20 de novembro de 2014

Carinho..


Vixi! Hoje eu estou "escrevinhadeira". Mas esse peito precisa desabafar as saudades, as vontades, as ânsias para não morrer sufocado.

E eu estou estou com saudade de Maugham! Sim, eu sei que comecei a ler a senhorita Brontë, e não a desmereço e nem o faço com a minha escolha; mas, Maugham, é o meu queridinho. Maugham é aquele escritor que fala direto à minha alma, que atinge meu coração e que me leva às lágrimas. Eu amo Maugham!  Amo a sua simplicidade ao escrever sobre sentimentos tão puros e nobres como em O Fio da Navalha (onde mora meu inesquecível Larry). Ah! Larry! Quantas vontades você deixou no meu coração! Quantos desejos foram despertados, meu querido! Todos por sua causa! Tudo em mim suspira de saudade de você! Eu não me permito esquecê-lo! Nada poderá me separar do tempo que estive nessa leitura!

E O Véu Pintado? Maravilhoso! Lembro que na madrugada de uma segunda-feira de janeiro em dois mil e treze, eu coloquei esse livro na prateleira aos prantos! Oh! Kitty! Quanto aprendi contigo! Quanto chorei contigo, minha querida! Senti seu sofrimento e sua angústia (ou eram minhas?). Nunca irei esquecê-la! Você é uma mulher incrível, minha heroína.

Como esquecer as aventuras no Oriente em Um Drama na Malásia. O que dizer da riqueza de personagens tão complexos e simples. Que sentimentos um homem pode carregar dentro de si sem que os outros o entendam? Que consequências o ser humano está disposto a suportar em nome de seus ideias?

Maugham é meu amante! Ainda tenho algumas obras suas na minha cesta de Não Lidos. Todas esperando para mudar minha visão de mundo! E eu, ansiando por elas.

Sabe, anônimo leitor, eu não sou leitora de bula de remédio, portanto, quando um livro ou autor me cativam, eu me entrego. E, Maugham é o meu bálsamo para dias enfadonhos. E, hoje, eu estou morrendo de saudade dele - perdão, Charlotte! Saudade das suas palavras francas, hábeis, cheias de substância humana genuína - pois isso é Maugham: um psicólogo sem o ser. Ele é um escritor que consegue atingir a alma em cheio com suas palavras abertas, seu pensamento livre e sua vontade espontânea.

Eis a minha saudade de Maugham ser tão explícita!

Omnia Vanitas.

Referência Literária ..


Aos catorze anos, eu entrei na biblioteca da escola e escolhi um livro. Essa era a tarefa que a professora de Língua Portuguesa - na época foi a querida professora Maria Clara - designou para sua turma do sexto ano.

Lá vim eu com meu livro nas mãos: Verde Vale de Urda Alice Klueger.
Naquele tempo eu não tinha meu sustento para comprar livros, então, eu tinha que me favorecer daquilo que a biblioteca escolar me fornecia. Infelizmente, havia somente esse livro da Urda.

Urda Alice Klueger é uma escritora e historiadora blumenauense. Além de Verde Vale, ela tem outros livros publicados (grifo daqueles que foram adquiridos por mim e pela minha mãe, que adora a Urda):
  
Verde Vale, romance-histórico,
As Brumas Dançam sobre o Espelho do Rio, romance-histórico,
No Tempo das Tangerinas, romance-histórico,  - continuação de Verde Vale
Vem, Vamos Remar, relato,
Te Levanta e Voa, romance,
Cruzeiros do Sul, romance-histórico,
Recordações de Amar em Cuba II, relato,
A Vitória de Vitória, romance infantil,
Entre Condores e Lhamas, relato,
Crônicas de Natal e Histórias da Minha Avó, memórias,
No Tempo da Bolacha Maria, crônica memorialista,
Amada América, crônicas de viagem,
O povo das Conchas, paradidático sobre sua pesquisa pré-histórica (Sambaquianos),
Histórias D´Além Mar, crônicas de viagem,
Sambaqui,
Meu Cachorro Atahualpa,

Bom, mas se você, anônimo leitor, não conhece essa escritora da minha terrinha de Santa Catarina, deixo abaixo uma crônica dela, publica em 2003, chamada Vereda Tropical.

