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1 de maio de 2020

Mudança de planos..


Olá, recluso leitor !!

Essa semana eu fiz uma enquete no Instagram para saber qual deveria ser a minha próxima leitura ao fim da primeira parte de Memórias de um Médico (Alexandre Dumas). As opções eram as seguintes:

- Crônicas Saxônicas (livros 7 à 10) de Bernard Cornwell
- As Cartas da Prisão de Nelson Mandela (Saham Venter - ed.)

O livro mais votado foi a saga do Cornwell. 

Nesta mesma semana, ainda em quarenta, eu estava ouvindo algum noticiário na televisão quando um avalanche de frases absurdas saíram do aparelho televisor. 
No mesmo instante eu lembrei do livro do Lima Barreto,  Os Bruzundangas. Um pequeno resumo da obra que achei na internet:
A obra é uma sátira da vida brasileira nos primeiros anos da Primeira República, Bruzundanga é um país fictício, onde havia, tal como na Primeira República, diversos problemas sociais, econômicos e culturais, entre os quais os títulos acadêmicos possuídos pelos ricos que eram não mais que pseudo-eruditos.
 Entenderam a recordação que me levou a pensar em Os Bruzundangas?

Porém, lembrei que a obra era uma inspiração no livro de Jonathan Swift, As Viagens de Gulliver.
Como, por sorte, eu tenho o livro do Swift na minha estante (já que noventa por cento está - ainda - na casa dos meus pais), eu decidi começar a leitura de As Viagens de Gulliver antes de começar o livro do Barreto.

Então é isso.. Que comece a leitura ...

Omnia Vanitas 💀

28 de fevereiro de 2020

Leitura nove..



Olá, anônimo leitor!

Fim a leitura do romance Clara dos Anjos, de Lima Barreto. Na verdade, terminei apenas a leitura do romance pois, nesta edição há alguns contos do autor. Mas, como o título do livro remete somente ao romance, esta publicação se aterá somente a ele.

Clara dos Anjos é a única filha de Joaquim e Engrácia - única filha que sobreviveu. Eles moram no subúrbio carioca e é nessa sociedade que todo o romance é passado. 

Lima Barreto apresenta a história de cada personagem do subúrbio. O romance, então, não se concentra apenas em Clara, mas faz da personagem o motriz que leva o leitor para conhecer a vida privada das outras pessoas da trama. 

Cada vida é apresenta em sua dignidade e seu vício; as famílias e os princípios que as regem. A leitura não está ligada ao personagem central - Clara - porém, todos a sua volta tornam-se participantes da sua vida e, alguns, fatais ao seu destino. 

Clara dos Anjos apaixona-se por Cassi Jones de Azevedo. Ambas as famílias criam seus filhos através da dignidade.
O núcleo Dos Anjos vêem na única filha sobrevivente o motivo de orgulho e preocupação. Rodeada de cuidados excessivos, Clara pouco conhece ou se envolve com a sociedade ao seu redor - fora a vizinha e algumas poucas amigas. Protegida e com pais que pouco prezam em designar a filha uma aprendizagem adequada para sua vida em sociedade - desta forma impedem que a menina tenha conhecimento sobre atuar em uma relação extra-família. 
Esse "aprisionamento" molda na protagonista uma personalidade fraca e inocente. Com todos esses cuidados excessivos, Clara não cria um discernimento sobre o caráter das outras pessoas.  
Enquanto a mãe a mantém presa em casa para a segurança da menina, o pai pouco a vê (pois trabalha de manhã até à noite). Ambos desejam que a menina tenha um bom casamento - desde que não seja com Cassi Jones, à quem mantém longe dos olhos da filha (ou pelo menos assim acham).
Todos esses cuidados são somente um motivo para que Clara se rebele - dentro da sua personalidade - contra as opiniões que os pais tem do rapaz.

Cassi Jones vem de uma família que, para o orgulho de dona Salustiana, apenas possui o subtítulo de um parente do passado. Apesar da mãe orgulhosa e totalmente cega aos maus feito do filho, o pai, senhor Azevedo, é um pais austero que ignora e expulsa o filho do convívio familiar à fim de não deixar que suas duas outras filhas (Catarina e Irene) sejam privadas de bons casamentos e sociedade por causa das atitudes do filho. 

Clara dos Anjos mostra a diferença social, mas, principalmente, racial de uma sociedade suburbana em formação. Os agouros e sonhos de pessoas que precisam sobreviver mediante sua dignidade, apesar da condição econômica e discriminação racial que vivem -e a última frase do romance mostra o desespero destas pessoas. 


Omnia Vanitas 💀



3 de agosto de 2016

Reinveções do Quixote..


Assim como a maioria dos clássicos, Dom Quixote de La Mancha foi reescrito em diversas adaptações e reinvenções, como escreveu o autor deste artigo Reynaldo Damazio.
O artigo é bem simples pois comenta as referências literárias que tiveram Cervantes como ponte para sua concepção. 
Eu acho cansativo fazer um resumo do resumo de cada uma, então, apenas deixarei algumas poucas palavras que podem ligar a obra do espanhol àquela que criada à partir dela.

