20 de agosto de 2015

Experiência ...



Bem que o meu horóscopo me avisou que este mês eu estaria introspectiva. Olha aí, leitor, introspectei

Estava trabalhando hoje pela manhã e pensei: vou dar um tempo nesse blog! Excluir não pois gostei de  tudo o que escrevi, cada devaneio me agrada.

Então, decidi fazer uma experiência. Há tempos eu pensava nisso e, agora, quero colocar em "obra". Vou comprar um caderninho e ficar escrevendo todos as loucuras literárias, musicais, televisivas e fofocas em geral, em um caderno simples de estudante. Vantagem? Descreverei: uma das vantagens é que o caderninho poderá sempre estar comigo - aqui no blog eu preciso para e sentar em frente ao PC/Tablet/Notebook para começar a escrever. Com o meu caderninho em mãos, na hora que a ideia surgir.. BOOM! é só sacar o lápis da bolsa e começar a rabiscar o devaneio no papel (em qualquer tempo ou lugar). 

Acho que é isso! Então, amigos leitores anônimos, eu não vou descartar a possibilidade de voltar a escrever nesta página, mas, atualmente, eu quero experimentar um novo horizonte, ok!
E, se por acaso, você me encontrar na rua e quiser saber sobre o que estou lendo....oferecerei-lhe o meu tímido caderninho para você passar a pestana por cima!

Omnia Vanitas.

12 de agosto de 2015

Concurso


Em Novembro do ano passado, eu passei na Livrarias Curitiba e peguei um informativo deles. Nem sei porque faço isso, eu raramente compro livros novos, 90% dos casos são livros de segunda mão.
Mas, passei e peguei o dito exemplar. E, para minha surpresa, eu encontrei um conto bem interessante. 
Trata-se de um concurso que a livraria lançou: "V Concurso de Contos" que uniu 927 contos. Até onde compreendi, quatro contos foram escolhidos e publicados no informativo. O conto que transcreverei é de Alexandre Braoios, e se chama "Meus Mortos".

"Depois de muitos anos, adiamentos e apego patológico, decidi dar fim aos corpos amontoados no meu porão. Preciso fazer uma profunda faxina, deixar a luz entrar, apagar as marcas deixadas por anos de violência que nutriram meu sadomasoquismo. Três corpos cuidadosamente preservados. Com o tempo dominei a técnica de preservação e, periodicamente, velava-os num misto de compaixão e fúria. Foi um  trabalho árduo, sacrificante até, mas isso satisfez minha morbidez doentia.
Começo pelo mais novo. Nove anos. Minha primogênita vítima e a mais difícil de matar. Talvez pela idade, talvez pela minha inexperiência no âmbito do crime. O corpo franzino ainda preservava as feições inocentes, o sorriso infantil e o corpo a meio caminho entre a infância e a puberdade.Era o principal alvo de minha devoção sórdida. O segundo corpo era de um rapaz de seus vinte anos (talvez um pouco mais). Em vida era forte, arredio e decidido. Levei bastante tempo para silenciá-lo. Tinha muito a falar. O último, um homem de 35 anos, foi meu mais recente assassinato. Conservava o rosto sério e compenetrado. Arrisco-me a dizer que tinhas poucos amigos. Ainda era possível sentir o calor de seu corpo.
Os três defuntos jaziam perfilados sobre o piso frio do porão compondo um cenário sombrio. Limpei-os respeitosamente, vesti-os com roupas novas e arrumei seus cabelos com carinho. Queria que mantivessem o mesmo frescor de quando o sangue ainda banhava suas carnes.
Demorei a me decidir entre enterrá-los longe, no ermo, ou mantê-los comprometedoramente próximos. Ainda nutria um certo apego e, por essa razão, meu jardim seria o melhor lugar. Assim, solenemente os cobri com a terra fértil, com a esperança de nutrir flores de coloridos diversos e tais cores, quiçá, inibirem a erva danosa.
De volta ao porão ainda malcheiroso, iniciei a limpeza. Crostas impregnavam e manchavam o chão, as paredes e até o teto. Por um instante vislumbrei o horror encenado naquele lugar. Cenas que produziram chagas profundas a me ferir muito mais que a eles, minhas corajosas vítimas. Cada golpe imputado produziu lesão ainda maior no meu corpo cansado, perpetuando indefinidamente a sensação dolorosa.
O trabalho será lento, mas o principal já consegui, livrei-me da adoração fanática e da dependência. Não mais serei refém das minhas assombrações, tão possessivamente minhas, a ditar meus passos, meus embaraços, minhas dores e alegrias tímidas. Quero as alegrias escancaradas e gordas sem a culpa a refreá-las.
O menino que fui, tímido e inocente; o jovem alegre e esperançoso que tentei ser e o adulto que julguei ser independente estão para sempre enterrados. De agora em  diante, somente lembranças sadias comporão o que sou, ou serei. Sem culpa, sem saudosismo, sem entraves. Minha completude inicia-se agora, no momento em que enterro meus mortos e finalizo minha faxina íntima".

