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26 de setembro de 2019

Mais um sonho realizado..



Olá, leitor!!

Que momento delicioso eu tenho para compartilhar! 

Eu tinha uma vontade enorme de conhecer um determinado sebo em São Paulo (capital). 
Neste final de semana, viajamos para lá para visitar a família do meu marido e, foi necessário, permanecer durante quatro dias por lá. 
As outras vezes que os visitamos, nem de longe tínhamos tempo livre para andar pela cidade. 
Desta vez, eu "exigi" visitar o Sebo do Messias.  
Leitor, eu sou apaixonada por esse lugar, e ele foi uma das inspirações para o Sebo do Portuga.
E, em uma preparação para viver um outro lado da compra de livros, eu fiz um pedido on line com retirada no balcão. 💗
Eu estava muito ansiosa pela chegado do momento de visitar (e comprar) livros "diretamente da fonte". 
Porém, o tempo não era somente meu e eu tive o prazer de visitar os autores que amo (e ainda faltaram tantos outros que esqueci em meio a emoção de estar lá) entre as prateleiras do senhor Messias
Mas nada se compara ao ver o dono do Sebo, o senhor Messias A. Coelho. A minha timidez não permitiu que eu fosse cumprimentá-lo, mas vê-lo ativo na loja foi muito emocionante para mim e, levantei uma pergunta: estarei eu, também, atrás do balcão e sendo tão cuidadosa quanto ele depois de tantos anos como livreira? Em meu coração é o meu desejo.

Na foto acima, os exemplares que comprei (exceto Não Me Abandone Jamais e O Instituto) no Messias. Que momento para guardar na memória!

Lista dos livros:
(retirados no balcão)
- A Cidadela
- Almas em Conflito
- Três Amores
(de A. J. Cronin - que ainda falarei sobre)

(comprados na loja)
- A Mortalha de Alzira (Aluízio Azevedo)
- As Mil e Uma Noites v.8 (coleção fechada) 
- Enquanto Eu Te Esquecia (Jennie Shortridge) - presente para minha mãe
- Primo Basílio (Eça de Queiroz)

Para os exemplares extra-Messias,  O Instituto (Stephen King) foi presente do meu marido quando passamos em frente a Livraria da Travessa, em Pinheiros. 
E, Não Me Abandone Jamais foi a leitura concluída durante a estadia em São Paulo. 


Omnia Vanitas 💀


23.09.19, foto by marido 

28 de novembro de 2016

Férias..


No próximo final de semana, eu estarei visitando meus pais. Além de matar a saudade da família e dos amigos, vou aproveitar para trazer alguns livros para meu projeto de releitura em 2017. E, como estarei levando alguns livros que estão em nossa casa, vou aproveitar e ler mais um Maugham para contar na bagagem.

Eu adotei o hábito de ler Maugham durante as minhas férias do  trabalho. Sendo que agora sou dona do próprio negócio, entrar em gozo de férias é algo fora da realidade atual. Então, para manter meu gosto, vou ler Maugham agora - já que a maioria das escolas estão em férias. 

O título original é Cosmopolitans, mas a tradução para o português é 29 Histórias.
Assim como em Ah King, são histórias que Maugham escreveu durante suas viagens, neste caso, para a China. Ele não quis mexer muito nos contos para não perder o valor do momento em que foram escritas. Estou ansiosa para ler. 
As histórias de Somerset Maugham tem uma simplicidade na forma que são criadas que me permitem voar até uma praia retirada nos mares do sul, cruzar uma ponte pensil com um equilíbrio vascilante e sentar em uma poltrona para ouvir a história de algum habitante de tal lugar perdido no tempo. 

E haverá mais Maugham em 2017 pois ele está na minha lista de releituras - o problema é escolher quais reler! ;)

7 de julho de 2016

Je me rappelle..



Desde que eu decidi parar minhas aulas de francês, tomei outra decisão: não esquecer minha aulas de francês.
Foi no final do ano passado que eu tomei a decisão de parar {não por muito tempo, espero} as aulas de francês. Comentei com meu marido a decisão e ele concordou comigo. 

Eu amo muito estudar a língua francesa e, parar, não foi uma decisão fácil. Portanto, eu queria continuar em contato com a língua materna de Alexandre Dumas. 
Um pouco mais de dez anos atrás, eu conheci uma forma de aprender francês sob minha tutela: o método assimil. 
Trata-se de um livro com 140 lições de língua francesa: pronúncia, gramática e audição. Infelizmente, eu não tenho o vinil que acompanha o livro {minha edição é de 1958}. 
Por alguns meses, daqueles anos passados, eu tirava xerox deste livro; depois de aprender os capítulos fotocopiados, eu adquiria novos capítulos. 
No último mês do ano passado, resolvi comprar minha própria edição para continuar em contato com a língua francesa. E, ei-lo na foto acima! :)

E não é muito complicado aprender francês nessa didática assimil. Confira comigo {conforme a foto acima}:

- há um texto básico Aimez-vous les livres? {texto da foto}
- há a pronunciação do texto èmêvu lè livrre?
- há a tradução do texto Gosta de (amai-vos) livros?

Como eu já disse, falta o disco de vinil para completar a aula. E, na foto, não aparece o estudo de gramática e não está também o capítulo de Revisão e Notas. 

Para toda mal há a cura. Minhas audições eu faço durante a leitura da literatura que adquiri. O próprio Comte de Monte-Cristo eu tenho o livro em áudio para corrigir minha pronúncia - recado a parte, tenho medo de falar em francês rs.

A única coisa que eu sinto muito falta é de criar textos em língua francesa. Como não tenho quem corrija as redações, fico sem esse trabalho importante. 

Claro, tudo o que estou fazendo no momento não substitui minha aulas presenciais de francês; mas, pelo menos, as aulas passadas não ficam perdidas no tempo.

Omnia Vanitas.

4 de janeiro de 2016

Fim das Férias..



Fim das férias.

Antes de eu colocar a casa em sua ordem cotidiana, dou-me um tempo de escrever neste blog.

Terminada a leitura de Arthur Conan Doyle em seu livro Um Estudo em Vermelho, quero registrar duas coisas. A primeira trata-se de uma curiosidade: o título do livro. Segue a explicação:

Um estudo em vermelho, hein? Por que não poderíamos usar um pouquinho do jargão da arte? O fio vermelho do assassinato corre através da meada incolor da vida, e nosso dever é desemaranhá-lo , isolá-lo, e expor cada centímetro dele.

A outra coisa que pretendo registrar é sobre o cérebro do detetive. Há algo de interessante pois ele, o personagem, não faz questão de saber de tudo, mas saber somente aquilo que lhe é necessário à profissão. Tudo o que for além do que é peculiar à função do detetive estará ocupando um espaço desnecessário. Nas palavras do personagem:

...considero que o cérebro de um homem é originalmente como um pequeno sótão vazio, que temos que encher com os móveis que escolhemos. Um tolo recolhe todo tipo de trastes com que depara, de modo que o conhecimento que lhe poderia ser útil fica atravancado, ou na melhor das hipóteses misturado com muitas outras coisas, de modo que ele tem dificuldade em localizá-lo.

