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17 de junho de 2023

O caso do cachorro ..


 Olá, esquecido leitor ! 

 Apesar de passar muito tempo longe deste blog, tentei voltar algumas vezes mas o tempo nem sempre está do meu lado e, também, eu não sabia como colocar os pensamentos em ordem para escrever.

Portanto, ..

Vamos lá, anônimo leitor,  vou tentar escrever algumas loucuras por aqui .

Em Dezembro de 2021 eu comecei a ler "Le tour du monde en 80 jours" de Jules Verne. E foi um desafio enorme ler uma obra integral em língua francesa - eu tenho uma coleção de literatura infanto-juvenil muito legal do Petit Nicolas que me ajuda com um pouco de vocabulário e para não "enferrujar" meu francês. Porém, eu sempre digo a mim mesma que se eu não mudar o autor ou estilo literario, estarei fadada à um vocabulário restrito pois, acredito que cada escritor tem suas palavras "preferidas" e seu jeito de escrever peculiar para formar uma linha de pensamento. Ler os livros de René Goscinny sobre as aventuras do pequeno Nicolau é muito divertido, porém, é limitado para seguir somente neste caminho. Portanto, pular de Goscinny para Verne foi um salto bem distante. Quando comecei a ler "Le tour du monde.." eu me abasteci de post-it, lápis e dicionários on line em língua francesa. Levei mais de um mês para terminar a leitura deste clássico de Jules Verner, muita borracha usada, muitas pausas para entender, absorver e pensar e não pirar (principalmente, não parar).

Depois desta leitura, eu precisei "descansar" minha alma e voltei a ler Goscinny. Mas fraquejei no quesito de não ler somente as aventuras do pequeno Nicolau. 

Ano passado, eu tentei ler um livro do meu querido Alexandre Dumas (pai); Georges. Ironicamente, eu não sabia que tinha uma cópia em língua portuguesa deste livro (Jorge, ou Capitão dos Piratas). Cedi a tentação de ler no meu idioma e abandonei, depois de três folhas, a leitura de Georges. Voltei para minha área de conforto: Petit Nicolas.

Neste ano, ainda com uma leitura de Petit Nicolas na lista deste ano, me desafiei a ler "La tulipe noire". Parei logo nas primeiras páginas pois sabia que seria um passo grande para mim. Deixe-me fazê-lo entender, desanimado leitor, que ler Jules Verne é muito diferente de ler Alexandre Dumas (pai). Dumas é mais descritivo - tudo é adjetivado com riqueza de detalhes enorme e, principalmente, Dumas é um romancista histórico o que trás uma gama de personagens e fatos que nem sempre permitem que o texto seja fácil de entender. Exemplo: minha leitura anterior a atual foi "A Guerra das Mulheres", de Alexandre Dumas (pai). Um livro muito bom! Cheio traição política, vinganças, paixões de caráter duvidoso e tudo mais - recomendo para você, desconhecido leitor; porém, antes de começar a leitura deste romance dumasiano, eu fui procurar o momento histórico que o escritor estava apresentando - e esta pequena paranóia foi de grande ajudar para entender o que se passava no romance, pois, amiguinho e amiguinha, o titio Dumas não tem o hábito de explicar os fatos históricos que ele se propõe a escrever - o leitor que lute! Eu lutei ! E foi bom! Portanto, ler "La tulipe noire" seria um outro mergulho histórico na guerra Franco-Holandesa que eu não estava disposta a começar. Deixei este romance de lado e peguei outro livro do papai Dumas que tenho em casa: "Histoire d'un Casse-noisette" - sim, é um Dumas infantil - pelo menos eu assim o considero.

Agora, determinado leitor, estou chegando onde quero, na leitura deste clássico que é "...Casse-noisette". 

Como eu escrevi anteriormente, Dumas é um escritor de detalhes mínimos e, acrescento agora, vocabulário rebuscado. Muitas das palavras que ele usa para seu texto são consideradas "francês arcaico". Até aí estou indo bem, louco leitor, um dicionário ajuda nesta parte; porém, existe um outro desafio em ler uma literatura estrangeira em língua estrangeira: conhecer os hábitos daquele tempo. Vou explicar esse fato com o que ocorreu nesta minha manhã de estudos/leitura: 


Il y a plus: sur la prière de la petite Marie, qui voyait avec peine le chien de la cuisine tourner la broche, occupation très-fatigante pour le pauvre animal, le parrain Drosselmayer avait consenti à descendre des hauteurs de sa science pour fabriquer un chien automate, lequel tournait maintenant la broche sans aucune douleur ni aucune convoitise, tandis que Turc, qui, au métier qu'il avait fait depuis trois ans, était devenu très-frileux, se chauffait en véritable rentier le museau et les pattes, sans avoir autre chose à faire que de regarder son successeur, qui, une fois remonté, en avait pour une heure faire sa besogne gastronomique sans qu'on eût à s'occuper seulement de lui.


Leitor, como eu vou saber que realmente era um cachorro que cuidava da caçarola?? Eu li, eu compreendi as palavras, busquei o significado de outras, mas como, incrédulo leitor, eu ia saber que era cachorrinho de carne e osso que auxiliava o "cozimento" ? Eu achei que ser tratava de um expressar linguística ou qualquer coisa do tipo; procurei por outras interpretações mas, infelizmente, acabei usando a tradução em língua portuguesa - quando nada funciona, leitor, eu dou esse golpe baixo na minha leitura! E esse foi  o meu caso com cachorro.

Então é isso, leitor! Talvez eu continue a escrever, talvez não.

Omnia vanitas 💀



3 de maio de 2020

Memórias de um Médico: primeira parte..


Livro um
Livro dois
Livro três
Livro quatro


Olá, leitor anônimo!!