30 de julho de 2015

A Escada ..


Aqui estou eu, curtindo uma visita à Abadia de Northanger com Catherine Morland quando, por acaso, me lembrei de um fato na minha época de criança que instigava a minha curiosidade (e do meu irmão também).

Meus pais são descendentes de alemães. Meus bisavós vieram da Alemanha e se instalaram por essas terras. Infelizmente, tive pouquíssimo contato com meus avós e, algum contato, até certa idade, com minhas tias e tios.

Dois tios se destacaram na minha infância e adolescência (ambos irmãos do meu pai): Tio Willy e Tia Olga.
O tio morava em um sítio. Uma maravilha de lugar. Plantações de arroz, milho, córregos em todos os cantos, um poço no meio do terreno, pão caseiro feito em forno de barro ... Tirando os gansos, tudo era ótimo naquele sítio: a criação de gado, porcos, galinhas, patos, marrecos ...e gansos. 

A tia mora "na cidade". Um jardim pequeno, uma varanda aconchegante com um balanço, um banco fixo, flores em um pequeno canteiro. Casa estilo enxaimel.
A cozinha, com o seu fogão à lenha, feito de tijolos, fica perto da perto que leva ao quintal, onde há a plantação de hortaliças, verduras, legumes etc..
Uma janela no canto esquerdo, a porta principal (que sai para rua) e uma porta que leva dentro de casa: onde ficam os quartos, a sala de estar, a sala principal e um banheiro. E, até hoje, ela conserva os móveis antigos. É muito linda a casa da minha tia Olga.
Mas, ainda na cozinha, havia algo que nos fascinava (à mim e ao meu irmão): a escada que vai em direção ao sótão.
Até hoje, não sei porque, escadas me fascinam. Mas somente aquelas que levam à um sótão ou à um porão. A minha tia tem uma escada que leva ao sótão.

Chegávamos na casa dela, meu pai, meu irmão e eu. Cumprimentávamos minha tia e meu tio com beijos e abraços tímidos e, então, meu pai sentava na cozinha com eles e se punha a conversar. Para meu irmão e eu, restava somente ouvir a conversa dos adultos. Minha tia não tem filhos da nossa idade, então, nada de brincar com os primos - pois eles já estavam crescidos e morando longe. 
Enquanto meu pai sentava em uma cadeira, "as crianças" sentavam nos primeiros degraus da escada. E só podia sentar nos primeiros degraus. Nada de ficar subindo até o sótão.

E, enquanto os adultos conversavam, nós, de maneira distraída, sentávamos um degrau acima. Mas, sempre ouvíamos a reprimenda de um deles, dizendo: "Voltem aqui para baixo!".

Certa vez, que glória foi esse dia, conseguimos ficar somente por cinco degraus de distância do fim da escadaria. Quase-quase! ... Então, uma voz adulta nos chamou de volta e, claro, voltamos com carinhas de anjo e nos sentamos nos primeiros degraus da escada.

Eu ainda não sei o que há naquele sótão. E, realmente, talvez eu não queira conhecer aquele lugar. Atualmente, visito pouco minha tia Olga (sempre que vou, estou na companhia do meu pai). Certa vez, ela mostrou algo muito mágico para mim: a banheira de imersão que ela tem no piso principal. Linda! Azul clara, como a primeira banheira que me banhei (aos 13 anos). E, sorridente, minha tia comentou - depois de notar meu entusiasmo: "Se sua tia sentar nessa banheira, ela não levanta mais". Minha  tia é uma senhora de 85 anos.

Não sei que mistérios guardam aquele sótão; e não quero perguntar à minha tia pois, meu instinto de sobrinha diz que, são lembranças de histórias tristes.

Fico com a magia do não descoberto, da fantasia e do mistério do sótão da casa da tia Olga.

Omnia Vanitas.

28 de julho de 2015

Mais uma Escolha..



Desde o mês de Fevereiro, eu venho lendo as seis obras (completas) publicadas de Jane Austen: Orgulho e Preconceito, Razão e Sensibilidade, Persuasão, Emma, Mansfield Park...e, agora, em Julho, a leitura é do livro A Abadia de Northanger.
E, durante esse período de releituras, eu pouco precisei escolher sobre o que ler, pois, tudo o que englobava a senhorita Austen eu li: Juvenília (Charlotte Brontë e Jane Austen); Orgulho e Preconceito e Zumbis (Jane Austen e Seth Grahame-Smith)e a releitura da paródia Cinquenta Tons do Sr. Darcy (Emma Thomas).

