Mostrando postagens com marcador igreja. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador igreja. Mostrar todas as postagens

31 de março de 2020

Leitura onze..parte final



Olá, esperançoso leitor!

Fim da leitura de Servidão Humana, de William Somerset Maugham. 
Este livro é uma pseudo-biografia do autor. 

Gosto muito dos livros do Maugham, e com este não foi diferente; apesar de ter perdido o foco da leitura por achar que se tratar de uma narrativa onde a relação amorosa seria o tema central. Ledo engano.  Deixe-me explicar, equivocado leitor!


A primeira parte da vida de William Carey está nesta publicação
Partindo deste ponto, ele foi para Paris para viver como pintor, pois achava que esse era seu dom. Encontrou um tipo variado de pessoas que também se julgavam pintores natos. Poucos realmente tinha aptidão para a pintura. Suas vidas eram dedicadas a esta arte, devotados por uma arte que não os reconhecia como participantes dela. E algumas vezes, tal arte exige a vida.

Novamente à Inglaterra, Philip precisa decidir em que profissão encaixará a sua vida. Escolheu a medicina e, neste processo de estudo - que não exercia por paixão mas por necessidade - conheceu Mildred. 

Servidão Humana é um livro sobre escolhas. Para onde ir, quem amar, o que fazer da sua vida.. Philip colocou-se em situações que escolheu viver, desfrutou de viagens, escolher amar quem não lhe amava, conheceu  a solidão e amigos leais. 

Este livro me lembrou muito outro livro de Maugham: O Fio da Navalha. Enquanto Larry buscava se livrar das amarras que as pessoas exigiam dele, tentava descobrir o sentido de estar vivendo; em Philip a busca era por aprovação social, familiar e amorosa. 

Os livros de Maugham são muito reflexivos, e nesta obra que representa a sua vida, não poderia ser diferente. 

Omnia Vanitas. 💀

18 de março de 2020

Conversa de bar..


Maugham é maravilhoso!
Se você nunca leu nada dele, desorientado leitor, por favor, leia! Comece com O Fio da Navalha ou O Véu Pintado. Leia! Perceba como ele escreve em entrelinhas e conversas tolas as verdades da alma humana.

Aqui estou eu, passando raiva com Philip Carey quando um conserva com dele com um amigo artista - pois em Paris todos o são - chama a minha atenção. E, como eu não estou sozinha, no momento, e precisando muito desabafar essa conversa, deixo o trecho da leitura para pedir: converse comigo leitor anônimo!

