11 de janeiro de 2015

Sobre as Férias..


Fim das férias!

Quantas coisas eu fiz! Quanta vontade de fazer tantas outras!

Depois da correria do Natal, reformei meu escritório! Ficou lindo! Do jeito que quero, do meu jeito! Meus livros ordenados nas prateleiras que escolhi e fixei! A cor que desejei na primeira reforma...agora é real. Quatro dias de trabalho e a satisfação durará sempre! Nada melhor do que poder realizar aquilo que deseja!

Durante esse tempo, minha leitura não foi neglicenciada. Terminei de ler Villette.  Por conta deste fim, eu comecei outra leitura de Charlotte Brontë, O Professor
Maugham também foi visitado nestas férias: Ah KingHistórias dos Mares do Sul, O Destino de Um Homem e Um Gosto de Seis Vinténs. Dumas também participou com O Filho do Forçado.
Foram ótimas madrugadas adentro junto de cada livro, livre de preocupações, somente o prazer de saborear uma leitura tranquila e gostosa.

Também tive liberdade para visitar a família e ajudar amigos. Pesquei, ri, nadei, suei (rs), brinquei com minha cachorrinha, comprei livros, ganhei presentes e muito mais.

Se gostaria de fazer outras coisas? Eu não mudaria as coisas que fiz, mas teria tantas outras que acrescentaria. Precisaria de mais dias e mais dinheiro (rs).

Férias, na verdade, é igual chocolate: você precisa saborear cada pedacinho antes do fim! 

Agora é aguardar por pequenos feriados e, claro, as próximas férias! Até lá estudar, nadar, trabalhar, curtir os amigos e ... outras coisas (rs).

Então, que comece a labuta!!!

Omnia Vanitas.

Struldbruggs..



Você já leu ou ouviu algo sobre os Struldbruggs?

Eles fazem parte do livro As Viagens de Gulliver de Jonathan Swift. Na edição que tenho desta obra (Nova Cultural)os struldbruggs pertencem à terceira parte do livro: na viagem a Laputa.

Um struldbrugg é uma pessoa imortal. Essa pessoa nasce com uma marca na testa - que indica a família que esta terá um imortal em seu meio.
Quando Gulliver soube desta "benção", imaginou mil e um planos sobre o que fazer a eternidade nas mãos. Lê-se:  
"Respondi afirmando que era fácil ser eloquente quando se tratava de um assunto tão rico e delicioso, especialmente para mim, sempre inclinado a me impressionar com visões do que deveria fazer caso fosse rei, um general, ou um grande senhor;  quanto ao caso de que tratávamos, muitas e muitas vezes eu me enregara a imaginar o sistema no qual encaixaria a mim mesmo e de que maneira aproveitaria o tempo, se fosse viver para sempre.
Isso se houvesse tido a boa fortuna de vir ao mundo como um struldbrugg. Assim que descobrisse minha própria felicidade, como compreendia a diferença entre vida e morte, eu primeiro decidiria entre todas as artes e métodos qual seriam os melhores para me tornar rico; então, perseguindo esta finalidade, com economia e boa administração, eu poderia perfeitamente esperar que após cerca de duzentos anos seria o homem mais rico do reino. Em segundo lugar, iria aplicar-me desde a infância a estudar artes e ciências, com as quias acabaria excedendo todos os outros em conhecimento. Por fim, registraria com imenso cuidado as ações e acontecimentos de importância que ocorressem em público, traçando o desenho, com imparcialidade, dos personagens das várias sucessões de príncipes e grandes ministros de Estado, colocando minhas próprias observações em relação a cada ponto. Descreveria com exatidão as várias mudanças que ocorressem nas roupas, linguagem, moda, dieta e diversões. Por todas estas conquistas, eu seria um tesouro vivo de conhecimento, de sabedoria e certamente seria o oráculo da nação".