Agora, pouco mais de setenta páginas (que tenho certeza que termino essa semana) do final de A Abadia de Northanger, eu me vejo na dúvida: o que ler depois?

Pensei na sugestão do Skoob: A Ilha do Dia Anterior (Umberto Eco). Eu amei ler O Cemitério de Praga deste italiano, mas ... estou com saudade de ler Alexandre Dumas.. A dúvida nunca termina. Sem contar que Dostoièvsky está na lista com duas obras que ganhei no Natal: Irmãos Karamázov e Niétotchka Niezvânova.

Olha..não é fácil essa vida de leitor! Que angústia!


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Meu deus, lembrei de Stephen King e Maugham...aaaff!! 

24 de julho de 2015

Folguinha ..

Hoje o dia está mais calmo aqui no trabalho; então, eu resolvi postar o primeiro capítulo de A Abadia de Northanger para você, desocupado leitor. Deixo aqui o link para a primeira postagem sobre esta leitura, caso lhe interesse, também.
Abraços fraternais.. (rs)

Omnia Vanitas.



Capítulo I


Quem tivesse visto Catarina Morland em criança, nunca poderia supor que nascera para heroína. A sua situação na vida, o carácter do pai e da mãe, a sua própria pessoa e temperamento, tudo parecia contra ela. O pai era padre; mas como nunca se mostrara desmazelado ou pobre, todos o respeitavam, embora se chamasse Ricardo e nunca tivesse sido bonito.
Possuía considerável independência que lhe vinha de duas boas freguesias. Nunca tivera por costume cercear a liberdade das filhas. A mãe era uma mulher de senso prático, de bom génio, e, o mais importante, de boa constituição física. Quando Catarina nasceu já ela tinha três filhos; em vez de morrer ao dar à luz o último, como qualquer pessoa esperaria, continuou a viver. Viveu para ter mais seis filhos, para os ver crescer à sua volta e gozar de excelente saúde.
Uma família de dez filhos será sempre considerada uma bela família, porque há cabeças, braços e pernas em número suficiente para a distinguir. Porém com os Morlands não se dava isso, porque, em geral, eram muito feios e Catarina durante muito tempo da sua vida fora tão feia como todos eles.
Era magra e malfeita, tinha a pele macilenta e pálida, o cabelo escuro e liso e as feições acentuadas de mais para a idade. O seu espírito não se inclinava para o heroísmo.
Gostava de todos os jogos de rapazes e preferia o cricket, não só às bonecas mas a todos os divertimentos próprios da infância - tratar de um arganaz, dar de comer a um canário ou regar uma roseira. Na verdade não tínha gosto pelo jardim e se colhia algumas flores era apenas pelo prazer de as estragar - pelo menos assim se deduzia do facto de preferir sempre as que lhe proibiam mexer.
Estas eram as suas inclinações; as suas habilidades igualmente extraordinárias. Nunca fora capaz de aprender ou compreender qualquer coisa a não ser ao fim de muito tempo; e por vezes nem assim, porque frequentemente estava distraída e às vezes estúpida. A mãe levou três meses a ensinar-lhe a «Súplica do Pobre» e, no fim de contas, a irmã a seguir, Sally, dizia-a melhor do que ela. Não que Catarina fosse sempre estúpida; de maneira alguma. Aprendeu a fábula «A lebre e muitos amigos», tão depressa como qualquer rapariga em Inglaterra. A mãe queria que ela aprendesse música e Catarina tinha a certeza de que havia de gostar, porque sentia muito prazer em tocar nas teclas do velho piano abandonado; por isso começou a aprender aos oito anos. Estudou durante um ano, mas contrariada; e a senhora Morland, como não insistia com as filhas para serem prendadas desde que não tivessem jeito nem gosto, deu licença a Catarina para pôr de parte a música. O dia em que despediram o professor, foi dos mais felizes para Catarina.
O gosto pelo desenho não era maior, mas, apesar disso, sempre que podia apanhar um sobrescrito da mãe ou outro qualquer bocado de papel, esforçava-se por desenhar casas e árvores, galinhas e pintinhos, saindo todos iguais uns aos outros. O pai ensinava-lhe a escrever e contar e a mãe o francês, mas o seu aproveitamento não era notável em qualquer deles e fugia às lições sempre que podia.
Que caracter tão estranho e inexplicável! Com todos estes sintomas de desregramento aos dez anos, não tinha, todavia, nem mau coração nem mau gênio; raras vezes se mostrava teimosa, quase nunca desordeira, era muito boa para os mais pequenos e só raras vezes despótica com eles; era essencialmente barulhenta e impulsiva, odiava a prisão e a limpeza, e de nada gostava mais do que rebolar-se pela verde encosta que havia atrás da casa.
Assim era Catarina naquela idade. Aos quinze, o aspecto começou a melhorar, frisava o cabelo e suspirava por bailes. Desenvolvera-se, as feições tinham-se suavizado e tomado cor, os olhos ganharam vida, e a sua figura produzia melhor impressão. A falta de asseio deu lugar à inclinação para o luxo e assim se tornou asseada à medida que se tornava elegante.
Muitas vezes era com alvoroço que ouvia falar ao pai e à mãe da sua transformação: Catarina está a fazer-se uma rapariga engraçada, quase bonita, eram palavras que ouvia de vez em quando (e que alegria lhe davam).
Ser quase bonita dá mais prazer a uma rapariga que foi feia durante os primeiros quinze anos da sua vida, do que a outra que já o seja desde o berço.
A senhora Morland era uma excelente senhora e queria que os seus filhos obtivessem os maiores êxitos, mas tinha o tempo tão ocupado com os partos e com o ensino dos mais pequenos, que as filhas mais velhas ficaram inevitàvelmente abandonadas a si próprias. Por isso não era para admirar que Catarina, que, por natureza, nada tinha de heróica, preferisse, aos catorze anos, o cricket e baseball, montar a cavalo e correr pelos campos, aos livros, pelo menos aos livros de estudo, porquanto, desde que deles se não tirasse nenhum conhecimento útil e que fossem de histórias e não de erudição, não lhes opunha objeções.
Mas dos quinze aos dezessete anos preparava-se para ser uma heroína. Lia todas as obras que as heroínas devem ler para enriquecer os seus conhecimentos com aqueles assuntos que tanto auxílio e alívio prestam nas vicissitudes das suas vidas tão cheias de acontecimentos.

