9 de março de 2015

A Diplomacia de Elinor Dashwood - parte 1


Lendo Razão e Sensibilidade desde o segundo dia do mês de março, estou cada vez mais encantada com essas duas mulheres.

Já mencionei neste blog minha defesa à favor de Marianne Dashwood, agora, neste post eu quero declarar toda a minha admiração por Elinor Dashwood e a sua diplomacia.

Desde sábado, enquanto lia mais e mais, eu percebi que Elinor estava longe de ser um garota sem sal ou conformada. Elinor Dashwood é uma exímia diplomata. Ela não promove guerras ou discussões, mas promove a aquieção de ânimos exaltados e ações inadequadas ao momento.

No capítulo dezenove, ela se irrita com Edward Ferrars (seu amor). As atitudes dele com ela são incógnitas que Elinor não compreender. E, ao invés de procurar a autopiedade ou a condenação prévia à Edward. Lê-se:

Apesar de desapontada, aborrecida e às vezes desgostosa com o modo de agir instável que ele apresentava em relação a ela, sentia-se disposta a considerar o conjunto das atitudes de Edward com a cândida boa vontade e o generoso apreço que sua mãe demonstrara ter para com Willoughby, apesar desse cavalheiro ter feito com que ficasse triste e preocupada.

E, para que não pensem que Elinor era uma garota sem coração, a despedida de Edward não lhe deixou de ser sentida. Ela representa esse espírito moderno que não se permite abalar além do necessário. Elinor Dashwood jamais choraria suas mágoas em redes abertas de internet e páginas de relacionamento. Seus sentimentos lhe pertenciam e a ninguém – além daqueles que julgava necessário comunicar – declarava o estado que se encontrava sua alma. Este é o bom senso de Elinor. Assim que Edward partiu, ela reagiu de um forma muito moderna:

Elinor sentou-se a sua mesa de trabalho assim que Edward saiu do chalé e manteve-se ocupada o dia inteiro; não evitava ouvir ou falar no nome dele; mostrava-se mais interessada do que nunca nos problemas gerais da casa e da família. Se bem que não diminuísse seu sofrimento agindo dessa maneira, pelo menos evitava que sua mãe e as irmãs fossem inutilmente sobrecarregadas com mais uma preocupação provocada por ela.

Nada de comentários depressivos ou jargões românticos de baixo calão: Elinor prefere a privacidade.

Agora, permita-me, anônimo leitor, sair do capítulo dezenove e ir para o capítulo vinte e dois.

Neste capítulo, ainda amando o quieto, tímido e depressivo Edward Ferrars, Elinor conhece duas irmãs muito chatas! Sim, pelo amor de todas as coisas boas, as senhoritas Steele são duas garotas muito sem graça, ignorantes e hipócritas que se julgam “animadas”. Anne é o nome da mais velha e Lucy a mais nova. Entre as conversas que acontecem em Barton Park (ponto de encontro da pequena sociedade das mulheres Dashwood), Lucy descobre, através da tagarelice da senhora Jennings, que Elinor possui um admirador de sobrenome “Ferrars”. As antenas de vinil da jovem senhorita Steele se alarma e ela procura estar mais próxima de Elinor para “abrir seu coração” – garota sínica! E, neste capítulo em especial, a minha heroína descobre que a patética senhorita Lucy Steele está noiva de Edward Ferrars. Deixe-me descrever esta apática senhorita Steele nas palavras de Elinor:

Lucy era inteligente, esperta; em geral, seus comentários eram procedentes e divertidos. Tratava-se de uma companhia que Elinor considerava agradável por meia hora. Os dotes naturais de Lucy não haviam recebido o reforço de uma boa educação; ela era ignorante, iletrada e a deficiência de qualquer aperfeiçoamento mental, a falta de informação a respeito dos assuntos mais comuns, não podiam passar despercebidos da srta. Dashwood, a despeito da constante atitude da jovem Steele para demonstrar vantagens. Elinor percebia, e sentia pena dela por isso, o desperdício de habilidades que uma boa educação tornaria excelentes. Mas também via, com menos impulsos generosos, a falta de delicadeza, de retidão moral e de integridade de opiniões que era demonstrada pelas atenções, pela bajulação e dissimulação, enfim pelo modo que a moça agia o tempo todo que passava em Barton Park. E Elinor era incapaz de sentir satisfação na companhia de uma pessoa que unia absoluta dissimulação com ignorância, cuja falta de instrução impedia que conversassem em pé de igualdade e cuja conduta para com os outros demonstrava uma atenção e deferência que revelavam completa ausência de respeito por si mesma.

