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30 de março de 2016

Duas medidas..

Charlotte Lucas, Orgulho e Preconceito 2005

Estava eu, em estado confortável, lendo meu livro quando um trecho do mesmo eleva minha atenção.
Veja só, folgado leitor, que me deparo com a ambiguidade de pensamento da heroína de Orgulho e Preconceito.

Quando Charlotte Lucas decidiu casar-se com Mr. Collins, Elizabeth Bennet ficou horrorizada pela escolha da amiga. Casar com Mr. Collins? Por tudo o que há de sagrado; este homem é tolo, soberbo, ridículo, subserviente, mesquinho; e, como todas as características anteriores o conotam, a conversa de tal pessoa é enfadonha e, portanto, insuportável à sociedade que o acolhe.
Pois bem, quando a amiga decidiu casar com tal homem, Lizzy ficou atônita com tal propósito. Como ela pode, segundo o pensamento de Elizabeth, desejar passar a vida ao lado de tal homem? Como ela pode rebaixar a si e conceder a mão em casamento a tal cavalheiro?
Pois bem, a explicação de Charlotte foi de cunho pratico:

"(...) Como deves saber, não sou romântica. Nunca o fui. Apenas desejo um lar confortável; e, considerando o caráter de Mr. Collins, as suas relações e situação na vida, estou convencida de que as perspectivas que se me oferecem de vir a ser feliz com ele são tantas quanto as da maioria das mulheres ao darem esse passo".

E, Elizabeth não poderia ficar tão ultrajada com tal decisão pois conhecia o pensamento da amiga antes de Mr. Collins aparecer:

" (...) se ela se casasse com ele amanhã, eu diria que as probabilidades de ser feliz seriam tantas quantas aquelas que se lhe ofereceriam após ela ter passado doze meses estudando o caráter dele. A felicidade no casamento é uma questão de sorte. Por mais profundo que seja o conhecimento mútuo ou identidade entre as partes interessadas antes do enlace, em nada contribui para a felicidade. Há sempre, depois, uma disparidade de feitios suficiente para lhes assegurar a cada um sua dose de amargura (...)".

Assim é Charlotte Lucas nua e crua. Esta última conversa aconteceu em um determinado encontro social no qual o assunto era Mr. Bingley e Miss Jane Bennet. 

Porém, quando Mr. Wickham resolve dar atenção a certa moça (Miss King) por ela haver herdado dez mil libras, Elizabeth acha conveniente que ele venha buscar algum conforto para sua vida; conforme carta que ela escreveu a sua tia:

" (...) um jovem belo necessita tanto de um pecúlio para viver como qualquer outro".
Logo mais, quando encontra a tia (que a interpela sobre a atenção de Wickham com Miss King) Elizabeth censura-a por esta chamar o cavalheiro de interesseiro:

"Por amor de Deus, querida tia, qual a diferença no casamento entre o interesse e o motivo prudente? Onde acaba a prudência e começa a cobiça?"

Quanta mudança em poucas páginas!
Então, ao meu parecer, há duas explicações razoáveis à atitude de Elizabeth com Charlotte e George Wickham:

- ou ela eleva a natureza feminina em detrimento a natureza masculina (propondo que uma mulher deve buscar um conforto social baseado no nível intelectual do companheiro e não apenas na sua disposição social)

- ou ela é machista.

Talvez, seja uma miscelânea destas duas coisas que permeiam o pensamento de Miss Eliza Bennet!  

22 de junho de 2015

O Grande Juiz ..

Renato Russo, música "Perfeição"

Existe dentro de nós um juiz implacável. Esse pequeno juiz aponta o dedo em riste para todos ao redor e em quase todas as situações. Esse miserável juiz cresce todas as vezes que a oportunidade de julgar lhe é dada. E, assim, ele se acha um exímio ser humano perfeito.