É um grande terreno baldio bem no centro de Blumenau, coisa espantosa nestes tempos de especulação imobiliária.. Eu passo muito ali, mas só comecei a prestar atenção num dia do último verão, no auge do calor, tempo em que parecia que todas as plantas do mundo, grávidas de sementes, preparavam-se para a reprodução.
Naquele dia em que olhei primeiro, o terreno todo estava coberto por generoso capinzal de folhas finas, coisa assim de quase um metro de altura, explodindo de tanto verde, sendo que cada pé de capim tinha um longo fiapo carregado de espigas pejadas de sementes maduras. Tudo era fino, leve e bonito, naquele capinzal; parecia-se com um quadro holandês do século XVII. E lá, pousado nos finos fiapos que sustentavam as espigas, um imenso bando de passarinhos se deliciava comendo as sementes maduras. Era uma barbaridade de passarinhos, penso que centenas e centenas, pequenos e finos passarinhos que deveriam ser muito leves, pois conseguiam pousar sem problemas naqueles fiapos de capim. Eu fiquei a olhá-los, e de repente eles devem ter se assustado com alguma coisa, pois saíram numa revoada, fizeram uma curva no ar – e, sossegados, voltaram ao seu banquete, os pequeninos pés pousados naqueles finos fiapos de capim cheios de espigas maduras. Olhei-os por bastante tempo, e por diversas vezes se assustaram e revoaram – mas sempre voltaram àquela seara generosa feita de sementes de capim. No outro dia eles estavam lá de novo, e no outro também.
Um dia, os passarinhos sumiram – as sementes tinham-se acabado. Mas eu tinha ficado encantada com aquele capinzal que parecia até translúcido de tão verde, bem assim no meio da cidade, e não deixei mais de prestar atenção nele. E o verão acabou, e veio o outono, e o capim continuava lá, já um pouco menos viçoso, agora que passara sua época de reprodução. Imagino que os passarinhos não tenham comido todas as sementes, que muitas delas tenham caído ali no chão, prontas para hibernarem por alguns meses e nascerem na próxima primavera..
E o outono foi fazendo seu trabalho de destruição. A cada dia o capinzal perdia um pouco do seu viço; a cada dia o seu verde ia ficando mais próximo do marrom. Dia a dia, acompanhei o que acontecia naquele terreno baldio.
Um dia, o capim começou a cair, a morrer. E agora já não há mais capim, mas apenas uma palha escura e morta, agora que o inverno chegou mesmo. E então voltou aos nossos olhos o que houvera o tempo todo ali naquele terreno baldio: pedaços de plástico, de vidro, coisas de borracha, sobras de concreto – o lixo que as cidades produzem. Na minha mente, inclusive, ressurgiu o que houvera ali antes: um bar mal-afamado, chamado Vereda Tropical, que criava um certo escândalo na cidade, pois seus freqüentadores amanheciam o dia bebendo e às vezes punham-se a brigar já em plena luz do sol, quando esta é uma cidade que leva muito a sério a coisa da ordem e do trabalho, e se escandaliza quando há quem não vá para as fábricas antes das cinco horas da manhã, e acha que desempregado é alguém cheio de preguiça. Tanto escândalo causou aquele bar que a sociedade constituída não descansou enquanto não lhe passou um trator por cima.
E então, a natureza, benéfica, foi lá e criou aquele emocionante capinzal cheio de passarinhos, para mostrar às pessoas que aquela esquina podia ser LINDA! Pena que o inverno chegou, e eu descobri que debaixo daquele capinzal há o que sobrou do tempo das raivas e dos preconceitos, que nas raízes das coisas belas às vezes pode haver as sobras das coisas ruins. Pode funcionar como uma lição para as nossas vidas. Sempre poderemos criar capinzais cheios de passarinhos nos nossos corações.

Blumenau, 17 de Julho de 2003.

Conselhos de Emily Bronte..


Quando eu olhei esse livro pela primeira vez, eu ri muito! E, lembro que em outra ocasião eu comentei com minha amiga Gisele:

"Imagino que tipos de conselhos esta senhorita Brontë pode dar: 
- seja a melhor amiga do seu amado e depois case com outro porque quem você ama é pobre,
- provoque seu marido com a presença do amor da sua vida dentro da sua casa,
- fale mal dele para sua cunhada que é apaixonada por ele,
- morra, mas antes o responsabilize por isso".

É engraçado pensar que, justamente, Emily Brontë tenha algo a aconselhar na área amorosa, já que morreu solteira e prematura - assim com sua outra irmã, Anne. Se deste trio de irmãs alguém está apta a dar "pitaco" amoroso, eu escolheria Charlotte Brontë, a última a morrer e a única a casar - sem contar que ela tem todo o crédito por criar o sarcástico Edward Rochester (minha versão preferida deste personagem é da edição da BBC de 2006 - uau!).

Mas, não tirando qualquer mérito do livro, deixo a sinopse para quem possa se interessar nele - eu, na minha escolha literária, deixo passar essa aquisição (risos).

Se eu apenas tivesse outra vida, eu conseguiria fazer tudo melhor?
Fiona tem como modelo para a vida a escritora Emily Brontë, que a emociona desde que era criança. Tão profunda e reflexiva quanto a sua ídola, Fiona conta a sua passagem da infância para a vida adulta como uma garota de família simples em Glasgow, na Escócia.

Entre suas irmãs gêmeas irritantes, seus primeiros casos amorosos, a morte de sua mãe, e uma série de acontecimentos que poderiam se passar com todos nós, Fiona, uma sobrevivente nata, encontra na vida de Emily e da família Brontë a inspiração para se tornar uma grande mulher. 