Se o ser humano fosse capaz de seguir por esse plano traçado por Gulliver, a humanidade, quem sabe, pudesse dar passos mais firmes para uma sociedade mais justa. Mas Gulliver era um sonhador, não por desejar se tornar sábio, conhecer ou tudo mais, mas porque ele ignorava como vivia um struldbrugg. Leia o exclarecimento que Gulliver obteve:

"...meu intérprete fez um relato pormenorizado a respeito dos struldbruggs que havia entre eles. Disse que geralmente agem como mortais até chegarem perto dos trinta anos, depois dos quais, pouco a pouco, vão se tornando melancólicos e abatidos, sentimentos esse que continuam a aumentar até que chegam aos oitenta. (...) Quando alcançam os oitenta anos, o que é considerado o limite extremo da vida neste país, eles sofrem de todas as excentricidades e doenças dos demais velhos e, além delas, de muitas outras que surgiam com a atemorizante perspectiva de nunca morrer. Não apenas são teimosos, rabugentos, avarentos, taciturnos, presunçosos, tagarelas, como também são incapazes de sentir amizade e encontram-se mortos para todas as afeições naturais, que jamais se prolongam além de seus netos. Os principais alvos contra os quais a inveja deles parece basicamente dirigidas são os vícios  dos mais jovens e as mortes dos mais velhos. (...) Os menos miseráveis entre eles parecem ser aqueles que alcançaram a senilidade e que perderam inteiramente a memória: eles conseguem assistência e despertam mais piedade porque já não têm as muitas más qualidades que sobram nos outros (...)".

Termino aqui um breve registro sobre a descrição dos struldbruggs. O livro terá mais detalhes, mas eu me detenho por aqui.

Entre a descrição de Gulliver e a realidade sobre os imortais, a diferença é enorme. Swift descreve desejos nobres sobre uma imortalidade perfeita, onde o ser humano evoluiria - mesmo que com uma certa dose de mesquinhes - para uma lógica ideal: utilizar-se dos benefícios para aperfeiçoar-se como ser humano. Portanto, os habitantes de Laputa caçoam deste sonho de Gulliver. Os imortais são tão humanos quanto os mortais; quem sabe mais infelizes que os que possuem vida breve. 

Eu lembrei desta história porque estava conversando com uma amiga sobre como somos mais orgulhosos conforme galgamos em idade. Sempre ouvi-se que a idade traz sabedoria. Traz mesmo? Eu vejo que conforme o ser humano envelhece, mais intolerante e esnobe ele se torna. Ele exige um respeito doente sobre um caráter que não lhe cabe gabar-se. Vejo pessoas se distanciando de outras - seja em amizade ou na família - por pura soberba. O ser humano não sabe crescer.

Lembrei também das palavras de Cristo que diz que o homem deve se tornar uma criança para alcançar o Reino dos Céus. Indiferente da fé que você decidiu semear em sua vida, eu digo que a evolução do ser humano é a sua regressão. Enquanto somos crianças, sabemos aceitar o outro seja qual for a cor dele. E, enquanto crescemos em idade, regredimos em sabedoria, mesmo obtendo todo o conhecimento que um ser humano pode obter. Ao avançar em idade, o homem aprimora seu preconceito, se torna avarento e egoísta. Quando cresce, o homem precisa fazer filantropia para se sentir bem. E o faz para ser notado, para ganhar elogios e, talvez, desconto no Imposto de Renda. 
Não estou dizendo que todo ser humano é assim - mas, infelizmente, uma esmagadora maioria pertence a esta classe cruel de gente. 
O homem da regressa evolução desmerece o outro para se sentir bem. Ele precisa que existam pessoas abaixo dele para que se sintam bem e valorizado. 
Que orgulho besta é esse que nos faz rebaixar alguém como se um punhado de dinheiro ou de conhecimento desse seu aval para tal ato? O que está acontecendo conosco? 
Porque aumentamos o muro que nos separa da rua conforme o mundo - que se diz moderno - avança no calendário?  
Se somos tão mais espertos que os nossos antepassados, porque ainda estamos queimando gente na calçadas? Porque ainda há criança sendo violentada na própria família, porque os filhos ainda matam os pais? Essa modernidade me assusta. Esse ser humano está mais para monstro.