Não pense, nobre leitor, que este juiz está vivo em pessoas de baixo caráter. Ele vive em cada ser humano. Todos nós: eu, você, o rico, o pobre, o mendigo, a faxineira, a freira, o pastor, .. todos, sem exceção, possuímos esse pequenino e forte juiz dentro de nós. 
Adoramos apontar o erro alheio pois isso nos torna poderosos. Quando olhamos para o erro alheio, esquecemos o quanto somos falhos e, assim, temos a falha impressão de que somos perfeitos. 
Concordo que, em alguns casos, minhas escolhas são melhores que as escolhas que outros fizeram para si; mas há em mim escolhas piores de outros que escolheram melhor do que eu. Minha falha pode não ser a falha de outro. Onde sou forte, outro pode ser fraco. Eu tenho o costume de dizer que não existe uma "ciência exata" para o ato do ser humano. Ele vive conforme aquilo se apresenta na frente dele: às vezes acertará, em outras, errará. E quem somos nós para erguemos o dedo e lhe apontar o erro, sendo nós ainda falhos? 

Existe um trecho no livro "As Crônicas de Nárnia: O Cavalo e Seu Menino", onde Shasta, o protagonista, ao encontrar o Leão de Nárnia lhe faz algumas perguntas. Quando Aslan lhe dá uma resposta, o menino fica intrigado:
– Fui eu o leão que o forçou a encontrar-se com Aravis. Fui eu o gato que o consolou na casa dos mortos. Fui eu o leão que espantou os chacais para que você dormisse. Fui eu o leão que empurrou para a praia a canoa em que você dormia, uma criança quase morta, para que um homem, acordado à meia-noite, o acolhesse.

– Então foi você que machucou Aravis?

– Fui eu.

– Mas por quê?!

Filho! Estou contando a sua história, não a dela. A cada um só conto a história que lhe pertence.
Se não somos bons o suficientes para amar e aconselhar, calemos a nossa boca ao julgar todos os outros.

20 de abril de 2015

Elogios que não elogiam..



Eu já mencionei que sou contra elogios exagerados e coisas do tipo e que, também, sou contra essa ideia de mulher ser tratada com beata.

Porém, há um assunto que estou remoendo há muito tempo. Às vezes, tenho vontade de escrevê-lo, em outras prefiro ignorar minhas ideias. Mas, nesta nublada manhã de segunda-feira, eu li um texto que foi um empurrão para eu fazer esta publicação. O texto "motivacional" está neste blog.

Depois de ter ativado, novamente, minha conta no Facebook, resolvi fazer uma limpa em algumas páginas (e contatos, também). Porém, excluindo alguns, inclui outros. E nesse mexe-mexe de põe e tira, eu encontrei coisas interessantes. Uma delas é sobre "feministas". Na verdade, pseudo-feminista (que acham que esculachar os homens é valorizar o próprio sexo). Mas, algumas coisicas são engraçadinhas e, portanto, lá eu fico. Mas, como já disse, nessa manhã, eu li algo que me "inspirou" a escrever. Esse texto - que está linkado lá em cima - fala sobre as vantagens de namorar/ficar com um gordinho. 

Eu não tenho nada contra gordinhos, fortinhos, magrinhos, sarados, metrossexuais etc e tal. Por mim, sejam felizes como preferem ser.
Mas, não há pior do que "elogiar" em detrimento ao outro. Para um ser bom, é preciso diminuir o outro? Que triste! É isto que eu concluí ao ler aquele texto. E, esta não será a última vez que isso acontecerá.

Esse tipo de "elogio" é tão comum quanto você, querido leitor, pode imaginar. Quantos "conselhos" você já ouviu semelhantes a esse "elogio"? Pense! Quantas vezes um elogio lhe foi dado em detrimento de outra pessoa?

Ser magra não me torna uma pessoa má e fria! Ser gorda não me torna uma pessoa boa e carinhosa! Isso se chama caráter! E daí ...isso é outro post! ;)

16 de abril de 2015

Vamos pontuar..