Omnia Vanitas.

19 de novembro de 2014

Nova Leitura ..


Quando a minha leitura está a cem páginas do final, eu olho para minha prateleira de Não Lidos e começo a pensar em um substituto.

Pensei em Stonehenge, do Cornwell; mas minha última leitura, ao final, me inspirou a continuar no campo feminino da literatura. A escolhida foi Charlotte Brontë e sua obra Villette.

Segundo as boas línguas literárias, Villette é a obra arrebatadora desta irmã Brontë. Se você pensou E Jane Eyre? Digo que seu pensamento foi o meu também, mas, como disse, Villette suplanta a sombria senhorita Eyre e sua louca do sótão.

Vou tirar a prova, anônimo leitor.

Omnia Vanitas

Joanas..


Fim.

Há mulheres que servem aos homens; há mulheres que deles se servem.

Ontem terminei minha leitura de Papisa Joana, de Donna Woolfolk Cross. Que leitura maravilhosa.

Continuei a leitura enquanto estava no ponto de ônibus, esperando a condução. Li durante a viagem. E, depois, mais confortável, pedi um suco e fui sentar na praça de alimentação para concluir minha leitura antes da aula de francês.

Que alegria senti. Claro, o final de Joana e do meu querido Gerold foi triste, mas a nota histórica do livro me arrebatou. Eu não ficarei aqui dizendo isso e aquilo, vou apenas deixar abaixo o que me interessou, realmente.

A vida naqueles tempos conturbados era especialmente difícil para as mulheres. Era uma época misógina, informada pelas diatribes contra as mulheres de padres da Igreja como São Paulo e Tertuliano:
E tu não sabes que és Eva?... Tu és a porta do diabo, a traidora da árvore, a primeira desertora à Lei Divina, tu és aquela que seduziu aquele de quem o diabo não se atrevia a aproximar-se... por causa da morte que tu mereceste, o próprio Filho de Deus teve de morrer.
Acreditava-se que o sangue menstrual azedava o vinho, arruinava as colheitas, tirava o fio das lâminas, enferrujava o metal e infectava as mordidas dos cães com um veneno mortal. Salvo raras exceções, as mulheres eram tratadas como se fossem sempre menores de idade vitalícios, sem quaisquer direitos legais ou de propriedade. A lei previa que pudessem ser espancadas pelos maridos. A violação era considerada uma forma menor de roubo. A educação das mulheres era desencorajada porque uma mulher instruída era considerada não só contra a natureza como também perigosa.
Sendo assim, não admira que uma mulher optasse por se disfarçar de homem para escapar a tal existência. Para além de Joana, houve outras mulheres que conseguiram viver sob essa impostura. No século III, Eugênia, filha do Prefeito de Alexandria, entrou num convento disfarçada de homem e acabou por ascender ao cargo de abade. O seu disfarce resultou até ela ser forçada a revelar o seu sexo, numa última tentativa de refutar a acusação de ter desflorado uma virgem. No século XII, santa Hildegunda, utilizando o nome de José, tornou-se irmão da Abadia de Schönau e viveu disfarçada entre os irmãos, até morrer muitos
anos mais tarde. A luz da esperança lançada por estas mulheres brilhou suavemente numa grande escuridão, mas nunca se extinguiu completamente. Se as mulheres quisessem, podiam sonhar. A Papisa Joana é a história de uma dessas sonhadoras.
Existem outros exemplos, mais atuais, de mulheres que conseguiram fazer-se passar por homens, incluindo Mary Reade, que viveu como pirata no início do século XVIII, Hannah Snell, soldado e marinheiro da marinha britânica, uma mulher do século XIX, cujo verdadeiro nome é desconhecido, mas que, sob o nome de James Barry, ascendeu ao posto de inspetor-geral dos hospitais britânicos, Loreta Janeta Vasquez, que combateu do lado dos Confederados na Batalha de Bull Run, sob o nome de Harry Buford. Mais recentemente, Teresinha Gomes de Lisboa passou dezoito anos da sua vida fazendo-se passar por homem, soldado altamente condecorado, ascendeu ao posto de general no exército português e só foi descoberta em 1994, quando foi presa por fraude fiscal e foi forçada pela polícia a submeter-se a um exame físico.

Não é incrível o que mulheres determinadas a sair da ignorância que lhes é imposta se dispuseram à fazer por acreditar no seu valor? Eu fiquei apaixonada por essas mulheres que não permitiram que o fardo do seu sexo lhes oprimisse. Ah! Quem dera as mulheres de hoje pensassem também assim, ao invés de .. deixa para lá! Cada século tem o seu mal, não é mesmo? Nos cabe suportar e suplantar a ignorância que abafa a sabedoria. 

Omnia Vanitas.



Os Meninos da Rua Paulo - Prefácio

  Olá, abandonado leitor!  Comecei neste final de semana a leitura de "Os Meninos da Rua Paulo". Ainda não cheguei na página 50, a...