12 de novembro de 2012

Correspondências e confidências ...


Da última vez, a postagem foi uma carta de Raimundo à ingrata Ana Rosa! Se a sua pergunta é se terminei de ler "O Mulato"; sim, terminei! No momento, estou lendo "O Quarto Vermelho" de Alexandre Dumas, um mulato. Ainda pretendo escrever mais coisas sobre o livro de Aluísio de Azevedo mas, agora, quero deixar mais uma carta. Fiquei empolgada com essa "coisa" de publicar cartas. Pretendo, desde dia em diante, publicar todas as cartas interessantes que permearem meus livros.

Em "O Quarto Vermelho", um delicioso suspense à la Dumas, a sofrida Albina d'Eppstein, esposa do tirano Maximiliano, escreve a carta que transcreverei abaixo, à sua amiga Guilhermina Gaspar. Esta carta sugere um testamento, visto a crueldade que sofre a jovem condessa.

Lê-se:

"Não me é somente proibido ver-te, minha boa Wilhelmina, mas, também, escrever-te.
Por isso, esta carta só te será entregue, se eu morrer. Penso que a morte me desobrigará de tal obediência.
Não te admires destas triste apreensões, Wilhelmina: é preciso prever tudo, no estado em que me encontro. No entanto, não quereria deixar a vida, sem te-te feito, a ti, que sempre me foste tão dedicada, as dádiva do meu coração. São coisas a que se prendem todos os agonizantes, que amaram.
Meu Deus! Não sei por que as palavra saem tão tristes da minha pena, uma vez que me sinto tão alegre e tranquila. Neste momento, sorrio ao lembrar-me dos projetos que fazíamos, há dois meses. Lembras-te? Em todo caso, vou repeti-los, pois, de parte a parte, esses projetos eram quase compromissos.
Wilhelmina, prometeste-me amamentar meu filho, se eu lhe faltasse. Não te esqueças dessa promessa, pois confio nela, compreendes? Viverei, sim, espero viver para lembrar-te eu mesma. Mas ficarei mais sossegada, recordando-o aqui, no momento em que tomo uma resolução solene.
Não é tudo, Wilhelmina. Escuta: se Deus me chamasse, estou certa de que o conde Maximiliano educaria o meu filho nobremente e com todo o cuidado, mas a educação da alma, compreendes, a que se recebe nos joelhos da mãe, só uma mulher a pode dar. Os homens ensinam bem a vida, mas só as mulheres sabem ensinar o Céu... Tu, que me conheces, falar-lhe-ás de mim, muito melhor do que o pai poderia fazê-lo, que nunca me compreendeu. Fala-lhe de mim, Wilhelmina, com frequência, sempre; faz que ele me conheça com se me tivesse visto. E, depois, minha boa Wilhelmina, não lhe recuses as carícias que são tão necessárias às criancinhas, quanto o leite que as alimenta.
Pobre órfão! Que ele cresã na tua ternura e no teu amor! Sê para ele não só uma ama, mas também a mãe.
Será bem tudo isto o que quereria dizer-te? Sim, mas se por acaso esquecer alguma coisa, o teu coração adivinhará o resto dos meus pensamentos.
Mas, sem dúvida, tu deves achar-me bastante egoísta. Ainda não escrevi uma palavra a teu respeito! Aliás, ao recomendar-te o meu filho, vais ver que não me esqueci do teu. Neste envelope, encontrarás duas cartas, uma dirigida à superiora do convento de Tília Sagrada, outra ao major Kniebis, em Viena.
Se te nascer uma filha, enviá-la-ás, quando tiver cinco ou seis anos, com a primeira destas cartas, à minha boa tia, a abadessa Dorotéia, que foi para mim uma segunda mãe. A meu pedido, Wilhelmina, ela receberá imediatamente a tua filha no convento, onde fui educada juntamente com as primeiras herdeiras da Alemanha. Tempos felizes em que eu cantava tão alegremente os cânticos do Senhor. Aí, tua filha receberá uma boa e santa educação.
Se tiveres um filho, envia-o ao major, que o fará entrar para um colégio ou o colocará numa escola militar. Esse caro major era íntimo amigo de meu pai e não passava um dia sem vir a Winkel. Quem diria, ao ver-me hoje, querida Wilhelmina, que fui a mais estouvada das meninas? O major, certamente, não terá esquecido a sua queria Albina e acolherá o teu filho como se fosse o meu.
Faze pelo meu o que farei pelo teu, se viver.
Adeus, Wilhelmina. Seja como for, tenho uma convicção: as almas não morrem e a minha não deixará aquela, que não há de abandonar meu filho.
Nesta carta, que só chegará às tuas mãos, se eu abandonar este mundo, coloco, para o meu filhinho, uma pequena mecha de meus cabelos.
Adeus, ainda mais uma vez, adeus! Não te esqueças de nada! Não te esqueças!
(a) Albina d'Eppstein, nascida Schwalbachh.