— Soube que não faz grande opinião dos meus versos.
Philip sentiu-se embaraçado.
— Não é bem isso — respondeu. — Gostei muito deles.
— Não procure poupar a minha suscetibilidade — retorquiu Cronshaw, com um gesto da mão gorda. — Não empresto nenhuma importância exagerada aos meus trabalhos poéticos. A vida aí está para ser vivida e não para que escrevamos a seu respeito. Meu objetivo é procurar as múltiplas experiências que ela oferece, arrancando a cada momento toda a emoção que ele apresenta. Considero meus escritos como uma graciosa habilidade que, em vez de absorver a existência, acrescenta-lhe prazer. E quanto à posteridade — que o diabo a carregue!
Philip sorriu, pois dava na vista que esse artista da vida não produzira mais do que um mísero borrão. Cronshaw fitou-o meditativamente e encheu o copo. Pediu, depois, ao garçom que lhe trouxesse uma carteira de cigarros.
— Você acha graça por me ouvir falar assim quando sabe que eu sou pobre e vivo numa água furtada em companhia de uma fêmea vulgar que me engana com cabeleireiros e garçons de café. Traduzo livros miseráveis para o público inglês e escrevo artigos a respeito de quadros desprezíveis que nem ao menos condenados merecem ser. Mas faça o favor de me dizer: qual é o sentido da vida?
— Ora, a pergunta é bastante difícil. Por que não a responde você mesmo?
— Não, porque isso é inútil a menos que a gente o descubra por si próprio. Para que supõe que está no mundo?
Philip nunca havia pensado nisso. Após meditar um momento, respondeu:
— Oh, não sei! Acho que estamos aqui para cumprir o nosso dever, fazer o melhor uso possível de nossas faculdades e evitar magoar os outros.
— Em resumo: não faças a outrem o que não queres que te façam, não é assim?
— Creio que sim.
— Cristianismo.
— Não, não é — protestou Philip, indignado. — Isso nada tem a ver com o cristianismo. É apenas moral abstrata.
— Moral abstrata é coisa que não existe!
— Nesse caso, suponha que, ao sair daqui, sob a influência da bebida, esquecesse a sua bolsa sobre a mesa. Por que razão acha que eu a restituiria? Não havia de ser por medo da polícia.
— Seria o temor ao inferno, se você pecasse, e a esperança no céu, se fosse justo.
— Mas se eu não acredito no céu nem no inferno!
— Pode ser. Kant também não acreditava ao conceber o imperativo categórico. Você renegou um credo, mas conservou a ética desse credo. É ainda um cristão, para todos os efeitos, e se existir um Deus no céu você receberá sem dúvida a sua recompensa. O Todo-Poderoso não pode ser tão tolo como as igrejas o representam. Desde que obedeçamos às Suas leis, não me parece que Ele dê importância ao fato de acreditarmos ou não na Sua existência.
— Mas se eu esquecesse aqui a minha carteira, tenho certeza de que você me restituiria — disse Philip.
— Não por motivos de moral abstrata, mas somente por medo da polícia.
— As probabilidades de a polícia descobrir o furto seriam de um para mil.
— Meus antepassados viveram tanto tempo uma existência civilizada que o medo da polícia me impregnou os próprios ossos. A filha de minha concierge não vacilaria um só momento. Responderá,naturalmente, que ela pertence às classes criminosas. Nada disso. Ela está, apenas, isenta dos preconceitos vulgares.
— Nesse caso vai por água abaixo a honra, a virtude, a bondade, a decência, tudo enfim — observou Philip.
— Alguma vez já cometeu um pecado?
— Não sei, mas suponho que sim.
— Fala como um ministro dissidente. Pois eu nunca cometi pecado algum.
Metido no seu sovado casacão, a gola voltada para cima, o chapéu enterrado na cabeça, com seu rosto rechonchudo e vermelho e seus pequeninos olhos cintilantes, Cronshaw parecia extraordinariamente cômico, mas Philip estava levando a coisa muito a sério para rir.
— Nunca praticou algo de que se arrependesse mais tarde?
— Como poderia arrepender-me de haver praticado um ato inevitável? — perguntou Cronshaw, em troco.
— Mas isso é fatalismo.
— A ilusão nutrida pelo homem de que sua vontade é livre tem raízes tão profundas que estou pronto a aceitá-la. Procedo como se fosse um agente livre. Mas quando um ato se realiza, está claro que todas as forças do Universo, desde toda a eternidade, conspiraram para motivá-lo e nada que eu pudesse fazer o teria impedido. Era um ato inevitável. Se foi bom, não me posso arrogar mérito algum; se foi mau, não posso aceitar censura alguma.
— Minha cabeça está dando voltas — disse Philip.
— Beba um gole de uísque — redargüiu Cronshaw, passando-lhe a garrafa. — Não existe nada melhor que uísque para clarear as idéias. É natural que você tenha o espírito lerdo, uma vez que insiste em beber cerveja.
Philip balançou a cabeça e Cronshaw continuou:
— Você não é um mau rapaz, mas acontece que não bebe. A sobriedade perturba a conversação. Quando falo a respeito do bem e do mal... — Philip notou que ele retomava o fio do discurso — ... falo convencionalmente. Não atribuo significação alguma a essas palavras. Ninguém me induzirá a instituir uma hierarquia de ações humanas, emprestando dignidade a umas e vituperando outras. Os termos vício e virtude não possuem sentido algum para mim. Não louvo nem censuro. Apenas aceito. Sou a medida de todas as coisas. Sou o centro do Universo.
— Mas existem outras pessoas no mundo — objetou Philip.
— Eu falo apenas por mim. Só noto as outras pessoas na medida em que elas limitam as minhas atividades. O mundo também gira em torno delas, e cada uma julga ser o centro do Universo. Meus direitos sobre elas não vão além do alcance de minha força. O que eu posso fazer é o limite do que devo fazer. Somos gregários, e por isso vivemos em sociedade. E a sociedade se conserva unida por meio da força, a força das armas (isto é, a polícia) e a força da opinião pública (isto é, a mrs. Grundy*). De um lado há a sociedade; do outro, o indivíduo: cada um dos dois é um organismo que luta pela sua conservação. É a força contra a força. Eu me encontro só, obrigado a aceitar a sociedade, o que faço de bom grado, uma vez que ela, em troca dos impostos que eu pago, me protege (um fraco) contra a tirania de pessoas mais fortes do que eu. Mas eu me submeto às suas leis porque sou compelido a isso. Não lhe reconheço a justiça nem sei o que isso seja, pois conheço apenas a força. E, depois de pagar uma taxa para que o policial me proteja e (se eu viver num país onde o recrutamento militar for obrigatório) depois de servir no exército que guarda a minha casa e a minha terra contra o invasor, estou quite com a sociedade. Quanto ao mais, contrabalanço a sua força com a minha astúcia. Ela cria leis que visam à sua própria conservação, e se eu as violar sou morto ou encarcerado. A sociedade tem o poder de fazer isso e, por conseguinte, o direito. Se eu violar as leis, aceitarei a vingança do Estado, mas não a considerarei um castigo nem tampouco me julgarei culpado. A sociedade procura atrair-me para o seu serviço acenando-me com honrarias, riquezas e o bom conceito de meus semelhantes. Sou, porém, indiferente à opinião deles. Desprezo as honrarias e posso muito bem dispensar a riqueza.
— Mas, se todos pensassem assim, o mundo viria abaixo num instante.
— Nada tenho que ver com os outros. Só me ocupo comigo mesmo. Tiro proveito do fato de que a maior parte da humanidade é levada, com o olho nas recompensas, a realizar coisas que, direta ou indiretamente, vem beneficiar-me.
— Considero esse um modo extremamente egoísta de encarar as coisas — disse Philip.
— Julga, por acaso, que o homem seja capaz de fazer alguma coisa a não ser por propósitos egoístas?
— Julgo.
— É impossível que assim seja. Quando ficar mais velho, compreenderá que a coisa mais necessária para tornar este mundo um lugar tolerável é reconhecer o inevitável egoísmo da humanidade. É absurdo exigir altruísmo por parte dos outros: para que sacrificariam eles os seus desejos pelos nossos? Quando você quiser compreender que cada um, no mundo, se preocupa apenas consigo mesmo, exigirá menos dos seus semelhantes. Já não lhe causarão decepções e passará a olhá-los com mais simpatia. Os homens buscam, na vida, uma única coisa: o prazer".

MAUGHAM, William Somerset. Servidão Humana. Ed. Globo, 1940; cap. XLV, páginas 236 a 240.

Omnia Vanitas. 💀



24 de fevereiro de 2020

Leitura oito..



Olá, indeciso leitor!

Ainda não sei se gosto deste livro. 

Quando peguei esse livro na estante, logo achei que seria uma dessas história arrebatadores de Aluisio Azevedo. Enganei-me. 

Primeiramente, esta história se passa em Paris, no século XVII. Péssimo! 
Em segundo lugar, eu não achei os personagens cativantes ou bem envolvidos na trama. O enredo parece pular de um lugar para outro sem muito sentido. Personagens são deixados para trás sem motivo aparente. 

E a trama é a seguinte: um órfão é deixado na porta de um seminário e, um padre que buscava por sua remissão de uma vida libertina, encontrou no menino a sua absolvição.
Angelo, este é o nome do órfão, foi criado para se tornar um eclesiástico perfeito, sem mácula ou qualquer tipo de vício que o pudesse tirar a virtude - incluindo a sua virgindade. 
O garoto teve pouco convívio social, morou durante muito tempo dentro de uma espécie de sótão e só conversava com pessoas que não poderiam tirá-lo do caminho de fé traçado pelo seu "pai", Ozéas.

E, para mim, só os nomes já começaram errado. França com Angelo e Ozéas não me cativaram. 

A ideia do menino viver no clausuro para tentar criar um homem sem vícios, bacana! Mas, sem aviso prévio, levá-lo para uma grande multidão ouvir  a sua primeira pregação e, ainda assim, levar todos às lágrimas - achei forçado.
E a paixão repentina pela cortesã que - só e olhar - enche o rapaz de amor puro e sincero. Não comprei a ideia. 

