1 de maio de 2020

Mudança de planos..


Olá, recluso leitor !!

Essa semana eu fiz uma enquete no Instagram para saber qual deveria ser a minha próxima leitura ao fim da primeira parte de Memórias de um Médico (Alexandre Dumas). As opções eram as seguintes:

- Crônicas Saxônicas (livros 7 à 10) de Bernard Cornwell
- As Cartas da Prisão de Nelson Mandela (Saham Venter - ed.)

O livro mais votado foi a saga do Cornwell. 

Nesta mesma semana, ainda em quarenta, eu estava ouvindo algum noticiário na televisão quando um avalanche de frases absurdas saíram do aparelho televisor. 
No mesmo instante eu lembrei do livro do Lima Barreto,  Os Bruzundangas. Um pequeno resumo da obra que achei na internet:
A obra é uma sátira da vida brasileira nos primeiros anos da Primeira República, Bruzundanga é um país fictício, onde havia, tal como na Primeira República, diversos problemas sociais, econômicos e culturais, entre os quais os títulos acadêmicos possuídos pelos ricos que eram não mais que pseudo-eruditos.
 Entenderam a recordação que me levou a pensar em Os Bruzundangas?

Porém, lembrei que a obra era uma inspiração no livro de Jonathan Swift, As Viagens de Gulliver.
Como, por sorte, eu tenho o livro do Swift na minha estante (já que noventa por cento está - ainda - na casa dos meus pais), eu decidi começar a leitura de As Viagens de Gulliver antes de começar o livro do Barreto.

Então é isso.. Que comece a leitura ...

Omnia Vanitas 💀

Leitura quinze..


Fim da primeira parte de Memórias de um Médico, de Alexandre Dumas. 

O último livro de José Bálsamo é quase uma história a parte da trama geral. Nesta parte do enredo, o destaque é para o drama da família de Tarveney, mais especificamente os dois irmãos Andréa e Phillipe. 

O sofrimento destas personagens se deve ao antigo conhecido da casa da Taverney, Gilberto. A obsessão deste por Andréa é notado desde o primeiro livro, quando ele deixa a casa do barão para seguir Andréa até a corte francesa. Sem muito o que deixar para trás, parte com algum dinheiro nos bolsos atrás da carruagem da filha do barão. Ele foi a pé.

Gilberto é dotado de uma sorte que desgraçados como ele não deveriam ter. Quase morrendo de fome e cansaço, é acudido pela irmã da favorita do rei o meio do caminho. Depois, sem ter onde ficar em Paris, encontra Jean Jacques Rousseau - de que é grande leitor - e permanece na casa dele para ganhar dinheiro, ensino e continuar sua aproximação de Andréa. Por mais um fortuna do destino, esta mora a cem passos da casa do seu protetor e ele consegue vigiá-la ela janela do seu quarto. 
Depois, expulso da casa de Rousseau, consegue emprego de jardineiro no Trianon - onde está Andréa e, claro, a vigia mais de perto.

Gilberto é o que se chama hoje de em dia "perseguidor". E, como cultura da época, depois de estuprar sua vítima/amada, ele quer redimir seu crime casando com a moça. E, claro, arruma quem lhe dê dinheiro para o dote de casamento. 

Gilberto nunca foi uma personagem com quem consegui estabelecer uma ideia boa sobre ela. Algo na descrição dele e nas suas atitudes é incômoda: e se mostrou exatamente do que dele se esperava. Tudo o que Gilberto faz é mau - e ele tenta colocar uma "intensão" nobre para justificar suas atitudes: o desprezo de Andréa ao saber que ele é  pai do filho que ela espera (ele a estuprou enquanto ela estava entorpecida) parecia para o criminoso uma ação incoerente visto que ele a amava e queria redimir seu erro. Ele só produz um absurdo atrás do outro. Todas as oportunidades honestas que lhe apareceram na vida ele as transformou em desgraça. 

O epílogo da trama apresenta a doença do rei Luiz XV e sua morte para a ascensão do Delfim e Maria Antonieta. 

A segunda parte da saga será O Colar da Rainha, com dois volumes, e tratará do caso do colar de diamantes de  Maria Antonieta às portas da Revolução Francesa.

Omnia Vanitas 💀

22 de abril de 2020

Leitura catorze..


Olá, isolado leitor!

Fim de mais uma leitura - e do terceiro livro da saga Memórias de um Médico, de Alexandre Dumas. 
Esta primeira parte é composta por quatro volumes e chama-se José Bálsamo. Estes são os links para o primeiro e o segundo livros. 

