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15 de setembro de 2019

Décima Nona leitura..



Olá, leitor anônimo!

Peço desculpas por escrever somente agora sobre as leituras que já concluí faz muito tempo.

Começo com Lady Barberina/A Outra Volta do Parafuso de Henry James.

Esta foi a minha primeira leitura de um Henry James. O meu foco era ler apenas a segunda estória; mas a minha edição contém Lady Barberina e eu não quis deixar um livro lido pela metade. 

Lady Barberina apresenta duas sociedades em miscigenação: a americana e a inglesa.
Ah! Não pode-se deixar de mencionar que Henry James é americano naturalizado inglês.
A América apresentava seus novos ricos: pessoas que fizeram sua fortuna através do trabalho, não apresentavam nenhuma descendência de nobreza - um título ou algo do gênero. 
A Inglaterra tinha nobres quase falidos que precisavam do dinheiro jovem destes milionários desprovidos de nobreza. 
A junção era feliz para ambos. O dinheiro abundante precisava da nobreza que lhe faltava e vice e versa. 

Neste contexto, Jackson Lemon (não é preciso mencionar que ele é o americano rico), ao passar uma temporada no Velho Mundo descobre-se apaixonado por Lady Barberina - uma nobre.

A história apresenta o ponto de vista de cada personagem na trama - o que os move e seus limites para suas ações. 
Eu tive um desprezo enorme por Jackson Lemon - talvez porque ele me "pegou" em um momento delicado de temperamento. Mas fechei o livro e o xinguei muito por ser quem é. 


A leitura de A Outra Volta do Parafuso me fez ficar com medo algumas vezes. Superou em larga escala a história anterior - Lemom idiota!

Um grupo de amigos está em um castelo e propõe-se contar histórias fantásticas ou de terror. 
Um deles diz que ele tem uma história que aconteceu com a antiga preceptora dele. A história foi registrada por ele e guardada em sigilo. 
A expressão "a outra volta do parafuso" é mencionada (e eu vejo como uma explicação para o título):

"Se uma única criança aumenta a emoção da história (de terror) e da outra volta no parafuso, que diriam os senhores se fossem duas?"
Eu encontrei uma explicação na internet sobre essa expressão - com duas traduções de textos coo exemplo. Deixo-a a seguir:

Transcrevo o trecho da edição da Victor Civita (1988):
"[...] que o fato de haver aparecido, em primeiro lugar, a um menino de tão tenra idade lhe confere uma característica particular [...] Se uma única criança aumenta a emoção da história e dá outra volta ao parafuso, que diriam os senhores de duas crianças?" 
Trecho da edição da Penguin/Cia. dasLetras (2011) :
"[...] não se trata da primeira ocorrência de uma espécie encantadora a envolver uma criança. Se uma criança dá ao fenômeno outra volta do parafuso, o que me diriam de duas crianças?" 
Em ambos os textos a palavra 'duas' está em itálico ...
A outra volta do parafuso seria, então, tornar a situação presente pior ainda - dar outra volta no parafuso teria o sentido de tornar a ocorrência do fenômeno mais estranho ainda, uma situação pior ainda, especialmente se narrado não por uma, mas duas crianças ...Em outras palavras, o fantasma aparecer para duas crianças torna o fenômeno mais incrível ainda.
É a minha conclusão depois de um bom tempo tentando entender ....(Essa primeira fase de Henry James foi muito estranha ...)
E buscando mais um pouco, achei esta publicação que também é interessante (Denise Bottman é tradutora e historiadora) :

atualização - gentilíssimo, fred spada fornece em comentário as soluções e esclarecimentos de marcelo pen: 
Seguem as traduções do Marcelo Pen (em "Contos de Horror do século XIX", Cia das Letras, 2005) e seu comentário na apresentação do conto: 
"Se uma criança concorre ao efeito com outro aperto do torniquete, o que diriam de duas...?" (p. 133) 
"(...) mas que apenas exigia enfim, sejamos francos, que se apertasse o torniquete da virtude humana usual." (p 227) 
E a apresentação: 
"Observação: o título 'A volta do parafuso' é um caso clássico, talvez mundial, de tradução equivocada. A rigor, não diz nada em português. Tighten the screw, give the screw another turn e expressões correlatas significam, em geral, aumentar a pressão sobre alguém que já se encontra em posição aflitiva. A expressão lembra o thumbscrew, os 'anjinhos' - antigos anéis de tortura com que se apertavam os dedos das vítimas. Curiosamente, existe em português uma expressão equivalente (inclusive com a reminiscência à tortura) - apertar o torniquete -, que, conforme atesta Antenor Nascentes [Tesouro da fraseologia brasileira], quer dizer 'pôr em situação difícil quem já não está em boa situação'. Não propomos mudar o título do clássico de James, hoje consagrado, mas ajustamos a expressão vernácula nas ocorrências em que o autor usou, posto que com ênfases diversas, a angustiante locução inglesa." (p. 132)

 Ou seja, é uma história de terror onde duas crianças são visitadas por dois espíritos que vivem na casa. A trama prende em cada linha. Eu me arrepiei em vários momentos e mal conseguia fechar o livro para fazer algum trabalho que exigia minha atenção. Tudo era o livro! Adorei muito e está na minha lista de releitura (mas antes buscarei uma edição individual).

Omnia Vanitas 💀 













9 de junho de 2019

Décima Quarta leitura ..


Olá, leitor anônimo!!

Em um dia, duas publicações. Isso que dá deixar acumular postagens! Vamos lá! 