E esta foi a primeira parte.

A segunda parte mostra o jovem Angelo vivendo sozinho, pensando em Alzira - que se muda para a região onde o jovem e virtuoso padre mora. O segundo encontro deste casal é surreal e até anima um pouco o desenrolar da segunda parte quando o jovem padreco tem lá os seus sonhos. Mas ainda assim é uma história sem muito atrativo. 

Assim como em O Seminarista, de Bernardo Guimarães, o jovem toma a sua decisão entre a vida eclesiástica ou a  vida com Alzira. 
Mas algumas pontas ficam abertas.

Como já mencionei, depois de ler O Cortiço e O Mulato, ficou muito difícil engolir A Mortalha de Alzira como uma obra de Aluisio Azevedo. 

Leitura sete..


Olá, realista leitor!

Quando eu iniciei a leitura de O Seminarista, duas obras foram citadas no prefácio: Eurico, o Presbítero (Alexandre Herculano) e O Crime do Padre Amaro (Eça de Queiroz).
Infelizmente, o livro do Alexandre Herculano está na minha biblioteca lá na casa dos meus pais. Felizmente, Eça de Queiroz estava à mão.

Que livro!!!

Eu achei que a leitura estaria comprometida por eu conhecer o final da história. Ledo engano. Nada se perdeu durante a leitura por este motivo. Até gostei do Amaro Vieira - pelo menos até o capítulo XII.

Esta obra de Eça (e também outras, como Os Maias) causou burburinho quando do seu lançamento. Qual! Falar assim do clero e da instituição eclesiástica não deveria ser permitido. Mas o foi!

Eça de Queiroz apresenta uma sociedade mesquinha, habilidosa e sem virtude na figura do clero da pequena cidade de Leiria. O poder dessa classe era tão forte que ditou o modo de vida da região; ditando casamentos, empregos e vícios.

Amaro Vieira é um órfão que ficou sob a tutela da família na qual seus pais eram empregados. Franzino e de compleição submissa e tímida, sua tutora, ao falecer, o deixou de herança uma função: tornar-se padre. Padre? Justo à Amaro que adorava a companhia da mulheres, seus paparicos e chamegos. Porém, não tinha ideia do que ser na vida, mas sabia que padre não queria ser. Nunca compreendeu aqueles que se engajaram na profissão por amor a ela. Mas padre se tornou. Seu tempo de seminário foi um suplício e, não fosse pelo conde Ribamar, genro da sua tutora, viveria em uma comunidade serrana - totalmente fora dos centros urbanos onde ferviam atualidades e mulheres lindas. 
Leiria foi um ótimo celeiro para Amaro. Uma cidade repleta de vícios religiosos onde a figura da igreja - seja qual o seu cargo, era respeitada como o próprio Deus - e tão pouco questionável quanto o próprio. 
Apesar de se chocar com esta sociedade no início, Amaro fácil se acostumou a ela - visto que sempre um janota que aprecia tudo o que é bom e de fácil acesso.

Amélia Caminha é uma jovem de Leiria criada por uma mãe carola. Viveu sempre rodeada pelo clero e ouvindo história sobre esta classe de forma romanceada: uma mulher que perdeu o amor do sua vida e tornou-se freira para não se entregar a outro homem, ou o padre que se apaixonou por uma freira que teve a sua vida eclesiástica ofuscando essa paixão e blá-blá-blá.
Então, para uma jovem de vinte e três anos foi fácil apaixonar-se pelo bonito padre que chegou na região: Amaro Vieira. 

Eça de Queiroz deixa muito claro como o clero abusou do seu poder sobre as mentes fracas de seus seguidores. Criticou, também, o sacerdócio sem a vocação e como isso pode levar a uma função fora dos propósitos da fé. 
Todos os personagens, desde o menor até o principal apresentam vícios e caráteres que são baixos na personalidade humano. Pessoas mesquinhas e inclementes, orgulhosas, avarentas  e odiosas. 
Porém, antes de terminar a obra, Eça apresenta um personagem carismático e exemplo de sacerdócio. É uma flor em meio as ervas daninhas. 

Eu adorei a leitura desta obra, e, assim como minha mãe, odiei o Amaro - e fui torcedora fiel de João Eduardo (outro queridão que coloquei na minha lista junto com Ferrão).

Omnia Vanitas. 💀



28 de março de 2018

Leitura oito.. Joana 1/3

"Os juízes não a querem santa. Também não a querem militar" (p.185)
Logo após a leitura de "O Clube Dumas" eu resolvi colocar em prática um projeto de leitura que planejei em 2017. E, nesta semana, eu terminei a primeira das três partes desta empresa.

Claude Bertin foi quem supervisionou este volume de Os Grandes Julgamentos da História: Joana D'arc.  Este é o quarto tomo desta coleção da editora Otto Pierre. Esta edição apresenta ilustrações da Bibliothèque National, agência Roger Viollet e uma gama bibliográfica que serviu de fonte para a composição deste livro.

Carlos V construiu com um bom território para a França. Carlos VI não soube o que fazer com este patrimônio real. Carlos VII não sabia se era apto para assumir o trono. Joana D'arc trouxe um rei para a França e a Inglaterra a queimou por bruxaria.

Joana D'arc se envolveu na luta pela França quando a Guerra dos Cem Anos estava acontecendo. A França havia perdido batalhas significativas para a Inglaterra: Crécy (1346) , Poirtiers (1356) e Azincourt (1415); e cada uma que era acrescentada tornava o território inglês maior. 
No ano de 1429 o certo a Orleans trouxe um novo ar para derrotada França. E seu líder foi Joana D'arc.

Joana D'arc foi uma camponesa que saiu da casa patriarcal e foi lutar pelo seu país. Despojou-se das roupas femininas e vestiu-se como guerreiro. Esta jovem trouxe à França vitórias e coroou um rei abatido. Depois desta glória a França a esqueceu e permitiu que sua redentora fosse queimada como bruxa pelos seus inimigos.

A igreja (inglesa) não a queria por santa, eles não aceitariam suas visões e suas profecias; mas não puderam dizer que as visões não possíveis ou estariam condenando todos os profetas bíblicos.
O controverso julgamento desta jovem lhe custou a vida quando tinha apenas dezenove anos. 
A Inglaterra juntou provas, e forjou outras tantas, para lhe condenar como bruxa; caso contrário, teriam que admitir que Deus estava contra eles. 
De todas as acusações, poucas foram comprovadas para lhe dar o veredito de culpada; portanto, culpar-lhe pelos trajes masculinos que vestia foi o que a levou à fogueira. 