A citação é mediana, mas me atenho somente a esta parte pois ela já exprime a compreensão que quero mencionar.  

Ainda em férias, li meu amado Maugham (como ato óbvio). Seis Novelas e As Três Mulheres de Antibes trazem personagens fantásticos como a mulher que casou com um homem vinte e sete anos mais jovem e, também sobre o carrasco que descobriu que era feliz. 
Maugham tem a facilidade de escrever sobre pessoas tão comuns e fantásticas e, também, sobre princípios tão fortes que nem mesmo o conselho de um pai ou uma guilhotina dirão o contrário.

Fim das férias.

Omnia Vanitas.




23 de dezembro de 2015

Elementar, meu caro Watson..




Enquanto Maugham não chega às minhas mãos, eu me deleito com outras leituras, ao propósito do momento, Arthur Conan Doyle me entretém com seu primeiro romance do detetive Sherlock Holmes: Um Estudo em Vermelho.

E, durante este início de leitura, Holmes chamou minha atenção quando conversava com Watson.

O médico está envolvido pela personalidade diferente do detetive e, durante o primeiro caso juntos, antes de chegarem à cena do crime, o diálogo chama minha atenção. Watson  está intrigado por Holmes não conversar sobre o caso durante a viagem até o local do crime; e, gentilmente, Holmes responde:

- Ainda não temos os dados, respondeu ele. É um erro capital teorizar antes de termos todas as evidências. Distorce o julgamento.

Que belo conselho para ansiosos e fofoqueiros: refreiem o pensamento antes de qualquer ação (inclusive pensar)! Se ainda não se sabe o que se tem em mãos, não julgue a situação ou alguém. Neste mundo ágil de informações prematuras, somos os juízes de falsos fatos.

Portante, use essa lição de Sherlock Holmes: não tome conclusões antes de verificar a cena do crime. ;) 

Omnia Vanitas.

18 de dezembro de 2015

O Pecado de Liza..

Fotografia do filme baseado no livro de Somerset Maugham "O Véu Pintado"

Voltei a ler Maugham!

O primeiro livro das minhas "férias" foi "O Pecado de Liza". 

Em um lugar onde as mulheres bebiam sob a desculpa de fazer bem à saúde e os homens para justificar a brutalidade doméstica, Liza é a garota mais benquista do local, feliz, bonita e disposta a jogar críquete com as crianças da rua. Seu admirador era Tom, o jovem trabalhador e honesto rapaz da região que ama a protagonista acima de si mesmo. Mas entra em cena um terceiro elemento: Jim.

A vida pacata de Liza toma o rumo oposto após a chegada de Jim, e tudo muda na vida dela: a vizinhança não a quer por perto, as crianças zombam dela e as mulheres casadas a evitam. Porém, apesar do final que aguarda Liza, eu lhe digo, anônimo leitor, que Liza, apesar das circunstâncias, foi salva! 

Omnia Vanitas.


11 de janeiro de 2015

Sobre as Férias..


Fim das férias!

Quantas coisas eu fiz! Quanta vontade de fazer tantas outras!

Depois da correria do Natal, reformei meu escritório! Ficou lindo! Do jeito que quero, do meu jeito! Meus livros ordenados nas prateleiras que escolhi e fixei! A cor que desejei na primeira reforma...agora é real. Quatro dias de trabalho e a satisfação durará sempre! Nada melhor do que poder realizar aquilo que deseja!

Durante esse tempo, minha leitura não foi neglicenciada. Terminei de ler Villette.  Por conta deste fim, eu comecei outra leitura de Charlotte Brontë, O Professor
Maugham também foi visitado nestas férias: Ah KingHistórias dos Mares do Sul, O Destino de Um Homem e Um Gosto de Seis Vinténs. Dumas também participou com O Filho do Forçado.
Foram ótimas madrugadas adentro junto de cada livro, livre de preocupações, somente o prazer de saborear uma leitura tranquila e gostosa.

Também tive liberdade para visitar a família e ajudar amigos. Pesquei, ri, nadei, suei (rs), brinquei com minha cachorrinha, comprei livros, ganhei presentes e muito mais.

Se gostaria de fazer outras coisas? Eu não mudaria as coisas que fiz, mas teria tantas outras que acrescentaria. Precisaria de mais dias e mais dinheiro (rs).

Férias, na verdade, é igual chocolate: você precisa saborear cada pedacinho antes do fim! 

Agora é aguardar por pequenos feriados e, claro, as próximas férias! Até lá estudar, nadar, trabalhar, curtir os amigos e ... outras coisas (rs).

Então, que comece a labuta!!!

Omnia Vanitas.

Struldbruggs..



Você já leu ou ouviu algo sobre os Struldbruggs?

Eles fazem parte do livro As Viagens de Gulliver de Jonathan Swift. Na edição que tenho desta obra (Nova Cultural)os struldbruggs pertencem à terceira parte do livro: na viagem a Laputa.

Um struldbrugg é uma pessoa imortal. Essa pessoa nasce com uma marca na testa - que indica a família que esta terá um imortal em seu meio.
Quando Gulliver soube desta "benção", imaginou mil e um planos sobre o que fazer a eternidade nas mãos. Lê-se:  
"Respondi afirmando que era fácil ser eloquente quando se tratava de um assunto tão rico e delicioso, especialmente para mim, sempre inclinado a me impressionar com visões do que deveria fazer caso fosse rei, um general, ou um grande senhor;  quanto ao caso de que tratávamos, muitas e muitas vezes eu me enregara a imaginar o sistema no qual encaixaria a mim mesmo e de que maneira aproveitaria o tempo, se fosse viver para sempre.
Isso se houvesse tido a boa fortuna de vir ao mundo como um struldbrugg. Assim que descobrisse minha própria felicidade, como compreendia a diferença entre vida e morte, eu primeiro decidiria entre todas as artes e métodos qual seriam os melhores para me tornar rico; então, perseguindo esta finalidade, com economia e boa administração, eu poderia perfeitamente esperar que após cerca de duzentos anos seria o homem mais rico do reino. Em segundo lugar, iria aplicar-me desde a infância a estudar artes e ciências, com as quias acabaria excedendo todos os outros em conhecimento. Por fim, registraria com imenso cuidado as ações e acontecimentos de importância que ocorressem em público, traçando o desenho, com imparcialidade, dos personagens das várias sucessões de príncipes e grandes ministros de Estado, colocando minhas próprias observações em relação a cada ponto. Descreveria com exatidão as várias mudanças que ocorressem nas roupas, linguagem, moda, dieta e diversões. Por todas estas conquistas, eu seria um tesouro vivo de conhecimento, de sabedoria e certamente seria o oráculo da nação".

