9 de outubro de 2025

Leitura 15


Olá, destruído leitor! 

Neste mês, eu resolvi ler somente livros juvenis ou infantis - livros que fizeram parte da minha infância e anos adiante. Alguns eu consegui achar em sebos, outros eu adquiri novos. Alguns autores foram descobertos na fase adulta e assim por diante. Eu sou apaixonada por livros infanto-juvenis pelo simples fato de muitos escritores saberem expressar bons valores e esculpir o caráter de uma criança através da leitura. Escrevo isso por experiência própria. Alguns anos atrás eu fiz uma releitura dos livros que li na fase adolescente e tive o prazer de saber que os meus gostos e escolhas na fase adulta estavam naquelas linhas que me ensinaram de forma suave um pouco sobre a vida. 

Quando eu estava no Ginásio eu lembro de começar a frequentar mais a biblioteca da escola. Lá eu conheci Johanna Spyri - que mora no meu coração desde aquela época; Maria Gripe - que me encantou com "A filha do papai Pelerine", Michel Quoist com o seu inesquecível "Diário de Ana Maria" - o que me fez amar escrever diários e escrever cartas até hoje, Urda Alice Klueger e seu "Verde Vale" - que foi o livro que fez minha mãe gostar de ler. Neste mesma época eu peguei, pela primeira vez, "Meu Pé de Laranja Lima". Estava no início do primeiro capítulo quando minha professora de Língua Portuguesa, dona Edith, me viu com o livro na mão e disse: "Que bom que você está lendo esse livro, Adelita. Em que parte você está?". Eu disse que estava no começo do livro mas que não iria ler mais porque não gostei. "Que pena" ela respondeu "agora que começaria a conversar com o pé de laranja lima". Mesmo assim, abandonei o livro.

A primeira leitura que fiz de um livro do José Mauro de Vasconcelos foi "Coração de Vidro". Isso aconteceu no início do meu casamento, o exemplar eu peguei na casa da minha mãe (como ele foi parar lá é uma história longa). Achei o livro incrível! Uma história com uma sensibilidade linda de ler. 
E neste mês, com três décadas de atraso, resolvi seguir o conselho da dona Edith e começar novamente a leitura de "O Meu Pé de Laranja Lima". 

Comecei a leitura em uma segunda-feira e terminei hoje, quinta-feira (da mesma semana). Logo nas primeiras páginas, esse livro me deu um nó peito - eu sabia que seriam pouquíssimos os momentos de alívio durante a leitura. 
Zezé - José Mauro de Vasconcelos - aprendeu a ler sozinho aos cinco anos. Para que ele entrasse nas escola, a família disse que ele tinha seis. Eu não tenho como descrever o quando Zezé era encantador em sua sensibilidade e na sua imaginação. 
Em uma família que dizia que ele era o diabo (pelas travessuras que eram castigas com surras severas); e na escola em que a professora o via como um anjo pela sua empatia com os menos afortunados que ele - Zezé encontrou o seu verdadeiro lar através daqueles que buscavam e viam o seu melhor - além das travessuras de uma criança esquecida por quase todos de sua prole. 
Na primeira parte do livro, o nó no meu peito estava quieto e contido, porém, na segunda parte e capítulos finais eu simplesmente lia aos prantos - e não estou exagerando. Eu não conseguia parar de chorar. José Mauro de Vasconcelos me fez entender coisas da minha infância que eu não queria entender, me fez lembrar de coisas que eu não queria lembrar e em tudo isso eu só sabia chorar. Quando meu Marido ligou para mim hoje de manhã e perguntou como foi o final do livro, meus olhos se encheram de lágrimas eu disse "Preciso me concentrar para não chorar", e pedi para desligar. Meu Marido é um homem sensacional.

Se eu recomendo a leitura de "O Meu Pé de Laranja Lima"? Sim. Ele vai acabar com você? Sim. E você vai recomendar essa leitura para outras pessoas? Sim.
Coloque na sua lista, choroso leitor, outro livro para destruir seu coração, também: "O Cristal Polonês" de Letícia Wierzchowski e bom trauma (risos).

Omnia Vanitas 💀
 

1 de outubro de 2025

Soneto - O Véu Pintado

 


Olá, desconhecido Leitor ! Hoje, eu tive o prazer de descobrir que o título da minha leitura atual "O Véu Pintado" foi inspirado em um soneto de Mary Shelley - autora de Frankenstein ! Nunca estive empenhada em descobrir esta frase no início do livro, sempre dirigi minha atenção para a última frase de Walter "O cão foi que morreu" (clique aqui).