A fervorosa jovem cristã pedia para que o Papa lhe soubesse o caso e, julgando ele que ela falava mentiras, aceitaria a condenação. Mas o Papa nunca foi chamado, porém, conhecia o caso de Joana. Segundo Bertin "a verdade é que toda a época foi cúmplice da condenação". Em toda a parte se sabia sobre a virgem guerreira que coroou o rei da França; porém, nem mesmos Carlos VII não se pronunciou em momento algum sobre um resgate para o seu soldado. 

Entretanto, quase vinte e cinco anos depois da morte da herege, o Papa contemporâneo, Calisto III, foi feita a reabilitação da jovem guerreira. Carlos VII se pronunciou, os guerreiros que estavam com ela também deram contribuição para o novo julgamento e, as amigas de Joana D'arc foram ouvidas. 
Apesar das declarações e louvores à jovem devota, pouco se sabe soube como ela era fisicamente; exceto a cor dos cabelos: castanhos. Nenhum esboço serviu para dar rosto àquela mulher.

A igreja lhe condenou pelas roupas de homem que vestiu;  mas a virgindade lhe tornou santa.

Você pode acreditar ou não, crédulo leitor, que Joana D'arc tinha visões e ouvia vozes dos santos; fato é que esta jovem mulher liderou batalhas - e venceu a maioria delas sem nunca ter treinado para isso. Você pode acreditar ou não, mas ela foi eloquente o suficiente para dobrar um rei a fazer  o que ela queria. Ela o corou rei de uma nação desesperada. A vida de Joana D'arc foi verdade. Seus atos são verdade. 

No ano de 1929, Joana D'arc foi canonizada. 








4 de março de 2018

Leitura seis..


Fim da sexta leitura e segunda leitura do Desafio Literário
O desafio do mês de Fevereiro propôs a  leitura indicada por um amigo. 
Os Pilares da Terra foi uma indicação da minha amiga BRK. Faz quase cinco anos que este livro estava na prateleira e eu precisava de uma coragem para começar a ler - é minha primeira leitura de Ken Follett e eu não sabia se iria gostar. E esse "empurrão" do desafio literário me proporcionou a oportunidade de ler este clássico. Por se tratar de uma obra longa, eu fiz marcações de leitura para não me perder no prazo final do calendário.

Eu gostei do enredo. A história é muito bem detalhada e as personagens bem caracterizadas. Eu tinha apenas uma preocupação: Ken Follett é historiador? 
Eu tentei procurar alguma informação sobre a formação deste escritor mas não achei nada que indicasse tal cátedra. 
A minha dúvida é porque há muita informação sobre a cultura daquela época - informação detalhada de hábitos e costumes. E, comparando com as informações sobre a arquitetura da época, eu me perguntei se as atividades descristas sobre a cultura diária das personagens também tinham um fundo histórico na narrativa.

A principal preocupação na época da narrativa era a perda do domínio eclesiástico sobre reis e reinos. A função de construir tais catedrais estava ligada ao poderio eclesiástico sobre os monarcas. O próprio respeito ao "homem de Deus" deveria ser algo que levasse o homem às 'chamas do Inferno' ao tocar ou verbalizar contra tais entidades. Quanto mais poder exercessem sobre os governados e governantes mais forte se tornaria como pedra de esquina.
Na época da narrativa do livro, o conhecimento de que Deus se alegrava com este tipo de arquitetura e que, principalmente, fazia parte do indulto cristão uma atividade como construir uma catedral  para remissão dos pecados tanto de quem as construía e  daquelas que a planejavam era um pensamento comum - nem por isso correto. Pensar na prática religiosa através dos tempos - ou mesmo entender o Antigo e o Novo Testamento cristão- é algo que somente a compreensão da história poderá explicar. E, convenhamos, anônimo leitor, que a Idade Média não foi uma das melhores épocas para se conversar sobre religião.
E por falar em religião, os judeus também tinham sua conotação de "bem-afortunados" através de suas práticas de empréstimo/venda. 
Por essas e outras anotações que eu questiono se Ken Follett baseou-se somente na arquitetura histórica ou em outras culturas para representar seus personagens.

Sobre a época da narrativa, algo que chamou minha atenção foi a personalidade das mulheres. As personagens que se mantinham dentro do elenco principal eram,  em sua maioria, de caráter forte e inteligentes - justo numa Idade Média que elas eram queimadas se representassem menos que isso.

Senti falta de um final para Martha; ou eu a perdi uma parte de história.

Se irei reler? Não sei. Eu não pretendo me desfazer deste exemplar. A primeira leitura, na minha opinião, quando não arrebata o leitor de primeira é porque precisa de uma releitura para captar um pouco melhor a essência da obra. Acredito ser esse meu caso. Gostei da leitura mas talvez eu não tenha chegado ao fim desta. 




31 de janeiro de 2018

Dias Marcados..


Olá, organizado leitor.

Amanhã será o início (oficial*) da segunda leitura marcada no Desafio Literário
Neste mês, a leitura indicada é uma sugestão. Foi-me sugerido este livro do Ken Follet, Os Pilares da Terra pela minha amiga BRK. Faz já uns quatro anos que tenho esta indicação na minha prateleira. E, agora, chegou o momento. 
Por se tratar de uma leitura longa (941 páginas), eu precisei colocar metas de leitura diária para não ultrapassar os vinte e oito dias de Fevereiro. 
Haverão dias que a meta será ultrapassada e dias que não conseguirei cumpri-las; por isso, um pouco de organização não mata ninguém. 

Então, regrado leitor, sigamos este mês olhando para um alvo afim cruzarmos a linha de chegada satisfeitos por havermos cumprido o desafio de modo pleno.





*leitura iniciada em 30/1/18.


11 de julho de 2016

A Cabana..

"Talvez a sua ideia de Deus esteja errada" - A Cabana

Terminei a leitura de A Cabana

Sábado de manhã, eu fui até a estante onde estava um dos exemplares deste livro e comecei a lê-lo. Tantas pessoas me recomendaram a leitura, que pensei que um final-de-semana resolveria o caso. Bom, na verdade, estiquei até hoje à tarde. 