P.S. Ia-me esquecendo, Ainda uma infantilidade: se eu tiver um filho, desejo que se chama Everado, como o meu pai; se tiver uma filha, desejo que se chame Ida, como a minha mãe".

DUMAS, Alexandre. O quarto vermelho. Círculo do Livro, 1960, p.58-60.

Abaixo, deixo outras cartas publicadas:

9 de novembro de 2012

Escrevo-te estas mal traçadas linhas..



Estou lendo O Mulato, de Aluísio (de) Azevedo. Que magnífica literatura!
Estou aprendendo a ler os clássicos da literatura brasileira, e, estou surpresa de gostar mais e mais de tal leitura. José de Alencar, Aluísio (de) Azevedo, Machado de Assis, Rachel de Queirós... quanta fascinação encontrei nos volumes que li! E, nesta obra atual, declaro minha admiração por Azevedo! Que livro! Que história! Todo tempo tenho vontade de postar isto ou aquilo; tenho vontade de escrever coisas sobre o que leio; porém, não me arrisco pois sei tão pouco sobre o assunto.

Entre tantas trechos fascinantes que encontrei, deixo a carta que Raimundo entregou à Ana Rosa. Cartas de amor - que não sejam as do primo Basílio (Eça de Queirós) - são deliciosas de ler. Quando li a carta de Raimundo, lembrei de outra, escrita pelo maravilhoso Capitão Wentworth à Anne Elliot, em Persuasão, Jane Austen.

Sem mais delongas, deixo a transcrição da carta de Raimundo:


“Minha amiga,

Por mais estranho que te pareça, juro que te amo ainda, loucamente mais do que nunca, mais do que eu próprio imaginava se pudesse amar; falo-te assim agora, com tamanha franqueza, porque esta declaração já em nada poderá prejudicar-te, visto que estarei bem longe de ti quando a leres. Para que não te arrependas de me haver escolhido por esposo e não me crimines a mim por me ter portado silencioso e covarde, defronte da recusa de teu pai, sabe minha querida amiga, que o pior momento da minha pobre vida foi aquele em que vi fugir te para sempre. Mas que fazer? - eu nasci escravo e sou filho de uma negra. Empenhei a teu pai minha palavra em como nunca procuraria casar contigo; bem pouco porém me importava o compromisso. Que não teria eu sacrificado pelo teu amor? Ah! mas é que essa mesma dedicação seria a tua desgraça e transformaria o meu ídolo em minha vítima; a sociedade apontar-te-ia como a mulher de um mulato e nossos descendentes teriam casta e seriam tão desgraçados quanto eu! Entendi, pois que, fugindo, te daria a maior prova do meu amor. E vou, e parto, sem te levar comigo, minha esposa adorada, entremecida companheira dos meus sonhos de ventura! Se pudesse avaliar quanto sofro neste momento e quanto me custa a ser forte e respeitar o meu dever; se soubesses quando me pesa a ideia de deixar-te, sem esperança de tornar a teu lado, tu me abençoarias, meu amor!
E adeus. Que o destino me arraste para onde se quiser, serás sempre o imaculado arcanjo a quem votarei meus dias; serás minha inspiração, a luz da minha estrada; eu serei bom porque existes.

Adeus, Ana Rosa.

Teu escravo
RAIMUNDO. “

18 de outubro de 2012

Uma ideia, Um Sonho



Recentemente, vendi livros / vinis para um sebo. Depois da vontade de ter uma livraria, um sebo nostálgico é um outro sonho que tenho. Porém, com o sebo, o investimento é baixo e o lucro sustentável!
Então, antes de conversar com minha irmã que é contadora, procurei na net algo que suprisse minha ansiedade - encontrei no site do SEBRAE.

Formação do estoque e localização são preocupações importantes para começar no ramo

Um ambiente que remete ao antigo, elegante, com um cheiro característico no ar e um vendedor sempre solícito atrás do balcão. Quem é freqüentador de sebos compreende bem a descrição. E, assim como os fregueses, quem comanda um empreendimento como esse tem que gostar do contato com os livros usados. Para um estoque inicial com 5 mil unidades, é preciso investir cerca de R$ 25 mil. Se forem vendidos 100 exemplares por dia, ao preço médio de R$ 5, cada, o faturamento pode chegar a R$ 10 mil por mês. O investimento acessível e a demanda constante são as vantagens do negócio.

