorke Hunsden. Ele pareceu à mim  uma espécie de duende travesso que cruzou a vida de William. Muito matreiro e interessado na vida desde desaventurado professor. Deixo, abaixo, apenas duas passagens que afirmam meu dito anterior:

Tenha cuidado! Não sabe o dia nem a hora em que chegará o seu ... (como não quero blasfemar, deixo a palavra em branco).

Hunsden é assim, chega sem ser convidado, falo sobre o que não foi questionado e não está nem aí se o ouvinte gostará ou não dele pelo que disse. Outra cena que gostei foi a seguinte:

A gente sente uma espécie de estúpido prazer, quando dá bombons a uma criança, guizos a um louco, um osso a um cão. Fica-se recompensado, vendo a criança sujando a cara de açúcar, como o louco fica extasiado, imaginando outro louco mais louco que ele, observando a avidez com que o cão se atira ao osso. Oferecendo a William Crimsworth o retrato de sua mãe, dou-lhe bombons, guizos e um osso, tudo ao mesmo tempo. Lamento apenas não estar presente para contemplar o resultado da oferta. Teria acrescentado cinco shillings, ao preço da compra, se o avaliador me houvesse garantido esse prazer. 
Não pense, caro leitor, que estes dois cavalheiros eram amigos. Nunca houve dois opostos tão próximos por nada. Hunsden condenava a vida que William escolheu para si, também não aprovou a esposa que William escolheu e, por toda a sua vida, importunou o casal Crimsworth permitindo-se a aventura de "desvirtuar" o filho do casal, Victor. Hunsden nunca se casou - um solteirão convicto. Jurava estar procurando a mulher ideal, quando, na verdade, na minha opinião, não tinha caráter forte o suficiente para assumir aquela que era dona do seu coração. 

Se comparado à Villette, O Professor é uma leitura bem doce, com um final feliz e um casal de sucesso - com direito a filho e tudo mais.

Portanto, quero ressaltar duas coisinhas que chamaram minha atenção. 
Primeiro, houve beijo na boca! - o que  é raro acontecer um romance deste gênero. Das três irmãs, a mais "ousada" foi Anne Brontë em sua Moradora de Wildfell Hall, quando a protagonista pede a mão do amado Gilbert em casamento. Moribunda safadénha! (rs)
Segundo, em O Professor, algo me surpreendeu: William permitiu que Frances continuasse na função de professora mesmo após o casamento. Pensei, cá comigo, que quando uma criança nascer ele a tornará uma exemplar dona de casa victoriana. Acredite, querido leitor, ele a manteve ao seu lado como professora. Um exemplo de marido, hein! Quase perdeu para Mr. Darcy - só que não! (rs).  

É isso, leitor! Hoje começo minha leitura de Ah King, do meu amado amante Somerset Maugham.

Os Meninos da Rua Paulo - Prefácio

  Olá, abandonado leitor!  Comecei neste final de semana a leitura de "Os Meninos da Rua Paulo". Ainda não cheguei na página 50, a...