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5 de dezembro de 2019

Trigésima oitava leitura - parte II..



Segunda parte da leitura de Oliver Twist, de Charles Dickens.

Nesta publicação, eu deixarei algumas anotações que fiz quando terminei a primeira parte da leitura. 

Segue ..

O primeira parágrafo de Oliver Twist aborda a forma comum em que as cidades e os asilos se assemelham, não sendo necessário atribuir-lhe uma placa de identificação - nem o menino do livro precisa de apresentação: seu nome não e citado, apenas é dito: "cujo nome aparece no título do presente capítulo".
Além de asilos, casas eram destinadas a cuidar dos órfãos - e recebiam uma quantia "por cabeça" para ajudar a manter a criança. Oliver Twist custava sete pence e meio. 
Na prática, o dinheiro ficava apenas para o deleite do tutor; as crianças, além de serem castigadas de forma severa por qualquer motivo, serviam-se de uma alimentação rala que mal lhes bastava para um dia. A higiene, também, era precária e praticada quando um censor (bedel) do município vinha visitar a casa.
A permanência nestas casas, também, parecia ser limitada, pois, quando o protagonista completou nove anos, ele foi transferido, novamente, para o asilo onde nasceu - ou para um semelhante a aquele.
O modo de tratar  os órfãos também não era diferente: comida rala, higiene pessoal precária etc. A única coisa que havia sem falta eram os castigos severos. Segue uma citação da experiência pela qual passou Oliver Twist:
Nos primeiros seis meses após a mudança de Oliver Twist, o sistema esteve em pleno funcionamento. Foi um pouco dispendioso, a princípio, em consequência do aumento na conta do agente funerário e da necessidade de apertar as roupas de todos os indigentes, que flutuavam pois de uma semana ou duas de papas. Mas o número de inquilinos do asilo tornou-se dessa maneira reduzido; e o Conselho muito se alegrou com o resultado.
E, quanto a fome, uma breve passagem:
As vasilhas não precisavam ser lavadas. Os rapazes poliam-nas com as colheres até que rebrilhassem; e, depois de fazer essa operação, que nunca demorava muito, por serem as colheres quase tão grandes como as vasilhas, ficavam a mirar o caldeirão, com olhos tão ávidos como se quisessem devorar os próprios tijolos em que ele estava assente; empregavam-se, no entanto, a sugar muito diligentemente os dedos, para ver se lambiam alguns pingos desgarrados de papa que estivessem metidos entre eles.
Além da miséria que as crianças viviam, Dickens, também, critica os filósofos e a sua filosofia que em nada mudava o destino daqueles que viviam na miséria completa. Em um trecho, um filósofo queira proar que seu cavalo conseguiria viver sem comida; porém, o animal faleceu antes que seu dono pudesse provar a tese.

O asilo que Oliver habitou não apenas lhe servia como provedor de fome e castigo - a função desta instituição era ensinar um ofício para que pudesse viver por si só. E este trabalho de aprendiz era o disfarce ideal para a exploração infantil.
Esta prática foi descrita na figura do senhor Gramfield - um limpador de chaminés que negociava com os agentes do asilo para que Oliver trabalhasse com ele. A instituição pagaria cinco libras para quem tivesse interesse em educar um órfão em um ofício.
A negociação entre o asilo e o senhor Gamfield me deixou apreensiva pelo fato de o "contratante" ter em seu currículo quatro aprendizes que faleceram durante o exercício do trabalho - segundo o empregador porque foram preguiçosos  dormiram durante o trabalho.
A segunda oferta de trabalho levou Oliver para fora do asilo.  Ele foi contratado por um próspero agente funerário.
Apesar de estar fora do asilo, não houve diferença entre o tratamento que recebeu na instituição - somente que a comida era mais "farta", principalmente quando o cachorro não queria comer a própria comida.
Durante o tempo que passou neste ofício, Oliver suportou toda a sorte de injúrias, punições e privações; mas uma situação tirou-o de sua fleuma e o resultado foi a escolha de Oliver em abandonar o trabalho.
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Aqui terminou as minhas primeiras impressões (e a segunda parte) do livro Oliver Twist.