Neste terceiro livro, o projeto de José Bálsamo segue seu curso, porém, nesta direção também estavam os planos de outros personagens

A condessa Du Barry estava em guerra contra todos que não a aceitavam como a favorita do rei Luís XV. Esta lista era composta por quase toda a França, pela família Choiseul, pela Delfina e seu esposo (Luiz XVI) e, também o marechal Richelieu - que muda mais de partido dentro da trama do que pode ser aceito em via de regra. 
Um adendo sobre esta personagem - não se trata do mesmo Richelieu de Os Três Mosqueteiros - o período entre as história o faria um matusalém; mas ambos existiram e foram ativos junto à monarquia francesa
Além de seus inimigos naturais, a condessa Du Barry ainda precisa enfrentar uma nova rival, a dama de companhia de Maria Antonieta, Andréa de Taverney. 
Mas o rei não é o único apaixonado por Andréa. A menina parece arrebatar corações por onde passa; e o mais apaixonado deste séquito de enamorados é Gilberto. Este aspirante a filósofo faz a sua vida orbitar conforme a trajetória de Andréa. E é isto que Du Barry utilizará para manter esta paixão de Luiz XV fora do alcance do rei. Em contra-partida, o marechal Richelieu pretende aproximar este casal para tirar a Du Barry "do sério" e "da vista".
Todo o mal entendido aconteceu por conta de um cargo no parlamento que foi recusado (pelo rei) ao senhor de Richelieu. Tal recusa foi entendida como uma traição de Du Barry ao marechal. E, sendo rivais, estão colocando empecilhos no caminho de cada um - que, às vezes, traz a vitória para um, outrora a vitória de outro. 
E nesta troca de cargo no parlamento francês, a disputa pela vaga que o ministro De Choiseul deixou, mobilizou uma revolta no parlamento que este decidiu não julgar mais nenhum caso. Mais uma vez a amante do rei entra em ação para fazer sua vontade ser ouvida. 

Entre os filósofos, Rousseau tem três participações interessantes: a primeira delas é a rompimento de relação professor x pupilo com o Gilberto. A segunda é em uma reunião onde ele encontra alguns participantes da maçonaria, entre eles, um médico relevante para a história com um sobrenome peculiar: Guillotin. A terceira participação que chamou minha atenção foi justamente a reunião com aqueles que causaram a sua separação de Gilberto - uma pequena ação contraditória.

Esta terceira parte de José Bálsamo me lembrou muito a saga O Visconde de Bragelonne, onde as intrigas da corte tomam mais conta da narrativa do que a trama central; mas, faço um adendo - desde que a sessão real foi convocada até a conversa que Bálsamo tem com Guillotin - a leitura foi muitíssima interessante (e dentro do enredo para  a queda da monarquia) e me permitiu terminar a leitura antes do prazo estipulado.

Esta saga apresenta o gérmen que surgiu para a  queda da monarquia francesa. José Bálsamo, um líder maçônico e alquimista (entre outros títulos) deseja tirar o rei Luís XV e sua descendência do poder e declarar a monarquia extinta. Para isso, conforme primeiro livro, ele pediu um prazo de vinte anos para a realização do projeto - prazo este que ele considerou justo para arrancar a monarquia pela raiz e não permitir a sua ascensão ao trono novamente.

Por hoje é só, começo a leitura do quarto e último volume desta primeira parte!

Omnia Vanitas

14 de abril de 2020

Fábula de La Fontaine..


O Ancião e os Três Jovens

Um octogenário plantava árvores.
"Construir, nessa idade, entende-se; porém, plantar árvores?, diziam três Jovens da vizinhança. "Sem dúvida, está caduco! Que fruto obterá de seu trabalho? Quantos anos você ainda tem de vida? Por que trabalhar para um futuro que não vai aproveitar? Pense nos erros passados, renuncie às esperanças futuras e aos empreendimentos ambiciosos. Este solo é bom somente para nós".
"Não é assim", respondeu o Ancião. "Tudo o que projetamos tarda em se realizar e dura pouco. As pálidas Parcas jogam da mesma forma com os seus dias e com os meus. Igualmente breves são suas vidas. Quem de nós será o último a ver a luz do dia? Meus bisnetos e tataranetos se lembrarão de mim como um homem honrado que se aplicou no trabalho para o bem alheio. Essa satisfação é um fruto que eu colho e saboreio hoje mesmo, e saborearei amanhã e alguns dias mais, pois é possível que eu veja muitas auroras sobre a sepultura de vocês".
O Ancião tinha razão.
Um dos três Mancebos se afogou no porto, indo para a América. Outro, ansioso por alcançar os primeiros postos nas missões de Marte, servindo à República, sucumbiu a um golpe imprevisto. O terceiro caiu de uma árvore que tentava cortar; e o Ancião, depois de chorar sua morte, escreveu na lápide funerária o que acabei de contar.

Fábulas de La Fontaine, ilustrações de Gustave Doré, editora Lafonte.