Que prazer ter concluído esta primeira parte da saga Memórias de um Médico! Esta coleção estava mais de cinco anos na minha estante para a primeira leitura. E, desde a compra desta coleção foi algo muito especial para mim.
Deixe-me contar:

Eu tinha o plano de fazer um projeto de leitura livre no bairro que eu morava com meus pais; apenas um plano, quando uma amiga leu e levou à frente o projeto. Ela conseguiu vários patrocínios, bateu em várias portas para conseguir tudo o precisava para montar uma caixa para abrigar os livros. Depois, fomos buscar quem nos ajudaria com livros gratuitos para encher a caixinha. Visitamos alguns lugares que poderiam fornecer alguma doação para o projeto e, entre esses lugares, estava o sebo que eu amo visitar em Joinville - O Sebo Livraria. Foi lá que encontrei, sem ter procurado por ele na ocasião: foi na conversa informal com a dona do sebo sobre adaptações cinematográficas que cheguei a comentar sobre a saga e...ela tinha ! Não coleção completa, faltavam dois volumes que seriam muito fáceis de achar na internet ! E foi minha amiga que pagou para mim 😜 ..pois eu não tinha dinheiro na hora.

Ano passado eu fiz um "stories" no Instagram*  para comemorar o nascimento de Maria Antonieta pois a saga começa com a chegada dela na França para se casar com o Delfim (futuro Luíz XVI) e, me cobrei essa leitura pois era um crime ter passado tanto tempo para começar a lê-la. E, em Dezembro/19 eu trouxe a primeira parte para casa e jurei que começaria essa coletânea.
Neste ano, em março, foi obrigatório o recolhimento social por conta do COVID-19, então decidi começar a leitura desta obra de Dumas. Um dos motivo principais era não levar esses livros para minhas viagens de transporte urbano para não danificar mais a capa e páginas. Missão cumprida.

A leitura de todos os volumes foi muito agradável. Dumas (e Maquet) souberam compor uma trama que não deixou a leitura massante. Cada personagem foi bem aprofundada. Esta leitura me lembrou muito outras duas leituras: O Conde de Monte-Cristo (pela trama construída em lugares diferentes que se unem em determinada parte da narrativa) e O Visconde de Bragelonne por todas as tramas palacianas - o que me deixou com muita vontade de reler a trilogia de Os Três Mosqueteiros. 

Os romances de Alexandre Dumas são em sua maioria históricos. As suas personagens são reais mas o autor lhes dá atitudes que ele decide que servem para a sua obra. Ele não teve a intensão de tomar a história ao pé da letra, mas se utilizou dela para compor a sua realidade.  Portanto, a maior parte de seus personagem foram emprestados da história sem intensão de serem reais.
A corte francesa de Luíz XV está toda lá: a amante Du Barry, o marechal Richelieu - sim, mais um Richelieu, as filhas, o delfim, a nora Maria Antonieta... e o homem que dá nome a saga: Giuseppe Giovanni Battista Vincenzo Pietro Antonio Matteo Balsamo. José Balsamo.

Eu desconhecia totalmente esta personagem histórica. Ele foi tudo o que o Balsamo de Dumas é: maçom, alquimista, ocultista, feiticeiro, curandeiro - deve até jogar no bicho!
É com Balsamo que a trama inicia lá no livro um. Ele é o médico cuja memória é escrita.

O verdadeiro Balsamo, Giuseppe tinha uma real Lorenza - mas dela não procurei muito, visto que ela já deixou a trama. Giuseppe foi caçado pela inquisição e, teve um mestre que lhe ensinou sobre alquimia quando o rapaz tinha apenas dezessete anos. Giuseppe também atende pela alcunha de Alessandro, conde de Cagliostro e há alguns livros publicados sobre ele e o seu julgamento durante a Revolução Francesa.
Balsamo é respeitado até hoje como ocultista. Suas últimas palavras antes de morrer foram:
“Sono un cavaliere errante. Non sono di alcuna epoca né di alcun luogo, al di fuori del tempo e dello spazio, il mio essere spirituale vive la sua eterna esistenza e, se immergendomi nel mio pensiero risalgo il corso delle età, se distendo il mio spirito verso un modo d’esistenza lontano da quello che voi percepite, divengo colui che desidero."

Tradução: "Sou um cavaleiro errante. Não sou de nenhuma época ou lugar, fora do tempo e do espaço, meu ser espiritual vive sua existência eterna e, se imergindo em meu pensamento, volto ao longo dos tempos, se forçar meu espírito a uma maneira de existência longe do que você percebe, eu me torno o que eu desejo".

Nisso Dumas e Maquet acertaram: o José Balsamo da trama fictícia é um viajante além do tempo.

Omnia Vanitas.

*Salvo na pasta "Alexandre Dumas".

1 de maio de 2020

Leitura quinze..


Fim da primeira parte de Memórias de um Médico, de Alexandre Dumas. 

O último livro de José Bálsamo é quase uma história a parte da trama geral. Nesta parte do enredo, o destaque é para o drama da família de Tarveney, mais especificamente os dois irmãos Andréa e Phillipe. 

O sofrimento destas personagens se deve ao antigo conhecido da casa da Taverney, Gilberto. A obsessão deste por Andréa é notado desde o primeiro livro, quando ele deixa a casa do barão para seguir Andréa até a corte francesa. Sem muito o que deixar para trás, parte com algum dinheiro nos bolsos atrás da carruagem da filha do barão. Ele foi a pé.

Gilberto é dotado de uma sorte que desgraçados como ele não deveriam ter. Quase morrendo de fome e cansaço, é acudido pela irmã da favorita do rei o meio do caminho. Depois, sem ter onde ficar em Paris, encontra Jean Jacques Rousseau - de que é grande leitor - e permanece na casa dele para ganhar dinheiro, ensino e continuar sua aproximação de Andréa. Por mais um fortuna do destino, esta mora a cem passos da casa do seu protetor e ele consegue vigiá-la ela janela do seu quarto. 
Depois, expulso da casa de Rousseau, consegue emprego de jardineiro no Trianon - onde está Andréa e, claro, a vigia mais de perto.