Vamos lá, dinâmico leitor, àquelas obras que foram inspiradas pelo obra máxima de Miguel de Cervantes y Saavedra.

Damazio começa citando o escritor francês Gustave Flaubert e sua Madame Bovary: "mulher sonhadora e perturbada por uma visão livresca, idealizadora, do mundo". Além disso, um amante lhe sonda as saias já que percebe que seu casamento é monótono. Delirante leitor, imagine o "estrago" que este francês causou quando o livro foi publicado.

Próximo: Charles Dickens bebeu da fonte quixotesca e criou o seu clássico As Aventuras do Sr. Pickwick. Há muito tempo que quero ter esse livro na minha biblioteca, ansioso leitor, mas o que me impede de comprá-lo é o fato de encontrar somente as edições da Abril que são impressas com letras miseravelmente pequenas para uma leitura anciã. Veja só, preocupado leitor, quando eu for uma senhorinha de 80 anos, pretendo continuar sendo uma leitora ativa. Portanto, se hoje eu comprar livros com letras minúsculas, que trabalho enorme terei no futuro! Cautela, jovem leitor! 
Voltando ao senhor Pickwick, só o nome já dá sinais de divertimento - pelo menos à mim. Damazio liga o espanhol ao inglês com a seguinte explicação: "um grupo se reúne para realizar uma pretensa investivação científica dos costumes e das relações humanas na capital inglesa".

Se o assunto é reinvenção, o russo Dostka não pode ficar de fora da festa. Fiódor Dostoiévski retratou o Cavaleiro da Triste Figura através do seu O Idiota. Já fiz publicações aqui. Acrescento Damazio:

"Dostoiévski enfrentou com brilhantismo incomum temas cruciais que preparam a mentalidade do mundo contemporâneo, como o misticismo e  o materialismo, o nacionalismo e o universalismo, as paixões e a razão, a barbárie e o senso de humanidade no terreno movediço da literatura, fazendo do ficcional o instrumento de reflexão sobre as angústias mais profundas do homem".
Damazio ainda cita o livro de Nikolai Gógol Almas Mortas e o livro de Rudolf Erich Raspe com Gottfired August Bürger intitulado As Aventuras do Barão de Münchhausen. 
A minha ignorância não permite comentar sobre estas duas reinvenções. Perdoe-me, culto leitor.

O Brasil não deixou de beber desta fonte cervantina. E, não que me "gambar" - como diria uma amiga - mas antes de eu ler este artigo, eu já reconhecera Dom Quixote na obra de Machado de Assis Quincas Borba e na obra de Lima Barreto O Triste Fim de Policarpo Quaresma. Ai, sou tão inteligente! 

Rubião é o personagem de Machado de Assis que recebeu uma herança de seu amigo Quincas Borba. Eu achei hilário o fato de o dono ter colocado o próprio nome no cachorro. Fantástico. E, após a morte do filósofo (dono do cão), o bichano vai junto com a herança deixada à Rubião. O cômico é que muitas vezes Rubião olhava para o cachorro e não sabia se era animal que lhe olhava ou amigo falecido. E, do mesmo modo que Dom Quixote provocou em mim uma fúria pelo mau tratamento que recebia de seus amigos, Rubião também despertou esta carisma em mim. Coisa de leitor.

Na obra de Lima Barreto é muito fácil identificar Dom Quixote: o personagem promove a volta da língua materna do Brasil - antes que os portugueses viessem impor a cultura aos nativos das terras de cá. Sim, ele desejava a volta da língua indígena na cultura brasileira colonizada. E o fim de Policarpo Quaresmo, como título da obra já declara, é triste - assim como Dom Quixote. A realidade volta à razão do protagonista e o devora a sua tolice.

Segundo Damazio, outros escritores brasileiros beberam de Miguel de Cervantes: José de Alencar, Aluísio Azevedo, Coelho Neto, José Lins do Rego, Fernando Sabino. Os estrangeiros do nosso continente como  Jorge Luis Borges Pierre Menard, autor de Dom Quixote, e Italo Calvino O Cavaleiro Inexistente.

A primeira vez que li Dom Quixote foi na versão infantil que foi adaptada por Monteiro Lobato no seu Dom Quixote para Crianças - com a participação da turma do Sítio do Pica-Pau Amarelo (saudades!). Emília encontra um exemplar nas coisas da Dona Benta e, ao final da história, ela clama em plenos pulmões o que eu também tenho em meu coração de leitora:

- Morreu, nada! - dizia ela. - Como morreu, se D. Quixote é imortal?


Omnia Vanitas.


DAMAZIO, Reynaldo. Reinvenções de Quixote; página 78 à 83. Revista Entre Livros: EntreClássicos Cervantes nº 3: Ediouro.


Os Meninos da Rua Paulo - Prefácio

  Olá, abandonado leitor!  Comecei neste final de semana a leitura de "Os Meninos da Rua Paulo". Ainda não cheguei na página 50, a...