Minha décima quarta leitura foi uma surpresa muitíssimo agradável! Trata-se da obra de Júlio Diniz "As Pupilas do Senhor Reitor". 

Este meu exemplar é um xuxuzinho lindo! Publicado em 1923, 24ª edição, publicado em Lisboa pela editora J. Rodrigues & C.ª; e, tem aquelas páginas amarelas que eu amo e a fonte da letra é perfeita (nem muito pequena, nem muito grande). Uma das coisas que me encanta na escrita clássica (e, principalmente, na portuguesa) é o uso da mesóclise. Adoro! Sou apaixonada por um "vê-lo-ei", "amar-te-ia" .. são deliciosos de ler! 
Este livro não é todo estranho para mim pois eu já assisti alguns capítulos - há muitíssimo tempo atrás, a novela homônima que foi produzida pelo Sistema Brasileiro de Televisão - SBT (de 6 de dezembro de 1994 até 08 de julho de 1995 - obrigada Google!). 

Nesta obra, a primeira que leio deste autor*, duas irmãs são as protagonistas da trama. Margarida e Clara. Duas órfãs, meia-irmãs, que são tuteladas de reitor da aldeia. 
O caráter das irmãs me lembrou muito outras duas meia-irmãs: Elinor e Marianne Dashwood. Sendo a primeira (de ambas as histórias) a mais sensata e a mais nova a mais afetiva de ambas. 

Ao par destas duas moças, Margarida e Clara, estão seus amantes: Pedro e Daniel. E eu gostei de Pedro desde a primeira descrição. Ele não é muito explorado na obra, exceto quando é preciso se referi-lo como noivo de Clara, irmão de Daniel e filho mais de velho de José das Dornas. O trio principal, para mim, é Margarida, Daniel e Clara.
Por se tratar de uma "crônica da aldeia" os personagens são bem simplórios - mas muito divertidos.
Eu gosto muito de romances interioranos; é um charme que não consigo explicar. 

A trama principal se inicia quando Daniel volta do Porto para clinicar na aldeia onde moram seu pai e seu irmão (a única família que ele tem no local - fora aqueles que moram na "cidade").  Como foi para o Porto ainda menino, Daniel adquiriu os modos e a malícia da sociedade que viveu. Ao chegar na terra madre, esqueceu-se que por lá vive-se de outro jeito e, primordialmente, esqueceu-se de cuidar para que boa fama das moças fosse resguardada dos seus modos "mundanos". Muita confusão ele causa para as duas irmãs e para o reitor, em consequência. 

Apesar de simples, a trama envolve de uma maneira muito atraente; o que tornou a minha leitura rápida sem que eu percebesse isso acontecer. 

Lá no Skoob este livro ficou classificado com cinco estrelas e favoritado. Sem dúvidas, farei outra releitura da obra.













*Júlio Dinis é o pseudônimo de Joaquim Guilherme Gomes Coelho

28 de março de 2018

Novela ..

Nathalia Dill é Elisabeta Benedito em Orgulho e Paixão

Olá, noveleiro leitor! 

Eu estou achando fantástica a adaptação das obras (principais) de Jane Austen. Orgulho e Paixão é a novela das dezoito horas da emissora Rede Globo.  

Elisabeta Benedito e Darcy Williamson são personagens inspirados em Elizabeth Bennet e Fitzwilliam Darcy, respectivamente (Orgulho e Preconceito).

As irmãs da família Benedito são um misto de personagens de outros romances:

Jane - Jane Bennet: Orgulho e Preconceito
Cecília - Catherine Morland: A Abadia de Northanger
Lídia - Lídia Bennet: Orgulho e Preconceito
Mariana - Marianne Dashwood: Razão e Sentimento
Alison Steadman, Mrs Bennet, 1995.

E a mãe histérica? Ela está na trama, também; chama-se Ofélia* e é interpretada por Vera Holtz. Mas, Mrs. Bennet sempre terá a atriz Alison Steadman como o suprassumo da perfeição! É a voz dela que ouço todas as vezes que leio Orgulho e Preconceito.


A trama Global ainda apresenta Ema (Emma Woodhouse, do romance Emma); Coronel Brandão (Coronel Brandon, Razão e Sentimento); Susana (Susan, Lady Susan); Camilo Bittencourt (Mr. Bingley, Orgulho e Preconceito) etc. Todos as personagens boazinhas e vilãs (que falta faz a tia Norris!) podem ser encontradas neste link; e para saber quem é quem nos livros da senhorita Austen, basta ler - ou assistir aos filmes/minisséries.

Apesar de todos terem um pouco de Austen, a interpretação de Nathalia Dill para sua Elisabeta tem me arrebatado! Ela consegue atuar mostrando uma Eliza muito coerente com a personagem de Austen. E, outra coisa que eu gostei foram as cores das roupas de Dill; são lindas - sempre com uma cor vermelha para destacar o espírito penetrante da personagem. Eu estou adorando esta versão da sagaz Lizi Bennet. E Mr. Darcy? Thiago Lacerda é perfeito para o arrebatador Darcy!!! Os sorrisos ... aaahhh !!! 

Estou apaixonada por tudo nesta novela, incluindo a fotografia - perfeita! 

Recomendo os romances de Austen e a novela Orgulho e Paixão!

Elizabeta e Darcy (Nathalia Dill e Thiago Lacerda)




*na obra de Jane Austen os pais das irmãs Bennet não possuem nomes próprios, eles são chamados, apenas, de Mr. e Mrs. Bennet.

