Essa é a prateleira da minha mãe.
A história de leitura da minha começou em dezembro de 2010. Infelizmente, ela teve um problema sério de hérnia de disco e precisou ficar de repouso. A maior parte do tempo ela ficou deitada assistindo televisão. Todos sabemos, televisão cansa na primeira parte de um dia.
Percebi que ela estava enjoada dos programas exibidos na televisão e, então, uma manhã, ante de eu ir trabalhar, deixei um livro para ela se distrair. Ela leu até a página vinte e dois. Segundo ela, a história tinha nomes muito estranhos e isso não a entreteu muito e ela abandonou. Esse livro é O Hobbit de JRR Tolkien.
Nessa época, eu estava atrás de um livro que li na minha adolescência: Verde Vale, de Urda Alice Klüeger. Quando o livro chegou, eu o mostrei à ela, como costume. Expliquei a história em um breve resumo e ela se interessou e começou a ler logo depois.
Com isso, ela se animou a ler mais. O primeiro livro que ela comprou foi As Brumas Dançam Sobre o Espelho do Rio, de Urda Alice Klüeger. Infelizmente, o livro veio sem algumas páginas e tivemos que trocar. Foi a única vez que aconteceu até hoje. Depois disso, ela começou a comprar outros livros, também da Urda. Ela adorou ler No Tempo da Bolacha Maria e No Tempo das Tangerinas (continuação de Verde Vale) pois lembraram sua época de juventude. Ela comentava, animada, as semelhanças que haviam com sua vida de solteira. Isso me encheu de alegria.
Depois da Urda, outra autora que ela tem simpatia é Jane Austen. Nem preciso mencionar o orgulho que isso me dá. Ambas, apaixonadas pela mesma escritora. Ela já leu todos os livros publicados da srta. Austen, inclusive a nova edição de Persuasão, da editora Zahar, que eu ainda não li.
Outro tipo de livro que minha gosta é sobre animais de estimação. O primeiro que ela leu foi Marley e Eu. Depois, ela comprou Dewey, um gato entre livros. De presente eu dei As Nove Vidas de Dewey - que comprei na feira do livro esse ano. Ela também tem Minha Vida com Boris, que é a história do cão guia.
Dessa prateleira, o último que ela leu foi Jane Eyre , de Charlotte Brontë (que irá me emprestar). Ela recomendou esse livro às minhas irmãs, claro que nenhuma delas se prontificou a seguir seu conselho. Elas dizem que não têm tempo. Minha mãe retruca e diz: Eu também não tinha, mas arrumei tempo para ler. É só querer.
De Natal, nós, filhas, a presenteamos com O Diário de Anne Frank, As Aventuras de Tom Swayer (ela adorou ler também As Aventuras de Huck Finn), A Cabana e A Abadia de Northanger (que não está nesta foto porque está na minha prateleira :) )
Falta, também, outro livro que ela emprestou para minha irmã Água Para Elefante.
Fora esses livros, ela já leu alguns (muitos) dos meus, como A Espera de Um Milagre, que, assim como Jane Eyre, a fez perder o sono pós-almoço por estar muito interessante.
Uma das coisas que me dão orgulho e ficará marcada na minha memória, é poder sentar ao lado dela e fazer companhia na leitura. Acho isso perfeito. Minha mãe, uma leitora assídua!
Vou deixar aqui a lista de livros que ela leu somente esse ano, de janeiro até agora:
- Bravura Indômita
- Diários de Uma Paixão
- As Aventuras de Tom Swayer
- A Cabana
- A Abadia de Northanger
- O Diário de Anne Frank
- O Guardião de Memórias
- Emma
- As Nove Vidas de Dewey
- O Mágico de Oz
- De Moto pela América do Sul
- As Viagens de Gulliver
- Persuasão (ed. Zahar)
- Jane Eyre
- A Filha do Reverendo.. ela terminará ainda essa semana. De certo, olhará para minha prateleira e dirá: Humm, não tem nada para eu ler!
Amo minha mãe nerd.
Um comentário:
O que posso dizer... PERFEITO!!!!
Me emocionei ao imaginar a cena de vocês duas lendo uma ao lado da outra. Parabéns: pelo amor, pela amizade, pela cumplicidade, pelo respeito, pela compreensão, pelo carinho uma pela outra... enfim, descobrir uma amiga que gosta de coisas em comum na vida da própria mãe só pode ser motivo de muuuuito orgulho mesmo! Parabéns Dona Bárbara, por romper os grilhões e se permitir conhecer novos caminhos e também por ter vencido o desafio de criar e formar "pessoas de bem"! Bem sei que muitos dos desafios foram vencidos solitariamente, mas, quero crer que valeu a pena e pelo que parece, ainda têm valido muito a pena com a caçula dentro de casa.
Vocês têm uma canto muito especial em minhas memórias. Almoços e cafés sempre servidos com muito amor, me possibilitando, mesmo que por breves instantes, fazer parte da vida dessa família!
Um fortíssimo abraço, Joseane.
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