3 de dezembro de 2019

Trigésima oitava leitura - parte I ..


Olá, atrasado leitor!

Terminei esta leitura de Oliver Twist no mês de Novembro, mas, infelizmente, meu tempo disponível foi somente hoje! 
E, talvez, eu tenha coisas demais para escrever e faça, por isso, duas publicações. 

Como já escrevi anteriormente, eu fiz marcações em partes da leitura, e será sobre elas que escreverei neste primeiro momento. 

Primeiramente, separei o livro em quatro partes.

- do capítulo I ao VII, Oliver Twist está no ambiente do asilo e sua sociedade está em torno desta casa. É nesse período que o protagonista chora muito. Nestes primeiros seis capítulo ele foi às lágrimas nove vezes - incluindo o choro de nascimento. Outra curiosidade que observei foi que Oliver poucas vezes interage nas cenas. Sua participação é quase de coadjuvante da história. As pessoas em volta são descritas, conversam, riem... E Oliver permanece em silêncio ou em choro. 

- do capítulo VIII ao XXVII, Oliver muda de cidade por não aguentar a injustiça proferida àquela que ele ama. Seus novos amigos, apesar da reputação não tão ilibada quanto a dos outros que conheceu antes, dão ao menino um lugar para morar e comida. 
Nesta parte da trama a identidade de quem seria Oliver Twist é apresentada ao leitor. E, a amizade que outrora era valiosa para o menino, nesta altura, o põe em apuros.

- do capítulo XXVIII ao XXXVII, a história muda de cenário novamente e Oliver conhece pessoas que realmente o podem ajudar - e, talvez, desvendar um pouco de quem pode ser esse jovem órfão. A ajuda virá de uma pessoa inesperada.

- do capítulo XXXVIII ao LIII - eu não escreverei sobre os pontos relevantes para não atrapalhar a leitura de alguém, apenas quero deixar registrado que o tom da narrativa, para mim, mudou de modo significativo. A ironia marcante do início da narrativa fica de lado ao longo da trama, e a maneira como os acontecimentos finais foram descritos me deixou um pouco assustada; pois aquela história que parecia suave se tornou pesada. Mas adorei cada capítulo.

Eu escrevi algumas anotações na borda das folhas, mas infelizmente não conseguirei transmitir tudo o que gostaria pois o texto ficaria extenso demais.  Apenas, permita-me, considerado leitor, algumas observações:

- a descrição de um enterro (na primeira parte) é triste. A morte ainda consegue ser mais miserável que  própria vida. 

- a fidelidade das crianças a Fagin (o velho judeu) é tão sincera que mesmo quando estão no cadafalso com sua vida ao fim não o traem. Existe uma lavagem cerebral, algumas vezes sutil em outras amedrontadora que leva as crianças a crerem que não poderão/poderiam ser outra coisa. 

- Charles Dickens debocha abertamente dos filósofos e seus pensamentos tão fora da realidade das pessoas que não estão no seu círculo de pensadores, e disso faz isso - com grifo meu - no capítulo XIII para descrever como Dawkins e Bates fogem quando Oliver é levado à prisão.

- sobre a prisão, há a descrição de três tipos de pessoas que frequentam a cadeia inglesa: "um delinquente miserável, descalço, que havida sido preso por tocar flauta"; "...um vagabundo de sessenta e cinco anos que estava preso (...) por esmolar nas ruas e não fazer nada para ganhar a vida" e "na cela seguinte encontrava-se outro homem, o qual se achava preso por vender caçarolas de estanho sem licença, com o que fazia alguma coisa para ganhar a vida, mas em detrimento do Tesouro Público" (cap.XIII). 

Leitor anônimo, terminarei esta primeira postagem aqui - para não alongar muito o texto.

19 de novembro de 2019

Marcações..

Olá, estranho leitor!

Tornei-me aquilo que mais temia: uma pessoa que marca a leitura com post-it.

