12 de abril de 2012

Persuasão...




Não posso mais ouvir em silêncio. Preciso falar com você pelos os meios de que disponho neste momento. Você fendeu minha alma. Sou metade agonia, metade esperança. Não me diga que é tarde demais, que sentimentos tão preciosos foram-se para sempre. Ofereço-me para você de novo com um coração muito mais seu do que quando você quase o despedaçou há oito anos e meio atrás. Não se atreva a dizer que o homem esquece mais rápido do que a mulher, que seu amor morre mais cedo. Eu tenho amado somente você, mais ninguém. Injusto posso ter sido, fraco e ressentido também, mas nunca inconstante. Você, apenas você trouxe-me para Bath. Faço planos pensando somente em você. Você não ainda percebeu? Terá você falhado em entender meus desejos? Eu não teria esperado nem estes dez dias se tivesse podido ler seus sentimentos como eu penso que você penetrou nos meus. Quase não posso escrever. A todo instante ouço alguma coisa que me atordoa. Você abaixa sua voz, mas eu posso distinguir seus tons mesmo quando perdidos em meio aos outros. Boníssima e excelente criatura! Você nos faz justiça, deveras. Você crê que há afeto verdadeiro e constância entre os homens. Creia “nisto” mais fervoroso e constante em

F. W.

Devo partir – incerto de minha sorte –, mas voltarei aqui ou irei para sua festa, assim que possível. Uma palavra, um olhar, será o suficiente para que eu decida entrar na casa de seu pai esta noite, ou nunca.


| Trad. Raquel Sallaberry Brião, em maio de 2009 de AUSTEN, Jane. Persuasion (Londres: Penguin, 1994), cap. 23, p. 238-239. |

11 de abril de 2012

Verdades...



Terminei de assistir o filme Miss Austen Regrets (2008). Sim, é sobre a vida de Jane Austen. Adorei!

E, depois, fiquei pensando: quantas perguntas são feitas por conta das nossas escolhas. E a pergunta que não cala é: certo ou errado?

Quando alguém pergunta algo sobre mim é porque já tem 99% da sua opinião formada na resposta. Responder não fará com que a pessoa mude sua informação a meu respeito, pois ela achará que estou ocultando, exagerando, diminuindo; nunca aceitará que estou dizendo a verdade!

Quantas pessoas, realmente, conhecem os seus queridos como eles são.
Na bíblia há uma passagem que Jesus aconselha seus ouvintes que, ao orarem, fechem a porta do quarto para terem um momento íntimo com Deus: sem máscaras, desculpas, mentiras etc.
Além de Deus, de quem inevitavelmente não escondemos nada, quem mais nos conhece intimamente.
Eu posso dizer que duas pessoas podem me ver como sou sem que não amem mais. Uma delas eu conservo ao meu lado, a outra porém... Isso não quer dizer que sou falsa com os demais, mas aquilo que conheço deles não permite que me vejam em minha totalidade. Amo-os, sem dúvida, mas não daria esse fardo pesado para carregarem.

Tudo é vaidade

8 de abril de 2012

Uma breve pausa...



Terminei de ler o quinto volume da saga O Visconde de Bragelonne, da trilogia de Os Três Mosqueteiros de Alexandre Dumas.
Deixei Porthos nas mãos do alfaiate do rei Luiz XIV, para confeccionar um fato elegante para a festa do superintendente sr. Fouquet.
Deixo, momentaneamente, quatro homens que conheci há pouco mais de três meses. Vi seus sonhos crescerem e seus segredos tornarem-se mais secretos do que outrora. Vi essa amizade, mesmo separada, manter-se fiel à todo tempo.

Agora, por um breve momento, deixarei esses quatro homens maravilhosos e seus envolvidos - entre eles nomeio o querido Raul de Bragelonne, filho do meu amado Athos.

Essa breve separação deve-se ao fato de eu precisar focar meu olhar para provas que farei no fim do mês. E, mesmo sabendo que é uma separação breve e que é uma separação necessária a minha profissão, ainda sinto esse rompimento momentâneo.

Tudo é vaidade!

5 de abril de 2012

Tu és este Homem...



Estava lendo "O Visconde de Bragelonne", quando lembrei do Rei Davi! Leiamos o texto lembrado...