A leitura é tranquila. Eu fiquei bem interessada no início e fui lendo com atenção até a página 142... depois, a leitura foi bem lenta. Não sei o que houve, apenas perdi aquele interesse inicial. 
Antes de chegar na página 200, eu pensei em desistir. Empurrei até o final e..voilà! Terminei.

A história é boa, me lembrou muito outro livro que li chamado As Cinco Pessoas que Você Encontra no Céu, de Mitch Albom.

O texto tem frases "de impacto" e desmistifica a religiosidade barata: como Deus sendo uma mulher {muito boa cozinheira, diga-se de passagem}, por exemplo. Outro fato que achei interessante e muito válido é quando o assunto da fé de outras religiões é comentada:

"Os que me amam estão em todos os sistemas que existem. São budistas ou mórmons, batistas ou muçulmanos, democratas, republicanos e muitos que não votam nem fazem parte de qualquer instituição religiosa. Tenho seguidores que foram assassinos e muito que eram hipócritas. Há banqueiros, jogadores, americanos e iraquianos, judeus e palestino. Não tenho desejo de torná-los cristãos, mas que me juntar a eles em seu processo para se transformarem em filhos e filhas do Papai, em irmãos e irmãs, em meus amados".
E aí eu lhe pergunto, devoto leitor: podemos "deixar prá lá" a religião e conversar sem querer converter o ouvinte?
E, nesse ponto, lembro de outro capítulo que gostei "Na Barriga das Feras". Este parte trata sobre as instituições religiosas formadas para gerenciar a vida alheia. E, pense, leitor: adoramos uma regra. 

Outro capítulo que gostei muito foi "Olha o Juiz aí, Gente". Muito bom! Mais uma coisinha que adoramos fazer com os outros: julgar
Ôh dedinho em riste que aponta para o amiguinho! 
Ah! Como eu sou boa e justa! Até Deus deveria se espelhar em mim!  
Todos nós somos assim. Precisamos lutar muito para querer tirar o dedo indicador do rosto de coleguinha! Eu mesma estou vivendo uma situação semelhante que preciso lutar contra esse meu Juiz Autoritário que quer ser dono da verdade. Quem é o seu réu?, justo leitor?

Terminei e concluí: de tudo o que eu penso e conheço sobre Deus só 1% se aproveita. Não que o livro seja uma verdade nua e crua do Criador, mas você se acha capaz de definir Deus? Quantas ideias e conceitos temos sobre Papai que mudam conforme A NOSSA VISÃO. Nós mudamos de conceito, Deus não. Se definirmos Deus, como disseram meus professores de teologia, Deus deixa de ser Deus. 

No mais, fiz minhas anotações corriqueiras, refleti sobre algumas coisas ..e por aí vai!

É um livro simples, como a fé deve ser.

Omnia Vanitas.

10 de junho de 2015

Mary Crawford ..parte II



Para ler a primeira parte, clique aqui.

O segundo contraste - e o que me levou à escrever esta publicação - é a questão da igreja. Enquanto para a senhorita Crawford a escolha eclesiástica deve a ser a última opção que um homem deve escolher. Cabe a Edmund mostrar à Mary a importância que existe da igreja na sociedade. Na verdade, este pequeno diálogo é, ao meu ver, um confronto entre realidade versus ideal. A igreja deve ser como o futuro clérigo cita mas a prática dá a razão para Mary Crawford.
Na verdade, o que angustia a senhorita C. não é o fato de Edmund optar pelo oficio eclesiástico, mas o pouco rendimento que a profissão lhe provém.

Mais adiante no enredo, a conversa sobre a importância da ordenação de Edmund volta à cena, desta vez em Mansfield Park, a casa da família Bertram.

(...)
— Que! Ordenar-se sem ter meios! Não, isto é realmente loucura; loucura absoluta.
— Posso então lhe perguntar o que será da igreja, sem nem com meios nem sem meios o
homem deve ordenar-se? Não, pois certamente não saberia o que dizer. Mas do seu próprio argumento posso tirar alguma vantagem para o pastor. Como ele não pode ser influenciado por aqueles sentimentos que na sua opinião são classificados como tentação e recompensa para o soldado ou marinheiro, ao escolherem suas carreiras, pois que o heroísmo, o barulho, a moda, não lhe são permitidos, ele deve estar menos sujeito à suspeita de não ser sincero ou bem intencionado na sua escolha.
— Oh! sem dúvida ele é muito sincero ao preferir uma renda já pronta em vez de ter de
trabalhar para a conseguir; e tem as melhores intenções de não fazer mais nada até o fim da vida senão comer, beber e engordar. É indolência, Mr. Bertram, isto é que é. Indolência e amor ao bem estar; uma falta total de louvável ambição, de gosto pelas boas companhias, ou de vontade de se dar ao trabalho de ser agradável, é o que fazem os homens quererem entrar para o clero. Um pastor não tem nada que fazer senão ser negligente e egoísta; ler os jornais, olhar para o tempo e discutir com a mulher. Sua
paróquia fará todo o trabalho e a preocupação de sua vida é jantar.
— Existem, sem dúvida, pastores assim, mas creio que não são tão comuns que justifiquem o juízo por Miss Crawford do seu caráter em geral. Suspeito que nessa censura ampla e (posso dizer) geral, a senhorita não está julgando por si mesma, mas por pessoas mal informadas, cujas opiniões se habituou a ouvir. É impossível que com as suas próprias observações ficasse conhecendo muito o clero. Do grupo de homens que a senhorita tão decisivamente condena, talvez pessoalmente tenha conhecido muito poucos. Está repetindo o que ouviu dizer em casa de seu tio.
— Estou dizendo o que parecer ser opinião geral; quando a opinião é geral, habitualmente é correta. Embora eu própria não esteja muito a par da vida doméstica dos pastores, há muitíssimas pessoas que o estão para que haja engano na informação.
— Quando se vê uma qualquer corporação de homens educados, de qualquer denominação, condenados sem distinção, deve haver erro de informação ou (sorrindo) de qualquer outra coisa. Seu tio e seus colegas almirantes talvez não conhecessem do clero senão os capelães, os quais bons ou maus eles sempre preferiam ver de longe.(...)
— Eu tenho me guiado tão pouco pelas opiniões de meu tio, disse Miss Crawford, que dificilmente poderia supor... e já que me obriga a falar, posso afirmar que não estou inteiramente alheia ao que são os pastores, visto que atualmente sou hóspede de meu próprio cunhado, dr. Grant. E embora ele seja muito bom e amável comigo, embora seja realmente um cavalheiro, e, ouso dizer, muito erudito e inteligente, muito respeitável, e faça muito bons sermões, vejo no entanto que é um indolente, egoísta, “bon vivant”, cujo gosto tem de ser consultado em todas as coisas; que não mexe um dedo pela conveniência de ninguém; e que, além disso, se a cozinheira comete uma asneira, fica de
mau humor com a sua excelente mulher.
(...)