De Pope aprendeu a censurar aqueles que:
...vão por toda parte zombando do infortúnio;

De Gray, que
Muitas flores nasceram para desabrochar despercebidas,
E espalhar seu perfume no ar deserto.

De Thompson, que
...É uma tarefa deliciosa
Ensinar à ideia jovem como despontar.

E em Shakespeare adquiriu um grande manancial de conhecimentos, entre os quais que
...Ninharias leves como o vento
são para os ciumentos confirmações absolutas
como as provas da Sagrada Escritura.
que
O pobre escaravelho que pisamos
sofre uma dor corpórea tão grande
como quando um gigante morre.
e que uma donzela apaixonada se parece sempre
...à Resignação sobre um pedestal
Sorrindo à Dor.
.

Até então a sua cultura era suficiente, e desempenhava extremamente bem muitos trabalhos. Embora não soubesse escrever sonetos, começou a lê-los; ainda que não conseguisse entusiasmar os ouvintes com um prelúdio de piano da sua autoria, era capaz de ouvir sem grande enfado as outras pessoas tocarem. A sua maior deficiência estava no desenho: não tinha dele a menor noção, nem sequer para fazer o esboço do perfil do namorado, de forma que tivesse algumas semelhanças. Neste capítulo sentia-se absolutamente incompetente mas, não lhe fazia diferença porque ainda não tinha namorado para desenhar.
Chegara aos dezessete anos sem ter visto nenhum rapaz simpático, sem inspirar uma verdadeira paixão, nem mesmo ter provocado qualquer admiração, por muito moderada ou passageira que fosse. Isto era sem dúvida estranho! Mas as coisas estranhas podem geralmente explicar-se, se a sua causa for bem averiguada. Não havia nenhum lorde ou barão na vizinhança. Entre as famílias conhecidas nenhuma tinha adotado e educado qualquer e exposto a nenhum rapaz de origem desconhecida.
O pai não tinha nenhum pupilo e o fidalgo da freguesia não tinha filhos. Mas quando a rapariga quer ser heroína, nem a maldade de quarenta famílias a pode impedir. Algo fará e alguma coisa há de acontecer que lhe depare um herói.
O senhor Allen, que possuía a maior parte das propriedades de Fullerton, a aldeia de Wiltshire onde viviam os Morland; foi aconselhado a ir para Bath a fim da tratar da gota. A esposa, uma senhora alegre e amiga de Catarina Morland, sabendo que quando a uma rapariga, na sua terra, não acontecem aventuras as tem de procurar fora, convidou-a a ir com eles. O casal Morland concordou de boa vontade e Catarina sentiu-se felicíssima.


Os Meninos da Rua Paulo - Prefácio

  Olá, abandonado leitor!  Comecei neste final de semana a leitura de "Os Meninos da Rua Paulo". Ainda não cheguei na página 50, a...