Deixo para você, poético leitor, este soneto que inspirou o título deste livro encantador: O Véu Pintado


Não levantes o véu pintado que aqueles que vivem
chamam de Vida: embora formas irreais sejam retratadas ali,
E ele apenas imite tudo o que acreditaríamos
Com cores espalhadas ociosamente, — atrás, espreitam Medo
e Esperança, Destinos gêmeos; que sempre tecem
Suas sombras, sobre o abismo, cego e sombrio.
Eu conheci alguém que o levantou — ele procurou,
Pois seu coração perdido era terno, coisas para amar,
Mas não as encontrou, ai! Nem havia nada Que
o mundo contenha, o que ele pudesse aprovar.
Através dos muitos desatentos ele se moveu,
Um esplendor entre sombras, uma mancha brilhante
Sobre esta cena sombria, um Espírito que se esforçou
Pela verdade, e como o Pregador não a encontrou.


Soneto encontrado aqui . Em outro momento eu pretende escrever sobre a relação desta inspiração com o romance. 

Omnia Vanitas 💀

30 de setembro de 2025

Leitura 13


Olá, esquecido leitor !

Nesta última leitura do mês, eu decidi reler um livro que tenho apreço: O Véu Pintado, de William Somerset Maugham. 

Por que eu gosto ? Porque ele é simples na narrativa e o arco de crescimento da protagonista é incrível! 

Kitty Fane casou-se com Walter pelo simples fato de não querer ver sua irmã mais nova casar-se antes dela. Porém, não soube escolher seu marido. Ele a ama, pelo menos assim ele declara. Ele cuida dela com toda afeição, envolve-se nas distrações que deixam Kitty satisfeita (mas não feliz). Durante uma saída social, Kitty encontra Charlie - um sedutor pseudo-elegante (o melhor que tem na região). Tornam-se amantes até o momento que Walter descobre o caso entre ambos. Rebaixada pelo marido e abandonada pelo amante, Kitty está sozinha em um lugar desconhecido e numa sociedade que não aceita muito bem o divórcio (anos 20). 

No lugar fictício de Mei-tan-fu (China) - envolvido em uma epidemia de cólera - Kitty vive dias insípidos e longos na companhia de Waddington - um homem que trabalha na alfândega, sem nenhum atrativo físico e um gosto excessivo pela bebida. No primeiro momento que saem da casa de Kitty e Walter, eles estão na seguinte cena que me chamou a atenção desta vez: 

"Subiram a colina ate chegarem no arco. Era mum monumento ricamente esculpido. Fantástico, irônico, erguia-se como um marco sobre a região vizinha. Sentaram-se no pedestal e ficaram a olhar a planície. A colina estava semeada dos montículos verdes dos mortos, não em linhas regulares mas desordenadamente, dando a impressão de que eles se acotovelavam embaixo da terra. A vereda estreita serpeava entre os verdes arrozais. Um menino montado no pescoço de um búfalo dirigia-o vagarosamente para casa, e três campônios de enormes chapéus de palha avançavam lerdos como o corpo vergado sob os seus fardos".

Permita-me, desocupado leitor, dividir convosco minha visão desta cena que Waddington e Kitty assistiam. 

Primeiramente, eles estavam sentados em uma visão privilegiada - o que é realmente o que vivem, pois por serem estrangeiros e brancos possuem um status social superior aos nativos. Eles estão, neste caso, acima da morte" - pois os montes (jazigos sem indicação) estão amontados como desconhecidos. Em uma parte da narrativa, eles declaram que em Mei-tan-fu as pessoas morrem como moscas. Exatamente isso, vidas que são dispensadas rapidamente de forma aleatória em um cemitério desordenado na paisagem dos arrozais - fonte de vida da região. 

Em segundo lugar (e último), um menino vem cadenciando um búfalo manso. A vida na forma de uma criança montada em um animal que a leva para casa. Criei (por não imaginar do Maugham tenha tido essa ideia) que a representação da criança é sempre a esperança, o futuro; enquanto três homens curvados pelo fardo do trabalho seguiam atrás dele. Nestes três homens eu vejo a representação das Parcas: Nona, Décima e Morta. Na mitologia grega elas são chamadas de Moiras (mas a função é mesma): dar a vida, tecer esse fio da vida, e cortar o fio (morte). É o destino do homem (menino) seguindo até em casa - se o caminho é longo ou curto, não cabe a ele saber. 

Então é isso, leitor desconhecido, que eu pensei quando li esta passagem nesta manhã, e não sosseguei até escrevê-lo aqui. 