Eu gostaria que deixássemos de pensar tanto em celulares, carros, conta em banco, roupa da moda, redes sociais e fôssemos  bons humanos. Gostaria que o Nobel da Paz deixasse de ser exclusivo de uma pessoa e fosse a marca de uma raça humana que aprendeu a conviver em amor com o próximo. Desejo que essa humanidade seja criança para sempre.

8 de janeiro de 2015

A Vaca..


Eu estava indo dormir, mas vi este post no Facebook e decidi escrever umas besteirinhas (rs).

Um um sábado qualquer, eu fui visitar minha professora de língua hebraica para tirar uma dúvida (fico tão feliz quando tenho somente uma dúvida rs) e, enquanto ela atendia uma chamada ao telefone, eu fiquei xeretando os livros - ela é dona de uma livraria. 

Passando os olhos por alguns títulos muitíssimos interessantes, eu descobri Lady Susan. Eu li esse livro durante minhas férias de 2012. E, como naquela época eu já tinha a leitura dos seis livros principais de Jane Austen - a autora de Lady Susan - eu não pude deixar de achar, no mínimo estranho, a mulher que criou Elizabeth Bennet, Elenor Dashwood, Fanny Price, Emma Woodhouse e Anne Elliot (sem citar as coadjuvantes destas heroínas) criar uma mulher tão vaca como Lady Susan
Quando a minha professora desligou o telefone, eu estava com o exemplar nas mãos e disse para ela:

- Se alguém pedir referência sobre este livro, diga: Lady Susan é uma vaca!

Ela riu do meu comentário, e duvido que utilize-o para alguma venda do exemplar (rs).

Mas, leia isso, sonolento leitor, a Editora Pedrazul está fazendo a alegria de muitos leitores (prefiro acreditar que existem homens que curtam essa leitura) publicando uma vasta coleção de livros que foram negados, durante muito tempo, àqueles que somente leem em PTBR.

Além da vaca Lady Susan, também a biografia escrita por um parente de Jane Austen está em lançamento. 
O que espero, ansiosamente, é a publicação das cartas da senhorita Austen para sua amada irmã, Cassandra. Biografias não são meu forte, mas cartas...ah..eu sou apaixonada por cartas, diários e semelhantes. Escritos pelo punho do autor(a). Isso sim é biografia!! 

Outras publicações da Pedrazul (hoje estou pagando pau para essa editora - rs) é meu querido livro Villette e Shirley da irmã Brontë Charlotte. 
O primeiro eu comprei da Pedrazul, mas Shirley eu comprei em um sebo de São Paulo (on line). Trata-se de uma jovem senhora de Sessenta e Cinco anos (completará 66 em Outubro deste ano). É linda! Enxuta! Firme! Com aquele cheirinho de livro velho (rs) e alguns ácaros pendurados. Por sorte achei mais dois exemplares usados, além do meu, e presentei duas amigas que também gostam de Charlotte Bonte. Em Shirley, eu "conheci" o professor Loius Moore...um fofo! 
Termino este post com um trecho do capítulo Vinte e Seis, de Shirley, meu preferido:

...Não gosto das coisas doces, se não são picantes; ou das coisas brilhantes, se ao mesmo tempo não queimam.

Omnia Vanitas.

7 de janeiro de 2015

Eis o Homem ..





Devaneios! Devaneios! Devaneios!!

Estava eu fuçando a ressuscita página do meu perfil no Facebook, quando vi o post abaixo da Editora Pedrazul.


Quando Gaskell escrevia sua obra-prima!

Quando trabalhava nos capítulos finais de Margaret Hale (Norte e Sul), na casa da família perto de Matlock, em Derbyshire, Inglaterra, ela escreveu que, como não podia dar a obra o título idealizado, o nome da sua heroína, preferia chamar seu romance ‘Death and Variations’ e não de “Norte e Sul” como queria Charles Dickens, seu editor, pois na trama havia cinco mortos, cada uma delas maravilhosamente coerente com a personalidade do indivíduo e com a história". Esta observação, provavelmente uma piada, enfatiza o papel importante da morte no desenrolar da obra. A morte afeta Margaret profundamente e, gradualmente, a encoraja à independência, permitindo Gaskell analisar as profundas emoções de sua personagem e concentrar-se na dureza do sistema social através das demais mortes. Loreau and Mrs. H. de Lespine, com a autorização da autora, traduziu a obra para o francês, e a publicou em Paris pela Hachette, em 1859, sob o título de Marguerite Hale (Nord et Sud). Portanto, a Pedrazul não será a pioneira na manutenção do título original. Porém, será a pioneira ao lançar uma obra com duas capas, cada uma delas revelando o teor de seu tema!