Se o ser humano fosse capaz de seguir por esse plano traçado por Gulliver, a humanidade, quem sabe, pudesse dar passos mais firmes para uma sociedade mais justa. Mas Gulliver era um sonhador, não por desejar se tornar sábio, conhecer ou tudo mais, mas porque ele ignorava como vivia um struldbrugg. Leia o exclarecimento que Gulliver obteve:

"...meu intérprete fez um relato pormenorizado a respeito dos struldbruggs que havia entre eles. Disse que geralmente agem como mortais até chegarem perto dos trinta anos, depois dos quais, pouco a pouco, vão se tornando melancólicos e abatidos, sentimentos esse que continuam a aumentar até que chegam aos oitenta. (...) Quando alcançam os oitenta anos, o que é considerado o limite extremo da vida neste país, eles sofrem de todas as excentricidades e doenças dos demais velhos e, além delas, de muitas outras que surgiam com a atemorizante perspectiva de nunca morrer. Não apenas são teimosos, rabugentos, avarentos, taciturnos, presunçosos, tagarelas, como também são incapazes de sentir amizade e encontram-se mortos para todas as afeições naturais, que jamais se prolongam além de seus netos. Os principais alvos contra os quais a inveja deles parece basicamente dirigidas são os vícios  dos mais jovens e as mortes dos mais velhos. (...) Os menos miseráveis entre eles parecem ser aqueles que alcançaram a senilidade e que perderam inteiramente a memória: eles conseguem assistência e despertam mais piedade porque já não têm as muitas más qualidades que sobram nos outros (...)".

Termino aqui um breve registro sobre a descrição dos struldbruggs. O livro terá mais detalhes, mas eu me detenho por aqui.

Entre a descrição de Gulliver e a realidade sobre os imortais, a diferença é enorme. Swift descreve desejos nobres sobre uma imortalidade perfeita, onde o ser humano evoluiria - mesmo que com uma certa dose de mesquinhes - para uma lógica ideal: utilizar-se dos benefícios para aperfeiçoar-se como ser humano. Portanto, os habitantes de Laputa caçoam deste sonho de Gulliver. Os imortais são tão humanos quanto os mortais; quem sabe mais infelizes que os que possuem vida breve. 

Eu lembrei desta história porque estava conversando com uma amiga sobre como somos mais orgulhosos conforme galgamos em idade. Sempre ouvi-se que a idade traz sabedoria. Traz mesmo? Eu vejo que conforme o ser humano envelhece, mais intolerante e esnobe ele se torna. Ele exige um respeito doente sobre um caráter que não lhe cabe gabar-se. Vejo pessoas se distanciando de outras - seja em amizade ou na família - por pura soberba. O ser humano não sabe crescer.

Lembrei também das palavras de Cristo que diz que o homem deve se tornar uma criança para alcançar o Reino dos Céus. Indiferente da fé que você decidiu semear em sua vida, eu digo que a evolução do ser humano é a sua regressão. Enquanto somos crianças, sabemos aceitar o outro seja qual for a cor dele. E, enquanto crescemos em idade, regredimos em sabedoria, mesmo obtendo todo o conhecimento que um ser humano pode obter. Ao avançar em idade, o homem aprimora seu preconceito, se torna avarento e egoísta. Quando cresce, o homem precisa fazer filantropia para se sentir bem. E o faz para ser notado, para ganhar elogios e, talvez, desconto no Imposto de Renda. 
Não estou dizendo que todo ser humano é assim - mas, infelizmente, uma esmagadora maioria pertence a esta classe cruel de gente. 
O homem da regressa evolução desmerece o outro para se sentir bem. Ele precisa que existam pessoas abaixo dele para que se sintam bem e valorizado. 
Que orgulho besta é esse que nos faz rebaixar alguém como se um punhado de dinheiro ou de conhecimento desse seu aval para tal ato? O que está acontecendo conosco? 
Porque aumentamos o muro que nos separa da rua conforme o mundo - que se diz moderno - avança no calendário?  
Se somos tão mais espertos que os nossos antepassados, porque ainda estamos queimando gente na calçadas? Porque ainda há criança sendo violentada na própria família, porque os filhos ainda matam os pais? Essa modernidade me assusta. Esse ser humano está mais para monstro.

Eu gostaria que deixássemos de pensar tanto em celulares, carros, conta em banco, roupa da moda, redes sociais e fôssemos  bons humanos. Gostaria que o Nobel da Paz deixasse de ser exclusivo de uma pessoa e fosse a marca de uma raça humana que aprendeu a conviver em amor com o próximo. Desejo que essa humanidade seja criança para sempre.

8 de janeiro de 2015

A Vaca..


Eu estava indo dormir, mas vi este post no Facebook e decidi escrever umas besteirinhas (rs).

Um um sábado qualquer, eu fui visitar minha professora de língua hebraica para tirar uma dúvida (fico tão feliz quando tenho somente uma dúvida rs) e, enquanto ela atendia uma chamada ao telefone, eu fiquei xeretando os livros - ela é dona de uma livraria. 

Passando os olhos por alguns títulos muitíssimos interessantes, eu descobri Lady Susan. Eu li esse livro durante minhas férias de 2012. E, como naquela época eu já tinha a leitura dos seis livros principais de Jane Austen - a autora de Lady Susan - eu não pude deixar de achar, no mínimo estranho, a mulher que criou Elizabeth Bennet, Elenor Dashwood, Fanny Price, Emma Woodhouse e Anne Elliot (sem citar as coadjuvantes destas heroínas) criar uma mulher tão vaca como Lady Susan
Quando a minha professora desligou o telefone, eu estava com o exemplar nas mãos e disse para ela:

- Se alguém pedir referência sobre este livro, diga: Lady Susan é uma vaca!

Ela riu do meu comentário, e duvido que utilize-o para alguma venda do exemplar (rs).

Mas, leia isso, sonolento leitor, a Editora Pedrazul está fazendo a alegria de muitos leitores (prefiro acreditar que existem homens que curtam essa leitura) publicando uma vasta coleção de livros que foram negados, durante muito tempo, àqueles que somente leem em PTBR.

Além da vaca Lady Susan, também a biografia escrita por um parente de Jane Austen está em lançamento. 
O que espero, ansiosamente, é a publicação das cartas da senhorita Austen para sua amada irmã, Cassandra. Biografias não são meu forte, mas cartas...ah..eu sou apaixonada por cartas, diários e semelhantes. Escritos pelo punho do autor(a). Isso sim é biografia!! 

Outras publicações da Pedrazul (hoje estou pagando pau para essa editora - rs) é meu querido livro Villette e Shirley da irmã Brontë Charlotte. 
O primeiro eu comprei da Pedrazul, mas Shirley eu comprei em um sebo de São Paulo (on line). Trata-se de uma jovem senhora de Sessenta e Cinco anos (completará 66 em Outubro deste ano). É linda! Enxuta! Firme! Com aquele cheirinho de livro velho (rs) e alguns ácaros pendurados. Por sorte achei mais dois exemplares usados, além do meu, e presentei duas amigas que também gostam de Charlotte Bonte. Em Shirley, eu "conheci" o professor Loius Moore...um fofo! 
Termino este post com um trecho do capítulo Vinte e Seis, de Shirley, meu preferido:

...Não gosto das coisas doces, se não são picantes; ou das coisas brilhantes, se ao mesmo tempo não queimam.