Mais um ponto positivo para os donos de sebos é que o consumo nas livrarias tradicionais é restrito, devido aos preços das publicações. Segundo pesquisa do Sebrae nacional, 60% das pessoas passam mais de um mês sem entrar em uma livraria. Além disso, 60% da população lêem apenas um livro por mês. Por isso, os usados - alguns custando apenas R$ 2 - estão fazendo sucesso, principalmente entre os estudantes do nível médio e universitários. De uma maneira geral, o público que consome os usados está cada vez mais variado.

espaço físico dispensa muitos móveis
Outra facilidade para quem deseja entrar no ramo é a organização do espaço físico. Na montagem das instalações, não é necessária grande quantidade de mobiliário, o que reduz os custos. De acordo com o consultor do Sebrae/RJ, Haroldo Caser, estantes, mesas, computador, telefone e fax são suficientes. A montagem do acervo requer atenção. Na avaliação de Sílvia Chomski, sócia do sebo Berinjela, no Centro do Rio de Janeiro, é preciso colocar bons títulos à disposição dos fregueses. "Não adianta abrir um negócio apenas com livros velhos, sem conteúdo nenhum", ratifica a empresária.

Zelar pela higiene do material exposto também é fundamental. Há 11 anos no mercado, o Berinjela, que também comercializa CDs usados, realiza a encadernação dos livros mal conservados e faz a limpeza diária dos exemplares. "Temos um funcionário que verifica o acervo, diariamente, para ver o estado de conservação. É importante os livros estarem apresentáveis, se não as pessoas não compram. Isso sem falar que é grande o número de pessoas alérgicas", alerta Sílvia, lembrando que os "ratos de sebo" são exceção. Para eles, tanto faz a aparência.

Existem nas prateleiras cerca de 6 mil livros. No estoque, há mais 6 mil unidades. Diariamente, Sílvia, que entrou como sócia no negócio há três anos, vende algo em torno de 100 unidades, com valores entre R$ 5 e R$ 10, cada. O perfil dos clientes é de universitários e bibliófilos em geral. Os livros mais raros, antigos (1ª edição), ou com autógrafos, têm preços que variam de R$ 20 a R$ 50. "Para entrar no ramo, é necessário avaliar bem que livros serão comprados", reforça a empresária.

Concordando com Sílvia, o paulistano Messias Antônio Coelho, proprietário do Sebo do Messias, confirma que é importante realizar boas compras. "Procuro anunciar em jornais e revistas. Tenho uma equipe que vai até os vendedores para buscar os exemplares", comenta Messias, que comanda quatro lojas no Centro de São Paulo e mantém um acervo de 200 mil livros usados. Nas estantes, tem para todos os gostos: desde os livros universitários, até os técnicos, passando pelos infantis, literatura brasileira e romances estrangeiros.

Os mais vendidos, segundo o empresário, são os de filosofia, romances lançados recentemente e literatura brasileira. Além dos livros, o acervo de fitas de vídeo, DVDs e discos de vinil usados do Sebo do Messias tem feito sucesso. "Compro as fitas de videolocadoras que estão fechando ou renovando o catálogo. Temos 70 mil vídeos nas quatro lojas", garante Messias, que está há 33 anos no ramo. Com 43 funcionários, a rede tem estabelecimentos de cerca de 500 metros quadrados, cada.

O preço médio de um livro usado, segundo Messias, vai de R$ 2 a R$ 10. Já os de arte, do século passado, ou de História Antiga e fotografia, podem custar entre R$ 50 e R$ 100. Além dos clientes tradicionais, o Sebo do Messias recebe colecionadores interessados em adquirir raridades. Passam pelos quatro estabelecimentos, diariamente, cerca de 400 pessoas, provenientes de várias regiões de capital paulista e de diversos estados do País. "Nosso acervo tem uns 2 mil exemplares dos primeiros anos do século XX, muito procurados por acadêmicos e bibliófilos em geral", conclui.

Atenção à localização e à montagem do acervo
Assim como para os donos de livraria, a localização dos sebos é importante. Áreas com grande circulação de pessoas, como os centros do Rio e São Paulo, são boas alternativas. Mas a tradição também conta muito. É o caso das regiões do Largo do Machado e Copacabana (Rio), por exemplo, onde prolifera esse tipo de empreendimento. Proprietária da Dantes, no Leblon, Zona Sul do Rio, Anna Martins, admite que encontrou dificuldades por causa do ponto. "Como o local não tinha tradição nesse tipo de negócio, tive que investir em promoções, eventos e exposições para atrair o público", lembra ela, que abriu as portas em 1994.