Têm coisas que me tiram do sério! Pontuação errada é uma delas! Pior do que pontuação errada é a conveniência em achar que pontuar errado é romântico! Que ridículo!

Estava vagando pelo Facebook (quando deveria estar lendo meu livro, na verdade), e me deparei com o texto da imagem acima! 

Que desfaçatez!!! Desmerecer a beleza de uma pontuação em nome de um romantismo piegas!!

No romance, e na vida, a pontuação é muito bem vinda! Que loucura é escrever um texto corrido onde a leitura tira o fôlego do leitor e, desta forma, promove uma leitura sem coerência! Que tipo de vida é essa que não respeita o momento de parar para dar continuidade ao pensamento, que não respira enquanto cresce e se desenvolve! Que cansativo é não fazer uma pausa ou  colocar um ponto final em temas e momentos. Quanto se perde fazendo o mau uso da boa pontuação!

Omnia Vanitas.

31 de março de 2015

Humanidade para todos..


Segundas e quartas-feiras são os dias em que eu pratico natação. São esses dois dias que me obrigam a pegar uma condução urbana. Eu gosto mesmo é de pedalar: é livre, tranquilo, saudável e sem engarrafamento. 

Nesta segunda-feira eu fui para minha aula de natação. Quando eu estava dentro do segundo ônibus, um rapaz de muletas entrou com a sua namorada. Apesar de não estar lotado, não havia mais bancos vagos para sentar.
Era visível e notório que o rapaz precisava sentar-se. O pé enfaixado e com uma proteção e as duas muletas que ele utilizava denunciavam, para todos os presentes, que ele precisava de um lugar para sentar.

Em pé, perto da porta, eu fiquei olhando ao redor. Ninguém se levantou para dar lugar para aquele rapaz. As pessoas sentadas olhavam para seus celulares ou pelo vidro da janela. Absolutamente NINGUÉM, estava interessado na situação do garoto com as muletas. 

O ônibus logo deixou o terminal do centro e seguiu o itinerário; mas, horário de pico não é sinônimo de movimentação. Pouco mais de dez minutos e nós mal estávamos longe do terminal. Em pé, eu já estava cansada - e meus pés estavam muito bem calçados e mesmo assim, eu sentia cansaço. Fiquei pensando no garoto de muletas que continuava em pé. Olhei mais uma vez em volta. Ninguém estava interessado em ceder um lugar para rapaz. 

Insatisfeita com aquela situação, tirei meu fone de ouvido e toquei o ombro do garoto:

- Você quer sentar?

- Ãhn, quero, mas ...

- Moço, você pode dar lugar para esse rapaz sentar que ele está com o pé machucado?
- Ah! Claro..
- Muito obrigada.

Voltei para o meu lugar e o rapaz pode aliviar-se do incômodo de ficar em pé.
Uma senhora, perto de mim, deu três tapinhas na minha mão e um sorriso. 

Que mundo mais bizarro esse!!! Eu fiquei e ainda estou indignada com essa humanidade podre que é cultivada em nosso mundo. Onde está a sensibilidade ao próximo? Eu não deveria ter sido a única a sentir essa afronta ao descaso com o garoto da muleta, mas, infelizmente, fui a única a tomar uma atitude. Não sou nenhuma Madre Teresa e nem quero rogar um título "santo" para mim; apenas quero desabafar um descaso tão imoral quanto a falta de humanidade que estamos experimentando todos os dias. 


27 de janeiro de 2013

Sofrimento de Massa..