Omnia Vanitas.

7 de janeiro de 2015

Eis o Homem ..





Devaneios! Devaneios! Devaneios!!

Estava eu fuçando a ressuscita página do meu perfil no Facebook, quando vi o post abaixo da Editora Pedrazul.


Quando Gaskell escrevia sua obra-prima!

Quando trabalhava nos capítulos finais de Margaret Hale (Norte e Sul), na casa da família perto de Matlock, em Derbyshire, Inglaterra, ela escreveu que, como não podia dar a obra o título idealizado, o nome da sua heroína, preferia chamar seu romance ‘Death and Variations’ e não de “Norte e Sul” como queria Charles Dickens, seu editor, pois na trama havia cinco mortos, cada uma delas maravilhosamente coerente com a personalidade do indivíduo e com a história". Esta observação, provavelmente uma piada, enfatiza o papel importante da morte no desenrolar da obra. A morte afeta Margaret profundamente e, gradualmente, a encoraja à independência, permitindo Gaskell analisar as profundas emoções de sua personagem e concentrar-se na dureza do sistema social através das demais mortes. Loreau and Mrs. H. de Lespine, com a autorização da autora, traduziu a obra para o francês, e a publicou em Paris pela Hachette, em 1859, sob o título de Marguerite Hale (Nord et Sud). Portanto, a Pedrazul não será a pioneira na manutenção do título original. Porém, será a pioneira ao lançar uma obra com duas capas, cada uma delas revelando o teor de seu tema!

Eu li apenas um livro da Elizabeth Gaskell - Norte e Sul - e assisti duas minisséries: Cranford e O Retorno a Cranford. Adorei todos. 

Mas, ou estou muito enganada, todo leitor(a) tem o seu personagem que lhe inspira suspiros. Eu tenho vários (rs). Mas, sobre todos eles existe John Thornton. Oh! Que homem perfeito! Por tanto tempo Edmond Dantés e Mr. Darcy estiveram neste posto; mas Mr. Thornton veio, muito mansamente, arrebatar-lhes o lugar de honra (rs).

E, porque ele ocupa este posto? Porque ele é humano em seus sentimentos com a amada! Mr. Thonrnton não te a pretensão de ser este ser intocável que é meu querido Dantés ou nobre como Mr. Darcy. Ele é apenas Thornton! Ahh que delírio - hahaha.

Eu estava procurando a minha passagem preferida no livro Norte e Sul... E, agora, deixo-a para você, leitor anônimo, como um pedaço do meu devaneio:

A voz dele estava rouca e trêmula de paixão, quando disse:
– Margaret!
Por um momento ela o olhou. Então tentou ocultar os olhos luminosos escondendo o rosto nas mãos. Novamente, chegando mais perto, ele voltou a chamar o seu nome, com voz trêmula e ansiosa.
– Margaret!
Mais sua cabeça baixou, mais o rosto se escondeu, quase descansando na mesa diante dela. Ele se aproximou. Ajoelhou-se ao seu lado, trazendo o rosto até o seu ouvido, e sussurrou ofegante as palavras:
– Tome cuidado... Se você não falar, eu a reivindicarei como minha, de algum modo presunçoso e estranho. Me mande embora agora, se eu tenho que ir... Margaret!

Omnia Vanitas

Foto: Richard Armitage (intérprete de Mr. Thornton na produção da BBC de Londres).

5 de janeiro de 2015

O Menino das Meias Vermelhas..



Estou eu colocando minha missiva em dia e ouvindo rádio. E, o conto "O Menino das Meias Vermelhas" de Carlos Heitor Cony foi narrado durante a programação de "O Conto do Vigário". Segue ..


Todos os dias, ele ia para o colégio com meias vermelhas.
Era um garoto triste, procurava estudar muito mas na hora do recreio ficava afastado dos colegas, como se estivesse procurando alguma coisa. Os outros guris zombavam dele, implicavam com as meias vermelhas que ele usava.

Um dia, perguntaram porque o menino das meias vermelhas só usava meias vermelhas.
Ele contou com simplicidade:
- "No ano passado, quando fiz aniversário, minha mãe me levou ao circo. Botou em mim essas meias vermelhas. Eu reclamei, comecei a chorar, disse que todo mundo ia zombar de mim por causa das meias vermelhas. Mas ela disse que se me perdesse, bastaria olhar para o chão e quando visse um menino de meias vermelhas saberia que o filho era dela".

Os garotos retrucaram:
- "Você não está num circo! Porque não tira essas meias vermelhas e joga fora?"

Mas o menino das meias vermelhas explicou:
- "É que a minha mãe abandonou a nossa casa e foi embora. Por isso eu continuo usando essas meias vermelhas. Quando ela passar por mim vai me encontrar e me levará com ela".

4 de janeiro de 2015

O Filho do Forçado..



Fim de outra leitura. Desta vez o escolhido foi meu querido Alexandre Dumas.

O título merece um pouco de atenção. O Filho do Forçado? Eu conheci este termo  nas leituras que fiz de Cervantes e Dumas. É uma expressão quase corriqueira. "Forçado" é uma expressão para "Galé" e "Galeras". Isso designa uma punição para os fora-da-lei: estes eram obrigados a trabalhar em galeras, ou seja, como remadores em navios. Esse serviço era comumente chamado de "forçado". Logo, o filho do "Forçado" é o filho de um fora-da-lei, bandido, criminoso etc. 

Essa edição que eu tenho foi publicada em treze de outubro de mil novecentos e trinta e sete. E, como mostra a imagem, tratava-se de uma revista chamada "A Novela". Segundo as propagandas que estão no exemplar, esta revista tinha publicações integrais ou por volume em seu conteúdo. No meu número além de "O Filho do Forçado" também há outras duas histórias: "Honolulu" do meu amado W. Somerset Maugham (que eu li em Histórias dos Mares do Sul) e "Falk" de Joseph Conrad (que não li). 
O interessante nesta simpática revista é que há várias piadas em forma de charges durante a história - algumas vezes há ilustrações de meia página.
Outro fator interessante é que a impressão do texto está dividido: há duas colunas (estilo bíblia sagrada) em cada página. Eu achei isso muito ruim, mas deveria ser bom para os impressores, pois poupa folha na hora da publicação. Ah! A letra! Eita "miserê"! Pequeninha que só! Eu tinha quase uma hora para ler uma página com duas colunas (rs) - exagero meu!

E a história?

Millette, uma sonhadora moça, casou com Pierre Manas - um vagabundo de primeira. Logo após o casamento, o dedicado marido mostrou o caráter preguiçoso e mandrião que lhe caracterizava. Além de vagabundo, ele batia na pobre Millette - que aprendeu a suportar tudo calada.  Após o casamento, o senhor Manas resolveu mudar-se com a infeliz esposa para Marselha - jurando à ela que nesta cidade poderia encontrar um emprego que lhe pagasse o justo que merecia. Claro que isso não aconteceu. 