Um outro item crucial é a compra dos exemplares. A principal dificuldade de Anna, no começo, foi encontrar bons fornecedores. Ela afirma ser cada vez mais difícil adquirir exemplares interessantes. "A qualidade do sebo reside em fazer boas aquisições. Nós, do ramo, acabamos disputando o produto porque compramos de particulares. Funciona como num leilão", compara a empresária, que oferece ao público cerca de 10 mil itens arrumados em um espaço de 40 metros quadrados.

Para a empresária, gostar da atividade é importante. Ela comenta que uma das maiores dificuldades é encontrar mão-de-obra especializada. "Para trabalhar em um sebo é preciso conhecer bem a história editorial do Brasil", acredita. Disposição também não pode faltar. "Carregamos livros para baixo e para cima. Vou até as casas das pessoas para comprar e negociar. Depois limpamos um por um e fazemos a manutenção", explica Anna que, para manter os clientes fiéis, promove eventos na loja. Uma vez por mês, a Dantes realiza um "bota-fora" de livros com títulos especiais.

Raio X Sebo
Investimento inicial: de R$ 20 mil a R$ 25 mil

Capital de giro: de R$ 3 mil (incluídos no investimento inicial)

Faturamento médio mensal: R$ 5 mil (vendendo 50 livros de R$ 5, por dia)

Número de funcionários: 2

Obras Fantásticas..

Estava fuçando a net, e vejam que coisa maravilhosa encontrei.
Uma reportagem da Globo.com sobre  mosteiro que foi construído na Índia. Perfeito!




Nem sempre enchente é sinônimo de desgraça. Na época das chuvas, o já impressionante Monastério Phuktal ganha um toque a mais de beleza, com uma queda d’água entre suas construções. As águas não ameaçam as casas de barro e madeira, que estão lá desde o século 12. O monastério é habitado por cerca de 70 monges budistas, que escolheram viver reclusos. O local é aberto para visitação de turistas, mas só é possível chegar escalando o penhasco de 3.850 metros de altura, para garantir que o templo continue isolado do resto do mundo.

O monastério fica na boca de uma caverna em Ladakh, no norte da Índia. Locais como este são considerados sagrados no budismo e é dito que a água que passa por lá tem propriedades de cura. Fora da temporada de chuvas, há apenas uma fonte dentro das rochas, que abastece os monges.

A maioria dos visitantes é de budistas tibetanos, que fazem peregrinação no monastério. Lá, eles encontram habitações simples e recursos precários, mas também quatro salões de reza com afrescos na parede e no teto, além de uma grande biblioteca.




1 de outubro de 2012

À Toa..


Êita! Que mês mais "intro" foi Setembro!

Fiquei no casulo o mês inteiro. Por mais que digam que "não", eu acho que estou ficando arrogante. Não pode ser somente o mês ou a passagem dos astros. Sinto algo em mudança. Vejo meu comportamento tomando um rumo diferente; mesmo que alguns hábitos ainda sejam os mesmos.

A primeira mudança que notei foi na minha literatura. Nunca fui muito "culta", estilo: "vou comprar somente tão aquela literatura mais cult". Porém, percebi que não tolero mais qualquer tipo de literatura. Não gosto de ler estilos de massa ou pop (como os atuais vampiros).
Outra coisa que notei foi sobre os programas de televisão. Não gosto de ficar conversando sobre programações que são "povão". Admito, assisto programas de televisão aberta, mas eles são minha distração e não a base para um estilo de vida ou aprendizado. Não filosofo sobre esses assuntos, não busco alguma "sabedoria" nesse tipo de coisa. Eles são, para mim, somente um momento de relaxamento - sem qualquer pretensão de ser relevante. Portanto, qualquer conversa "séria" que gire em torno desse tipo de situação, fico incomodada e não entro neste tipo de discussão banal.

E, em setembro, foi bem pior. Sai pouco. Conversei pouco. Li muito e pensei mais ainda.

Algumas companhias não me apetecem mais; evito-as. E acho isso o fim. Que tipo de "crescimento" é esse que me separa de pessoas que antes eu adorava estar em companhia. Que tipo de monstro sou eu que me acho "melhor" do que os outros.
Sempre pensei que ao buscar mais conhecimento e informação eu poderia me tornar algo melhor. Que pena,  pois algum momento eu segui por um caminho errado.
Não sou melhor que alguém, sei disso. Porém, estou me separando por achar que sou.

Paciência, terei que mudar esse caráter arrogante e pretensioso e voltar àquela esquina que segui errada.




Os Meninos da Rua Paulo - Prefácio

  Olá, abandonado leitor!  Comecei neste final de semana a leitura de "Os Meninos da Rua Paulo". Ainda não cheguei na página 50, a...