Elinor não é de ferro nem de pedra. Ficou abalada com a declaração da “amiga” e, conhecendo o caráter de Edward e de Lucy, conclui que seu amado estava em mãos lençóis. Mas, não se abateu mais do que necessário, pois precisava averiguar a veracidade da informação declarada por aquela barata morta da Lucy Steele. Deixou a garota falar tudo o que lhe convinha falar. Analisou suas frases, o olhar que lançada sobre ela [Elinor] após cada informação dada. Elinor, impassível, absorvia cada momento e sabia que Edward não poderia amar uma mulher como Lucy Steele. Ela, Elinor, era superior àquela que, nem de longe, poderia ser chamada de “rival”.

Mas era verídico, o estúpido Edward havia firmado noivado com Lucy Steele fazia quatro anos. E, no capítulo vinte e três, houve a revanche daquele encontro, pois Elinor não deixaria passar barato aquela situação.

6 de março de 2015

Carta...



Terminando a sexta- feira com a surpresa de, ao chegar em casa, ter uma carta do clube de leitura me esperando!
Parei tudo o que tinha planejado para responder esta missiva!!!

Omnia Vanitas!

Em Defesa de Marianne Dashwood..



Caro leitor, caso você não tenha o conhecimento de quem Marianne Dashwood eu lhe direi: ela é o "sentimento" no livro de Jane Austen intitulado Razão e Sensibilidade. Claro que "razão" também é um sentimento - classificado como Bom Senso - mas Marianne é a mais pura essência da sentimentalidade: impulsiva, apaixonada, sem compromisso com a opinião alheia sobre seus atos: vive a vida como se não houvesse outro dia ... Essa é Marianne Dashwood.

Parece, a primeira leitura, que Marianne é o elo fraco da leitura. Ela é aquele personagem que quando lemos, em nosso âmago, não queremos ser pois sabemos que sua conduta não é apropriada. 

Estou na minha segunda leitura de Razão e Sensibilidade, e olhei para Marianne sob um novo prisma.
Eu não a condenarei por se apaixonar por Willoughby. Pensem comigo: é muito normal se apaixonar nas circunstâncias de Marianne:

A aparência e o jeito do cavalheiro eram sem tirar nem pôr os mesmos do herói da história favorita criada por sua fantasia, e, ao carregá-la no colo até dentro de casa, sem a menor formalidade prévia, demonstrara uma rapidez de pensamento e de ação que o recomendava de modo muito particular. Tudo que se referia ao sr. Willoughby era interessante. Seu nome soava bem e ele morava na mansão preferida de Margaret.

e...
...Marianne perguntou-lhe sobre livros; foram pronunciados os nomes de seus autores favoritos e ela discorreu sobre eles com entusiasmo tão arrebatador que um homem de vinte e cinco anos teria de ser o mais insensível do mundo para não se convencer da excelência de tais trabalhos, mesmo que antes não lhes desse atenção. O gosto deles era parecido de tal maneira que chegava a ser chocante. Os mesmos livros, os mesmos trechos eram idolatrados por ambos - ou se aparecesse alguma diferença, se surgisse alguma objeção, estas não resistiriam por muito tempo diante da força dos argumentos de Marianne e do brilho de seus olhos. Ele concordou com todas as afirmações dela, partilhou todos os seus entusiasmos e, muito antes da visita terminar, conversavam com a familiaridade de velhos conhecidos.