29 de abril de 2015

Antagonismo..

Dias atrás eu estava assistindo uma novela com a minha mãe. Ela estava jantando na sala e eu fui lhe fazer companhia.

No capítulo daquele dia, dois personagens "A" e "B" estavam discutindo sobre o comportamento corrupto de "C" que permitiu ser corrompido por "D". Listaram as baixas característica de "C" por aceitar o suborno e, desta forma, prejudicar os planos deles.

Antes do final dessa cena, "B" decidiu que faria uma proposta mais vantajosa para "C", então poderiam deixar o plano seguir conforme eles haviam planejado.

Veja só, anônimo leitor, quem são os novos mocinhos da nossa Era. Ao invés de servirem de bom exemplo para "C" e "D", eles mesmo entram no jogo dos "vilões" e fazem sua proposta.

Onde foi parar o bom senso para discernir o certo do errado (para aqueles que acreditam nessa tese).

É um tempo muito contraditório que vivemos. Nesta mesma novela, a moça quer a prova de amor do rapaz fazendo com que ele receba na mesma moeda o mal que ele fez a ela. E pasmem...vai dar certo! O casal ficará junto!

Eu realmente devo ser de outro planeta! Eu acredito que única coisa que pode vencer o "mal" é o "bem". E essa forma de "bem" é contrária as atitudes "más". Será que estou tão errada assim?
Como é possível ser contrária a uma atitude e mesmo assim praticá-la? Como é possível conseguir seguir dois caminhos tão antagônico?

Termino esta publicação com uma frase do meu querido Somerset Maugham e a sua verdade sobre o caráter humano (o qual ele sabe escrever como poucos).



Omnia Vanitas.

9 de abril de 2015

Moll Flanders versus Laura

"Enganado na amizade e traído no amor" - Jane Austen

Este é um post que deveria ter sido postado há, no mínimo, duas semanas. Mesmo tendo a certeza de que eu sou a pessoa que tem mais tempo livre neste planeta, às vezes, eu fico sem ele para me socorrer. Esta publicação é um exemplo.

O problema com algumas postagens é que elas ficam na mente: desenvolvem, mudam, acrescentam...mas fica difícil colocar em palavras. Mas, vamos lá, leitor! Agora vai!!!

Eu estou lendo "Juvenília" de Jane Austen e Charlotte Brontë. E, enquanto lia "Amor e Amizade" eu não pude deixar de lembrar de uma outra personagem muito interessante e semelhante a protagonista desta novela; Moll Flanders - de Daniel Defoe - permeou minha lembrança durante as desventuras de Laura e Sophia.

Moll Flanders, por ela mesma:
"Meu verdadeiro nome é bastante conhecido nos arquivos ou registros das prisões de Newgate e Old Bailey, e certos processos de maior ou menor importância relativos à minha conduta pessoal encontram-se pendentes".
Moll Flanders é aquela ladra que é impossível você odiar. Ela é hilária e, incrivelmente, sem sorte!

Mas ninguém nasce sendo uma ladra. Segundo o relato desta protagonista, ela teve uma vida humilde, porém, dotada de grande estima por aqueles que a criaram. Foi muito bem educada para sua atuação na sociedade: estudos escolares e de prendas domésticas não lhe faltaram.

Logo no início de sua participação na sociedade, ela precisou mudar de casa - era órfã e dependia da bondade de alguém adotá-la. O prefeito e a esposa a acolheram. Porém, este solidário casal tinha dois filhos, os quais se apaixonaram pela nova "irmã". 

Moll Flanders vinha com aquela lábia malandra de quem não quer, querendo. Logo, os tolos caíam na história que ela contava. Mas como já disse, esta protagonista não tinha grande sorte em suas investidas.

Este livro de Defoe é hilário. Impossível querer parar de ler pois a protagonista é "rainha" em entrar e sair de enrascadas. Seus maridos - sim, teve mais de sete, até onde consegui contar - eram mais falidos e malandros do que ela. Pobre Moll Flanders, viveu dias de glória e dias de miséria. Seus dramas eram divertidos e questionáveis. Uma das situações nesta obra de Defoe que chamou minha atenção é a seguinte: Moll Flanders nunca ficou com nenhum dos seus filhos. Para cada parto que ela teve, para cada abandono ela teve uma razão para o fazer. Eu não quis me aprofundar nesta questão durante a leitura, mas em um próxima, prestarei mais atenção: ela sempre deixou os filhos aos cuidados de outras pessoas que tinha um poder aquisitivo melhor que o dela - ato justificado? Ou motivo para se livrar de encontrar o rumo para um possível vida honesta? Moll Flanders é um enigma!

Laura, de Jane Austen, não fica muito longe da personagem de Defoe. Assim como Moll Flanders, Laura é de origem humilde. Seu primeiro casamento foi com um aventureiro que a deixou pobre e logo a largou sozinha com a amiga Sophia. A amiga seguia o mesmo rumo do marido e logo Laura estava envolvida em suas falcatruas - e arrastavam consigo pobres ingênuas que nelas acreditavam, como a tola Janetta que foi convencida pela dupla de que estava apaixonada pelo capitão M'Kenzie - e convencida a fugir com ele. Tudo o que ela faz soa como "inocente", mas é possível perceber que aquele "ar" de ofendida em sua honra é uma fachada para algum ato impróprio. 

Eu recomendo as duas leituras, são divertidas e com um doce mistério sobre o caráter de casa personagem em cena.