Desta vez, Mary Crawford usa seu cunhado como modelo. Sabendo o marido de sua irmã é um homem de espírito belicoso no que concerne à boa mesa, ela se utiliza deste caráter para justificar a má conduta de todos os clérigos. Edmund e Fanny (que participa da conversa, ora de forma passiva, ora não), justificam que, por não conhecerem o senhor Grant e sua conduta familiar, não podem proferir uma conclusão sobre o caso, mas que, segundo a dupla defensora do ofício eclesiástico, o caráter, seja ele de um clérigo ou de um almirante, não podem justificar a conduta de todos os que comungam a profissão.
Para a senhorita Crawford, pelo que comenta do cunhado, não adiantaria em nada ter todas as qualidades que possui, se erra no ponto de cuidar de sua esposa. Porém, ouso afirmar, que se ele cuidasse bem da irmã de Mary, ela encontraria outro defeito na conduta do dr. Grant, somente pelo prazer de diminuir o valor do ofício clerical e fazer prevalecer sua vontade.

Concluindo, na primeira parte desta publicação, encontramos Mary Crawford achando que a escolha para uma atividade oficial eclesiástica é a última escolha que um rapaz deve ter. Quando tudo o mais falhar, seja clérigo. Não há como discutir sobre isso, pois, até hoje, muitos escolhem uma profissão por ela ser rentável e não prazerosa. 
Mas para a senhorita Crawford, além de ser uma profissão que não possuiu um status elevado na sociedade, o pastor recebe uma remuneração pequena. Logo, não lhe sobra nenhuma glória para fazê-lo encher o peito de orgulho e dizer à plenos pulmões: Sou Pastor!
Mesmo com toda a boa intenção de Edmund em provar que um pastor pode ser visto com um agente atuante e motivador dentro da sociedade que pertence, a jovem cunhada do dr. Grant afirma que poucos são os clérigos que possuem um caráter satisfatório para a vida marital: não passam de comilões, beberrões e acomodados que discutem por ninharia com seus familiares.

Então, calado leitor, será que Mary Crawford está plena em razão ou é apenas preconceituosa com a classe?

Omnia Vanitas.

Mary Crawford .. parte I

"Um clérigo não tem mais nada a fazer do que ser desleixado e egoísta; ler jornal, ver as condições do tempo e discutir com a sua esposa" (Mary Crawford, Mansfield Park (Jane Austen)


Para os leitores de Jane Austen, não é novidade o quanto seus clérigos são conotados como pessoas estúpidas e sem nenhuma expressão na sociedade que participam. São seres inferiores e cômicos que não agregam valores importantes para a sua gestão eclesiástica. Comem, bebem e se casam com mulheres que são superiores à eles ou tão estúpidas quanto.
Exemplo: em Orgulho e Preconceito, Charlotte Lucas "dá o golpe" em Mr. Collins. Não o golpe do baú, mas, sendo ela uma solteirona de vinte e sete anos e sem pretendentes à vista, Mr. Collins e sua estupidez são o prato cheio para tirá-la da roda de "fardo" da sociedade.
Mr. Elton, em Emma, também é outro bajulador com o clérigo de O&P. A esposa do "Senhor E." é uma pedante de marca maior. Adora cuidar da vida dos outros e importuná-los - pobre senhorita Fairfax que teve a "alegria" de ser escolhida como amiga íntima de um criatura tão pegajosa quanto a senhora Elton.

Na minha leitura atual, Mansfield Park, eu não consigo enxergar Edmund Bertram como um clérigo diferente dos demais. Farei apenas uma adendo, ele é um ótimo administrador, culto e tudo mais, mas, como todos os outros, sua paixão lhe atira aos pés dos grandes tolos que o antecederam e subsequentes a ele.

Mas, há uma parte desta leitura que chamou minha atenção desde a primeira leitura que fiz em 2011. Esta parte trata da discussão entre Mary Crawford e Edmund. Ela mostra como a sociedade vê o clérigo e, Edmund lhe apresenta o ideal eclesiástico da função.  Essa discussão aparece em duas partes do livro (pelo menos essa que chamou minha atenção). A primeira vez é quando o grupo visita a propriedade do sr. Rushworth (noivo de Maria Bertram, irmã de Edmund). A segunda é quando o grupo está, novamente, reunido em Mansfield Park (residência dos Bertram).

(...)
— Então Mr. Bertram, vai mesmo ser pastor? É uma grande surpresa para mim.
— Por que está surpreendida? Deve lembrar-se que eu tenho de ter uma profissão e já há de ter percebido que não sou nem advogado, nem soldado, nem marinheiro. (...) 
— Mas porque há de ser pastor? Sempre pensei que esta sorte coubesse ao filho mais moço,quando houvesse muitos irmãos para escolher.