Gilberto é o que se chama hoje de em dia "perseguidor". E, como cultura da época, depois de estuprar sua vítima/amada, ele quer redimir seu crime casando com a moça. E, claro, arruma quem lhe dê dinheiro para o dote de casamento. 

Gilberto nunca foi uma personagem com quem consegui estabelecer uma ideia boa sobre ela. Algo na descrição dele e nas suas atitudes é incômoda: e se mostrou exatamente do que dele se esperava. Tudo o que Gilberto faz é mau - e ele tenta colocar uma "intensão" nobre para justificar suas atitudes: o desprezo de Andréa ao saber que ele é  pai do filho que ela espera (ele a estuprou enquanto ela estava entorpecida) parecia para o criminoso uma ação incoerente visto que ele a amava e queria redimir seu erro. Ele só produz um absurdo atrás do outro. Todas as oportunidades honestas que lhe apareceram na vida ele as transformou em desgraça. 

O epílogo da trama apresenta a doença do rei Luiz XV e sua morte para a ascensão do Delfim e Maria Antonieta. 

A segunda parte da saga será O Colar da Rainha, com dois volumes, e tratará do caso do colar de diamantes de  Maria Antonieta às portas da Revolução Francesa.

Omnia Vanitas 💀

13 de abril de 2020

Leitura treze..


Olá, confinado leitor!

Fim de mais uma leitura! E que leitura! Eu concordo com cada letra da frase da professora Maria Lúcia Dias Mendes: "Alexandre Dumas é um bom contador de histórias". Ele sabe como deixar suas histórias com um gosto de "quero mais". 

A condessa Du Barry ainda não tem descanso com o seu França (Luis XV). Por falar neste apelido, eu acho uma graça quando ela o chama por esta alcunha. 
Para Dumas, Luis XV é um rei que reina sem se preocupar com o presente e com o futuro. O futuro não é da responsabilidade daqueles que o viverão, e o presente se resolve sozinho. 

José Balsamo usa da sua alquimia para trazer alguém para o seu lado - comprado. E o mais engraçado é que ele precisa passar recibo (da compra) para seus companheiros da seita. 
Ainda sobre Balsamo, sua esposa o ama quando está em transe de sono mas o renega quando está acordada. Dormindo, ela tenta seduzir seu marido para que a noite de núpcias seja consumada; acordada jura que irá matar-se se ele tocar nela. E Balsamo concorda que deseja tocá-la mas para sua feitiçaria precisa que ela se mantenha virgem. Interessante.

Ainda sobre casamentos não consumados, o Delfin tem o seu casamento mas uma noiva histérica no quarto. Mas ele não se preocupa visto que também não seduz sua noiva para levá-la à alcova. Fica nesse zero à zero, todos dormindo: ele no sofá e ela de frente para o altar. Os únicos acordados são os parisienses e o rei Luiz XV - que espia pela porta e vê o que não lhe agrada. 

E para os corações partidos, Gilberto continua apaixonado pela sua Andréa, apesar do desdém da moça. Vive como um que sofre todo o sofrimento daqueles que ousam amar uma realização impossível. 

A filosofia de Rousseau é o ponto de Arquimedes para Balsamo. Através dela o alquimista pretende derrubar a monarquia francesa.

Estou gostando muito da leitura, ela é envolvente e dinâmica. A história de cada personagem e sua trama tornam a leitura rápida e agradável. A construção da narrativa me lembrou muito o livro O Conde de Monte Cristo pois cada personagem tem a sua construção pessoal dentro dela, mesmo o egoísta barão de Taverney.

Omnia Vanitas 💀

4 de abril de 2020

Leitura doze..


Olá, enclausurado leitor!

Iniciei a leitura da saga Memórias de um Médico, de Alexandre Dumas. São quinze volumes no total, começando com a chegada de Maria Antonieta à França até a sua morte em 1793.
A saga é dividida em cinco partes:

- José Balsamo (4 volumes)
- O Colar da Rainha (2 volumes)
- Angelo Pitou (2 volumes)
- A Condessa de Charny (5 volumes)
- O Cavaleiro da Casa Vermelha (2 volumes)

Esta minha edição foi impressa em 1935, contém ilustrações e foi impressa pela W.M. Jackson Inc.

José Balsamo, volume um, inicia sua narrativa no místico Monte-Trovão (Zugspitze, se eu não estiver errada) com um desconhecido que irá receber sua iniciação na mística e secreta sociedade maçônica.
Desta reunião surge a ideia de exterminar as monarquias do mundo. E a primeira delas será a francesa, e o protagonista desta tarefa será José Balsamo - um alquimista (pelo que entendi até agora).

O segundo cenário será na casa do barão de Taverney. Balsamo para lá se dirige depois de um revés que lhe atinge o caminho. Neste castelo, Balsamo usa suas influências místicas para entreter os moradores e descobrir os planos que trazem a delfina Maria Antonieta à França. Logo a chegada da infanta, Balsamo sai de cena.

A viagem da futura rainha se mostra movimentada e repleta de obstáculos para aqueles querem concluí-la com pressa. 

Antes da chegada de Maria Antonieta, Dumas nos mostra toda a agitação que se passa no palácio do rei Luís XV. Chega a ser cômico o quanto o rei está cercado de pessoas que lhes trazem problemas pessoais em uma sequência de cenas muito rápida. 
A condessa de Du Barry, a favorita do rei, lhe traz toda a indignação de seu irmão ter sido atacado por um soldado do rei; o neto, futuro Luiz XVI, traz ao avô a inquietação de seu soldado ter sido atacado pelo irmão da favorita; o duque Choiseul contrapor a entrada da favorita na corte e o infortúnio que o irmão desta causou ao delfim.
Em seguida, seu filha Luísa - a única virtuosa das quatro que moram com ele no palácio - também lhe pede atenção para dele se despedir antes de ir morar em um convento. E este é um dos melhores diálogos deste primeiro volume, infelizmente ele é  longo e, talvez, eu faça uma postagem exclusiva para ele - eu escrevi, talvez. 
Assim como descreve o neto de Luís XV como um fã da arte da relojoaria, apresenta as outras três filhas (Adelaide, Vitória e Sofia)  como simplórias, ambiciosas e cheias de vícios maliciosos.