Nada contra isso, magoado leitor, apenas, não era meu costume! Eu sempre achei que a leitura não precisava disso - ela só tem a obrigação de ser livre.
Porém, ao começar a ler este livro do senhor Charles Dickens - meu primeiro Dickens, by the way! - eu me vi na obrigação de marcar algumas partes da leitura porque .. não sei! Parece que existe algo nelas que não pode ser esquecido. 
Será que todo livro do Dickens será assim para mim?

Deixe-me explicar as cores de cada etiqueta: 

- azul: são as partes que me chamam a atenção

- verde: são as partes que Oliver Twist chora.

- laranja: são as frases que mais me chamaram a atenção.

Exemplos:
azul:
Entre outros ofícios públicos de certa cidade, que, por muitas razões será prudente evitar mencionar, e à qual não queremos atribuir nome fictício, um existe, muito comum, nos últimos tempos, à maior parte das cidades, sejam elas grandes ou pequenas. Refiro-me a um asilo. Nesse asilo nasceu, certo dia, em data que vale a pena indicar, porque isso, no princípio desta história, não apresenta nenhum interesse para o leitor, a criatura cujo nome aparece no título do presente capítulo.
Existe, na minha opinião, uma indigência completa neste primeiro parágrafo. Tanto do órfão que não precisa de mais nenhuma identificação além do nome e, também, uma completa preferência por não identificar o lugar que essa criança nasceu - exceto que foi em um asilo. Ambos tão comuns e necessitados  um do outro para existir. Por isso eu marquei com a fita azul.

verde:
(...) Não era difícil para ele chamar as lágrimas aos olhos.  A fome e os maus tratos recentes auxiliavam muito a um menino que queria chorar; e com efeito, Oliver chorou muito naturalmente.
Essa é a segunda vez que Oliver Twist chorou. A primeira foi na hora do seu nascimento. Quase todas as lágrimas de Oliver começam sem um motivo específico de ação, além da fome e da carência de uma valor afetivo que expresse que ele tem um valor positivo agregado a si. 

laranja:
(...) O rapaz não tinha amigos com quem se importar, ou que se importassem com ele. Não poder curtir saudades de sua recente separação anuviava-lhe o espírito; não sentir a ausência de nenhum rosto amado e saudoso pesava-lhe o coração. E o que ele desejava, ao arrastar-se para o interior da sua estreita cama, ea que ela fosse seu caixão, e que o depusessem num último sono calmo no terreno da igreja, com a erva alta ondeando suavemente sobre sua cabeça e o som profundo do velho sino embalando-lhe o sono. 
Este é o terceiro lugar que Oliver Twist vai morar desde o seu nascimento. Seu primeiro emprego é no comércio de um homem que vende caixões. Ele, literalmente, tem como cama um caixão para cadáveres que fica embaixo do balcão que fica em um porão. Percebe, leitor, como a descrição leva-nos para baixo? E a solidão ainda o acompanha.

Então é isso, anônimo leitor!
Sigo com minha leitura...

Omnia Vanitas. 💀



30 de abril de 2014

Compras ..


Alguns livros que comprei em um passeio pela cidade! (rs).

" A Cor Púrpura" de Alice Walker, eu li no início da minha juventude, lá pelos 17-18 anos.

Rachel de Queiróz eu conheço através de “O Memorial de Maria Moura” e “O Quinze”. Então, com ótimas referências como estas, eu adquiri “As Terras Ásperas”.

Sobre Virgínia Woolf, ainda não li nenhuma obra dela, então, para minha estreia, escolhi “Orlando”.

O grandão é um livro de Charles Dickens, “Grandes Esperanças”.

Morris West é meu outro estreante com o seu “O Advogado do Diabo” - que, pelo que entendi, não tem tem nada a ver com o filme estrelado pelo maravilhoso Keanu Reeves.

Escondidinho ali, entre “Orlando” e “As Terras Ásperas”, está um velho conhecido: Sir Arthur Conan Doyle. O livro é “O Gato do Brasil”. Trata-se de um livro de contos - muito interessantes, aliás. Adorei a leitura.

Estas obras foram compradas em 15 de março deste ano.

Os Meninos da Rua Paulo - Prefácio

  Olá, abandonado leitor!  Comecei neste final de semana a leitura de "Os Meninos da Rua Paulo". Ainda não cheguei na página 50, a...