— Acha então que a igreja nunca é escolhida por si mesma?
— Nunca é uma palavra forte. Mas o “nunca” da nossa conversa, que significa “não muito frequentemente”, acredito que não. Pois o que se pode esperar da igreja? Os homens gostam de se distinguir e em outra qualquer carreira essa distinção pode ser alcançada, mas não na igreja. Um pastor não é nada.
— Este “nada” da conversa também tem suas gradações, espero; pelo menos tanto quanto o “nunca”. Um pastor não pode sobressair em pompas e modas. Não deve dirigir povos nem ditar modas de vestuário. Mas não vejo nessa situação nada que se relacione com aquilo que é de primeira importância para a humanidade, individual ou coletivamente considerado, temporária ou eternamente: a proteção da religião ou da moral e consequentemente das maneiras que resultam da sua influência. Nenhum de nós aqui pode achar que o “ofício” é nada. Se o homem que o pratica é considerado inútil,o é por negligência aos seus deveres, por não lhe dar uma justa importância e afastar-se do seu lugar para aparecer onde não deve.
- O senhor dá mais importância ao pastor do que geralmente se costuma dar ou do que eu posso compreender. Na sociedade não se sente muito essa influência e essa importância, mas como poderiam ser sentidas num meio onde os próprios pastores raramente são vistos? Como podem dois sermões por semana, mesmo supondo que sejam dignos de serem ouvidos, e embora o pregador tenha o bom senso de preferir os de Blair aos seus próprios, fazer tudo isso que fala — governar a conduta e dirigir as maneiras de uma grande congregação para o resto da semana? Dificilmente se vê um pastor fora do púlpito.
— A senhorita está falando de Londres enquanto eu me refiro à nação inteira.
— A metrópole é um bom exemplo do que deve ser o resto.
— Não o espero, no que se refere à proporção da virtude para o vício em toda a extensão do reino. Não procuramos nossa moralidade nas grandes cidades. Não é lá que a gente respeitável de qualquer denominação pode fazer o maior bem; e certamente não é lá que a influência do clero pode ser melhor sentida. Um bom pregador é sentido e admirado; mas não é somente pelos belos sermões que um bom pastor pode ser útil na sua paróquia e na sua vizinhança, onde, pela extensão das mesmas,é possível se conhecer a sua vida íntima e observar a sua conduta em geral, o que em Londres dificilmente aconteceria. Lá o clero se perde no meio da multidão. São conhecidos apenas como pregadores pela maior parte. E quanto à influência deles em questões de ordem pública, peço que não me interprete mal, Miss Crawford, ou suponha que eu pretenda chamá-los de árbitros da boa educação, de reguladores da polidez e da cortesia, de mestres de cerimônias da vida. As “maneiras” a que me refiro, poderiam antes ser chamadas “condutas”, ou talvez, o resultado de bons princípios; o efeito, em resumo, daquelas doutrinas que eles têm por dever ensinar e recomendar; e admito que haja aqueles que são o que não deviam ser, como aliás se encontram em toda a parte.
(...)

 Austen apresenta dois contrastes. O primeiro é a rivalidade campo versus cidade. Como anuncia o prefácio, há uma forte disposição da senhorita Austen em "promover" o campo, trazendo da cidade dois personagens (Mary e Henry Crawford) para mostrar a malícia e indiscrição da sociedade "mundana". Porém, eu não colocaria a carga de "irresponsáveis" sobre os irmãos Crawford, sendo que Tom, Maria, Júlia, tia Norris e quase todos de Mansfield Park possuem um espírito detrativo no que concerne a moral e bons costumes. As duas irmãs (Maria e Júlia, sendo a primeira noiva de Mr. Rushworth) entram no jogo de sedução de Henry Crawford.

O segundo contraste - e o que me levou à escrever esta publicação - é a questão da igreja. Enquanto para a senhorita Crawford a escolha eclesiástica deve a ser a última opção que um homem deve escolher. Cabe a Edmund mostrar à Mary a importância que existe da igreja na sociedade. Na verdade, este pequeno diálogo é, ao meu ver, um confronto entre realidade versus ideal. A igreja deve ser como o futuro clérigo cita mas a prática dá a razão para Mary Crawford.
Na verdade, o que angustia a senhorita C. não é o fato de Edmund optar pelo oficio eclesiástico, mas o pouco rendimento que a profissão lhe provém.

Mais adiante no enredo, a conversa sobre a importância da ordenação de Edmund volta à cena, desta vez em Mansfield Park, a casa da família Bertram.

Continua em outra publicação: parte II.

Omnia Vanitas.



26 de novembro de 2014

Complemento de Leitura ..


Olá, quem me lê!! :)

Ontem, depois um dia mega cansativo de trabalho, fui recompensada com a chegada deste querido livro: Papisa Joana, de Lawrence Durrell. Eu sei que eu já li um livro com o mesmo título, mas este foi escrito em 1886 e  sua publicação ocasionou a excomunhão do autor da igreja.
Logo, em relação ao livro de Donna W. Cross, este é o proto de Papisa Joana.

Por enquanto, ele ficará sob a tutela do Presley - O Senhor dos Livros Não Lidos. Assim que todos os outros permitirem, eu o lerei!

Au revoir!
Omnia Vanitas.


12 de novembro de 2014

Documentários..


Pois é, senhora Cross, a Papisa Joana está me enlouquecendo de curiosidades! Quanto mais leio, mas interessada fico sobre a vida desta suposta papisa.

Ontem, meu querido Gerold encontrou, finalmente, Joana! Ah! Lá estava eu, às quase duas da manhã, devorando meu livro para saber mais sobre esse infortunado casal (rs). Olheiras - é o que tenho hoje! 

Então, enquanto fazia minha leitura dentro do ônibus, fiquei mais curiosa ainda para saber sobre esta enigmática e poderosa mulher. 

Para saciar minha ânsia, busquei alguns documentários que podem contribuir para a minha necessidade de saber (rs). Deixo-os linkados abaixo.

Outra forma de aliviar minha "tensão" foi comprando o livro de Lawrence Durrell (um daqueles que conseguiu deixar sua literatura sobre a papisa entre nós, mortais). Infelizmente, eu não encontrei este livro na minha busca na Biblioteca Pública aqui da cidade, logo, fui "forçada" a comprá-lo na Estante Virtual (a preço de pechincha - ufa!).

O que eu adoro nesses documentários é que, mesmo sendo bem feitos, há sempre o outro lado da moeda. Explico melhor: a Igreja Católica nunca dirá que Joana foi real. Em contra partida, "ex" padres, angustiados por algo, dirão que ela existiu. Os historiadores, sem quase papel nenhum à averiguar (pois trata-se de um período contraditório e frágil dos relatos eclesiásticos) trarão à tona qualquer coisa para encher seus documentários. Não desmereço essas fontes de pesquisa, mas, não me iludo em achar que cada coisa que apresentam é uma verdade absoluta, porém, reflito à respeito. Cada qual trará seu ponto de vista a ser provado - seja contra ou a favor da existência, neste caso especial, da Papisa Joana. Ou seja, como diz a própria Bíblia, vasculhe tudo e retenha o que é bom!

Agora, seguem os links...


e, o filme:


Omnia Vanitas

11 de novembro de 2014

Beatas..