Omnia Vanitas.




7 de junho de 2013

A tal da Virgindade..




Estava lendo algumas reportagens na internet, especificamente, na Globo.com. Eu não assisto, com afinco, as novelas. Acho que a última foi "Lado a Lado", porém, sem uma assiduidade marcada.
Bom, a nova novela das vinte de uma, na Rede Globo, chama-se "Amor à Vida". Esses dias, vi uma chamada no site desta novela, algo relacionado à virgindade de uma das personagens. A personagem se chama Perséfone (na mitologia ela casou com Hades, forçada porém, diz a lenda, que ela acabou aceitando-o como marido depois que Deméter -seu pai- quis resgatá-la).
Ela é uma enfermeira, beirando os 40 anos, que ainda não teve relação sexual com nenhum homem. Ao que parece, ela anseia por isso, mas possui "requisitos" - ou os possuía - para que se entregasse ao ato sexual.

O que me deixou indignada é como é tratada a virgindade de Perséfone:

Para quem vem acompanhando as peripécias de Perséfone (Fabiana Karla) para resolver o seu maior problema, a virgindade, aí vai uma pérola: todos já sabem que a enfermeira está atrás de Daniel (Rodrigo Andrade) para que ele a ajude com isso e parece que o fisioterapeuta está disposto a resolver tudo, isso depois de ela dizer que tem um montão de cerveja para ele no apê dela!
Oi? Desde quando "virgindade" é problema? Que cultura é essa que impõe à alguém a necessidade de se envolver sexualmente com outra pessoa para que seja tratada como "normal"?

Eu fui virgem até os meus 24 anos. E nunca vi problema nenhum em ser virgem! Eu achava até divertido "escandalizar" algumas pessoas com essa situação. Eu brincava com minha irmã número 5, dizendo que eu iria bater o recorde dela (que não teve relação sexual até 20 anos). Claro que há o desejo, o libido que, por vezes, parece gritar à plenos pulmões; porém, na minha criação - e não a condeno - eu fui levada por princípios que fizeram com que eu me relacionasse somente nessa idade. E, sem querer frustar meu parceiro, eu poderia ter esperado mais um tempo até ter a primeira relação. Minha visão mudou muito desde aquele dia até hoje.
Atualmente, é tão comum ver adolescentes se relacionando sexualmente, com naturalidade. Algo semelhante à: "um mês namorando, então DEVEMOS transar". Sexo vai além do contato físico. A falta de preparo psicológico para lidar com essa situação é grande. Quantos adolescentes ficam pais e, como consequência, poucos conseguem educar seus filhos com a dignidade necessária: alimentação diária de qualidade, moradia, saúde, escolaridade etc. São pais precoces que não estão preparados para essa função. Os adultos, atualmente, não estão, imaginem, então, os mais jovens e inexperientes.

Podem me chamar de careta e retrógrada, fiquem à vontade, mas, para mim, sexo vai muito além de um simples contato de pele. Há sentimentos envolvidos. São poucos os que possuem discernimento para sair de um relacionamento sem mágoas. Pouquíssimos. O problema não está no sexo, está em relacionar-se com o outro. Sexo é a melhor parte, concordo, mas não é o que garante bons frutos na relação.
Pense comigo, porque se entregar à alguém que não irá respeitar-lhe, cuidar e amar-lhe. Não, eu não li Jane Austen excessivamente. Porém, eu acredito que minha liberdade está em não escolher fazer sexo com outra pessoa porque meus princípios me guiam para isso.
Que liberdade opressora é essa que quer me obrigar a transar para ser "livre"!! Que ditadura é essa que me diz que eu preciso ter vários parceiros para ser vista como "livre"!! De onde tiraram esse absurdo??
Eu quero ser respeitada como mulher, mas não é por isso que vou me relacionar sexualmente a torto e a direito. Quem disse que só poderei ganhar respeito desta forma?
Sou cristã, livre para escolher as minhas atitudes. Eu sigo à Cristo - ninguém me impôs isso, eu escolhi aceitar o sacrifício vicário de Jesus. Eu vivo mediante essa fé. Podem me achar carola, medíocre, ignorante, o que for. São vocês, não sou eu que pensa isso sobre mim. Tenho formação acadêmica, leitura suficiente e fé para discernir o que é bom ou não para mim. Não venham com aquele papo tolo que todo crente é burro!
Sou mulher para escolher se quero ou não ter relação sexual. Assumo minhas atitudes, quer gostem ou não.  Aceito o sacrifício que cada escolha traz.

Omnia Vanitas.


26 de abril de 2013

Atrasada..


Publicação atrasada! Encontrei essa notícia no site Jane Austen em Português (www.janeausten.com.br) da competentíssima (ou você acha que chamariam uma mera leitora de clássicos para fazer a apresentação?) Raquel Sallaberry Brião - acho chique esse nome! rs.

É um capítulo do livro "Sanditon" que foi lançado, ontem, no RJ, com a presença do renomado Ivo Barroso e da mestra Raquel Sallaberry Brião.

Para quem cultua (haha) Jane Austen e tem problemas em ler em língua inglesa (como eu), eis o trecho abaixo para dar uma aguinha na boca e comissão nos dedos!

Omnia Vanitas!