Hoje, mais uma tragédia se transformou em vírus. O episódio triste que ceifou muitas vidas no Estado do Rio Grande do Sul se alastrou por todas as mídias.
Eu não sou indiferente ao sofrimento deles; realmente, é uma catástrofe o que houve porém, uma repulsa é inevitável quando ouço, leio e vejo que todos resolveram "sofrer" também.
Sem conhecimento de causa nenhum, somente uma necessidade explícita e ignorante de querer fazer parte de uma massa de "sofredores" se alastrou pólvora e julgamentos, sem conhecimento ínfimo, preenchem todos os espaços livres e gratuitos das redes de comunicação.
Eu desafio você a abrir uma página de relacionamento e não ler, no mínimo, um absurdo sobre o assunto, um sensacionalismo ou uma fé ignorante que está recheando e contribuindo para a propagação de besteiras sobre o tema.

Sofrimento, sério? Eu acredito no sofrimento das pessoas que passaram por essa situação, ou alguma perda semelhante; outros estarão "sofrendo" até que a matéria deixe de ser a coqueluche do momento e sejam levadas por outro vento que preencherá suas vidas e mídias fúteis.

No mais, podemos apenas orar pelos enlutados.

Omnia Vanitas

2 de janeiro de 2013

Fuja do filme, leia o livro..


Eu não quero escrever muitas linhas sobre minha paixão pela literatura Tolkieniana. Não consigo apontar um livro que tenha me desagradado. "O Silmarillion" é magnífico, "O Hobbit" é encantador, "O Senhor dos Anéis" é isento de rivais que se assemelhem à seu nível (por favor, não cometam a tolice de comparar os livros George Martin com as obras de Tolkien).

Dia 22/12/12 fui assistir, finalmente, ao filme.
Tive que conter minha emoção quando ouvi Bilbo dizer: "Numa toca no chão vivia um hobbit". Li tantas vezes essa frase, imaginei tantas vezes a cena que foi impossível não ter um nó na garganta. Foi como se minha história estivesse sendo contada. Foi como se eu pudesse estar lendo aquela maravilhosa história, naquela hora.

Adorei a chegada dos anões. Thorin Escudo de Carvalho = uau! Esse é o lado bom do cinema: transforma um anão feio e careca em um bonitão forte, de cabelos longos, olhar penetrante e chega! (haha).

É improvável não gostar do filme. É impossível não se divertir! Foi um roteiro bem escrito. Torná-lo uma trilogia foi uma ideia inteligente e rentável (esperam os produtores). Estava esperando pelo fim, queria saber onde o livro seria "cortado". Foi um bom final.

Gostei da fina sintonia que o filme apresentou sobre o pensamento de Gandalf a respeito de Saruman, o Branco.

Outra coisa que eu me apaixonei foi pelos gigantes de pedra! Uau! Adorei a cena! Colinas de pedra, vivas, tornando um pensamento infantil realidade! Ué, quem nunca imaginou que trovões fossem resultado de um grande jogo de boliche?
Peter Jackson apresentou de uma forma muito linda e bem produzida os gigantes de pedra!

Realmente, gostei do filme, mas não troco pelo prazer de ler o livro.

Porém, um ponto me deixou muito chateada: a apologia às drogas que o filme faz.
O Hobbit não foi escrito para crianças, porém, toda criança deveria ser estimulada a ler esta obra.
O filme foi muito infeliz ao apresentar Radagast, o Castanho em um consumidor de cogumelo e Gandalf, o Cinza em um consumidor de "erva".
Eu não permitirei que uma criança assista ao filme. Esses não são os personagens de Tolkien. Esta não é a ideia de Tolkien.
Em seu tempo, foi muito comum o hábito de fumar cachimbos. Muitos clérigos tinham esta prática. Hoje em dia essa ideia é abolida no meio eclesiástico e, comumente, pouco praticada.
Muitas são as fotos de C.S. Lewis e Tolkien fumando seus cachimbos. Porém, nunca foi a intensão de ambos propagar o uso de drogas, como foi mostrado no filme. Foi muito triste e degradante esta escolha.