Há situações nas quais eu prefiro, às vezes, nem comentar. Mas, hoje, estou com um espírito justiceiro a aflorar em minha pele. Então, anônimo leitor, caso não esteja sensível - leia meu desabafo, ou, caia fora e deixemos as coisas como elas estão.

Mas eu escreverei minha indignação.


Estava eu à vasculhar estas loucas páginas da internet quando me deparei com a publicação viral de que Dani Calabresa (humorista conhecida por estas terras) perdoou, publicamente, seu marido Marcelo Adnet (também humorista) pela traição que esta sofreu dele.

Cada qual faz o que quer da vida conjugal.

O que me deixou "revoltada" e me levou a "rebelar-me" contra a publicação e que, agora, manifesto aqui é:
porque nós, mulheres, somos OBRIGADAS à perdoar? Diga-me, leitor oculto!? Porque somos mulheres? Porque não temos pênis e sim uma vagina? Somos inferiores por causa do nosso sexo?

Mundinho hipócrita esse nosso, hein? Querem que sejamos "liberais" com nosso sexo e, depois, chamam-nos de "puta", "vadia", "fácil" ...porque nos damos a liberdade de transar com quem queremos.

Na verdade, esse mundo mascarado de moderno ainda está na idade medieva, ou pior, em tempos viquingues quando se trata de "condenar" a mulher. Antes, éramos bruxas, agora somos vadias. Não tente amenizar o valor torpe com novas palavras - a ideia é a mesma.

Imagine se fosse ao contrário. Imagine se fosse um homem traído. Perdão? Nunca! Porque homem é homem chuta a bunda da safada e sai para "pegar" outra. Isso é a atitude louvável de um Viking.

À nós, mulheres, cabe a vergonha, a cabeça baixa, o "perdão".

Não pense você, que sou contra o ato de perdoar. Não sou! Sou muito à favor, porém, me irrita o hábito de essa ação pertencer somente à mulher - como se fosse uma marca de como somos frágeis e dependentes de um homem. Engana-se, você, meu caro homem Viking que se esconde atrás da sua máscara de homem moderno: somos bem mais independentes do que vocês pensam ou julgam.

E, não me venha você, "religioso", falar em SUBMISSÃO e jogar a Bíblia para cima mim. Conheço a passagem bíblica que tanto os homens "fiéis" usam contra suas mulheres. Porém, se queres jogar a Bíblia na minha cara, eu digo... LEIA GÊNESIS: onde a mulher é idônea e não capacho. Ou melhor, deixe-me citá-lo, no contexto da submissão feminina, o que o Evangelho que tanto alisas para seus próprios prazeres, lhe diz sobre a obrigação masculina sobre a mulher.

Não sou à favor da traição ou contra o perdão. Apenas acho injusto e hipócrita que somente um lado da face de um casal seja OBRIGADA a perdoar, quando o outro lado não tem a mesma atitude.

Somos todos humanos e fadados ao erro. Em relacionamentos, a manutenção é mais complexa e árdua do que a conquista - sempre. Porém, não se esquive em desculpas mesquinhas para justificar a atitude contra o cônjuge.

Perdoar é bonito e manter um relacionamento,  em meio às "exigências" deste mundo decaído, é louvável.

Omnia Vanitas.

2 de novembro de 2014

Ansiedade literária ..


Antes de começar este post, quero deixar claro que não promovendo nenhum  ataque à fé católica.

Estou muitíssimo empolgada com a minha leitura de Papisa Joana de Donna Woolfolk Cross. Se tal mulher é verdadeira ou não dentro da história da igreja, não posso comprovar, mas, confesso, que ela é uma mulher intrigante.

Mesmo não estando nem na metade do livro eu não consigo deixar de ler a respeito desta tal Joana que, alguns, dizem ter sido vendida pelos pais para um mosteiro, outros que ela foi introduzida sorrateiramente neste meio por modos escusos. Na minha leitura, Cross descreve que ela chegou ao papado por substituir seu irmão João - morto em uma batalha.

Mulher letrada em grego e latim e refinada com a filosofia, chegou ao mais alto cargo da igreja católica por seus méritos como pietista e inteligente. Porém, talvez nem mesmo a própria Joana, ninguém contava com um desfecho natural ao ser humano: a paixão.

Joana se  apaixonou por um certo Conde - segundo alguns apontam - e dele engravidou, parindo a criança em meio a uma procissão.

E o fim dela? A morte, claro! Estamos situados, nesta parte da história, onde a igreja católica e manifestações de fé daquela época eram representadas com severos castigos infligidos ao corpo. Joana, claro, foi morta para servir de exemplo.

Na minha leitura, Cross escreve sobre o que aconteceu no pós-morte desta Joana. Resta-me sentar e chegar ao fim e depois colocar as impressões aqui.

Deixo para você, anônimo leitor, um  link  sobre as alegações de falsidade referente a presença de Joana no papado.

Omnia Vanitas.

18 de outubro de 2012

Obras Fantásticas..

Estava fuçando a net, e vejam que coisa maravilhosa encontrei.
Uma reportagem da Globo.com sobre  mosteiro que foi construído na Índia. Perfeito!




Nem sempre enchente é sinônimo de desgraça. Na época das chuvas, o já impressionante Monastério Phuktal ganha um toque a mais de beleza, com uma queda d’água entre suas construções. As águas não ameaçam as casas de barro e madeira, que estão lá desde o século 12. O monastério é habitado por cerca de 70 monges budistas, que escolheram viver reclusos. O local é aberto para visitação de turistas, mas só é possível chegar escalando o penhasco de 3.850 metros de altura, para garantir que o templo continue isolado do resto do mundo.

O monastério fica na boca de uma caverna em Ladakh, no norte da Índia. Locais como este são considerados sagrados no budismo e é dito que a água que passa por lá tem propriedades de cura. Fora da temporada de chuvas, há apenas uma fonte dentro das rochas, que abastece os monges.

A maioria dos visitantes é de budistas tibetanos, que fazem peregrinação no monastério. Lá, eles encontram habitações simples e recursos precários, mas também quatro salões de reza com afrescos na parede e no teto, além de uma grande biblioteca.




Os Meninos da Rua Paulo - Prefácio

  Olá, abandonado leitor!  Comecei neste final de semana a leitura de "Os Meninos da Rua Paulo". Ainda não cheguei na página 50, a...