Olá, destruído leitor!
Neste mês, eu resolvi ler somente livros juvenis ou infantis - livros que fizeram parte da minha infância e anos adiante. Alguns eu consegui achar em sebos, outros eu adquiri novos. Alguns autores foram descobertos na fase adulta e assim por diante. Eu sou apaixonada por livros infanto-juvenis pelo simples fato de muitos escritores saberem expressar bons valores e esculpir o caráter de uma criança através da leitura. Escrevo isso por experiência própria. Alguns anos atrás eu fiz uma releitura dos livros que li na fase adolescente e tive o prazer de saber que os meus gostos e escolhas na fase adulta estavam naquelas linhas que me ensinaram de forma suave um pouco sobre a vida.
Quando eu estava no Ginásio eu lembro de começar a frequentar mais a biblioteca da escola. Lá eu conheci Johanna Spyri - que mora no meu coração desde aquela época; Maria Gripe - que me encantou com "A filha do papai Pelerine", Michel Quoist com o seu inesquecível "Diário de Ana Maria" - o que me fez amar escrever diários e escrever cartas até hoje, Urda Alice Klueger e seu "Verde Vale" - que foi o livro que fez minha mãe gostar de ler. Neste mesma época eu peguei, pela primeira vez, "Meu Pé de Laranja Lima". Estava no início do primeiro capítulo quando minha professora de Língua Portuguesa, dona Edith, me viu com o livro na mão e disse: "Que bom que você está lendo esse livro, Adelita. Em que parte você está?". Eu disse que estava no começo do livro mas que não iria ler mais porque não gostei. "Que pena" ela respondeu "agora que começaria a conversar com o pé de laranja lima". Mesmo assim, abandonei o livro.
A primeira leitura que fiz de um livro do José Mauro de Vasconcelos foi "Coração de Vidro". Isso aconteceu no início do meu casamento, o exemplar eu peguei na casa da minha mãe (como ele foi parar lá é uma história longa). Achei o livro incrível! Uma história com uma sensibilidade linda de ler.
E neste mês, com três décadas de atraso, resolvi seguir o conselho da dona Edith e começar novamente a leitura de "O Meu Pé de Laranja Lima".
Comecei a leitura em uma segunda-feira e terminei hoje, quinta-feira (da mesma semana). Logo nas primeiras páginas, esse livro me deu um nó peito - eu sabia que seriam pouquíssimos os momentos de alívio durante a leitura.
Zezé - José Mauro de Vasconcelos - aprendeu a ler sozinho aos cinco anos. Para que ele entrasse nas escola, a família disse que ele tinha seis. Eu não tenho como descrever o quando Zezé era encantador em sua sensibilidade e na sua imaginação.
Em uma família que dizia que ele era o diabo (pelas travessuras que eram castigas com surras severas); e na escola em que a professora o via como um anjo pela sua empatia com os menos afortunados que ele - Zezé encontrou o seu verdadeiro lar através daqueles que buscavam e viam o seu melhor - além das travessuras de uma criança esquecida por quase todos de sua prole.
Na primeira parte do livro, o nó no meu peito estava quieto e contido, porém, na segunda parte e capítulos finais eu simplesmente lia aos prantos - e não estou exagerando. Eu não conseguia parar de chorar. José Mauro de Vasconcelos me fez entender coisas da minha infância que eu não queria entender, me fez lembrar de coisas que eu não queria lembrar e em tudo isso eu só sabia chorar. Quando meu Marido ligou para mim hoje de manhã e perguntou como foi o final do livro, meus olhos se encheram de lágrimas eu disse "Preciso me concentrar para não chorar", e pedi para desligar. Meu Marido é um homem sensacional.
Se eu recomendo a leitura de "O Meu Pé de Laranja Lima"? Sim. Ele vai acabar com você? Sim. E você vai recomendar essa leitura para outras pessoas? Sim.
Coloque na sua lista, choroso leitor, outro livro para destruir seu coração, também: "O Cristal Polonês" de Letícia Wierzchowski e bom trauma (risos).
Omnia Vanitas 💀