Um cavalheiro e uma senhora, viajando a negócios de Tunbridge para a parte costeira de Sussex entre Hastings e Eastbourne, foram induzidos a abandonar a estrada principal e se aventurar por uma vereda escarpada, e, ao tentarem uma longa subida, meio pedra, meio areia, seu veículo tombou. O acidente ocorreu logo depois de passarem pela única moradia próxima à vereda, casa essa que o condutor da carruagem, ao ser solicitado a prosseguir naquela direção, julgou ser o objetivo final da viagem, e por isso foi com a expressão mais insatisfeita que se viu na obrigação de seguir por ali. Resmungava amiúde e encolhia os ombros, açoitando os cavalos tão duramente que não estaria a salvo das suspeitas de haver feito a carruagem tombar de propósito (especialmente por não ser esta de propriedade de seu amo), caso a estrada não tivesse se tornado indubitavelmente pior do que antes.
Assim que as imediações da dita casa ficaram para trás, deu a entender, com a mais agourenta das fisionomias que, além dali, nenhum veículo, a não ser carroças, poderia seguir com segurança. A gravidade da queda foi amenizada por estarem avançando muito devagar e pela estreiteza do caminho; tanto o cavalheiro, que se arrastou para fora, quanto a companheira, que ele ajudou a sair, a princípio não sentiram mais do que arranhões e os abalos da queda. Mas o cavalheiro havia, no ato de se libertar, torcido o tornozelo; e, logo sentindo os efeitos da torção, teve de interromper suas repreensões ao cocheiro ante a satisfação de ver que estavam bem tanto ele quanto a esposa, indo sentar-se à beira da estrada, incapaz que estava de ficar de pé.
- Estou sentindo algo aqui - disse ele, apertando com a mão o calcanhar. - Mas não se preocupe, minha querida - continuou, olhando para ela com um sorriso -, isso não poderia, como sabe, ter ocorrido em lugar mais propício, ainda bem. Era o que de melhor poderíamos desejar. Em breve seremos socorridos. Lá, imagino, está a minha cura - disse, apontando para a nítida silhueta de um chalé que se via romanticamente situado em meio a um bosque numa elevação do terreno a pouca distância dali.
- Aquilo não promete ser o próprio lugar? - A esposa desejou fervorosamente que de fato fosse, mas estava ali parada, atemorizada e ansiosa, sem poder fazer nem sugerir nada, até vislumbrar uma primeira e real ajuda no vulto de várias pessoas que vinham em seu auxílio. O acidente fora percebido a distância desde um campo de feno próximo da casa pela qual haviam passado. E as pessoas que se aproximavam eram um bem-apessoado senhor de meia-idade, robusto e de aspecto cavalheiresco; o proprietário do campo, que por acaso estava entre os segadores no momento; e três ou quatro deles entre os mais hábeis que se prontificaram a seguir o patrão; para não mencionar todo o resto do campo, homens, mulheres e crianças não muito distantes dali. O sr. Heywood, tal era o nome do proprietário, aproximou-se com um cumprimento muito cordial, muito preocupado com o acidente, um tanto surpreso em ver alguém arriscar-se em carruagem por aquela estrada, e de imediato ofereceu seus préstimos. Sua oferta de ajuda foi aceita com afabilidade e gratidão, e, enquanto um ou dois homens prestavam ajuda ao cocheiro para levantar a carruagem, o viajante disse:
- Está sendo extremamente gentil, meu caro senhor, e confio em sua palavra. O ferimento que tenho na perna me parece insignificante. Mas é sempre melhor nestes casos, como bem sabe, ter o parecer de um médico sem perda de tempo; e, como a estrada não parece estar em condições para eu ir ao encontro dele, peço-lhe o favor de mandar um de seus homens buscá-lo.
- Quem, o médico? - perguntou o sr. Heywood. - Temo que o senhor não venha encontrar nenhum médico à mão por aqui, mas devo garantir que poderemos nos arranjar perfeitamente sem ele.
- Desculpe, senhor, mas, se ele não estiver disponível, seu assistente poderá igualmente tratar-me, ou mesmo até melhor. Aliás preferiria que viesse o assistente. Estou certo de que um de seus bons empregados poderá chegar a ele em três minutos. Não preciso dizer que daqui esteja a ver a casa - disse ele olhando em direção ao chalé -, pois, excetuando-se a sua, não passamos nesta região por nenhuma que possa ser a residência de um médico.
O sr. Heywood olhou para ele um tanto espantado.
- O quê, meu caro senhor! Está esperando encontrar um médico naquele chalé? Não temos médico nem assistente em toda a freguesia, asseguro-lhe.
- Peço-lhe desculpas, caro senhor - replicou o outro -, por parecer que esteja a contradizê-lo, mas, considerando o tamanho da freguesia ou alguma outra causa de que o senhor possa não estar ciente, acho que... espere lá... estarei eu enganado quanto ao lugar? Não estou mesmo em Willingden? Aqui não é Willingden?
- É de fato, caro senhor, aqui é certamente Willingden.
- Então, caro senhor, posso lhe dar a prova de que existe um médico nesta freguesia, seja isso do seu conhecimento ou não. Aqui está, caro senhor - disse, tirando do bolso sua agenda -; se fizer o favor de dar uma olhada nestes anúncios, que recortei do Morning Post e da Kentish Gazette ainda ontem mesmo de manhã em Londres, penso que ficará convencido de que não estou falando por falar. Verá que se trata do anúncio da dissolução de uma associação médica "em sua própria freguesia", "expansão de negócios", "reputação ilibada", "ótimas referências", "desejando estabelecer um consultório independente". Aqui está o texto completo, caro senhor - disse ao outro, oferecendo dois pequenos recortes oblongos.
- Meu caro, mesmo que o senhor me mostrasse todos os jornais impressos nesta semana em todo o país, não iria me convencer de que existe um médico em Willingden - disse o sr. Heywood com um sorriso bem-humorado. - Moro aqui desde menino há 57 anos e penso que deveria conhecer o tal personagem. Pelo menos posso me arriscar a dizer que essa pessoa não tem tido lá muito trabalho. Na verdade, se os pacientes tiverem que subir esta encosta em berlindas, não será de bom alvitre para um médico ter sua casa no alto da colina. Quanto àquele chalé, posso assegurar-lhe que, na verdade, a despeito de seu ar elegante visto a distância, é tão modesto quanto qualquer outro sobrado da freguesia e que meu caseiro vive num dos extremos e três velhas senhoras no outro.
Ele tomou os recortes enquanto falava e, tendo-os examinado, acrescentou:
- Creio ter agora a explicação. O senhor se enganou foi de lugar. Há duas Willingden nesta região. E estes anúncios devem se referir à outra, que é a Great Willingden, ou Willingden Abbots, que fica a dez quilômetros de distância do outro lado de Battle. Lá bem no meio da mata. E nós, caro senhor - acrescentou um tanto orgulhoso - estamos fora dela.