Omnia Vanitas 💀

 

21 de agosto de 2025

Livros de 2015

Thumblr @academic-vampire

 

  1.  Histórias dos Mares do Sul (W. Somerset Maugham)
  2. O Filho do Forçado (Alexandre Dumas)
  3. O Destino de Um Homem (W. Somerset Maugham)
  4. Um Gosto e Seis Vinténs (W. Somerset Maugham)
  5. Arquivo X: A Verdade Está Lá Fora (Les Martin)
  6. Christine (Stephen King)
  7. Arquivo X: Quando a Noite Cai(Les Martin)
  8. Arquivo X: Terrível Simetria (Les Martin)
  9. Arquivo X: Assassino Imortal (Ellen Steiber)
  10. Orgulho e Preconceito e Zumbis (Jane Austen e Seth Grahame-Smith)
  11. Arquivo X: Fraude (Les Martin)
  12. Maigret e o Informante (Georges Simenon)
  13. Arquivo X: A Besta Humana (Ellen Steiner)
  14. Autour de La Lune (Jules Verne)
  15. Princesa Setembro (Somerset Maugham)
  16. Arquivo X: Sangue (Les Martin)
  17. Voyage au Centre de la Terre (Jules Verne)
  18. Juvenília (Jane Austen e Charlotte Brontë)
  19. Arquivo X: O Raio da Morte (Easton Royce)
  20. Uma Filha do Regente (Alexandre Dumas, pai)
  21.  - Capitão Richard (Alexandre Dumas, pai)
  22. Arquivo X: O Ser do Espaço (Les Martin)
  23. Arquivo X: Guerra das Baratas (Les Martin)
  24. Arquivo X: O Fantasma da Máquina (Les Martin)
  25. La Reine Margot (Alexandre Dumas)
  26. Un hiver dans les glaces (Jules Verne)
  27. Conde Negro (Tom Reiss)
  28. La Rentrée du Petit Nicolas (Sempé/Goscinny)
  29. Coração de Vidro (José Mauro de Vasconcelos)
  30. Arquivo X: Projeto Lichtfield (Ellen Steiber) 
  31. O Pecado de Liza (William Somerset Maugham)
  32. Seis Novelas (William Somerset Maugham)
  33. Arquivo X: Os Calusari (Garth Nix)
  34. Arquivo X: A Morte Vem do Espaço (Easton Royce)
  35. Um Estudo em Vermelho (Arthur Conan Doyle)
  36. As Três Mulheres de Antibes (William Somerset Maugham)
  37. Orgulho e Preconceito (Jane Austen)
  38. Cinquenta Tons do sr. Darcy (Emma Thomas)
  39. Razão e Sensibilidade (Jane Austen)
  40. Persuasão (Jane Austen)
  41. Emma (Jane Austen)
  42. Mansfield Park (Jane Austen)
  43. Abadia de Northanger (Jane Austen)
  44. O Que Estão Fazendo com a Igreja (Augustus Nicodemus)
  45. Caminhos do Coração (Ricardo Barbosa)

19 de agosto de 2025

Livros de 2014

Imagem: Norman Rockwell

 

  1. Supernatural Nunca Mais ( Keith R. A. Decandido)
  2. Senhora, A Bruxa (José de Alencar e Angélica Lopes)
  3. A Confissão de Lúcio (Mario de Sá-Carneiro)
  4. Lucíola (José de Alencar)
  5. Desespero Stephen King
  6. Angústia (Stephen King
  7. -Roverandom (JRR Tolkien)
  8. A Casa das Sete Mulheres (Letícia Wierzchowski)
  9. O Ritual Musgrave e Outras Aventuras (Arthur Conan Doyle)
  10. O Gato do Brasil e outros contos de terror e suspense (Sir Arthur Conan Doyle)
  11. A Princesa Várvara (Alexandre Dumas)
  12. A Abadia de Northanger (Jane Austen)
  13. Crime e Castigo (Fiodor Dostoievski)
  14. O Idiota (Fiodor Dostoievski)
  15. A Culpa é das Estrelas (John Green)
  16. Um Escravo Chamado Cervantes (Fernando Arrabal
  17. Novelas Exemplares (Miguel de Cervantes Saavedra)
  18. O Fio da Navalha (William Somerset Maugham)
  19. O Sertanejo v.1 - O Sertanejo v.2 (José de Alencar)
  20. As Terras Ásperas (Rachel de Queiroz)
  21. Um Drama na Malásia (William Somerset Maugham)
  22. Através do Espelho (Joistein Gaarder)
  23. Cão Raivoso (Stephen King)
  24. Azincourt (Bernard Cornwell)
  25. Papisa Joana (Donna Woolfolk Cross)
  26. Villette (Charlote Bronte)
  27. O Professor (Charlotte Brontë)
  28. Ah King (Somerset Maugham)
  29. Emma (Jane Austen)
  30. Mansfield Park (Jane Austen)

Leitura 15

Olá, destruído leitor!  Neste mês, eu resolvi ler somente livros juvenis ou infantis - livros que fizeram parte da minha infância e anos adi...