O restante da narrativa descreve as artimanhas de Du Barry para tentar sua entrada à sociedade real, além do passe livre que tem para a cama do rei. 

A narrativa é muito dumasiana: diálogos curtos e rápidos com descrição longa de personagens em capítulo introdutórios. 
A história é simples e rápida e, também, envolvente.
E, para lembrar, Alexandre Dumas usa as personagens históricas para compor seus romances sem ter como obrigação ser coerente com os fatos históricos. 

Adorei a primeira parte de José Balsamo - que terminou com um café passado pelo próprio rei. 


Omnia Vanitas. 💀

13 de setembro de 2018

Leitura Dezoito..


Olá, leitor!

Semana passada, eu terminei a leitura de A Casa de Gelo, de Alexandre Dumas (pai).
Este livro foi uma leitura extremamente agradável. 
Quando eu comprei este livro, o fiz apenas por vaidade - era um livro do Dumas, e eu o queria na minha estante. Mas, ao terminar a leitura de À Espera de um Milagre, de Stephen King, fui até a estante e peguei este livro nas mãos. Na dúvida, perguntei ao meu marido o que eu deveria ler: A Casa de Gelo ou .. um outro livro que não lembro mais o título. Com uma sólida justificativa ele respondeu: A Casa de Gelo porque está muito frio hoje!
Decidido: Alexandre Dumas foi o escolhido.

A história conta sobre a Rússia durante a guerra russo-turca no ano de 1735 (e durou até 1739).
Este país era governado pela imperatriz Ana - filha de Ivan V e sobrinha de Pedro I (chamado de Pedro, o Grande). 
A Rússia estava sendo flagelada pela guerra - as ruas não eram seguras, o governo  estava abalado e o país sendo invadido por estrangeiros. 

Neste breve contexto, o livro conta a história de um Ministro Artemy Petrovich Volynsky- favorito da imperatriz e o duque da Curlândia Ernesto João de Biron. O primeiro era antigermânico e o outro tinha influência junto  as política do  trono. 

Entre esses dois homens houve grandes disputas. E, como toda boa rivalidade, uma mulher estava entre eles - seria a ruína de um e a ascensão do outro. 

Fiquei cativada com a trama - Dumas sempre usando personagens reais para entreter os leitores e faz da História uma marionete a seu favor.


8 de abril de 2018

Leitura nove .. Joana 2/3



Olá, planejado leitor!

Mais uma leitura terminada. Mais uma Joana concluída.

Esta foi a segunda leitura sobre a heroína francesa. O livro é um romance de Alexandre Dumas, Joana D'arc.

Dumas conta a história de Joana desde o seu nascimento até a sua morte. A parte da história que se  referente a morte desta personagem não há enxertos para compor a trama pois há registros que apresentam o martírio que acompanhou aquela que levou Carlos VII ao trono.
Porém, do nascimento à juventude (exceto quando esta ingressa na carreira militar), nada se sabe em como viveu Joana D'arc. Dumas, então, cria um nascimento quase messiânico para Joana:

Na noite em que nasceu Joana, a do dia de Reis de 1412 (...) uma ligeira brisa surgiu pela noite, impregnada dos suaves odores que só se respiram nos crepúsculos de maio; (...) então pareceu que uma estrela se destacou do céu e desenhando no espaço um traço luminoso, foi na casa de Jacques d'Arc.
E, ao descrever as ações e intensões desta heroína, torna-a um ser quase celestial.

Na minha opinião, somente após a prisão de Joana que a história se torna verossímil; antes disso, tudo o que se faz é preencher lacunas e adicionar frases não ditas para compor a trama. 

12 de março de 2018

Leitura sete..


Olá, leitor anônimo!


O desafio deste mês de Março pedia uma leitura de suspense policial. 
O Clube Dumas, de Arturo Pérez-Reverte não é exatamente policial - apesar de toda a investigação que ocorre ao longo da trama; mas é um livro de suspense. 

Lucas Corso, caçador de livros, tem duas missões em suas mãos: autenticar um capítulo de Os Três Mosqueteiros, de Alexandre Dumas père; e, também, legitimar um livro que tem o poder de invocar o diabo. 

Para um caçador mercenário como Corso, a tarefa não é difícil: ele conhece os caminhos de deve seguir para concluir seu trabalho; porém, situações inexplicáveis se apresentam em sua frente depois que ambos manuscritos estão sob sua responsabilidade.

O livro aborda o mundo dos livros raros. A investigação sobre a autenticidade da publicação: desde a textura de uma folha, o impresso de uma página, o couro da capa - cada tempo, cada impressão tem a personalidade de seu tempo. Quando um bibliófilo quer ter em seu acerto um  Dante, um Cervantes ou mesmo um Dumas, tudo deve ser averiguado com muito cuidado e atenção para que nada possa gerar dúvidas quanto a veracidade do exemplar. E toda essa manobra movimento cifras financeiras altíssimas. Porém, o orgulho de expor um livro tão importante da história literária faz do seu dono um ser orgulhoso da posse que tem. 
As visitas de Lucas Corso à livreiros de coleções raras, restauradores e encadernadores de livros, bibliófilos é a descrição de lindos cenários para os amantes de livros. 

Este livro de Arturo Pérez-Reverte é um romance obscuro sobre o mundo literário de um seleto grupo de colecionadores, que com dinheiro e jogadas arriscadas, pode fazer parte.


*Choque de Cultura, canal Omeleteve.

18 de setembro de 2017

Duas Joanas..