- Não lá no meio da mata, sem dúvida - replicou o viajante gracejando. - Levamos meia hora só para subir a colina. Bem, é forçoso dizer que o senhor tem razão e que cometi uma tremenda e estúpida mancada. Por questão de um momento. O anúncio só despertou minha atenção na última meia hora em que passamos na cidade; tudo na pressa e na confusão que sempre ocorrem numa curta estadia por lá. A gente nunca consegue concluir nada na linha de negócios, bem sabe, até que a carruagem chegue à porta. Então, satisfazendo-me com uma breve indagação e achando que estávamos de fato a pouco mais de dois ou três quilômetros de uma Willingden, eu não pensei mais nada... Minha cara (para a esposa), lamento muito tê-la metido nesta enrascada. Mas não se alarme em relação à minha perna. Não tenho dores enquanto estou quieto. E, assim que esta boa gente conseguir botar a carruagem de pé e atrelar os cavalos, a melhor coisa que teremos a fazer será voltar pelo mesmo caminho até a bifurcação e seguir de lá para Hailsham, em direção a casa sem esperar mais nada. Em duas horas estaremos lá a partir de Hailsham. E, uma vez lá, teremos o tratamento à mão, bem sabe. A brisa do nosso pequeno braço de mar logo me porá novamente de pé. Pode confiar, minha querida: é um caso para o mar resolver. O ar salino e as imersões farão o resto. Já estou pressentindo tudo isso.
De maneira muito cordial, o sr. Heywood interferiu neste ponto, rogando-lhes que não pensassem em prosseguir antes que o tornozelo fosse examinado e que tomassem algum refresco em sua casa, e instando-lhes cordialmente a que a usassem para ambos os propósitos.
- Sempre temos boa provisão de remédios caseiros para torceduras e arranhões. E garanto-lhes que minha mulher e minhas filhas terão muito prazer em servi-los naquilo que estiver a seu alcance.
Uma ou outra pontada, na tentativa de mover o pé, convenceu o viajante a considerar com mais atenção do que antes os benefícios de uma imediata assistência, e, consultando a esposa em rápidas palavras (- Bem, minha cara, penso que será melhor para nós), voltou-se de novo para o sr. Heywood e disse:
- Antes de aceitarmos sua hospitalidade, caro senhor, e a fim de afastar qualquer impressão desfavorável que esta perseguição absurda em que me encontrou lhe possa ter causado, permita que me apresente. Chamo-me Parker, o sr. Parker de Sanditon; esta senhora, minha esposa, é a sra. Parker. Estávamos vindo de Londres para a nossa casa. Embora eu não seja de modo algum o primeiro da família a ter uma propriedade rural na freguesia de Sanditon, meu nome talvez seja desconhecido a esta distância da costa.
Mas quanto a Sanditon... certamente todos já ouviram falar de Sanditon. O local favorito para uma nova e crescente estação balneária, decerto o lugar favorito entre todos os que se situam na costa de Sussex; o mais favorecido pela natureza e que promete vir a ser o escolhido pela gente...
- Sim, já ouvi falar de Sanditon - replicou o sr. Heywood.
- A cada cinco anos, a gente ouve falar de um novo lugar ou de outro que esteja começando na praia e entrando na moda. Como poderá a metade deles ser povoada é o que me surpreende! Onde encontrar tanta gente com dinheiro e folga para ir a eles! Um mau negócio para a região, certamente os preços dos gêneros irão subir e os pobres sofrerão ainda mais... como talvez o senhor também ache.
- De maneira alguma, meu caro senhor, de maneira alguma - exclamou o sr. Parker impaciente. - Pelo contrário, asseguro-lhe. É a ideia geral, mas um equívoco. Isso pode se aplicar aos lugares desenvolvidos, superpovoados como Brighton ou Worthing ou Eastbourne, mas não a um vilarejo como Sanditon, impedido por suas dimensões de sofrer quaisquer males da civilização; ao passo que o crescimento do lugar, as edificações, as sementeiras, a demanda por tudo e a segura existência das melhores companhias (dessas famílias regulares, sólidas e reservadas dotadas de nobreza e caráter que são uma bênção em qualquer parte) estimulam o trabalho dos pobres e difundem o conforto e o desenvolvimento de toda a sorte entre eles. Não, meu caro senhor, asseguro-lhe que Sanditon não é um lugar...
- Não quis dizer que não haja exceções em algum lugar em particular - respondeu o sr. Heywood -, só penso que a nossa costa está repleta deles. Mas não seria melhor levar o senhor...
- Nossa costa está repleta! - repetiu o sr. Parker. - Talvez nesse ponto não possamos de todo discordar. Pelo menos já há o bastante. Nossa costa já está muito explorada. Não precisa de mais. Atende ao gosto e às finanças de cada um. E essa boa gente que está tentando ampliar o número das estações balneárias, na minha opinião, insiste num exagero e em breve se verá vítima de seus próprios cálculos falaciosos. Um lugar como Sanditon, senhor, posso dizer que foi sonhado, foi exigido. A natureza selecionou-o, indicou-o em caracteres maiúsculos. A brisa mais pura e suave da costa, tida como tal, banhos excelentes, areia fina e firme, águas profundas a dez metros da praia, sem lama, sem ervas, sem pedras escorregadias. Nunca houve um lugar mais claramente projetado pela natureza para ser o balneário de enfermos, o verdadeiro lugar de que milhares de pessoas estavam à procura! À mais conveniente distância de Londres! Um quilômetro e meio mais perto do que Eastbourne. Imagine apenas, senhor, a vantagem de economizar toda essa distância numa longa viagem. Mas Brinshore, senhor, na qual acredito esteja pensando, as tentativas de dois ou três especuladores em Brinshore no ano passado de promover aquele mesquinho povoado, situado como está entre um charco estagnado, uma charneca árida e as constantes emanações de um brejo de algas putrefatas, não pode resultar em nada a não ser em decepção. E, em nome do bom senso, Brinshore poderia ser recomendável? Um ar muitíssimo insalubre, estradas sabidamente detestáveis, água suja sem igual, sendo impossível ter-se uma boa chávena de chá num raio de cinco quilômetros em redor. E, quanto ao solo, é tão gelado e infértil que nem consegue produzir um repolho que seja. Confie em mim, senhor, que esta é uma descrição a mais fiel de Brinshore, sem o mínimo grau de exagero, e se o senhor ouviu falar dela de modo diverso...
- Meu senhor, eu nunca ouvi falar dela em toda a minha vida - disse o sr. Heywood. - Nem sabia que havia tal lugar no mundo.
- Não sabia! Veja, minha cara - voltando-se com exultação para a esposa -, veja como são as coisas. Eis a celebridade de Brinshore! Este senhor nem sabia existir tal lugar no mundo. Pois bem, meu senhor, na verdade creio que poderíamos aplicar a Brinshore aqueles versos do poeta Cowper descrevendo a aldeã religiosa, que ele opõe a Voltaire: "Ela nunca ouviu falar de algo que esteja a cerca de um quilômetro de casa."
- Sinceramente, caro senhor, aplique a isso os versos que quiser. Mas quero ver é algo aplicado à sua perna. E estou certo, pelas feições de sua senhora, de que ela é bem da minha opinião e acha inútil estarmos perdendo mais tempo aqui. E lá vêm minhas filhas para falar por elas próprias e pela mãe delas.
Duas ou três jovens amáveis e simpáticas, seguidas por outras tantas criadas, estavam agora saindo das portas da casa.
- Estava admirado que o alvoroço ainda não tivesse chegado a elas. Um incidente deste gênero logo se torna um acontecimento num lugar solitário como o nosso. Agora vejamos, senhor, qual a melhor maneira de conduzi-lo até a casa.
As jovens chegaram e disseram tudo o que seria próprio para reforçar as ofertas do pai e sem a menor afetação trataram de propiciar comodidades aos viajantes. Como a sra. Parker estivesse ansiosamente necessitada de repouso, e o marido a essa altura não muito menos inclinado a isso, não fizeram cerimônia; mesmo porque a carruagem, agora posta em pé, revelou ter sofrido no lado da queda tais estragos que tornavam imprópria a sua utilização. O sr. Parker foi carregado então para a casa, e a carruagem empurrada para dentro de um galpão vazio.