E o SENHOR enviou Natã a Davi; e, apresentando-se ele a Davi, disse-lhe: Havia numa cidade dois homens, um rico e outro pobre.
O rico possuía muitíssimas ovelhas e vacas.
Mas o pobre não tinha coisa nenhuma, senão uma pequena cordeira que comprara e criara; e ela tinha crescido com ele e com seus filhos; do seu bocado comia, e do seu copo bebia, e dormia em seu regaço, e a tinha como filha.
E, vindo um viajante ao homem rico, deixou este de tomar das suas ovelhas e das suas vacas para assar para o viajante que viera a ele; e tomou a cordeira do homem pobre, e a preparou para o homem que viera a ele.
Então o furor de Davi se acendeu em grande maneira contra aquele homem, e disse a Natã: Vive o SENHOR, que digno de morte é o homem que fez isso.
E pela cordeira tornará a dar o quadruplicado, porque fez tal coisa, e porque não se compadeceu.
Então disse Natã a Davi: Tu és este homem.
2 Samuel 12:1-7


Porque lembrei do Rei Davi...

Antes, uma contextualização:
O rei Luiz XIV está apaixonado por Luíza, noiva de Raul. O caso é que a garota corresponde ao sentimento do rei. O rei é casado com Maria Tereza. Porthos - barão du Vallon, à pedido de Raul - Visconde de Bragelonne, foi até o conde de Saint Aignan (amigo do rei e intermediário dessa aventura amorosa) "convidá-lo" para um duelo, visto que não pode chamar o rei para duelar - convoca, então, o cúmplice. Juridicamente, dá no mesmo.
Agora, vamos ler o que Saint Aignan conversara com o rei Luiz XIV:

- Vossa majestade conhece o barão du Vallon?
- Oh! Se conheço! Um belo servidor de meu pai! E um belo conviva, por minha vida! É aquele que jantou conosco em Fontainebleau que tu queres falar?
- Justamente, real senhor, mas vossa majestade esquece-se de juntar às suas belas qualidades a de amável matador de homens.
- Como! O sr. du Vallon quer matar-te?
- Ou fazer com que me matem, o que vem a dar na mesma.
- Essa é boa!
- Não zombe, real senhor, o que digo a vossa majestade é pura verdade.
- E tu dizes que ele quer fazer com que te matem?
- É, presentemente, a ideia desse amável fidalgo.
- Fica descansado, que eu te defenderei, se ele não tiver razão.
- Ah! Emprega um "se", real senhor?
- Sem dúvida, Saint Aignan; vamos, responde como se se tratasse de outra pessoa: tem ele ou não razão?
- Vossa majestade vai julgá-lo.
- Que lhe fizeste tu?
- Oh! A ele nada; parece, porém, que ofendi um dos seus amigos.
- E esse amigo é algum dos quatro famosos?
- Não; é o filho de um dos quatro famosos, o que é o mesmo.
- Que fizeste tu a esse filho? Vejamos.
- Ajudei alguém a tirar-lhe a namorada.
- E confessas semelhante atentado?
- Não tenho outro remédio senão confessá-lo, visto que é verdade.
- Neste caso fizeste mal.
- Ah! Fiz mal!
- Sim, por minha vida; e se ele te matar...
- Que mais?
- Será com razão.
- Ah! Eis aí como julga, real senhor.
- Achas mau o método?
- Parece-me expedito de mais.
- A boa justiça é pronta, dizia meu avô Henrique IV.
- Nesse caso assine vossa majestade já o perdão do meu adversário, pois está esperando por mim em Vincennes para me matar.
- Dize-me o seu nome e dá-me um pergaminho.
(...)
- É o visconde de Bragelonne.

3 de abril de 2012

Tô de Mal...



Essa noite os cachorros me acordaram com seus latidos! E não consegui dormir durante muito tempo. Então, como é de costume, fiquei pensando um monte de coisas.

Tô de saco cheio de não fazer nada.

Tô de saco cheio de não conseguir resolver coisas simples, como: minha faculdade.

Tô cansada da vidinha meia-boca que me impus.

Sei lá, vejo tantas coisas acontecendo ao redor de mim que não sei que bonde pegar.
Gosto de tantas coisas e em nenhuma consigo evoluir.

Pensei em sair de casa...mas neste momento eles precisam de mim. Eu não sou um exemplo de filha, nem de irmã, amiga ou estudante; mas para um coisinha ou outra eu ainda sirvo!

Estou tão chateada de ser eu mesma.
Estou com aquela vontade de receber um email que mude minha vida para um modo maravilhoso de existência!

Estando neste estado, não consigo produzir algo útil. Não consigo me prender à algo significativo.

Aaahh que vontade de dar um basta em mim! Preciso começar do zero! Preciso mudar radicalmente! Ninguém fará isso por mim senão eu!

Tudo é vaidade!

Os Meninos da Rua Paulo - Prefácio

  Olá, abandonado leitor!  Comecei neste final de semana a leitura de "Os Meninos da Rua Paulo". Ainda não cheguei na página 50, a...