Na última sexta-feira, meu marido fez uma surpresa para mim! Levou-me até uma livraria e disse:
- Entre e escolha seu presente de aniversário!

Aaaahh!!! Que loucura! Senti-me como uma criança em um parque de diversões: não sabendo por onde começar a brincar.

Depois de olhar aqui e ali, decidi levar Joana D'Arc de Mark Twain. E, antes mesmo de chegar em casa já houvera decido que faria a releitura do livro Joana D'Arc de Alexandre Dumas...e, acrescentar a leitura de Os Grandes Julgamentos da História: Joana D'arc, de Claude Bertin.

Esta saga está programada para acontecer em 2018; ou seja, ano que vem minha leitura pegará fogo!!! 😤



20 de agosto de 2017

Sobre a vingança..


Salut, inconnu ami!!

Este mês voltei ao meu querido livro Le Comte de Monte-Cristo.
Eu não deveria ter abandonado esta leitura.. e não pretendo justificar este ato.
Segundo minha última anotação, o último dia de leitura foi XV-VII-MMXVI. Retornei em XII-VIII-MMXVII. Um longo período de ausência que cobrou seu preço.

Porém, ao retomar a leitura, eu me interessei por uma parte que considero importante (mais do que outras) para compreender o tipo de vingança que Edmond escolheu para empreender em seus adversários.

No ano de 1838, o conde de Monte-Cristo está na Itália se deliciando com o carnaval romano. E, durante esta festa, ele encontra Albert de Morcef e Franz d'Épinay - dois jovens parisienses.
Durante a socialização destes personagens, duas execuções estão marcadas para iniciar o carnaval romano. Dois condenados estão na plataforma para serem punidos, um ao enforcamento e outro à decapitação. 
No diálogo dos três personagens, o conde de Monte-Cristo explica os motivos que o invocam a assistir à estas execuções:
— Et vous avez trouvé du plaisir à assister à ces horribles spectacles ?
— Mon premier sentiment a été la répulsion, le second l’indifférence, le troisième la curiosité.
 ...e o último motivo choca seus convidados. E para explicar aos jovens seu ponto de vista, segue a justificação:
Si un homme eût fait périr, par des tortures inouïes, au milieu de tourments sans fin, votre père, votre mère, votre maîtresse, un de ces êtres enfin qui, lorsqu’on les déracine de votre cœur, y laissent un vide éternel et une plaie toujours sanglante, croiriez-vous la réparation que vous accorde la société suffisante, parce que le fer de la guillotine a passé entre la base de l’occipital et les muscles trapèzes du meurtrier, et parce que celui qui vous a fait ressentir des années de souffrances morales a éprouvé quelques secondes de douleurs physiques ?
Basta a morte para aliviar a dor daqueles que sofrem pelos entes queridos quando estes foram mortos ou torturados por homens sem piedade? Seria a morte um castigo ou apenas uma aflição momentânea para aqueles que irão sofrê-la?
O Conde deixa claro que isto é pouco para aliviar o sofrimento daqueles que permanecem e, torna-se breve comparada a dor que sofrida pelos reféns da tirania do condenado.

A vingança cega que Dantés queria aplicar aos seus algozes foi repensada quando este foi educado pelo abade Farias e coroada com o tesouro em Monte-Cristo.
Mesmo sendo razoável em suas explicação, Franz o interpela:
La haine est aveugle, la colère étourdie, et celui qui se verse la vengeance risque de boire un breuvage amer.
Mas o Conde o contesta:
Oui, s’il est pauvre et maladroit ; non, s’il est millionnaire et habile.
E Dantés possui muito dinheiro e muita inteligência! 💖   E eu ouso adicionar a esta afirmação que paciência e o autocontrole são dois "ingredientes" para que a volta de Dantés seja um sucesso.
A aplicação da vingança de Edmond é se utilizando da fraqueza daqueles quem a pena é aplicada - e ele faz isso com uma arte magistral !!

O livro segue .. e não vejo a hora de reencontrar aqueles que são o centro da sua vingança.

Omnia Vanitas. 💀

5 de janeiro de 2017

Le fils..


Olááá, anônimo leitor!!!´

Feliz ano novo! Ano novo, livro velho! É isso aí, vetusto leitor; ganhei de presente (de Natal) do meu marido este lindo exemplar (datado de 1882) do filho do meu querido Dumas..Alexandre Dumas, fils.
Dois mil e dezessete será um ano de releituras mas, também, de novos horizontes literários.
Sempre fui amante das obras do pai e, para iniciar a leitura das obras do filho precisa ser com classe (rs) ... Le Docteur Servans, nouvelle édition, 1882. Mais um livro centenário que tenho o prazer de  ter em meu humilde acervo. 
Este lindo exemplar (em capa dura, as iniciais do antigo dono, páginas amareladas e cheirinho de velho (rs) - perfeito!!) chegou em minhas mãos esta semana (que está deliciosamente corrida na livraria) - foi um pequeno carinho durante esta semana. Mesmo com pouco tempo para dar atenção que deve ser dedicada ao meu querido regalo, o mesmo está na minha nova estante no meu novo es-cri-tó-ri-o-ôôô! Siiim!! Tenho um escritório lindo que também ganhei de presente (do maridão) nesta semana - cheia de novidades maravilhosas! 

Sobre a obra: é o quarto dos principais romances de Alexandre Dumas filho, publicado pela primeira vez em 1849. 
Do que trata a história: não sei .. mas prometo escrever quando eu terminar a leitura! ;) 

16 de novembro de 2016

O tempo passa..



Olá, leitor anônimo!

Como você já sabe, estou relendo uma obra clássica de Alexandre Dumas (père) em francês integral. O crescimento não é o desejado, mas estou batalhando para chegar até o meu objetivo de leitura, ou seja, ler sem utilizar as "muletas" que utilizo atualmente. Tudo é questão de dedicação e tempo.
E é sobre a segunda questão que quero escrever hoje.