Termino este post explicando a foto acima. Foi o presente que ganhei de uma amiga. Adorei!! Ainda mais por hoje ser aniversário de nascimento deste escritor (?).
Será mesmo Tolkien somente um escritor? Para mim, ele é o Criador de Arda, da Terra Média, de Hobbinton e de toda a magia que há em Mestre Gil de Ham, Roverandom, Smith of Wootton Major ...
Ao criador, meu humilde agradecimento e minha sincera gratidão.

29 de agosto de 2012

Excomungado..


Errei na escolha do livro Drácula, o Morto-Vivo, de Dacre Stoker e Ian Holz.
Achei que seria uma trama envolvente e surpreendente! Grande erro!

A carta que abre o livro é muito bem escrita. Fez-me ter vontade de abrir o livro original e lê-lo novamente! Porém, depois de uma frase e outra de impacto, nada mais restou para envolver o livro.

Eu senti, durante a leitura, a falta de algum elemento que causasse a vontade de continuar a leitura. A construção das frases soa vazia , parece quererem colocar um suspense mas deixam a frase suspensa e sem aquele significado que leve o leitor até a próxima página. Faltou, também, um aprofundamento na índole dos personagens. O caráter não foi bem construído.
Talvez, minha decepção tenha sido ocasionada pela expectativa da primeira obra. Eu deveria saber, sequências de uma obra lançadas por outras mãos não têm as mesmas características da obra original. Eu já postei sobre isso antes - incrível não ter seguido meu próprio conselho.

Li somente até o capítulo XXIII. Confesso, os capítulos XVIII até XXI me deixaram encantada:

Capítulo XVIII

"Policiais sopraram seus apitos, correndo em direção da multidão que se formara na base da árvore. Mulheres desmaiaram. Homens ficaram paralisados. Automóveis pararam cantando pneus. Carroças de frutas e leite se chocaram uma com as outras. Pandemônio.
No centro de Piccadilly Circus havia sido colocado um poste de madeira de doze metros de altura que se erguia acima do Anjo da Caridade Cristã. No alto do mastro um homem nu havia sido empalado. A mandíbula dele estava quebrada, com a ponta da estaca se projetando de sua boca. Intestinos e outros órgãos internos, arrastados pela vara que atravessara seu corpo, saíam de seus lábios. Pingava sangue de seus olhos, ouvidos e nariz. O corpo se contorceu, soltando um gemido de gelar o sangue. O pobre homem ainda estava vivo.
De fato, era obra de um diabo".

Capítulo XIX

"As mãos de Quincey tremiam, dificultando a leitura do texto. Ele colocou o jornal na mesa para firmá-lo enquanto relia a matéria. Traduzira corretamente. A respiração de Quincey estava acelerada. Ao chegar à última linha, achou que iria desmaiar. Obrigou-se a ler de novo: "A vítima empalada foi identificada como sendo o sr. Jonathan Harker, destacado advogado de Exeter, cidade a oeste de Londres".

Capítulo XXI

"Os pensamentos rodopiavam em sua cabeça. Suas emoções estavam abaladas antes mesmo de colocar os pés no necrotério. A culpa de sua última conversa com Jonathan, uma discussão acalorada e dolorosa, pesava em seu coração. Nunca haveria uma reconciliação. Nunca teria a oportunidade de dizer tudo o que sentira. Ela jurou nunca cometer o mesmo erro com Quincey".

Nesta versão, houve uma necessidade de incluir a história real de Drácula (que já postei  aqui. Porém, eles não conseguiram tornar isso algo interessante. Quando li O Cemitério de Praga, de Umberto Eco, percebi que ele fez a mesma coisa que esses autores tentaram. Eco utilizou-se da história e soube construir uma obra encantadora!
Um trecho de Drácula, o Morto-Vivo:

"- Então, Drácula é considerado o pai de sua nação? Pelo que li, ele assassinou milhares e era conhecido por beber seu sangue.
- Um antigo ritual pagão. Dizia-se que aqueles que bebiam o sangue de seus inimigos ingeriam seu poder.
- E há a tradução de seu nome - disse Quincey. Ele folheou as páginas para encontrar o trecho e o mostrou a Basarab: - "Filho do Diabo".
- A verdadeira tradução do nome de Drácula é "Filho do Dragão". Seu pai era um cavaleiro da Ordem Católica do Dragão, que jurara proteger a cristandade dos muçulmanos. O símbolo do diabo na cultura cristã ortodoxa é um dragão. Daí a confusão".