Outro personagem - que me arrancou muitos risos durante a leitura - foi o pitoresco e mercenário senhor Paul Coumbes. Este ignorante senhor não media esforços para realizar seus sonhos - quase todos quimeras. Comprou uma casa em um lugar onde só havia rochas e cascalhos. E, jurou para si que lá nasceria a melhor horta de toda a França. Pobre senhor Coumbes. O vento lhe varreu o sonho durante muitas estações.

Mas, antes do senhor Coumbes mudar-se para a tão sonhada cabana, ele conhece o casal Manas e seu pequeno filho, Marius.

É em Marius que toda a trama se enreda.

Na época que o casal Manas se separou, o protagonista estava na tenra idade e nada se lembrara do pai. A mãe, depois de ser acolhida como empregada/amante do mesquinho senhor Coumbes, tratou de fazer o filho ser agradecido ao seu patrão pela benevolência que este mostrou a ambos. O pobre Marius, rapaz honesto e trabalhador - tão oposto ao pai - cresceu achando que era filho do patrão/amante de sua mãe. 

Com o passar do tempo, o senhor Coumbes adquiri, contra sua vontade, vizinhos. Este vizinho é um jovem abusado que passa às noites a atormentar a paz do primevo morador com bebedeiras, jogatinas e pregando peças ao vizinho exasperado. 
A paz é promovida por Marius - que se dispõe a levar um recado para o vizinho. Mas, ao invés de encontrar Jean, o vizinho; encontra Madelleine, a irmã deste. Paixão a primeira vista, claro! 

Toda a trama ficará rebuscada com a descoberta de Marius não ser filho do senhor Coumbes e, também com a volta de Pierre Manas.

E o que aprendi com essa leitura? Que quando você tenta ajudar uma pessoa, outra acaba em desgraça. 

Marius tentou acobertar o pai - na tentativa de honrar o nome paterno que nada tinha de orgulho a dar à família - em detrimento ao sofrimento da pobre mãe. 

Claro, que ao final, ele casa com a mocinha, sua condição hereditária é perdoada pelo irmão da moça e quase todos ficam felizes.

E o senhor Coumbes continua a ser o ganancioso e mesquinho ex-estivador. 

Dumas é assim, ele desenvolve uma trama onde a honra e os princípios morais e religiosos são sempre o alicerce para as decisões de seus protagonistas - em algumas histórias. Em O Filho do Forçado ele não agiu diferente.

É uma história muito agradável para ler - e mesmo o senhor Coumbes dar aflições aos nervos pela sua mesquinharia - é possível dar algumas risadas as custas do ex-estivador sempre atrapalhado.

Omnia Vanitas.



3 de janeiro de 2015

O Leitor e a Prisão de Ventre..


Boa noite, querido leitor!

Estou eu, no aconchego do meu lar, lendo e ouvindo meus discos de vinil, quando me deparo com uma lembrança do antigo dono do livro que possuo. 

Livro usado é assim, às vezes nos trás a agradável surpresa de uma lembrança do dono anterior! Desta vez pude perceber que o ex tinha um caso complicado de prisão de ventre. Será que que ele conseguiu chegar até a farmácia indicada? ;)

Omnia Vanitas.

Parabéns, Professor ..



Hoje é aniversário dele, John Ronald Reuel Tolkien

Este é um dos homens que têm a minha máxima estima. Ele não é apenas escritor, ele é um criador! Ele detestava ser chamado por essa alcunha "criador", mas eu não consigo descrevê-lo de outra forma. 
Ele criou Arda, a Terra Média, Dragões, Anões, Homens, Elfos, reis e reinos, costumes, tradições, lendas que ninguém pensou em criar antes. Ele criou idiomas!!! Cada língua com suas características próprias, escritas, desenhos e formas! Ele foi um homem admirável! Professor Tolkien foi uma dessas pessoas ímpares que surgiram entre nós - e talvez a humanidade só terá um semelhante depois que muitas gerações tiverem passado. 
Para ele, a leitura tinha um gosto diferente - não era apenas uma leitura que guiava mas que criava. Se você, caro leitor, tiver a oportunidade e a sensibilidade de ler O Silmarillion (sou apaixonada por esse livro), saberá sobre o que estou escrevendo. A Mitologia teve uma nova simbologia a partir de Tolkien. Não é atoa que nos livros dele está escrito a seguinte frase do The Sunday Times:

"O mundo se divide entre aqueles que já leram O Hobbit e O Senhor dos Anéis e aqueles que ainda não leram".

Outro fato que mantém o professor Tolkien em alta conta comigo (rs) é o seu carisma. Ele não foi desses intelectuais bestas que se auto-classificam "superiores". Ele gostava de rir, de conversar com animação e de contagiar os outros com suas histórias sem colocar em detrimento o ouvinte. Por isso repito, como o professor Tolkien houve, há e haverá poucos.

Infelizmente, pelo meu não gosto por leituras biográficas, eu fico devendo muitos pormenores da vida deste homem excepcional. Porém, prometo, para o próximo ano colocar em minha leitura as cartas deste querido Mestre!

Omnia Vanitas.

2 de janeiro de 2015

Ah King..

"Nenhum dos dois notou a aproximação do amor". - Somerset Maugham

No último dia de Dois Mil e Catorze eu terminei minha leitura de Ah King, do Somerset Maugham. Mas, apenas hoje, eu consegui me convencer de que poderia escrever sobre.

Eu já escrevi, anteriormente, sobre este livro - que erro terrível! Não permiti-me terminar para entender o todo do livro - agora, paciência.

Ao concluir a leitura, eu percebi que cada história mostrava um modo de amar.

Em Pegadas na Floresta o amante se submete a assassinar o esposo da mulher que ama para continuar com ela; A Porta da Oportunidade relata a decepção da esposa ao perceber que o homem que ama é covarde e indiferente ao sofrimento alheio - por isso não o suporta e se divorcia dele. O Vaso Ira descreve a engraçada paixão da irmã de um missionário pelo bêbado da cidade - que culmina em casamento feliz. Saco de Livros mostra o retrato da intimidade de dois irmãos que ultrapassa as convenções sociais. Além do Além foi o meu conto preferido. Pode o amor suportar o sofrimento e a honra? E, por fim Neil Mac Adam apresenta a determinação de um jovem em manter-se virgem a todo preço e a sua ira por uma mulher casada que lhe jura amor.

Você e eu, caro leitor, podemos não concordar com algumas "performances" de amar. Mas elas existem. Não podemos colocar a peneira em frente ao sol e achar que elas não são reais. Elas estão presentes desde antes de Maugham as descrever e vivem até hoje. Elas provocam dor, aflição, angústia, medo, sofrimento,  indiferença, alegria, êxtase, prazer etc. 
Eu concordo com Platão quando ele diz que ao toque do amor todos nos tornamos uma porta. 
Leitor, você pode ler vários livros, artigos, revistas, teste de alma gêmea e tudo mais. Mas uma coisa lhe digo, não adianta nada. Quando esse bichinho corroer seu coração, é tarde demais. Não há voz de razão que lhe coloque no prumo. Não há leitura de Jane Austen ou de Irmãs Brontë que lhe diga que a prudência é o melhor remédio. Ninguém é prudente quando se fala de amor e chocolate. 
Foi isso que senti ao terminar de ler este livro: não há regra. É essa delicadeza de Maugham em expressar de forma tão delicada sobre um assunto tão complexo: o amor. 