É comum ler livros onde o tempo é algo inerente para a solução da trama. Em O Conde de Monte Cristo não é diferente; o tempo é de maneira excepcional necessário.

Na primeira parte o protagonista Edmond Dantès é um jovem de 19 anos (1815), em pleno vigor de sonhos e saúde e completamente ignorante da maldade que o cerca. O jovem julga que ninguém pode lhe invejar nada pois ele não possuía algo que alguém pudesse desejar. Ledo engano; e quem mostrará as joias que Dantès dispunha e, também, desvendará a maldade da alma humana ao jovem injustiçado,  será o abade Faria - personagem real usado na trama de Dumas.

A segunda linha significativa de tempo é quando Edmond é "sepultado" no cemitério do Castelo de If, ou seja, jogado no mar. Após passar dias à deriva numa ilha deserta, ele encontra Jacopo - muito produtivo no filme de 2002 e pouco à dizer na narrativa, Dantès está no ano de 1829. Seja místico ou não, o fugitivo contava a idade de 33 anos. 

Não se passou muito meses até que Dantès se viu livre do antigo visual carcerário e vestiu algo mais contemporâneo para 1829. Depois disso, ele foi atrás de pessoas que foram significativas para rumar as decisões do jovem milionário. 
Caderousse, seu antigo senhorio, foi a primeira visita: buscou com ele informações sobre cada um que participou do complô contra si. A segunda pessoa foi seu antigo patrão, Monsieur Morrel - motivo de várias lágrimas durante os capítulos que discorrem sobre a vida atual do mercador.

A terceira passagem de tempo relevante é o ano de 1838. Este período é o mais interessante de todos pois é quando a vingança é posta andamento - literalmente. Durante o período entre 1829 e 1838, Dantès busca conhecer os passos dos seus inimigos, como agiram durante o período que o protagonista esteve na prisão. 
1838 começa na Itália, durante o Carnaval, com dois personagens completamente desconhecidos da trama, exceto pelo sobrenome de um deles.. 





7 de novembro de 2016

Blá-blá-blá e afundou..


Deixe-me lhe contar uma coisa sobre minhas habilidades náuticas: inexistentes.

Eu não sei absolutamente nada sobre navegação. Meu senso de direção (sobre tudo) se limita a saber o que direto-esquerdo-frente-trás e só. Acaba aqui.

Por eu estar lendo um clássico que tem a navegação marítima como pano de fundo {Dantés era o imediato do Pharao}, é inevitável que surja narrativa sobre como o navio era conduzido. Seja em língua portuguesa ou em língua francesa, tudo o que eu me dou ao trabalho de entender é: blá-blá-blá e afundou. Simples assim. "Estibordo", "bombordo", proa, ... convés eu sei o que é. Então, hoje, enquanto lia meu querido romance de Alexandre Dumas, esta parte da narrativa foi totalmente ignorada por mim; segue:

— Range à prendre deux ris dans les huniers ! cria le capitaine ; largue les boulines, brasse au vent, amène les huniers, pèse les palanquins sur les vergues !
— Ce n’était pas assez dans ces parages-là, dit l’Anglais ; j’aurais pris quatre ris et je me serais débarrassé de la misaine.


Então, minha compreensão é que houve uma manobra náutica feita pelos empregados do senhor Morrel para salvar o navio: solte não sei o que, jogue sei lá onde, puxe o treco, baixe o troço .. e daí Edmond Dantés, o inglês na cena, diz que faria isso ou aquilo.
Totalmente inútil para mim buscar compreensão em palavras que, mesmo em português, são um assombro para minha mente sem rota.

Eu sei que quando minha leitura de Moby Dick chegar, muitas manobras marítimas serão mandarim para mim! Por mais que eu goste de ler e buscar conhecimento, ...tudo tem um limite! 

Omnia Vanitas.

20 de julho de 2016

A Transformação..


Quantas vezes por dia, vaidoso leitor, você procura seu reflexo em objetos.
Há pessoas, eu tento não me classificar nesta categoria, que passam em frente a uma vitrine de loja somente para olhar seu reflexo e verificar sua aparência. 
Mesmo que você não se enquadre neste grupo de pessoas, sua aparência  - direta ou indiretamente - é uma preocupação. 

E, se você ficasse catorze anos sem ver sua aparência em nenhum objeto. Catorze anos sem olhar sua aparência nem em um pedaço de vidro quebrado. 

Foi assim que Edmond Dantès permaneceu durante seu "temporada" na fortaleza de If. Este personagem não sabia como estava sua aparência enquanto permaneceu encarcerado {injustamente} no calabouço de If. Catorze anos.

Porém, depois da fuga insana, do desespero em se esconder e de se fazer encontrar por um grupo de marinheiros de reputação suspeita, Dantès tem a oportunidade de olhar para si mesmo {não da maneira filosófica}.

Ao entrar em uma barbearia, a transformação começa: 


(¹) Sa figure ovale s’était allongée, sa bouche rieuse avait pris ces lignes fermes et arrêtées qui indiquent la résolution ; ses sourcils s’étaient arqués sous une ride unique, pensive ; ses yeux s’étaient empreints d’une profonde tristesse, du fond de laquelle jaillissaient de temps en temps les sombres éclairs de la misanthropie et de la haine ; son teint, éloigné si longtemps de la lumière du jour et des rayons du soleil, avait pris cette couleur mate qui fait, quand leur visage est encadré dans des cheveux noirs, la beauté aristocratique des hommes du Nord ; (²) cette science profonde qu’il avait acquise avait en outre reflété sur tout son visage une auréole d’intelligente sécurité ; en outre, il avait, quoique naturellement d’une taille assez haute, acquis cette vigueur trapue d’un corps toujours concentrant ses forces en lui.
(¹)À l’élégance des formes nerveuses et grêles avait succédé la solidité des formes arrondies et musculeuses. Quant à sa voix, les prières, les sanglots et les imprécations l’avaient changée, tantôt en un timbre d’une douceur étrange, tantôt en une accentuation rude et presque rauque.
En outre, sans cesse dans un demi-jour et dans l’obscurité, ses yeux avaient acquis cette singulière faculté de distinguer les objets pendant la nuit, comme font ceux de l’hyène et du loup.
(³)Edmond sourit en se voyant : il était impossible que son meilleur ami, si toutefois il lui restait un ami, le reconnût ; il ne se reconnaissait même pas lui-même.