15 de abril de 2013

Idem..


Encontrei essa reportagem no FB e decide aderir à ideia.

Até o final deste ano, estarei disponibilizando uma caixa desta em meu bairro. Escolherei um ponto estratégico, comprarei (e aceitarei doações) livros em geral e semearei boa cultura.

Deixo, agora, a reportagem extraída da página Viciados em Livros.

Tenham um bom dia!

Omnia Vanitas.


Olha que projeto legal! LITTLE FREE LIBRARY!

Apesar do tamanho exíguo, a ideia é grandiosa. Inaugurada em 2009 nos Estados Unidos, a intenção da Little Free Library é, como diz o nome, ser uma pequena biblioteca de graça, onde os livros circulam livremente. É uma biblioteca de bairro: pode ficar dentro de um café, por exemplo, ou no quintal de casa. A condição é que a casinha, feita com material reaproveitado, sirva como ponto de partida e de chegada de obras literárias.

O projeto, que inicialmente almejava algo em torno de 2.500 pontos, deslanchou. Se em 2011 os criadores Todd Bol e Rick Brooks festejavam a marca de cem bibliotecas, em 2013 viram o número extrapolar para seis mil, somando um total de dois milhões de livros trocados em mais de 32 países.

No Google Maps, há um mapeamento de todas as coleções registradas, incluindo três na África (bit.ly/JDzl7o). Na América do Sul, ainda não há nenhuma. A estimativa é que, seguindo esse ritmo, até o fim do ano o projeto alcance impressionantes 25 mil registros.