Eu li apenas um livro da Elizabeth Gaskell - Norte e Sul - e assisti duas minisséries: Cranford e O Retorno a Cranford. Adorei todos. 

Mas, ou estou muito enganada, todo leitor(a) tem o seu personagem que lhe inspira suspiros. Eu tenho vários (rs). Mas, sobre todos eles existe John Thornton. Oh! Que homem perfeito! Por tanto tempo Edmond Dantés e Mr. Darcy estiveram neste posto; mas Mr. Thornton veio, muito mansamente, arrebatar-lhes o lugar de honra (rs).

E, porque ele ocupa este posto? Porque ele é humano em seus sentimentos com a amada! Mr. Thonrnton não te a pretensão de ser este ser intocável que é meu querido Dantés ou nobre como Mr. Darcy. Ele é apenas Thornton! Ahh que delírio - hahaha.

Eu estava procurando a minha passagem preferida no livro Norte e Sul... E, agora, deixo-a para você, leitor anônimo, como um pedaço do meu devaneio:

A voz dele estava rouca e trêmula de paixão, quando disse:
– Margaret!
Por um momento ela o olhou. Então tentou ocultar os olhos luminosos escondendo o rosto nas mãos. Novamente, chegando mais perto, ele voltou a chamar o seu nome, com voz trêmula e ansiosa.
– Margaret!
Mais sua cabeça baixou, mais o rosto se escondeu, quase descansando na mesa diante dela. Ele se aproximou. Ajoelhou-se ao seu lado, trazendo o rosto até o seu ouvido, e sussurrou ofegante as palavras:
– Tome cuidado... Se você não falar, eu a reivindicarei como minha, de algum modo presunçoso e estranho. Me mande embora agora, se eu tenho que ir... Margaret!

Omnia Vanitas

Foto: Richard Armitage (intérprete de Mr. Thornton na produção da BBC de Londres).

5 de janeiro de 2015

O Menino das Meias Vermelhas..



Estou eu colocando minha missiva em dia e ouvindo rádio. E, o conto "O Menino das Meias Vermelhas" de Carlos Heitor Cony foi narrado durante a programação de "O Conto do Vigário". Segue ..


Todos os dias, ele ia para o colégio com meias vermelhas.
Era um garoto triste, procurava estudar muito mas na hora do recreio ficava afastado dos colegas, como se estivesse procurando alguma coisa. Os outros guris zombavam dele, implicavam com as meias vermelhas que ele usava.

Um dia, perguntaram porque o menino das meias vermelhas só usava meias vermelhas.
Ele contou com simplicidade:
- "No ano passado, quando fiz aniversário, minha mãe me levou ao circo. Botou em mim essas meias vermelhas. Eu reclamei, comecei a chorar, disse que todo mundo ia zombar de mim por causa das meias vermelhas. Mas ela disse que se me perdesse, bastaria olhar para o chão e quando visse um menino de meias vermelhas saberia que o filho era dela".

Os garotos retrucaram:
- "Você não está num circo! Porque não tira essas meias vermelhas e joga fora?"

Mas o menino das meias vermelhas explicou:
- "É que a minha mãe abandonou a nossa casa e foi embora. Por isso eu continuo usando essas meias vermelhas. Quando ela passar por mim vai me encontrar e me levará com ela".

Os Meninos da Rua Paulo - Prefácio

  Olá, abandonado leitor!  Comecei neste final de semana a leitura de "Os Meninos da Rua Paulo". Ainda não cheguei na página 50, a...