Esta é a chave para o reencontro de Dantès com seus inimigos {e mesmo com Mercédès}. Sua figura estava com uma mudança externa que a ausência de um disfarce não comprometeria sua vingança. O jovem e sonhador Dantès que foi encerrado em um calabouço úmido, sujo e despojado de vida transformou o homem que de lá fugiu em um desconhecido para todos aqueles que foram os agentes desta metamorfose.
Eu separei o trecho acima em três pontos que achei interessantes:

(¹) - As linhas físicas mudaram. O rosto sofreu uma mutação não somente pelas rugas que o tempo distingue no ser humano - havia tristeza, raiva e sofrimento na face de Edmond.
A voz de Dantès também mudou devido choro e soluços que ele emitiu durante sua estada no calabouço. Muitas vezes, antes da presença do abade Faria, Dantès se assustou com o som da sua própria voz. Não havia nenhum outro preso, antes do italiano, com quem o protagonista desta história pudesse conversar, pois até seu carcereiro era mudo.

(²) Ao descobrir por acaso seu amigo, o abade Faria, Dantès teve a oportunidade de aprender. E esse aprendizado também mudou sua aparência. Conforme escrito, uma "auréola de inteligência" cobria a face de Dantès - e foi esta visão que fez Jacopo {sobre quem escreverei em outro momento} doar sua afeição ao fingido náufrago de Tiboulen.

(³) E, por fim, sua aparência lhe agradou. Saberia que ninguém o poderia reconhecer: não era apenas um homem morto para seus inimigos; era a Vingança ressuscitada das profundezas do calabouço.

O injustiçado rapaz de 19 anos foi abandonado na fortaleza de If; catorze anos se passaram, e o anjo vingador surgiu...e ninguém sabia qual era sua aparência.

Omnia Vanitas.

19 de junho de 2016

La Mer est Le Cimetière du Château d'If



Esta manhã, Edmond Dantès foi atirado ao mar. Seu corpo, trocado pelo corpo sem vida do abade Faria, foi sepultado no cemitério do castelo de If.

En même temps Dantès se sentit lancé en effet dans un vide énorme, traversant les airs comme un oiseau blessé, tombant, tombant toujours avec une épouvante qui lui glaçait le cœur. Quoique tiré en bas par quelque chose de pesant qui précipitait son vol rapide, il lui sembla que cette chute durait un siècle. Enfin, avec un bruit épouvantable, il entra comme une flèche dans une eau glacée qui lui fit pousser un cri, étouffé à l’instant même par l’immersion.
Dantès avait été lancé dans la mer, au fond de laquelle l’entraînait un boulet de trente-six attaché à ses pieds.
La mer est le cimetière du château d’If.

E lá ele ainda está pois minha leitura não continuou desde esse momento.

Para mim, a melhor parte do livro começa quando ele reencontra os antigos "amigos"; e, Mercèdés é o melhor encontro.
Lembro quando estava lendo, pela primeira vez, a revelação de Mercèdès sobre a identidade do Conde! Eu estava em um ônibus, à caminho de casa depois de um dia de trabalho - lendo avidamente durante o trajeto.. que emoção me trouxe a leitura! Estava tão empolgada que tive vontade de gritar naquele momento:

- Motorista!! Pare o ônibus! Eu preciso dizer: Eu sabia (...) !!! Eu sabia (...) !! HAHAHA

Mas como seria um pouco, apenas um pouco estranho essa ação em público, eu segurei aquele sentimento até chegar em casa, e minha mãe foi a escolhida para receber a explosão emocional que a leitura me fez sentir!

Mas ele ainda está no mar, cortando a corda que lhe prende os pés! Ele sairá, eu sei! E este novo nascimento de Dantès será o fim de seus malfeitores!

Omnia Vanitas.







13 de junho de 2016

Adieu, mon ami! ..

— Monte-Cristo ! dit-il, n’oubliez pas Monte-Cristo!

Abade Faria se foi! Mais uma vez, Edmond Dantès está sozinho! Solidão novamente.. (ou não!)

Eu gosto muito do personagem do abade. Dumas tomou esse personagem histórico e o colocou como mentor do seu protagonista! E o fez de modo supremo.
Faria e Dantès, depois de decidirem que fugir pelo túnel que Faria fez ou matar o guarda não era uma boa ideia para escaparem da prisão, começaram a se relacionar como professor e aluno.
Faria ensinou a Dantès tudo o que aprendeu na casa do seu antigo "patrão", o conde Spada; e, Dantès, estava pronto para aprender tudo o que Faria poderia ensiná-lo. 
Como diria Andy Dufresne em sua máxima sobre o tempo:

Ocupar-se de viver ou ocupar-se de morrer*.

Ao contrário de Dufresne, eles não cavaram um túnel, mas ocuparam-se de tornar a vida de cada um suportável dentro do calabouço que estavam encarcerados. 

Toda a base para a próxima  vida de Dantès no pós-prisão, ele deve à este servo do Senhor. Amém!

O abade Faria tem uma aplicação para seus estudos que muito me lembrou outro personagem: Sherlock Holmes. A citação à seguir esta no primeiro romance do detetive (escrito pelo fiel médico Watson):

...considero que o cérebro de um homem é originalmente como um pequeno sótão vazio, que temos que encher com os móveis que escolhemos. Um tolo recolhe todo tipo de trastes com que depara, de modo que o conhecimento que lhe poderia ser útil fica atravancado, ou na melhor das hipóteses misturado com muitas outras coisas, de modo que ele tem dificuldade em localizá-lo.