As pessoas que doam seus livros são encorajadas a escrever um pequeno bilhete apresentando o conteúdo. E os leitores seguintes, de preferência, devem adicionar suas impressões ao papel. A ideia é que a seleção seja formada por “títulos preferidos” — incluam-se aí romances e histórias infantis — e também por ensinamentos práticos, como manuais.

Para cadastrar uma biblioteca na Little Free Library em sua cidade, é preciso pagar uma licença no valor de US$ 35. O preço cobrado pela casinha varia, mas no site (littlefreeli brary.org.) há instruções completas para se construir uma (aí sim, de graça), usando elementos recicláveis e resistentes. A criatividade cuida do resto.


Fonte: O Globo - 12/04/13 - Por Alice Sant’anna

5 de março de 2013

Novela real..


Está é uma novelinha que eu gosto de acompanhar, quando possível! E, por ser uma novela de época, algumas curiosidades reais se misturam e compõem a ficção; como a reportagem abaixo que está no site da novela LADO A LADO, na Globo.com.


Acuada, Constância (Patrícia Pillar) é capaz de tudo para impedir que Laura (Marjorie Estiano) denuncie um esquema de corrupção no Judiciário do qual a megera faz parte - Constância "comprou" o promotor do processo movido por Isabel. Para isso, ela chega ao limite da razão e interna a própria filha em um sanotório. A autora Cláudia Lage conta que esse momento dramático foi inspirado em histórias reais e serve para mostrar o quanto muitas mulheres sofreram, apenas por sonharem com novos horizontes. Confira a entrevista:
Na época, era comum mulheres serem internadas em sanatórios simplesmente por contrariarem seus pais ou maridos? Isso aconteceu com mulheres que se destacaram pelo trabalho intelectual, no jornalismo, por exemplo?

Cláudia Lage - "Era uma prática comum no século XIX, que perdurou até meados do século XX. Na pesquisa que nossa pesquisadora, Luciane Reis, fez pra gente, os prontuários dos médicos eram impressionantes. As justificativas para a internação parecem inverossímeis aos olhos de hoje. 'A paciente apresenta grave obsessão por livros', 'desprezo pela família', 'excitação sexual nervosa', 'recusa em ter filhos'. Um dado notável é que boa parte das pacientes nos sanatórios eram mulheres que haviam estudado além do estipulado para as mocinhas na época, que só aprendiam o suficiente para ler, escrever e fazer contas. Elas foram além, fizeram o curso normal ou ainda eram normalistas, dedicavam-se ou não ao magistério, mas eram mulheres com o intelectual acentuado, com interesses sociais e profissionais, que fugiam à ideia do casamento e da maternidade como o único destino possível. Não que não quisessem se casar e ter filhos, mas buscavam também a realização pessoal fora da família. Foram tantas mulheres que passaram por isso, a maioria anônimas, que os seus nomes só chegaram a nós por meio de suas tristes histórias, já que todo o impulso delas de independência foi sufocado pelos familiares, o pai ou o irmão, ou pelo marido, que tinham a autorização para interná-las mesmo contra a vontade. Quer dizer, eles tinham o poder de julgar e decidir se suas esposas, irmãs e filhas eram loucas ou não, e interná-las caso assim desejassem. Do mesmo modo, só eles, ou uma junta médica, podia tirá-las do sanatório, ou deixá-las para sempre lá, como foi o caso de muitas".

No sanatório, Laura vai contar com a ajuda de uma interna. Essa personagem representa alguma dessas mulheres que queriam mais da vida?
Cláudia Lage - "Laura vai conhecer no sanatório uma interna, a Judite, que, como ela, não tem nenhum problema psiquiátrico e também foi jornalista quando mais jovem. Inspirada em muitos casos reais, que vimos na pesquisa, Judite foi internada pelo próprio marido e esquecida no sanatório. Quando Laura chega, ela já está lá há 11 anos. A personagem ganhou esse nome, Judite, em homenagem a um texto da escritora Virgínia Woolf, no qual fala que se Shakespeare tivesse tido uma irmã tão talentosa quanto ele, ela nunca teria as mesmas oportunidades, e nunca se tornaria uma grande dramaturga. Virgínia batiza essa irmã fictícia de Judite. Enquanto Shakespeare ia para a universidade, Judite ficava em casa descascando batatas, por imposição dos pais. Essa irmã de Shakespeare, criada pela Virgínia Woolf, simboliza todas essas mulheres repletas de potenciais e de desejos, todos refreados e sufocados pela mentalidade sexista da sua época".
Constância vai ter alguma crise de consciência depois dessa maldade? Ela vai perceber que passou dos limites?

Cláudia Lage - "Constância vive de acordo com os próprios princípios. Ela justifica os atos mais cruéis como um sacrifício pelo bem e pela reputação da família, e fará o mesmo com a internação da Laura. Para ela, a filha passou dos limites ao querer ser uma jornalista profissional, somando a isso a matéria que Laura vai escrever sobre a corrupção no judiciário e a decisão de depor como testemunha da Isabel. No sanatório, a mãe leoa, que, apesar da vilania, ama a filha, dará lugar à mãe cruel e devoradora, que não aceita que o filho reja o próprio destino".

Os Meninos da Rua Paulo - Prefácio

  Olá, abandonado leitor!  Comecei neste final de semana a leitura de "Os Meninos da Rua Paulo". Ainda não cheguei na página 50, a...