Totalmente sem sal. Isso não parece um diálogo, mas um jogral estilo Rebeldes. Um fala, o outro responde; um pergunta e o outro retruca!

Finalizo com um trecho da obra do verdadeiro Stoker, Bram Stoker:

"- Professor, deixe-me ser seu estimado aluno mais uma vez. Explique-me a tese para que eu possa aplicar seu conhecimento, à medida que prossegue. Atualmente, meu pensamento focaliza os pontos, pulando de um a outro como o louco segue uma ideia e não como homem são. Sinto-me como um aprendiz que atravessasse um pântano envolto em névoa e que pulasse de u'a moita para a outra, cegamente, sem saber para onde ir.
- É uma boa imagem - afirmou ele. - Bem, dir-lhe-ei. Minha tese é esta: quero que acredite.
- Em quê?
- Naquilo em que não pode acreditar. Deixe-me dar um exemplo. Ouvi certa vez um americano estabelecer a seguinte definição para a palavra "crença": "É a faculdade que nos permite acreditar em coisas que sabemos serem inverídicas". Acredito nele. Quis dizer que devemos ser liberais, não permitindo que uma pequena crença abafe uma grande verdade, assim, como uma pequena pedra pode atrapalhar o movimento de veículos. Primeiro, aprendemos a pequena verdade. Conservamo-la e a valorizamos, mas não devemos julgar que seja toda a verdade do universo.
- Então deseja que minhas convicções prévias não impeçam minha mente de acreditar em algum fato estranho. Compreendi bem?
- Ah, ainda é meu aluno favorito. Vale a pena ensiná-lo. Agora que demonstra vontade de compreender, já deu o primeiro passo para a compreensão".

Omnia vanitas.

30 de julho de 2012

Jane Austen, A Vampira



Semana passada terminei a leitura - divertidíssima - de Jane Austen, a Vampira de Michael Thomas Ford.

Lembro que comprei esse livro, por uma pechincha, em uma livraria online, no ano passado. Comprei somente para fechar pedido, não era um livro que almejava ter. Porém, ele me cativou desde o primeiro capítulo.

Para quem é fã (gênero neutro) - em parâmetro normal - de Jane Austen, conhece as eternas discussões entre a literatura das Irmãs Brontë versus Austen. Gosto da obra de Charlotte Brontë, Jane Eyre; e também da de Emily Brontë, O Morro dos Ventos Uivantes; porém, ainda falta Anne Brontë me mostrar o que sabe em A Moradora de Wildfield Hall e A Preceptora - sendo que somente o primeiro ainda é publicado, o outro é preciso caçar em sebos.
Estou velha para entrar em discussões fanáticas sobre esse tipo de assunto, somente me divirto com tais assuntos.

Outro fato, muito comum em obras de sucesso de pessoas que não estão mais entre nós, é o incansável acervo que continuam a história do(a) autor(a) original. Descobri, tempos atrás, que Sherlock Holmes tem novas aventuras fora de Sir Arthur Conan Doyle.
O mesmo acontece com a senhorita Austen. Um devastador material que assombra as livrarias sobre: a vida, culinária, pós escritos austeneanos e tudo mais.
Há quem já escreveu sobre os filhos do casal Darcy, sobre diários escritos por Elizabeth e o diário do inigualável senhor Darcy; há também quem escreveu sobre zumbis e monstros marinhos e sobre Darcy ser um vampiro etc e tal.