O abade, em seu conhecimento, focou sua atenção para aqueles estudos que ele tinha por escolha criado como alvo para sua educação. Dantès, malgrado sua ignorância da juventude, estava com o "sótão" livre para enche-lo com o que realmente era interessante: filosofia, línguas, matemática, filologia etc.. E, então, inteligente e rico, Dantès dá vida ao mais perfeito personagem já criado:

O Conde de Monte-Cristo. 

Juro, eu acho o Conde sensacional! Ele elabora cada movimento, cada situação..nada lhe passa desapercebido, nem o mármore ordinário que orna sua nova residência.
E, por coincidência, o primeiro volume desta história (na edição que comprei), termina com uma das minhas frases favoritas:

"Je viens de découvrir le moyen de délivrer un jardinier des loirs qui lui mangeaient ses pêches".

Ele é FAN-TÁS-TI-CO! E eu ponho na conta do papa!, digo, do abade!

Sinto muito a morte deste personagem! É um dos meus preferidos! Ah..quisera eu ter tido alguém com paciência para me ensinar "as coisa" da vida!

Omnia Vanitas. 


*frase do filme Um Sonho de Liberdade (baseado no conto de Stephen King, Primaveira Eterna, do livro As Quatro Estações)

20 de maio de 2016

Trois fois.. les mousquetaires!


Hoje termina o tratado que fiz com meu marido. 
Uma curiosidade que comentei com ele essa manhã foi a seguinte:

Por três vezes coloquei na "cesta" de compra o livro Les Trois Mousquetaires e, nas três vezes, algo aconteceu que não consegui efetuar o pagamento para ter o livro para mim.
Pode parecer nada para você, indiferente leitor, mas, para mim, está se tornando pessoal.

Da primeira vez que tentei comprá-lo, eu descobri que minha grana era curta demais para concluir o pagamento. Era uma daquelas épocas que não há dinheiro nem para comprar uma barrinha de chocolate. 
Da segunda vez, com o patrocínio de uma irmã, pude escolher alguns livros. Escolhi três: Le Capitaine Pamphile, Cinq Semaines en Ballon e ... Les Trois Mousquetaires.  No fim, por causa do peso dos livros, escolhi dois
Ça va, mon cher lecteur! Vous moi trouvez trop folle parce que je n'ai choisi pas le livre de Dumas que j'ai voudrais!  
Acredite, às vezes as coisas simplesmente acontecem sem que percebamos! 

Agora, pela terceira vez, eu tive a oportunidade de escolher este livro. Mas, veja só, não consegui. Por engano, coloquei e fechei a compra com um livro trocado - eu queira Voyage au Centre de la Terre ..mas acabei colocando a versão inglesa da obra na cesta. Precisei cancelar o pedido e acabei efetuando outra compra sem o livro do Dumas!

C'est la vie! 
Minha ansiedade tem ansiedade, como diria Charlie Brown! ;)

Omnia Vanitas.

17 de maio de 2016

Saudade ..



Estou com saudade de ler!
A situação é irônica, mas sinto falta de ler! Não que eu tenha deixado a leitura de lado, mas eu não tenho mais meu tempo de sentar e ler por horas. Agora, leio por minutos. 
Sábado, depois de almoçar, fomos descansar um pouco da refeição e eu fiz isso: tomei meu amado livro nas mãos e li! Duas horas. Foram muito agradáveis, porém, rápidas. 
Sinto falta das leituras contínuas. E, por mais estranho que possa parecer, é porque tenho um sebo para organizar que não há tempo disponível para minha outra paixão: ler.

Mas, em breve (mês que vem, talvez) eu já tenha organizado o ambiente e consiga voltar à atividade diária de leitura.
Por enquanto, fica a saudade das longas horas de leitura e do prazer que ela proporciona!

Omnia Vanitas.

14 de abril de 2016

Mot par Mot ..



Salut, mon ami inconnu..
Je suis en train d'étudier le français avec les livres de Dumas. N'est pas difficile mais je doit aller mot par mot. 

Compartilho com você, dedicado leitor, esta minha aventura de estudar francês lendo Alexandre Dumas! Como eu disse, não é difícil mas é preciso ir palavra por palavra (desconhecida). E, adicionando à esta situação o fato que não conheço quase nenhuma expressão marítima, o desafio é maior! Lá vou eu!!! 

Uma curiosidade, que pode parecer tola, eu achei interessante na seguinte frase:

FR
Comme d'habitude, un pilote côtier partit aussitôt du port, rasa le château d'If, et alla aborder le navire entre le cap de Morgion et l'île de Rion.

PT
Segundo o costume, partiu imediatamente um piloto da barra, passou próximo da Fortaleza de If, e atracou o navio entre o cabo de Morgion e a ilha de Rion. 

Explicação: na versão original, rasa é uma palavra derivada do verbo raser, que significa barbear/raspar
Parece pouco, mas eu estou adorando essa leitura no idioma original - e eu nem fui para o segundo capítulo. (rs).

Omnia Vanitas.

13 de abril de 2016

Mes amours!!!


Minha encomenda chegou!!!

Ahh! Que dia lindo!!! Um livro do meu amado Dumas, datado de 1887 e outro de Jules Verne, datado de 1929.
São lindos e perfeitos!!! Agora, é só aperfeiçoar meu francês e estarei lendo essas duas lindezas!!
Quem sabe, quando eu tiver meus filhos, poderei ler Jules Verne em francês para eles! Que alegria!!

Omnia Vanitas! 


Os Meninos da Rua Paulo - Prefácio

  Olá, abandonado leitor!  Comecei neste final de semana a leitura de "Os Meninos da Rua Paulo". Ainda não cheguei na página 50, a...