É isso aí...

Omnia Vanitas.

Histórias dos Mares do Sul ..


Terminei de ler Histórias dos Mares do Sul do meu querido Maugham. 

Todas as histórias deste livro são maravilhosas. Elas me remeteram à situações inusitadas, chocantes e ... perfeitas. Maugham é fantástico. Que tato delicado em compreender e transcrever a alma humana. 
Eu não quero me delongar neste post, pois tenho a impressão que não conseguirei fazer jus à obra. Ele é incrível.
Deixo a seguir o post scriptum como gostinho para ativar o paladar literário, querido leitor.
Leia Maugham!

Quando o nosso navio parte de Honolulu, penduram-nos ao pescoço leis, que são grinaldas de flores suavemente odoríficas. O cais regorgita de povo, e a banda toca uma derretida melodia havaiana. Os passageiros lançam serpertinas coloridas aos que ficam, e a amurada do navio engalana-se toda com as finas tiras de papel, vermelhas, verdes, amarelas, azuis. E quando o navio começa a mover-se devagar, as serpentinas rompem-se docemente, com um leve estalido. É como a ruptura dos laços humanos. Homens e mulheres são momentaneamente reunidos por uma fita de papel de cor alegre, vermelha, azul, verde ou amarela. Depois a vida os separa, e o papel se rompe, tão facilmente, com um pequeno estalido! Por uma hora ainda, os fragmentos tremulam ao longo do casco. Afinal o vento os leva. As flores da nossa grinalda murcham, e o seu aroma torna-se opressivo. Então jogamo-las ao mar.


Omnia Vanitas.

30 de dezembro de 2014

Sobre a Coragem..


Eu preciso enfatizar: Maugham é uma delícia para se ler!!! Leiam Maugham! Permitam-se Maugham!!

Desde ontem eu estou lendo Maugham. É maravilhoso! Que escritor sem igual!! O livro do momento é Ah King - nome interessante, não é? Antes de começar a escrever sobre o livro, vou explicar, rapidamente, o título da obra.

Para surpresa minha, o título em PTBR é o mesmo que o original, em inglês. Parece que, antigamente, as traduções eram mais coerentes (rs). Ah King é o nome de um chines que foi "boy" de Maugham, durante seis meses que o autor viajou pela região da Indochina e "adjacências". Maugham ficou admirado com a fleuma do seu empregado durante todo o período que esteve a serviço dele: se ele brigava com Ah King, ele não alterava sua expressão facial. Caso recebesse um elogio, a expressão se mantinha como se fosse repreendido. Porém, quando houve a separação, Ah King chorou. Isso deixou Maugham estupefato! Durante seis meses o empregado pouco se manifestou, mas, na despedida, o sentimento aflorou. O título do livro foi a homenagem do escritor a este estranho criado - as histórias relatadas são do período que Ah King esteve a serviço de Maugham.
Um adendo particular: eu não tenho certeza, é somente um suposição minha, que Ah King é o nome britânico do chines; visto que a Inglaterra estava desbravando as regiões da China, Indochina etc. Lembram do meu post sobre Coronel Fawcett? Pois é.. data desta época a invasão britânica sobre essas regiões. Outra referência é no filme "O Despertar de Uma Paixão" (título brega em PTBR para o livro de Maugham - que inspirou o filme - chamado O Véu Pintado), onde é apresentado, melhor que livro, admito, a invasão britânica à China e a revolta dos chineses contra os britânicos.

Agora, o motivo do post.

As duas primeiras histórias são interessantíssimas e eu resolvi escrever sobre elas. A primeira intitula-se "Pegadas na Floresta" e a segunda "A Porta da Oportunidade". Ao meu entender, ambas falam sobre coragem.

O primeiro relato foi quando Maugham visitou a Malásia. Encontrou um casal interessante, chamado Catwright e um policial, Gaze. O policial explicou a Somerset sobre como o casal Catwright se conheceu.  A senhora Catwright estava no seu segundo casamento (viúva do primeiro) quando Teo Catwright foi pedir abrigo à Broson - marido da atual senhora Catwright. Teo estava sem um tostão no bolso, quase pedindo esmola à porta de hotéis quando o senhor Broson o acolheu na sua casa. O casal Broson não tinha filhos e viviam de forma abastada na região, permitindo-se ter um hóspede por mais de um ano sem causar problemas financeiros ao caixa do casal.
Certo dia, quando o sr. Broson foi sacar dinheiro para pagar os funcionários, alguém o assassinou na volta para casa.
Catwright e a senhora Broson estavam no clube com amigos quando a noticia do homicídio lhes foi anunciada. Foi um choque, pois o finado era muito querido por todos na região. As buscas pelo assassino foram imediatamente iniciadas. Pouco mais de um ano depois do fato, o caso não havia sido solucionado. Mas nem tudo estava perdido.
Gaze, o policial encarregado da investigação, teve a sorte de encontrar um cidadão malaio que tentou vender o relógio do finado sr. Broson para um relojoeiro local. O caso foi reaberto - mesmo Gaze nunca tê-lo finalizado de fato. Para conclusão da história, depois de muito averiguar, o policial chegou à conclusão de que foi Catwright o assassino do sr. Broson e, a senhora Broson foi sua cúmplice. 
A história foi narrada para Maugham vinte anos depois de ocorrida.

Segunda história.
Anne e Alban Torel eram embaixadores britânicos na região da Cingapura. Viviam relativamente bem. Ambos eram amantes de literatura, artes e música. O que para os habitantes nativos era motivo de desdém e para os conterrâneos era chacota. Achavam Alban um pouco afeminado pelo seu gosto mas, adoravam a sua simpática esposa. Anne era bem quista em todos os lugares que estava, ao contrário do marido que era rotulado de arrogante.
Durante a estadia do casal, houve uma rebelião chinesa na região. Cento e cinquenta chinas invadiram a residência de um britânico, o mataram e cercaram tudo. Todos armados. 
Quando o sr. Torel soube da invasão, lhe foi cobrada uma atitude imediata: ir de encontro aos rebeldes com o contingente que tinha e colocar um fim a rebelião. Porém, com apenas oito pessoas somadas á sua, Alban decidiu escrever aos seus superiores e esperar reforço - que duraria dois dias até chegar ao local.
Anne ficou aterrorizada com a atitude do marido. Ela cobrou dele uma atitude imediata - ir ao socorro daqueles que sofriam com a rebelião chinesa.
Passado dois dias, o reforço chegou. Alban invadiu o local tomado pelos chineses, porém, encontrou tudo em paz; pois um holandês destemido - quando lhe noticiado sobre a invasão rebelde - juntou mais três homens a si e tomaram conta dos cento e cinquenta chineses que provocaram o terror na região.
Alban foi demitido e voltou para Londres com Anne. Ao chegar ao hotel, ela pediu divórcio. Eis, abaixo, a justificativa dela:

...A verdade é que toda a sua vida foi uma farsa. Você atraiçoou tudo aquilo que você representava, tudo o que nós representávamos. Nós nos tínhamos colocado num pedestal, julgando-nos melhores do que os outros porque gostávamos de literatura, música e arte, não querendo saber de uma vidinha de invejas e falatórios vulgares; apreciávamos os prazeres espirituais, amávamos o belo. era este o nosso pão de cada dia. Eles riam, zombavam de nós. Isto era inevitável. Os ignorantes e os medíocres naturalmente detestam e temem aqueles que se interessam por coisas que para eles incompreensíveis. Não ligamos a isso - chamando-os de filistinos. Nós os desprezávamos e tínhamos esse direito. Nossa justificativa era sermos melhores, mais nobres, mais cultos e mais corajosos do que eles. E no entanto você não é melhor, nem mais nobre, nem mais corajoso. Quando chegou o momento de crise, você safou-se como um cão que apanhou, de rabo entre as pernas. Você, entre todos, era quem menos direito tinha de ser covarde. Agora são eles que nos desprezam, e têm esse direito de nos desprezar a nós e a tudo aquilo que representávamos. Hoje eles podem dizer que arte e literatura são tolices. quando chega a hora do aperto, gente como nós não presta para nada. Estiveram espreitando uma oportunidade para nos crucificar, e você lhes deus essa oportunidade. Dirão que não esperavam outra coisa de nós. Que triunfo para eles (...).

Só Deus sabe que amor tive por você. Durante oito anos adorei até mesmo o chão sob seus pés. Você era tudo para mim; eu tinha em você uma fé que algumas pessoas têm em Deus. Quando vi o medo nos seus olhos, quando você me disse que não ia arriscar sua vida por uma mestiça e seus fedelhos, fiquei profundamente abalada. Era como se alguém me tivesse arrancado o coração, e o espezinhado. Você matou matou o meu amor naquele momento, Alban. Irremediavelmente. (...) Você é apenas um tolo, pretencioso e vulgar poseur. Eu preferia estar casada com um colono de segunda classe, que tivesse as qualidades comuns a todos os homens, a ser a esposa de um farsante como você".
O que chamou minha atenção nestes dois contos foi um tema em comum: a coragem. Ela está bem oculta no primeiro conto, mas bem viva no segundo.
A atitude de Anne parece ser radical, mas é justificável. 
Se, no primeiro conto, Teo Catwright não tivesse aceito a proposta da senhora Broson para matar seu esposo, ela, possivelmente, teria abandonado o amante. Mas, por ele se mostrar corajoso em fazer isso por ela, a sua segurança nele aumentou e ambos viviam um ótimo casamento por mais de vinte anos. Pode parecer bizarro, mas eu entendi isso. Não estou justificando o crime, apenas mostrando uma visão do fato.
Com Anne, ela não estava esperando que Alban liquidasse todos os chineses com espingarda, mas que mostrasse compaixão por aqueles que, com a rebelião, estavam sendo oprimidos. Como mulher, ela não se sentia segura ao lado de um homem que, embora culto e nobre, não era capaz de mostrar coragem em situações de coação. Enquanto, com Teo Catwright, a senhora Broson poderia manter-se segura.

Não me perguntem qual o sentido de tudo isso, mas foi assim que eu entendi estes dois primeiros contos.

Omnia Vanitas.

29 de dezembro de 2014

O Professor ..




Preciso dar algumas explicações antes de começar a escrever sobre O Professor de Charlotte Brontë.  

Primeira explicação, a foto! Trata-se da imagem do filme de Indiana Jones e Os Caçadores da Arca Perdida. É uma cena, na minha opinião, clássica! Quem nunca se apaixonou pelo professor? Meu deus, eu várias vezes..Professor de Ciências na sexta-série, de Educação Física na Sétima, de Literatura Portuguesa em Letras... Mas nenhum deles se compara a Henry Walton "Indiana" Jones Jr. Uma graça! E, para quem não notou, está escrito "Love You" nas pálpebras da estudante enamorada.


Segunda explicação: eu lembrei muito de outro professor de Charlotte Brontë, o meu querido Luís Moore. Este personagem faz parte do livro Shiley; eu o conheci em Março de Dois mil e Treze, durante uma série de leituras Brontëanas que fiz naquela época. Deixei uma lembrança de Luis Moore, em duas partes, que já publiquei neste blog: parte I parte II . Sempre que eu faço uma faxina nos livros, Shirley é aberto no capítulo Vinte e Seis para "matar" minha saudade deste professor.

Agora, vamos ao livro.

A apresentação da família Crimsworth lembrou muito outros dois irmãos: Roberto e Luís Moore. Sim, o professor Moore esteve em meus pensamentos durante toda a narrativa de O Professor. Primeiramente, porque em Shirley também um irmão trabalha na indústria e o outro é professor. Roberto é muito ativo na área industrial - que está em expansão na Inglaterra e, Luis, é o ex-professor de Shirley que visita à ex-aluna junto com a família do seu atual pupilo. 
A diferença entre essa dupla de irmãos é que entre os Crimsworth o convívio era impossível entre ambos, o que não aconteceu entre Roberto e Luís.

O Professor é um livro muito tranquilo para ler. Pela primeira vez eu tive a oportunidade de ler uma narrativa Brontëana na perspectiva de um homem, pois todo o livro é narrado por William Crimsworth, o professor. 

Um personagem que me cativou foi Hunsden Yorke Hunsden. Ele pareceu à mim  uma espécie de duende travesso que cruzou a vida de William. Muito matreiro e interessado na vida desde desaventurado professor. Deixo, abaixo, apenas duas passagens que afirmam meu dito anterior:

Tenha cuidado! Não sabe o dia nem a hora em que chegará o seu ... (como não quero blasfemar, deixo a palavra em branco).

Hunsden é assim, chega sem ser convidado, falo sobre o que não foi questionado e não está nem aí se o ouvinte gostará ou não dele pelo que disse. Outra cena que gostei foi a seguinte:

A gente sente uma espécie de estúpido prazer, quando dá bombons a uma criança, guizos a um louco, um osso a um cão. Fica-se recompensado, vendo a criança sujando a cara de açúcar, como o louco fica extasiado, imaginando outro louco mais louco que ele, observando a avidez com que o cão se atira ao osso. Oferecendo a William Crimsworth o retrato de sua mãe, dou-lhe bombons, guizos e um osso, tudo ao mesmo tempo. Lamento apenas não estar presente para contemplar o resultado da oferta. Teria acrescentado cinco shillings, ao preço da compra, se o avaliador me houvesse garantido esse prazer. 
Não pense, caro leitor, que estes dois cavalheiros eram amigos. Nunca houve dois opostos tão próximos por nada. Hunsden condenava a vida que William escolheu para si, também não aprovou a esposa que William escolheu e, por toda a sua vida, importunou o casal Crimsworth permitindo-se a aventura de "desvirtuar" o filho do casal, Victor. Hunsden nunca se casou - um solteirão convicto. Jurava estar procurando a mulher ideal, quando, na verdade, na minha opinião, não tinha caráter forte o suficiente para assumir aquela que era dona do seu coração. 