Um fã alucinado por Austen quererá obter tudo e muito mais sobre a amada autora. Há aqueles que desdenham as obras "sobrenaturais" porém, não deixam de ter algum livro de não autoria de Jane - desde que fique no âmbito "normal" da trama.

Ou seja, existe tanto material sobre Jane Austen que poderíamos ser soterrados facilmente por ele.

Um dos tratados desse livro, na minha opinião, é mostrar todo esse absurdo sobre Austen. Ele parece defender e acusar ao mesmo tempo. Acusa mostrando a infâmia de algumas publicações; defende mostrando como muitos chegam a verdadeira obra de Austen através deste besteirol.

Jane Austen, a Vampira apresenta a autora inglesa em meio a este caos que se tornou a literatura de consumo. Ela possui uma livraria em uma cidade quase desconhecida e alimenta um romance platônico com um antigo amigo, Walter.
O maior desejo, da Jane vampiresca, é publicar o seu livro, Constance.
Em meios as recusas, um tal de senhor Kelly amou a obra de Jane Fairfax (seu nome atual) e resolve publicá-lo. Tudo seria perfeito se Lord Byron não entrasse no seu caminho.

Romance, brigas, sedução, livros, chantagens, descobertas, mordidas, fogo, fóruns e muito humor completam essa obra.
Eu adorei!

Tudo é vaidade!

12 de fevereiro de 2012

O Estupro à Jane Austen



Sexta-feira eu recebi minha amiga Gisele aqui em casa. Ela irá para SP dia 25 deste mês, então, eu quis programar uma espécie de "despedida" para ela. Decidimos fazer algumas coisas que gostamos; decidimos assistir, novamente, Orgulho e Preconceito (BBC de Londres, 1995), e, pela primeira vez, assistirmos "Palácio das Ilusões" (1999) - o filme sobre o livro Mansfield Park, também da Jane Austen.

Que fiasco!

Eu queria entender a idéia de Patricia Rozema! Ela leu o livro "Mansfield Park"? Ela já leu algo sobre Jane Austen? Eu tenho minhas sinceras dúvidas.

O que torna a doce Fanny Price a heroína na trama é, essencialmente, seu caráter. Percebe-se que Fanny está rodeada pela ambição, malícia e futilidade.
Fanny é uma garota reservada, inteligente e muito atenta às personalidades que estão à sua volta. Ela percebe o caráter dúbio das primas, suas atitudes maliciosas por Henry Crawford, ela consegue descrever o caráter de todos através das observações que sobre cada um.
Acima de tudo, Fanny ama Edmund! Em momento algum ela desvirtua seus sentimentos pelo primo por medo ou insegurança. Nada atinge ou desfigura o amor dela que a faz trocar ou mudar sua atitude. O que marca a personalidade de Fanny é a sua determinação em não ser igual às outras pessoas. Ser fiel a si mesma.

O filme, que tristeza!

Traz uma Fanny muito solta e "arteira"! Mostra uma Mary Crawford lésbica! Tenha dó! E, uma das cenas mais grotescas, foi o ato sexual entre Henry e Maria!
Fanny beijando e aceitando as investidas de Henry Crawford (antes de ele se entregar ao luxo com Maria)!! Edmund deitar no colo de Fanny em um passeio de carruagem?
Edmund "apaixonar-se" por Fanny? Sério?!

Você pode achar que estou exagerando, mas nenhum romance de Jane Austen precisou desses apelos para ser um clássico!

O filme "Palácio das Ilusões" foi um estupro à Jane Austen. Nota ZERO!

Tudo é vaidade!

2 de fevereiro de 2012

Mulher considerada a mais velha de Cuba comemora 127 anos




fonte: Globo.com

Considerada a mulher mais velha de Cuba, Juana Bautista de la Candelaria Rodriguez não está no Guinness, o livro dos recordes, mas o seu registro civil faz dela uma das pessoas mais velhas do mundo.