LE VIEILLARD
ET LES TROIS JEUNES HOMMES

Un octogénaire plantait. (1)
Passe encor de bâtir ; mais planter à cet âge !
Disaient trois Jouvenceaux, enfants du voisinage ;
Assurément il radotait.
....... ...... Car au nom des Dieux, je vous prie,
Quel fruit de ce labeur pouvez-vous recueillir ?
Autant qu'un patriarche il vous faudrait vieillir.
À quoi bon charger votre vie
Des soins d'un avenir qui n'est pas fait pour vous ?
Ne songez désormais qu'à vos erreurs passées :
Quittez le long espoir et les vastes pensées ;
Tout cela ne convient qu'à nous.
Il ne convient pas à vous-mêmes,
Repartit le Vieillard. Tout établissement (2)
Vient tard et dure peu. La main des Parques blêmes
De vos jours et des miens se joue également.
Nos termes(3) sont pareils par leur courte durée.
Qui de nous des clartés de la voûte azurée
Doit jouir le dernier ? Est-il aucun moment
Qui vous puisse assurer d'un second seulement ?
Mes arrière-neveux me devront cet ombrage :
Hé bien défendez-vous au Sage
De se donner des soins pour le plaisir d'autrui ?
Cela même est un fruit que je goûte aujourd'hui :
J'en puis jouir demain, et quelques jours encore ;
Je puis enfin compter l'aurore
Plus d'une fois sur vos tombeaux.
Le Vieillard eut raison ; l'un des trois Jouvenceaux
Se noya dès le port allant à l'Amérique.
L'autre, afin de monter aux grandes dignités,
Dans les emplois de Mars servant la République, (4)
Par un coup imprévu vit ses jours emportés.
Le troisième tomba d'un arbre
Que lui-même il voulut enter ; (5)
Et pleurés du Vieillard, il grava sur leur marbre
Ce que je viens de raconter.

La forme est celle d'une narration ; en fait, une inscription "gravée dans le marbre" par l'un des personnages de la narration...ce que nous révèlent les deux derniers vers.
La narration trouve ses sources dans Abstémius où le débat se limite à un vieillard et à un seul jeune homme qui se tue en tombant d'un arbre où il était monté pour prendre des greffes.
Ce modèle est enrichi de nombreux souvenirs d'Horace, Sénèque, Cicéron, Virgile.

(1) faisait planter
(2) tout ce que l'homme établit
(3) les limites de notre existence
(4) l'État
(5) greffer

fonte: clique aqui

Omnia Vanitas 💀

13 de abril de 2020

Leitura treze..


Olá, confinado leitor!

Fim de mais uma leitura! E que leitura! Eu concordo com cada letra da frase da professora Maria Lúcia Dias Mendes: "Alexandre Dumas é um bom contador de histórias". Ele sabe como deixar suas histórias com um gosto de "quero mais". 

A condessa Du Barry ainda não tem descanso com o seu França (Luis XV). Por falar neste apelido, eu acho uma graça quando ela o chama por esta alcunha. 
Para Dumas, Luis XV é um rei que reina sem se preocupar com o presente e com o futuro. O futuro não é da responsabilidade daqueles que o viverão, e o presente se resolve sozinho. 

José Balsamo usa da sua alquimia para trazer alguém para o seu lado - comprado. E o mais engraçado é que ele precisa passar recibo (da compra) para seus companheiros da seita. 
Ainda sobre Balsamo, sua esposa o ama quando está em transe de sono mas o renega quando está acordada. Dormindo, ela tenta seduzir seu marido para que a noite de núpcias seja consumada; acordada jura que irá matar-se se ele tocar nela. E Balsamo concorda que deseja tocá-la mas para sua feitiçaria precisa que ela se mantenha virgem. Interessante.

Ainda sobre casamentos não consumados, o Delfin tem o seu casamento mas uma noiva histérica no quarto. Mas ele não se preocupa visto que também não seduz sua noiva para levá-la à alcova. Fica nesse zero à zero, todos dormindo: ele no sofá e ela de frente para o altar. Os únicos acordados são os parisienses e o rei Luiz XV - que espia pela porta e vê o que não lhe agrada. 

E para os corações partidos, Gilberto continua apaixonado pela sua Andréa, apesar do desdém da moça. Vive como um que sofre todo o sofrimento daqueles que ousam amar uma realização impossível. 

A filosofia de Rousseau é o ponto de Arquimedes para Balsamo. Através dela o alquimista pretende derrubar a monarquia francesa.

Estou gostando muito da leitura, ela é envolvente e dinâmica. A história de cada personagem e sua trama tornam a leitura rápida e agradável. A construção da narrativa me lembrou muito o livro O Conde de Monte Cristo pois cada personagem tem a sua construção pessoal dentro dela, mesmo o egoísta barão de Taverney.

Omnia Vanitas 💀

Os Meninos da Rua Paulo - Prefácio

  Olá, abandonado leitor!  Comecei neste final de semana a leitura de "Os Meninos da Rua Paulo". Ainda não cheguei na página 50, a...