 Marianne Dashwood não tinha nem dezessete anos quando conheceu Willoughby. E, nessa época, ela acreditava que amaria somente uma vez, e este amor é Willoughby.
A "desculpa" para este personagem é a sua idade e inexperiência. Mas, e quando crescemos e nos apaixonamos "perdidamente" pela segunda, terceira, quarta ...? O que fazer quando julgamos ser tão "senhores de si" mas nos ajoelhamos perante a personificação de nossa fantasia romântica?
Platão, o filósofo, disse que "Todos nos tornamos portas ao toque do amor". Não discordo! Está correto! Julgue Marianne Dashwood e lhe digo que você nunca soube o que é ser arrebatado do estado de torpor à embriagues de um sentimento fulminante!
Diga que nunca amou! Diga que é ridículo! Mas veja em si mesmo o que já fez em nome de um sentimento romântico: eu o desafio, quieto leitor, que diga que nunca chegou mais cedo em um lugar para ficar mais tempo da pessoa querida, ou que fingiu uma desculpa para falar com o ser "amado" ...Nós não raciocinamos fora do sentimento quando estamos apaixonados! Como afirma Platão, somos porta!
Meu último professor de Filosofia dizia que o homem precisa de apaixonar, o ser humano precisa desse sentimento que faz o corpo inteiro mudar de comportamento. O homem, como criatura, precisa dessa aventura de "apaixonar-se" para se sentir vivo. Então...

Viva Marianne Dashwood!

...e deixe as consequências para depois!

Omnia Vanitas.

5 de março de 2015

Arquivo X: A Besta Humana

Costelinha aproveitando a leitura de Arquivo X: A Besta Humana

Mais um domingo ao lado do agente federal Fox Mulder! 

No último domingo a história foi sobre a disputa de terras entre os "pele branca" e os nativos americanos. 
Até então, Fox Mulder não tinha nada o que fazer lá, mas quando um assassinato acontece, ele tem o álibi perfeito para se intrometer. 
O indígena que estava na disputa de terras foi baleado a queima roupa pelo fazendeiro com quem disputava a demarcação do terreno.

Mas, ainda assim, Mulder não tinha nada o que fazer ali - mas ele carregou Scully com ele. 

Mulder, Scully e alguns papéis do Arquivo X foram em direção ao crime.

Jim Parker jura que atirou em um animal que atacava seu filho, Lyle. Porém, quando iluminou o suposto animal abatido, encontrou o índio jazendo em sua frente. Como explicar? Como se defender desta acusação?

Scully ficou incrédula com a implicância de Mulder querer este caso, sendo que não havia nada de "sobrenatural" para investigar - até o parceiro encontrar um pedaço de pele no local do crime. Como uma pela humana pode estar no local onde havia somente marcas de um animal? Se esta pele não era do índio Joe Goodesnaker, de quem (ou do que) poderia ser? Agora Mulder tinha o motivo.

Como apreciador de crenças, Mulder encontra um elo para sua teoria da troca de pele.

Omnia Vanitas.



2 de março de 2015

Arquvo X: Fraude..




A aventura desta vez se chamou "Fraude". O título original é "Humbug". Se você, anônimo leitor, já leu um livro de Charles Dickens entitulado "Um Conto de Natal" (na versão original), já está familiarizado com esta expressão "Humbug" pois ela é o "chavão" do personagem principal, o resmungão e mau humorado Ebenezer Scrooge.

Mulder e Scully vão investigar a morte de alguns artitas de circo - pouco convencionais. A morte do Homem Crocodilo deu início a investigação.

Os agentes federais entram no mundo do "freak show" e Mulder se sente em casa.
Mulher barbada, irmãos que compartilham apenas um par de pernas, anões, etc etc, são os suspeitos da vez. Mas quem?

A trama também apresenta a discriminação por causa da fisionomia dos atores deste circo e também as fraudes que existem para vender o espetáculo.







Os Meninos da Rua Paulo - Prefácio

  Olá, abandonado leitor!  Comecei neste final de semana a leitura de "Os Meninos da Rua Paulo". Ainda não cheguei na página 50, a...