O documento aponta que Candulia, como é conhecida no povoado de Campechuela, a 800 km de Havana, nasceu em 2 de fevereiro de 1885 e comemora nesta quinta-feira (2) 127 anos de idade.
Segundo o jornal “Cuba Debate”, o número de cubanos que atualmente supera os 100 anos é de 1.551, dez a mais que os existentes na ilha no ano passado.

Candulia, segundo o jornal, tem duas tataranetas, Yuleinnis, de 7 meses e Yelennis, de 7 anos.

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Depois de ler essa reportagem, li outra sobre uma atriz de Hollywood, de 49 anos, que, segundo declarações das pessoas próximas, tem crise por ficar mais velha a cada ano.
Uma frase (sem sapiência) que eu sempre digo é: Antes um velho vivo que um jovem morto.

Há, mais claramente nos dias atuais, uma necessidade gritante em querer manter a estética. Veja por exemplo, mães que presenteiam suas filhas de DEZOITO ANOS com pláticas!

Depois dos meus 30 anos, aprendi a amar minha idade! E sempre que me perguntam qual é o meu número de anos, digo: TRINTA E TRÊS (e rumando aos 34, se Deus permitir!). E pretendo ser uma velhinha muito fofa igual minha mãe é!

Não critico quem quer ou não fazer um ajuste aqui, outro ali em sua aparência; afinal, a alteração é nela, não em mim; mas não entendo o que este mundo tem contra pessoas velhas.

São mulheres saradas em todos os lugares, e se encontram uma simples ruga, celulite ou um rosto sem maquiagem, o assunto vira manchete de capa!

Celebrar a vida em qualquer idade! Esse deveria ser o lema. Curtir o amadurecimento natural do corpo, sem tornar-se desleixada(o).

Afinal, tudo é vaidade e correr atrás do vento!

31 de janeiro de 2012

Meu Preconceito...



Eu amo os livros da Jane Austen. O primeiro contato que tive com a obra dela foi através do filme "Razão e Sensibilidade", com Emma Tompson e a menina do Titanic. O segundo foi com uma mini série, da BBC de Londres (1995), Orgulho e Preconceito (com o fofo do Colin Firth). Depois eu cresci e comecei a ler os livros.

E, uma mania irritante que tenho é criticar, ferozmente, os filmes baseados em livros (que devoto atenção).

Esse final de semana fui na casa de uma amiga assistir alguns filmes. Entre esses, estava Orgulho e Preconceito, estrelado pela garota que atuou em Os Piratas do Caribe.

Foi horrível!

Assistir Elisabeth Bennet bater boca com Mr. Darcy foi o fim! Que péssimo.
Nenhum personagem dessa trama teve minha consideração favorável. Nem a doce Jane! Sem contar que não há química entre os atores para fazer o efeito esperado na trama!
Foi um fiasco total.
E os bailes? Meu chapéu de palha! Era um amontoado de gente se mexendo sem organização!
Mr. Bingley ... Senhor! Que idiota!
Outro desapontamento foi ver Elisabeth contar ao pai o segredo da influência de Mr. Darcy sobre o casamento de sua irmã desmiolada, Lydia. É do caráter dos personagens de Austen serem fiéis à esse tipo de situação!

E o fim? Não foi um "fim" foi uma amputação!
Ok, confesso que a mini série não contém TODO o final do livro, mas, pelo menos, tiveram a consideração de mostrar o que a maioria dos leitores gostaria de assistir: os casamentos!

Mas nada superou minha desaprovação como a discussão aos gritos entre Lizzy e Mr. Darcy.

Enfim, tudo é vaidade!

(foto: Orgulho e Preconceito e Zumbis)

Os Meninos da Rua Paulo - Prefácio

  Olá, abandonado leitor!  Comecei neste final de semana a leitura de "Os Meninos da Rua Paulo". Ainda não cheguei na página 50, a...