Se comparado à Villette, O Professor é uma leitura bem doce, com um final feliz e um casal de sucesso - com direito a filho e tudo mais.

Portanto, quero ressaltar duas coisinhas que chamaram minha atenção. 
Primeiro, houve beijo na boca! - o que  é raro acontecer um romance deste gênero. Das três irmãs, a mais "ousada" foi Anne Brontë em sua Moradora de Wildfell Hall, quando a protagonista pede a mão do amado Gilbert em casamento. Moribunda safadénha! (rs)
Segundo, em O Professor, algo me surpreendeu: William permitiu que Frances continuasse na função de professora mesmo após o casamento. Pensei, cá comigo, que quando uma criança nascer ele a tornará uma exemplar dona de casa victoriana. Acredite, querido leitor, ele a manteve ao seu lado como professora. Um exemplo de marido, hein! Quase perdeu para Mr. Darcy - só que não! (rs).  

É isso, leitor! Hoje começo minha leitura de Ah King, do meu amado amante Somerset Maugham.

27 de dezembro de 2014

Villette .. um pequeno complemento



"Eu sofria de novo a dor que corroía a alma, longamente, por causa de uma grande expectativa. Essa cruel agonia da ruptura final; essa angústia muda e mortal, que, de uma só vez, arranca a esperança e planta a dúvida, abala a vida, enquanto a mão que comete a violência não pode ser aplacada por carícias, pois a ausência interpõe sua barreira"

Agora, com o fim da reforma, tendo somente que organizar o escritório - isso acontecerá amanhã - estou mais "apta" à escrever sobre Villette. Logo, este post é um complemento do primeiro.

Este livro, conforme a crítica, é a obra mais autobiográfica de Charlotte Brontë. A figura de M. Heger - sua paixão avassaladora enquanto estudante na cidade de Bruxelas, na Bélgica - está retratada no personagem do professor Emanuel. 
O que me deixou "assustada" foi esse sentimento que a escritora teve por M. Heger pois a fez criar Mr. Rochester e William Crimsworth e, ainda, retratar a esposa de M. Heger como a louca do sótão em Jane Eyre. Se entendi direito, ela escrevia constantemente ao amado mestre, tanto, que chegou a incomodar a esposa deste que esta chegou a pedir que Charlotte não escrevesse mais para M. Heger. Loucura! A puritana Charlotte Brontë flertando com um homem casado! Hilário e Incrivel! 

Os temas de Jane Eyre permeiam Villette, também: a beleza x inteligência, dinheiro x honra etc. Porém, na minha opinião, eu achei o livro mais "sofrido" do que Jane Eyre; existe uma solidão muito bem marcada, um entendimento de que a vida, para ela, não era uma passagem de alegria ou comodidade. Charlotte Brontë teve consciência de que dependia somente de si e, se não batalhasse para sobreviver, viveria na amargura da pobreza e solidão - seu grande monstro.  Ela odiava a solidão e viver sem amigos. Toda a afeição que lhe foi dada foi armazena como pedra preciosa por ela - o que parece tão incomum nos dias atuais, quando faz-se amizade  de uma forma tão descuidada e sem afeição. Dá-se a impressão que, por ela não ser rica e bonita, tal coisa não lhe era possível adquirir, então, quando o professor lhe confia a amizade, ela sente-se extasiada e solícita à se apaixonar por ele. 
Algumas passagens, como já citei anteriormente, lembram muito Jane Eyre: como a louca do sótão, a doença etc... ao leitor que leu J.E. terá o prazer de revisitar alguns trechos em Villette.
Outra semelhança é a afeição à família. Pelo pouco que conheço da família Brontë, esta foi marcada por mortes precoces e alcoolismo. As irmãs, da trindade Brontë, faleceram muito cedo, juntamente com o irmão alcoólatra, e, anteriormente os pais. Logo, o retrato do apego de Jane e Lucy pela família e amigos é um apelo explícito da necessidade e a falta que fazia estes dois gêneros  na vida da escritora. A própria morte de Charlotte Brontë foi triste - não que haja alegria na morte de um ente querido; mas, ela faleceu grávida aos quarenta anos. Justo a maternidade, tão apreciada em suas obras, ela, também, nunca obteve.Extremamente triste!

Uma das coisas que gostei neste livro foram as citações em francês - está repleto de diálogos do idioma belga no meio da obra. Há alguns erros de escrita, principalmente no final, quando a grafia do português brasileiro se confunde com a semelhança da grafia em francês. Portanto, termino este post com uma frase ao idolatrado professor Emanuel, em francês:  

"Monsieur,  je veux l'impossible des choses inouïes"*


Omnia Vanitas.



 * Senhor, eu quero o impossível das coisas inauditas.




Amigo Oculto ..


Presley se apresentando, senhores!

Pela manhã tive que buscar um complemento para minha reforma e, aproveitando a oportunidade, fui trocar o cartão de presente que ganhei do meu amigo oculto neste Natal! Como meu amigo ficou na dúvida de qual livro comprar para mim, deixou-me a difícil tarefa de escolher meu presente! Difícil mesmo! Entrar em uma livraria e desistir de tantos livros que estariam lindos nas minhas prateleiras é cruel! 
Porém, a tarefa foi cumprida: voltei para casa com um belga e com um alemão.

A escolha foi de dois novatos, para mim. Trata-se de Georges Simenon (o belga) e Charles Bukowski (o alemão - mesmo sabendo que o sobrenome está mais para polaco do que para germânico; paciência, ele nasceu na Alemanha, então, alemão é!).    

De Simenon escolhi o livro "Maigret e o Informante". Não sei nem o que dizer, pois, realmente, não li nada a respeito - exceto folhetos de livrarias e uma obra que vi na Aliança Francesa quando fui fuçar por lá.

De Bukowski, o alemão polaco, eu trouxe um diário dele publicado póstumo a sua morte: "O Capitão Saiu para Almoçar e Os Marinheiros Tomaram Conta do Navio". Eu não gosto de ler biografias - já havia comentado isso - mas isto é um diário, é o próprio autor falando de si e não um monte de lacunas preenchidas para encher linguiça ou algo semelhante. Portanto, encaixa-se no gênero literário que eu gosto.

É isso, leitor! Agora, eu volto para minha labuta!

Omnia Vanitas.




Os Meninos da Rua Paulo - Prefácio

  Olá, abandonado leitor!  Comecei neste final de semana a leitura de "Os Meninos da Rua Paulo". Ainda não cheguei na página 50, a...